Ler Roses And Champagne – Capítulo Side Story 01 Online

❬ Side Story 01 ❭
— Vou ficar ocupado no próximo mês.
A faca de Caesar parou no meio do corte do próximo pedaço de bife. Nada foi dito, mas Won podia sentir o olhar dele sobre si, que ele diligentemente ignorou, fingindo estar absorto em cortar seu próprio bife em quadrados perfeitos.
O silêncio era pesado, opressivo e desconfortável contra o murmúrio requintado do restaurante e das mesas quase privativas. Mesmo assim, Won permaneceu firme em não encarar Caesar.
Ouviu Caesar pousar os talheres, entrelaçar as mãos no colo e recostar-se na cadeira.
— Por que um mês?
Won disfarçou seu calafrio de apreensão levando um pedaço de bife à boca. Mastigou, engoliu.
— Um novo caso. Acabou de surgir. — Sentindo que Caesar estava prestes a interromper, acrescentou: — Eu ainda tenho um trabalho, sabe; não posso simplesmente ignorar meus clientes.
Nenhuma resposta. Won concentrou-se em serrar o bife com tanta força que seus talheres rangeram no prato.
— Você ainda não explicou por que precisa ser um mês.
Won respirou fundo. Como advogado, ele era bastante hábil na arte da prevaricação – podia ser evasivo como os melhores, escorregar para fora de qualquer informação reveladora mesmo com um discurso de cinco mil palavras e uma apresentação de slides, se quisesse.
O problema era que Caesar sabia disso. Isso só o tornava mais obstinado; mas eles já haviam passado por essa dança antes, e Won veio preparado.
— A situação é um pouco… delicada — disse com todo a despreocupação que conseguiu reunir, ao som do ranger de seus talheres. — Ainda estamos no período de descobertas, então há pesquisas a fazer; e, se formos a julgamento, preciso ter depoimentos e intimações prontos. Testemunhas preparadas. — Moveu o garfo no ar para dar um ar ainda mais despreocupado. — Um acordo extrajudicial seria o ideal, claro — voltou a atacar seu bife — assim talvez evitemos o julgamento, mas isso significa reunir mais provas para pressioná-los a negociar antes de qualquer audiência-…
Inserindo jargões jurídicos e divagações desnecessárias onde coubessem, Won prolongou a explicação o máximo que pôde.
Com a expressão impassível, Caesar ouviu tudo até Won finalmente esgotar o repertório. Caesar esperou um momento para ter certeza de que ele terminara, então:
— Nada disso explica um mês inteiro.
— É muita coisa— Irritado, Won interrompeu-se. Evasivas: fracassadas. Melhor não desperdiçar o fôlego.
“É como falar com uma porcaria de uma parede”, resmungou mentalmente, os lábios se apertando enquanto serrava o restante do bife em quadrados cada vez menores. “Pelo menos a parede é bonita.”
Won soltou um riso abafado, mentalmente se dando um tapa. Isso nem deveria estar em discussão; se ele estivesse ocupado, estava ocupado! Não devia ter que se curvar aos caprichos de Caesar só para fazer seu trabalho.
Indignado com a injustiça, sua falsa equanimidade vacilou, e os talheres pararam de ranger. Então, sentiu o olhar penetrante de Caesar, cáustico e acusatório. Aquele era o olhar que fazia crianças chorarem, criminosos endurecidos tremerem nas botas e animais selvagens fugirem em terror. As chances de Won resistir a ele eram quase risíveis.
“Ótimo.” Ele queria gritar. “Nada disso estaria acontecendo se Caesar não fosse um tarado insaciável.”
O homem era como um animal no cio perpétuo. Won provavelmente ficaria impressionado e desconfiado com o vigor e a voracidade de Caesar se não fosse o alvo deles. Assim, o sexo constante estava enlouquecendo-o, beirando o perigo à saúde, e Won estava desesperado por uma pausa.
Não que pudesse simplesmente dizer isso a Caesar. “Ei, seu ‘brinquedão’ e libido absurda estão virando um problema. Que tal a gente, sei lá, não transar como coelhos por um tempo?”
Sim, isso cairia muito bem.
Resignado a ceder, Won engoliu suas reclamações com um gole de vinho.
— Talvez menos de um mês — concedeu. — Se eu virar algumas noites.
— Quanto tempo?
— Vinte dias…?
A reprovação fulminante no olhar de Caesar intensificou-se. Não parecia bom.
— Quinze dias…? — Won tentou. Certamente Caesar sobreviveria duas semanas.
Caesar piscou, reposicionou-se na cadeira. Won se agitou, mordendo o lábio.
O concurso de encaradas começou.
Não demorou para Won ceder.
— Tá bom! Tá bom, dez! Dez! Não menos que isso. Eu também preciso dormir e comer, seu canalha.
— Certo. — Um pequeno sorriso curvou os lábios de Caesar. — Dez dias.
Sua voz era baixa, carregada de uma alegria ameaçadora. Ele arqueou uma sobrancelha, cheia de intenção. Won engoliu seco e esvaziou o resto do vinho de um gole só, de um jeito que Caesar certamente chamaria de inculto.
“Por que eu sempre acabo cedendo?” pensou Won, evitando o olhar triunfante de Caesar. “Dez dias… Deus me ajude.”
✦ ✦ ✦
Isso simplesmente não era justo.
Por que Won era quem tinha que se sentir culpado? Ele furou a pilha de formulários em suas mãos com o olhar, sem absorver uma única palavra.
“Não é como se eu tivesse mentido.” Ele sabia – ele simplesmente sabia – que, se tivesse mentido, Caesar teria descoberto. Não sabia como, nem porquê, mas Caesar saberia.
Então… ele não mentiu. Sim, ok, talvez tenha exagerado um tiquinho. Um petit soupçon de margem, só isso. Totalmente inofensivo. Todo mundo sabe que é preciso ser generoso com orçamentos e planejamentos; isso não era diferente. Não havia razão para contrição da parte dele, porque não havia motivo para se sentir mal –!
(Petit Soupçon = Expressão Francesa para ˜Pequena Suspeita/Pequeno Traço˜, mas nesse contexto significa ˜Um pouquinho˜)
– Sr. Lee?
Uma voz frágil o tirou de seu monólogo interno. A alguns passos, uma idosa discreta — sua cliente — olhava para ele com preocupação nítida no rosto.
Sacudindo-se, Won deu uma última olhada nos documentos antes de recolocá-los na pasta e entregá-la à mulher.
— Isso deve resolver — disse ele com um aceno. — Queria poder ter recuperado todos os pertences do seu marido para você; você ficará com a maior parte, mas sinto muito por não conseguir o resto.
— Oh, não seja bobo, querido. — A cliente tentou injetar leveza na voz, mas parecia prestes a chorar. — Eu tinha certeza de que perderia tudo, mas então você apareceu e foi como um milagre. Sou tão grata. Deus o abençoe, Sr. Lee, Deus o abençoe.
Won sorriu e a ajudou a sair de seu escritório (leia-se: sala de estar) e garantiu que ela descesse as escadas com segurança, antes de fechar a porta, respirar fundo e desabar contra a madeira.
Por um minuto, ele ficou ali, olhos fechados, sustentado pelo batente.
Por fim, esfregou as mãos no cabelo e olhou em volta com aquela sensação de desorientação que só vem com um déficit severo de sono. Tudo parecia distante, embaçado e inchado.
Seus olhos pousaram no espelho no canto.
Ele estava um lixo.
Cabelo oleoso, tez acinzentada, barba por fazer, olhos vermelhos com olheiras escuras combinando. “Isso é o que acontece quando você dorme uma hora nos melhores dias. Você vira uma bagunça.”
Respirou novamente, passando a mão pela barba por fazer, o cérebro funcionando em câmera lenta. Ele nunca precisou correr tanto no trabalho antes. Então, logicamente (seu cérebro chegou lá eventualmente), ele pareceria mais acabado que o normal. Nada para se preocupar.
“Mas, que dia era hoje, mesmo?”
Seus olhos se estreitaram, a visão um pouco turva, enquanto escaneava o ambiente. Mentalmente, pesou os méritos de se lavar antes de desmaiar contra cair direto na cama. Finalmente, seu olhar pousou no calendário.
Houve um piscar de olhos de coruja, seguido por uma inclinação de cabeça.
Tudo que ele via era um círculo vermelho berrante em caneta permanente e uma estrela mal feita. Demorou muito para perceber que tinha sido ele mesmo quem marcara o calendário e que a anotação gritante indicava a data em que os dez dias teriam passado.
Que era hoje.
Oh.
Merda.
Levantando os braços e puxando a camisa, fez um rápido teste de B.O. (não passou) e xingou seu eu passado por não ter insistido em um mês.
(B.O = Body Odor/Cheiro corporal)
Não, não. Caesar já o mantivera refém em sua casa por tentar sair. Se Won pedisse mais tempo – mesmo que temporário – Caesar era capaz de arrastá-lo para a Sibéria e nunca mais deixá-lo sair de vista.
Gemendo, Won enfiou as mãos no cabelo e esfregou até que estivesse todo arrepiado.
“Melhor tomar um banho.”
Banho, barba e lavar o cabelo. Ele se entregou ao cansaço.
“Mas isso é normal… né? Se importar com isso?” Ele estava meio nojento, ele admitia.
“Realmente não deveria encontrar ninguém nesse estado de sujeira. Especialmente não Caesar.”
Só de pensar, ele estremeceu.
“Mas! Não estou fazendo isso por Caesar. Não, senhor, com certeza não estou. Isso é higiene básica, autocuidado mínimo como adulto funcional. Estou tomando banho porque é importante estar apresentável na sociedade. É saudável e responsável e eu não deveria dormir na minha cama assim.”
(Embora ele quisesse muito, muito mesmo.)
Irritado, deixou as roupas no chão em um rastro até o chuveiro, entrou e girou a torneira para quente.
Ele esperou.
Demorou um segundo para o problema penetrar a névoa mental e a irritação: ele estava no chuveiro, chuveiro na mão, torneira aberta – onde estava a água? Como se fosse uma piada, uma única gota solitária caiu da torneira, fazendo um plink solitário ao cair gelada no dedão de Won.
Os canos estavam congelados.
“Merda.”
Vestindo seu casaco e alguns chinelos, Won desceu as escadas correndo, rumo aos chuveiros coletivos. Conseguiu chegar até a metade do corredor do primeiro andar antes de ser bloqueado por um grupo de homens em vários estados de desleixo.
Havia uma fila. Aparentemente.
Won mordeu o lábio e esticou o pescoço para tentar contar quantas pessoas estavam à sua frente e quanto tempo isso poderia levar.
— Sr. Lee.
A voz estava tão perto que fez Won se assustar, mas era suave e cordial, e ele sorriu ao se virar e ver Nikolai atrás dele. — Sr. Kuznetsov, olá.
— Também ficou sem água, hein?
— A humilhação da vida de pensão, — Won disse, balançando a cabeça.
Nikolai riu. — É sempre bom vê-lo, Sr. Lee.
Eles conversaram um pouco, ambos de casacos de inverno e quase nada mais. Pelo menos Won tinha calçado chinelos, então estava um pouco melhor que outros na fila. Os pés de Nikolai estavam descalços, o que parecia ser um arrependimento; ele ficava alternando o peso entre um pé e outro para não deixar nenhum no chão frio por muito tempo.
A fila andava devagar. Eles conversaram mais um pouco. Adotando uma postura similar à de Won antes, Nikolai inclinou-se para o lado e olhou para o fim da fila.
— Eles caíram no chuveiro? Viraram Rapunzel e se afogaram em montanhas de cabelo?
Ele falou alto o suficiente para ser ouvido, mas era bem-humorado. Embora não fosse exatamente divertido ficar no corredor gelado com um monte de homens (quase) nus, todos eram vizinhos. Mesmo assim, os cinco que estavam no chuveiro estavam demorando uma eternidade.
As pessoas à frente deles arrastavam os pés, também ficando impacientes.
— Acho que pode esperar — um comentou. — Você não precisa tomar banho todo dia, né? Ele parecia mais estar tentando se convencer do que qualquer outra coisa.
Todos concordaram.
— Dois dias, até você ficaria bem.
— Ah, uma vez por semana já é o suficiente.
— Minha avó dizia que não devemos lavar demais porque a sujeira é um bom isolante. Limpa tudo e você fica com frio.
— Bah, não é como se alguém estivesse por perto para me ver mesmo!
— Mesmo se alguém estivesse, dá para deixar as luzes apagadas. Não dá para perceber no escuro, né?
O último homem fez algumas sobrancelhas sugestivas, e todos riram, orgulhosos de sua lógica irrefutável. E era bem convincente, Won e Nikolai já estavam hesitando no fim da fila, prestes a desistir da ideia do banho, quando houve uma pausa na conversa.
E, por alguma coincidência terrível, foi exatamente quando o som de um carro parando lá fora chegou aos seus ouvidos.
“Oh não.”
Enquanto a fila voltava a conversar, Won foi tomado pelo puro terror, seus olhos grudados na porta no fim do corredor.
— Sr. Lee? — Nikolai chamou, percebendo o desconforto de Won. — Algum problema?
Mal as palavras saíram da boca de Nikolai, a porta se abriu.
Lá, emoldurado na entrada, estava Caesar em toda sua glória, casaco de pele luxuoso, terno sob medida, relógio cravejado de diamantes, sapatos italianos de couro personalizados. Nem um fio de cabelo fora do lugar.
Se fosse qualquer outra ocasião, parecer um troll não lavado poderia ser motivo de constrangimento, mas Won não poderia se importar menos com sua aparência quando sua mente estava inundada de horror ao ver o que Caesar trazia nas mãos:
Rosas e champanhe.
O estômago de Won deu um nó. O champanhe era Dom Pérignon, o buquê tão grande que beirava o desajeitado. Ele teve que forçar seus pulmões a continuarem funcionando porque o resto dele estava enraizado no lugar, chocado demais para fazer qualquer coisa além de ficar boquiaberto para o homem na porta.
Um silêncio se espalhou pelo corredor enquanto Caesar observava a turma heterogênea diante dele: uma fila inteira de homens, alguns de pijama, outros apenas de meias, mas a maioria descalça e nua sob os casacos de inverno, tornando-se ainda mais evidente pelas pernas nuas que apareciam na parte inferior.
Os olhos da fila piscaram para Caesar, uma figura inumanamente perfeita, parada no limiar. Ele encarou de volta. Todos se mexeram desconfortavelmente, o pequeno sorriso que Caesar trazia já há muito desaparecido.
Ele não viu Won de início. Won sabia por que no exato momento em que Caesar o avistou no final da fila, as rosas caíram no chão. Os moradores da pensão arregalaram os olhos para o baque que fizeram ao bater no chão, mas Caesar não estava mais olhando para eles.
Ele estava olhando para Won.
Won, que vestia apenas um casaco e alguns chinelos surrados. Ele sentiu o olhar duro de Caesar percorrer a pele nua de suas pernas, depois subir novamente.
— Qual é o significado disso? — Caesar estava praticamente rosnando, seus dentes estavam tão cerrados.
Won franziu os lábios. — Estamos esperando pelo chuveiro. Os canos congelaram.
— Como é?
Com alguma apreensão, Nikolai escolheu aquele momento para intervir. — Sr. Lee? — Ele colocou uma mão sobre o ombro de Won para chamar sua atenção. — Este cavalheiro parece um cliente. Talvez você deva dizer para ele esperar por você lá em cima?
Focado em Won, Nikolai não percebeu o perigo até que fosse tarde demais. Em um movimento rápido, Caesar estava no corredor e tinha o pulso de Nikolai em uma garra de aço.
— Quem — ele começou a torcer — você pensa que está tocando? — A voz de Caesar era baixa, ameaçadora.
Nikolai ficou pálido, tremendo de medo e dor.
— Ei, pare! — Won agarrou o braço de Caesar, tentando puxá-lo para longe.
— Oh, eu já chego em você — Caesar zombou, os olhos nunca deixando Nikolai. — Depois que eu terminar com ele.
Won inspirou profundamente, um calafrio percorrendo-o. Ele havia esquecido: esquecido como Caesar era quando não eram apenas os dois; esquecido quem Caesar era quando não estava olhando; esquecido o predador escondido logo abaixo da pele.
A boca de Nikolai abriu como se ele fosse gritar, mas o único som foi um grunido prolongado, como o ar sendo forçado para fora de um balão.
Won não tinha tempo para lidar com a identidade de Caesar agora.
— Se você não soltá-lo agora, Caesar, que Deus me ajude!
Olhos cinzentos giraram para encará-lo de soslaio. Won endireitou os ombros e ergueu o queixo.
— Solte-o, ou eu nunca mais falo com você.
O impasse durou um momento a mais, Won exalando desafio, desafiando Caesar a chamar seu blefe; Caesar estudando-o, a pele ao redor de seus olhos tensa.
Lentamente, o aperto de Caesar afrouxou.
Com um gemido de dor, Nikolai agarrou sua mão no peito, ofegando por ar. A mão estava vermelha violenta enquanto a circulação voltava, mas Nikolai acenou para Won para dizer que estava bem.
Crise evitada, os ombros de Won caíram, toda a tensão drenando dele – apenas para tudo voltar com força total quando ele avistou Caesar caminhando em direção à entrada para pegar as rosas no chão.
Ele não tinha seriamente a intenção de dá-las a Won… tinha? Ele deve ter tido, e Won não estava aceitando nada disso.
— Eu te mato se essas forem para mim.
Caesar ficou rígido exatamente quando seus dedos tocaram os longos caules das rosas. Ele se endireitou, deixando o buquê no chão enquanto retornava, encarando Won o tempo todo, mas Won estava muito ocupado furioso para prestar atenção em Caesar.
Passando a língua pelos dentes, ele trabalhou a mandíbula, já considerando cumprir sua ameaça anterior de nunca mais falar com Caesar. Flores? Sério?
Por que ele concordou em ficar com esse homem, ele não tinha a menor ideia.
Finalmente, a porta dos chuveiros se abriu e o grupo agora limpo de homens saiu em uma nuvem de vapor.
— Glorioso, simplesmente glorioso — um proclamou.
Outro suspirou de contentamento. — Nada como um banho quente em um dia frio.
Um terceiro homem avistou a fila. — Droga, nós demoramos um pouco – desculpe, vizinhos!
Obviamente se sentindo revigorados, o quinteto compartilhou algumas brincadeiras bem-humoradas com os homens esperando do lado de fora, todos dizendo oi para Won enquanto passavam.
Won acenou de volta e se preparou para entrar nos chuveiros quando uma mão em seu ombro o deteve.
— Espere. — Os olhos de Caesar saltaram entre os chuveiros e os homens saindo.
— O que… para onde você está indo?
— Tomar um banho; os canos congelaram, lembra?
— Banho? Aí dentro? — Caesar parecia escandalizado com a própria ideia.
Arqueando uma sobrancelha, Won lançou um olhar para Caesar; mas antes que pudesse retrucar, Nikolai passou por eles e entrou no chuveiro, inadvertidamente deixando o que estava acontecendo lá dentro em plena exibição.
Os quatro homens já nos chuveiros estavam tirando casacos e chinelos, restando apenas cuecas e camisas de dormir, cada um deles extremamente e inequivocamente nu.
O aperto em seu ombro se intensificou.
Won zombou. — Sim, lá dentro.
Caesar o pegou pelo braço e eles estavam a meio caminho para fora do prédio antes que Won sequer terminasse de revirar os olhos.
Quando Won recobrou o juízo, eles não estavam mais perto da pensão. Olhando com desagrado enquanto ruas e edifícios desconhecidos passavam pela janela, ele supôs que não adiantava ficar emburrado. Ele não podia exatamente sair e andar pela cidade depois de não tomar banho há sabe-se lá quanto tempo.
Ele olhou para seus chinelos desfiados. Sim, essa definitivamente não era uma opção. Se ele tentasse sair agora apenas com um casaco e algumas meias glorificadas no meio do inverno, ele congelaria até a morte ou seria preso como um suspeito de exibicionismo.
˜Prefiro não ter ‘indecência pública’ em minha ficha, obrigado. ˜
Com um suspiro resignado, ele afundou em seu assento e estudou a garrafa de Dom Pérignon presa no console central.
Caesar havia mantido um controle firme sobre isso, pelo menos. Pequenas misericórdias.
Won soltou um bufo sarcástico. Dom Pérignon. Quando Won fosse beber champanhe, ele iria procurar a garrafa mais empoeirada na prateleira de descontos e esperaria que não estivesse totalmente sem gás.
˜Ugh. Rosas. Champanhe. Espere, não me diga. O próximo seria o restaurante exclusivo, Caesar me alimentaria com caviar preto embebido em óleo de trufa ou qualquer outra coisa que fosse escandalosamente cara, então iríamos transar. ˜ Won já podia ver. Estava ficando velho, para ser honesto.
Won já havia tido encontros antes. Muitos deles. Ele até teve parceiros de longo prazo. Mas todos eles foram mulheres, e ele não tinha ideia de como cortejar um homem, por falta de um termo melhor.
Braços cruzados, ele mordeu o canto do lábio enquanto ruminava. Ele provavelmente havia se precipitado um pouco na casa de Mikhail, ele podia admitir isso. Sua impulsividade chocou até ele, para dizer a verdade. Mas o que estava feito estava feito; e, por mais que ele relutasse em admitir, havia algo entre ele e Caesar, algo que os atraía para a órbita um do outro e se recusava a soltar.
Ele não conseguia explicar, mas sabia que estava lá, aquela atração inexplicável, trazendo-os de volta um para o outro repetidamente e ele não ia lutar contra isso. Ele sabia o que Caesar havia feito, as coisas horríveis que ele havia sido forçado a suportar. Ele não havia esquecido, mas essas coisas estavam enterradas profundamente agora, trancadas em uma caixa e jogadas nas profundezas de seu subconsciente porque essas coisas eram intratáveis diante de seus sentimentos e, por mais que ele odiasse, ele não podia desfazer nem o que havia passado nem seu apego, então ele fez a melhor coisa seguinte: fingiu que não havia acontecido.
E ainda assim. A boca de Won se contraiu em um beicinho frustrado.
De certa forma, esse era o elefante na sala, não era? O desejo sexual de Caesar? Seu apego? Não deveria ter sido possível fazer tanto sexo; mas não importa o quanto eles fizessem, Caesar simplesmente continuava e continuava… e ele nunca parecia ter o suficiente de Won.
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Continua na parte 2…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna
Ler Roses and Champagne Yaoi Mangá Online
Ler o Manhwa Roses and Champagne Completo em Português Grátis Em um mundo de alto risco, Lee Won, um advogado lutando para sobreviver, se vê enredado em uma teia de intriga e perigo. Quando ele cruza o caminho de Caesar, um formidável chefe da máfia, descobre uma conexão oculta entre o Conselheiro Municipal Zdanov e o crime organizado. À medida que Lee Won se aprofunda no caso, desvenda uma conspiração sinistra que ameaça despedaçar o frágil equilíbrio da cidade. Preso entre a lei e o submundo, ele deve navegar por um jogo mortal de poder, decepção e desejos proibidos. A cada passo, o mundo de Lee Won se entrelaça com o de Caesar, enquanto ambos enfrentam seus próprios motivos ocultos e tentações proibidas. Em meio a noites regadas a champanhe e o aroma de rosas em flor, uma atração perigosa surge entre eles. À medida que os riscos aumentam e o perigo se intensifica, Lee Won deve escolher entre seus princípios e o fascínio do proibido. Em um mundo onde lealdade e traição se confrontam, ele precisa encontrar uma maneira de expor a verdade e proteger a si mesmo e aqueles que ama. Nesta envolvente história de amor, traição e a intoxicante luta pelo poder, Roses and Champagne explora a intricada dança entre desejo, dever e a frágil linha entre o bem e o mal.
Nome alternativo: Rosas Y Champagne Rosas E Champanhe Roses