Ler Pôquer Sangrento (Novel) – Capítulo 03.4 Online

Blood Poker 03, Parte 4
Ao redor da loja de departamentos, as pessoas se aglomeravam mantendo uma certa distância. Pessoas de todos os tipos mostravam reações variadas, mas os que mais se destacavam eram certamente os familiares das vítimas. O som de lamentos dilacerantes cercava o prédio incessantemente.
Seguindo a linha de segurança em direção ao veículo militar, Beren estava ao telefone com Jaeil.
— Não tem mais nada para fazer. Apenas mantenha o seu posto. Você sabe. Se houver pelo menos um de nós com autoridade lá, eles não vão tratar nossos garotos como cães.
[Sim. Entendido. Não se preocupe.]
— Porra, e daí se não está em 90%? Eles só vão cair na real quando virem uma cabeça explodindo na frente deles.
Por mais fortes que fossem, os Espers tinham o efeito colateral gravíssimo do surto. Se o surto ocorresse simultaneamente em vários deles por uso excessivo de habilidades, isso também sobrecarregaria os guias, e se até os guias perdessem o vigor físico, o ciclo vicioso seria inevitável. Para uma guerra de longo prazo, o controle de ritmo era essencial. No entanto, o comando das forças comuns, que não conhecia bem o estado dos Espers e nem parecia querer saber, estava ansioso apenas para colocar os sensitivos na linha de frente.
Eles devem achar que sensitivos têm três ou quatro vidas.
Beren, que precisava dizer a um Esper que tivera uma parada cardíaca para voltar ao campo de batalha, estava com os nervos à flor da pele.
As patentes dos sensitivos e das forças especiais comuns tinham sistemas duais. Embora o objetivo de segurança fosse o mesmo, os Espers lidavam com monstros e os soldados das forças especiais com terroristas; os alvos eram diferentes. Quando o tamanho do inimigo era grande demais e a força de apenas um lado era insuficiente, como agora, eles cooperavam, mas como não compreendiam perfeitamente o mundo um do outro, problemas eram frequentes.
Após o centro de guiamento se tornar um Oni-Cube, o alto comando integrado executou uma operação secreta. Espalharam o boato de que o equipamento de medição de pulso estava obsoleto e dando erros, e instalaram equipamentos de medição de pulso duplos. Naturalmente, a localização foi mantida como sigilo de nível 1.
A lógica do alto comando era a seguinte: o centro de sensitivos era a coordenada de um equipamento de medição de pulso que ninguém conhecia. Alguém destruí-lo artificialmente e causar o Oni-Cube era claramente obra humana, um ato terrorista. Além disso, descobrir a localização que apenas o comando, ou seja, de coronel para cima, sabia, significava que havia um inimigo equivalente a essa patente.
As táticas e a capacidade de resposta inicial dos Espers, acumuladas ao longo de décadas, eram quase perfeitas. No entanto, se o equipamento de medição de pulso não cumprisse seu papel, a resposta inicial seria lenta e as perdas humanas seriam graves. O avanço tecnológico do inimigo, que criou até Teratomas, era uma ameaça. O Oni-Cube da loja de departamentos de hoje era prova disso. Estava claro que, se não pegassem o culpado, não apenas Haon, mas toda a NEO seria abalada.
Para descobrir o objetivo dos terroristas, era preciso primeiro distinguir amigos de inimigos. E para distingui-los, era necessário um filtro, que era o equipamento de medição de pulso instalado secretamente em dobro.
Até agora, o caos que eles causaram fora tão irregular que não era possível captar exatamente qual era o objetivo. Enquanto esperavam o momento certo com informações insuficientes, a loja de departamentos do Setor 8 tornou-se um Oni-Cube. Desta vez também, como não detectaram o pulso, o dano foi extremo. O dia de hoje, em que o número de mortos passou das centenas, seria registrado como uma catástrofe que marcaria a história da NEO.
No entanto, os inimigos caíram como patinhos no equipamento de medição de pulso instalado em dobro. Parecia que eles queriam concentrar toda a atenção de Haon no incidente da loja de departamentos para planejar outra coisa, mas isso acabou sendo a ruína deles. Foi uma sorte imensa que eles não souberam que o que jogaram como isca era, na verdade, uma armadilha para pegá-los.
Beren estava indo para lá, deixando Jaeil na loja de departamentos em seu lugar. Aquele era o lugar que enviava o sinal de que eles caíram na armadilha, e também o lugar onde soldados das forças especiais comuns e terroristas deveriam ser aniquilados. Por isso, Beren desejava ainda mais fervorosamente poder pegar o corpo, e não apenas a cauda.
Para evitar ao máximo o vazamento de informações, as saídas também tiveram intervalos de tempo. Beren, que manteve seu posto até o último momento, observou com um olhar lamentável a situação da loja de departamentos, que agora estava quase finalizada.
— …….?
Logo antes de entrar no carro, o olhar de Beren dirigiu-se a um ponto específico. Ele descobriu, na tenda de primeiros socorros para os feridos, uma pessoa que não combinava em nada com aquele espaço. Além disso, como o olhar daquela pessoa também estava voltado para cá, foi mais fácil notar.
Beren, na verdade, não gostava de Daniel. Ele fora desagradável desde a primeira impressão. Embora estivesse claro que ele olhava para os sensitivos com desdém, ele apenas exibia sorrisos gentis. O modo como ele se apresentava como alguém que cuidava afetuosamente, enquanto olhava para cada sensitivo como se fossem cobaias, era arrepiante. Outros podiam não ver, mas os olhos de Beren ele não enganava.
— O que aquele desgraçado está tramando?
Por que um médico do centro viria até aqui e se voluntariaria para tal trabalho? Daniel, que tinha seus limites bem estabelecidos, jamais seria do tipo que se voluntariaria para vir a um lugar sujo como este.
Daniel, que encontrou o olhar de Beren, arqueou as sobrancelhas. Naquele lugar onde lamentos e soluços eram constantes, apenas ele agia com serenidade. Era a imagem de um espectador racional a ponto de ser cruel.
Beren inclinou a cabeça para fazer um cumprimento mínimo, mas Daniel tinha um rosto que sugeria que a aparição de Beren fora inesperada. E então, ele moveu apenas os lábios para transmitir uma mensagem. Como sua intenção não parecia ser transmitir som, Beren acabou lendo o movimento de sua boca imediatamente.
“Onde você está indo com tanta pressa?”
Com o status de um simples médico, Daniel não teria como saber da operação de Beren. Como ele dizia aquilo com um rosto estranho, como se estivesse realmente lamentando por algum motivo, Beren ficou ainda mais desconfiado. Que sujeito astuto. Beren apenas inclinou a cabeça como no início e entrou no veículo.
↫────☫────↬
O lugar que enviou o pulso era uma área residencial onde se concentravam figuras políticas da classe alta. Não havia prédios altos, mas havia a dificuldade de vasculhar entre as mansões de luxo. Como o interior da loja de departamentos já estava quase todo dominado, a maioria dos Espers já havia partido para lá, e o restante estava se preparando para ir junto com os guias. A equipe de Kiju era a última da fila.
Kiju ficou horrorizado ao olhar para o dispositivo de Jaeil. O valor do nível de risco de amplificação do homem, que dizia calmamente que não deveriam baixar a guarda até que cada canto da loja de departamentos fosse verificado, era de nada menos que 41%. Como esperado, ele parece ter abusado do próprio corpo. Mesmo que não houvesse ninguém como Ha Jaeil, o que ele faria se o nível disparasse subitamente como reação?
— Chega. Não vai mudar nada nem haverá prejuízo se você ficar aqui. Você já cumpriu sua utilidade. Eu cuido do resto, então, por favor, caia fora daqui.
Jaeil, que terminou os preparativos para partir após não resistir à insistência de Kiju, hesitou por um longo tempo em frente à porta. Seus pés não se moviam facilmente.
Jaeil decidiu finalmente abrir seu dilema.
— Kiju.
— Hã?
— Acho que ele está bravo.
— Hã?
As pupilas de Kiju deram uma volta completa enquanto ele tentava decifrar a frase sem sujeito. Como ele estava acostumado com essa forma de falar de Jaeil, ele resgatou o conteúdo da conversa mais recente para conectá-los. Então, Ji Seunghyun saltou em sua mente.
— Por causa de quê?
— …Não sei.
— Hmm… por que você não perguntou a ele?
Seja pela dor ou pelo coração perturbado, o homem franziu a testa.
— Ele não quer fazer isso.
Naquele lugar, Kiju e outros Espers de nível médio-alto estavam descansando momentaneamente.
Como apenas Kiju sabia de quem ele falava, os Espers que ouviram a voz melancólica de Jaeil moveram os olhos de um lado para o outro, reprimindo uma curiosidade explosiva. “Quem está bravo e quem é a pessoa com quem ele se importa tanto? Quem é? Quem?”
Jaeil, que massageou firmemente as têmporas latejantes, escolheu as palavras por um longo tempo antes de soltar a voz.
— Ele diz que não é nada, mas, de qualquer forma, acho que está bravo.
Naquele momento, um homem que estava esticado no banco como um doce de puxa-puxa levantou a mão timidamente. Embora exalasse uma aura sombria com olheiras que desciam até as maçãs do rosto, a julgar pela intromissão, seu estado físico parecia muito bom.
— Superior. Por que você não pede desculpas umas cem vezes?
A mão do homem que estava na têmpora ficou suspensa no ar. Seu olhar vago voltou-se para Jin Seokwoo.
— Aquele desgraçado do Yeon Heijae disse que não estava bravo, mas não me deu guia nenhuma e eu quase morri. Só quando pedi desculpas cem vezes é que ele se acalmou.
— …….
— Que sujeito de mente estreita.
Jin Seokwoo, que escondeu o rosto sob a máscara mal colocada, sussurrou de forma quase inaudível: “E a boca dele também é estreita”. As palavras seguintes ditas em voz baixa também foram quase um fluxo de consciência.
— Por que diabos estou lembrando disso agora?
Então, o Esper ao lado deu um tapa leve na nuca de Jin Seokwoo.
— Seu verme ingrato. Se não fosse por aquele Guia, você teria morrido há muito tempo.
— O que você sabe? Se soubesse o quanto sou humilhado por aquele cara, você não diria isso.
— E você está com a boca suja? Chamando o Guia de desgraçado. Você precisa ser abandonado de novo para cair na real.
— Por que aquele cara me abandonaria?! Você enlouqueceu depois de se sujar com sangue de Oni?
Os dois, que começaram a discutir, eram ambos do tipo mental. Como se fossem o próprio sinônimo de sensibilidade, eles buscavam qualquer pretexto para provocar um ao outro.
Naquele espaço que subitamente se tornou barulhento, Jaeil ficou com uma expressão constrangida. Yeon Heijae era um guia famoso no centro por ter uma personalidade excelente. Jaeil, curioso para saber o quanto aquela pessoa ficou brava para demonstrar isso e como ele se acalmou, moveu os lábios para perguntar.
No entanto, os dois homens começaram a rosnar de verdade, como se quisessem resolver o cansaço através de uma briga.
— O que vocês estão fazendo? Não são crianças.
Incapaz de continuar assistindo, Kiju juntou-se a eles. Jaeil apenas olhou fixamente para os três que agora estavam emaranhados em uma briga e acabou desviando o olhar.
↫────☫────↬
Ao chegar no hotel, Jaeil ficou parado como uma estátua, sem conseguir abrir a porta. Ele se lembrou de quando hesitou em frente ao quarto de hospital de Ji Seunghyun no passado. A ansiedade era a mesma, tanto na época em que ele invadiu movido por um sentimento que nem ele mesmo definira, quanto agora, em que segurou sem critério alguém que queria ir embora.
É claro que agora ele se sentia um pouco mais desolado. Naquela época, Seunghyun o reconheceu primeiro e até saiu para recebê-lo, mas agora não havia nada disso.
Ele temia que, ao abrir essa única porta, a mesma situação de antes se repetisse. Era estranho como algo assim o deixava tão tenso que suas mãos chegavam a formigar. Após abrir e fechar as mãos algumas vezes, Jaeil girou a maçaneta.
Ao entrar na entrada, a luz reagiu ao movimento e iluminou o topo de sua cabeça. No quarto onde deixara a luz baixa acesa ao sair, um brilho suave emanava. “Tomara que ele esteja dormindo.” Assim ele poderia pelo menos observar seu rosto dormindo o quanto quisesse.
— …….
O lugar para onde ele se dirigiu, após tirar os sapatos e passar a mão pelo cabelo sem motivo, foi naturalmente o lugar de Ji Seunghyun. Pensando que deveria tomar banho após confirmar que ele estava bem, ele deu um passo, mas parou subitamente.
A cama estava vazia. Ji Seunghyun, que deveria estar ocupando pelo menos uma beirada apertada se estivesse dormindo, ou que teria feito um cumprimento desajeitado se estivesse acordado, não estava lá. Sua ausência totalmente inesperada fez com que os pensamentos de Jaeil parassem instantaneamente.
As pupilas de Jaeil oscilaram levemente.
Se ele tivesse ido para o seu próprio quarto, devido à sua personalidade, deveria ter enviado pelo menos uma mensagem curta. Jaeil virou o corpo e caminhou novamente em direção à entrada. Os sapatos de Ji Seunghyun estavam organizados de forma impecável, exatamente como quando entraram.
Ele havia desaparecido sem nem levar os sapatos. No meio da sala de estar, o homem parado ali pensou em Ji Seunghyun, que sofria de distúrbios do sono.
— Não pode ser. — Ele nunca havia apresentado sintomas quando Jaeil não estava presente. Acalmando a ansiedade com uma respiração lenta e profunda, Jaeil decidiu primeiro revistar cada canto do interior do quarto.
Não era um espaço muito amplo. Havia poucos móveis, então não existiam muitos lugares para se esconder. O rosto de Jaeil se contorceu enquanto seus pensamentos se espalhavam de forma desordenada. “Esconder-se. Do quê?”
Ele abriu as cortinas bruscamente e verificou atrás da cama. Passando rapidamente os olhos pelos lugares visíveis, ele bateu à porta do pequeno banheiro. Abriu-a segundos depois. Não havia ninguém. Em seguida, bateu na porta do box. Ao confirmar que não havia resposta, girou a maçaneta. Ouviu-se o som metálico da tranca. Os olhos do homem se arregalaram lentamente e um suspiro que parecia um lamento escapou de seus lábios.
— Guia.
Ele encostou o ouvido para verificar qualquer sinal de presença. Aguçou os sentidos, mas não conseguia distinguir se Seunghyun estava prendendo a respiração ou se o lugar estava realmente vazio. Se estivesse lá dentro, temia que ele tivesse desmaiado; se não estivesse, a preocupação era a mesma. Bateu mais duas vezes para confirmar, mas o interior permanecia em silêncio.
— Vou abrir a porta.
Dizendo isso, Jaeil quebrou a maçaneta e escancarou a porta. Ao encontrar Seunghyun, seus ombros rígidos relaxaram como neve derretendo.
Ji Seunghyun estava encolhido em um canto do box de vidro. Ele estava estático como uma pedra, tapando os ouvidos e escondendo o rosto entre os joelhos.
A imagem dele encolhido dentro do elevador após o ataque do Oni se sobrepôs. Jaeil não queria que ele se assustasse. Julgando que seria melhor dar um tempo para ele respirar, Jaeil passou a língua pelo interior da boca ressecada.
Mesmo que estivesse dormindo, sua entrada fora barulhenta. Seria possível que ele estivesse em um sono tão profundo a ponto de não notar sua presença? Seria ainda mais problemático se ele estivesse em um estado diferente do sono.
— …
Embora não houvesse uma barreira real, era difícil se aproximar dele. Segurando a maçaneta destroçada, Jaeil hesitou contra a própria vontade antes de finalmente dar um passo à frente.
Jaeil se abaixou e ajoelhou-se com uma perna aos pés dele. E, naquele breve momento, ele se arrependeu. Havia sido arrogante ao pensar que já estava acostumado com muitas coisas no tempo em que passaram juntos. Por achar que tocar em feridas ocultas doeria mais, ele as cobriu sob o pretexto de consideração. Talvez o fato de ter sido cauteloso até para perguntar a Ji Seunghyun se ele estava zangado tenha surgido dessa consideração precipitada.
Jaeil observou a cabeça arredondada e o topo bonito do cabelo dele. Era uma silhueta que, quanto mais olhava, mais lhe despertava afeto.
— Seunghyun-ah.
Sua voz, baixa e carinhosa, veio primeiro. Em seguida, ele estendeu a mão para os dedos dos pés dele, que estavam encolhidos e sobrepostos. Ao sentir o toque e a voz chamando seu nome, o corpo de Seunghyun estremeceu.
— Por que você está assim aqui?
Como se não quisesse nem aquele pequeno contato nos pés, ele encolheu os dedos. Em vez disso, levantou levemente a cabeça e colocou o dedo indicador sobre os lábios. Então, com uma voz quase inaudível, alertou Jaeil:
— Shiu.
— …
— Não pode fazer barulho.
Pelo modo como ele falou informalmente, era óbvio que não estava em seu juízo perfeito. Ji Seunghyun olhava repetidamente para a porta aberta com olhos ansiosos. Bastava observar aquela série de comportamentos para deduzir facilmente o que ele temia.
Deve ter sido uma situação que ele viveu inúmeras vezes no Setor 13. Será que ele seguia esses mesmos passos toda vez? Jaeil pensou nos monstros que já haviam sido eliminados por suas mãos. Sentiu um súbito ódio por aquelas criaturas que ele apenas se ocupava em matar mecanicamente. O dia de hoje foi o estopim. Jaeil amaldiçoou internamente aquela raça maldita que deixou Ji Seunghyun naquele estado em apenas um dia. Eram palavras tão baixas que qualquer um que as ouvisse sentiria repulsa.
Limpando a garganta brevemente, Jaeil deixou escapar a voz mais gentil que conseguia produzir.
— Não tem nada. Nada mesmo. Pode fazer barulho.
— Não pode ser. Eu vi agora pouco.
Ji Seunghyun ainda temia fazer barulho. Com o rosto pálido, sussurrou tão baixo que mal se podia ouvir. Mesmo parecendo bem por fora, ele parecia ter se assustado muito internamente.
Jaeil, para tranquilizá-lo, até se gabou de forma quase cômica:
— Eu matei todos.
Então, Ji Seunghyun o encarou, parecendo surpreso.
— Você? Todos?
Ao encontrar aquelas pupilas límpidas, raramente vistas, Jaeil sentiu como se o cansaço do dia desaparecesse instantaneamente. Era um olhar tão satisfatório que o fez esquecer, por um momento, a dor de cabeça persistente.
— Sim. Eu, todos eles.
Seunghyun, saboreando lentamente o significado das palavras que chegavam aos seus ouvidos, subitamente fez uma expressão de dor. Ele olhou fixamente para o rosto de Jaeil, depois para a porta aberta e, por fim, para os próprios pés.
— …
O chão frio e duro do banheiro incomodava Jaeil, impedindo-o de apenas esperar pelo silêncio de Ji Seunghyun. Ele não sabia há quanto tempo ele estava ali e, como o estado original dele já não era bom, queria colocá-lo logo em um lugar aquecido. Jaeil estendeu a mão novamente.
— Vamos para a cama.
— Não.
Seunghyun, seguindo a ponta dos dedos de Jaeil com os olhos, puxou os joelhos para mais perto. Sua intenção de não ser tocado era evidente.
Mesmo inconscientemente, ele estava afastando Jaeil. Uma sensação de vazio atingiu Jaeil, fazendo-o perder as forças por um momento. O desamparo que ele havia esquecido brevemente também retornou.
No momento em que o impulso de pegá-lo à força e levá-lo para a cama cruzou sua mente, Ji Seunghyun começou a se mover lentamente. Com o queixo apoiado nos joelhos, ele estendeu a mão e traçou uma linha invisível no chão com o indicador. Ele criou uma linha que não deixava rastros, mas que separava claramente Jaeil de si mesmo.
— Não ultrapasse isso.
— …
O Ji Seunghyun inconsciente, honesto com suas próprias emoções, era mais firme em suas expressões do que o Seunghyun consciente. Diante daquele comportamento inesperado, Jaeil soltou uma tosse seca. Pensando bem, o Ji Seunghyun inconsciente nunca o havia afastado antes. Pelo contrário, ele parecia ansioso por tocá-lo. Se fosse impedido, ele não costumava chorar?
— Por acaso… você está zangado?
Não eram palavras adequadas para alguém que não se lembraria do passado nem do futuro, mas seu coração angustiado falou mais alto.
— Não.
— Então por que está fazendo isso?
Ele não tinha a intenção de pressioná-lo. Como ele estava respondendo, Jaeil perguntou suavemente, esperando obter alguma pista através de mais perguntas. Seunghyun piscou. Parecendo querer responder, ele mergulhou em pensamentos, e seu rosto começou a mudar a cada instante.
Em pouco tempo, ele mostrou diversas expressões. Parecia um deserto vazio, mas também uma poça de água da chuva. Ji Seunghyun sempre mostrou ser alguém brilhante e suave, mas firme por dentro. Aquela aridez e vazio não combinavam com ele, então por que a maioria do que emergia agora era desse tipo? Ao observar as emoções de Seunghyun como se as estivesse escavando, o coração de Jaeil pesou.
Não havia como saber o que ele estava pensando. Naquele momento, o rosto de Seunghyun, que olhava obstinadamente para algum lugar, empalideceu subitamente. Ele parecia ter recebido um choque enorme diante da simples pergunta “por quê”. Como se tivesse descoberto, entre sonhos, um incêndio se aproximando. As sobrancelhas de Seunghyun se franziam e relaxavam repetidamente, enquanto ele mordia o lábio inferior. Em resumo, ele não sabia o que fazer.
Quando Jaeil estendeu a mão novamente, Seunghyun balançou a cabeça negativamente. Ele recuou, encolhendo o corpo já colado à parede. E olhou fixamente para o homem que não conseguia esconder o desespero para tocá-lo.
— Se eu… abraçar você…
Ele franziu o rosto, como se as palavras que finalmente gaguejou fossem dolorosas. Seunghyun tirou as mãos do chão e as colocou sobre os joelhos. As pontas de seus dedos, apertando os joelhos ossudos, perderam a cor tanto quanto seu rosto. Com o queixo apoiado nas costas das mãos, ele olhou por um momento para a linha que havia traçado.
— Eu não quero ficar sozinho.
Sua voz tremeu levemente. De sua boca, que se fechou e abriu com força, um fôlego úmido foi expelido como um nó na garganta. Após um sobressalto no tronco, ele olhou para Jaeil e fez um beicinho. Mesmo que as lágrimas se acumulassem e embaçassem sua visão, ele continuou olhando obstinadamente para o homem à sua frente.
— Se eu te abraçar, terei que ficar sozinho de novo.
Com a explosão de emoções, a tensão pareceu ceder e sua cabeça pendeu. Seunghyun esfregou os olhos nos joelhos. Um som de soluço abafado escapou de sua garganta, como se ele estivesse tentando desesperadamente conter o choro.
— É melhor não entrar…
Uma voz tênue fluiu dele, que agora escondia o rosto.
O que Ji Seunghyun despejou foi maior do que o esperado. Jaeil, que estava ajoelhado, acabou sentando-se pesadamente no chão. Muitas coisas foram omitidas, mas ele sentia que podia entender vagamente uma coisa. No momento em que ele finalmente abriu a boca para perguntar se era realmente aquilo…
Seunghyun levantou o rosto com um solavanco. Lágrimas finalmente escorreram de seus olhos, gota a gota. Era uma cena triste e desoladora. Ele tateou a parede de vidro. Assustando-se com a sensação fria, ele retirou a mão bruscamente.
— Uh, uuh…
Ele se atrapalhou, sem reconhecer o espaço onde estava. Seu foco estava turvo e o soluço se intensificou. Ele olhava ao redor de forma distraída, como se estivesse preso em um espaço estreito ou deixado sozinho em uma planície vasta. No instante em que seu olhar perdido se voltou para Jaeil, ele, que soluçava silenciosamente, estendeu os dois braços para ele.
— Hy-Hyung…
Aquele que traçou uma linha e disse para não ultrapassar estava confundindo Jaeil com outra pessoa. As barreiras desmoronaram. Algo dentro de Ji Seunghyun se quebrou a ponto de ele não conseguir agir de forma coerente.
Jaeil, que acolheu Seunghyun quando este envolveu seu pescoço subitamente, estava igualmente confuso. No entanto, como isso não era motivo para afastá-lo, ele apenas sentiu alívio. Segurou a nuca de Seunghyun e o abraçou pelas costas.
A ponta de suas orelhas estava gelada. Sua nuca também estava fria. Seu corpo estava muito resfriado, indicando que ele estava ali há muito tempo.
— Me leve também.
Um fôlego úmido foi expelido no ouvido de Jaeil.
— Desta vez, vamos juntos, por favor.
— …
Bochechas úmidas de lágrimas esfregaram-se contra a pele do homem.
Jaeil ia dizer para ele não chorar, mas percebeu que seria um ato inútil. Com tanto transbordando, ele se perguntou se aquelas palavras seriam ouvidas. Em vez disso, ele se esforçou ao máximo para transmitir calor, esfregando várias partes do corpo de Seunghyun.
O homem, agora certo do abismo que era a mente de Ji Seunghyun, abraçou o corpo gélido com seu próprio calor.
“Você estava com medo.”
“Estava com medo de que eu morresse.”
Ele entendeu perfeitamente agora. Só agora compreendeu o olhar que Seunghyun lhe deu quando o empurrou impiedosamente naquele momento. Ele entendia a situação que o obrigara a agir daquela forma, mas estava sofrendo com um medo insuportável. Reconhecer esse medo seria o mesmo que admitir que Jaeil era alguém precioso. Sem conseguir expressar isso em voz alta, ele sofria sozinho.
Ji Seunghyun, que nem conseguia mentir por causa da promessa feita ao homem, apenas repetia que não era nada e se agarrava a um guia ineficaz. Como ele negava obstinadamente desde o fundo de seu subconsciente, era impossível que o guia funcionasse.
— Ha…
Ele se perguntou que tipo de pessoa era essa. Pensar que esse era o motivo de tê-lo deixado ansioso o dia todo. Jaeil suspirou enquanto abraçava Seunghyun como se o estivesse prendendo. Jaeil relaxou toda a sua tensão, mas para Ji Seunghyun, tudo estava começando agora. Lágrimas grossas caíam incessantemente de seus olhos grandes. Ele começou a chorar como uma criança, sem sentir vergonha.
Jaeil encostou os lábios na bochecha de Seunghyun e depois no seu ouvido. Até que o choro dele diminuísse, só havia uma coisa a dizer. Ele sussurrou a mesma frase continuamente, sem interrompê-lo. A sinceridade morna e firme derreteu lentamente o coração que havia esfriado.
Após repetir várias vezes, os olhos com lágrimas penduradas voltaram-se lentamente para Jaeil. Seunghyun, que mal conseguia engolir o que transbordava, falou com a voz embargada.
— Sim.
Foi a partir desse momento que a passagem que Ji Seunghyun havia bloqueado começou a abrir uma fresta.
↫────☫────↬
Continua…
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna
Ler Pôquer Sangrento (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Jaeil é um Esper Backsplash de nível A que vive em um estado sempre perigoso, pois não consegue encontrar um Guia compatível com ele. Devido a um incidente do passado, ele não confia facilmente nas pessoas e evita contato físico até mesmo com Guias. Mesmo nessas condições adversas, Jaeil tem pouco apego ao mundo e se leva ao limite. Até que um dia, ele recebe uma notícia: um novo Guia Backsplash de nível A virá ao centro. No entanto, esse Guia, Seunghyun, é do Distrito 13. O único problema? Ele não recebeu nenhuma educação e nem sequer sabe como ser um guia!?
Nome alternativo: Blood Poker Pquer Sangrento