Ler To Me, Who Doesn’t Love You (Novel) – Capítulo 04 Online

﹝ Episódio 04 ﹞
Após essa breve conclusão, me levantei, peguei minhas muletas e voltei para o quarto. Eu sobrevivi. Disseram que a amnésia dissociativa geralmente ocorre para se proteger de um choque externo. Do que o eu antes de perder a memória queria se proteger? Do que ele tinha tanto medo? Decidi deixar de lado as perguntas que não podia responder.
Assim, em vez de me preocupar com quem eu era, concentrei-me na recuperação. O tempo passou, e duas semanas depois de recuperar a consciência, os resultados da reabilitação eram visíveis e pude ouvir falar sobre minha alta. E até então, ninguém além do cuidador profissional de meia-idade havia me visitado. Ele, naturalmente, era um funcionário contratado, não um parente.
— Isso é muito estranho. Será que estou sendo mantido em cativeiro?
Minha piada, com um encolher de ombros, fez o Taeo rir.
— Não pode ser. Aqui estamos no centro de Seul…
Eu estava falando sério. Já fazia mais de 15 dias que eu estava acordado na enfermaria. Na primeira semana, tudo era tão confuso que dava para entender, mas com o passar da segunda semana, as coisas estranhas começaram a aparecer. No décimo quarto dia, perguntei ao cuidador se ele poderia me trazer meu celular. A resposta foi absurda.
— Vou falar com o seu responsável.
Sim, surpreendentemente, eu tinha um responsável. Onde ele está e o que faz, que não aparece nem para dar as caras, já fazendo quase três semanas que acordei? A resposta que o cuidador trouxe no dia seguinte foi ainda pior.
— Ele disse que seria difícil por enquanto.
Difícil? O quê? Em uma situação normal, se o responsável fosse meus pais, eles não se negariam a trazer meu celular. E quando perguntei quem era o responsável, ele disse que seria melhor conversarmos pessoalmente. Cada vez mais suspeito. Será que ele é realmente o culpado? Agora, a suspeita começava a superar o medo.
E o mais assustador: se eu sou uma pessoa famosa e fiquei tão ferido, deveria ter saído uma notícia sobre o acidente. No entanto, quando pesquisei meu nome no portal usando o celular do Taeo, só apareciam minha data de nascimento e meus programas. Nem sinal da notícia do acidente. Como se alguém tivesse abafado para não vazar.
— Passar o dia todo dormindo, andando, comendo, andando, comendo e dormindo de novo… não sei qual é a diferença disso para o cativeiro. Tudo o que pergunto, me dizem que é difícil por agora.
Taeo ainda tratava minhas palavras como piada e batia no meu ombro.
— Não se preocupe tanto. O Sr. Isuhan é uma boa pessoa, então pense nisso como um livramento e acredite que só coisas boas virão.
Eu só tinha dito algumas palavras de conforto, não precisava me chamar de boa pessoa… Além disso, a segunda parte não fazia sentido, e por mais grato que fosse, não me consolava nem um pouco. Com um breve suspiro, a caminhada da tarde terminou e, ao voltar para o quarto, a alegria de que logo teria alta durou pouco. Ainda não conseguia me livrar da suspeita sobre o homem que só aparecia quando eu dormia.
Será que ele é meu responsável? Tudo era incógnita. Não posso continuar assim. Finalmente tomei uma decisão: iria confrontá-lo. Como? Havia um jeito.
O homem, que eu não sabia se era o culpado oculto do meu acidente ou meu responsável, só vinha quando eu dormia profundamente sob efeito do sedativo. Como os profissionais de saúde precisavam entrar e sair para verificar os pacientes mesmo de madrugada, não havia trancas no quarto, mas de qualquer forma, poder entrar e sair à noite, quando todos dormem, não era algo comum. A menos que fosse um responsável autorizado a ficar… Para acabar com essa situação cheia de dúvidas, escondi o sedativo que deveria tomar à noite sem tomá-lo.
Por causa disso, demorei muito para pegar no sono e me revirei na cama, mas sem a sonolência característica do sedativo, senti que poderia abrir os olhos assim que sentisse algum movimento. As luzes do quarto foram apagadas, as do corredor também ficaram escuras, e logo tudo ao redor estava preto.
De longe, de outros andares, vinham sons abafados de alguém trabalhando ou dos plantonistas, mas quando a madrugada chegou, até isso se acalmou. As noites na enfermaria individual eram silenciosas demais, quase solitárias. Se eu não tivesse tomado o sedativo, teria que suportar noites como essa todos os dias. Ignorando a dor latejante no tornozelo, fechei os olhos fingindo dormir.
Quanto tempo se passou? Com o som da porta do quarto se abrindo, alguém entrou. O que ele vai fazer agora? Com os olhos bem fechados, esperei até que ele se aproximasse. Ouvi o som de um casaco farfalhando, e alguém puxou a cadeira do cuidador e se sentou perto da cama. E por um longo tempo, não fez nada. Mesmo com as pálpebras fechadas, eu sentia seu olhar penetrante sobre mim.
Um homem de trinta e tantos anos, o que há de tão interessante em ver alguém dormindo… Pensei que era um gosto peculiar, mas fiquei quieto esperando para ver se ele faria alguma coisa. Uma ovelha… duas ovelhas… três ovelhas… Enquanto fingia dormir, não havia muito o que fazer, e mesmo depois de passar o tempo com os olhos bem fechados, ele não fazia nada além de me olhar. Não me tocava, nem arrumava o cobertor desalinhado. Ficava apenas em silêncio.
Não aguento mais. Fingir que dorme enquanto luta para não dormir só dá para aguentar uns dez, vinte minutos. Quando estava prestes a realmente pegar no sono, estendi a mão na direção do homem e segurei o que consegui agarrar.
— …!
Ao abrir os olhos, vi o homem com a barra do casaco firmemente presa em minha mão. Mesmo na escuridão, podia ver que sua pele era muito clara, seus lábios finos e vermelhos, e ele parecia um belo homem à primeira vista. Mas não era exatamente magro e delicado. Eu também sou mais alto que a média, mas ele era mais alto que eu, e parecia ter um bom físico, como se se cuidasse.
O homem, ao encontrar meus olhos, tentou soltar minha mão com ar de surpresa, mas eu segurei com a força que adquiri durante a reabilitação. E fiz a pergunta que me atormentava há quase três semanas.
— Quem é o senhor para vir aqui me ver?
A pergunta saiu mais áspera do que eu queria, dada a situação, e até eu me assustei, mas a resposta foi algo que eu nunca imaginei.
— Eu sou…
O homem desviou o olhar, como se hesitasse, e então abriu a boca como se estivesse confessando um pecado.
— O marido do Sr. Isuhan.
* * *
— Vamos chegar logo. Estamos quase lá.
Ao ouvir o homem, levantei a cabeça e olhei pela janela do carro. Uma semana depois de meu primeiro contato direto com ele, finalmente recebi alta. O homem que se apresentou como meu marido se chamava Jo Yeonseo. Ele deveria ter entre vinte e oito e trinta e dois anos. Não perguntei direito, então não sei.
— Mas quando pesquisei, não tinha cônjuge no perfil.
Descobri que, ao registrar um perfil, muitas vezes não aparece se a pessoa ou o responsável não solicitar a inclusão. Sim, bem, eu não sou uma celebridade ou artista famoso. Apenas um especialista em food service conhecido por sua língua afiada e falta de educação. Quem se importaria com quem ele se casou? Quando pesquisei “Isuhan casamento” na internet, encontrei até uma matéria especial em uma revista de fofocas. Algo como “Casamento de Cinderela com um workaholic ômega”.
Ao pesquisar separadamente por “Jo Yeonseo”, os resultados não foram muitos. Recém-chegado de seus estudos no exterior, aparecia como o único filho do Grupo Seosang e um belo herdeiro chaebol em revistas de fofocas. A notícia mais recente era sobre seu casamento, publicada como uma breve matéria sobre eventos empresariais.
Para os internautas que só queriam fotos para usar em memes, casamento ou cônjuge não eram importantes. Esforcei-me para afastar a batida viciante de trot que ecoava em minha mente.
Por um momento fiquei chocado por ser um homem casado, mas logo ri sozinho, pensando que suspeitei que meu marido fosse o culpado, enquanto ele, como responsável residente, podia entrar e sair do quarto particular para me visitar após o trabalho. Mesmo sendo meu marido, assim como muitas outras coisas, eu não sentia que fosse real, mas ao ver sua expressão, tive certeza de que não éramos um casal comum.
O homem era muito quieto e, exceto quando o agarrei de surpresa, nunca demonstrou reações intensas.
— Imagino que esteja surpreso. Mas como o senhor ainda está se recuperando e não se lembra do que aconteceu, planejava visitá-lo quando estivesse acordado em breve.
Mesmo assim, é normal um cônjuge ficar mais de três semanas só olhando escondido porque o outro não se lembra? Eu suspeitava que não éramos um casal normal. Não havia provas concretas, mas o Isuhan que aparecia na TV sendo tão desagradável provavelmente não tinha um bom casamento. Eu sabia que era cuspir no meu próprio prato, mas não podia negar.
Em meio ao clima estranho, perguntei se ele poderia me trazer meu celular. No dia seguinte, ele enviou, através do cuidador, um modelo novo que parecia ter sido aberto recentemente. Uma breve mensagem estava registrada no número com o nome simples de “Jo Yeonseo”, sem apelidos carinhosos como “amor” ou “querido”.
↫─☫ Continua…
⌀ ⌀ ⌀
↫─⚝ Tradução, revisão e Raws: Belladonna
Ler To Me, Who Doesn’t Love You (Novel) Yaoi Mangá Online
SINOPSE:
Um casamento miserável que começou com amor não correspondido e mal-entendidos. Justo quando decidiu se divorciar e deixá-lo ir, ele voltou. Sem quaisquer memórias do passado.
— Eu sou o marido de Lee Suhan.
Depois de sobreviver a um acidente de carro que o deixou em coma por vários meses, Suhan perdeu todas as suas memórias. Aquele que ficou ao seu lado foi Jo Yeonseo, um homem com muitos segredos que se apresentou como o marido de Suhan. Apesar da distância significativa entre eles como casal, Suhan se sente atraído pela afeição devotada de Yeonseo enquanto desconfia dele. Justo quando parecem estar se aproximando, Yeonseo diz que vai se divorciar dele pelo seu bem?
Enquanto seu jovem marido tenta fugir, os sentimentos de Suhan se tornam mais sinceros, e ele tenta descobrir as verdadeiras intenções de Yeonseo.
— Vou começar a seduzir meu marido a partir de agora.
Nome alternativo: To Me Who Doesnt Love You Dear Stranger