Ler Roses And Champagne – Capítulo Side Story 04 Online


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❬ Side Story 4 – Secret Rose ❭

Ele estava atrasado.

Won revirou a casa desesperadamente, tentando encontrar seu cachecol. “Por que sempre que estou atrasado as coisas que preciso nunca estão onde deveriam estar?” Embora sua casa estivesse sempre uma bagunça, Won tinha seu próprio sistema e normalmente conseguia achar o que queria na hora.

Mas, é claro, em dias como esse, o item que procurava simplesmente desaparecia. Depois de revirar a desordem, finalmente encontrou o cachecol debaixo de uma estante. Ao se apressar para colocá-lo no pescoço, hesitou. O cachecol estava coberto de poeira, e sacudi-lo algumas vezes não seria suficiente para torná-lo usável.

Após um momento de deliberação, jogou o cachecol no cesto de roupas sujas e virou-se para outros preparativos. Foi então que seu telefone tocou. “Claro que seria justo agora.” Ele checou a mensagem:

— Te esperando.

Era uma mensagem de seu pai. Won suspirou, exasperado.

Seu pai, Mikhail, havia deixado a organização Lomonosov há pouco tempo. Sua aposentadoria repentina causou rebuliço, não só no submundo, mas até em círculos políticos. No entanto, Mikhail havia declarado com confiança seus motivos para a enxurrada de questionamentos:

Ele queria passar o resto da vida com o filho.

Para Won, o sentimento era agridoce. Não conseguia descrever direito a mistura de alívio e peso que sentia. Mas o olhar de Mikhail era sincero, então Won, como todos os outros, aplaudiu a decisão.

“Até aí tudo bem. O problema veio depois.”

Para alguém que vivia com uma agenda lotada, ter que dedicar tempo pessoal a outra pessoa era um fardo significativo. O problema é que Won tinha duas dessas pessoas em sua vida. Depois de um breve retorno à organização por causa de uma crise, Mikhail voltara à vida civil assim que Vladimir reassumiu o controle. Agora, mais uma vez, ele buscava o filho com fervor, ansioso para passar tempo juntos.

Enquanto Won pegava suas coisas às pressas e descia as escadas, uma das pessoas por trás desse dilema estava lá embaixo.

— Oi.

Caesar o cumprimentou com um sorriso. Won sorriu de volta, sem jeito.

— Oh, o que te traz aqui?

Já era final da tarde. Alguma emergência teria feito Caesar aparecer sem aviso? Preocupado, mas ainda com pressa, Won olhou em volta antes que Caesar falasse:

— Como você está? Não tenho notícias desde o mês passado…

Caesar ia continuar, mas Won o interrompeu:

— Desculpe, estou com pressa agora. Falamos depois!

Quando Won tentou passar correndo, Caesar de repente agarrou seu braço. Forçado a parar, Won virou-se para olhar para ele. Caesar falou rápido:

— Você tem tempo hoje? Preciso falar algo importante.

Havia um entusiasmo estranho na voz de Caesar enquanto esperava a resposta. Won piscou e respondeu rapidamente:

— Desculpe, tenho planos com meu pai.

A expressão de Caesar escureceu na hora. Won entendeu como ele se sentia. Desde a aposentadoria de Mikhail, Won passara a maior parte do tempo livre com o pai em vez de Caesar.

— Por que você sai tanto com o Mikhail?

Como esperado, a frustração de Caesar transbordou. Encontros cancelados e agora sendo deixado para trás na própria porta era o suficiente para irritar qualquer um. Além disso, Caesar nunca escondera seu desgosto pelos encontros de Won com Mikhail. Ele não conseguia entender o conceito de uma relação normal entre pai e filho.

Mas Caesar não terminou.

— Quem é mais importante, Mikhail ou eu?

— O QUÊ?!

Won ficou chocado com a pergunta infantil. Piscando, confuso, viu que Caesar falava sério. — Tudo o que você faz é trabalhar, trabalhar, trabalhar. E quando tem tempo livre, passa com o Mikhail. Quando eu posso te ver? Preciso pegar uma senha e esperar minha vez?

A última parte foi cuspida com exasperação. Won, embora entendesse os sentimentos de Caesar, não pôde evitar achar a situação um pouco cansativa.

— Não posso evitar. Podemos conversar depois, mas por agora…

— Não. Tem que ser hoje.

Caesar, ainda segurando Won, acrescentou com uma seriedade inflexível que tornava a recusa impossível:

— Hoje. Definitivamente.

Vendo a aura de autoridade que emanava dele, Won sabia que não poderia dizer não. Além disso, era verdade que ele vinha negligenciando Caesar em favor do pai e do trabalho. Então, com um aceno relutante, Won concordou. Só então Caesar soltou seu braço.

Enquanto Won saía apressado, olhou para trás e viu Caesar sorrindo e acenando, claramente animado para a noite. Won sentiu uma mistura de culpa e exaustão.

Mikhail vivia sozinho em uma mansão bastante elegante na cidade. Apesar de sua riqueza, tinha poucos amigos, e recentemente vinha encontrando alegria em passar tempo com o filho que sentira falta por toda a vida.

No café onde haviam marcado de se encontrar, Mikhail esperava ansiosamente por Won. Toda vez que a porta se abria, ele erguia o olhar, apenas para suspirar de decepção e tomar outro gole de chá. Finalmente, o rosto que esperava apareceu.

— Entre, Won.

Toda vez que Mikhail via Won, não conseguia esconder sua alegria, puxando-o para um abraço caloroso. Para os outros, Mikhail era um homem frio e intimidador, mas para Won, ele sempre transbordava paixão fervorosa. Won sorriu ironicamente, dando tapinhas nas costas do pai antes de se sentar à sua frente.

— Então, como você tem passado? Nada de importante aconteceu?

Mikhail perguntou com genuína curiosidade, mesmo que tivessem se visto apenas três dias atrás. Won respondeu com sinceridade.

— Tenho passado bem… E você?

Ao devolver a pergunta, Won hesitou levemente antes de se dirigir a ele como “pai”. Mikhail notou a hesitação, mas fingiu não perceber, respondendo:

— Vladimir me visitou ontem.

Won conhecia o nome. Vladimir era o jovem e capaz líder que assumira a organização Lomonosov após Mikhail. Era conhecido como um homem de sangue frio, diziam ter gelo nas veias.

O homem que foi hospitalizado com ferimentos graves após um incidente ridículo.

Embora Vladimir fosse indubitavelmente perspicaz e perceptivo, parecia que quando se tratava de assuntos envolvendo Mikhail, ele tendia a perder a compostura. Ainda assim, Won ficou aliviado que após o incidente, Vladimir parou de dizer absurdos para ele. Pensando em Vladimir, Won perguntou:

— Está acontecendo algo? Ele já saiu do hospital faz tempo, não?

Mikhail balançou a cabeça.

— Não, nada sério. Ele só veio dar um oi. Trouxe um bolo. Você tem tempo? Que tal vir à minha casa para comermos juntos?

Embora o convite de Mikhail fosse casual, havia um traço de animação em sua voz. Won lembrou-se de um presente que recebera do pai, um suéter vermelho com a palavra “Filho” bordada. Quando fora visitá-lo naquele dia, Mikhail usava um suéter vermelho combinando com “Pai” escrito.

Não havia motivo para recusar, e ele tinha algum tempo, então Won concordou em ir à mansão de Mikhail para comer o bolo. Conversaram descontraidamente enquanto comiam, ouvindo Mikhail falar sobre vários assuntos. Então, o telefone de Won vibrou com uma nova mensagem. Era uma única palavra de Caesar:

— Hoje.

Suspirando baixinho, Won rapidamente terminou seu bolo.

— Preciso ir.

Ao colocar o prato vazio sobre a mesa e se levantar, Mikhail, que estava contando sobre uma partida de xadrez que jogara com Lef, pareceu surpreso.

— Já? Você nem terminou seu chá.

Seu pai, claramente decepcionado, tentou fazê-lo ficar. Sentindo-se dividido, Won se desculpou.

— Sinto muito, mas tenho um compromisso importante.

— Não pode esperar? Já que você está aqui, por que não fica mais um pouco?

Tanto pai quanto filho tinham agendas apertadas. Won, sentindo-se culpado, apertou a mão do pai.

— Nos vemos em breve.

— Tá bem…

Mikhail parecia extremamente decepcionado, seus ombros caíram. Mas se recuperou rapidamente.

— Se for trabalho, eu entendo. Certo, vamos marcar de nos ver logo.

Mikhail deu tapinhas encorajadores no ombro de Won. Won sorriu apologeticamente antes de deixar a mansão.

Assim que pisou fora, Won correu em direção ao trem.

“Em que confusão eu me meti?”

Won mal conseguiu pegar o trem que partia, encostando-se na parede enquanto soltava um suspiro profundo.

Ao chegar em casa, ele encontrou um pavão esperando por ele na porta.

— Won.

A voz de Caesar quase transbordava afeto, como se pudesse adicionar um coração no final das palavras. Won o encarou em silêncio. Hoje, Caesar estava vestindo um fraque preto, segurando champanhe e um buquê de rosas vermelhas. Sem dizer muito, Won jogou as flores e o champanhe na superfície mais próxima e passou por ele. Do lado de fora do prédio, uma limusine luxuosa aguardava, como esperado. Won entrou no carro sem dizer uma palavra, só falando quando já estavam dentro.

— O que é tão urgente?

Caesar sorriu para sua pergunta.

— Vamos conversar durante o jantar. São boas notícias.

“Será mesmo?” Won pensou consigo mesmo, olhando para Caesar com desconfiança, mas Caesar continuou sorrindo.

O restaurante que Caesar reservara era um lugar novo que recentemente ganhou fama devido a um chef renomado mundialmente que aparecia em programas de TV e cuidava pessoalmente do cardápio. Apesar do horário de jantar movimentado, o restaurante popular estava completamente lotado, mas Caesar conseguira uma sala privativa.

— Dom Pérignon, como sempre — Caesar disse satisfeito, observando as bolhas subirem em sua taça de champanhe. Won, comendo sua refeição sem pensar muito, esperou para ouvir o que Caesar queria conversar. Enquanto Caesar falava sobre balé, um autor recém-premiado e os carros mais recentes, Won assentia distraidamente até notar o pulso de Caesar quando a manga de sua camisa se moveu.

— Você se machucou?

A voz de Won ficou mais afiada sem que ele percebesse. Caesar hesitou por um momento antes de responder com indiferença.

— Não é nada.

Não houve incidentes graves recentemente. Se Caesar tivesse se machucado, a mídia teria noticiado. Won rapidamente conectou os pontos.

— Leonid ainda não desistiu?

Caesar riu.

— Ele está no auge por um motivo: sempre completa suas tarefas, não importa o quê.

Won ficou em silêncio. Fora ideia dele, e Caesar até riu quando concordou, mas ver Caesar se machucar ainda era perturbador. No entanto, essa estratégia de usar um inimigo para eliminar outro era sua melhor aposta para lidar com Dmitri e Leonid simultaneamente. Não havia alternativa melhor, mesmo agora.

Ele esperava que Dmitri de alguma forma convencesse Leonid a encerrar essa situação rapidamente. Felizmente, Dmitri era tão capaz quanto afirmava, protegendo Caesar perfeitamente como esperado. Ainda assim, ele também por pouco não capturou Leonid várias vezes. Dmitri frequentemente dizia que teriam boas notícias em breve.

Won olhou para o ferimento de Caesar, agora escondido sob sua manga. Dmitri provavelmente chorou de raiva no dia em que aquela ferida foi infligida, provavelmente aprofundando seu rancor contra Leonid e Won.

Após uma pausa, Won falou.

— Tome cuidado. Se você morrer, eu morro também.

Seu aviso sério estava carregado de preocupação e culpa. Mas a resposta de Caesar estava longe do que Won esperava.

— Oh, que romântico — Caesar disse com um sorriso.

Won, pensando que Caesar era muito mais sensível do que ele, continuou cortando seu bife em silêncio.

Foi só no meio do jantar que Caesar finalmente revelou qual era seu “assunto importante”.

— Férias?

Won, que estava apreciando seu bife, largou o garfo e piscou surpreso com a sugestão de Caesar. Caesar, que ansiava por esse momento, não conseguia esconder sua empolgação.

— Recentemente comprei uma villa. Dá para ouvir as ondas do quarto.

Ele tomou um gole de sua taça de vinho e acrescentou:

— É uma praia privativa, então não precisamos nos preocupar com mais ninguém. Podemos aproveitar só para nós.

— Entendo.

“Por que comprar uma praia inteira?” Won se perguntou, mas não disse em voz alta. Era a preferência de Caesar, afinal. Em vez disso, ele mentalmente revisou sua agenda e respondeu:

— Não posso este mês.

Caesar hesitou, então sorriu.

— Mês que vem está bom.

— Mês que vem também está difícil.

— E no outro mês…

— Estarei na Coreia então.

Caesar colocou sua taça de vinho sobre a mesa. Won notou uma rachadura sutil na haste da taça e olhou de volta para o rosto de Caesar.

— Então quando você está livre?

A voz de Caesar era suave, mas carregava uma ponta inconfundível. Won sorriu e disse:

— Que tal amanhã?

Era claramente uma piada, mas Won, apesar de já ter experimentado a literalidade de Caesar várias vezes antes, esquecera o quão mal ele lidava com brincadeiras.

Como era de se esperar, Won passou o dia seguinte imerso no trabalho. Seu caso mais recente envolvia uma mulher que deixara o lar após se envolver com uma nova seita religiosa, e a cliente queria processar o líder do culto. Enquanto Won revisava as atividades fraudulentas do líder, ponderava sobre a melhor abordagem. Decidiu pressionar por indenizações baseadas em fraude.

O ponto crucial era o paradeiro da filha. Lembrando das lágrimas da cliente ao falar que queria ver a filha novamente, Won sentiu uma pontada de empatia.

“Vamos começar encontrando alguns precedentes.”

Ele estava absorto em seus pensamentos, pesquisando casos similares, quando ouviu passos pesados subindo as escadas do lado de fora. Olhou para cima, confuso, enquanto os passos se aproximavam.

Mas isso foi apenas o começo. Os passos pararam bem diante de sua porta. No instante seguinte, a porta se abriu violentamente e vários homens de terno preto invadiram a casa de Won.

— Argh!

Os homens agarraram Won sem dizer uma palavra, ergueram-no e saíram correndo do prédio. Ele ainda segurava uma caneta atrás da orelha, interrompido no meio de sua tarefa, e de repente se viu sendo carregado à força.

— Que porra é essa? Me soltem! Quem mandou vocês? Vou processar cada um de seus bastardos…!

Vizinhos saíram de seus apartamentos, assistindo impotentes enquanto Won era arrastado.

Ele foi jogado sem cerimônia no banco de trás de um sedã elegante, que acelerou rumo a um destino inesperado: o aeroporto. Won piscou surpreso ao perceber. Mas não parou por aí. Assim que o sedã chegou ao aeroporto, Won foi puxado com a mesma brutalidade e empurrado para dentro de um avião pronto para decolar.

— Quem diabos…

Furioso, Won gritou, mas parou quando a compreensão lhe atingiu.

Na cabine, vestido com elegância em um terno azul marinho, estava Caesar, saboreando champanhe casualmente. Os homens que haviam arrastado Won para bordo desapareceram, deixando apenas os dois. Não havia dúvidas sobre quem estava por trás disso, só podia ser Caesar.

Won franziu a testa, cruzou os braços e encarou Caesar com raiva.

— O que você pensa que está fazendo?

Sua voz era baixa e grave, mas Caesar respondeu com indiferença:

— Você disse que amanhã estaria bom, não foi? Uma noite é pouco, mas vamos aproveitar ao máximo.

Uma veia pulsou na testa de Won.

— Você não entende sarcasmo? Era obviamente uma piada! Como vou cumprir minha agenda se você me arrasta assim?

Furioso, Won virou-se para sair do avião. Mas a porta já havia se fechado silenciosamente, e o capitão se preparava para a decolagem.

— Espera, peraí!

Em pânico, Won gritou, e uma comissária de bordo se aproximou.

— Sinto muito, senhor, mas estamos nos preparando para decolar. Por favor, tome seu assento.

— Espera, eu não vou! Me deixem sair! Entrei aqui por engano!

— Como?

A comissária ficou confusa enquanto Won batia na porta, claramente angustiado.

— Sente-se; você está incomodando os outros — a voz calma de Caesar fez a raiva de Won explodir ao se virar. “De quem mais é a culpa?! “

Justo quando estava prestes a explodir, Caesar falou novamente:

— A propósito, já encontrou a filha da cliente? Ouvi dizer que ela pode estar na Geórgia.

Won congelou, encarando-o. Não era a primeira vez que Caesar usava esse truque. Caesar ergueu sua taça de champanhe com um ar presunçoso. A comissária, sem saber o que fazer, olhou nervosamente entre os dois.

— Senhor, estamos prestes a decolar. Por favor, sente-se.

Relutantemente, Won sentou-se.

— Usando o mesmo truque de novo — resmungou, exasperado.

Caesar sorriu levemente. — E funciona toda vez.

Sem mais o que dizer, Won serviu-se de champanhe e bebeu tudo de uma só vez.

Embora tivesse sido levado à força, a villa da qual Caesar tanto se gabara era realmente linda. Quando a costa apareceu pela primeira vez na janela do avião, Won não pôde evitar um suspiro de admiração ao contemplar o mar límpido e cristalino. Era a primeira vez que via um oceano tão deslumbrante, e isso o fez sentir-se constrangido por ter questionado por que Caesar se dera ao trabalho de comprá-lo.

Ao descerem do avião, dirigiram por uma curta distância até a villa, que era ainda mais impressionante de perto. Won esperava algo grandioso e exagerado, típico da arquitetura russa, mas a villa era surpreendentemente modesta em tamanho, transmitindo uma sensação de serenidade e harmonia com a praia tranquila.

A villa, embora maior que um “pequeno chalé”, era pequena comparada às mansões do continente. Era inteiramente feita de madeira, com alguns degraus levando até a porta da frente. Ao abri-la, Won foi recebido por uma sala espaçosa.

— Chove às vezes — Caesar murmurou, como se estivesse falando consigo mesmo. Won assentiu, imaginando o quão agradável seria sentar à mesa de madeira, tomando chá enquanto observava a chuva cair sem fim.

“Ouvir o som da chuva enquanto fazemos amor…”

O pensamento o atingiu como um choque. Uma mistura de romantismo e pavor o invadiu. O pior foi perceber que a ideia o excitou.

— O que foi? — Caesar perguntou, confuso. Won balançou rapidamente a cabeça, dizendo que era nada, mas internamente sentiu um frio no peito.

“Eu também sou um pervertido.”

Rapidamente, voltou sua atenção para o segundo andar. Os quartos bem-arranjados, a sala de estar e o escritório eram todos perfeitamente adequados para relaxar. Won começou a entender por que Caesar insistira tanto em trazê-lo até ali.

A vista da praia aparentemente infinita a partir do quarto era de tirar o fôlego, e Won finalmente admitiu:

— Tá bom.

Caesar olhou para ele. Won manteve seu olhar e repetiu:

— Eu gosto desta villa.

Caesar não disse nada. Apenas sorriu levemente e o beijou.

Fizeram amor ao som das ondas, em vez da chuva.

— Ugh…

Won acordou com um gemido suave. O quarto estava escuro. Eles haviam caído no chão após a paixão e adormecido. Ao longe, o horizonte estava tingido pelas cores do sol, embora ele não soubesse dizer se estava nascendo ou se pondo. Quanto tempo havia passado? Seu corpo doía por inteiro. Olhando para o lado, viu que Caesar ainda dormia.

Observando seu rosto tranquilo e adormecido, Won sentiu uma sensação estranha. Levantou-se e olhou para Caesar, que não acordou. Alguma vez ele vira Caesar dormir de forma tão vulnerável?

Won gentilmente afastou os cabelos de Caesar, mas mesmo assim ele não se mexeu. Won ficou sentado ali por um tempo, perdido em pensamentos, antes de levantar-se lentamente e vestir-se. Para deixar Caesar dormir um pouco mais, saiu do quarto na ponta dos pés.

“Nem o som das ondas vai parecer o mesmo de antes.”

O pensamento cruzou a mente de Won. Ele estivera furioso por ter sido arrastado para lá, mas assim que entraram na villa, acabou caindo na cama.

“Será que sou tão fraco diante da tentação? Ou o sexo com Caesar é realmente tão bom assim?”

“É exagero, mas acho que ele está mostrando algum controle.”

Sem perceber, Won se pegou defendendo Caesar, para logo em seguida corrigir seus pensamentos:

“Claro, se eu cedesse a tudo que ele quisesse, não viveria para chegar à velhice.”

Balançando a cabeça, Won voltou a caminhar lentamente. As ondas continuavam seu vai e vem rítmico. Ao andar descalço na areia úmida, Won sentiu que finalmente estava tendo um descanso de verdade depois de tanto tempo.

Acima de tudo, não estava frio. Era bom ver o mar novamente depois de tanto tempo. Won também precisava de uma pausa, como qualquer outra pessoa. Coisas demais haviam acontecido recentemente.

“Se ao menos eu não tivesse sido sequestrado para cá…”

Enquanto refletia distraidamente sobre o passado, seu olhar caiu sobre o sol, prestes a nascer do mar. De repente, sentiu alguém se aproximando. Virou-se e viu Caesar, o que o fez parar de caminhar. Aquela praia privativa parecia ainda mais isolada agora, com apenas os dois ali.

Caesar parecia diferente do habitual. Seus cabelos platinados, normalmente tão arrumados, estavam despenteados e caídos sobre a testa. Em vez de um casaco de pele, vestia uma camisa confortável com os botões desabotoados e uma calça social.

Quando seus olhos se encontraram, Caesar sorriu. Ao ver aquele sorriso, Won sentiu sua raiva se dissipar. Haviam levado seis horas para chegar à villa. Com apenas um dia para descansar, ele não queria desperdiçar esse tempo precioso brigando.

“É verdade que não tenho dado tempo suficiente a esse homem.”

Sentindo uma pontada de culpa, Won passou a mão pelos próprios cabelos, desarrumados pelo vento. Enquanto Caesar observava seu rosto avermelhado pelo amanhecer, ele falou:

— Você não está cansado?

Won respondeu casualmente:— Posso dormir a qualquer hora em casa. Devemos aproveitar esse lugar novo enquanto estamos aqui.

Dito isso, Won virou-se novamente. Caesar ainda estava parado no mesmo lugar. Won olhou por cima do ombro e estendeu a mão.

— Quer vir comigo? É só uma caminhada.

Sem dizer uma palavra, Caesar avançou em silêncio e pegou a mão de Won, sua resposta sendo implícita. Quando Caesar ficou ao seu lado, Won aproveitou para beliscar brincando o nariz dele.

— Se você me sequestrar assim de novo, não vou perdoar.

Caesar apenas esfregou o nariz dolorido com uma careta, sem dizer nada em resposta.

Por um tempo, caminharam lado a lado em silêncio. O som das ondas avançando e recuando preenchia o espaço entre eles. O aperto leve da mão de Caesar na sua era perceptível, mas não incômodo. Won continuou andando, perdido em pensamentos.

— Eu também morei numa ilha na Coreia.

Won falou enquanto contemplava o mar distante.

— Sempre dava pra ouvir o som das ondas. Quando me mudei para a cidade, não conseguia dormir. Então minha mãe gravou o som do mar e tocava para mim.

Um sorriso discreto cruzou o rosto de Won. Caesar o observava em silêncio. Uma rajada de vento desarrumou os cabelos de Won, mas ele manteve os olhos fixos no horizonte.

— Você quer voltar?

Caesar perguntou suavemente. Won balançou a cabeça.

— Não, claro que sinto saudades as vezes, mas minha vida é aqui agora. — E mudou rapidamente de assunto, perguntando:

— E você? Como era sua mãe?

Caesar não respondeu imediatamente. Won só perceberia depois que o silêncio não era hesitação, mas Caesar revirando suas memórias.

— Tudo o que lembro é que ela tinha cabelos loiros.

— Ela faleceu quando você era jovem?

Caesar balançou a cabeça.

— Não.

Falou no mesmo tom distante de sempre.

— Só a vi uma vez, quando era muito pequeno.

Won piscou, surpreso. Caesar continuou com a mesma voz indiferente:

— Então não sei realmente como ela era.

Era como se estivesse falando de uma estranha, alguém completamente alheia a ele. Won ficou chocado com a resposta inesperada. Caesar nunca hesitara em falar sobre si mesmo antes. Não estava envergonhado ou relutante. Respondera porque Won perguntara, e só.

“Que tipo de vida esse homem teve?”

Enquanto o pensamento cruzava sua mente, Caesar falou novamente:

— É estranho. Nunca falei sobre isso antes.

Won olhou para ele enquanto Caesar continuava caminhando.

— Você sempre me faz baixar a guarda.

Havia um sorriso discreto no rosto de Caesar ao falar. Won franziu a testa.

“Baixar a guarda? Esse homem? Será mesmo?”

Enquanto Won tentava recordar eventos passados, Caesar continuou:

— Quando estou com você, sinto meu coração acelerar.

A voz de Caesar era lenta, combinando com seus passos.

— Sinto coisas que nunca senti antes. É como se estivesse me tornando outra pessoa…

Caesar parou de caminhar e olhou para Won.

— Você já se sentiu assim?

Won foi pego de surpresa pela pergunta repentina. Mas Caesar estava sério. Vendo a sinceridade em seus olhos prateados, Won ficou sem palavras. Não esperava uma confissão daquelas. Não acreditava que aquele homem falava com ele tão ousadamente.

“Como ele pode dizer algo assim sem nem se desculpar?” Won pensou, meio impressionado. Mas não encontrou palavras para criticar Caesar. Em vez disso, apenas o encarou em silêncio. Ao encontrar o olhar de Caesar, Won viu algo surpreendente. Conseguia ler a ansiedade, o desconforto, a confusão e um tremor que não entendia direito.

— Quero saber mais sobre você.

Won murmurou.

— Ainda há tanto que não sabemos um sobre o outro.

Caesar, que o observava em silêncio, finalmente falou:

— Seus olhos são como um abismo. — Caesar estreitou os olhos. — Me fazem sentir como se estivesse caindo…

Sua voz era quase um sussurro. Won não respondeu. Em vez disso, suspirou suavemente.

— Posso te beijar?

Won perguntou. Caesar piscou, incrédulo, mas Won estendeu a mão, envolvendo gentilmente seu pescoço. Puxou-o para perto e fechou os olhos. Um suspiro suave escapou de seus lábios – Won sabia que era seu. Não se incomodou em escondê-lo enquanto pressionava seus lábios contra os de Caesar.

Era um beijo terno, reconfortante e quente, como se acariciasse suas emoções mais profundas. Caesar, de olhos fechados, aceitou o beijo, sentindo uma sensação desconhecida dentro de si. Não era conforto que queria, mas algo mais. Desejava mais, só um pouco.

Quando Caesar tentou separar os lábios de Won e explorar mais, Won de repente se afastou. Caesar congelou com a brusquidão. Won olhou para ele por um momento, então sorriu ironicamente.

— Não entenda errado. Eu te beijei porque o sol estava nascendo.

Won acrescentou casualmente:

— Na Coreia, é costume se beijar quando se vê o nascer do sol juntos.

— O quê?

Caesar franziu a testa como se nunca tivesse ouvido algo tão ridículo. Claro que não cairia nessa. Mas Won fingiu não notar e sorriu.

— Da próxima vez, pratique um pedido de desculpas também.

A expressão de Caesar se contorceu de frustração, e Won riu antes de beijá-lo novamente.

— Vamos ficar juntos, de agora em diante.

Ao sussurro gentil de Won, Caesar não respondeu. Apenas inclinou a cabeça e sorriu suavemente. Quando seus lábios se encontraram mais uma vez, Won fechou os olhos.

 

 

 

 

Fim Side Story 4 – Secret Rose

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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna

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Ler o Manhwa Roses and Champagne Completo em Português Grátis Em um mundo de alto risco, Lee Won, um advogado lutando para sobreviver, se vê enredado em uma teia de intriga e perigo. Quando ele cruza o caminho de Caesar, um formidável chefe da máfia, descobre uma conexão oculta entre o Conselheiro Municipal Zdanov e o crime organizado. À medida que Lee Won se aprofunda no caso, desvenda uma conspiração sinistra que ameaça despedaçar o frágil equilíbrio da cidade. Preso entre a lei e o submundo, ele deve navegar por um jogo mortal de poder, decepção e desejos proibidos. A cada passo, o mundo de Lee Won se entrelaça com o de Caesar, enquanto ambos enfrentam seus próprios motivos ocultos e tentações proibidas. Em meio a noites regadas a champanhe e o aroma de rosas em flor, uma atração perigosa surge entre eles. À medida que os riscos aumentam e o perigo se intensifica, Lee Won deve escolher entre seus princípios e o fascínio do proibido. Em um mundo onde lealdade e traição se confrontam, ele precisa encontrar uma maneira de expor a verdade e proteger a si mesmo e aqueles que ama. Nesta envolvente história de amor, traição e a intoxicante luta pelo poder, Roses and Champagne explora a intricada dança entre desejo, dever e a frágil linha entre o bem e o mal.
Nome alternativo: Rosas Y Champagne Rosas E Champanhe Roses

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