Ler Salt Society (Novel) – Capítulo 99 Online

↫─Capítulo 99
Para Gi-hyeon, toda a cena se desenrolou de forma dolorosamente lenta, como filmagens capturadas por uma câmera de alta velocidade. O olhar gélido nos olhos de Jo Yeon-oh enquanto ele olhava para baixo em sua direção. As faíscas literais que pareciam voar de seu olhar enquanto ele lentamente virava a cabeça para encarar o pai de Gi-hyeon. O maxilar rigidamente contraído que fazia seus músculos masseteres se destacarem em um relevo nítido.
Era uma visão aterrorizante.
Sem ter a menor ideia do que Jo Yeon-oh estava prestes a fazer, Gi-hyeon instintivamente agarrou seu braço. Sua voz tremeu enquanto ele falava.
— Não, não…
— Me solta.
— Não faça isso, Jo Yeon-oh, apenas vá embora.
Sem sequer olhar para Gi-hyeon, Jo Yeon-oh desprendeu firmemente a mão que segurava seu pulso e caminhou decididamente em direção ao quarto do bebê. Lá dentro, o pai de Gi-hyeon ainda arremessava furiosamente ao chão os suprimentos do bebê meticulosamente preparados.
— Eu acho que estive vivendo sob uma ilusão do caralho todo esse tempo.
Foi uma declaração inteiramente inesperada. Apesar do fogo assassino que ainda ardia nos olhos fixos no quarto do bebê, seu tom era tão notavelmente, quase divertidamente leve que Gi-hyeon não conseguia de forma alguma decifrar o seu significado.
Só então Gi-hyeon percebeu o quão dolorosamente apertado havia sido o aperto de Jo Yeon-oh em seu pulso. E que a mão que o segurava não havia tremido nem uma única vez. Era completamente diferente do restaurante, quando Jo Yeon-oh havia tentado desesperadamente acalmar suas mãos trêmulas enquanto implorava para que Gi-hyeon olhasse por ele. Mantendo o olhar fixo além da porta, Jo Yeon-oh continuou.
— Porque eu honestamente pensei que aquele pedaço de merda realmente se importasse com você.
A declaração repentina foi desconcertante. Gi-hyeon balançou a cabeça.
— Apenas… apenas deixe isso para lá e vá embora, por favor. Eu te ligo mais tarde…
Só então Jo Yeon-oh abaixou o olhar para encarar Gi-hyeon. Aqueles olhos pretos como breu olharam direto para dentro dele. Havia tanta emoção turbulenta rodopiando ali dentro que era impossível dizer se ele estava tentando comunicar algo específico. Gi-hyeon franziu a testa em total incompreensão, mas Jo Yeon-oh claramente não tinha a intenção de se explicar gentilmente.
— Já que ele fez de tudo para tirar você de mim, para roubar você de forma tão completa que eu não conseguia nem olhar para você… eu presumi que ele devia se importar com você. Eu disse a mim mesmo: “Acho que é isso o que um pai é, e como nunca tive um de verdade, eu deveria apenas engolir essa merda e entender”.
De repente, Gi-hyeon foi violentamente transportado de volta aos dias do ensino médio. Ele se lembrou de Jo Yeon-oh lhe dizendo que, apesar de sempre usar o trabalho como desculpa para evitar voltar para casa, seu pai ainda devia se importar com ele no fundo. Ele não fazia ideia de por que aquela memória específica estava vindo à tona agora. Sem se estender, Jo Yeon-oh virou a cabeça de volta para encarar o interior do quarto do bebê.
— Mas acho que ele sempre foi esse nível de lunático.
— …
Gi-hyeon não ofereceu resposta. Jo Yeon-oh continuou, com os olhos frios como gelo.
— Se eu não tivesse visto isso com meus próprios olhos hoje, você nunca teria me contado, não é?
— …Do que você está falando.
Pego entre a necessidade desesperada de tirar Jo Yeon-oh de casa e a pura confusão sobre suas palavras, Gi-hyeon ficou totalmente paralisado. As chamas nos olhos de Jo Yeon-oh continuaram a dançar violentamente. Talvez seus batimentos cardíacos tivessem disparado, porque as veias em seu pescoço estavam rigidamente visíveis, e a pulsação frenética de sua artéria carótida praticamente saltava sob sua pele.
Ele encarou Gi-hyeon com um olhar que estava simultaneamente fervendo de raiva e assustadoramente frio.
— O seu tornozelo. O seu tempo no hospital. Você nunca teria me contado que tudo aquilo foi por minha causa.
— …
O choque paralisou Gi-hyeon, roubando as palavras de sua garganta. Parecia que uma cratera havia se aberto de repente sob seus pés, derrubando-o no abismo. A sensação de todo o sangue em seu corpo escoando rapidamente pelas solas de seus pés o deixou tonto.
— O que… isso nem faz nenhum…
A tentativa de Gi-hyeon de negar foi pateticamente fraca. Ele deveria ter negado veementemente, exigido saber que porra Jo Yeon-oh estava falando, ou insistido que não entendia a acusação de forma alguma. Mas Gi-hyeon estava totalmente despreparado, e o olhar de Jo Yeon-oh estava dissecando suas mentiras com a precisão cirúrgica de um bisturi.
— Certo. Mesmo para você, não faz o menor sentido.
— …
— Que eu seja o bastardo absoluto que destruiu o seu tornozelo daquela forma.
— …
— Gi-hyeon-ah. Você não acha que isso é apenas cruel demais, porra?
Um zumbido agudo e estridente perfurou os ouvidos de Gi-hyeon. Ele queria desesperadamente balançar a cabeça, mas percebeu que era completamente incapaz de falar ou se mover. Não conseguia sequer piscar as pálpebras congeladas.
Encarando a figura paralisada de Gi-hyeon com uma expressão impassível, Jo Yeon-oh soltou um deboche oco.
— Um tenente, vitimizado por bullying severo e agressão dentro do exército simplesmente por causa de um boato de que ele estava namorando um alfa. Quando descobri que você era o protagonista trágico daquele melodrama patético e clichê… o que diabos você acha que passou pela minha mente?
— …
— Eu pensei: Ah, então é por isso que você me odeia. Eu estava errado?
Ele queria desesperadamente balançar a cabeça e perguntar que porra Jo Yeon-oh queria dizer. Queria gritar que nunca o odiara, que não sabia por que Jo Yeon-oh pensaria aquilo. Mas seu maxilar parecia travado com arames. Com um olhar que tremia violentamente, Gi-hyeon falhou em proferir uma única palavra.
— Você passou todo esse tempo comigo, mas nunca se abriu e me contou quando estava lutando, ou quando estava sentindo dor.
— …
— E exatamente como esse show de horrores que está acontecendo aí dentro bem agora… se eu não tivesse entrado e flagrado eu mesmo hoje, você nunca teria me contado sobre isso também.
A voz assustadoramente calma cortou Gi-hyeon. Ele queria desesperadamente negar, explicar que só havia mantido isso em segredo porque não queria sobrecarregar Jo Yeon-oh, mas Jo Yeon-oh já havia se virado.
— Sogrão.
Em vez disso, ele de repente chamou o pai de Gi-hyeon. A fala foi tão casual que soou como se ele estivesse se dirigindo ao homem daquela forma por toda a sua vida. A expressão de Jo Yeon-oh era igualmente plácida e tranquila. Ele parecia tão notavelmente composto que oferecer um lanche ao homem não pareceria fora de lugar.
O velho, que estava no meio do ato de despedaçar a estrutura de um berço de bebê, ergueu a cabeça rapidamente, com os olhos brilhando de loucura enquanto os encarava. Ele parecia um homem que de repente percebera que estivera espancando um espantalho, e os verdadeiros alvos de sua condenação justa estavam parados bem na sua frente.
— Como ousa me chamar assim! Você não tem vergonha?! Roubando um filho perfeitamente normal de sua família, forçando-o a atos degenerados, e agora até mesmo uma criança—
— Pai!
Aterrorizado, Gi-hyeon o interrompeu desesperadamente. Ele não fazia a menor ideia de onde seu pai sequer tinha ouvido falar da gravidez. Beom-hee havia lhe enviado as reportagens, e o nome de Gi-hyeon não havia sido mencionado em uma única linha. Mesmo que o homem tivesse clicado no artigo por curiosidade devido à manchete do “chaebol de terceira geração do Grupo H”, não havia absolutamente nada no texto que pudesse identificar especificamente Gi-hyeon.
Beom-hee sabia da verdade, então entrara em contato com ele diretamente, mas não havia nenhuma razão lógica para seu pai conectar imediatamente o parceiro grávido anônimo do artigo ao seu próprio filho. Além disso, o homem tinha acabado de revelar que já sabia que Gi-hyeon sofrera mutação para um ômega.
No entanto, mesmo enquanto sua mente corria para conectar os pontos, uma dor aguda e excruciante perfurou o peito de Gi-hyeon. Cada palavra venenosa que seu pai cuspia era uma adaga mirada diretamente em Jo Yeon-oh. Era exatamente isso o que Gi-hyeon havia sacrificado tudo para evitar.
Gi-hyeon sempre acreditara que, se não tivesse amado Jo Yeon-oh de forma egoísta, Jo Yeon-oh nunca teria sido rotulado como um alfa lunático que namorava homens betas. Ele odiava a realidade de que seu próprio amor patético e sem valor era a única coisa que podia oferecer a um homem que já tinha o mundo aos seus pés. Portanto, a única coisa absoluta que Gi-hyeon podia fazer para protegê-lo era garantir que Jo Yeon-oh nunca tivesse que ouvir insultos como esse.
Ele havia suportado a agonia de amar Jo Yeon-oh enquanto permanecia bem ao lado dele. Mesmo que Jo Yeon-oh nunca o desejasse, mesmo que Jo Yeon-oh tivesse literalmente vomitado em sua confissão, Gi-hyeon ficara radiante simplesmente porque Jo Yeon-oh não o havia jogado fora. Ele havia amado Jo Yeon-oh com aquela gratidão exata e desesperada.
E, no entanto, era assim que terminava. Todos os seus esforços dolorosos para proteger Jo Yeon-oh dessa exata sujeira haviam sido arrastados pela lama, e as flechas venenosas dos insultos de baixo nível de seu pai agora estavam disparando à queima-roupa contra Jo Yeon-oh. Desesperado, Gi-hyeon empurrou Jo Yeon-oh com força.
— Para com isso! Eu mandei você ir embora! Por que diabos você está ignorando tudo o que eu digo?!
O ressentimento que ele havia tentado tanto suprimir finalmente entrou em erupção, direcionado diretamente a Jo Yeon-oh. No entanto, mesmo enquanto gritava, o monólogo interno de Gi-hyeon o zombava implacavelmente. “Quem te mandou amar Jo Yeon-oh? Alguém colocou uma arma na sua cabeça e te forçou a se confessar para o seu melhor amigo? Você fez a escolha, então você arca com as consequências. Por que você está culpando ele?” Aquela autoconsciência brutal era a única coisa que o mantivera são de espírito através de anos de tormento. Mas hoje, ele não conseguia mais suportar ouvir aquilo. Desesperado para abafar sua própria voz interna, Gi-hyeon rejeitou Jo Yeon-oh ainda mais alto.
— Eu mandei ir embora, porra, seu bastardo louco!
Apesar de Gi-hyeon golpear repetidamente os punhos contra o seu peito, Jo Yeon-oh não havia recuado um único centímetro. Em vez disso, ele estendeu a mão e agarrou os pulsos de Gi-hyeon. Gi-hyeon lutou para arrancar as mãos de Jo Yeon-oh dali, mas o aperto era como ferro. Então, sem uma palavra, Jo Yeon-oh se virou e arrastou Gi-hyeon diretamente para a destruição absoluta do quarto do bebê.
— O que… o que você está fazendo—
Ignorando a pergunta frenética de Gi-hyeon, Jo Yeon-oh parou diretamente em frente ao pai de Gi-hyeon.
— Sogrão, eu vou me casar com o Gi-hyeon.
— …O quê?
—
↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna
Ler Salt Society (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
So Gi-Hyeon decide confessar seu amor não correspondido de longa data ao seu amigo de infância, Jo Yeon-o, que despreza relacionamentos com betas.
O que recebe em troca não é nada além de uma repreensão cruel.
— Você ficou maluco, seu desgraçado…? Esqueceu que é um beta?
Yeon-o chega a sentir ânsia de vômito ao ouvir a confissão de Gi-Hyeon.
Gi-Hyeon quer encerrar seus sentimentos em silêncio, mas Jo Yeon-o não consegue simplesmente abandonar o amigo.
— Tudo bem. Vamos namorar, seu egoísta de merda.
Jo Yeon-o parece mais ferido do que qualquer outra pessoa.
A confissão tem gosto de sal.
É o início de um amor que já nasceu coberto por uma crosta de sal.