Ler Pôquer Sangrento (Novel) – Capítulo 03.3 Online

Blood Poker 03, Parte 3
Seunghyun, que olhava distraidamente para as comidas que pareciam muito mais luxuosas que as do refeitório do centro, serviu-se de uma concha de sopa a contragosto. Ele não tinha apetite. Mesmo tendo pulado o jantar, ele deveria estar salivando, mas tudo parecia sem gosto. Não que ele não estivesse com fome. Sentia um vazio sob a pele da barriga.
— …….
Na verdade, ele já sabia que não era por causa da fome.
— Por que está comendo apenas isso?
Ouviu-se uma voz familiar atrás de si. Seunghyun baixou o olhar e acalmou o coração que batia forte.
Encarar o homem após ter feito “aquele tipo de coisa” no quarto até pouco tempo atrás exigia uma coragem enorme. Para o homem podia não ser nada demais, mas para Seunghyun era. Como ele estava envolvido por sentimentos complexos em vários sentidos, nem conseguiu responder direito.
— Não é nada…
Enquanto ele hesitava, a mão grande que massageara várias partes do corpo de Seunghyun agarrou suavemente sua nuca e depois se afastou.
— Novato!
Enquanto procurava um lugar vago, ouviu alguém chamá-lo. Ao virar a cabeça, Joey aproximou-se rapidamente e segurou as bochechas de Seunghyun com as duas mãos. Seus calcanhares pequenos se levantaram do chão para ganhar altura.
— Meu Deus. Que alívio, sério.
— …Você ficou preocupada?
— Sim. Muito. Mas como você estava ocupado, não pude entrar em contato. Só ouvi sobre a situação.
Foi perigoso, tenso e, ao mesmo tempo, desesperador. Embora o tempo em que pensou ser o inferno novamente há algumas horas já tivesse se tornado passado, Seunghyun não conseguia sair de lá facilmente. Ele apenas se esforçava para parecer cansado. Os Gon e Oni, o cheiro de sangue, as pessoas sendo devoradas e Ha Jaeil, que definira os papéis de cada um. No instante em que o foco de Seunghyun ficou turvo:
— Por que comer algo assim? Coma carne, carne. Senão você vai desmaiar.
Ela disse, angustiada ao olhar para o prato que continha apenas a tigela de sopa. Comidas ricas em proteínas com tempero leve e vegetais foram empilhadas no prato de Seunghyun.
No lugar onde chegaram seguindo Joey, Rowan e Jaeil já estavam sentados. Rowan estava tomando café após terminar a refeição, e Jaeil acabara de começar a comer.
Rowan olhou fixamente para Seunghyun, que se sentou com a escolta de Joey. Por outro lado, Joey inclinou a cabeça ao analisar a aura de Jaeil. Mesmo percebendo algo estranho, ela desviou o olhar para o vazio para não demonstrar.
— …….
— …….
Rowan também verificou o dispositivo assim que encontrou Jaeil. Dava para perceber facilmente até a olho nu, porque a aura bruta era inacreditável. Rowan arregalou os olhos em silêncio ao ver o pequeno visor piscando o valor de 39%.
Era estranho que estivesse assim mesmo após receber o guiamento de Ji Seunghyun. O tempo de guiamento não fora bem longo? Com a habilidade atual de Ji Seunghyun, um valor abaixo de 20% seria plenamente possível.
No entanto, Rowan, presumindo que certamente haveria razões desconhecidas, apenas trocou olhares silenciosos com Joey, que devia estar pensando o mesmo.
O horário de refeição, que era alegre há apenas uma semana, agora fluía com uma correnteza estranha e sombria.
A aparência de Ji Seunghyun era um pouco diferente de apenas parecer cansado. Comparado a quando ele se atrapalhava no centro de treinamento, era ambíguo. Ele parecia de alguma forma intimidado ou como se estivesse contendo algo. Se tivesse que descrevê-lo como um animal, viriam à mente um filhote de cachorro que tomou chuva ou um que perdeu o dono, mas Rowan, ficando mais confuso por ter tais impressões, decidiu apenas não dizer nada.
Foi por volta do momento em que Jaeil terminou sua refeição. O ruído suave que servia de som de fundo desapareceu instantaneamente, e os olhares da maioria dos sensitivos no restaurante voltaram-se para eles.
Rowan sentiu que a atmosfera repentinamente pesada era estranha, desviou o olhar e seus olhos encontraram os de um Esper físico que estava sentado virado para cá. Joey franziu o cenho ao ver Seunghyun, de quem escorria um sangue vermelho vivo. Jaeil, que demonstrou abertamente seu desagrado, pegou o guardanapo que estava ao alcance e o colocou sob o nariz de Seunghyun.
Um suspiro profundo escapou de Joey, que observava a sucessão de fatos.
— Ai, ai. Pois é, achei que estava calmo demais.
Ela já estava incomodada com ele apenas cutucando a comida, e agora ele teve uma hemorragia nasal. Por melhor que fosse o vigor físico de Ji Seunghyun, hoje deve ter sido um dia exaustivo. Ele teve duas guias pela manhã, passou por aquele grande incidente e ainda guiou o Ha Jaeil. Se fôssemos procurar os motivos pelos quais ele não conseguiu acalmar perfeitamente a aura de Jaeil, já haveria vários.
— …….
— …….
A voz preocupada de Joey ecoava de forma abafada. Seunghyun, que mal conseguia manter a consciência em sua mente atordoada, olhou lentamente da ponta do nariz para o pulso do homem e depois para o seu rosto. Foi uma trajetória inconsciente.
O olhar lânguido encontrou o olhar que não escondia o desagrado. Seunghyun, que recuperou a razão piscando os olhos, desviou o olhar lentamente ao relembrar as memórias anteriores.
— Você está bem?
— Sim, estou bem.
Sua visão girou apenas com o pequeno movimento de segurar o guardanapo e tentar levantar o torso. Ele se sentiu patético por parecer estar fazendo corpo mole sem ter feito nada.
Quando ele perdeu o equilíbrio novamente, uma mão grande o segurou pelo braço para sustentá-lo. O rosto de Seunghyun, que olhou distraidamente para a mão do homem, contorceu-se por um momento de forma instável.
Sua habilidade, que fora tão conveniente e ao mesmo tempo embaraçosa, parou como se tivesse quebrado. Quando ele teve o contato profundo com o homem, não estava nesse nível, mas agora parecia que a válvula fora fechada e nada fluía. Isso não era diferente de quando ele nem reconhecia o canal. Era sufocante e sombrio. O que diabos ele fizera para chegar a esse ponto? Uma fúria que ele mal conseguira conter explodiu repentinamente, ganhando força.
— Vou me retirar primeiro.
— …….
Jaeil, que reagiu bruscamente ao ouvir as palavras ríspidas, acabou cambaleando. Foi por ter movido o corpo sem cuidado enquanto o sangue ainda não havia estancado.
O homem, que raramente demonstrava emoções, também estava estranhamente abalado. Enquanto segurava firmemente o braço e a cintura de Seunghyun, ele mastigou palavras rudes, mas felizmente foram ditas para si mesmo.
Jaeil e Seunghyun estavam tendo uma leve discussão, de forma não óbvia e que nem eles mesmos percebiam. Quando a atenção momentânea causada pelo cheiro de sangue de Ji Seunghyun se dispersou, o ambiente começou a ondular novamente com ruídos.
Rowan, que os observava com um olhar morno, coçou a própria testa. Parecia melhor deixá-los sozinhos, independentemente da comida.
— Seunghyun. Vá descansar por enquanto. Jaeil, leve-o você.
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Seunghyun, que caminhava sendo amparado pelo homem, disse com um tom ranzinza:
— Vou para o meu quarto.
O cronograma de Seunghyun terminava ali. Embora fosse uma situação em que ele não conseguiu realizar nada direito, não havia nada que pudesse fazer. Como Rowan dissera, era melhor recuperar as energias.
Ele não tinha coragem de repelir a mão do homem, então estava sendo segurado, mas não gostava disso. Olhar para as energias que tremulavam querendo entrar em seu corpo só aumentava sua angústia. Não havia nada que pudesse fazer por ele. Apenas o desejo de purificar perfeitamente o corpo do homem crescia imensamente. Apenas o desejo. Era a primeira vez que sentia essa impotência desconcertante. Embora Seunghyun estivesse longe de usar palavras vulgares, desta vez vários xingamentos borbulhavam em sua garganta.
— Não precisa.
O homem parado no elevador respondeu como se cortasse a fala de Seunghyun, enquanto apertava o botão de subida.
— Se for por causa da pro, promessa…
— Não vou deixar você ir.
Instantaneamente, a mão que segurava seu braço aplicou força. Não houve dor. Foi suave, o suficiente para que apenas sua intenção de não querer deixá-lo ir fosse lida.
— Mesmo que você diga isso, Esper, o guiamento não funciona. Está funcionando menos ainda do que antes.
Seunghyun esfregou as bochechas que esquentaram sem motivo de forma irritada. Ele não queria descontar no homem. Também não tinha intenção de ficar choramingando. Ele sabia muito bem que não estava em posição nem de ressentir.
— Seria melhor descansar por um dia e tentar de novo, não… Devo ir aos mentores agora mesmo…
Ele não conseguiu terminar a frase por causa do homem que o puxou assim que a porta do elevador se abriu. Como se tivesse medo de que ele fugisse, ele baixou o braço e agarrou sua mão. De nada adiantava as peles nuas se tocarem. A energia que normalmente deveria ser compartilhada assim que as pontas dos dedos se tocassem estava silenciosa como se estivesse morta.
— Você não precisa fazer nada.
— …….
O homem, embora suspeitasse vagamente do motivo pelo qual Ji Seunghyun agia assim, não tinha ideia de como tratá-lo. Ele apenas o segurava por ansiedade. Ele quase encarava o painel do elevador enquanto cerrava os dentes. Ele soltou uma voz baixa enquanto massageava o interior do pulso de Seunghyun. Em seu tom bastante rígido, havia uma emoção tênue.
— Fique ao meu lado.
— …….
Aquilo era um desespero que nem quem falou nem quem ouviu percebeu.
O quarto onde Seunghyun se esforçara tanto para fazer o guiamento foi transformado no local de espera de Jaeil para esta noite. O tamanho do quarto não era muito grande. O homem, que chegou à cama poucos passos após entrar pela entrada, fez Seunghyun sentar-se nela. E então, puxou uma cadeira e sentou-se à frente dele.
— …….
— …….
Seunghyun afastou discretamente o quadril, aumentando a distância do homem.
Jaeil, que olhou para o amassado no lençol deixado por Seunghyun, rangeu os dentes silenciosamente, e Seunghyun, que olhou de soslaio para a energia vermelha viva e pulsante, inflou as bochechas.
Jaeil finalmente fez a pergunta que havia adiado.
— Você está bravo?
— …Não.
Uma pessoa que não está brava não agiria assim. Jaeil mal conteve o desejo de pressioná-lo.
Desde o momento em que o guiamento terminou, ou seja, desde que saiu do banho, Ji Seunghyun evitava encontrar o olhar de Ha Jaeil diretamente. Era o que acontecia agora também. Mesmo que ele mal conseguisse trazê-lo de volta quando tentava fugir, nada mudava. Embora ele estivesse junto a contragosto, era óbvio que ele queria escapar. Como ele se sentia desconfortável até com o toque dele pressionando gentilmente a ponte do nariz e limpando o sangue no buço, Jaeil estava ficando louco.
Era a primeira vez que via Ji Seunghyun agindo assim. Para Jaeil, era uma sucessão de confusão e perplexidade sobre como tratá-lo ou o que dizer. Tanto o comportamento de Ji Seunghyun quanto sua própria reação a ele eram igualmente estranhos. No entanto, incapaz de apenas observar sua rebeldia desajeitada, Jaeil abriu a boca para dizer algo.
— Guia.
— Não é nada disso. É só que… estou muito cansado.
Ji Seunghyun estava achando a própria conversa com Jaeil angustiante.
— Não é mentira. É que estou realmente cansado.
Jaeil, que observava distraidamente Seunghyun se esconder sob as cobertas com o capuz puxado, esfregou o queixo com um rosto sério.
Ele não conseguia identificar exatamente qual parte era. Se era por causa da discussão em frente à sala de distribuição, ou pelo guiamento que ele forçara de forma tão erótica, ou se era por causa de ambos. Seria por causa da parada cardíaca? Ou haveria algo mais? Ele queria perguntar, mas como ele nem mostrava o rosto, Jaeil sentia-se no escuro.
— …….
Talvez por causa do nível ou por estar extremamente preocupado com Ji Seunghyun, uma dor de cabeça começou a latejar. Jaeil, que massageou firmemente as têmporas, ficou com uma expressão atônita diante de um pensamento repentino.
Pensando bem, Jaeil nunca havia consolado alguém que estivesse bravo ou chateado. Isso porque ele nunca se importara ou se apegara a alguém a esse ponto. Ele acabara de descobrir que receber alguém que se aproxima é completamente diferente em natureza e intensidade de puxar alguém que se afasta.
Ele nunca havia arriscado a vida por alguém como fizera hoje. Ele nunca ajudara alguém engolindo o próprio sêmen só porque se importava com o fato de o guiamento não estar funcionando, nem tivera vontade de aniquilar todos os sensitivos que prestavam atenção em Seunghyun no momento em que o cheiro de sangue se espalhou. Tudo era a primeira vez.
O maior problema era não conseguir ler nada em Ji Seunghyun, que fechara seu coração completamente. Jaeil apenas suspirou enquanto olhava para as costas de Seunghyun encolhido na beirada da cama.
Naquele momento, um bipe curto soou no dispositivo. Sua testa se franziu levemente ao verificar o código brilhante.
— Vou sair por um momento. Por favor, descanse.
Então, com um movimento lento, Seunghyun levantou o torso e fez uma reverência profunda. Jaeil, que olhou fixamente para aquele rosto sombrio, virou-se sem dizer nada. Ele mudou a iluminação para luz baixa e saiu pela entrada.
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Seunghyun, que ficou sentado por um longo tempo mesmo após a presença de Jaeil desaparecer, fez beicinho. Ele sentia que cairia no sono assim que se deitasse, mas moveu-se vagarosamente para tirar o celular do bolso. Como havia várias coisas o incomodando, ele sentia que só teria pesadelos se dormisse assim.
[Mentora.]
Ele enviou uma mensagem para Joey, de quem se despedira sem sequer cumprimentar direito. Ele queria dizer algo antes também, mas se conteve. Desta vez também, usou mensagem em vez de ligação. Ele não sabia qual emoção poderia explodir. Era um sentimento complexo que nem ele mesmo compreendia. Era difícil definir a cor, a qualidade e a densidade de tudo.
Felizmente, a resposta veio logo.
[Sim. Pode falar.]
Parecia que a voz dela soava de verdade. Seunghyun, que ia mover os dedos, sentiu uma mágoa subir repentinamente. Talvez ele se sentisse melhor se apenas deixasse fluir, mas era uma angústia que ele se recusava terminantemente a mostrar ao homem.
[o guiamento não está funcionando.]
Ele apenas lançou essa frase como se estivesse fazendo manha. Então, a resposta veio mais tarde que a anterior, e de forma mais longa.
[Seunghyun. Está tudo bem. Você também é humano e deve estar exausto. Quando um guia não tem margem emocional, a habilidade às vezes falha. Você correu sem parar até agora, então talvez seja um sinal do seu corpo pedindo para descansar um pouco.]
Seunghyun, que leu o que Joey enviara, esfregou lentamente os olhos secos. Ele achou que fossem lágrimas, mas estava apenas ardendo. Após ele ficar melancólico por mais um tempo, veio outra mensagem.
[Eu também já passei por isso. Acontece quando o coração está muito confuso. Somos como médicos no que diz respeito à guiamento, não somos? O que aconteceria se não conseguíssemos nos concentrar durante uma cirurgia para salvar um paciente? Perderíamos o que poderíamos segurar e não veríamos o que é óbvio. Mesmo que tivéssemos repetido isso inúmeras vezes.]
— …….
[Não se preocupe com o Jaeil. Ele vai esperar por você. Nós também estamos aqui.]
Aquilo foi um pequeno consolo que pôde aquecer momentaneamente seu coração pobre. Ele gravou as palavras dela e voltou a digitar no teclado.
— …….
Seunghyun, que enviou uma curta mensagem de agradecimento, puxou o cobertor lentamente. Enquanto se deitava devagar, ele fungou o nariz que insistia em entupir. Em seguida, virou-se de costas, arredondando-as, e encolheu o corpo o máximo que pôde. As pálpebras de Seunghyun, que fechou os olhos à força, tremiam de forma desolada.
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Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna
Ler Pôquer Sangrento (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Jaeil é um Esper Backsplash de nível A que vive em um estado sempre perigoso, pois não consegue encontrar um Guia compatível com ele. Devido a um incidente do passado, ele não confia facilmente nas pessoas e evita contato físico até mesmo com Guias. Mesmo nessas condições adversas, Jaeil tem pouco apego ao mundo e se leva ao limite. Até que um dia, ele recebe uma notícia: um novo Guia Backsplash de nível A virá ao centro. No entanto, esse Guia, Seunghyun, é do Distrito 13. O único problema? Ele não recebeu nenhuma educação e nem sequer sabe como ser um guia!?
Nome alternativo: Blood Poker Pquer Sangrento