Ler Vamos nos Encontrar Vivos (Novel) – Capítulo 148 Online

↫─Capítulo 148
— ……
— Não havia muito o que preparar, mas, naquela época, eu era obsessivamente meticuloso com a limpeza. Se você estivesse sujo, os boatos vinham logo atrás. As pessoas diziam: “Ele cheira mal, não chegue perto”, ou “A família dele deve ser pobre, provavelmente cheia de germes — que nojo”.
— ……
— Embora não estivesse exatamente errado, ouvir aquilo doía profundamente quando eu era criança. Por isso, eu usava uma barra barata de sabão de lavar roupa, daquelas que dava para comprar por 500 won na mercearia da esquina, para me esfregar inteiro.
— ……
— Naquele dia, fui ao banheiro para me lavar, e meu pai estava lá.
— Não me diga que…
— Ele cortou os pulsos e acabou com a própria vida. Encheu uma bacia grande com água, colocou os pulsos dentro, encolheu-se naquele canto encardido e mofado entre os azulejos… e morreu.
— Ah…
— Foi uma forma tão feia e patética de morrer. Meu pai estava usando uma regata folgada, cueca samba-canção e chinelos de banheiro, e eu me perguntei: o que era tão urgente que ele nem se deu ao trabalho de vestir as calças antes de morrer?
— ……
— É por isso que me tornei tão obcecado em usar ternos. Porque eu desprezo a ideia de morrer de uma forma que pareça tão vergonhosa.
Taebaek fechou os olhos com força. Perder alguém — especialmente um pai — é um choque profundo, mesmo para um adulto formado. Mas Shinu testemunhou isso quando tinha apenas oito anos.
Oito anos. Quando eu tinha essa idade, estava apenas andando por aí com minha mãe, procurando guloseimas gostosas sem uma preocupação no mundo. Shinu foi lançado no coração do inferno. Eu me sentia culpado e envergonhado, embora não fosse minha culpa e eu tivesse apenas quatro anos na época.
Taebaek abraçou Shinu um pouco mais forte, e Shinu, com um sorriso suave, retribuiu o abraço. Que cara de coração bom. Simpatizar de forma tão sincera com minhas memórias desbotadas… era realmente adorável. Puxando o saco de dormir sobre o ombro de Taebaek, Shinu continuou sua história.
— Quando olhei para o cadáver do meu pai naquele dia, pensei comigo mesmo.
— ……
— Ah, esta vida está arruinada.
Shinu disse, com um tom exagerado. Ele estava tentando aliviar o clima, mas isso só deixou Taebaek ainda mais triste. Shinu riu sem jeito, acariciando a testa de Taebaek levemente. — Eu estou realmente bem… — ele murmurou baixinho para si mesmo, mas a nuvem negra pairando sobre a cabeça de Taebaek não se dissipou tão facilmente.
Shinu, imaginando como consolar Taebaek, decidiu continuar seu relato. Ainda restava uma boa parte, e talvez fosse mais fácil para as emoções de Taebaek se ele guardasse o consolo para quando tudo tivesse sido dito.
— Depois disso, como um órfão completo, fui para um orfanato, onde as coisas foram pacíficas na maior parte do tempo.
— ……
— Na Coreia, contanto que você se encaixe nos limites de pobreza definidos pelo governo, na verdade existem muitos serviços sociais. Eles te dão dinheiro para comprar frutas, bolos de aniversário e até cobrem as despesas de excursões escolares.
— ……
— Eu estava muito melhor do que quando morava com meu pai. Meus amigos eram legais, o diretor era gentil e o chão onde eu dormia era quente. Se eu tivesse ficado lá até a idade adulta, talvez tivesse acabado levando uma vida aceitável.
— Por quê? Você não ficou lá?
— Depois de cerca de um ano, cobradores de dívidas começaram a ir ao orfanato.
— Você não renunciou à herança?
— Eu renunciei. O diretor me ajudou. Abri mão da herança do meu pai, então não era responsável pela dívida dele. Mas aquelas pessoas não se importavam.
— Oh…
— Eles esperavam do lado de fora do orfanato, exigindo saber quando eu os pagaria, dizendo que teriam que vender meus órgãos antes que eu ficasse velho demais, e que, se eu não pagasse, eles abririam todas as crianças do orfanato e venderiam os órgãos delas.
— Desgraçados…
— As coisas pioraram depois que entrei no ensino médio. Eu conseguia suportar a violência direcionada a mim, mas ver meus amigos e o diretor serem afetados por isso era… insuportável.
Shinu soltou um longo suspiro pelo nariz. Ser intimidado e espancado não era novidade. Ele sempre apanhava do pai.
Mas, antes, o sofrimento limitava-se apenas a ele. Os cobradores, no entanto, assediavam seus amigos e o diretor, e isso o fazia sentir como se estivesse perdendo o juízo. Todos diziam que não era culpa dele, mas ele via que eles estavam ficando exaustos.
Naquele ponto, Shinu teve que tomar uma decisão. Quando atingiu a idade legal para deixar o orfanato, decidiu ir embora — e agiu imediatamente.
— Por isso eu fugi.
— ……
— Para o exército.
— ……
— Eles não podem te seguir lá.
Com o tom pragmático de Shinu, Taebaek soltou uma risada seca. Ele sempre pensou que Shinu havia se juntado às Forças Especiais porque tinha um desejo de morte. Nunca imaginou que também fosse por causa de uma dívida esmagadora e cobradores implacáveis.
Taebaek suspirou repetidamente, e Shinu acariciou sua bochecha afetuosamente, tentando consolá-lo.
— E eles realmente não puderam vir atrás de mim. Depois de passar anos enfiado no exército sem tirar nenhuma licença, eles finalmente desistiram.
— ……
— Graças a isso, consegui me livrar deles rapidamente. No exército, também me tornei indiferente a homens grandes e caras de meia-idade. Mesmo que aparecessem de novo, tenho confiança de que os venceria agora.
— Com certeza. Você acabaria com uma dúzia desses bastardos se eles viessem todos de uma vez.
Shinu riu disso.
— Sim. Mas meu pai ainda me vem à mente de vez em quando… muito raramente. Não de propósito, mas às vezes, como ontem, se eu encontro algo que me lembra dele, tenho um flashback, fico sobrecarregado ou até desmaio.
— Ah…
— Ver um cadáver com os pulsos cortados, como no banheiro agora, pode me fazer ter alucinações e desabar.
Shinu riu sem jeito, envergonhado por revelar um lado tão vulnerável. Especialmente para Taebaek, a quem ele nunca queria decepcionar. Mas, ao mesmo tempo, não queria manter isso escondido. Com Taebaek, sentia que podia compartilhar tudo. Ele queria isso.
Taebaek era a pessoa que ele amava, e alguém que o amava de volta.
— Mesmo assim, isso não me incomoda muito. Não importa em quantos campos de batalha eu tenha estado, não se encontra frequentemente um cadáver com os pulsos cortados.
Shinu olhou para ele calmamente, falando em voz baixa já que estavam tão próximos. Eles estavam conversando muito, mas isso não deixava sua voz cansada. Parando para pensar, aquele era provavelmente o dia em que ele mais havia falado em toda a sua vida.
— Por sorte, meu pai não se enforcou. Se tivesse feito isso, eu estaria desmaiando todo dia na cidade de Yongin.
Shinu sorriu levemente. Não era um sorriso autodepreciativo, mas um de alívio genuíno. Realmente, ele teve sorte. Se o pai tivesse se enforcado, ele provavelmente teria desmaiado inúmeras vezes desde seus dias como soldado. Esse trauma poderia ter encerrado sua carreira militar, e ele talvez nunca tivesse se tornado um soldado das Forças Especiais.
Nesse caso, ele não seria o “adulto normal” que era agora.
Shinu aprendera muito no exército. Para listar alguns: o senso de certo e errado, como ser indiferente à dor, a valorizar profundamente a vida e a morte enquanto as aceitava casualmente, e a habilidade de seguir em frente com calma através do tempo. Graças a isso, Shinu viveu uma vida sem grandes problemas.
Então, na verdade, ele era grato.
Mas Taebaek não parecia achar que fosse tanta sorte assim. Sua expressão continuava ficando mais sombria, como se estivesse à beira das lágrimas. Fosse o que fosse que o estivesse perturbando, ele cerrou os lábios com força.
Aquele olhar era tão adorável que chegava a ser indescritível. Fazia os molares de Shinu doerem, e ele sentiu arrepios nas bochechas. Era como ver uma criança de cinco anos com bochechas fofas prestes a chorar por algo trivial.
Shinu segurou gentilmente as bochechas de Taebaek em suas mãos, tentando fazer contato visual. Mas os olhos de Taebaek permaneceram baixos, evitando seu olhar.
— Taebaek-ah.
— …Sim.
— Olhe para mim.
Diante do apelo sincero de Shinu, Taebaek finalmente ergueu a cabeça. Shinu pressionou um beijo rápido em seu lábio inferior, então, encostando levemente seus narizes, sussurrou:
— Eu tive um sonho.
— Um sonho?
— Sim. Você estava nele.
— ……
— Foi um sonho muito bom.
Taebaek piscou lentamente. A cada piscar, a tristeza desaparecia, substituída por curiosidade. Ele parecia feliz por saber que havia aparecido no sonho de Shinu.
— Que tipo de sonho? A gente estava de mãos dadas indo para algum lugar? Fugindo da Coreia para evitar os Devoradores? Ou… foi um sonho safado?
— Uh… não. Nós apenas demos as mãos e atravessamos uma porta.
— O quê…?
Taebaek não conseguiu esconder o desapontamento. Como aquilo era um bom sonho? Eles não correram com um porco dourado, nem voaram pelo céu em um dragão. Shinu riu da cara emburrada de Taebaek e beliscou levemente o lóbulo da orelha dele.
— Mas a sensação foi incrível. Como se eu estivesse crescendo como pessoa. Parecia que eu estava trancando toda a dor pela qual passei do outro lado daquela porta para que ela nunca pudesse voltar.
— ……
— E, de alguma forma, sinto que… de agora em diante, não terei um ataque de pânico mesmo se vir um corpo com os pulsos cortados.
Shinu riu baixinho, seus olhos se enrugando com tranquilidade. Era um sorriso pacífico e leve, diferente da forma como ele estivera gemendo a noite toda como se estivesse à beira de um colapso. Agora, parecia que ele havia se livrado de todo o peso que pressionava seus ombros.
Por isso, Taebaek não pôde deixar de sorrir junto com ele. Se Shinu se sentia bem, que razão havia para ele não se sentir da mesma forma?
Shinu olhou para o sorriso largo e aberto de Taebaek com um olhar de puro afeto. Incapaz de resistir, ele se inclinou e plantou beijos nos cantos da boca de Taebaek.
— Sabe — Shinu murmurou — , estou começando a pensar que talvez Deus não seja tão cruel, afinal.
Diante desse comentário aparentemente despretensioso, a cabeça de Taebaek ergueu-se num sobressalto, seu olhar aguçando-se com desafio em seus olhos triangularmente intensos.
↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna
Ler Vamos nos Encontrar Vivos (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Um vírus zumbi se espalhou na pacífica Seul.
A Coreia deu aos zumbis o nome de ‘Meogbo/Comedores’, e, após uma luta, eles falham em erradicar os meogbo.
– Caros coreanos, no dia 30 de setembro, nosso governo e Seul decidiram abandonar a Península Coreana.
– Venham para Jeonnam.
– Os militares estão esperando no Porto de Mokpo, em Mokpo, Jeollanam-do.
– Queridos cidadãos. Vamos todos nos encontrar vivos.
Shin-hoo: um bodyguard bruto, das forças especiais.
Han Tae-baek: um chefe brincalhão, de rosto frio e estômago fraco.
Han Tae-baek precisa sobreviver, Shin-hoo precisa salvar Tae-baek.
Juntos, os dois navegam por um mundo em caos.
– Se você achar que sua vida vai correr perigo para me salvar, então me abandone. Eu não quero ir para lá.
Tae-baek tentou falar com calma.
– Não vou te deixar sozinho. Não importa o que aconteça, não vou embora.
Shin-hoo respondeu com seu tom calmo característico.
Os dois se aproximam à medida que passam tempo juntos.
Tae-baek descobre a ternura escondida na indiferença de Shin-hoo; Shin-hoo se encharca do afeto imprudente de Tae-baek.
– Você gosta de mim? Acho que vou me apaixonar em alguns dias. É o que estou sentindo.
– …
– E talvez você também me ame.
Tae-baek confessa seu amor com orgulho, sorrindo como um garoto que acabou de viver seu primeiro amor.
Shin-hoo ri baixinho, sem responder.
Os ‘Comedores’ se aglomeraram ao redor dos dois.
Não morra, não desista. Vamos todos nos encontrar vivos.
Nome alternativo: Vamos Nos Encontrar Vivos Stay Alive Lets Meet Alive