Ler Roses And Champagne – Capítulo Side Story 02 – Parte 3 Online

❬ Side Story 02 – Parte 3 ❭
⌽ Roses and Wolves ⌽
— Oh-ho, o que temos aqui? — Dmitri olhou para a tela, um brilho diabólico em seus olhos. — Parece que eles finalmente começaram.
Os dois pontos estavam um em cima do outro, mas agora o de Won disparou, enquanto o de Caesar permaneceu. Não foi preciso muito para discernir o que havia acontecido. Won era esperto o suficiente para perceber o que Caesar estava fazendo; obviamente ele havia ido até Caesar e lhe dito para parar de brincadeira. O que, precisamente, Won usou para persuadi-lo, Dmitri não poderia dizer nem se importava; porque estava claro que qualquer coisa com que ele havia tentado Caesar havia funcionado, se a velocidade com que Caesar estava se movendo agora fosse alguma indicação.
O ponto de Caesar era quase um borrão, movia-se tão rápido.
Dmitri girou o pescoço e deu um suspiro feliz. O show tão esperado finalmente havia chegado.
Toda a excitação fez seu corpo vibrar. Ele se sentia inquieto. Pegando uma faca, ele brincou com ela, girando o cabo entre os dedos e abrindo e fechando-a rapidamente, enquanto olhava com atenção absorta para os dois pontos.
Faça isso, Caesar. Mate-o. Amarre-o e arranque seu coração, corte-o em pedacinhos.
✦ ✦ ✦
Os pés de Won vacilaram até parar. Ele se curvou e apoiou as mãos nos joelhos, o peito arfando. Achava que já havia ido longe o suficiente para ter garantido a si mesmo algum nível de segurança. Pelo caminho, deixara várias armadilhas, mas não ouvira nenhuma delas disparar. Caesar teria ativado ao menos algumas se estivesse atrás dele mas, nada.
Relativamente certo de que estava a salvo, Won se deixou cair na base de uma grande árvore e tentou recuperar o fôlego.
“Até onde Caesar está disposto a levar esse jogo nosso?”
Won estava morrendo de curiosidade, mas ao mesmo tempo se retraía diante de um pensamento tão assustador. De qualquer forma, agora estavam jogando de verdade. O jogo mais perigoso. Exatamente como ele queria.
O mais leve farfalhar alcançou os ouvidos de Won, ele quase duvidou de ter ouvido algo então um relance de movimento e Won piscou, encarando Caesar, com uma arma apontada diretamente para sua testa.
A respiração de Caesar não estava ofegante; ele nem sequer parecia cansado. Apenas fitava Won, impassível, a arma pronta para disparar.
Won estava em choque demais para fazer qualquer coisa além de encarar o homem parado diante dele. Levou muito mais tempo do que ele admitiria para que a presença de Caesar rompesse a confusão. Caesar estava ali, o que significava que o seguira… o que também significava que de alguma forma evitara todas e cada uma das armadilhas que Won deixara pelo caminho.
Um arrepio percorreu a espinha de Won. Caesar o encontrara com tanta facilidade, o seguira sem emitir som algum, de alguma forma o alcançara e mantivera o ritmo apesar da vantagem inicial de Won e agora tinha uma arma apontada para sua cabeça justo quando ele achava que estava seguro.
Won ficou ainda mais perdido quando o peso contra sua testa desapareceu. Ele emitiu um som de interrogação, e Caesar sorriu de canto para ele.
— Minha dívida está paga.
A mente de Won ainda girava, e a voz de Caesar ganhou uma entonação estranha quando ele acrescentou:
— Quero que se lembre de que eu poupei você.
Havia algo repulsivo em ouvir suas próprias palavras repetidas de volta para si.
Won não achava que podia nomear o sentimento, mas não era algo que já tivesse experimentado antes.
Caesar ergueu uma mão quando Won franziu a testa.
— Mais uma rodada? Eu me escondo desta vez.
Então, ele desapareceu. Do mesmo modo que surgira minutos antes, Caesar sumiu no ar.
Won piscou, mal se permitindo acreditar, mas não houve estalo de folhas, nem farfalhar de detritos, nem estalido de galhos, apenas um silêncio absoluto.
Won sentiu arrepios percorrerem seus braços e não conseguiu se mover por algum tempo. Alguém que conseguia desaparecer daquele jeito, sem som ou rastro…
“Eu nunca vou conseguir encontrá-lo.”
Foi então que Won percebeu que Caesar o estivera seguindo por três dias e ele não fazia a menor ideia. Era um fato que já deduzira antes, claro, mas o verdadeiro peso disso só o atingiu naquele momento. Se Won não tivesse sentido que algo estava errado, teria feito exatamente como Caesar planejara: Caesar se deixaria ser pego, ou encontraria Won e seria isso.
Tudo isso teria sido nada mais do que mais uma oportunidade para Caesar tratá-lo como inferior.
A constatação era revoltante.
E Won não ia aceitar isso deitado.
Amarrando novamente suas botas, ele se pôs de pé, a determinação correndo por suas veias.
Ele havia provado do que Caesar era capaz; agora era a vez de Caesar provar do que Won podia fazer.
✦ ✦ ✦
— Nosso alvo está em movimento. Saindo da trilha designada.
Dmitri se inclinou rapidamente para conferir o monitor. Os dois pontos realmente estavam em movimento, seguindo em direções opostas. A testa de Dmitri se franziu diante daquilo.
O garoto advogado não poderia ter escapado da atenção de Caesar, Dmitri sabia disso. Portanto, Caesar devia tê-lo deixado ir. Dmitri não tinha dúvidas de que fora isso que acontecera. Caesar não soltava sua presa uma vez capturada, a menos que assim desejasse.
— Devemos nos preparar para partir? — perguntou um de seus homens.
— Aguardem, — disse Dmitri, os olhos fixos na tela. — Vamos deixar Caesar fazer o primeiro movimento e seguir a partir daí. O que quer que ele faça pode ser reaproveitado a nosso favor.
Os olhos de Dmitri se estreitaram, acompanhando o ponto piscando de Won.
— E isso será o fim para o advogado.
Caesar acharia que havia matado o advogado. Então, com o advogado fora do caminho e Caesar acreditando que fora única e exclusivamente culpa sua, tudo voltaria a ser como deveria ser. Era o plano perfeito.
Dmitri riu para si mesmo, lutando para conter sua alegria.
✦ ✦ ✦
Won parou e examinou a floresta ao redor para se situar. Ali, onde tudo parecia tão semelhante, era fácil se perder ou se desorientar. Ele tinha um mapa mental em sua cabeça que tentava combinar com sua localização, mas não conseguia identificar o lugar com precisão além de uma área geral.
Por ora, deixou isso de lado para procurar um esconderijo que pudesse usar.
Depois de vasculhar um pouco a vegetação rasteira, encontrou uma pequena depressão que achou perfeita, mas acabou sendo pequena demais para seu corpo alto. Praguejando sua má sorte, Won começou a procurar outro local para se esconder. Eventualmente encontrou um. Não era ótimo, não parecia tão seguro quanto a depressão mas ao menos ele cabia dentro.
Olhando ao redor do novo esconderijo, franziu o nariz com o cheiro rançoso que emanava da caverna, mas não encontrou motivo para não usá-la e escorregou para dentro. “Deve ter pertencido a alguma coisa grande,” pensou Won. Partes de esqueletos e ossos roídos cobriam o chão. “Isso explica o cheiro.” Won só esperava que o fedor não grudasse em suas roupas quando saísse dali.
Pegando o mapa da mochila, Won se sentou para descobrir onde estava. Levou um bom tempo, mais do que gostaria na verdade, mas, eventualmente, concluiu que tinha se distanciado bastante do ponto de partida, e agora podia usar isso a seu favor.
Por mais que não quisesse ficar remoendo sua ingenuidade anterior, não podia ignorar que já havia usado sua carta de “saia da cadeia”. Caesar o deixara ir uma vez; não seria misericordioso de novo. Então, Won teria que retribuir à altura. Meias medidas e posturas defensivas não seriam suficientes se quisesse vencer.
Ele precisava pegar Caesar desprevenido se quisesse ter alguma chance de sucesso. Seus movimentos precisavam ser rápidos e decisivos.
Com isso em mente, Won começou a planejar.
Fez um inventário de tudo o que tinha, então voltou sua atenção para o mapa, examinando o terreno ao redor, escolhendo os melhores lugares para cada armadilha ou esconderijo de armas. Passou tanto tempo traçando estratégias que o medo de sair da caverna com cheiro de animal morto se tornou uma possibilidade concreta. Desesperou-se por não ter como verificar, um cheiro forte não ajudaria nada no quesito furtividade.
A não ser que…
“Não.” Won balançou a cabeça. “Caesar perceberia isso na hora.” Ele precisava que Caesar não atirasse imediatamente. Então talvez tivesse uma chance de vencer. Se Caesar sentisse seu cheiro a dez metros de distância, já era.
Voltou a se concentrar em encontrar bons locais para armadilhas.
“Caesar não iria simplesmente atirar à distância… iria?” A mente de Won tropeçou nesse pensamento. Não era como se Caesar não fosse capaz de atirar nele, Won sabia disso. O homem já o fizera. Três vezes, inclusive. No fundo da mente de Won, ele sempre soube que levar um tiro de Caesar era uma possibilidade muito real em seu relacionamento. No momento em que Won sequer mencionasse a ideia de terminar, teria uma arma apontada para a cabeça disso ele não tinha dúvidas. Não era um pensamento agradável, mas era a realidade.
A questão era que Caesar era impossível de ler. Won só podia imaginar que era por isso que Mikhail tinha tanta dificuldade em capturá-lo e eliminá-lo; nunca se sabia o que Caesar faria, e os limites que ele ultrapassaria para sobreviver ou conseguir o que queria eram impensáveis para… basicamente qualquer outra pessoa na Terra.
Won se perguntava como Sasha era, para ter criado alguém como Caesar. Seu próprio filho. Won estremeceu. Ele acreditava que era impossível uma pessoa viver no mundo e não possuir nenhum tipo de emoção humana, mas era assim que Caesar havia sido, antes de conhecê-lo.
E era por isso que Dmitri o odiava com tanta veemência: ele tornara Caesar humano, o fizera sentir e se importar.
Dmitri sempre lamentava o fato de que Won era a única razão para Caesar sentir qualquer coisa; Won achava isso ridículo. Mas, tendo pouca experiência com o Caesar de antes, os pequenos vislumbres que presenciara despertavam nele certa curiosidade ainda que mórbida.
“Que tipo de treinamento Caesar passou? Quando era tão jovem…” Won tentou imaginar, mas sabia que qualquer coisa que criasse em sua mente não chegaria aos pés da verdade. O homem havia escalado uma árvore, colocado uma bolsa térmica no peito dele e desaparecido e nem sequer considerou isso algo fora do comum. Era realmente de deixar qualquer um perplexo.
Won percebeu que estivera olhando para o nada e se sacudiu. Precisava focar.
Vencer era tudo o que importava. Não existia vitória garantida; ele tinha uma chance, mesmo que as probabilidades estivessem contra ele.
Muito contra ele…
Tentou ignorar o aumento da própria pulsação. Estranhamente, a razão não era medo. O jogo estava claramente a favor de Caesar, sim, e isso não era reconfortante de se pensar, mas a emoção que borbulhava em seu peito não era terror era outra coisa. Algo como um zelo inquieto que o deixava tenso.
Forçou-se a respirar longa e pausadamente, e fechou os olhos por um minuto.
Era eletrizante, decidiu. A emoção de enfrentar um oponente enigmático, alguém praticamente imbatível.
Ele queria vencer, tinha que vencer.
Atiraria quantas balas fossem necessárias. Caesar atiraria, então ele também o faria.
Inspirando fundo pela última vez, levantou-se, deliciando-se com a excitação que borbulhava dentro de si.
Ao sair da caverna, percebeu que havia passado bastante tempo lá dentro. Mesmo sendo difícil sentir o próprio cheiro, Won pôde perceber facilmente que o fedor de carniça impregnara suas roupas. Cheirou a manga da camisa algumas vezes, mas decidiu ignorar por ora. Estava com adrenalina demais para se importar.
Caesar claramente estivera sob a impressão de que Won o perseguiria mais cedo. Consequentemente, esperaria que Won estivesse rastreando-o, preparando armadilhas para ele. E Won nunca foi de decepcionar.
Com os olhos brilhando de empolgação, Won se embrenhou novamente na floresta.
✦ ✦ ✦
— Senhor… o senhor vai querer ver isso, — chamou o homem diante do monitor.
Dmitri apareceu ao seu lado, o homem perguntando o que deveriam fazer.
No monitor, o ponto do advogado piscava muito longe de onde deveria estar.
— Mas que porra é essa… — murmurou Dmitri, confuso. Não havia nada de interessante naquela direção. Ele examinou as fotos que havia mandado tirar da área de jogo e que estavam presas na parede, confirmando que, de fato, não havia porra nenhuma naquela direção.
Esfregou o queixo até que — estalou os dedos, percebendo o plano do advogado. Uma escolha interessante, usar o terreno daquela forma.
— Pena que não vai funcionar. — Dmitri deu uma risadinha e disse bem mais alto: — Destruam o que quer que ele esteja preparando. Vão. — Com um aceno de cabeça, os homens saíram do caminhão rumo à área de jogo.
✦ ✦ ✦
Não demorou para que Won preparasse tudo era uma armadilha simples, na verdade.
Pisasse no gatilho, os fogos de artifício seriam acionados e a pessoa acabaria presa na rede. Fácil.
Desviando e se esgueirando pelas bordas da rede, ele conferiu a posição mais uma vez contando os passos. Tinha dado sorte de encontrar esse lugar no mapa; era provavelmente o único ponto em que aquilo funcionaria. Em todo o resto, o terreno era irregular demais, ou as árvores muito altas ou muito baixas para serem úteis.
Ele contornou o último lado que precisava verificar e assentiu para si mesmo, satisfeito.
Agora só precisava encontrar Caesar e atraí-lo até ali.
Bem, ele dizia isso como se fosse fácil. Caesar podia acabar com ele muito antes de chegar perto da rede. Won teria que ficar por perto para garantir que isso não acontecesse. Também não podia montar muitas armadilhas extras. Tinha material para no máximo três, talvez quatro, se fosse realmente criativo.
Isso só o fazia se perguntar quanto Caesar ainda tinha na própria mochila. Quantas armadilhas ele seria capaz de montar?
Won coçou o queixo pensativo, depois se retraiu. Seus dedos estavam congelando.
Lançando um olhar irritado para a mão ofendida, ele tirou um pacote térmico da mochila. Não devia culpar a mão, na verdade; era culpa dele mesmo por estar tão focado em preparar a rede.
O pacote começou a esquentar sob seus dedos, e ele o apertou com gratidão entre as duas mãos.
“De fato, uma das maiores invenções da humanidade, o pacote térmico.”
Agachado ali no mato, percebeu que isso lembrava muito seu tempo no serviço militar, quando também estava congelando e feliz por ter aquele mínimo de calor. Não eram as lembranças mais agradáveis daquela época.
De qualquer forma, estava começando a sentir fome e achou que podia fazer uma pausa para comer. Abrindo a mochila, se sentou no chão e começou a vasculhar suas rações. Um pouco de sopa, pão duro, uns…
Won parou e inclinou a cabeça. O que era aquilo? Ele enfiou a mão mais fundo na mochila e não, seus olhos não o enganaram. Tirou um saquinho pequeno das profundezas da bagagem.
건빵. (Biscoito Seco Militar)
Geonbbang. Um tipo de bolacha seca coreana: biscoitos ou crackers secos que duravam bastante tempo. Won tinha comido muito disso no exército. Na verdade, tinha quase certeza de que recebera exatamente essa marca durante o serviço militar.
Olhou para o pacote com uma expressão divertida, parte contente por ver novamente algo escrito nos traços e ângulos do Hangeul, mas principalmente confuso sobre como aquilo tinha ido parar ali e por que ele não notara quando organizou a mochila no primeiro dia. Supondo que simplesmente deixara passar por conta das várias coisas que carregava, afinal, a mochila estava bem cheia.
Rasgando o topo do pacote, enfiou-o em um dos bolsos e se levantou, colocando um dos biscoitos na boca para ir amolecendo até que pudesse realmente engolir. Tirou um momento para verificar a área e garantir que não estava deixando nenhum sinal óbvio de sua presença, depois soltou um suspiro.
“Isso realmente está me fazendo lembrar da época do treinamento básico.”
Fazia sentido; essas eram as coisas que você fazia para sobreviver. Cobrir seus rastros, caçar o inimigo, eliminá-lo…
Ele tirou a arma, sentindo o peso na mão.
“Eu não estaria com uma arma se Caesar não estivesse preparado para que eu a usasse.”
Ainda assim era estranho pensar nisso. Não esperava nada disso quando entrou nesse jogo. Na verdade, achava que estariam jogando paintball ou airsoft, não… com armas letais. Mas provavelmente ele poderia ter pego um dos lança-foguetes que estavam no caminhão, e Caesar teria apenas assentido em aprovação.
Ele balançou a cabeça. Caesar e Dmitri eram de outro tipo.
Won já sabia disso, mas às vezes a verdade o atingia de forma mais aguda, o abismo entre suas realidades.
“Mas sou eu quem está sofrendo por isso. Sou eu quem está levando a pior aqui.”
Ele seguiu em frente, desviando para a esquerda para evitar uma pedra que ameaçava fazê-lo tropeçar, e soltou outro suspiro. O peso da mochila e de todas as armas escondidas pelo corpo de repente parecia insuportavelmente pesado. Mas agora não havia mais o que fazer. Não era seguro ficar parado por muito tempo.
Foi avançando com cuidado pelo terreno. As preocupações do zelador quando eles chegaram ali tinham fundamento. Na verdade, tudo teria sido mais fácil se fosse só a terra que fosse traiçoeira. As pedras afiadas, o chão irregular e as fendas íngremes já eram ruins o suficiente, mas um passo em falso por ali e alguma armadilha podia lançá-lo pelos ares.
Ele quase quebrou a perna em um momento. Pior ainda: Won sabia que aquelas não eram armadilhas feitas por Caesar. Eram armadilhas deixadas por jogadores anteriores, e era como se estivessem compensando o tempo perdido nos primeiros dias, de tantas que eram. Não que Won achasse, nem por um segundo, que Caesar não tivesse deixado armadilhas dele também. Se Won havia instalado armadilhas, certamente Caesar também o fizera.
Isso tornava a viagem uma experiência cansativa, sempre em alerta pelo próximo perigo à espreita. E mesmo que ele ainda não tivesse encontrado nada que parecesse ser obra de Caesar, simplesmente não fazia sentido que Caesar não tivesse montado algumas armadilhas, especialmente se achava que Won iria segui-lo. Pelo menos, isso parecia lógico para Won.
Mas Caesar não era ele, afinal.
Won diminuiu o passo, os olhos varrendo os arredores, ponderando sobre o melhor lugar para instalar a próxima armadilha. Sem a caminhada para distraí-lo, no entanto, percebeu que o geonbbang já tinha se dissolvido na boca e levou a mão ao bolso para pegar outro, quando seus dedos encontraram mais plástico.
Ergueu o saquinho menor até a altura dos olhos e sorriu. Konpeito. Sacudiu levemente o pacotinho, a nostalgia borbulhando ao ver os docinhos coloridos.
Estava prestes a abrir o pacote quando parou, franzindo a testa em vez de sorrir.
No exército, diziam que havia um motivo para colocarem konpeito junto com o geonbbang. Supostamente, era um anafrodisíaco, era incluído para fazer um bando de jovens tarados ficarem menos tarados. Oficialmente, o exército negava, claro, o konpeito era só um agrado; qualquer coisa além disso era pura bobagem e Won sabia disso, racionalmente, era só um mito idiota que servia para entreter homens entediados, mas…
“E se for verdade?”
“Não é meio estranho que minha libido praticamente desaparecesse quando eu estava na base, mas magicamente voltasse toda vez que tirava folga?”
“Eu devia estar morrendo de tesão o tempo todo, não? Mas não estava…”
Olhou para o saquinho de balas em forma de estrela. “Algo tão pequeno poderia mesmo me afetar tanto assim?”
Ficou encarando o pacote por um tempo, sabendo que aquilo era ridículo, mas, ao mesmo tempo, não querendo arriscar. No fim, enfiou o pacotinho em outro bolso e tirou mais um pedaço de geonbbang.
Seus dedos estavam duros e frios de novo. “Mas que porra eu tava pensando, querer fazer isso logo na Rússia?”
“Por que não pedi pra ir pra Grécia ou sei lá?”
Ele semicerrava os olhos, tentando lembrar como tinha sobrevivido ao tempo do exército. Os invernos coreanos eram brutais, e os verões, com sua umidade, não ficavam muito atrás. Somado a isso, todo o equipamento que tinham que carregar, todas as marchas, toda a neve e a chuva… Won quase ficava aliviado por não lembrar de tudo com clareza.
“Mas nevava muito na Rússia também. Será que os soldados de lá tinham que tirar neve como os da Coreia?”
Won fez uma careta. Infelizmente, se lembrava bem demais das tarefas de remoção de neve.
De repente, todos os pelos da nuca se eriçaram.
Abaixou-se, rastejando até uma árvore grande para usá-la como cobertura. Mantendo-se agachado, espiou ao redor do tronco.
Silêncio.
Alguns minutos se passaram, e o único som era o leve farfalhar das folhas ao vento.
Won se pôs de pé, tenso e pronto para agir no segundo em que sentisse algo mas aquilo nunca veio; e, eventualmente, ele relaxou. Enfiando a mão no bolso, pegou mais um pedaço de geonbbang, só para perceber que o pedaço que tinha acabado de engolir ainda não estava macio o suficiente e começou a engasgar com ele. Precisou tossir para desobstruir a garganta, e o som foi alto demais para seu gosto. Mesmo sabendo que não havia ninguém por perto, ainda assim ficou envergonhado e se repreendeu mentalmente por não mastigar a comida direito.
Ugh. Levantou-se, mas perdido na própria vergonha, deu de cara com um galho baixo.
Caiu no chão, agarrando a testa com os olhos marejados. Aquilo era francamente humilhante. Não conseguia comer sem se engasgar, nem andar sem bater a cabeça numa árvore.
Won decidiu que precisava apenas se sentar e preparar algo para comer.
“Não tem como eu estragar muito as coisas se eu não estiver me mexendo.”
✦ ✦ ✦
Caesar cantarolava baixinho enquanto regava seu Spam com azeite de oliva, que chiava na grelha de acampamento. Algumas gotas a mais do azeite foram para o molho de ketchup com maionese que ele preparara antes. Não importavam as circunstâncias, Caesar sempre fazia questão de comer refeições completas quando tinha chance. Nunca se sabe quando será a próxima refeição, especialmente em provas de sobrevivência como aquela.
(Spam = Carne enlatada pré-cozida feita pela empresa americana Hormel Foods)
Montou tudo em fatias de pão de centeio, completando com alguns picles que guardara na mochila.
Enquanto devorava sua comida que estava, é claro, perfeita como sempre, Caesar deixou seus pensamentos vagarem para seu tema favorito: Won.
Preocupava-se com a alimentação de seu pequeno advogado ali na floresta. Won era do tipo que se esquecia de comer nas melhores circunstâncias; quando comia, geralmente optava pelo que fosse mais fácil. Mas, Caesar consolou-se, tudo o que Won teria acesso agora seria simples e pronto para consumo.
“Pelo menos não passará fome.” Mesmo assim, Caesar temia que Won não preparasse algo adequadamente e adoecesse. Intoxicação alimentar nunca era uma experiência agradável. O inverno trazia algum conforto; as rações de Won dificilmente estragariam no frio.
Talvez devesse ter preparado algumas refeições para Won antes de começarem.
Uma leve ruga apareceu na testa de Caesar enquanto dava outra mordida no sanduíche – mas se soubesse o que Won estava fazendo naquele exato momento, seu cenho ficaria muito mais franzido.
Esfregando a própria testa, Won despejou o resto de seu biscoito de campanha na lata de sopa, transformando tudo num mingau grosso, e começou a comer.
✦ ✦ ✦
Na escuridão, eles se moveram.
Os homens de Dmitri haviam sido forçados a esperar o momento certo, graças ao advogado. Ele era anormalmente perceptivo para um civil e ficava alerta ao menor ruído.
Por isso, só quando o advogado estava profundamente adormecido em seu saco de dormir é que puderam cumprir as ordens de Dmitri.
“Era de se esperar, jogando um jogo com Caesar”, pensaram.
Ainda assim, seus sentidos eram tão aguçados que parecia mais que estavam tentando invadir o território de uma fera perigosa do que de um homem.
“Louvável — se bem que extremamente frustrante.”
Todos eles já haviam ouvido como Dmitri falava dele, querendo ou não, na verdade.
Dmitri reclamava do homem como se fosse pago por insulto e estivesse desesperado por dinheiro. Então, mesmo sabendo que o advogado era apenas um advogado, todos exerceram cautela ao se aproximar de seu acampamento, esgueirando-se até sua presa.
O problema, porém, começou quando um dos homens parou de andar. Com os olhos fixos no rosto sereno do advogado adormecido, o homem percebeu que não conseguia dar outro passo, como se seus pés estivessem presos ao chão. “Como poderia se mover diante de tanta beleza? Tanta perfeição?”
Alguém o cutucou por trás, arrastando-o a contragosto de seu devaneio.
Ele balançou a cabeça, deu uma última olhada para o advogado e então se apressou para colocar seus planos em ação.
Os olhos de Won se abriram de repente. “Algo estava lá fora.” Seu primeiro pensamento foi Caesar, mas poderia ser apenas um veado. Permaneceu imóvel em seu saco de dormir, observando os arredores sob suas pálpebras semiabertas, querendo fingir que ainda dormia caso fosse Caesar.
Sombras se arrastavam pela escuridão — Sombras?
As únicas pessoas que deveriam estar ali eram ele e Caesar; como poderia haver sombras, no plural?
A resposta veio imediatamente, porque era óbvia.
Havia mais alguém ali, alguém que Won não havia considerado em seus planos, mas que deveria ter considerado. A animosidade de Dmitri em relação a ele não era segredo. Nem sua obsessão pelo primo. “Dmitri derrubaria o mundo inteiro e o reconstruiria em nome de Caesar, se tivesse tempo suficiente”, Won tinha certeza. E ele deveria ter esperado interferência desde o momento em que vira Dmitri seguindo-os até ali. O homem era uma praga, quando ele se envolvia, o caos certamente o seguia. “Então, como Dmitri poderia perder a chance de causar dano físico a Won?”
“Como, realmente…”, Won resmungou mentalmente. Os homens se esgueirando lá fora “Melhor não estarem fazendo o que eu acho que estão fazendo. Eu passei muito tempo preparando tudo aquilo.”
Won observou por mais alguns instantes. “Não, é exatamente isso que estão fazendo. Droga.”
Esperando que os homens realmente acreditassem que haviam conseguido uma vantagem, Won fingiu dormir um pouco mais antes de pular em pé.
— Que diabos vocês pensam que estão fazendo?! — ele gritou
Para grande satisfação de Won assim que ele gritou os homens se assustaram, e se fosse só isso, as coisas poderiam ter sido muito diferentes. Won poderia tê-los atacado e forçado a fugir. Infelizmente, um dos homens, em seu susto, recuou um passo a mais do que deveria.
Uma explosão de cores e sons irrompeu no ar noturno, deixando os homens ainda mais apavorados. Eles começaram a gritar e correr desesperadamente entre as armadilhas, o que é claro só fez disparar mais traques, rojões, bombinhas e estopins.
Won apertou o nariz entre o polegar e o indicador, lamentando a perda de todo seu trabalho duro enquanto os homens gritavam e corriam como galinhas sem cabeça ao fundo. Então, um estrondo maior e os gritos aumentaram. Uma figura voou pelo ar, desaparecendo na floresta, e Won piscou, observando em silêncio os homens gritando e correndo atrás do companheiro.
Por fim, tudo ficou quieto, mas Won ainda estava parado ali. Os capangas de Dmitri haviam ido embora… mas ele não tinha certeza se valera a pena.
Sua mandíbula se tensionou, e ele encarou o solo marcado pelas explosões, uma expressão de nojo se formando em seu rosto. Dmitri era um imbecil inútil e Won sabia disso, sempre soubera. Ainda assim, ele tolerara a presença de Dmitri, deixando todas as provocações verbais e físicas escorrerem por ele. Dmitri estava na – duvidosa, na opinião de Won – posição de confidente mais próximo de Caesar. Quer merecesse ou não o título, Dmitri era uma das poucas pessoas na vida de Caesar que… bem, uma das poucas em sua vida, francamente falando.
“Enquanto Dmitri não mexer com meus clientes ou casos, o que, até agora, não fez, eu posso suportar meu ódio por ele. Apenas por Caesar…”
Mas se era assim que Dmitri queria jogar, tudo bem, Won jogaria.
Dmitri cruzara uma linha, violando a santidade do jogo deles, arruinando seu trabalho; e Won estava cansado de ser o perdedor naquela situação.
Com os olhos em chamas, Won lançou um olhar fulminante em direção à estação base, em direção a Dmitri.
Ele podia usar todo o subterfúgio da KGB que quisesse; era hora de ensinar uma lição àquele idiota.
✦ ✦ ✦
“Inúteis, todos eles.” Cristo, o que Dmitri havia feito para ficar preso com idiotas tão imbecis?
Seus subordinados voltaram para o caminhão, com o rabo proverbial entre as pernas.
Eles se encolhiam enquanto Dmitri os xingava, e se encolhiam ainda mais quando Dmitri explicava em detalhes minuciosos todas as formas pelas quais eles eram fracassos absolutos.
Dmitri esfregou as têmporas. Eles deixaram um uzkoglazyy mestiço levá-los na conversa. Ele teria tido sucesso onde seus lacaios falharam, mas Dmitri não ia se rebaixar ao ponto de lidar com o garoto advogado diretamente. Então… e agora?
Tinha que haver algo a se ganhar com isso, algum lado positivo em ter alertado o garoto advogado sobre seu plano…
As chances de despertar as suspeitas de Caesar agora eram bem maiores. Dmitri deu uma risada cruel. “Sim, tem isso, não é?”
— Amadores de merda.
Os homens no caminhão se encolheram novamente, mas Dmitri agora estava ocupado andando de um lado para o outro.
Não havia outra saída, ponderou ele, coçando o queixo – salvo esperar por outra oportunidade de ouro cair em seu colo, teria que trabalhar com o que tinha. Pelo menos, as armadilhas do garoto advogado foram eliminadas, então esse objetivo estava cumprido.
Agora Dmitri só precisava descobrir como fazê-lo cair em uma das armadilhas de Caesar…
Ah. O andar cessou, e os lábios de Dmitri se curvaram num sorriso cruel. “Sim, isso serve perfeitamente.”
Com seus suprimentos esgotados, Won teria que confiar no combate direto.
Ele queria evitar isso, se pudesse, mas depois de algumas horas de contemplação, teve algumas revelações. Primeiro, não importa o quanto a tecnologia de armas avance, os exércitos ainda exigem que seus soldados treinem combate corpo a corpo. Segundo ele não tinha nem os suprimentos nem o espaço adequado para instalar mais armadilhas. Terceiro, mesmo que montasse alguma coisa, Caesar, logo Caesar, veria facilmente qualquer tentativa de atraí-lo para uma armadilha.
Won estalou os dedos, arrependido de não ter transformado seus explosivos menores em uma grande bomba. “Uma pena, essa.”
Perdeu essa chance por descuido, mas não podia mudar isso agora, então decidiu procurar Caesar e traçar planos mais concretos depois.
✦ ✦ ✦
O olhar de Caesar se virou bruscamente para a esquerda, atraído pela comoção que irrompia à distância. Ele observou faíscas coloridas riscarem o ar, imaginando o que, exatamente, Won estava fazendo. Só podia torcer para que nada tivesse acontecido com ele. Quando Caesar chegasse àquele lado da área de jogo, Won já estaria muito longe.
Sem piscar, Caesar examinou a paisagem, considerando o que seu pequeno advogado provavelmente faria agora. Essa seria a melhor forma de encontrá-lo.
De um lado, as árvores rareavam até desaparecer completamente, dando lugar a colinas onduladas. Na outra direção, havia uma floresta densa. A escolha óbvia era fugir para o lugar com mais opções de esconderijo, e Caesar não tinha dúvidas de que Won seguiria para dentro da mata. Utilizar o terreno a seu favor era a atitude racional e inteligente – e Won não era nada senão inteligente e racional. Seu indomável instinto de autopreservação o empurraria para lá, se nada mais o fizesse.
Ajustando a pegada em sua Beretta, Caesar começou a caminhar.
Won ficou imóvel, vislumbrando Caesar por entre as árvores. Observou de seu ponto de observação oculto e, logo, um sentimento de satisfação o preencheu Caesar estava indo em direção à floresta densa; o blefe de Won havia funcionado. Caesar não fazia ideia de que Won o observava naquele exato momento.
Sentindo-se animado com a empolgação, ele checou se sua Colt e sua faca estavam prontas para uso. Aquela era sua chance de garantir o jogo, e ele pretendia aproveitá-la ao máximo. A Colt, decidiu ele, era a opção superior entre suas duas armas brancas. Facas não eram seu ponto forte, e lutas com facas eram perigosas até nas melhores circunstâncias. Suas chances eram especialmente pequenas contra alguém como Caesar. Por isso, a Colt.
“Tudo o que tenho que fazer é arranhá-lo,” disse a si mesmo, “e isso já seria suficiente.”
Plano em mente, Won avançou sorrateiramente pela vegetação rasteira, um passo cuidadoso de cada vez.
Cada vez mais perto.
Caesar ainda estava alheio à sua presença quando Won percebeu que não tinha verificado se suas roupas haviam arejado. “Tomara que o vento esteja a meu favor e continue assim, se ainda estiverem com cheiro, porque não há muito que eu possa fazer agora.”
Continuou se aproximando, cada vez mais. O corpo de Won começava a ter cãibras de tanto ficar curvado, mas ele resistiu ao cansaço. “Passar despercebido por Caesar vale a dor.”
Dez passos, cinco passos, três passos e ele estava na distância de tiro, Won nem ousava respirar com medo de alertar Caesar.
Seus olhos percorreram a figura imensa de Caesar, avaliando possíveis alvos. A cabeça e o coração estavam fora de questão, obviamente, o que eliminava a maior parte da parte superior do corpo. Os membros seriam melhores, mas seria mais difícil acertá-los com certeza.
Seus olhos se estreitaram, eletricidade vibrando no ar ao seu redor. Uma respiração profunda e…
Agora—!
Ele atirou! Mas sua euforia evaporou com os estrondos e estalos de fogos de artifício que explodiram em sincronia com seu ataque. Quase imediatamente, avistou o corpo de Caesar sendo lançado pelos ares e, por mais preocupante que aquilo devesse ser, Won não conseguiu evitar a onda de desespero ao perceber que havia errado o tiro. “Conseguir se aproximar de Caesar não é pouca coisa; foi uma chance em um milhão e eu desperdicei.”
Mas, talvez não tivesse arruinado tudo completamente. Caesar parecia atordoado, sentado no chão. Se Won se apressasse, ainda teria uma chance com a faca.
Ele disparou para frente; ele conseguiria; ele…
Um estrondo tremendo, e a terra tremeu sob seus pés. Won caiu.
Deve ter acionado alguma coisa. Uma armadilha deixada para trás? Não teve tempo para pensar, outra bomba explodiu subsequentemente, e Won teve que proteger a cabeça com os braços.
Ele precisava sair dali.
A ideia de recuar o machucava, estivera tão perto de pegar Caesar, mas não podia permanecer ali e arriscar mais explosões. Rastejou de volta para um lugar seguro.
Quando as explosões cessaram e a poeira finalmente baixou, a área estava deserta.
— Ah, puta merda!
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Dmitri havia assistido a toda aquela bagunça sair completamente do controle, e ele não estava nem um pouco divertido. Seus subordinados no caminhão faziam o possível para se manter fora de vista, já que seu chefe claramente estava prestes a surtar, inquieto e roendo as unhas de agitação.
“Droga, droga, droga”, isso só piorava a situação com Caesar. Ele certamente suspeitaria de algo agora, depois de ver as modificações feitas em suas armadilhas. Caesar saberia que aqueles explosivos estavam muito além de qualquer coisa que ele próprio tivesse instalado. Pior: Caesar havia acionado uma delas. O pensamento de machucar seu primo fazia o peito de Dmitri se contrair de ansiedade.
Observava o monitor, mordendo a unha do polegar. “Aquele maldito advogado mudar de tática desse jeito foi totalmente fora do script e isso pode acabar com meus planos de vez.” Dmitri passou a mão livre pelos cabelos.
— Uh, senhor, arriscou um dos homens. — O que devemos fazer agora…?
Dmitri lançou ao homem um olhar oblíquo de desaprovação antes de voltar sua atenção ao monitor. “O que fazer, o que fazer…” Dmitri não sabia se conseguiria dar fim ao advogado sem provocar a ira de Caesar. Cruzando os braços, seu olhar se aguçou enquanto ponderava suas opções.
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Havia uma sensação de ardência emanando da testa de Caesar, mas lidar com seu braço era mais urgente do que um arranhão. Um grande pedaço de estilhaço havia cortado a pele e se enterrado na ferida quando ele acionou a bomba mais cedo.
“Maldito Dmitri.”
Suficientemente irritado para xingar, mesmo embora internamente, Caesar fez uma careta e arrancou o pedaço de metal pontiagudo de seu braço. Sem o estilhaço lá, seu braço começou a jorrar sangue. Com mãos habilidosas, Caesar enrolou seu braço firmemente com bandagens para estancar o sangramento. Isso teria que servir por enquanto; nenhuma de suas outras feridas era mais do que arranhões e não exigia atenção.
Examinando a área, Caesar não encontrou sinal de Won, o que significava que seu pequeno advogado havia escapado. “Bom. Muito bom.” O comportamento de Caesar mudou de raiva para predatório.
Atacar-lhe diretamente foi uma excelente estratégia, uma que ele não esperava.
Isso tornava o fracasso ainda mais agudo.
Porque Won havia usado sua única chance.
Apertando a bandagem em seu braço, Caesar se levantou.
Não havia segundas chances, no que lhe dizia respeito.
Won jurou que ouviu algo atrás de si. Virou-se rapidamente, vasculhando as árvores, mas não descobriu nada. “Certo, certo.” Ele deu um longo suspiro, desejando que o zumbido em seus ouvidos parasse.
Falando nisso, o que diabos aquelas bombas estavam fazendo ali? Ele esfregou os ouvidos, o zumbido constante quase insuportável. Não conseguia imaginar que explosivos desse nível seriam autorizados em um jogo de paintball. Talvez airsoft? Mas, por outro lado, bombas caseiras pareciam um pouco exageradas, podia-se dizer, e Won tinha suas dúvidas. Aqueles eram explosivos poderosos.
E Caesar…
Um choque de medo percorreu seu corpo, mas foi rapidamente sufocado. Caesar era um profissional e tinha grande confiança em suas próprias habilidades. Só de lembrar de Caesar desaparecendo na névoa, Won se sentiu reassegurado de que isso era verdade. O que ele realmente precisava se preocupar era com seu próprio fracasso anterior. Ele havia perdido a principal e provavelmente única vantagem verdadeira que tinha até aquele momento; e sem o elemento surpresa ao seu lado, tinha sido colocado na defensiva.
O que restava para ele agora?
Ele tirou as mãos dos ouvidos, se preparando, porque tudo o que ele poderia fazer era enfrentar Caesar de frente.
Um combate direto, de cara, mano a mano.
Caesar soltou o carregador de sua Beretta para contar as balas, encaixou-o novamente no lugar e devolveu a arma ao coldre.
“É isso, Won. É melhor estar preparado.”
Com passos determinados, Caesar partiu para o confronto final, o menor sorriso de prazer visível ao redor de seus olhos para quem se desse ao trabalho de olhar.
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Continua na parte 4…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna
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Ler o Manhwa Roses and Champagne Completo em Português Grátis Em um mundo de alto risco, Lee Won, um advogado lutando para sobreviver, se vê enredado em uma teia de intriga e perigo. Quando ele cruza o caminho de Caesar, um formidável chefe da máfia, descobre uma conexão oculta entre o Conselheiro Municipal Zdanov e o crime organizado. À medida que Lee Won se aprofunda no caso, desvenda uma conspiração sinistra que ameaça despedaçar o frágil equilíbrio da cidade. Preso entre a lei e o submundo, ele deve navegar por um jogo mortal de poder, decepção e desejos proibidos. A cada passo, o mundo de Lee Won se entrelaça com o de Caesar, enquanto ambos enfrentam seus próprios motivos ocultos e tentações proibidas. Em meio a noites regadas a champanhe e o aroma de rosas em flor, uma atração perigosa surge entre eles. À medida que os riscos aumentam e o perigo se intensifica, Lee Won deve escolher entre seus princípios e o fascínio do proibido. Em um mundo onde lealdade e traição se confrontam, ele precisa encontrar uma maneira de expor a verdade e proteger a si mesmo e aqueles que ama. Nesta envolvente história de amor, traição e a intoxicante luta pelo poder, Roses and Champagne explora a intricada dança entre desejo, dever e a frágil linha entre o bem e o mal.
Nome alternativo: Rosas Y Champagne Rosas E Champanhe Roses