Ler Sweet Sugar Candyman (Novel) – Capítulo 29 Online


Modo Claro

↫─Capítulo 29

​Meu coração, que já havia despencado uma vez, começou a bater freneticamente, como se tentasse expressar o tamanho do meu susto. Os batimentos eram tão fortes que eu conseguia ouvi-los ecoar em meus ouvidos.
​Minha mente chocada estava completamente emaranhada. Como Saheon hyung tinha vindo parar ali? Como ele sabia da minha localização? Com o rosto pálido, encarei a porta, paralisado.
​— …H-hyung…?
​Uma voz assustada escapou por entre meus lábios. Engoli em seco, gaguejando ao chamá-lo devido à intensidade da minha surpresa. Meu pomo de Adão moveu-se de forma acentuada.
​— O que houve? O que está acontecendo?
​A porta opaca do banheiro se abriu atrás de mim, deixando escapar uma densa névoa de vapor. Olhei para Choi Hyun-oh com o semblante pálido. Tendo saído às pressas no meio do banho, Hyun-oh também parecia bastante assustado, cobrindo apenas a metade inferior do corpo com uma toalha.
​— …Lee Cheongmyeong.
​Mais uma vez, a voz que reprimia a fúria pronunciou meu nome. Será que era assim que um cervo encurralado por caçadores se sentia? Só então a realidade finalmente se impôs.
​Ao tentar mover meus pés relutantes, percebi de repente a nudez na parte de baixo. Eu havia esquecido momentaneamente que estava no meio da troca de roupas, de tão atordoado que fiquei. Recuperando a lucidez, apressei-me em dizer, como quem se justifica:
​— S-só um instante, me deixa vestir algo…
​— Você não vai abrir essa porta mesmo?
​Saheon hyung esbravejou, como se estivesse me dando uma bronca. Eu conseguia imaginar perfeitamente a expressão furiosa dele. Mordendo o lábio com força, caminhei até a entrada. O ar frio que subia dos pisos do hall envolveu meus tornozelos.
​Destravei a fechadura com cuidado. O vento gélido do corredor penetrou pela fresta que se abria gradualmente. Percebendo talvez a hesitação da minha mão, acuada pelo medo, Saheon hyung segurou a maçaneta assim que a abertura foi suficiente.
​Com a porta sendo escancarada de forma abrupta em um piscar de olhos, inclinei-me para a frente, quase caindo. O olhar que pousou sobre o topo da minha cabeça parecia arder. Baixei os olhos para os sapatos que Saheon hyung usava e, em seguida, ergui o rosto lentamente.
​Saheon hyung olhava para mim totalmente desprovido de emoção. Sendo uma cabeça mais alto que eu e emanando uma aura intocável quando não estava sorrindo, o hyung exibia uma expressão que eu nunca vira antes.
​Seu olhar me varreu de cima a baixo. Senti-me como se estivesse sendo examinado completamente nu diante dele. Mordi a carne macia no interior da minha boca.
​Após concluir sua inspeção em mim, o alvo seguinte foi Choi Hyun-oh. O hyung moveu apenas os olhos de leve para encarar Hyun-oh, que permanecia parado atrás de mim. Como se aquele breve vislumbre bastasse para completar sua análise, ele pronunciou-se com uma voz gélida, como quem dita uma ordem:
​— Vista suas roupas.
​Meu pomo de Adão moveu-se com força diante daquele tom gélido que eu jamais ouvira vindo dele. O sentimento que eu nutria pelo hyung naquele exato momento era de puro medo, mas um medo que nascia de ver aquele lado desconhecido pela primeira vez.
​Entrei no estúdio, passando por Hyun-oh enquanto ainda permanecia sob a vigilância do hyung. Com as mãos trêmulas, peguei os shorts que havia deixado dobrados no chão e os vesti rapidamente. Em seguida, ajeitei a camiseta larga e olhei para Hyun-oh. Ele estava encostado contra a parede, observando a interação entre Saheon hyung e eu.
​— Troque isso também. Na minha frente.
​A voz firme ordenou. Tentei manter meus olhos fixos apenas na camiseta que havia caído no chão enquanto vestia minhas próprias roupas. Eu conseguia sentir um olhar penetrante que parecia cortar minha pele.
​Sem que Saheon hyung precisasse dizer mais nada, peguei meu casaco acolchoado e observei a situação em silêncio. O hyung, que havia avançado até o hall de entrada, preenchia todo o espaço apenas com a sua presença.
​— Vamos.
​Por um instante, lembrei-me da mala que havia trazido, mas senti que, se abrisse a boca, o hyung ficaria ainda mais furioso. Enquanto caminhava sem jeito em direção à saída, movi os lábios num “Me desculpe” direcionado a Hyun-oh.
​Embora Hyun-oh tenha acenado levemente com a mão para indicar que estava tudo bem, ele ainda parecia chocado. Calcei os sapatos às pressas, incapaz de erguer a cabeça sob aquele olhar aterrorizante que me pressionava de cima. A diferença de temperatura entre o interior e o exterior do apartamento era nítida o corredor estava tomado pelo ar frio.
Assim que pisei no corredor externo, Saheon hyung bateu a porta que vinha segurando. No instante em que a porta se fechou, foi como se a represa de emoções que ele conteve diante de terceiros tivesse rompido, o hyung soltou um suspiro profundo que omitira na presença de Hyun-oh.
​Seus olhos, geralmente cheios de vivacidade e descontração, estavam cortantes como o gelo. Ao ver que eu continuava ali parado e sem graça, ele me deu as costas e se afastou a passos largos pelo corredor. A pele, que antes queimava sob o olhar intenso dele, agora parecia tomada pelo frio.
​Segui atrás dele apressando o passo. Enquanto descíamos pelo elevador, saíamos pelos fundos do edifício residencial e nos dirigíamos ao carro estacionado na rua, Saheon hyung não olhou para trás uma única vez para checar se eu o acompanhava adequadamente.
​O hyung, que destrancou o carro com dedos impacientes, acomodou-se no banco do motorista sem hesitar e bateu a porta com força. Mesmo através do vidro fumê do carro, ele apenas executava os comandos necessários, alheio a mim. Sem que um único olhar severo me atingisse, meu coração tornou-se ainda mais inquieto.
Sentei no banco do passageiro, hesitando a cada movimento. O interior do automóvel estava tomado pelo calor aconchegante do aquecedor. Saheon hyung, que moveu a cabeça apenas de soslaio para verificar se eu havia afivelado o cinto de segurança, girou o volante bruscamente.
​Embora a distância entre a casa de Hyun-oh e o apartamento de Saheon hyung não fosse longa, pareceu ainda menor naquele dia.
​Segurei o cinto de segurança que cruzava meu peito com firmeza e cheguei a prender a respiração. Até mesmo o silêncio naquele espaço parecia barulhento. O ruído ocasional do motor preenchia as lacunas do nosso mutismo.
​Exatamente como fizera antes de entrarmos, Saheon hyung abriu a porta e desceu primeiro após estacionar, sem sequer olhar na minha direção. Desafivelei o cinto às pressas e o segui.
​Talvez ouvindo o som dos meus passos desajeitados, o olhar do hyung me alcançou brevemente enquanto ele caminhava à frente. Por um segundo, senti um alívio inexplicável ao notar que até mesmo aquela atmosfera gélida ele havia reparado em mim. O hyung moderou o ritmo dos passos ligeiramente e continuou a avançar.
​Ao entrarmos na área do elevador, Saheon hyung pressionou o botão de subida e soltou um suspiro profundo. Suas sobrancelhas estavam fortemente franzidas e ele fechou os olhos, como se tentasse resgatar o controle de suas emoções.
​— …Hyung…
​Finalmente, incapaz de suportar o peso daquele silêncio, falei. Minha voz, que escapou sem qualquer preparo ou consciência, soou ligeiramente trêmula. Saheon hyung não respondeu. Um temor repentino se apoderou de mim.
​Por me deparar com aquele lado totalmente desconhecido do hyung, todo o contexto anterior parecia ter se perdido. Tive de fechar as mãos em punho para reprimir o desejo de segurar ao menos a barra das roupas dele.
​O trajeto até o oitavo andar foi rápido novamente. Saheon hyung, que digitou a senha da fechadura com dedos pesados de irritação, falou friamente:
​— Entre.
​Encurralado entre a abertura da porta e Saheon hyung, esgueirei meu corpo para dentro sem pronunciar nenhuma palavra. A casa para a qual eu retornava em menos de um dia completo parecia carregar uma atmosfera estranha.
​A porta se fechou com um baque surdo. Enquanto eu permanecia ali estático, tendo retirado os sapatos que eu calçava às pressas, Saheon hyung segurou meu pulso e me arrastou em direção à sala de estar. Fui puxado, quase perdendo o equilíbrio, por aquele aperto firme que não levava em consideração o meu ritmo.
​— Ah…!
​Meus joelhos vacilaram e meu corpo, recuperando a postura a custo, continuou sendo conduzido pelos movimentos brutos de Saheon hyung. Ele só libertou minha mão quando alcançamos o sofá. Naquele curto fragmento de segundo, meu pulso latejou de dor.
​Saheon hyung expirou como se liberasse as emoções reprimidas mais uma vez e, com desleixo, jogou para trás a franja desalinhada. Havia vestígios de cera ou gel em seu cabelo, que ele havia penteado perfeitamente, como sempre fazia para o trabalho na companhia aérea.
​Mais uma vez, olhos desprovidos de calor se voltaram para mim. A intensidade que emanava de Saheon hyung era avassaladora. Brinquei sem rumo com minhas próprias mãos, que se uniram naturalmente, esperando por sua reação.
​— Fique reto.
​O hyung, que comandava de forma fria, aproximou-se de mim com passos largos. Devido à diferença de altura de cerca de uma cabeça, a sensação de ameaça imposta pelo porte dele era ainda mais acentuada. Baixei o rosto um pouco mais. Mesmo que ele me mandasse ficar ereto, meu corpo encolhia-se por instinto. Uma voz cortante, que parecia a bilhões de anos-luz de distância de seu tom afetuoso habitual ou do uso de apelidos, veio de cima da minha cabeça:
​— Ei, Lee Cheongmyeong.
​Um tom preenchido por uma fúria contida pronunciou meu nome. Aquela forma desconhecida de se dirigir a mim fez com que uma tristeza inexplicável me invadisse como uma onda.
​Após soltar um breve sopro de ar, Saheon hyung continuou. Embora tivesse despido parte da agressividade de antes, havia uma decepção evidente em seu tom:
​— Você acha que eu sou palhaço?
​Cada palavra proferida por Saheon hyung apertava-se dolorosamente meu peito. Ao mesmo tempo, um calor súbito subiu para os meus olhos. Prendi os lábios para dentro, pressionando-os, e balancei a cabeça negativamente.
​O hyung bufou em descrença e jogou a cabeça para trás. Talvez por causa daquele som, meu coração despencou de imediato. Antes que eu pudesse esboçar qualquer reação, o calor acumulado nos meus olhos transformou-se em lágrimas e transbordou.
​Diante da queda abrupta das lágrimas densas, baixei ainda mais o rosto. Talvez pelo fato de eu ter mantido a cabeça baixa o tempo todo, Saheon hyung parecia não ter notado o choro ainda. As palavras, que pareciam conter a duras penas a irritação, prosseguiram:
​— Você ignora minhas mensagens o fim de semana inteiro. Eu chego em casa e encontro este silêncio estranho. Não tem ninguém aqui, mesmo não estando no horário da faculdade. Abro o armário e todas as suas coisas sumiram. Seu celular está desligado. Tudo indica que você fugiu, mas eu não faço ideia do motivo. Você me causou todo tipo de preocupação, me fez pensar se algo grave tinha acontecido.
​As lágrimas que escorriam pelas minhas bochechas estavam quentes. Um nó sufocava minha garganta, e funguei, engolindo minha própria amargura.
​— Você está chorando? Por que está chorando?
​As palavras, desprovidas de sentimentalismo, claramente questionavam o porquê daquela reação, mas tive de puxar o ar com um soluço e me esforçar para conter o pranto que agora fluía com ainda mais intensidade do que antes.
​Por que eu estava chorando? Porque uma melancolia inexplicável havia desabado sobre mim. A causa daquela dor era o hyung estar bravo comigo, e a razão de ele estar bravo era o fato de eu ter deixado a casa. Mas o motivo pelo qual percebi que não podia mais viver com Saheon hyung era porque ele havia trazido a namorada dele para cá.
​Eu ainda gostava de Saheon hyung. Quando soube que viveríamos juntos, me preocupei se o clima seria estranho entre nós, mas quando realmente nos reencontramos, o hyung me tratou exatamente como antes.
​Eu me sentia feliz e triste ao mesmo tempo por podermos retornar à posição de hyung próximo e dongsaeng vizinho, como se nada tivesse acontecido, como se minha confissão jamais tivesse existido.
​Pensei que poderia me dar por satisfeito apenas por estar ao lado dele. No entanto, me rendi a uma ganância sem fim e, finalmente, confrontei a realidade cruel.
​— Enquanto você estiver morando na casa do seu hyung, eu sou o seu responsável. Se algo te acontecer, o que eu iria dizer aos tios? Você deixa a casa sem o menor remorso, sem dizer uma única palavra?
Lágrimas dolorosas caíam gota a gota. As palavras do hyung soavam aos meus ouvidos como se ele estivesse traçando uma linha divisória clara entre nós. Era como se ele pudesse decifrar meus pensamentos e estivesse me ordenando a aceitar, de uma vez por todas, os limites do nosso relacionamento.
​Diferente de antes, ergui os olhos para o hyung com o olhar tomado por um sentimento de desafio. Encará-lo enquanto chorava provavelmente não transmitia ameaça alguma, mas se eu não fizesse aquilo, não seria capaz de suportar as emoções que fervilhavam em meu peito. Saheon hyung, visto através da minha visão embaçada pelas lágrimas, olhava para baixo com uma das sobrancelhas arqueada.
​— Não se preocupe comigo.
​— …O quê?
​O hyung rebateu, como se estivesse estupefato. Mas, uma vez que as palavras afiadas haviam saltado, elas escaparam por entre meus lábios de forma incontrolável:
​— Quem é você para me tratar dessa maneira?
As palavras, sufocadas pelo choro, perfuraram meu próprio coração como uma faca de dois gumes. A sensação era de que alguém estava esmagando e revirando meu peito à força. Rangi os dentes, lutando para não soluçar.
Saheon hyung suspirou, incrédulo.
— Por que você está bravo comigo? Por que age como se eu fosse o único errado aqui? Por que está falando comigo desse jeito…?
​Finalmente não consegui me conter e inspirei com um soluço carregado de lágrimas. Limpei rudemente o pranto quente que roçava minhas bochechas com o dorso da mão, e fechei os olhos com força diante das lágrimas dolorosas que fluíram incessantemente.
​Dada a nossa diferença de idade, o hyung e eu já tínhamos discutido e eu ja fui repreendido algumas vezes quando éramos mais novos. Mas aquela era a primeira vez que eu proferia palavras de rebeldia. Talvez Saheon hyung soubesse disso, pois permaneceu em silêncio, de braços cruzados, observando-me.
​— Você é quem faz o que bem entende sem me dizer nada.
​Palavras altamente carregadas de negatividade saltaram. A imagem bonita de Saheon hyung com a namorada lampejou em minha mente. Continuei falando enquanto chorava copiosamente, tropeçando nas palavras:
​— Você traz a sua namorada para casa sem… sem dizer nada enquanto eu estou aqui. Vocês dois dizendo que se gostam e tudo mais. Agindo como… como se nem se lembrasse de que eu disse que gostava de você antes, soluço, e… Eu ainda gosto de você, hyung…
​Despejei toda a mágoa que vinha guardando ao longo do fim de semana, ou talvez por muito tempo, sem sequer discernir o que eu mesmo estava dizendo, fungando sem controle.
​— Você traz a sua namorada, soluço, e você já tem idade para se casar, hyung… Até usando… soluço… chaveiros de casal. Fico tão triste pensando… soluço… em você se casando. Não se case…
​Em direção ao fim, o discurso transformou-se em lamentações completamente incoerentes, mas tive de me esforçar para conter as lágrimas que haviam transbordado por completo, pressionando o dorso da mão contra os olhos firmemente fechados.
​Na casa silenciosa, apenas o som dos meus fungados existia. Saheon hyung permaneceu em silêncio por um longo tempo. Quanto mais o silêncio se estendia, mais convicto eu ficava de que a distância entre o hyung e eu jamais seria reduzida. Essa constatação me deixava insuportavelmente triste, e o pranto rompeu mais uma vez.
​Minha cabeça parecia quente o suficiente para queimar. Em minha mente tomada pelo calor, apenas duas emoções existiam: tristeza e amargura. Curvei o rosto profundamente, esperando pela sentença que desabaria sobre mim. Saheon hyung soltou um suspiro baixo.
​— …Eu estava me perguntando sobre o que você estava falando.
​Ao contrário do tom ríspido de antes, era uma tonalidade estranhamente murcha. Diante daquela voz lânguida, similar à sua habitual, fechei os olhos com força. Mas as palavras que se seguiram foram de um tipo que eu jamais esperaria:
​— Eu não tenho o hábito de roubar a namorada do meu irmão mais velho.
​Olhei com cautela para Saheon hyung com meus olhos avermelhados. Eu ouvira as palavras, mas não tinha certeza se as havia compreendido corretamente.
​O hyung resmungou com uma expressão complexa:
​— Ela é a namorada do Kwon Chaehun.
​Pisquei meus olhos ainda marejados. A cada abaixar e levantar de pálpebras, as lágrimas restantes caíam gota a gota.
​— Nosso pai preparou alguns acompanhamentos e enviou, certo? Eu precisava entregá-los ao meu irmão mais velho, mas como não conseguimos tempo para nos encontrar, o Kwon Chaehun pediu para a Yoonse pegá-los aqui no caminho dela. Acontece que o voo dela terminou no mesmo horário, então nós viemos juntos. Não te falei nada porque… no dia em que confundi as datas, de acordo com os seus horários, você deveria estar na faculdade, então eu não ia entrar em contato com você só porque chamei ela para pegar os acompanhamentos e ir embora logo em seguida.
​Cada palavra vinda de Saheon hyung parecia irreal. Era como se as frases entrassem por um ouvido e saíssem pelo outro. Gaguejei, tentando questionar por que eles usavam as mesmas tags, mas a pergunta não saiu de forma muito bem-sucedida:
​— Então… por que aquela coisa vermelha…
​— É algo que usamos desde a época de recém-contratados. Provavelmente todo mundo que trabalha lá tem um igual.
​— O mesmo… chaveiro?
​— Sim.
​A razão pela qual eu percebi que não podia mais viver com o hyung era a namorada dele, mas quando me foi dito que aquela premissa estava errada desde o início, meu cérebro em pane não conseguia reorganizar os fatos adequadamente.
​— …Você não tem uma…?
​— Não tenho.
​Mesmo sem que eu tivesse dito propriamente o que ele não tinha, Saheon hyung respondeu como se soubesse exatamente o que eu queria dizer. Vendo minha expressão vazia, ele exibiu um leve sorriso travesso, semelhante ao seu habitual.
​Minhas lágrimas haviam cessado sem que eu percebesse. Ao contrário da minha mente sobrecarregada que tentava reorganizar os eventos, o calor que começara nos meus olhos espalhou-se por todo o meu rosto. Mordi suavemente a carne macia dentro da boca e baixei as pálpebras avermelhadas.
​— Vá lavar o rosto. Eu te dou um abraço quando você voltar.
​Ouvi sua voz gentil, similar à de sempre. Eu quis fechar os olhos ali mesmo de tanta vergonha. Quando eu era mais novo, ocasionalmente era repreendido pelo Chaehun hyung ou pelo Saheon hyung, mas tudo sempre terminava com um abraço. O calor espalhou-se até minhas orelhas diante de suas palavras, que simultaneamente me tratavam como uma criança e decretavam o fim do conflito.
​Com os lábios firmemente pressionados, olhei para os pés de Saheon hyung antes de me dirigir ao banheiro como quem foge. Meus olhos refletidos no espelho do banheiro estavam vermelhos. Ainda não estavam inchados, mas era evidente que estariam tão pesados na manhã seguinte que seria difícil abri-los.
​Abri a torneira de água fria e a joguei por todo o rosto. O calor que subia de dentro não cedia mesmo com a água gelada. Quanto mais eu lavava o rosto com a água fria o bastante para fazer minhas bochechas arderem, mais o calor se recusava a diminuir, apenas minha mente tornava-se mais lúcida.
“​É constrangedor. Incrivelmente constrangedor.”
​Saheon hyung não me perguntou mais nada sobre o motivo de eu ter fugido e optou por me confortar. A julgar por como sua fúria havia cedido, parecia que ele havia adivinhado tudo.
​Na verdade, não havia nada para adivinhar. Teria sido mais estranho se ele não soubesse, visto como eu havia despejado tudo sem filtros. Continuei batendo as mãos contra o rosto, como se estivesse estapeando as próprias bochechas. Talvez devido à umidade, o som ecoou ainda mais alto.
​Parecia que eu estava lavando o rosto com água fria há dez minutos. Apenas quando minhas bochechas ficaram dormentes de frio e eu comecei a tremer é que finalmente fechei a torneira. Fosse pela água gelada ou pelas lágrimas, minhas bochechas e o contorno dos meus olhos estavam corados.
​Gastei um longo tempo esfregando o rosto com a toalha. Uma vez que minhas emoções se assentaram, não consegui encontrar facilmente a coragem para sair.
​Tive de respirar fundo, inspirando e expirando, tentando acalmar meu coração trêmulo. Quando finalmente reuni coragem para abrir a porta do banheiro, arrependi-me imediatamente, mas decidi terminar aquilo como um homem.
Saheon hyung não estava na sala de estar. Imaginando que ele só podia estar no quarto, caminhei lentamente até lá. Empurrando a porta entreaberta, que parecia me convidar a entrar, encontrei o hyung encostado na cabeceira da cama, exatamente como eu esperava.
— Venha cá.
​Saheon hyung estendeu um dos braços na minha direção. Tentando não parecer envergonhado diante de seu gesto para me abraçar, subi na cama dele o mais casualmente possível. O colchão afundou sob o meu peso.
​O hyung abriu os braços e me acolheu. Sendo mantido em seu abraço firme e quente, senti que lágrimas diferentes, de alívio, poderiam fluir novamente. Enterrei o rosto na altura dos olhos em seu ombro largo.
​Retendo o aroma dele misturado a um perfume suave em meus pulmões, estendi timidamente os braços e enlacei as costas do hyung. Embora meu porte e altura tivessem mudado desde a infância, de modo que eu não podia mais sentar em seu colo e abraçá-lo como antes, aquilo também era bom.
​Meus sentimentos de mágoa haviam derretido antes que eu percebesse. Cravei levemente as unhas da mão que abraçava suas costas, como se não quisesse soltá-lo, mas sem aplicar força para machucar.
​— …É por isso.
​Como meu rosto estava enterrado nas roupas de Saheon hyung, minhas palavras saíram abafadas. O hyung riu baixo e apertou os braços ao meu redor.
​— É o que?
​— …O hyung é bonito… e popular… então… eu estava com ciúmes…
​Até eu sentia que, quanto mais tentava explicar, mais lamentável soava, mas eu não podia retirar o que já havia dito.
​— Entendo.
​Saheon hyung respondeu de forma calma, como se não fosse perguntar mais nada. Ergui o rosto que estava silenciosamente pressionado contra o peito dele e olhei para cima de soslaio. A mão grande do hyung tocou minha bochecha. Seu toque quente e afetuoso limpou as lágrimas que haviam escapado. Continuei resmungando, como quem inventa desculpas:
​— É verdade.
​Mesmo tendo erguido a cabeça, minha boca ainda estava oculta pelas roupas do hyung, então o som resmungando prosseguiu. O hyung afastou minha franja para trás, ajudando a dissipar o calor da minha cabeça. Sussurrei uma justificativa que era cerca de metade sincera:
​— …Eu gostaria de poder ser… bonito e popular como o hyung…
​— Entendo.
​— …Isso seria bom.
​Meus olhos avermelhados ficaram pesados sob seu toque lânguido. A mão que acariciava meu cabelo cessou o movimento e, ao parar no meio do caminho, fez minha franja desabar para a frente..
​— Então, quer que o hyung te ensine como fazer isso?

 

↫─☫ Continua…

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✦ Tradução, revisão e Raws: Natali Ferraz

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Sinopse:
Desde a infância, Cheongmyeong, que tem um histórico de ser rejeitado após se confessar para o vizinho mais velho que mora ao lado, acaba indo morar com ele por causa da faculdade. Porém, desta vez, a atmosfera parece um pouco diferente…
— Bom trabalho. Agora abra as pernas.
Nome alternativo: Sweet Sugar Candyman El Dulce Hombre De Azcar

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