Ler Pivô Profundo (Novel) – Capítulo 56 Online


Modo Claro

Deep Pivot — Capítulo 56

O calor que antes era escaldante havia esfriado completamente, deixando um ambiente quente e suave no quarto.

Seo-joon acariciou carinhosamente a cabeça de Yeonwoo, apoiada em seu braço. A atmosfera íntima entre eles parecia um pouco estranha, então Seojoon quebrou o silêncio com uma piada.

— Você sabia que responde bem à estimulação no peito, Yeonwoo?

— …Não.

Após uma breve hesitação, Yeonwoo respondeu.

— Foi bom, mas… sinceramente, não tenho certeza.

Aconchegando-se mais profundamente no ombro de Seojoon, Yeonwoo gentilmente traçou seu peito com a ponta dos dedos e falou suavemente.

— Só que… eu adorei quando você me tocou daquele jeito e me olhava daquele jeito, Tenente.

— Que jeito você quer dizer?

Os dedos de Yeonwoo, que estavam roçando a clavícula de Seojoon, ficaram tensos. Após uma longa hesitação, ele finalmente falou.

— Parecia que você me desejava.

— Isso me deixou muito feliz…

Desta vez, foi Seojoon quem se calou. Os sentimentos que Yeonwoo nutria por ele eram fortes e fervorosos demais para serem simplesmente admiração. Seojoon não podia negar que também desejava aquele inocente Cha Yeonwoo.

Tanto que até Yeonwoo conseguia ver claramente.

— Uma pessoa linda como você, Yeonwoo… qualquer um naturalmente iria desejar.

Seojoon tentou explicar seus sentimentos dessa forma, embora não tivesse certeza se funcionaria. Yeonwoo não respondeu.

— …Mas sinto muito por você, Tenente.

Muito tempo depois, Yeonwoo falou de repente. Seojoon, penteando delicadamente os cabelos de Yeonwoo com os dedos, olhou para baixo com uma expressão confusa.

— Por que você está se desculpando, Yeonwoo? Se alguém deveria se desculpar, esse alguém seria eu.

Yeonwoo passou o braço em volta da cintura de Seojoon e esfregou a bochecha no peito dele.

— Eu fui o único que gostou… Sinto muito por empurrá-lo para algo com o qual você não se sentia confortável, Tenente.

— Yeonwoo, eu gostei tanto quanto você, então não pense assim. Eu não sou o tipo de pessoa que faz coisas que não quero. É só que…

Após uma pausa, Seojoon falou cuidadosamente.

— …Eu sempre fui assim, independentemente de com quem estou.

Ele abaixou a cabeça e acariciou delicadamente a bochecha de Yeonwoo. Passou os dedos pelo nariz do rapaz e acariciou os olhos que o fitavam com tanta ternura. Após um breve silêncio, Yeonwoo perguntou cautelosamente:

— …É por causa de algo que aconteceu no passado?

— …

— Você não precisa responder.

A bochecha macia de Yeonwoo pressionou-se entre o ombro e o pescoço dele. Seojoon olhou para o teto e abraçou Yeonwoo com mais força. Ele finalmente falou após uma longa pausa.

— É impossível não ser afetado por esse tipo de experiência.

Esta foi a primeira vez que ele enfrentou seu trauma passado diretamente, em vez de evitá-lo.

— Tenho medo de machucar meu parceiro.

O calor do seu abraço fez com que sua primeira confissão parecesse mais calma do que o esperado. Ele não sentiu náuseas nem o coração disparado.

Yeonwoo permaneceu em silêncio por um tempo. Seojoon sorriu sem jeito e fez uma piada.

— Você está começando a se arrepender de ser meu guia?

— Não.

A resposta imediata de Yeonwoo foi sem hesitação. Seojoon desejou que Yeonwoo demonstrasse algum arrependimento. Se o fizesse, ele estava disposto a deixá-lo ir, pelo menos por enquanto.

Ele sabia que era um monstro. Era uma verdade inegável e desagradável. Não era diferente das aberrações, capaz apenas de ferir e machucar os outros.

Yeonwoo era um guia bom demais para ficar com alguém como ele.

Yeonwoo de repente se levantou um pouco e colocou a mão no centro do peito de Seojoon.

— O monstro que vive aqui dentro…

— …

— Não é você, Tenente.

Seojoon pegou a mão dele e sorriu fracamente.

— Como você pode ter tanta certeza?

— Eu simplesmente sei.

Yeonwoo se apoiou num braço e olhou nos olhos dele. Seojoon virou o corpo para encará-lo.

— Mesmo que você seja engolido por algum monstro…

— …

— Eu sei que você ainda está aí dentro.

Na escuridão, seus olhos se encontraram, entrelaçados em silêncio.

— Você provavelmente não se lembra, mas naquele dia no túnel da Estação Yeonseon Mypark…

Yeonwoo falou suavemente, como se estivesse compartilhando um segredo.

— Você me disse para correr.

Seojoon franziu a testa e riu.

— Eu disse?

— Sim.

Impossível. Seojoon acariciou levemente a bochecha de Yeonwoo com um sorriso.

— Quando as pessoas são levadas ao limite, às vezes elas ouvem coisas.

— Não foi uma alucinação.

O olhar honesto e inabalável de Yeonwoo encontrou o de Seojoon. O jeito como Yeonwoo falava fazia tudo parecer verdade.

— Com certeza foi você, Tenente. Você até encontrou meu revólver, assim.

Yeonwoo envolveu os braços em volta da cintura dele e tocou suas costas. Seojoon apenas sorriu. Naquele estado, ele ainda tinha a clareza necessária para sacar uma arma? Era difícil de acreditar, mas se Cha Yeonwoo disse isso, então devia ser verdade.

— Eu acredito em você, Tenente.

A mão que tocou as costas de Seojoon se moveu para cobrir seu peito.

— Eu conheço a pessoa aqui dentro. Acredito na sua humanidade.

— …

— Um dia, você vai conseguir controlar isso. Tenho certeza.

Seojoon ficou sem palavras. O nó que se formava em sua garganta era sufocante.

“Monstro nojento.”

“Mesmo com uma alta taxa de compatibilidade, não tem como ele guiar seu tenente cara a cara. Argh, só de pensar nisso me dá nojo.”

“Ele age de forma tão arrogante por causa de sua aparência, mas por dentro não passa de um lixo imundo.”

“Quem está desesperado aqui? Ninguém nunca vai gostar de você! Quer morrer por não ter um guia?”

Houve um tempo em que aquelas palavras cruéis, proferidas sem piedade, o marcaram. Mas, depois de ouvir a mesma coisa repetidamente durante a maior parte dos seus vinte e poucos anos, até os piores insultos se tornaram monótonos.

Agora, as emoções que ele pensava terem desaparecido de repente se revelaram dentro dele.

“Quero morar com você, Tenente. Por muito, muito tempo, bem ao seu lado… te vendo com frequência e conversando bastante.”

…Eu quero viver.

Na verdade, ele sempre se sentira assim. Queria viver. Era um desejo que nunca ousara alimentar, acreditando que não o merecia, mas… queria viver.

Por muito, muito tempo, cercado de pessoas que se importam com ele, para ver seus rostos com frequência, sorrir e conversar.

E agora, ele desejava algo mais. Desejava que a pessoa que permanecesse ao seu lado por tanto tempo fosse Cha Yeonwoo… uma esperança tão ousada.

O nó que se formou em sua garganta rapidamente se espalhou para os olhos. Seojoon piscou para afastar as lágrimas repentinas.

— …Yeonwoo.

Ele estendeu a mão e segurou a bochecha de Yeonwoo.

— Posso te beijar?

Yeonwoo sorriu timidamente.

— Não me pergunte isso toda vez.

Repetindo as próprias palavras dele, Yeonwoo se inclinou. Seojoon fechou os olhos quando o calor atingiu seus lábios.

Nesse beijo carinhoso e cuidadoso, como saborear um doce que logo derreteria, o nó na garganta de Seojoon começou a se dissolver.

Seojoon sabia que não era apenas a orientação que tornava esse beijo especial.

Este beijo não foi uma orientação; foi simplesmente um beijo. Não se tratava de desejar a orientação de Yeonwoo, mas de buscar conforto e consolo em seu calor e gentileza.

— Durma bem, Yeonwoo.

— Boa noite, Tenente.

Na segunda noite no esconderijo, seus desejos de boa noite foram sussurrados para o outro. Seojoon fechou os olhos, aconchegado em segurança no abraço firme de Yeonwoo.

✽✽✽

Um soldado que entregava a refeição entregou algo para Seojoon.

— O que é isso?

Seojoon perguntou, inspecionando a pequena caixa casualmente.

— É um jogo de tabuleiro.

— …Perdão?

O soldado sorriu fracamente.

— Nosso time vem jogando desde anteontem. É uma boa maneira de passar o tempo.

Era a terceira manhã no esconderijo, e este foi um pequeno gesto de gentileza de um soldado que os conhecia a pouco.

— O que é isso, Tenente?

Recém-saído do banho, Yeonwoo se aproximou de Seojoon, que estava colocando a refeição na mesa, e notou a caixa.

— Um jogo de tabuleiro. Eles nos deram, dizendo que era uma boa maneira de matar o tempo.

Enquanto Yeonwoo abria colheres descartáveis e as colocava na frente de Seojoon, este abriu as tampas dos recipientes de comida. Eles já estavam bem acostumados com a presença um do outro.

— Vamos jogar depois de comer. De qualquer forma, temos bastante tempo.

Não há muito o que fazer aqui. Assistir a DVDs antigos de filmes ultrapassados é tranquilo por algumas horas, mas é só isso. Mesmo assim, foi um alívio ter Yeonwoo por perto; pelo menos eles tinham alguém para sentar na frente deles e compartilhar as coisas.

Enquanto Seojoon mexia seu mingau, pequenos pedaços de jangjorim (carne bovina cozida em soja) eram colocados por cima.

— …

Ele olhou para Yeonwoo, que evitou contato visual e disse:

— Não gostei muito. Por favor, coma o meu também, Tenente.

Poucos dias antes, ele vira Yeonwoo devorar todos os jangjorim em um restaurante coreano. Que desculpa engraçada. Seojoon fingiu ignorância e comeu.

— Não seja exigente, Yeonwoo. Você está velho demais para reclamar de acompanhamentos.

Yeonwoo riu da repreensão cômica.

— Vamos apostar no que teremos na próxima refeição. Usando isso.

Yeonwoo apontou para a caixa do jogo de tabuleiro.

— Vamos escolher um menu que o outro não goste, e o perdedor tem que comê-lo.

— Você está bem confiante, não é?

— Sou muito bom em jogos de tabuleiro. Eu era o melhor da turma.

Seojoon caiu na gargalhada com a resposta de Yeonwoo. Durante a conversa descontraída, Yeonwoo colocou discretamente diferentes acompanhamentos na colher de Seojoon e riu baixinho.

No entanto, eles não acabaram jogando o jogo de tabuleiro naquele dia.

Viktor, que estava exercendo seu direito de permanecer em silêncio durante o interrogatório, solicitou uma reunião individual com Ji Seojoon.

 

Continua…

⌀ ⌀ ⌀

✦ Tradução, revisão e Raws: Yuki&Belladonna

Ler Pivô Profundo (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse:
Devido a um trauma, o esper Ji Seo-joon se recusava a ter um guia exclusivo. Por causa de sua aversão ao contato com guias e das constantes baixas taxas de compatibilidade, ele vinha recebendo guiamentos de baixa qualidade há anos.
Diante de Seo-joon, que estava à beira de explodir devido ao acúmulo de fadiga, surgiu um guia com uma taxa de compatibilidade milagrosa.
【98,8%】
O protagonista com um número sem precedentes, Cha Yeon-woo, ainda era um estudante do ensino médio que nem sequer havia se formado. Ele foi lançado ao campo sem passar por treinamento, como se não se importassem se ele morresse.
“Ah, eu não sou uma criança. Tirei um ano de folga, então tenho vinte anos… Espero que você não diga que sou muito novo, mesmo que não saiba os outros motivos.”
Seo-joon não pôde deixar de sentir um aperto no peito diante da aparência inocente e dedicada do guia novato…
Nome alternativo: Piv Profundo Deep Pivot

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