Ler Roses And Champagne – Capítulo Side Story 02 – Parte 2 Online

❬ Side Story 02 – Parte 2 ❭
⌽ Roses and Wolves ⌽
Pouco é necessário em um jogo de sobrevivência. O objetivo é se virar com o mínimo que se tem. Mesmo assim, houve um intervalo entre a proposta de Won e a partida.
Não para preparar algo, mas para permitir que Won se recuperasse.
Após cerca de três dias, Won declarou-se descansado e alimentado o suficiente para começar. Ele conseguia andar sem mancar, pelo menos, e estava ansioso para iniciar. Então, bem cedo de manhã, Won lavou-se, vestiu-se e deslizou para o banco do passageiro do jipe de Caesar.
Era um veículo militar, e não tinha capota. Mesmo assim, Caesar parecia tão à vontade dirigindo-o quanto no banco de trás de qualquer carro de luxo, com uma mão pousada preguiçosamente no volante e a outra apoiada perto do câmbio. Eles dirigiram um pouco em silêncio até que Caesar disse, alto o suficiente para Won ouvir:
— Não é tarde demais para desistir, sabia?
Won soltou um suspiro exagerado. — Não é tarde demais para você recuar, sabia? Se estiver com medo.
˜Babaca convencido.˜ Won entrelaçou os dedos e esticou os braços para aliviar um pouco da tensão. Ele ia mostrar a Caesar o que era subestimá-lo. Ele tinha feito serviço militar, não era qualquer zé-ninguém.
Mesmo com a resposta sarcástica, Caesar não fez nada além de lançar um olhar oblíquo a Won antes de voltar os olhos para a estrada.
O resto da viagem transcorreu em silêncio.
Dmitri, de todas as coisas, foi o primeiro a aparecer no campo de visão. Parado em frente a outro veículo militar, um caminhão grande, desta vez, ele era fácil de distinguir contra o terreno monótono. As narinas de Won se inflaram enquanto a figura de Dmitri ficava cada vez maior à medida que se aproximavam.
Até onde ele sabia, Dmitri não deveria estar ali. Sua aparição repentina lembrou Won daquela vez em que Dmitri surgira do nada na ilhota, com um helicóptero do exército e tudo, para resgatar Caesar. Comparado a aquilo, encontrá-los ali não era nada.
Para ser justo, se Won tivesse alguém microchipado e vigiado 24 horas por dia, também não seria difícil encontrá-los. Mas ele não fazia isso.
Porque ele não era obcecado por cada detalhe da vida de Caesar.
Sinceramente, era assustador o quão fanático Dmitri era. Won estremeceu só de pensar. Você poderia perguntar quantos cílios Caesar tinha, e Dmitri responderia: “Direito, esquerdo ou no total?” e teria um número pronto para as três opções. Era estranho e, francamente, perturbador o quanto ele sabia sobre Caesar. Dito isso, Won não devia ter ficado surpreso ao vê-lo ali.
— Czar! — Dmitri correu para o lado de Caesar assim que estacionaram. — Você me deixou todo animado! Achei que finalmente íamos ter alguma ação.
Won achou que ele soava como uma criança reclamando, mas percebeu Dmitri olhando para ele naquele momento.
— Um pouco decepcionante — ele murmurou, inclinando-se para o ouvido de Caesar. — Não acha?
Won optou por ignorar Dmitri e estudou a paisagem, mas não havia muito para ver. Além do prédio pequeno em frente ao qual estavam estacionados, era tudo estepe aberta. A coisa mais interessante eram as colinas ocasionais que quebravam a monotonia da vista.
Franzindo a testa, Won teve que se perguntar se era só aquilo. Parecia um tanto… insuficiente para o que estavam fazendo. Felizmente, alguém saiu da estação-base nesse momento.
— Bem-vindos, bem-vindos! — o homem disse, mas Won percebeu que ele estava nervoso. — Tudo foi preparado conforme suas especificações. Se me permitirem alguns momentos, vou explicar-…
“Mais como ameaçou ele a fazer isso”, Won comentou mentalmente.
Ele lançou um olhar furioso na direção de Dmitri e foi recebido com uma carranca e um dedo médio. A mão de Dmitri estava apoiada na coxa, então ninguém mais podia ver.
Won estreitou os olhos para o dedo ofensivo antes de voltar sua atenção ao guarda, que forneceu algumas informações sobre a área e quais instalações estavam disponíveis.
— E qual de nossos programas gostariam de experimentar hoje? — ele perguntou quando terminou. — Temos três opções. Como podem ver, este é nosso campo para iniciantes, o mais fácil. Foi projetado para quem tem pouca experiência e é uma excelente escolha para uma primeira tentativa.
Won olhou para ele, pegou um folheto de um suporte de informações perto do caminho e, sem dizer nada, encontrou a seção sobre o programa mais difícil disponível. Virou o folheto e mostrou-o para o guarda.
Empalidecendo, o guarda gaguejou antes de se virar para Caesar, certo de que era algum engano. Caesar, no entanto, sorriu e olhou para Won que já sorria de volta. Os olhos do guarda saltaram entre os dois homens, sem entender completamente a faísca que eletrizava o ar entre eles, mas, após alguns momentos, ele teve que ceder aos desejos dos clientes.
Acenando ainda que relutantemente, ele liderou o caminho, seguido por Won, depois Caesar, com Dmitri resmungando palavrões e fechando a retaguarda.
Quando chegaram, Won examinou o entorno com um brilho satisfeito nos olhos. Parecia o tipo de lugar onde um excursionista aleatório encontraria o cadáver de uma criança desaparecida há meses sem deixar rastros ˜É perfeito˜ Pequenas colinas cercavam um monte, enquanto aglomerados densos de árvores erguiam-se como dentes afiados nas planícies entre elas. ˜Bons lugares para se esconder˜, Won considerou. O terreno implacável, até os ventos gelados, era tudo que ele poderia desejar.
— Isso está bom? — o guarda perguntou. — Esta área raramente é usada, infelizmente, mas ficaremos felizes em-…
Won olhou para ele com tanta intensidade que o guarda engasgou com um suspiro audível.
— Onde podemos nos trocar?
O guarda mordeu o lábio, mas não teve escolha a não ser levar o trio até os vestiários. Havia roupas, algum tipo de equipamento tático; e, quando saíram, o guarda entregou a cada um uma mochila com provisões, um kit básico de primeiros socorros e outros itens para ajudá-los a sobreviver ao ar livre.
— Hora de escolher nossas armas — Caesar disse, saindo para o lado de fora.
Won seguiu-o e encontrou Dmitri já esperando por eles. Ele não olhou para Won, ocupado demais sorrindo para Caesar. O caminhão grande estava lá e, com um aceno de Caesar, alguns homens do Sindicado abriram as portas traseiras, revelando um arsenal grande o suficiente para equipar um pequeno país.
De olhos arregalados, Won só conseguiu maravilhar-se com a impressionante variedade diante dele. Parecia haver todo tipo de arma letal imaginável; pistolas, facas, metralhadoras, lança-chamas, lançadores de foguetes.
Era impressionante e também nada do que Won esperava. Ele achara que teriam armas de airsoft, ou talvez paintball. Aquilo era… muito. Claro que ele ouvira falar que a máfia tinha homens e poder de fogo para rivalizar com nações inteiras, mas ouvir rumores e ver a realidade eram duas coisas completamente diferentes.
Ele deu uma olhada rápida para Caesar, que tirara um charuto e fumava enquanto considerava suas opções.
— Você sabe como é um jogo de sobrevivência, né? — Dmitri arrastou as palavras, aproximando-se dele. — Isso aqui? Brincadeira de criança. Mas vá lá, escolha seu veneno, garoto-advogado. Estou morrendo de curiosidade para saber o que você aguenta.
Won deu-lhe um olhar vazio, mas Dmitri estalou os dedos.
— Droga, esqueci de trazer a espada de brinquedo para você. Parecia perfeita para seu nível. Na próxima.
Recusando-se a deixar Dmitri provocá-lo, Won virou-se. Ele estava curioso para saber o que Caesar achava das provocações de Dmitri. Lançando outro olhar furtivo na direção de Caesar, Won viu que ele não mudara em nada desde alguns minutos atrás, como se não tivesse ouvido nada. Ele parecia relaxado, pesando suas opções com um ar despreocupado. Como se não importasse o que escolhesse.
E talvez não importasse.
Para ele, isso era o jogo. Não havia surpresa com a presença de Dmitri ou com o número ridículo de armas à mostra; ele estava pronto para isso porque fora treinado para isso a vida toda.
Pelo menos, Won só podia supor. Pensando nas cicatrizes que cobriam a pele de Caesar… ˜Quantas delas vieram de algo assim?˜
Won sacudiu-se. ˜Seja uma arma de paintball ou uma Glock, o jogo é o mesmo.˜
Então, com um suspiro revigorante, ele começou a analisar visualmente suas opções. Talvez, pensou, fosse uma boa ideia sentir o que é bom. Ele estava prestes a entrar no caminhão quando Caesar começou a falar.
— De modo geral — ele começou —, prefiro minha Beretta, mas um revólver é uma escolha sólida. Você não vai disparar muitos tiros nesse tipo de jogo, e revólveres são fáceis de manusear e menos propensos a enguiçar.
Won deixou os olhos percorrerem as pistolas e revólveres enquanto Caesar continuava em seu tom distante.
— Já aquela — ele apontou para uma espingarda — é um pouco pesada para nossos propósitos. Pode não parecer muito, mas cem gramas fazem toda a diferença quando o tempo está se esgotando. Além disso, o jogo pode continuar indefinidamente até que alguém saia vitorioso, então, quanto mais leve, melhor. Dito isso, um rifle, como aquele ali, pode ser bom por causa do recuo baixo, menos chance de errar os alvos. E não são tão pesados a ponto de serem difíceis de manusear.
Caesar murmurou, pensativo.
— Mas aquela eu evitaria. Muito sensível, e o peso leve pode parecer tentador, mas o recuo não compensa-…
— Ei. — Won virou-se para Caesar e cruzou os braços. — Eu sou coreano, lembra? Cumpri meu tempo no exército. Forças Especiais, se quer saber.
Won fungou, mas guardou aquela informação para si mesmo. Ele ia mostrar a Caesar do que um homem era capaz.
Caesar virou a cabeça, examinando Won de cima a baixo. Apesar da onda de ansiedade que percorreu seu corpo, Won ergueu o queixo, desafiando Caesar a negá-lo. Então, aquele pequeno sorriso apareceu nos lábios de Caesar e Won relaxou.
— Duvidoso.
Ou não. Won fez uma careta e girou para examinar o caminhão novamente. Como Caesar sempre parecia saber sobre suas inseguranças? Que fosse. Ele precisava escolher suas armas.
Caesar observou Won por um momento, apreciando a expressão determinada no rostinho de seu pequeno advogado, depois o deixou à própria sorte, já que ele parecia querer fazer isso sozinho.
Won ouviu o rangido de metal contra metal quando Caesar escolheu sua arma, mas não se deixou distrair. Facas não eram seu forte, mas ele se sentia confiante em suas habilidades de tiro, então queria fazer a escolha certa. Na verdade, ele não tocava numa arma há anos, mas durante seu serviço militar, ele frequentemente ficava em primeiro lugar em competições de armas leves. Até ganhou licenças especiais por isso. Ele era um excelente atirador, se ele dissesse sozinho. Em combate corpo a corpo também, ele tinha certeza de que se sairia bem. Facas… bem, ele preferia não lidar com elas se não precisasse.
Ainda assim, era melhor estar preparado, e uma faca poderia ser útil na selva. Ele não precisava de um facão ou coisa do tipo; só algo pequeno. Então pegou uma faca de combate, por precaução.
Enquanto examinava as armas de fogo, ele avistou uma que parecia familiar. Olhando mais de perto, era a mesma pistola que ele usara durante seu serviço militar. ˜Hmm. Eles realmente tinham de tudo aqui.˜ Deixando seus olhos vaguearem, ele encontrou um conjunto inteiro de rifles de precisão chiques expostos em um lado do caminhão. ˜Aqueles não eram coisas que você conseguia sem muito dinheiro e alguns contatos.˜
Sem pensar muito, ele se aproximou e verificou o pente de um. Estava carregado. Até tinha munição extra. Ele ficou maravilhado e um pouco perturbado novamente.
Caesar chegou ao seu lado. — Você está planejando carregar tudo isso?
Won acabara de notar a prateleira de granadas ao seu lado e estava considerando sua utilidade. — Por que não? — respondeu distraidamente. — Você está. — Ele lançou um olhar significativo para o rifle nas mãos de Caesar.
Caesar sorriu. — Eu sou um bom atirador.
— Eu também. — Won pegou uma granada e colocou em um dos bolsos utilitários de sua camisa. — Estou pronto — declarou, virando-se para Caesar.
Dmitri observou o par com um olhar de nojo, mas nenhum dos dois lhe deu atenção. Caesar só se importava com Won, e Won só pensava em vencer.
Algo deve ter transparecido no rosto de Won, porque os olhos de Caesar estreitaram, cravando-o com um olhar cinza penetrante, e Won inspirou fundo porque sentiu como se Caesar o tivesse jogado na cama e enfiado seu pau inteiro de uma vez em seu buraco com um empurrão poderoso. Envergonhado, Won fingiu estar ocupado colocando sua mochila e apertando as alças.
Caesar estendeu a mão, pretendendo um aperto de mão cavalheiresco antes do jogo, mas Won estava tão distraído que tudo o que Caesar recebeu foi um rápido toque de mão.
Um ruído de frustração saiu da garganta de Dmitri, que revirou os olhos e deixou a cabeça cair para trás, olhando para o céu, porque, ˜Senhor me ajude, isso era pior do que ele temera.˜
Caesar não pareceu se importar.
— Nos comunicamos uma vez por dia por rádio — Caesar disse, entregando walkie-talkies para Won e Dmitri. — Cinco minutos. Única comunicação permitida. Você faz uma pergunta. Sem mentiras ou evasivas ao responder.
Won acenou e verificou seu walkie-talkie antes de guardá-lo no bolso.
— O jogo começa em uma hora.
Com a cabeça baixa, os olhos de Won se moveram para olhar para Caesar. Então ele acenou mais uma vez, virou nos calcanhares e começou a andar. Mantendo o olhar fixo na figura de Won que ia se distanciando, Caesar se curvou e jogou a mochila sobre o ombro.
— Me lembre por que estamos perdendo tempo com essa tolice — Dmitri disse com desdém ao seu lado.
— Me lembre quem decidiu se convidar para o nosso jogo. — Caesar respondeu cortante
Dmitri ficou tenso. — Eu vim para ver você, obviamente. — Ele fungou. — Mas não vejo como isso poderia ser divertido. Ele vai desistir em cinco minutos. Mas vai ser um prazer ver o vadiazinha chorando por misericórdia.
Dmitri piscou, surpreso com o quanto ele queria ver aquilo acontecer.
Isso, pelo menos, valeria a pena. Ele não tinha ideia do que Caesar estava fazendo, porém. Não poderia ser divertido caçar um fracote, e aquele putinho não sabia de nada.
Caesar soltou um hum satisfeito. — Aquela expressão que ele faz… — Ele suspirou e balançou a cabeça. — Me deixa louco.
Dmitri lançou um olhar afiado para o primo quando um bipe agudo veio de seu pulso:
A frequência cardíaca de Caesar aumentara, disparando um alerta em seu relógio. Atônito, ele olhou para os números piscando. ˜Como? Por quê?˜ Seu primo poderia estar preso em um carro caindo de um penhasco e seu coração permaneceria o mesmo. Ele não estava ferido, não tinha tido perda significativa de sangue recentemente… ˜então por quê? ˜
Estava quebrado? Era a única explicação que Dmitri conseguia pensar. Mas, então, diante de seus olhos, os bpm exibidos no relógio voltaram ao normal e o bipe desapareceu, como se ele tivesse imaginado tudo.
Ele fez uma nota mental para verificar o relógio logo. Não fazia tanto tempo desde que o ajustara, mas nunca era demais ter certeza. Perdido em pensamentos, ele não percebeu Caesar indo embora até que ele já estava se movendo.
— Caesar, como vamos fazer isso? — Dmitri perguntou, e os passos de Caesar pararam. — Ele parece bem animado.
Um dos ombros de Caesar se ergueu em um encolher indolente. — Jogue o jogo.
Dmitri soltou um ruído exasperado; isso seriam alguns dias longos. Caesar não deu ao primo um segundo olhar antes de começar a andar novamente.
— Já que ele não pode morrer — murmurou, baixo o suficiente para Dmitri não ouvir.
O som de uma sirene reverberou pela área de jogo.
O jogo começara.
Respirando fundo, Won olhou ao redor. Ele cruzara as estepes e estava perto de um pequeno vale salpicado de pedras. Com uma rápida verificação da bússola para se orientar, ele encontrou uma pedra grande para sentar e começou a verificar o que havia em sua mochila, reorganizando para que as coisas mais importantes estivessem ao alcance.
Ele ignorou o tremor em suas mãos enquanto fazia isso.
A corda e a lanterna foram colocadas no topo, junto com o kit de primeiros socorros. Provisões e água em seguida. Ele avistara um riacho em um dos vales por onde passara, então era possível conseguir mais se necessário, mas ele preferia não ser descuidado com o que tinha.
˜As chances de descoberta seriam maiores perto de recursos importantes. ˜ Pensou Won
Provavelmente uma boa ideia ter algumas opções, sendo esse o caso.
Um mapa estava incluído na mochila, e Won o retirou agora para entender o terreno e potenciais fontes de água e abrigo. Logo, seus pensamentos voltaram-se para Caesar e seus planos. ˜Que tipo de oponente ele era?˜
˜O tipo que sairia atirando? Ou ficaria à espera até o momento perfeito?˜
Dmitri dissera que isso era “brincadeira de criança”, e, pelo que Won podia deduzir, ele quis dizer literalmente. ˜Caesar fora treinado desde a infância para sobreviver.˜ Ele até falara sem parar sobre armas antes, em uma estranha tentativa de ser útil. ˜Ele certamente não estava falando para seu próprio benefício.˜ Depois que Won dissera para ele calar a boca, Caesar silenciosamente escolhera suas armas e esperara Won terminar, quase como se já soubesse o que queria usar.
˜O que significa,˜ Won raciocinou, ˜que são provavelmente coisas com as quais ele está familiarizado.˜
Das profundezas de sua memória, a imagem de uma fatia de tomate, tão fina que brilhava sob a luz da cozinha, veio à tona.
˜— Carne humana funciona do mesmo jeito.˜
Won estremeceu ao lembrar do sorriso perturbador que Caesar tivera na época.
No mínimo, Won sabia que Caesar estava mais do que confortável usando uma faca, então ele tinha uma, provavelmente mais, com ele agora. A Beretta também, porque Won tinha certeza de que Caesar não ia a lugar algum sem ela.
˜Maldita coisa.˜ Um dia desses, Caesar usaria ela para arrancar sua cabeça ou abrir outro buraco em seu estômago, ˜igual da última vez.˜
Uma dor latejante percorreu a ferida antiga no torso de Won, e ele a apertou com a mão, encarando o nada. As coisas pelas quais ele passara, de provocações descontraídas, a ameaças, sequestro e ferimentos a bala. Até agora, como seu corpo parecia ficar mais fraco a cada dia e, para não esquecer: a palhaçada do presente de casamento. Uma cerejinha no topo do sundae de merda. Caesar precisava ser rebaixado.
Won estava ficando agitado novamente, determinado a mostrar a Caesar que não era inferior.
E isso significava vencer este jogo. Examinando o mapa mais uma vez, Won imaginou mil cenários, depois mais mil enquanto memorizava a paisagem ao som de cantos de pássaros distantes vindos da floresta.
✦ ✦ ✦
— Está ativo?
Um homem na frente de um monitor na parte de trás do caminhão acenou. — Sim. Rastreando o Czar e o advogado.
Dmitri se inclinou, olhando para dois pontos piscando na tela, um vermelho, um azul.
— Este é o Czar? — ele perguntou, apontando para um dos pontos.
— Exatamente — o homem confirmou. — Espere um encontro em breve, nesse ritmo.
Olhando para o monitor com um olhar penetrante, Dmitri sabia que Caesar poderia acabar com tudo nos próximos dez minutos, se quisesse.
Ele não queria, infelizmente.
A boca de Dmitri formou uma careta sombria. Ele queria dizer que tinha vislumbrado os pensamentos mais profundos de Caesar antes, mas então ele dissera que iria “jogar o jogo”, seja lá o que isso significasse. A palavra “jogar” sequer fazia parte do vocabulário de Caesar?
Ele só fazia coisas para vencer ou ganhar vantagem. Dmitri não sabia se o homem já fizera algo por diversão na vida.
O que seria uma grande vantagem para o plano de Dmitri contra o advogadozinho. O moleque estaria morto antes do jantar. Mas o que Caesar faria era incerto neste ponto. Se ele não ia matar o advogado, Dmitri tomaria as coisas em suas próprias mãos. Ele não ia desperdiçar uma oportunidade tão boa assim.
O problema estava em como fazer isso sem o conhecimento de Caesar, porque seu primo certamente interferiria. Portanto, Dmitri precisava conduzir a situação a seu favor, tão sutilmente que nenhum dos dois perceberia o que estava acontecendo, bem debaixo de seus narizes. E uma vez que o garoto-advogado estivesse fora do caminho, bem… era isso. Por mais que o Czar pudesse dobrar o mundo aos seus caprichos, nenhum poder traria os mortos de volta.
˜E se o Czar fosse o responsável pelo golpe final…˜
Oh, ho, ho — Dmitri podia ver tudo agora; e, ah, como seria esplêndido. Não importava quem fizesse o serviço, Dmitri sabia que teria um assento na primeira fila do maior espetáculo da Terra.
✦ ✦ ✦
Won acordou sobressaltado, com os olhos arregalados e o coração batendo forte nos ouvidos; por um longo momento, ele não fazia ideia de onde estava. Piscando para dissipar o sono dos olhos e a névoa da mente, finalmente lembrou que estava jogando um jogo de sobrevivência com Caesar e estava no meio da floresta.
Na noite anterior, ele encontrou um vale isolado que parecia seguro o suficiente para dormir, estendeu seu saco de dormir, contorceu-se numa posição bastante desconfortável para permanecer escondido e evitar ser espetado pelas pedras nas costas, e tentou dormir.
Não tinha corrido bem, se a sensação dolorida e inchada que permeava sua consciência fosse algum indicativo.
Ainda estava tentando acordar quando um bipe veio de seu cinto. Desprendendo o walkie-talkie e tirando-o do saco de dormir, ele percebeu tardiamente que o bipe devia ter sido o que o acordara. Houve um estouro de estática quando ligou o aparelho, seguido por uma voz.
— Won, responda. Won, consegue me ouvir?
— Alto e claro, câmbio — Won disse, bastante impressionado com a clareza.
Alguns segundos, e então: — Onde você está?
Won olhou ao redor, subitamente tenso. ˜Aquela era realmente a pergunta de Caesar? Por quê?˜
— Você primeiro — ele evitou responder diretamente.
— P-32.
Won arrancou o mapa da mochila e suspirou aliviado ao descobrir que Caesar estava na extremidade oposta da área do jogo. — Estou em A-15.
Pensando bem, a pergunta fazia sentido já que Won não podia mentir. Vagando sem rumo seria um exercício de futilidade; as chances de se encontrarem eram mínimas. ˜Por que procurar uma agulha num palheiro quando não precisava?˜
Isso equilibrava um pouco o jogo mas, por mais que tentasse, Won não conseguia entender por que precisavam de cinco minutos para dizerem coordenadas num mapa.
Encolhendo os ombros, Won perguntou: — Você vai atacar hoje?
Alguns momentos se passaram antes da resposta: — Acredito que você excedeu sua cota de perguntas por hoje, não?
A voz não soava irritada nem desconfiada; antes, estava tingida de diversão, então Won insistiu.
— Não lembro de ter feito mais de uma.
— Ponto justo.
Won conseguia ouvir o riso na resposta de Caesar. — E então? — ele pressionou quando Caesar não disse mais nada.
— Estou mais inclinado à defesa por enquanto.
˜Defesa. Isso poderia significar várias coisas, preparar armadilhas, explorar o terreno, estabelecer uma base de operações…˜ Querendo refletir sobre as possibilidades, Won tentou encerrar a comunicação. — Ok, boa sorte hoje.
Justo quando estava prestes a desligar o walkie-talkie, porém, Caesar começou a falar.
— Vou te contar um segredo, Won, uma das minhas respostas foi falsa. — Won lançou um olhar afiado para o walkie-talkie, mas a voz baixa de Caesar já acrescentava: — Uma pergunta; uma verdade.
Então a conexão foi cortada, deixando Won piscando e tentando entender o que diabos acabara de acontecer.
Foi então que ele percebeu que caíra em seu próprio truque. ˜Lobos às vezes são símbolos dos perversos e enganadores, ˜ Won lembrou a si mesmo. ˜Era culpa sua por usar um artifício tão frágil contra alguém como Caesar. Tolo dele.˜
Ele suspirou, sentindo-se muito pequeno; mas era tarde demais para arrependimentos. Caesar não quebrara nenhuma regra, dera a Won sua informação, como deveria. O problema agora era determinar qual resposta era falsa.
˜Tinha que ser a segunda˜, Won concluiu. ˜Caesar não esperava por ela, então a primeira resposta deveria ser a verdade, enquanto a segunda era a mentira.˜
E se o objetivo fosse fazer Won perder tempo tentando decifrar tudo, Caesar certamente tivera sucesso.
Franzindo os olhos para P-32, Won começou a procurar pontos de interesse nas proximidades.
Ele precisava descobrir para onde Caesar estaria indo.
Ah, ali. Com um aceno, ele se levantou. ˜Se dizer que estava na defensiva era mentira, Caesar poderia estar planejando qualquer coisa, se é que tinha algum plano. Talvez fosse atacar, ou talvez não fizesse nada.˜ De qualquer forma, Won sabia que precisava encontrar Caesar e ver o que ele estava fazendo, então o afloramento que escolhera como destino era tão bom quanto qualquer outro. Até agora, tudo fora suposições e cenários imaginados; e se havia uma coisa em que Won acreditava, era nisto: ˜As únicas coisas em que se pode confiar são aquelas que se vê com os próprios olhos`.
Caesar observou Won sair apressado de seu acampamento, um pouco distante do vale onde seu advogado dormira. ˜Dessa distância, um único tiro de sua arma, e tudo acabaria.`
Sob circunstâncias normais, era exatamente o que Caesar faria.
Claro, isso estava longe do jogo habitual que Caesar jogava. Com esse pensamento, um pequeno sorriso brotou em seu rosto enquanto via a figura de Won ficando cada vez menor, e a expressão suave provavelmente daria um ataque a Dmitri, se ele a visse.
Caesar Aleksandrovich Sergeyev não ficava olhando para alguém com um olhar sonhador e um sorriso afetuoso nos lábios. Nem em um milhão de anos. Mas lá estava, a leve curvatura da boca de Caesar, a inclinação ascendente de um apego que ele nem percebia estar puxando sua expressão.
Sem que Won soubesse, Caesar o observara daquele mesmo ponto a noite toda. Pela direção que seu advogado estava indo, nem passara pela cabeça de Won que as coordenadas poderiam ser mentira. Não que importasse: Caesar mantivera sua palavra. Ele não faria nenhum movimento importante hoje.
Um estalido de estática anunciou uma comunicação no walkie-talkie.
— Que porra você está fazendo?! Atira logo e acaba com o nosso sofrimento!
Caesar suspeitara que Dmitri estivesse observando, então levou o walkie-talkie à boca com mão lânguida. — Eu te disse, Dmitri, vou jogar o jogo.
E antes que Dmitri pudesse discutir, acrescentou: — Não vai acontecer, Dmitri. Vou jogar no nível dele.
Com isso, Caesar desligou completamente o walkie-talkie. Ele não tinha o menor desejo de ouvir o que mais Dmitri tinha a dizer, tinha coisas mais importantes para fazer. Movendo-se pelo terreno íngreme com passos leves e seguros, ele logo alcançou Won e escondeu-se entre as colinas enevoadas para observar.
Subitamente, Won parou e então para grande diversão de Caesar, espirrou. Com o cotovelo cobrindo a boca, todo o corpo de Won pareceu vibrar por um momento, como um gato se arrepiando de surpresa. Então ele relaxou e esfregou o nariz com o braço oposto.
Adorável.
Caesar permaneceu onde estava, contente apenas em observar, aquele mesmo sorriso terno nunca abandonando seus lábios.
✦ ✦ ✦
Won acabou passando o dia inteiro vagando por aí, encontrando sinais de Caesar indo em uma direção que não levavam a nada assim que ele chegava ao fim da trilha, então encontrando mais e ainda assim sem resultado.
Com a maior parte da floresta nas proximidades, Won decidiu que, apesar da hora avançada, valeria a pena fazer um reconhecimento aéreo. Espiando para a penumbra da linha das árvores, ele garantiu que a costa estava limpa e então começou a procurar uma árvore para escalar.
Assim que encontrou uma suficientemente resistente, com galhos amplos e acessíveis, pegou sua corda e começou a subir. Quanto mais alto ia, mais perfeita sua árvore escolhida parecia: tronco enorme e antigo, galhos largos, bastante cobertura contra olhares indiscretos. Seria um bom lugar para passar a noite, ele decidiu, subindo muito mais do que originalmente pretendia em seu entusiasmo.
Com os músculos doloridos, mas ainda bastante satisfeito, ele encontrou um galho espaçoso e confortável para se acomodar e apreciou a vista – e não pôde evitar que um pequeno suspiro de admiração escapasse de seus lábios quando o fez. Acima da névoa que pairava densa sobre as colinas onduladas, a paisagem se abria diante dele. Lá, no extremo oposto da área do jogo, ele conseguia ver a estação base onde Dmitri e o zelador estavam. Olhando para o outro lado, avistou a pequena cabana que os jogadores podiam acessar em caso de emergência. ˜Provavelmente conseguiria ver Seul se não fossem aquelas montanhas ao longe˜ pensou com uma risada irônica.
Satisfeito, ele pegou sua bússola e se orientou na direção onde o rastro mais recente de Caesar havia desaparecido. A densa camada de névoa que cobria o solo tornava impossível discernir quase qualquer coisa, mas Won não deixou que isso o desanimasse. O nevoeiro provavelmente terá sumido amanhã; poderei procurar então.
Por enquanto, ficaria onde estava, então decidiu que seria melhor se preparar caso Caesar voltasse por ali. Estudou os galhos ao redor, rotas de fuga ou emboscada, traçou caminhos no mapa para saber em quais direções ficar atento. Por fim, cansou-se de todas as possibilidades girando em sua mente e optou por se amarrar ao tronco antes que cochilasse e despencasse no chão da floresta.
Ele soltou um suspiro inquieto quando terminou, deixando a cabeça recuar para bater na casca atrás dele. Esperar era tão… chato. O tempo parecia arrastar-se quando ele não tinha nada para ocupar a mente ou o corpo. Quanto tempo mais até Caesar encontrá-lo? Won desejava que ele acelerasse um pouco.
Pensando bem, Won não acreditava que já tivesse antecipado a presença de alguém com tanta intensidade quanto agora.
Olhando para os fios de névoa que se enrolavam acima do nevoeiro, ele observou e esperou.
Caesar sentia como se o tempo tivesse desacelerado a um ritmo de lesma e estava ficando impaciente. Lá em cima na árvore, seu pequeno advogado estava profundamente adormecido, seu subconsciente provavelmente dizendo que ele finalmente estava seguro depois de toda a tensão dos últimos dois dias, Caesar presumiu. Seja como for, isso deixava Won vulnerável, e Caesar estava se sentindo um pouco brincalhão depois de toda essa dança entre os dois.
Morto para o mundo, Won mal se mexeu quando o ar se moveu ao seu lado. “Provavelmente um animal”, sua mente adormecida lhe disse, então, quando algo quente pressionou seu peito, sua única reação foi um pequeno movimento. Depois, ele sorriu. Outro calor, um que era tão, tão suave, havia roçado seus lábios, e tinha sido agradável. Alguns suspiros satisfeitos, e ele escorregou de volta para a terra dos sonhos.
A boca de Caesar curvou-se em um sorriso igual enquanto observava Won se acomodar. Ele aproveitou mais um momento para admirar a forma adormecida de Won, depois desceu de galho em galho, movimentos ágeis levando-o até o chão, onde ele desapareceu na escuridão.
“Que porra é essa que eles estão fazendo?”
Com as sobrancelhas praticamente no cabelo, Dmitri só conseguia ficar boquiaberto de indignação enquanto um dos pontos no monitor piscava em direção ao outro, até ficar quase em cima dele, e então desaparecia de novo.
“Isso melhor não ser alguma forma estranha de flerte.” Por outro lado, Dmitri estava bastante certo de que Caesar nem sabia o que era flertar, então quem diabos sabia a essa altura.
Dmitri flexionou as mãos. “Ou joga o jogo, ou não joga, nada dessa baboseira de frescura.”
Ele estava tão… ˜Não˜, Dmitri disse a si mesmo, estava tudo bem. Não estava acontecendo nada de errado. Estava tudo bem, e tudo ia ficar bem. Era apenas o fim do segundo dia. Havia muito tempo. E, de qualquer forma, Caesar não sabia o que era amor, certo? Ele não tinha com o que se preocupar.
Mas, no improvável caso de estarem rolando… “namoricos”, bem, o olhar de Dmitri percorreu a caminhonete. “Ele simplesmente teria que incendiar aquela floresta até o chão, não é?”
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Won acordou com o rico aroma de madeira aquecida sob a luz suave do sol e esfregou o nariz. Como um camaleão, seus olhos piscavam, pegajosos e irregulares, até que ele se sobressaltou, lembrando onde estava. Felizmente, seu laço com a árvore ainda estava seguro e ele não caiu para a morte, mas foi por pouco.
Seus olhos vasculharam de um lado para o outro, notando que nada parecia ter mudado desde a noite anterior, mas mesmo assim, uma profunda sensação de fracasso se acumulava em seu peito.
Ele não conseguia acreditar que tinha se deixado dormir por tanto tempo e com tanta profundidade. Qualquer coisa poderia ter acontecido nesse tempo e não tinha sido um cochilo curto, a julgar pelo ângulo do sol no céu.
Frustrado, passou uma mão pelos cabelos e foi aí que ficou rígido. Havia um peso estranho sob sua outra mão. Ao olhar para baixo, descobriu uma bolsa térmica.
Mas… de onde ela tinha vindo? Querendo economizar o que tinha, ele havia dispensado a bolsa térmica na noite anterior, a menos que, de alguma forma, tivesse pego uma enquanto dormia. Improvável. Portanto, só podia ter sido obra de Caesar.
Retirando a bolsa térmica de onde estava encaixada contra o peito, sentiu um pequeno resquício de calor se infiltrar em sua palma. Apertou a bolsa até que a mistura de carvão ativado se deslocasse para os lados, enquanto tentava aceitar o fato de que Caesar tinha ido e voltado sem que ele percebesse. “Desgraçado.”
Então virou a bolsa térmica e viu algo que fez seu queixo cair.
Здравствуй, Не простужайся = Zdravstvuy, Nye prostaváysya ˜Saudações. Não fique resfriado ˜
Por mais rígido e arcaico que fosse, o duplo sentido não passou despercebido a Won. A palavra tinha raízes no desejo de boa saúde a alguém.
A ousadia pura e simples de zombar dele assim; seu inimigo vindo até ele e deixando um pequeno cartão de visitas para dizer que esteve ali e lhe desejando saúde, ainda por cima. Era revoltante, mas ao mesmo tempo tão, ˜Tão humilhante. Como pude ser tão descuidado?” Se Caesar não tivesse se sentido generoso algumas horas antes, tudo já teria acabado, e Won não teria ninguém para culpar além de si mesmo.
Enfurecido, Won começou a jogar suas coisas de volta na mochila. Claro que foi exatamente nesse momento que seu walkie-talkie começou a apitar. Por mais que detestasse, Won mudou para o canal certo.
— Ah, parece que você acordou.
— É, — rosnou Won. Entre a frustração e a vergonha, Won não estava se sentindo particularmente amigável, mas fez o melhor para não deixar isso transparecer em sua voz depois.
— Qual é a sua pergunta de hoje?
Previsivelmente, Caesar ignorou qualquer possibilidade de que Won pudesse estar irritado.
— Está se sentindo bem esta manhã? — perguntou ele, com aquele tom sempre presente de humor.
— Nunca estive melhor. — A resposta foi curta demais para parecer indiferente, e Won se apressou em disfarçar o deslize. — Minha vez, né? Onde você está?
Hoje não haveria mentiras. Won ainda se sentia ridículo pela tentativa de ser esperto no dia anterior e queria uma resposta direta.
— Essa é a sua pergunta? — Caesar questionou.
— É.
— A-15.
As sobrancelhas de Won se franziram. Era onde ele estivera no dia anterior. Caesar estava tentando fazê-lo voltar? De alguma forma, Won sentia que tinha sido enganado, mas não conseguia entender como.
Com a mente girando, Won se despediu de forma automática, desligou o walkie-talkie e tentou pensar. “Por que Caesar iria até lá em cima?” Ele havia falado sobre defesa no dia anterior, mas essa tinha sido a mentira, não tinha? Mas… mesmo que não fosse, ainda assim não fazia sentido ir para o exato local onde Won estivera…
Como de costume, a clareza nunca tinha a gentileza de aparecer quando era necessária; a percepção repentina de que havia estragado sua pergunta veio tarde demais para ser útil.
Sentindo-se o maior idiota do planeta, Won fechou a mochila com um puxão violento e começou a descida.
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Após outro dia infrutífero perambulando pela área, Won armou algumas pequenas armadilhas ao redor de uma clareira e se acomodou para a noite. As armadilhas eram mais brincadeiras que proteção; apenas alguns fogos de artifício inofensivos programados para acender se alguém tropeçasse no fio. Só para dar um susto ou fazê-los tropeçar e alertar Won sobre sua presença, nada mais.
Estendendo seu saco de dormir, Won considerou o terreno que havia coberto. A floresta era muito maior do que ele imaginara na estação base, os pequenos bosques escondendo o gigante à distância. Apesar do início tardio, ele estivera em movimento o dia todo e ainda assim sentia que cobrira apenas uma pequena parte do todo, na melhor das hipóteses.
Talvez pudesse ter explorado mais, mas o nevoeiro voltara e pairava em tufos pegajosos e redemoinhos penetrantes, tornando qualquer noção de progresso subsequente obsoleta. Pelo menos isso significava que Won podia acender uma fogueira e esquentar sua sopa.
Enquanto esperava a lata esquentar sobre as chamas, Won não conseguia evitar se sentir um pouco… decepcionado. Ele se lembrava de um filme que vira uma vez. O nome, não conseguia recordar. Principalmente uma cena que ficara em sua memória. Havia um homem. Perdido; sozinho e faminto na natureza. Então, quando o homem encontrou uma cobra, estava tão desesperado que a comeu. Viva.
A atuação era impressionante e tudo mais, e Won podia respeitar o ator por dar tudo de si por seu ofício, mas tudo em que conseguia pensar ao assistir era nos perigos da carne crua da floresta e como o homem provavelmente pegara um parasita ou dois, cortesia de uma serpente mal-cozida.
Ele ainda pensava isso, na verdade; mas, um pouco mais relevante, sua impressão de sobreviver na natureza era um pouquinho mais… perigosa que a atual excursão de caminhada prolongada em que parecia estar.
Onde estava a adrenalina? A emoção? O perigo?
Distraidamente, Won mexeu sua sopa, perguntando-se “Qual era o sentido de dizerem suas localizações um ao outro, só para nunca se verem. Quais eram as chances-..?”
A mão de Won congelou no meio do movimento. “Quais eram as chances?” A terra ali era cuidadosamente preparada para jogos de airsoft. Claro, ele não esperava se perder nas Estepes e ser forçado a sobreviver de hamsters selvagens e grama, mas dois dias sólidos sem o menor obstáculo? Nenhum imbróglio, atoleiro ou mesmo um pequeno contratempo? Além de vagar o dia todo, Won não gastara energia alguma em qualquer tipo de apuro ou enrascada. Tudo que precisava era um saco de marshmallows e estaria numa simples, se um pouco estranha, viagem de acampamento.
Algo estava errado.
Quanto mais pensava, mais coisas Won encontrava que eram um pouco… estranhas. Sozinhas, pareciam inofensivas o suficiente, mas todas juntas, muito suspeitas.
Mais um capítulo nessa história interminável – Caesar era bom nisso. Mesmo sem a idolatria exagerada de Dmitri diante de seu arsenal móvel, o próprio Caesar admitira que fazia isso desde criança. Por isso, parecia mais do que estranho para Won que sua única ação até agora tivesse sido lhe entregar discretamente uma bolsa térmica no meio da noite. Certamente, se Caesar estivesse rastreando Won com o mesmo fervor que Won dedicava a ele, já teriam se encontrado em algum momento… não?
Won não encontrara nem mesmo um pequeno estopim no chão, muito menos avistara Caesar.
Falando em armadilhas: por que Won não havia esbarrado em nenhuma até agora? Deixando de lado as de Caesar, e as que outros jogadores poderiam ter deixado antes deles? O zelador não parecia do tipo meticuloso, mas Won não encontrara nenhum sinal de armadilhas antigas, nem sinalizadores abandonados, nem fios, nem estacas. Nem mesmo um buraco mal disfarçado para prender seu pé.
Era fácil demais. Limpo demais.
Esses fatos sozinhos já eram condenatórios o bastante, mas somados ao espaço restrito (embora extenso), locais valiosos limitados para ocupar, e a perseguição obstinada de Won… quase parecia que Caesar estava fazendo o possível para evitá-lo, não o contrário.
Won comeu sua sopa, olhando para algum ponto distante, perturbado pelo resto da noite com as implicações.
O bipe do walkie-talkie veio na manhã seguinte, antes que ele desmontasse o acampamento.
Won mudou para o canal certo e esperou.
— Won.
— Estou te ouvindo — sua voz estava monocórdica. — Você primeiro.
Ele desperdiçara duas perguntas e preferia não desperdiçar outra. Para tanto, queria que Caesar iniciasse hoje.
— No que você está pensando? — Caesar soava indolente; condescendente. Como se estivesse entediado. Como se não levasse isso a sério.
— Onde você está escondido — Won respondeu, lutando para manter o tom de escárnio fora da voz. — E então, quando te encontrar, o melhor lugar para uma bala.
— Que emocionante — Caesar murmurou. — Ganho um último beijo antes de expirar?
Won revirou os olhos. — Quer saber? Decidi. O queixo, vou atirar na sua mandíbula.
— Nossa, que cruel. — Caesar suspirou exageradamente com falsa sinceridade.
Por um momento, a mente de Won travou no absurdo de alguém da máfia se importar com crueldade ou misericórdia, mas ele rapidamente se recuperou. — E você?
— Essa é sua pergunta?
— Sim. — Caesar podia rir dele o quanto quisesse; Won não cairia em joguinhos bobos hoje. — O que você está fazendo?
Se Caesar tentasse ser engraçadinho e responder “falando com você”, Won jurava que colocaria sua arma direto naquela boca estúpida e insuportável de Caesar e puxaria o gatilho.
— No momento, estou falando com você, mas depois vou me masturbar.
Won encarou o walkie-talkie. — Divirta-se — respondeu em tom seco. “Esquece. O rosto era bondade demais. Vou arrancar o pau de Caesar com um tiro.”
Antes que pudesse desligar o walkie-talkie, a voz de Caesar ecoou novamente no alto-falante.
— Você sabe meu nome, não sabe?
— O quê? Que diabos você está falando?
— Você nunca me chama pelo meu nome — Caesar explicou em seu habitual tom arrastado. — Quero ouvir você dizê-lo.
“Ora, isso não podia ser verdade, podia?” Won sabia que dissera o nome de Caesar em voz alta pelo menos uma vez. Ele só não o usava com frequência. Que fosse. O caminho de menor resistência seria satisfazer o capricho de Caesar e seguir em frente.
— Caesar. Aí está, feliz?
Inerentemente, conversas por rádio têm um atraso entre transmissão e recepção, um ritmo entremeado por silêncios prolongados por necessidade. Porém, conforme o silêncio se estendia, todos os cabelos da nuca de Won se arrepiaram.
— De novo. — A voz de Caesar mal era mais que um sussurro.
— Caesar… — Havia algo no ar que fez Won pronunciar o nome quase reverentemente, suave e ofegante, ecoando o tom de Caesar.
Uma pausa carregada, então: — Nghh…
Won inclinou a cabeça. “O que foi isso?” Antes que pudesse pensar muito, houve o som de uma respiração rouca, e então Caesar falou novamente.
— Tudo bem. O tempo acabou.
E a conexão caiu.
Won piscou para o rádio em suas mãos, desconcertado. Ele ficou à deriva por alguns preciosos segundos de ignorância até perceber que ouvira aquela respiração rouca o tempo todo.
— Ah, pelo amor de Deus!
Ele quase jogou o walkie-talkie de nojo. “Não— não”, ele não ia pensar nisso. E se alguém perguntasse, definitivamente não era porque estava perturbado que Caesar tinha gozado com a voz dele.
Won conseguiu tomar o café da manhã e caminhar um pouco, mas o nevoeiro não dava sinais de diminuir, e isso o deixou em um dilema. E, infelizmente, não do tipo que esperava. O nevoeiro anunciava outro dia desperdiçado; um em que ele não podia gastar sua energia nervosa porque andar por terrenos acidentados com um nevoeiro tão denso era pedir por um acidente.
Com pouco mais a fazer, Won usou seu saco de dormir enrolado como travesseiro (por mais precário que fosse) e recostou-se contra o tronco de uma árvore, sua mente voltando às reflexões da noite anterior.
Caesar estava tramando algo, disso ele tinha certeza. O que Caesar estava fazendo, era a questão. Relembrando suas conversas, Caesar estivera incomumente despreocupado com tudo. Não que Won não tivesse notado; mas ele ignorara na hora. O jogo provavelmente era bem banal para Caesar agora. Fazia sentido que ele não estivesse tão intenso ou focado quanto Won.
Ainda assim, algo o incomodava, levando Won a cavar mais fundo.
Não havia muito, menos de quinze minutos de diálogo, mas ele não tinha mais nada com que trabalhar, então teria que servir.
No primeiro dia, Won se lembrava de ter ficado impressionado com a clareza dos walkie-talkies. E para aquela conversa inicial, claro, ele podia aceitar que eram rádios caros. Depois, porém? Entre as obstruções e o clima, deveria ter havido alguma queda na qualidade, pelo menos uma vez. Ele levou um momento para olhar com pesar para seus pés cheios de bolhas. Sem mencionar a distância que havia percorrido. No entanto, perfeitamente claro, todas as vezes.
Nenhum walkie-talkie era tão bom assim; Won não se importava com o quão caros fossem.
Seus olhos se estreitaram. Havia uma razão para ele não ter conseguido descobrir o rastro de Caesar, não havia?
A névoa se condensou na floresta, acumulou-se até gotejar em gotas gordas sobre o musgo, as folhas e Won ficou furioso.
As últimas brasas agarradas à vida chiaram e se apagaram quando Caesar as afogou em água. Por mais nebuloso que estivesse, algumas concessões podiam ser feitas, uma fogueira sendo uma delas. Havia pouco mais a ser dito sobre isso. A baixa visibilidade combinada com o terreno irregular significava que nunca se podia ser cauteloso demais em seus movimentos, um único passo em falso poderia custar-lhe a vida.
Ele havia desistido de seguir Won bem cedo. Por um lado, ele não podia vigiar seu pequeno advogado, mas Won provavelmente não viajaria muito longe de qualquer maneira. Novato como era, Won não tinha a mesma resistência que um viajante experiente no interior e rapidamente esgotaria suas reservas de energia. Seria mais prudente se preservar para o dia seguinte, quando o clima seria menos traiçoeiro.
Caesar devolveu seu cantil à bolsa e cruzou os braços. Amanhã, talvez, ele fosse dizer olá. Ele sorriu com o pensamento. O número de vezes que Caesar poderia ter terminado essa pitoresca diversão e Won não fazia ideia, eram grandes. Se Caesar tivesse se inclinado a isso, toda essa coisa poderia ter acabado quase antes de começar. Caesar, no entanto, não estava interessado em ganhar ou perder. Em um jogo com Won, esses aspectos não eram o objetivo. Não, Caesar tinha outras motivações mais tentadoras.
Nomeadamente, este pequeno jogo de gato e rato era muito mais agradável do que ele havia previsto. Colocar Won em sua mira, espreitar bem perto dele, recuar para deixar Won escapar, apenas para fazer tudo de novo, era mais satisfatório do que tinha o direito de ser.
Dmitri estaria espumando pela boca se soubesse.
Caesar quase riu alto, mas de repente sentiu uma mudança no ar. Sua Beretta estava fora do coldre, seu dedo no gatilho antes que ele estivesse conscientemente ciente do movimento, a única coisa que conteve sua mão foi o conhecimento de que havia apenas outro ser vivo na área de jogo, caso contrário, ele teria atirado.
Um suspiro de silêncio e Won se materializou da névoa e pulou nele. — Peguei você.
Caesar soltou um “oof” exagerado quando suas costas atingiram o chão. — Você deveria ter mais cuidado. — Ele soou petulante, mas havia um brilho divertido em seus olhos. — O que você faria se tivesse me dado uma concussão?
Won lhe lançou um olhar duro, certo de que Caesar saboreava a maneira como Won estava atualmente montado em seu peito. Won sacou seu Colt. — Eu atiro agora, acabou. Caesar piscou, os olhos vagando para o revólver. — Você deveria ter escolhido outra arma de fogo — comentou ele, com uma leve ruga na testa. — Esta não combina com você de jeito nenhum. Agora, algo mais sexy — uma Beretta, digamos-…
Won girou a arma na mão, segurando-a pelo cano, e esmagou a coronha na têmpora de Caesar.
Desta vez, não houve som de Caesar. Ele apenas olhou para Won, olhos rápidos como mercúrio arregalados. Won supôs que a falta de resposta significava que o golpe realmente havia doído desta vez.
— E agora? — perguntou Won, inclinando-se para perto. — Sexy o suficiente para você?
O murmúrio de concordância pareceu mais automático do que um reconhecimento verdadeiro. Sangue brotou da testa de Caesar, a mancha sanguínea destacando-se contra a pele pálida, mas Caesar ainda o encarava, lábios ligeiramente entreabertos, como se Won fosse um quebra-cabeça que ele não conseguia montar. Outro piscar, e a expressão de Caesar relaxou de volta à sua serenidade usual.
— Como você me encontrou? — Caesar parecia mais curioso do que qualquer outra coisa.
— O quê? Por que você estava tão bem escondido? — Won zombou, mantendo seu Colt apontado para Caesar. — Foram mal vinte minutos de caminhada.
Caesar deu de ombros. — Imaginei que você perceberia logo.
Os olhos de Won se estreitaram. — Por que você viria me procurar? É isso?
A boca de Caesar se contraiu e ele levantou uma mão para acariciar a bochecha de Won. O calor de seus dedos enviou arrepios deliciosos pela espinha de Won e ele sentiu um calor se acumular em sua barriga, mas forçou seu rosto a permanecer impassível. Ele rezou para que seu pau não o traísse ficando duro.
— O que me entregou? — Caesar perguntou em um murmúrio sensual.
Won franziu os lábios. — Você está espreitando atrás de mim esse tempo todo, não está? Eu já teria te visto antes se não estivesse. E eu sei que se você estivesse realmente tentando, já teríamos nos encontrado
Won zombou, olhando um pouco furioso. — Ou você está me evitando de propósito, ou me seguindo, nenhum dos dois é muito esportivo, não é?
Caesar teve a audácia de rir. — Você me pegou.
“Eu sou quem foi pego”, Won resmungou para si mesmo. Caesar bem poderia ter confessado ter deixado ele acreditar que eles estavam em pé de igualdade, enquanto Caesar realmente o estava tratando como uma criança cujos pais a deixam ganhar no carteado para fazê-la feliz; ele não seria tão blasé sobre Won o encontrar de outra forma.
Won mordeu a parte interna do lábio; Caesar provavelmente o estava espiando enquanto ele se masturbava. E isso significava que ele nem sequer o estava tratando como uma criança, não é? Won era apenas um brinquedo bobo em seus olhos. Um brinquedo.
E de repente, Won estava ainda mais furioso do que antes.
— Bem, é isso, não é? — perguntou Caesar com alegre ignorância. — Você ganhou, limpo e justo.
— Limpo e justo? — exigiu Won, arrancando a mão de Caesar de sua bochecha.
Caesar pareceu surpreso. Duplamente surpreso quando tentou recolocar a mão e Won não deixou. Ele inclinou a cabeça e abaixou o queixo, estudando o homem acima dele.
Won retribuiu o olhar com olhos escuros e malévolos. — Você não vai me tocar agora.
— E por que não? — perguntou Caesar, a voz fraca.
Won zombou. — Porque você me enoja. — Ele deixou isso penetrar antes de continuar.
— É patético, deixar seu oponente vencer. É feio e desprezível. Você nem consegue me excitar quando estou sentado bem em cima de você.
Won se inclinou, aproximando-se cada vez mais, até que suas respirações se misturaram e seus lábios se roçariam se ele se movesse mais perto.
— Caesar…
Caesar sobressaltou-se, com a menor contração. Won pôde sentir a mínima inspiração. Ele permaneceu onde estava, encontrando o olhar de Caesar por baixo de seus cílios.
— Eu quero que você me deixe duro. Que me faça gemer e implorar pelo seu pau. Me devore por completo. Você vai fazer isso, não vai?
Won manteve o olhar de Caesar enquanto se endireitava. Caesar não havia dito uma palavra, mas Won não precisava de confirmação verbal quando podia sentir o quanto a ideia o excitava.
— Você me deve agora — disse Won a ele. Ele inclinou a cabeça e olhou Caesar de cima a baixo. — Eu quero que você se lembre que eu te poupei. — Ele devolveu o Colt ao coldre.
— Então… vamos tentar isso de novo?
Caesar sorriu e Won se levantou para deixá-lo se levantar.
— Quando começamos? — perguntou Won enquanto Caesar se limpava.
— Eu te dou dez segundos. E você deveria correr, correr, o mais longe que puder porque assim que eu chegar a dez… — Olhos brilhando de sede de sangue, Caesar percorreu o corpo de Won com o olhar —… eu vou te encontrar, te pegar, e te foder até você não aguentar mais.
Houve um instante de silêncio.
— Um. Dois…
Won já estava correndo, disparando para a floresta, o coração martelando em seu peito. Era isso. Isso era real. Caesar iria para a jugular, nada dessa merda mole. O verdadeiro Caesar, caçando-o com suas habilidades quase sobrenaturais.
Era exatamente o que Won queria. Ele não teria emboscado Caesar de outra forma.
Ele queria provocá-lo porque agora o jogo poderia realmente começar. O corpo de Won cantava, o sangue borbulhava em suas veias com adrenalina, impulsionado pelo zumbido rápido como o de um beija-flor de seu coração. Ele desceu a trilha arborizada aquela que ele havia escolhido antes de ir até Caesar e rapidamente se afastou.
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Continua na parte 3…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna
Ler Roses and Champagne Yaoi Mangá Online
Ler o Manhwa Roses and Champagne Completo em Português Grátis Em um mundo de alto risco, Lee Won, um advogado lutando para sobreviver, se vê enredado em uma teia de intriga e perigo. Quando ele cruza o caminho de Caesar, um formidável chefe da máfia, descobre uma conexão oculta entre o Conselheiro Municipal Zdanov e o crime organizado. À medida que Lee Won se aprofunda no caso, desvenda uma conspiração sinistra que ameaça despedaçar o frágil equilíbrio da cidade. Preso entre a lei e o submundo, ele deve navegar por um jogo mortal de poder, decepção e desejos proibidos. A cada passo, o mundo de Lee Won se entrelaça com o de Caesar, enquanto ambos enfrentam seus próprios motivos ocultos e tentações proibidas. Em meio a noites regadas a champanhe e o aroma de rosas em flor, uma atração perigosa surge entre eles. À medida que os riscos aumentam e o perigo se intensifica, Lee Won deve escolher entre seus princípios e o fascínio do proibido. Em um mundo onde lealdade e traição se confrontam, ele precisa encontrar uma maneira de expor a verdade e proteger a si mesmo e aqueles que ama. Nesta envolvente história de amor, traição e a intoxicante luta pelo poder, Roses and Champagne explora a intricada dança entre desejo, dever e a frágil linha entre o bem e o mal.
Nome alternativo: Rosas Y Champagne Rosas E Champanhe Roses