Ler Sob o mesmo céu cinza – Capítulo 21 Online

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Capítulo 21 – A Verdade Sobre os Pais

 

O amanhecer chegou sem pedir licença, pintando de dourado as bordas dos prédios que resistiam à decadência do bairro. Os raios de sol atravessavam a janela do quarto de Haru, tocando seu rosto como dedos silenciosos, mas ele continuava acordado — os olhos fixos no teto, os pensamentos girando como uma tempestade sem fim.

 

A noite anterior ainda ecoava dentro dele: os gritos, o sangue, o beijo. A confissão.

 

“Eu te amo.”

 

Akira havia dito isso. Mesmo ensanguentado, mesmo em risco de vida. E Haru não fugiu. Não retribuiu com palavras, mas ficou. Salvou-o. Escolheu-o.

 

Mas por quê?

 

Por que ele, Haru, estaria abrindo espaço no coração para alguém como Akira?

 

Talvez fosse por tudo o que ele havia mostrado: o cuidado com Kaori, a forma como enfrentava os próprios fantasmas… Mas também havia algo mais sombrio. Um fio invisível que os ligava — algo que Haru ainda não conseguia nomear, mas que sentia com cada batida do peito.

 

Ele se sentou, passou as mãos pelo rosto e olhou para o pequeno relógio na estante. 07h03.

 

Kaori ainda dormia, enrolada nos lençóis. Ela sempre dormia profundamente quando se sentia segura. E, apesar de tudo, Haru sabia: Akira estava tentando dar isso a ela. A eles.

 

O celular vibrou. Uma mensagem.

 

“Preciso conversar. É importante.”

 

Era Akira.

 

Sem pensar muito, Haru pegou um casaco, deixou um bilhete para Kaori e saiu. Encarar a verdade nunca foi seu ponto forte — mas ignorá-la nunca o levou a lugar algum.

 

 

 

Encontrou Akira nos fundos do orfanato, onde havia uma pequena varanda improvisada com tábuas de madeira. Era ali que ele às vezes fumava, ou apenas ficava olhando o céu, como se buscasse respostas entre as nuvens.

 

Hoje, Akira estava sentado, com o olhar perdido no chão e um cigarro apagado entre os dedos.

 

— Você fumou? — Haru perguntou ao se aproximar.

 

— Não consegui. A garganta fechou — ele respondeu sem levantar os olhos.

 

Haru se sentou ao lado dele, mas deixou um espaço entre os dois. A tensão era espessa como neblina.

 

— O que você queria me dizer?

 

Akira demorou para responder. E quando o fez, sua voz estava embargada.

 

— Eu sei quem matou seus pais.

 

O tempo congelou por um segundo.

 

Haru o encarou, sem piscar.

 

— Como assim?

 

— Eu descobri… há algumas semanas. Depois que comecei a investigar o passado da gangue que herdei.

 

— Você disse que não sabia nada sobre isso.

 

— E era verdade. Mas eu fui atrás. Porque precisava saber. Porque… — ele respirou fundo — porque você merece saber.

 

Haru sentiu o coração acelerar, como se algo estivesse prestes a desmoronar dentro dele.

 

— Fala logo, Akira.

 

— O nome do responsável era Hayashi. Ele era o líder antes de mim. Foi ele quem mandou matar seus pais.

 

O sangue de Haru gelou. O nome era conhecido. Hayashi era um fantasma recorrente nas histórias do bairro, um homem cruel, implacável, desaparecido após um golpe interno. Haru sempre ouviu que ele havia morrido, mas nunca soube como.

 

— Por quê? — Haru sussurrou. — O que meus pais fizeram?

 

Akira tragou o silêncio antes de continuar.

 

— Seu pai era contador. Ele denunciou um esquema de lavagem de dinheiro sem saber que envolvia membros da gangue. Hayashi queria calá-lo. Mas… — Akira olhou para o chão, os olhos marejados — o plano era só intimidar. Alguém desobedeceu. E eles… eles morreram.

 

Haru fechou os punhos, as unhas cravando na palma.

 

— Eles morreram por um erro?

 

— Sim.

 

— E você… você fazia parte disso?

 

Akira o olhou, como se aquelas palavras fossem lâminas.

 

— Eu não. Eu era só um membro novo na época. Nem sabia da ordem. Mas quando descobri… eu matei Hayashi. Foi assim que virei o líder.

 

Haru se levantou bruscamente, dando dois passos para longe. O ar parecia denso, pesado demais para os pulmões.

 

— Você… você se vingou por mim?

 

— Não só por você. Por tudo que ele fez. Mas depois que te conheci… isso ganhou outro peso.

 

Haru virou-se, a raiva e a dor misturadas nos olhos.

 

— Então você carrega o sangue do homem que destruiu a minha vida.

 

— E carrego também o amor que você me fez sentir. Sei que não compensa. Mas é real.

 

— Amor? — Haru deu uma risada amarga. — Você acha que amor limpa sangue?

 

— Não. Mas pode impedir que ele se espalhe.

 

Haru encarou Akira, e algo dentro dele rachou. Era raiva, sim. Mas também era tristeza, confusão… e aquela maldita centelha de sentimento que crescia, mesmo quando ele tentava sufocar.

 

— Eu odeio isso — murmurou. — Odeio que você seja parte disso. Odeio que, mesmo assim, eu não consigo te odiar.

 

— Você pode me odiar, Haru. Mas eu não vou parar de estar aqui. Por você. Pela Kaori. Mesmo que nunca me perdoe.

 

Haru sentiu os olhos arderem. Ele se virou, olhando para o jardim malcuidado do fundo. Uma flor branca havia desabrochado ali — a mesma que Kaori plantara semanas antes.

 

Era bonita. Simples. Viva.

 

E mesmo depois de tantas chuvas, continuava ali.

 

— Eu preciso de tempo — ele disse.

 

— Eu dou o tempo que precisar.

 

— Mas não vai ser fácil.

 

— Eu não espero que seja.

 

Eles ficaram em silêncio novamente, mas algo havia mudado. A verdade tinha sido dita. A dor estava exposta. E, ainda assim, eles permaneciam ali — quebrados, mas juntos.

 

 

 

Mais tarde, naquela noite, Haru pegou seu caderno e escreveu:

 

“A verdade não trouxe paz. Trouxe fogo. Mas nesse incêndio, eu vi que algumas raízes resistem. Mesmo as que crescem entre os escombros.”

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Sinopse:

Akira é o líder temido de uma das maiores gangues da cidade. Conhecido por sua frieza e postura implacável, ele aprendeu desde cedo a sobreviver com os punhos e a dominar com silêncio e força. Para ele, sentimentos são fraquezas — até o dia em que cruza o caminho de Haru, um garoto pobre e solitário, que cuida da irmã caçula após perder os pais em um ataque brutal de gangsters.
Haru odeia tudo o que Akira representa. Carrega no peito a dor da perda e o ódio por aqueles que destruíram sua família. E mesmo quando Akira tenta se aproximar, movido por uma atração intensa e crescente, Haru responde com desdém, medo e resistência.
Mas Akira não desiste. O que começa como um simples interesse se transforma em uma obsessão silenciosa — e, pouco a pouco, em um sentimento que ele nunca soube nomear. Já Haru, entre a desconfiança e as feridas abertas, começa a ver rachaduras naquele mundo cruel — e talvez algo mais no homem que jurou odiar.
 
Sob o Mesmo Céu Cinzento é uma história sobre amor e redenção em meio à violência, sobre dois mundos colidindo, sobre cicatrizes que doem, mas também sobre a possibilidade de recomeçar. Um romance intenso, cheio de tensão, descobertas e transformação, onde até mesmo no céu mais cinzento, a luz pode encontrar seu caminho.

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