Ler Passion – Novel – Capítulo 22 Online
— Alguns anos atrás, houve um cara que tentou matá-lo para se vingar de um colega próximo. Infelizmente, esse cara era bastante bonito e acabou hospitalizado pelo resto da vida. Então… no fim, não há karma aqui. Ele não conseguiu se vingar e foi esmagado por aquele monstro… Muitas pessoas, incapazes de vencê-lo, descontam a frustração em si mesmas.
— Isso… é realmente lamentável.
— É… É assim que é. O caráter dele é terrível, não importa como você veja. Mas às vezes, você tem a má sorte de topar com ele, e não termina bem.
Depois de dizer isso, Tou olhou para Jeong Taeui no espelho e sorriu.
— Mas não se preocupe. Com sua aparência, você não precisa se preocupar com coisas desnecessárias. Só se preocupe com a sua vida.
— Ah, obrigado.
Jeong Taeui disse rangendo os dentes, levantando a mão para dar um tapa no pescoço de Tou.
Um jovem e bonito… Por exemplo… alguém como Xinlu?
Jeong Taeui franziu a testa ao pensar em alguém que se encaixasse perfeitamente em todos esses critérios. Se for assim, não seria Xinlu?
— Isso não significa que Xinlu também precisa ter cautela?!
Jeong Taeui agarrou o pulso de Tou e gritou, fazendo Tou piscar e olhá-lo.
— Ah… é, pensando bem, você está certo. Mas bem, nenhum membro ousaria enfrentar alguém do escritório. Até ele teria dificuldades se mexesse com alguém de lá.
— Certo… acho que… certo?
— ………
Jeong Taeui, assentindo, de repente levantou a voz. Tou lhe lançou um olhar vazio como quem diz: “Ah, seu idiota.” Só então Jeong Taeui recuou e fechou a boca.
— Mesmo que você não se preocupe, a equipe sabe como se virar. Se Rick vier aqui, só se preocupe com sua própria vida. Ninguém além de você vai cuidar de você.
Exatamente. Antes de se preocupar com os outros, ele nem tinha confiança suficiente para garantir a própria vida.
— Hmm… espero que haja algum problema com o pessoal deles e que Rick não apareça.
Jeong Taeui rezava silenciosamente com uma pontinha de esperança, sabendo que as chances eram pequenas.
— É, isso seria ótimo. Mas de qualquer forma, eles vêm hoje à noite, então descobriremos.
— Eles devem estar em Hong Kong agora.
— É. Tomara que cheguem aqui ainda tontos do jet lag.
Jeong Taeui riu enquanto Tou fingia cortar o próprio pescoço. Aquela piada aliviou algumas das imagens sombrias que nublavam sua mente.
Faltavam apenas algumas horas. Até lá, Jeong Taeui conheceria as pessoas de quem só ouvira falar em rumores. Embora fosse totalmente diferente do que esperava, Jeong Taeui se sentia um pouco animado e nervoso.
— Certo, disseram que temos que nos apresentar no escritório depois de mudar de quarto. Eles precisam verificar.
Disse Tou, passando por Jeong Taeui enquanto enxugava a boca com uma toalha. Isso o fez pular.
— Se formos ao escritório, provavelmente veremos Xinlu, né? Como ele é responsável pelos assuntos internos, com certeza teremos que falar com ele. Deve estar animado, Tay.
Tou sorriu e deu uma leve cotovelada no lado de Jeong Taeui. Ele desviou e respondeu evasivamente:
— Mmm.
Não. Não é que ele não quisesse vê-lo. Jeong Taeui queria encontrá-lo e ouvir aquela voz suave; também gostava do cheiro do sabonete perfumado. Mas não se sentia confiante para encará-lo agora. De alguma forma, se visse Xinlu naquele momento, Jeong Taeui sentia que congelaria no lugar.
Além disso… se se encontrassem de novo, como Xinlu o olharia?
Jeong Taeui usou a toalha para enxugar a nuca já seca. Seu coração ficou pesado.
Desde aquele dia, ele não tinha visto Xinlu nenhuma vez. A menos que algo especial acontecesse, não havia motivo para que os membros e a equipe de logística se encontrassem. Eles trabalhavam em lugares sem chance de cruzar um com o outro. Ele ia ocasionalmente ao quarto do tio, o que significava que às vezes ia ao primeiro subsolo, mas mesmo assim olhava ao redor com cuidado, como um ladrão.
O que aquele garoto estava pensando, levantando a cabeça na frente de um cara legal aplicando remédio?
Tou jogou a toalha no cesto ao lado de Jeong Taeui e, por hábito, bateu no bolso para conferir os cigarros antes de sair, deixando Jeong Taeui sozinho lutando com seus pensamentos no banheiro. Jeong Taeui o olhou com um rosto sombrio.
— Vai fumar?
— Huh? É. Você vem?
— É, me dá um cigarro.
— Você sabe que não tem nenhum lugar para comprar cigarros aqui, né?… Tá bom, vou te emprestar um. Me paga depois com um maço.
— Você tem noção de como sua cara tá irritante agora? Experimenta se olhar no espelho.
Tou – fumante compulsivo – defendeu sua mesquinharia, dizendo:
— Droga, ainda vou ficar preso aqui por mais quinze dias, e meu estoque de cigarros já tá acabando.
Jeong Taeui seguiu Tou pelo corredor bagunçado até o térreo e saiu para fora sem hesitar. Ele olhou em volta. Era covarde, não sabia o que faria se encontrasse Xinlu agora.
Ao sair, a luz forte do sol fez seus olhos arderem.
Vivendo no subsolo, o sistema de ar-condicionado era perfeito, fazendo parecer que não havia diferença em relação à luz natural. Mas, às vezes, estar exposto ao sol e sentir o vento trazia uma certa paz.
Jeong Taeui costumava sair para caminhar em seu tempo livre. Independentemente de seus colegas fazerem o mesmo ou não, sempre encontrava alguém lá fora.
À noite, a trilha na floresta era perigosa, então ninguém se aventurava. Mas de dia era um ótimo lugar para caminhar. Seguindo o caminho atrás do prédio, apesar de longo, dava para chegar perto do mar. As pedras empilhadas como uma casa e a cor do oceano eram de tirar o fôlego.
Jeong Taeui acabou arrancando mais dois cigarros de Tou. Como achava cansativo ir tão longe, Tou escolheu um caminho mais curto. Jeong Taeui, por sua vez, seguiu sozinho pela grama que chegava ao joelho, sendo picado por insetos e arranhado pelas folhas até sangrar.
Não devia ter vindo de bermuda. Bem quando pensava em voltar, o cheiro de maresia veio com a brisa.
— Droga. Devia ter vindo aqui com Xinlu. Talvez tudo tivesse corrido melhor, sem toda aquela ansiedade…
Jeong Taeui resmungou consigo mesmo, colocando o cigarro na boca. Acendeu-o com o isqueiro que pegara de Tou e tragou fundo.
— Desculpem, árvores. Mesmo se vocês sufocarem, aguentem só um pouco.
Jeong Taeui pediu desculpas por fumar na floresta. Adiante estava o mar.
Mas, infelizmente, o mar não era a única coisa que apareceu.
Depois de aproveitar a brisa marítima, parecia que alguém voltava pelo mesmo caminho.
Era justamente a pessoa que ele menos queria ver agora. Xinlu.
Ao avistá-lo, Jeong Taeui instintivamente procurou um lugar para se esconder, mas antes que conseguisse, Xinlu já o havia visto.
Só depois que seus olhos se encontraram, ele percebeu que não tinha como se esconder. Xinlu pareceu surpreso e parou por um instante, mas logo continuou andando em sua direção. Afinal, só havia um caminho.
— Foi dar uma volta? — perguntou Jeong Taeui, sem jeito. Seria mais estranho passar direto sem dizer nada.
Xinlu olhou para ele e assentiu sem hesitar.
— Sim. Você também, Tay-hyung?
— É… só que… faz tempo que não nos vemos — respondeu Jeong Taeui, tentando soar indiferente. Mas foi um fracasso. Seu rosto queimava.
Depois de alguns passos, Xinlu parou, parecendo hesitante.
Jeong Taeui, com o cigarro na boca, preocupado, tentou parecer calmo. Devia se desculpar? Provavelmente. Mas sua boca estava rígida demais para se abrir.
— Você mudou de quarto? Em qual você está agora? — finalmente, Xinlu falou.
— Sim, mudei para o quarto do Tou. Ah, ele disse que eu tinha que informar, mas esqueci. Agora estou no quarto dele com ele.
— Ah. O quarto do Tou. Entendi – Xinlu assentiu.
O clima voltou a ficar estranho.
Era melhor do que encontrá-lo no quarto para conversar, então, nesse sentido, estava bom. Mas agora o ar parecia áspero e desconfortável.
Jeong Taeui baixou o olhar para Xinlu, que estava com a cabeça levemente curvada. Os cílios longos dele tremeram algumas vezes. Taeui conseguiu ver um pequeno redemoinho no topo da cabeça.
Um garoto adorável. Certamente devia gostar de uma menina delicada, pequena como uma boneca, doce como algodão-doce.
Mas, de repente, um homem grande, a quem via como irmão, fez algo vergonhoso. Ele devia estar chocado. Talvez até com nojo, ou irritado.
E se ele perguntasse: “Por que você está me olhando assim?”… Será que Jeong Taeui deveria desconversar, dizendo que tinha perdido a cabeça por um momento? Ou admitir honestamente: “Sim, eu fiz isso.”
De qualquer forma, seria difícil.
Mas Xinlu apenas disse:
— Você costuma visitar bastante o quarto do Instrutor Jeong, não é? Agora não pode mais ir lá. Durante o treinamento conjunto, o contato entre instrutores e membros é proibido.
— Hã? Ah… valeu.
Jeong Taeui sabia daquilo, como seu tio havia o alertado, mas depois de hesitar, apenas agradeceu. Estava grato por Xinlu se importar.
Certo. Xinlu estava tentando ser gentil com ele. Mesmo que se sentisse desconfortável, não deixava transparecer.
Cada vez que a conversa travava, o silêncio só aumentava.
Mais uma vez, o assunto chegou a um beco sem saída. Jeong Taeui percebeu o olhar constrangido de Xinlu e suspirou, dando um passo para o lado. Percebeu que estava bloqueando o caminho.
— Então eu vou na frente — disse Xinlu, curvando-se antes de passar por ele.
Jeong Taeui murmurou um pedido de desculpas. Não tinha certeza se Xinlu ouvira, já que sua voz saíra baixa demais.
Ufa. Ele suspirou e começou a se mover devagar. Mas, de repente, os passos atrás dele pararam.
— Ah… Tay-hyung.
A voz hesitante o chamou. Jeong Taeui parou e se virou. Xinlu o olhava, confuso.
— Hm… isso… eu…
— ….?
— Isso…
O rosto de Xinlu ficou vermelho; a voz, quase um sussurro:
— Eu já dormi com homens antes.
— ……….
O cigarro na boca de Jeong Taeui caiu no chão. Ele encarou Xinlu, atônito. O outro não conseguiu sustentar o olhar, gaguejando:
— Dois anos depois do colegial… eu não era muito maduro, mas fui a um lugar para esse tipo de gente… homens. Foi a minha primeira vez…
O rosto de Xinlu estava tão vermelho quanto um tomate maduro quando terminou.
Jeong Taeui ficou olhando para ele, atordoado. Sua mente estava em branco.
Depois de um longo silêncio, Xinlu ergueu o rosto e gritou:
— Hyung! O cigarro! O cigarro!
Traduzido por Mandy Fujoshi
Revisado por Fran ♡
Até o próximo capítulo.
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Jeong Taeui, cujo irmão mais velho é o gênio Jeong Jaeui, é um ex-soldado que se considera uma pessoa comum. Atendendo à recomendação de seu tio, Jeong Chang-in, Jeong Taeui decidiu trabalhar por seis meses na Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento de Recursos Humanos (UNHRDO). Mas, ao se envolver com um homem maluco de mãos bonitas, Ilay Riegrow, ele nem imaginava que sua vida começaria a desandar em uma direção totalmente inesperada.
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