Ler The First Commandment (Novel) – Capítulo 2.3 Online


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↫─ Capítulo 2.3

Alexei disse, ainda mantendo uma voz suave. O peito de Valeri subiu e desceu fortemente, e então ele fechou a boca. Depois de ficar em silêncio por um longo tempo, ele estampou um deboche no canto dos lábios. Era um rosto de traços afiados, como se tivesse se lembrado de algo. Diante do deboche repentino de Valeri, Alexei encarou seus olhos em silêncio.
— É mesmo?
— Sim.
— Então não há necessidade de ir longe.
Ele estreitou um dos olhos ligeiramente.
— O quê?
— Se você se importa tanto, quer cuidar tanto de mim e está tão preocupado, então faça você mesmo.
Ele piscou por um momento. Precisava de tempo para processar aquilo.
Fazer… eu mesmo?
Após alguns segundos, Alexei deduziu uma hipótese absurda. Franzindo a testa, Alexei torceu o canto da boca.
— Você tem que dizer algo que faça sentido.
— Você sempre diz coisas assim, então parece estranho para você? É você quem está exigindo o impossível.
A intenção de Valeri ao dizer aquilo era clara. Era uma expressão distorcida de sua recusa em ouvir qualquer coisa que Alexei dissesse.
— Eu posso fazer qualquer coisa por você, Lerusha. Mas um Alfa não pode dormir com um Alfa.
A religião deles, a Igreja Ortodoxa Russa, proibia severamente que Alfas tivessem relações com quem não fosse Ômega. Era de rir defender a religião enquanto cometia assassinatos como se fossem refeições diárias, mas a fé ortodoxa que unia os russos de Saratov considerava relações com o mesmo subgênero uma vergonha e um pecado. Nem era algo de um passado distante; mesmo agora, se você fosse pego, poderia levar um tiro de algum lugar.
— Eu sei. E eu nunca quis isso.
Como se dissesse “viu?”, o deboche de Valeri desapareceu. Com uma expressão que deixava clara sua intenção de não falar mais nada, Valeri virou o corpo e se deitou.
Ele podia ver a linha do maxilar dele, que havia ficado um pouco mais fina em apenas alguns dias.
Às 22h, bem quando a loja estava fechando, Alexei entrou. T-Mac, que pensou que ele era um cliente e estava prestes a dizer que estavam fechados e para dar o fora, abriu a porta quando viu o rosto de Alexei. O tempo ainda estava congelante o suficiente para te matar, mas ainda assim, com a chegada da primavera, a área sob a luz da porta estava cheia de insetos voadores.
— O que foi? Não é dia de cobrança hoje.
Olhando para o menu da loja, que havia descaradamente copiado um novo item de alguma rede de restaurantes, Alexei debochou. Copiar tão descaradamente era uma habilidade por si só.
— O que é isso de colocar calabresa na borda de queijo?
— Sei lá, não faço ideia de cuja cabeça saiu essa merda. Tenho que fazer porque preciso vender para as pessoas que entram confundindo com a coisa real, mas demora um tempo ridiculamente longo para fazer.
Embora abrisse e fechasse quando bem entendesse, era um lugar que parecia um negócio bastante legítimo, então T-Mac era dedicado a manter a loja. Talvez este lugar fosse seu próprio santuário pessoal. Havia muito o que fazer, mas era mais tranquilo do que bater nas pessoas e usar seu corpo.
Alexei tirou um cigarro e o colocou na boca, depois foi para trás do balcão e desceu para o subsolo. T-Mac trancou a porta e o seguiu. Ele não conseguia fumar direito há quase três dias por causa de Valeri.
— Esteve ocupado? Não te vi por aí. Yurij também não disse nada.
— É pessoal, então cuide da sua vida.
— Que assunto pessoal nós temos.
Passando ao lado do escritório, ele entrou no depósito onde armas, facas e coisas do tipo eram guardadas. Alexei tirou o casaco e o colocou de lado, depois acendeu a luz. Então, com passos familiares, ele destravou o segredo do armário. Quando a porta se abriu, havia facas afiadas. De entre elas, ele pegou a faca militar mais padrão. “Aquele desgraçado está aprontando de novo”, disse T-Mac enquanto puxava uma cadeira e se sentava.
— Então qual é o problema?
— Meu garoto bonito não está comendo. Parece que tudo o que você trouxe para ele tem um gosto horrível.
— O quê, você arrumou um bichinho de estimação ou algo assim? Não, espera, animais não comem essa comida.
Alexei exalou, huuu, e ergueu o corpo. Uma foto mostrando o rosto bonito de Lian Vinter estava presa na extremidade da parede. Ele girava a faca com os dedos. Quando sua mente estava perturbada, brincar com facas era o melhor remédio.
— Ei, você, não me diga que…
No momento em que os olhos de T-Mac se arregalaram como se tivesse percebido algo, Alexei torceu o corpo levemente e chicoteou o braço direito. Uma força curta e forte foi aplicada ao seu pulso ligeiramente dobrado.
Com um baque, a lâmina da faca se encravou precisamente no centro da fotografia.
Vendo a lâmina da faca presa no olho de Lian Vinter, sua mente se acalmou um pouco. Ele não podia matá-lo, já que ele era um civil e tinha o sobrenome Vinter. Em primeiro lugar, Alexei nunca tinha matado uma pessoa. Não, espera, ele ainda podia dar uma surra nele, mas nem isso podia, já que ele era um civil. Se, em vez disso, Valeri namorasse um criminoso, ele nem sequer o impediria.
Alexei colocou o cigarro na boca e tirou outra faca. T-Mac gritou e o bloqueou.
— Seu desgraçado, não me diga que trancou seu irmão?
— Tranquei ele? Estou protegendo ele.
Quando Alexei girou a lâmina ameaçadora, T-Mac recuou. Enquanto ele dizia: “Seu desgraçado louco”, Alexei mais uma vez atirou a faca com um estalo de pulso. Desta vez, a lâmina se alojou na testa. Ha. Sua mente parecia um pouco mais clara.
— Por que você está fazendo isso com ele, hein?
— Ele diz que vai sair de casa para morar com Lian Vinter. Eu deveria simplesmente deixá-lo ir e morrer? Eu disse a ele que ele morreria, e ele disse que simplesmente vai morrer. Eu estou ficando louco, ou não estou?
— Que família verdadeiramente estranha. Verdadeiramente estranha.
T-Mac balançou a cabeça de um lado para o outro e se largou na cadeira. Alexei, que estava olhando para as facas cravadas, acendeu o cigarro. Ele deu uma longa tragada na fumaça. A fumaça mofada entrando em seus pulmões sempre tinha um gosto horrivelmente nojento. No entanto, a razão pela qual fumava era simplesmente porque tinha se tornado um hábito.
‘Faça você mesmo.’
As palavras de Valeri continuavam dando voltas em sua cabeça. Franzindo a testa, Alexei mordeu o filtro do cigarro com os dentes caninos. Ele deve ter dito isso sabendo muito bem que era uma proposta impossível. Embora amasse Valeri mais do que qualquer pessoa no mundo, Alexei, naturalmente, nunca o havia considerado um objeto sexual.
Porque ele era seu irmãozinho.
Ele o havia recolhido quando era jovem e havia criado o garoto de nariz escorrendo. Ver uma pessoa dessas como um alvo sexual era algo que apenas pervertidos loucos fariam. Alexei não tinha tais hobbies. Gostava de sexo bruto, mas não tinha interesse em bater. Ele só gostava de empurrá-los até o ponto em que perdessem a cabeça.
Sua cabeça estava girando em uma bagunça complicada. Um pensamento absurdo vinha roçando sua mente desde há pouco. Não importava o quão louco Alexei fosse, não era como se lhe faltasse razão. Ele não levou a sério as palavras que Valeri disse para irritá-lo.
No entanto…….
Não era ele o único que poderia proteger Valeri sem lhe causar mal? Em primeiro lugar, não havia um Ômega de quem ele gostasse. Mais da metade dos Ômegas que atendiam aos padrões de Valeri já tinham passado pelas mãos de Ivan ou se envolvido com ele; fora esses, não havia mais ninguém além daquele maldito Lian Vinter.
E Alexei não gostava de nenhum deles.
Era definitivamente uma suposição louca, mas uma vez que começou a pensar dessa maneira, era difícil parar. Alexei franziu a testa. Ele se imaginou deitando com Valeri.
Hmm.
Ele era tão bonito, adorável e infinitamente fofo, mas beijá-lo era impossível. Seu estômago embrulhou um pouco.
Mas apenas oferecer a traseira… não é possível fazer isso sem olhar para o rosto dele?
Como ele é inexperiente, não seria uma má ideia aproveitar esta oportunidade para ensinar-lhe como satisfazer um Ômega. Imaginar um Valeri de primeira viagem, isso era fofo.
Ha, eu realmente fiquei louco.
Pensando assim, Alexei soltou uma risadinha. T-Mac, que esteve observando Alexei franzir a testa e depois rir sozinho, perguntou cautelosamente:
— Você… você está bem?
— Não.
Eu não estou bem.
Alexei deu um peteleco na ponta acesa com a ponta do dedo para apagá-la, depois jogou o cigarro na lixeira. Sexo não é um grande problema. Não é nada mais do que um ato de liberar o desejo. Na vida de Alexei, o sexo não era nada mais do que isso. Quando seu corpo ocasionalmente queria, ele o aliviava.
Se ele pensasse dessa maneira, era possível satisfazer Valeri por um tempo.
Ainda assim, o fato de parecer estranho era algo curioso. Xingando mentalmente, Alexei disse a T-Mac:
— Você sabe o endereço daquele cara, Altor, não sabe?
— Por que o Altor?
Altor era um médico que fabricava drogas ilegais. Ele fazia todo tipo de coisa ilegal, incluindo drogas de feromônios, e ele se lembrava de ter ouvido uma história de que, por causa do hobby desagradável de Ivan, ele havia desenvolvido uma droga estranha que transformava Alfas em Ômegas. Ele sabia porque Vadim havia tagarelado sobre isso enquanto falava sobre Valeri. Ele deveria ter quebrado os dentes dele naquela época.
— Apenas me dê o endereço.
— Estou começando a ficar ansioso agora…
— Dê.
T-Mac franziu a testa, depois rasgou um pedaço de papel da escrivaninha. Ele pegou uma caneta e escreveu o número da rua.
— Ele só abre de madrugada, então vá nessa hora. Ei, mas… que diabos está acontecendo?
— Não é nada.
Não era nada certo. Alexei apenas decidiu acrescentar mais uma possibilidade. Pegando o papel, ele agarrou seu casaco.
Estou apenas pensando nisso.

A clínica de Altor ficava no meio do distrito de Whitehead, que se limitava com o Rio Vermelho. O lugar, operado como um apiário, era aparentemente onde Altor realmente mantinha abelhas como um hobby durante o dia.
Cruzando o sinuoso Rio Vermelho que fluía por todo o caminho até o Canadá, Alexei de repente se lembrou de algo que Valeri lhe havia dito. O garoto, que não conseguia entender seu irmão mais velho que continuava se machucando, havia perguntado se eles não poderiam simplesmente escapar para o Canadá subindo o rio. Acreditando que eles poderiam escapar de tudo apenas subindo o rio em um pequeno barco.
O pequeno barco de Alexei era Valeri.
Continuava sendo, mesmo que ele não lhe dissesse mais nenhuma palavra gentil, mesmo que não encontrasse seus olhos, mesmo que mostrasse um desprezo que ia além do desgosto. Valeri estava certo. O garoto estava em um mundo diferente. Ele cresceu reto e correto em um lugar ensolarado. Alexei estava satisfeito em observar o garoto da sombra, separado por uma névoa.
Mesmo em mundos tão diferentes, ele ainda podia velar por ele. Mas a morte não é assim. Memórias que podem ser saboreadas por tê-las ao seu lado só permanecem intactas enquanto a pessoa está viva. Alexei já não conseguia se lembrar de como eram os rostos de seus pais.
Agora, tudo de que se lembrava era do sangue que se acumulava espesso ao lado de seus pais.
Ele chegou ao seu destino enquanto se perdia nos pensamentos variados que haviam aumentado notavelmente nos últimos tempos. Os faróis iluminavam fracamente as grades de ferro do portão. Ele abriu a janela e apertou a campainha ao lado do portão. Um sinal sonoro tocou e logo uma voz ruidosa foi ouvida pelo alto-falante.
— Quem te falou sobre este lugar?
Era uma voz bastante educada e cavalheiresca. Alexei sorriu torto e disse:
— T-Mac.
Sem qualquer resposta específica, o portão se abriu. O portão de ferro rangendo era tão lúgubre quanto o de uma casa abandonada. Alexei checou a hora. Era 2h da manhã. Incomodava-o o fato de ter deixado Valeri sozinho por tanto tempo. Ele estendeu a mão para o porta-luvas e tirou um maço de dinheiro, depois checou a faca em seu casaco.

Depois de estacionar o carro de qualquer jeito, Alexei pisou na terra. Seus sapatos sociais rapidamente ficaram sujos com o pó do solo seco. Estalando a língua levemente, ele se aproximou da porta onde um letreiro em neon brilhava em amarelo.

— Você me parece muito familiar.

O homem de jaleco branco estava fumando um cigarro. Suas sobrancelhas escuras e pele morena bem bronzeada o tornavam a cópia fiel de um latino bonito. Ele achou que sabia por que T-Mac conhecia o homem. Aqui, onde a maioria era branca, os latinos eram conectados por laços fortes. Ao contrário da maioria das comunidades de imigrantes, que agem como formigas-leão, esse grupo em particular era um bando leal. Se os pais de T-Mac não tivessem morrido devendo uma dívida de drogas para Igor, T-Mac poderia ter vivido confortavelmente entre eles.

— Há muitos caras como eu, então é possível. Altor, certo?

↫─☫ Continua….

ᯓ★ Nenhuma das situações apresentadas neste capítulo referem-se/ se baseiam em fatos reais.

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✦ Tradução, revisão e Raws: Lᥙ꧑ᥲ Hᥲrtzᥣᥱr

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SINOPSE
— Eu te disse que podia fazer qualquer coisa por você.
Alexei, notoriamente conhecido como o cão de Igor na cidade onde Igor reina, é obcecado por seu irmão Valery, um bailarino, mas o trata com frieza. Ao saber que Valery estava saindo com Lian Vinter, um parente do policial Kalisz Vinter, que estava na cola de Igor, Alexei não pôde mais ficar de braços cruzados. Era evidente que Igor mataria Valery. Alexei implorou para Valery terminar com Lian, mas Valery, que há muito desprezava Alexei, ignorou suas palavras…
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