Ler Uma noite só para dois. – Capítulo 47 Online

Modo Claro

O grão-duque Alassis foi destruído e seus associados foram despedaçados como efeito colateral. Ele não podia mais entrar na família real e, evidentemente, um dos mais afetados havia sido Isaac Jodrick, que estava atualmente na prisão aguardando sua sentença. Naito ficou triste ao ver a queda de toda a família de Rayan, então, eventualmente, ele desligou a televisão e voltou para o colchão.

O pai estava olhando alguns papéis, totalmente encostado na cabeceira da cama. Naito se arrastou até ele, então Elsie tocou sua cabeça para cima e para baixo. Ele gostava da mão grande de seu pai e gostava de como se sentia quando tocava seu cabelo. Ficou bem quieto.

Papai beijou sua bochecha:

— Papai não pode brincar agora, bebê. Estou ocupado.

— Eu nunca pedi para você brincar comigo.

Naito, murmurando isso com uma voz um tanto vaga, olhou atentamente para os papéis em suas mãos. Tudo estava relacionado ao grão-duque de Alassis. Naito ergueu os olhos e olhou para o queixo pontudo de seu pai. Quando percebeu que era muito insistente, finalmente olhou para baixo e o observou também. Fazendo contato visual por mais de 15 segundos, ele riu.

— Você está muito curioso?

—… Pai, você está realmente bem?

O pai colocou os papéis que estava olhando na mesa de cabeceira e envolveu o rosto de Naito perto do seu. Seu rostinho estava completamente coberto pelas mãos enormes de seu pai, então ele o achou encantador demais para suportar. Naito, sentindo o calor subir em suas palmas, abriu os olhos ao extremo. Papai estava todo nu. Na verdade, podia ver a parte superior de seu corpo perfeitamente diante dele. Um abdômen sem gordura e bastante definido que o fez colocar as mãos nele.

— Papai vai ficar bem?

O pai, que ergueu o queixo de Naito até ficar ao seu nível, disse com grande ternura:

— Baby… eu tenho uma grande responsabilidade para com o arquiduque Alassis. É uma falha que eu não posso protegê-lo, então eu tento conseguir evidências que irão beneficiá-lo.

— Então, por que você vai a escritórios de advocacia com tanta frequência?

— Bom. Eu tenho que dizer que é prevenção. Não há nada de errado comigo.

Elsie terminou sua defesa, falando bem antes de se virar e pressionar Naito completamente contra o lençol. Naito, lendo os desejos sexuais no rosto de seu pai, engoliu em seco e negou. Não era razoável fazer sexo com um corpo que não foi curado.

— Estou cansado.

— Hmm, cansado de que maneira?

— Pai, eu sei que você não tem o hobbie de incomodar pessoas doentes. Vamos fazer isso mais tarde, ok?

 

Mais tarde.

Seu pai sorriu e se deitou de lado enquanto estica os braços para segurá-lo contra o peito. Então, ele colocou o queixo na cabeça do filho e deixou seu hálito quente fazer cócegas na pele dele. Encolheu os ombros.

— O que você pensou sobre ir para a faculdade?

— Na verdade, nada.

— Você não quer ir mais?

— Realmente não.

— Você quer ficar em casa o tempo todo? Você gostava de andar a cavalo. Quer cavalgar de novo?

— Eu odeio.

— Então o que você quer fazer, meu amor?

Seu pai parecia ansioso para que ele quisesse fazer alguma coisa. Mas, atualmente, Naito não tinha vontade de fazer nada. Era porque seu corpo e mente estavam exaustos? Ele queria descansar o tempo todo.

Naito, que brincava com o dedo do pai, pensou de repente: se havia algo que ele queria fazer, mas não podia por causa do pai. De repente, ele virou o corpo e colocou os dedos contra seu peito. Os olhos do pai brilharam por causa de Naito, que estava tocando suavemente cada parte de sua carne.

Começou:

Quero viajar.

— Absolutamente não.

Seu pai o interrompeu e recusou. Naito riu disso como se soubesse que iria agir assim. Por muitos anos, ele ouviu as palavras “não”.

— Se for esse o caso, que tal você e eu irmos juntos?

—… O que?

— Vamos fazer uma viagem. Para o exterior. Vamos juntos depois que tudo isso passar.

— Tem certeza que quer ir comigo?

— Sim.

Seu pai cobriu os olhos de Naito com as palmas das mãos antes de começar a beijá-lo com um sentimento de amor infinito. Sussurrou:

— Então você tem que melhorar sua montagem.

— Por que você ainda insiste em que eu cavalgue?

Naito grunhiu, então seu pai finalmente tirou a mão de suas pálpebras e tocou suas lindas bochechas expostas. Ele disse, com os lábios ainda na boca:

— Você é a coisinha mais sexy quando está cavalgando.

O pai deslizou os braços para agarrar suas coxas com força. Naito abriu os olhos pela metade e olhou para ele:

— Pare.

Eu não vou fazer isso até que você me prometa que vamos andar a cavalo da próxima vez.

— Como podemos andar a cavalo juntos?

Quando Naito perguntou sobre isso como se achasse que ele já tinha enlouquecido, seu pai respondeu:

— Papai vai te ensinar.

— Papai é muito estranho quando propõe coisas assim.

Naito tentou dormir, ignorando seu pai e suas estranhas promessas.

No entanto, mais tarde, eles aprenderam a montar cavalos juntos.

***

Assim que seu novo celular ficou disponível, Naito mandou uma mensagem para Ain, que estava esperando por sua ligação há muito tempo.

Não muito diferente do que era esperado, Ain ligou para ele imediatamente após ver o texto:

[Ei, filho da puta! Você está louco? Quer morrer? Explique tudo para mim!]

Naito ficou triste com os palavrões que vieram antes dos cumprimentos principais. Não tinha muita confiança para falar com ele quando sentia como se tivesse cometido um crime de guerra.

— Sinto muito.

 

[Você acha que tudo se resolve com um ‘sinto muito’? Porra! O que aconteceu? Tudo parece um desastre. Rayan, você, seu maldito pai.]

O que deveria dizer? Pensou seriamente nisso por um tempo razoável, mas não conseguiu encontrar as palavras certas para respondê-lo. Naito, com um sorriso amargo, finalmente respondeu:

— Nós terminamos. É provavelmente por isso que ele acabou enlouquecendo.

[… Você sabe que ele está no hospital agora mesmo?]

Esperava isso até certo ponto. Naito usou os dedos para pintar um monte de círculos sem sentido na mesa.

— Eu sei.

[Você disse a ele a razão pela qual era melhor terminar?]   — Sim.

Ain ficou em silêncio e, em seguida, com um suspiro profundo, murmurou:

[Bem, então eu posso entender um pouco o motivo de sua loucura. Deve ter sido muito, muito doloroso para ele.]

Ain estava certo, mas Naito não se arrependeu nem um pouco de sua decisão. Mesmo se voltasse ao tempo em que parecia que tudo estava bem entre os dois, ainda pensava que todos os caminhos existentes o levariam a isso. Naito se sentou na cama e bateu os pés no chão de mármore. O pai permitiu que saísse e deu-lhe dinheiro e um celular bastante funcional, mas havia uma condição: ele tinha que chegar às 9 da noite e não podia consumir álcool ou tabaco. Claro que não poderia passar a noite em lugar nenhum. Naito sentiu que não era um grande problema porque ainda não tinha amigos com quem queria passar a noite, por isso, sem pensar muito, aceitou as condições do pai dizendo simplesmente que estava bem. No entanto, agora estava com medo de sair sozinho porque havia estado sob o controle de seu pai por seis longos anos. Claro, até lhe perguntou muito timidamente:

“Posso mesmo sair?” Com a cabeça baixa e como se ainda fosse uma criança pequena.

Mas não tinha nada para fazer ultimamente e estava começando a ficar muito chato.

[Podemos nos encontrar para conversar?]

—… É claro.

[Você pode ir tomar uma cerveja comigo?]

Ain perguntou com cuidado, sabendo que seu pai certamente o havia impedido de beber. Naito respondeu com uma risada impotente.

— Não.

[Então só eu vou beber. Quando você está livre?]

— Qualquer dia está bem.

[É sério? Então, verei a hora e o lugar e te ligo de volta.]

— Está bem.

Naito encerrou a ligação e deitou-se pesadamente sobre sua cama. Era inútil. O pai ganhava muito dinheiro e tinha um trabalho que poderia facilmente render muito mais, mas ele só havia lhe dado algumas notas em uma carteira velha. E o que ele podia realmente fazer com isso? Como seu pai disse, se estivesse muito entediado com esta vida, ele poderia simplesmente ir para a faculdade. Mas que motivo teria realmente quando no final acabaria preso como de costume?

Naito, que estava analisando suas poucas opções enquanto olhava para o teto, voltou-se para o novo toque de um celular. Era uma chamada de seu pai. Quando Naito apertou o botão para atender, ouviu um breve:

[Desça.]

— Por que?

[A família inteira vai comer junto depois de muito tempo sem fazer isso.]

Dizer que era um membro da família era muito irritante, então Naito sentiu como se tivesse areia por toda a boca. Enquanto Naito permaneceu em silêncio, seu pai continuou lentamente:

[Você não vai viver a vida inteira sem ver o Alto. As brigas entre irmãos não são boas para o nosso bem.]

— Alto não vai querer me ver.

Naito deu uma desculpa rápida, então seu pai apenas riu. Alto acabara de voltar do exterior, nas palavras fofoqueiras do mordomo, e é claro que era incrivelmente desconfortável só de pensar em tê-lo ali novamente. Seu pai abriu a boca novamente:

[Então venha aqui como um favor para mim.]

Queria que ele fosse para a casa onde seu pai, Naito e Alto moravam antes. Era um lugar onde havia crescido por mais de 6 anos, com seu próprio quarto, suas coisas, suas roupas e, comparado ao lugar que lhe tinha dado, mais liberdade e zero câmeras de segurança colocadas nas janelas.

[Coloque algumas roupas. Te espero aqui.]

Papai, que parecia estar falando com sigo mesmo, desligou o telefone sem dizer outra palavra, então Naito jogou seu celular direto em um canto. Papai estava se comportando de uma maneira extremamente amigável com ele, mas quando queria algo ou dava uma ordem, se voltava mais frio do que qualquer outra pessoa no mundo.

Por causa das ações desagradáveis de seu pai, Naito começou a reclamar até que seus pensamentos terminaram em grunhidos. Ele não queria ir, mas, como o pai havia dito, ele não poderia passar uma vida inteira sem falar com seu irmão. E enquanto vivesse no território de seu pai, teria que fazer o que ele quisesse.

Ele vestiu a camisa do pai e desceu as escadas.

Foi até o armário para encontrar aquela camisa com capuz azul escuro que ele tanto gostava e um jeans preto bem simples. Olhando no espelho, arrumou o cabelo, as mangas e seu colo, e quando finalmente olhou pela janela, percebeu que a neve estava caindo tanto que o mundo começou a parecer um papel de desenho branco. Seu pai estava em sua própria casa e levaria 10 minutos para caminhar até lá. Suportaria o frio por 10 minutos ou teria que usar um suéter mais grosso? Naito, que estava preocupado com isso, tirou outro casaco.

Ao abrir a porta, descobriu que o vento já havia se misturado à neve. Fazia um frio de rachar, então Naito colocou as mãos nos bolsos e andou o mais reto que fosse possível. Algo semelhante havia acontecido há um tempo e exatamente na mesma hora: Quando Alto tinha 10 anos, no dia em que sua mãe morreu repentinamente e eles foram morar na casa de seu pai, tiveram que caminhar por ruas congeladas que pareciam tão magníficas como nos programas de televisão. Naito e Alto ficaram encantados com esta bela mansão e seu charmoso proprietário. Agora, em comparação com aquele momento, poderia dizer que era muito mais gentil e compreensivo com ele do que naquela época.

No entanto, desta vez a beleza de seu pai havia atingido o ponto máximo que o fazia brilhar como um sol. Assim que o viu, seu coração bateu forte diante do quão impressionante era. Um menino de 14 anos obviamente iria experimentar isso: a sensação de alívio ao ver que também tinha um pai, a expectativa de que não teria que morrer de fome novamente e a emoção de ser amado por outra pessoa. O pai pisou nisso tudo, passo a passo, durante 6 anos e lhe deu um carinho completamente diferente.

Ao lembrar do passado, em pouco menos de 10 minutos acabou chegando na casa que seu pai ainda dividia com Alto.

O coração de Naito estremeceu com a ideia de ver seu irmão quando era evidente que ele sabia de seu relacionamento que mantinha com o pai. Sentiu ansiedade e também uma necessidade terrível de se virar e voltar para o seu quarto. No entanto, de repente ouviu o som de passos vindo em sua direção e o impressionante barulho de neve.

— Ah…

Era Alto, que havia se afastado alguns centímetros da varanda da frente.

Alto tinha crescido muito ultimamente. Ele ainda parecia estranho, embora tivesse um olhar de homem maduro em suas pupilas. Herdou todos os genes de seu pai e, consequentemente, tinha um bom físico e um rosto incrivelmente bonito. A altura de Alto era semelhante à de seu pai e Naito murmurou sem perceber.

— Ele continua sendo muito maior.

Alto disse, fechando a boca com força segundos depois e evitando seu irmão a todo custo. Foi a reação esperada, assim que Naito nem se surpreendeu, embora pudesse dizer que estava incrivelmente envergonhado. Esperava que o jantar preparado por seu pai terminasse logo, então começou a pedir isso a Deus enquanto entrava lentamente em casa..

O interior era o mesmo de antes. O salão espaçoso, imitando as casas dos nobres antigos, não tinha nada além de esculturas e relógios de aparência incrivelmente cara. As escadas, localizadas ao centro, divididas em ambos os lados e conectadas no segundo andar e, de tamanho avassalador, um lustre de ouro e cristal lançavam luz de cima para dar a ilusão de que estavam caminhando sobre águas brancas. A sala de estar continuava à esquerda e a sala de jantar da família à direita.

Naito ainda estava atrás de Alto, andando muito mais devagar do que seria considerado normal. Havia uma mesa para dez pessoas e, obviamente, papai estava sentado no centro da mesa. Ele usava uma jaqueta azul marinho escuro sobre uma camisa social branca e, é claro, uma gravata que combinava perfeitamente com todas as roupas. Tinha gel no cabelo, o queixo raspado e, assim como um nobre arrogante, sorria de uma forma incrivelmente ampla. Alto cumprimentou-o ao vê-lo, o pai assentiu e então colocou toda sua atenção em Naito, que mal andava. Naito parecia um zumbi. Havia tirado o suéter para se aproximar do pai, então um homem que trabalhava na casa se aproximou e ajustou sua cadeira.

— E quanto a essas roupas?

Seu pai olhou para Naito antes de estalar a língua. Como um homem que sempre passou a vida usando um terno de três peças, ficar com raiva de vê-lo em um vestuário simples parecia ser uma reação natural. Naito encolheu os ombros:

— O que tem?

— Eu deixei um monte de ternos bonitos no quarto, por que você nunca os usa?

— Eu me sinto confortável com isso.

O pai franziu a testa.

— Você não pode sair por aí se vestindo casualmente só porque é confortável. Mesmo quando se trata de você.

— Só estava vindo para a sua casa de qualquer maneira.

Embora Naito tivesse acrescentado isso com uma voz descuidada, seu pai gradualmente fechou a boca e não protestou mais. Em vez disso, ele silenciosamente começou a comer a sopa que estava na sua frente, então, como se fosse um convite, Naito e Alto também começaram a comer em seu próprio ritmo.

Ao estar em família, papai não precisava seguir a típica ordem de comida nobre, então acabou comendo salada, sopa, pão, carne, frutos do mar e uma sobremesa farta para finalizar. O que havia preparado hoje era o favorito de Naito, um bife. Quando cortou delicadamente com uma faca, saiu sangue porque Naito gostava do ponto assim. Seu pai também comia, embora ele tivesse um comportamento incrivelmente limpo e elegante que contrastava muito com as atitudes de seus filhos. Inclusive mastigava a comida em silêncio. Então, agarrou a taça de vinho e a inclinou ligeiramente até que seus lábios ficassem vermelhos.

 

Você se reconciliou com seu irmão?

Seu pai disse algo em que eles nem haviam chegado pensar. Tanto Alto quanto Naito ficaram em silêncio, então o pai acabou suspirando. Tocou sua testa suavemente e falou novamente:

— Devem se reconciliar ou pensam em não se falar para sempre?

— Eu vou fazer as pazes.

Alto respondeu em um sussurro.

— Então faça isso agora.

Naito não gostou que seu pai tentasse intervir em sua irmandade. Alto e Naito não conseguiam voltar aos seus velhos hábitos e nem mesmo o queriam. Era estranho porque o pai nunca tinha se envolvido em nada que incluísse suas vidas. Na verdade, tratava de mantê-los afastados ou os negligenciava a ponto de acabar favorecendo apenas um lado. Naito e Alto se entreolharam.

— Não são mais crianças — seu pai disse com um sorriso estranho.

— Quanto tempo podem viver assim? Conversem e tente se dar bem.

Ele havia falado de maneira clara e suave, mas seus olhos eram frios como uma arma carregada. Naito foi forçado a se mover em uma atmosfera que parecia tão dolorosa quanto um tapa na bochecha e Alto, contendo a respiração, acabou olhando nos olhos de seu pai sem saber exatamente o que fazer com sua nova ordem. Mas para sobreviver em um ambiente gelado, naturalmente tinha que ouvi-lo, foi o que aprendeu e o que sempre havia feito. Sucumbir aos olhos, os gestos e palavras de seu pai não era algo novo para ele, afinal. Então o Alto se levantou primeiro e estendeu a mão. Naito a agarrou antes que seus dedos chegassem muito perto. Disse:

Hyung.

Ele estava desconfortável consigo mesmo e Naito não estava melhor que ele. Fez um tom de voz muito baixo para que seu pai não pudesse ouvir e, como quando eram muito pequenos e liam contos de fadas para que pudessem dormir, sussurrou:

— Esqueça tudo e viva bem.

Alto olhou para o rosto de Naito e então desviou o olhar para baixo. Naito o agarrou um pouco mais e apertou sua mão sem se importar com a reação que poderia ter ao fazê-lo. O jovem riu secamente diante da atmosfera horrível.

— Você está chateado?

Alto acenou com a cabeça diante da pergunta de seu pai e, claro, assim que eles terminaram suas palavras soltaram as mãos, os dois voltaram para seus respectivos lugares. Alto não conseguia continuar comendo facilmente e quando a comida tocou os lábios, o pai finalmente perguntou:

— Há algo que você queira dizer?

O jovem parecia zangado quando deixou escapar:

— Você é meu irmão mais velho ou amante do meu pai?

— Coff, Coff, Coff!

Naito, que acabara de beber água, tossiu com um ataque inesperado. A água ficou presa em sua garganta por isso foi terrivelmente doloroso, mas Alto continuou falando sem parar:

— Como tenho que me referir a você de agora em diante?

Se o tratar como um irmão mais velho, seu pai ficará com raiva, e se o tratar como um amante, você ficará com raiva. — As preocupações de Alto foram resolvidas por seu pai. — Já que ele é uma pessoa que divide a cama com seu pai, eu diria para tratá-lo como meu amante. Poderia até ser sua madrasta.

— Eu quero parar.

Naito se levantou, mas a mão de seu pai não o deixou ir. Elsie pegou o pulso de Naito e puxou-o para a cadeira. E logo, o soltou. Naito franziu a testa e tocou os cotovelos que haviam atingido a madeira. Mas a vergonha era maior do que a dormência. Ter que ouvir essas palavras de seu irmão mais novo era insuportável, então Naito acabou baixando a cabeça. Já não conseguia comer, o seu apetite era inexistente e parecia que só ouvia o som escandaloso do seu próprio coração. Por isso que não queria vir para esta casa. É por isso que não queria ver o Alto.

Embora reconhecendo os sentimentos de seu filho, o pai voltou a falar afetuosamente:

— Os chamei aqui porque precisava que todos nós nos organizássemos de uma forma que não nos deixasse mais desconfortáveis com isso. É melhor dizer tudo o que pensamos logo de uma vez, cara a cara.

— Eu não…

— Você fez sexo na frente de Rayan, por que isso é mais difícil?

Seu pai sussurrou isso, com os lábios pressionados contra seu ouvido para que Alto não pudesse ouvir. Naito endureceu e abaixou a cabeça, mas não podia falar e mal conseguia respirar direito. Quando seu pai tocou secretamente o interior de sua virilha, Naito se fechou

 

com força e seu coração bateu forte de medo e por uma terrível vergonha.

— Tem que pensar na posição de Alto também. Você não quer mostrar a ele quem manda? Quer continuar confundindo ele? Você é um irmão mais velho, um amante, ou… Você poderia realmente ser uma madrasta?

— Está bem, por favor, pare.

Naito gaguejou, com uma cara que dizia que provavelmente iria começar a chorar. Seu pai o observou com atenção. Os olhos roxos, que pareciam pingar mel, sorriram levemente e então sua boca também deu um sorriso satisfeito. Seu pai ergueu a cabeça e, enquanto isso, acariciava o cabelo de Naito que ainda não conseguia olhar para cima.

Logo, olhou para Alto… Ele engoliu em seco devido a uma estranha atmosfera que fluía dos corpos de seu pai e de seu irmão mais velho que tinha um rosto pálido e lábios trêmulos. Com reminiscências de uma cena em que seu pai e irmão mais velho se beijavam, Alto tossiu como se estivesse sufocando. Não era um pervertido ou um porco, mas tinha que admitir que o irmão mais velho, quando estava se beijando e ofegava porque seu pai o abraçava, era muito erótico.

Às vezes, quando ia à biblioteca ou ao quarto para pedir permissão ao seu pai, escutava os gemidos do irmão atrás da porta. Tentava engolir suas palavras de espanto e silêncio o máximo possível, mas a voz suja superava até mesmo tudo isso. Os gritos, misturados com o som de prazer, tornaram-se doces em sua cabeça.

Mas o pai era rude.

Seus gemidos lhe provocavam erguer o olhar com a terrível curiosidade, assim que Alto, trêmulo, observava através da porta que se abria aos poucos: Na cama, no centro do espaçoso quarto, seu pai estava de costas, sentado e com uma luz baixa que descia como uma pena no ar até se assentarem em músculos que se retorcem dinamicamente. Os ombros largos do pai tinham as pernas finas e charmosas de seu irmão em cima dele, e toda vez que o pai movia as costas, seus pés de marfim agitavam no ar até parecer algo bastante escandaloso. A parte superior do pai era grossa e cobria todo o corpo de seu irmão até o ponto de tudo que ele conseguia ver eram os calcanhares brancos. Uma boneca sustentada pela grande mão de seu pai. Seu irmão não se rebelou, mas toda vez que o pai movia o corpo em sua direção, ele chorava ou se contorcia a ponto de apertar os dedos dos pés.

“Por favor…”

Ele estava implorando a seu pai, mesmo que ele fingisse não ouvir. Ele agarrava seu braço e o pressionava para baixo novamente até que seu irmão mais velho suplico:

“Por favor, papai. Oh, isso dói.”

Suas pernas voltaram a tremiam mais forte, mais rápido e mais selvagem do que antes. Seu irmão mais velho parecia estar segurando o lençol com entusiasmo, como se estivesse agarrando uma corda. Seus pés, que estavam pendurados sobre aqueles ombros grossos, fluíram para os antebraços de seu pai e então ele terminou por acomodá-los ao redor de sua cintura enquanto empurrava o pênis com uma velocidade tremenda até que estivesse todo dentro. Cada vez, seu irmão implorava mais e mais:

“Espere espere…”

“Chore mais. Você é o mais belo do mundo quando chora.”

Ouvindo a doce voz de seu pai, Alto fechou a boca e deu um passo para trás. Ele, que os olhou por um tempo, estava tremendo como uma criança que cometeu um erro. Se assustou, deu meia-volta e saiu correndo. Não queria saber o que estava acontecendo com seu irmão. Também não queria vê-lo chorar. Não queria mais presenciar o amor de seu pai por seu irmão e o mesmo acontecia com todos os trabalhadores da família, então quando o pai ia para o quarto de seu irmão mais velho ou eles estavam sozinhos, todos escapavam para longe e começavam a se ocupar em outras coisas. Mesmo que não fosse um segredo na casa, cada vez que os viam, não podiam deixar de se sentirem envergonhados.

Alto, que se lembrou dos acontecimentos daquele dia, cobriu o rosto de vergonha. Seu pai, que foi o principal motivo disso, encerrou a conversa olhando com atenção para o filho, que parecia mais confuso do que nunca:

— De agora em diante, quero que você o veja apenas como amante de Elsie. Não como seu irmão ou filho de seu pai. Então, a longo prazo, você também se sentirá confortável com isso. Ou não?

Alto respondeu, ignorando seu irmão pálido:

— Sim.

No final desse dia, Naito vomitou tudo o que havia comido enquanto seu pai batia suavemente nas suas costas. Naito, que estava completamente pendurado no vaso sanitário, retirou a mão de seu pai e o afastou até que cambaleou e acabou se levantando para ir até a pia. Ele lavou o rosto, enxaguou a boca, colocou as mãos contra a parede e olhou para o pai através do espelho. Quando olhou em seus olhos penetrantes, seu pai sorriu gentilmente novamente:

— Me odeia?

— Você não precisava fazer isso.

Seu pai, que ouvia calmamente a voz quebrada de Naito, o agarrou pelo ombro e o puxou até abraçá-lo pelas costas.

— O que você faria se eu não fizesse isso? Não seria mais estranho se continuássemos com esse papel de pai e filho? Então, eu fiz isso por você. Não deveria ser grato?

— Já sabia que Alto e eu não podíamos mais ser irmãos então… — Naito, que ficou em silêncio por um longo momento, olhou para o pai no espelho e disse com ressentimento. — Por que você é tão cruel?

— Ser cruel faz parte de mim. — Seu pai franziu a testa e abriu a boca com uma expressão séria. — Mas eu não sou tão estúpido quanto você pensa. Você pode andar, não pode? Eu poderia ter prendido você no quarto e cortado todos os seus tendões… Mas não fiz.

Naito, ouvindo isso, franziu a testa ligeiramente. Seu pai não disse nada e simplesmente escolheu acariciar seus cabelos molhados com a ponta dos dedos até que o acalmasse.

— Esqueça do Alto. O menino vai viver sua própria vida à sua própria maneira. Em vez disso, se você tivesse continuado com esse jogo de irmão mais velho, Alto o entenderia muito mal no futuro. Ele ficaria confuso.

— Eu sei.

Seu pai dobrou os joelhos e fez contato visual direto com Naito antes de rir novamente. Sorriu, então Naito esqueceu por um momento que ele era um pai incrivelmente estúpido, estúpido e malvado. Na verdade, seu pai estava sorrindo como um anjo. Quanto mais o olhava, mais difícil era para ele suportar seu coração, então não disse mais nada e abaixou a cabeça.

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Continua…

 

Ler Uma noite só para dois. Yaoi Mangá Online

Os irmãos mais novos, Naito e Alto, que perderam a mãe, deixam suas famílias há muito tempo e partem para a capital em busca de seu único parente, seu pai. Lá, seu pai Elsie, que mora em uma mansão, cumprimenta os dois com olhos lânguidos, mas ameaçadores. Elsie mostra uma resposta morna a Alto, que se parece com ele, mas também mostra um interesse sutil por Naito, que se parece com sua mãe. Ele permite que duas pessoas vivam em sua mansão.
E é aí que começa a noite secreta dos dois….
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Elsie Benjamin Jedan: 38 anos. Bonito, charmoso, carismático, tem jeito para conseguir o que quer. Mas por trás dessa fachada de homem do mundo se esconde um monstro; calculista, estuprador, sem moral, obsessivo e perigoso.
Quando seus 2 filhos vão morar com ele, ele desenvolve uma obsessão incomum por seu filho Naito.
Sob 3 condições, ele aceita que eles vivam em sua mansão, mas na realidade essas são desculpas para ter Naito sob seu rígido controle. Quando Naito o desobedece, ele perde a paciência da pior maneira possível…..
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A novel inteira é incestuosa, contém estupro e todo tipo de abuso. Gatilho a cada capítulo. Então quem não se sente bem com esse tipo de temática, recomendo que NÃO LEIA ESSA NOVEL. Pois não vou ficar colocando avisos de gatilho a cada capítulo, já estou avisando aqui, então se você for lê-la, esteja consciente que lhe avisei desde a sinopse até aqui. A história inteira é ficção, nada é real.  
✓Beijos e boa leitura~
Nome alternativo: A Night Just For Two

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