Ler Roses And Champagne – Capítulo Side Story 03 – Parte 11 Online


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❬ Side Story 03 – Parte 11 ❭

⌽ Roses and a Kiss ⌽

Dois homens se encaravam no meio de um rinque de hóquei, seus respectivos apoiadores ocupando algumas fileiras em cada lado da arena.

Ninguém falava – mas o silêncio era gélido e frágil, prestes a se quebrar.

Vladimir decidiu fazer as honras.

— Não esperava que você aceitasse isso, sabe. Mas parece confiante em suas habilidades.

Caesar parecia uma estátua.

— Não deveria ser surpresa que um russo jogue hóquei no gelo.

— É bastante popular, isso é verdade — Vladimir respondeu com um encolher de ombros despreocupado que escondia a apreensão correndo em suas veias. O Czar frequentara escolas particulares de elite e passara por treinamentos rigorosos desde que aprendera a andar.

“Um órfão das ruas como eu não poderia começar a imaginar como foi a infância de Caesar”, pensou Vladimir. Que Caesar era um jogador de hóquei habilidoso, no entanto, não era questionável em sua mente.

— Independentemente, um jogo de hóquei parece bastante… — Caesar fez uma pausa para buscar a palavra adequada — …comum, não acha? Muito convencional para mafiosos.

— Bem, ele não está na máfia, está? Um problema civil exige métodos civis. Você também não quer uma guerra, certo?

Os olhos de Caesar percorreram a arena, então voltaram a Vladimir.

— Daí… o rinque de gelo.

— Exatamente. Hóquei nos dá um vencedor e um perdedor claros – e não é esse o objetivo dos esportes, aceitar suas derrotas com graça?

Dessa vez não houve resposta, e Vladimir lutou para não ficar inquieto. Ele achava isso ridículo; sabia que o Czar achava isso ridículo; mas era o melhor que conseguira inventar para evitar que as coisas escalassem. E foi isso que os trouxe até ali.

Verdade seja dita, era a primeira vez que Vladimir tinha uma interação significativa com o Czar. Claro, já haviam trocado algumas palavras, mas sempre por intermediários ou à distância, o encontro na casa de Mikhail à parte, e havia algo um tanto engraçado em ter seu primeiro encontro adequado enquanto calçavam patins de gelo.

Pelo menos Vladimir não fora quem propôs essas palhaçadas. Isso foi ideia de Leo. O conselheiro sugeriu resolver as coisas com um acordo de cavalheiros, aceitando o resultado de uma partida de hóquei como o lado que vencera a guerra. Por mais absurdo que soasse, Leo afirmara que deveriam evitar uma guerra a todo custo, não importa o quão humilhante fosse a alternativa.

E Vladimir concordara com ele.

A guerra era um perigo para todos – não apenas para a máfia. Pessoas comuns inevitavelmente seriam pegas no fogo cruzado.

Mikhail incluído.

E isso motivou a decisão de Vladimir mais do que qualquer outra coisa. Para o Sindicato, Vladimir duvidava que se importassem – especialmente o Czar. Mas para ele, cujo mundo inteiro girava em torno de Mikhail, era seu dever garantir a segurança de Mikhail, mesmo que isso significasse rebater um disco de hóquei ridículo com seu inimigo mortal. Ele faria isso, e de bom grado, para evitar a guerra. Então, por um tempo, ele sofrera tentando descobrir como fazer o Czar aceitar uma “batalha” tão pouco ortodoxa.

No final, não precisara se preocupar: O Czar aceitara, sem questionar.

E agora eles se encaravam a alguns metros de distância no centro do rinque de hóquei, seus homens nas arquibancadas. O lado do Sindicato era mais vazio que o da Bratva – como se dissesse que o Czar não precisava de mais. Eram apenas os dois. E o Czar venceria.

Vladimir escarneceu internamente, mas estava distraído demais para se importar muito com a encenação; olhar para o Czar inevitavelmente trazia pensamentos de Won, que por sua vez o faziam lembrar de Mikhail.

Era estranho ver os dois juntos e separados. Enquanto os observava, Vladimir notara que, de certas formas, Won era como Mikhail, mas em outras, eram totalmente opostos. Obviamente, pai e filho eram duas pessoas diferentes – Vladimir sabia disso; mas não conseguia evitar procurar traços do pai no filho. Às vezes não via como o par estava relacionado; outras, ficava sem fôlego com suas semelhanças.

Foi por isso que fizera aquela oferta a Won – Vladimir poderia aprender a se satisfazer com um homem se pudesse buscar esses pequenos sinais de Mikhail quando estivessem juntos.

Pena que o Czar aparecera e arruinara tudo.

Erguendo seu taco de hóquei, Vladimir considerou o homem à sua frente. Claro, não havia sinal de relutância ou preocupação da parte do Czar. Ele girou o taco nas mãos algumas vezes antes de encontrar o olhar de Vladimir.

— Precisa de algo?

Vladimir encolheu os ombros.

— Nem tanto. Só pensando que ele deve ser muito especial para você aguentar isso.

— E de quem foi a ideia dessa farsinha?

— Minha — Vladimir admitiu emburrado.

— Exatamente.

Vladimir fez uma careta, mas patinou um passo à frente. Caesar o seguiu. Tão perto, Vladimir podia sentir o hálito de Caesar, e eles se encararam por um tempo, até que Vladimir decidiu ser um pouco insolente. Caesar merecia.

— É o sexo?

A pele ao redor dos olhos de Caesar ficou tensa, e Vladimir soube que atingira um ponto sensível.

— Hmm, foi o que imaginei — ele disse. — No começo achei meio estranho – dormir com um homem, digo. Não é esquisito ver outro pau ao lado do seu? Isso não meio que mata o tesão?

Os olhos cinzentos e ameaçadores de Caesar perfuraram Vladimir, mas ele se recusou a falar – e Vladimir realmente queria vê-lo perder a compostura.

— Quer dizer, posso admitir que ele é bem dotado para um asiático — ele acrescentou, inclinando a cabeça pensativamente. — Acho que é o sangue russo.

Por uma fração de segundo, houve algo na expressão de Caesar. Um sorriso de desdém, talvez? Desapareceu tão rápido que Vladimir não pôde ter certeza.

O olhar de Caesar queimava em inimizade.

— E como você sabe disso?

A pergunta veio em um rosnado tão baixo que Vladimir precisou se inclinar para ter certeza de que ouvira direito, então, ao processar a frase, endireitou-se e deu a Caesar um olhar incrédulo.

— Quer dizer, porque eu vi? Como mais? Ele estava nu—

Vladimir não pôde terminar porque Caesar lhe acertou a cabeça com o taco de hóquei em um estalo seco.

✦ ✦ ✦

“Urghhhhh.”

Um gemido abafado veio de algum lugar próximo, e Won levou um instante para perceber que era ele, resmungando no travesseiro.

Ele havia adormecido novamente, aparentemente.

Virando a cabeça para não ficar de cara no travesseiro, ele abriu as pálpebras o suficiente para mantê-las abertas, os músculos dos olhos altamente rebeldes, protestando veementemente contra o esforço e pôde discernir que estava escuro lá fora, o que significava que ele dormira o dia inteiro.

A porta se abriu, e seu olhar vagou em direção ao som. Piscando para tornar sua visão um pouco menos embaçada, ele finalmente viu Caesar se aproximando.

Caesar sorriu ao ver que Won estava acordado.

— Você acabou de acordar?

Won abriu a boca para responder, e jurou que podia sentir a pele de sua garganta rachando, tão seca estava. Ele fechou a boca e engoliu, embora isso pouco o ajudasse.

— O que você fez o dia todo? — ele conseguiu dizer com voz rouca.

Em vez de responder, Caesar apresentou-lhe uma caixa vermelha de seda. Won não precisava perguntar para saber que não gostaria do que estava dentro.

“Chutei certo”, ele resmungou para si mesmo quando Caesar removeu a tampa e revelou a calcinha fio dental mais minúsculo que Won julgava impossível de usar enquanto ainda podia ser considerado uma peça de roupa.

Ele olhou furioso para o pedaço de tecido cor de pele.

— Não vou usar isso.

Caesar franziu a testa.

— Eu tinha a impressão de que você não tinha preferências com roupas íntimas. Nem precisa usá-las, mesmo.

— Isso foi uma vez só! — Won protestou. — E de qualquer forma, é quase como não estar usando nada, pelo tanto que isso cobre. — Ele pegou um pedacinho do fio e segurou o mais longe de si que pôde. — Você realmente espera que eu coloque isso? — Ele balançou a calcinha para enfatizar seu ponto.

O sorriso de Caesar era fino, mas logo ele se inclinou para beijar a testa de Won.

— Eu coloco em você.

— Agora não. Ainda estou me recuperando.

Won estava tão firme quanto podia em sua condição atual. Ele precisava descansar. Parcialmente porque estava muito cansado – mas o motivo muito mais convincente era que a inconsciência significava que ele não precisava sentir a dor que percorria todo o seu corpo. Enquanto dormia, podia esquecer como parecia que Caesar o havia espancado até ficar ensanguentado.

De certa forma, ele meio que tinha, Won supôs. Que seja. Ele acabou sofrendo no final, independentemente do método.

A testa de Caesar estava franzida, e Won viu quando seus olhos percorreram seu corpo para baixo. Ele estava ofegando de dor antes que pudesse impedir Caesar de empurrar suas pernas para cima e abri-las. Então, por alguns longos segundos, Caesar não disse nada. Estava realmente ruim? Won pensou histérico. Ele estava realmente inchado?

— Todo meu esperma está seco.

A preocupação de Won se dissipou imediatamente. Ele cruzou os braços.

— É, bem, isso é porque alguém despejou um monte de porra em mim e depois saiu sem me limpar.

Caesar murmurou, mas parecia distraído, olhando para o buraco de Won.

— Acha que está grávido?

— Eu acabo com você. — Won esqueceu e empurrou Caesar para longe com um dos pés no rosto dele. — Morra, seu bastardo

Sorrindo, Caesar voltou a admirar o buraco de Won.

— Eu te engravidei tão completamente, você deveria ter concebido.

Ele estava sorrindo, mas Won sentiu um lampejo genuíno de decepção em algum lugar nas palavras. Ele ignorou.

— E seu pau deveria estar fora de ação por semanas depois de tudo isso, mas não podemos ter tudo, podemos?

Para variar, Caesar soltou uma gargalhada. — Vamos fazer uma aposta? — Caesar murmurou. — Podemos ver o que acontece primeiro: eu não consigo ficar duro, ou você fica redondo com nosso filho.

— O quê?! — Won gritou. Caesar estava começando a subir na cama. — N-não, espera! Eu não comi nada hoje!

Mas Caesar riu e tirou seu pau. A cabeça inchada pressionou…

Não entrou. Caesar franziu a testa.

— Está me bloqueando. — Won soltou um grande suspiro de alívio que morreu assim que Caesar começou a resmungar para si mesmo. — Seu buraco estava tão maleável esta manhã… piscando para mim, implorando para não deixá-lo vazio.

— Ei, espera aí-…

Caesar sorriu para ele, e Won estremeceu, todos os músculos de seu corpo tensionando.

Os olhos de Caesar voltaram para baixo, estudando a ruína que era o buraco de Won. Irritado e vermelho, estava enormemente inchado, deformado e distendido, tão usado. Caesar levantou um dedo, passando-o sobre os globos rígidos de esperma grudados no buraco de Won, tampando-o completamente. O dedo deslizou para o rastro endurecido em seu períneo.

“Lindo.“

— Porra — Won suspirou, choramingando. — D-dói—

— Ok. — Caesar baixou a cabeça para beijá-lo, seu dedo grosso ainda circulando a borda de Won. — Eu vou ser gentil.

— N-não! Eu… Nghhhh!

Won só conseguiu gemer quando Caesar pressionou, e pressionou, e pressionou – até que a cabeça grossa e inflexível de seu pau passou por sua borda. Ele se lembrava de Caesar gemendo e respirando fundo, a cabeça alargada uma agonia pulsante logo dentro de seus esfíncteres, mas tudo depois foi negro.

✦ ✦ ✦

— Eu estou fraco… — Won declarou com petulância.

Caesar cortou um pedaço de bife e passou para ele com o garfo.

— Eu sei.

Won balançou o garfo.

— É! Então você também sabe que não aguento você destruir meu cu por dias a fio. — Won colocou o bife na boca, mas o empurrou para a bochecha. — Eu entendo que você pode continuar para sempre, mas eu não posso. Você tem que diminuir um pouco, capisce?

Ele pegou o pedaço de bife e começou a mastigar, olhando furioso para Caesar. Honestamente, era difícil fazer sua mandíbula se mover o suficiente para mastigar direito, e tudo era culpa do estúpido Caesar.

Caesar afastou alguns cabelos da testa de Won e colocou um beijo gentil em sua têmpora.

— Como se você fosse feito de vidro — ele murmurou.

Por um segundo, Won ficou muito, muito tentado a pegar seu garfo e esfaquear a boca insuportável, mas muito bonita de Caesar. Não foi preciso muito para manter o garfo em sua mão, no entanto não era porque ele não quisesse, mas porque não achava que conseguiria levantar o braço até lá, muito menos fazer os dentes do garfo perfurarem a pele.

De qualquer forma, ele estava cansado de aturar as travessuras de Caesar por causa de seu orgulho. Decidira apenas viver o melhor que pudesse, então era isso que faria. Assim, ele se concentrou em mastigar seu bife o suficiente para não engasgar e ignorou o homem ao seu lado, até Caesar passar uma mão para cima e para baixo em seu estômago.

— Que pena que você não está grávido. — Caesar sorriu tristemente, e Won quase cuspiu um monte de carne semi-mastigada nele. Dando tapinhas nas costas de Won enquanto ele tossia, o sorriso de Caesar ficou um pouco menos pungente. — Podemos continuar tentando.

O acesso de tosse terminado, Won optou por fingir que os últimos dez segundos nunca aconteceram e enfiou outro pedaço de bife na boca. Enquanto isso, Caesar beijou seu ombro, acariciou sua barriga, mordiscou sua garganta.

Apegou-se a ele e não o soltou.

✦ ✦ ✦

— Ele está no hospital? — Won gritou.

— Sim, o Czar o espancou terrivelmente — Leo respondeu do outro lado do telefone. — Foi por um triz por um tempo…

Won não conseguia acreditar. Aparentemente, Vladimir teve que ser levado para a UTI e só recuperou a consciência por volta do amanhecer daquela manhã. Por necessidade, Mikhail teve que voltar para a Bratva e atuar como chefe interino enquanto Vladimir se recuperava.

— O Sr. Lomonosov pareceu ter dificuldade em mencionar isso e, bem… com as coisas como estão, achei melhor que eu passasse a notícia.

— Ah… sim, eu entendo. Mas como ele se feriu tão gravemente…?

Leo suspirou.

— Pelo que ouvi, eles estavam conversando quando o Czar o atacou com seu taco de hóquei. Assumimos que não foi provocado, mas ninguém presente pôde ouvir a conversa, então ninguém pode ter certeza. De qualquer forma, como isso era para ser uma reunião de trégua, nenhum dos lados vai querer escalar as coisas, então duvido que algo mais resulte do incidente.

Isso, pelo menos, era bom, mas Won estava horrorizado que isso havia acontecido em primeiro lugar.

Um momento depois, ouvindo a porta se abrir, Won achou melhor encerrar a ligação.

— Obrigado por me contar tudo isso, Leo. Falo com você depois. Sim. Tchau.

Won abaixou o telefone no momento em que Caesar se aproximou da cama, vestido em um de seus ternos.

— Vamos? — ele perguntou, tentando se levantar. No meio do caminho, ele começou a cambalear e teria caído de cara no chão se o braço de Caesar não tivesse se estendido para pegá-lo.

Rangendo os dentes, Won manteve a cabeça baixa, recusando-se a olhar para Caesar. Ele não estava com disposição para lidar com os comentários lascivos de Caesar depois do que acabara de ouvir.

Eles estavam no banco de trás do carro de Caesar quando Won se sentiu pronto para confrontá-lo sobre o rinque de gelo proverbial no meio da sala.

— Hóquei no gelo? —

Caesar questionou. — O maior de todos os esportes, não é? — Ele sorriu com arrogância.

— Mesmo assim… — Surpreso, Won piscou para ele. Caesar podia ser tão irritantemente obtuso. Hóquei no gelo era um esporte violento, sim, mas não tanto. Ele estava…? Won lançou um olhar cortante para Caesar, que arqueou uma sobrancelha, um sorriso leve, como se o desafiasse a dizer algo.

Won apertou os lábios.

— O que aconteceu com Vladimir não foi sobre hóquei. Ele foi levado para a UTI porque foi espancado até ficar inconsciente.

“Você estava tentando matá-lo?” Won não perguntou.

Caesar pareceu sentir a pergunta, mesmo assim.

— Acabar com uma vida com os punhos é bárbaro. Se eu fosse matar alguém, seria com uma bala. — Ele deu uma longa tragada em seu charuto. — Então não se preocupe, pequeno advogado; se eu quisesse ele morto, ele estaria.

— Eu pensei que você fosse bem indiscriminado ao atirar em pessoas — Won zombou. — Você atirou em mim, lembra?

— Porque você estava tentando fugir. — Os olhos de Caesar percorreram o torso de Won e ele encolheu os ombros. — Você ainda está vivo.

“Esse não é o ponto?!” Won bufou, mas deixou pra lá.

— Tá bom. Então, se eu te pedisse para matar alguém, você faria?

— Diga o nome.

— Você.

Caesar respondeu sem hesitar: — Eu não.

Won fez uma careta. Nada inesperado, mas mesmo assim.

Caesar sorriu com arrogância.

— Me matar pode te trazer alegria, mas não me traria nenhuma. Diga outro nome, e eu cuido disso.

— Dmitri?

Caesar pegou o telefone, mantendo os olhos fixos em Won enquanto levava ao ouvido.

— Urikh, preciso que você elimine Dmitri.

— O quê?! Não, espera! Eu estava brincando!

Caesar ergueu as sobrancelhas em questionamento silencioso, e Won fez gestos frenéticos para cancelar.

— Urikh. Ignore a última ordem.

Caesar guardou o telefone, e Won soltou um ar que não sabia estar prendendo.

— Ele vai ser eliminado logo de qualquer jeito.

A cabeça de Won ergueu-se bruscamente.

Caesar exalou uma nuvem de fumaça, olhando para Won.

— Depois que eu cuidar de Leonid.

Won entendeu o significado por trás das palavras de Caesar. E Caesar sabia que ele havia entendido, mas nenhum dos dois disse mais nada enquanto trocavam olhares.

O sedã continuou a dirigir suavemente em direção à casa de Won e Won mergulhou de volta em seus pensamentos. “Que dia eu marquei para encontrar Leonid novamente?” Won repassou o plano mais algumas vezes mentalmente antes de se virar para Caesar. Quando o prédio finalmente apareceu à vista, Won falou:

— Preciso falar com você.

Caesar lançou um olhar oblíquo.

Won virou-se completamente para ele.

— Vou encontrá-lo. — Um pequeno sulco apareceu na testa de Caesar e Won completou rapidamente — O assassino – Leonid.

Fazendo uma pausa, o olhar de Caesar fixou-se no de Won, que manteve o contato visual e continuou:

— Tenho uma ideia. Um plano de contingência, digamos, caso você não consiga encontrá-lo – mas preciso que você concorde com isso.

— Estou ouvindo, o que você precisar.

Won respirou fundo, preparando-se. Caesar geralmente era tão tranquilo, mas talvez não com isso.

Demorou alguns minutos para explicar seu plano, e quando terminou, a expressão de Caesar ficou vazia por dois segundos antes que ele explodisse em risadas.

Foi bastante surpreendente, para ser honesto. “Já tinha visto Caesar rir daquela forma antes?” Ele realmente não sabia.

Assim que o carro parou na calçada, Caesar se controlou.

— Sim, eu concordo com isso — disse ele, ainda com um sorriso na voz; e Won acenou, então puxou a maçaneta para abrir a porta.

Antes que pudesse sair, porém, Caesar disse:

— Minha vida seria infinitamente menos interessante sem você nela.

Won paralisou, deixando as palavras o envolverem. Olhando por cima do ombro, viu Caesar sorrindo.

— A minha também — murmurou em resposta, então saiu apressadamente para a calçada. “Minha vida certamente é mais interessante com Caesar nela, é um fato inegável…. tudo graças á esse homem. Se isso é bom ou ruim ainda será determinado. “

Momentos depois, o sedã se afastou. Won não olhou para trás enquanto se apressava para seu quarto. Só quando estava sozinho, com a porta fechada atrás dele, ele percebeu que seu rosto estava queimando.

✦ ✦ ✦

“Sergeyev vs. Lomonosov: Acertando Contas no Gelo do Hóquei!”

Won bufou diante da manchete. A imprensa não ficaria tão animada se soubesse que se tratava apenas de uma disputa pelas afeições de um homem. Mais um crime passional de novela mexicana do que negociações de paz dignas de documentário de guerra.

— Esses mafiosos… — a Sra. Ivana resmungou, arrastando-se para sentar à mesa com ele. — Inventam cada coisa.

Won não pôde evitar concordar com um breve — É. — Mas internamente, ele zombou ao lembrar como o trataram como um troféu conjugal. Com um gesto dramático, virou a página, ignorando o artigo. Seria mais divertido assistir políticos discutindo.

Foi no início da manhã seguinte que as repercussões das ações de Caesar começaram a se espalhar além dele e Vladimir.

O alegre toque de seu celular tirou Won do sono. Às cegas, tateou pelo aparelho na mesa de cabeceira; sua voz era grossa de sono e meio abafada pelo travesseiro quando atendeu.

— Alô… — ele rouquejou, sonolento. — Lee-Lee Won falando.

— Synok.

Ao reconhecer a voz do pai, Won acordou instantaneamente. Olhou para o relógio e eram apenas 6h da manhã. O que poderia estar acontecendo tão cedo? Esfregando os olhos, tentou se orientar, ainda atordoado, quando a voz urgente do pai cortou seus pensamentos:

— Agora me escute, garoto; não quero repetir — trovejou Mikhail.

Oh. Won tinha um pressentimento do que viria em seguida. Então Mikhail contintuou: — Você nunca mais verá aquele homem! Entendeu? Proíbo! Não me importa o que diga, só ficará com ele por cima do meu cadáver!

“É cedo demais para isso” Pensou Won

Won piscou lentamente algumas vezes, reunindo forças para apaziguar a fúria do pai, mas Mikhail já estava a mil.

— O que ele fez com Volodya é inaceitável! Você nem o viu ainda; não sabe como está terrível! Volodya quase morreu! Acreditamos que ele não sobreviveria, o Czar quase assassinou meu herdeiro! O que ele fez é horrível! Preferiria que o pobre Volodya tivesse levado um tiro a passar por esse horror! Ele foi espancado à beira da morte! Aquele homem é um monstro! Um demônio! Pior que Satanás! Como você pode ficar com aquele-…

A mente de Won começou a vagar; e, se perguntado, dificilmente lembraria uma palavra do discurso após as primeiras frases bombásticas. Mas não tinha escolha a não ser ouvir, pois não desligaria na cara do pai. Assim, ficou sentado, olhando vazio para o calendário enquanto Mikhail desabafava.

Estava tão cansado que levou minutos para perceber que o calendário tinha marcações e não era apenas um objeto bonito para descansar os olhos.

De repente, percebeu a data.

“É hoje.”

✦ ✦ ✦

Quando Leonid chegou, Won já o esperava no café; e Leonid aproveitou para admirar o homem que em breve mataria.

Won era fácil de identificar: bonito, bem-vestido. Chamativo na forma como seus traços se combinavam em perfeição. A quantidade certa de músculo e gordura distribuídos em seu corpo alto. Inteligente, ardente, mas educado.

Pela milésima vez, Leonid lamentou ter que privar o mundo de um espécime tão belo.

Mas talvez…

Ocorreu-lhe que poderia procurar alguém parecido. “Dentre Bilhões de pessoas, não deve haver apenas um Won no mundo, certo?”

— Boa tarde.

Leonid cumprimentou enquanto Won se levantava brevemente para apertar sua mão. Sentaram-se frente a frente, e Leonid não pôde evitar olhar novamente para o rosto de Won. “Que desperdício.

— Obrigado por vir. — Disse Won

— Bagunçou minha manhã com aquele e-mail — Leonid riu.

— Preciso que você faça algo importante, e me disseram que você só aceita novos contratos por e-mail.

— E quem te disse isso acertou — Leonid riu de novo. — Infelizmente, não te contaram que não aceito trabalhos para prejudicar o contratante original ou subornos para cancelar o serviço. Tenho reputação para manter, sabe?

— Não é nada disso — Won assegurou.

Intrigado, Leonid ergueu uma sobrancelha — E?

Won endireitou-se. — Lembra da promessa que me fez? Que eu poderia contatá-lo a qualquer hora, em qualquer lugar, se precisasse matar alguém?

— Claro — Leonid assentiu. — Então… quem é o sortudo que despertou sua ira?

Os olhos de Leonid se arregalaram progressivamente enquanto Won explicava o que precisava. Totalmente surpreso no final, ele explodiu em gargalhadas quando Won terminou.

— Tem certeza? — perguntou, enxugando lágrimas de riso.

— Claro. Ele já deu permissão.

— Oho, bem então — Leonid recostou-se e cruzou os braços. — Aquele homem deve te amar muito para permitir algo assim.

Won ignorou o comentário e continuou: — Como em todos os pedidos, há uma condição. Quero ver o resultado pessoalmente.

— O corpo, quer dizer?

Won acenou com firmeza. — Isso será problema?

— Nenhum problema.

Nada no pedido de Won violava as regras de Leonid, não tinha a ver com o contratante original nem contrariava o serviço inicial, então Won estava livre para pedir o favor.

Ainda assim, Leonid sabia tão bem quanto Won que, agora, Won estava seguro.

✦ ✦ ✦

“Aquele raposa astuta.”

Dmitri parecia prestes a ter um ataque enquanto marchava pela casa em fúria. Como poderia saber que aquele maldito advogado pregaria uma peça dessas? “Sabia que o desgraçado era inteligente, mas isso? ISSO?!”

Oh, como Dmitri fumegava! Nunca sentira tanta fúria na vida! Tudo por causa daquele maldito advogado inútil!

Não! Não! Havia uma ameaça maior com aquele assassino bom pra nada. Ele ferrou Dmitri, aceitando fazer isso, e pagaria por isso.

— Czar! — Dmitri rugiu, arrombando a porta do quarto só para encontrar o mordomo ajudando seu primo a se vestir.

Dmitri ia surtar.

Apenas os olhos de Caesar voltaram-se para ele. — Quantas vezes tenho que dizer para bater antes de…

— Acha que me importo com isso agora?! Quando você levou um tiro?! — Dmitri correu para frente, espiando em volta de Caesar em busca de ferimentos enquanto o mordomo ajustava suas abotoaduras.

Por sorte, seu primo não exagerou, havia apenas um arranhão na bochecha onde a bala passou. “Mesmo assim! Como ousam marcar este rosto perfeito? E nem fui eu!”

— Descobriu quem foi? — Caesar perguntou, a imagem da indiferença.

— Você os viu! — Dmitri cerrou os dentes. — Diga a palavra e mobilizarei todos os nossos homens para destruí-los! Esmagar seus ossos até não sobrar nada daqueles insolentes…

— Acalme-se. — A voz serena de Caesar contrastava com a fúria de Dmitri. — Essas coisas acontecem, não? Não precisa se alterar.

— Czar!

Dmitri sabia perfeitamente quem era, mas como Caesar fingia ignorância quando questionado, ele também não podia dizer nada. Como explicaria se acusasse Won e Leonid por essa armação?

“Ah sim, primo, veja bem, contratei Leonid para matar seu pequeno advogado, mas então, adivinha?! Aquele filho da puta astuto o contratou para matar você! Não é hilário? Heehee, desculpa aí.”

“… Jamais direi isso.”

Incapaz de controlar a raiva, Dmitri passou as mãos pelos cabelos. “Como fazer Caesar dizer o nome primeiro? Ele sabe, sabe tudo! Mas não diz nada, me deixando ferver nisto. Tudo culpa daquele advogado.”

Amaldiçoou Won entre dentes rangidos.

— Dmitri.

A cabeça de Dmitri ergueu-se. Caesar mantinha as costas voltadas.

— Ignore. Um assassino desses não é nada..

— Mas…

— Sei que nunca deixará nada acontecer comigo — Caesar verificou sua aparência no espelho, ajustando as lapelas do paletó, então olhou por cima do ombro, direto para Dmitri. — Não é mesmo, primo?

Um calafrio percorreu Dmitri, que se endireitou, o rosto ruborizado. — Não o decepcionarei! Deixe tudo comigo! Meu Irmão, meu Capitão, meu Czar!

“Oh, esperem só! Eu os Matarei! Ambos! Contratar Leonid para matar o Czar? E Leonid aceitando?! Os dois não mereciam o ar que respiravam! Especialmente depois de macular o rosto perfeito do Czar! A audácia!”

Reavivado em fervor, Dmitri disparou para fora do quarto, determinado a proteger a única coisa que importava em sua vida.

Assim que saiu, Caesar dispensou o criado. Sozinho, pegou o telefone:

— Mm… sou eu… Sim, disse o que me pediu… Ele saiu correndo agora há pouco — a testa de Caesar franziu-se levemente. — Ainda não entendo por que tive que dizer aquelas bobagens. Não falo daquele jeito.

Suas narinas se dilataram e um pequeno tremor o percorreu ao lembrar as frases constrangedoras que teve que repetir.

— Não precisa entender — a voz de Won ecoou do telefone. — Desde que funcione, certo? Isso é o importante.

Usar a obsessão de Dmitri por Caesar para mantê-lo ocupado era o objetivo e até agora parecia estar funcionando, Won pensou consigo mesmo. Não perderia tempo tentando explicar para Caesar, porém.

Estava prestes a desligar quando Caesar acrescentou: — La traviata está em cartaz esta temporada. Vamos juntos?

— Ah, talvez. Quando? — Won perguntou. Caesar deu a data e Won folheou sua agenda. — Prometi encontrar meu pai nesse dia.

Os olhos de Caesar estreitaram. — Você realmente não está dormindo com Mikhail, está?

Do outro lado da cidade, Won afastou o telefone do ouvido e olhou para ele com desgosto antes de desligar na cara.

Demorou um bom tempo até ele voltar a atender as ligações de Caesar.

Fim Side Story 3 – Roses and a Kiss

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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna

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Ler o Manhwa Roses and Champagne Completo em Português Grátis Em um mundo de alto risco, Lee Won, um advogado lutando para sobreviver, se vê enredado em uma teia de intriga e perigo. Quando ele cruza o caminho de Caesar, um formidável chefe da máfia, descobre uma conexão oculta entre o Conselheiro Municipal Zdanov e o crime organizado. À medida que Lee Won se aprofunda no caso, desvenda uma conspiração sinistra que ameaça despedaçar o frágil equilíbrio da cidade. Preso entre a lei e o submundo, ele deve navegar por um jogo mortal de poder, decepção e desejos proibidos. A cada passo, o mundo de Lee Won se entrelaça com o de Caesar, enquanto ambos enfrentam seus próprios motivos ocultos e tentações proibidas. Em meio a noites regadas a champanhe e o aroma de rosas em flor, uma atração perigosa surge entre eles. À medida que os riscos aumentam e o perigo se intensifica, Lee Won deve escolher entre seus princípios e o fascínio do proibido. Em um mundo onde lealdade e traição se confrontam, ele precisa encontrar uma maneira de expor a verdade e proteger a si mesmo e aqueles que ama. Nesta envolvente história de amor, traição e a intoxicante luta pelo poder, Roses and Champagne explora a intricada dança entre desejo, dever e a frágil linha entre o bem e o mal.
Nome alternativo: Rosas Y Champagne Rosas E Champanhe Roses

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