Ler Passion – Novel – Capítulo 20 Online

Modo Claro

Jeong Taeui sorriu e respondeu:

— Hum, é mesmo.

Claro, ele nunca se considerou uma pessoa cheia de humanidade. Mas não esperava ouvir tais palavras. Contrariando os preconceitos de todos sobre um gênio, ele próprio sabia muito bem que Jeong Jaeui era alguém cheio de “humanidade”.

— Fiz algo de errado com você sem saber? Ou será que meu irmão te ajudou em muitas coisas? Se você não entender, isso poderia facilmente ser tomado como um insulto.

— Não quis dizer dessa forma. Por exemplo… certo. Talvez seja porque Jeong Jaeui tenha provavelmente mais preocupações e sofrimentos do que você? Isso é o que chamo de humanidade.

Jeong Taeui ficou sem palavras pela segunda vez.

As palavras que aquele homem proferiu sem pensar hoje o surpreenderam repetidas vezes.

Preocupações e sofrimentos… talvez. Mas, a menos que alguém pudesse ver dentro da mente de seu irmão, como saberia o que ele estava pensando? Já que é impossível medir emoções pessoais com números absolutos, é difícil comparar quem se preocupa mais ou menos.

— Mas, objetivamente falando, ele é tão sortudo que nem sabe o que é ansiedade ou preocupação. Foi ele quem disse que queria tentar a sorte e se arriscar sozinho.

Jeong Taeui balançou a cabeça e murmurou. Ilay provavelmente o observava silenciosamente. Uma risada suave veio do outro lado da tela.

— De fato, Jeong Jaeui é muito sortudo. Concordo totalmente. Mas você já pensou no mistério por trás dessa sorte?

O sorriso desapareceu do rosto de Jeong Taeui.

Antes, ele achava que aquele homem tentava insinuar algo em suas palavras, mas não sabia o quê. Agora, podia entender vagamente o significado oculto por trás daquelas palavras.

Aquele homem sabia algo que Jeong Taeui nunca tinha pensado, e nem precisava pensar.

— Ele é meu irmão, mas parece que você o entende melhor do que eu.

Ilay pareceu perceber imediatamente a amargura nas palavras de Jeong Taeui. O homem acenou com a mão e respondeu confuso:

— Oh. Isso é constrangedor. Não quis te magoar dizendo essas coisas. Quer que paremos de falar sobre isso?

Ilay encerrou a conversa com um tom suave. Jeong Taeui ficou olhando para a mão pálida e suspirou. De qualquer forma, esse não era um assunto que ele quisesse aprofundar.

— Agora você parece muito mais calmo. Seu rosto avermelhado voltou ao normal.

Jeong Taeui estava esfregando a testa com o polegar quando ouviu aquelas palavras. Ele se virou para o espelho. Como Ilay dissera, seu rosto, antes vermelho, voltara ao normal.

A voz sugestiva de Ilay alcançou Jeong Taeui enquanto ele massageava o rosto:

— Mas, se você ficou preso naquela ilha e se apaixonou por alguém, essa pessoa provavelmente não é uma mulher, certo?

Ilay falou com um tom estranho. Jeong Taeui respondeu confuso:

— De jeito nenhum. Desde o ensino médio, não segurei a mão de nenhuma garota, exceto em cumprimentos.

— Ah, ha. Então seu problema com moralidade sexual inclui essa parte, certo?

Ilay falou como se tivesse entendido o problema inicial de Jeong Taeui. Jeong Taeui não tinha intenção de esconder sua orientação e apenas deu de ombros em resposta.

— Sim. E isso te incomoda?

— Me incomoda? Por que eu me incomodaria com a preferência de outra pessoa?

Ilay riu. Aquelas palavras pareciam traçar um limite. Por mais que conversassem de forma confortável, ainda eram pessoas diferentes. Até emocionalmente.

Naquele momento, Jeong Taeui percebeu.

Embora aquele homem falasse com ele de maneira descontraída, não havia intimidade ou afeto. Tampouco havia desconforto. Era como lidar com alguém completamente desconhecido.

Apesar de óbvio, Jeong Taeui sentiu-se vagamente surpreso. Só percebeu agora, mas sentia-se bastante próximo daquele homem. Eles haviam conversado apenas algumas vezes ao telefone, e ainda assim Jeong Taeui se sentia muito próximo. Assim como a maioria das pessoas se sente próxima de alguém com quem falou poucas vezes.

Mas aquele homem era diferente de todos os outros; isso não afetava seus sentimentos de forma alguma. Tempo e intimidade não eram proporcionais. Em retrospectiva, houvera muitas oportunidades de perceber isso, mas Jeong Taeui não tinha notado. Talvez, mesmo se conversassem centenas de vezes no futuro, os sentimentos desse homem em relação a ele não mudariam, diferente dos outros.

Independentemente de ter nascido frio, parecia que a forma como suas emoções se desenvolviam não era como a das pessoas comuns.

Então, se era sobre “humanidade”, esse cara não tinha autoridade para comparar ou julgar ninguém…

Palavras subiram à garganta de Jeong Taeui, mas ele as engoliu. Não pretendia discutir, sentindo que seria arrogante demais dizer tais coisas a alguém que traçava limites claros com os outros.

— É uma pena, mas eu gosto bastante de você.

— Ah, ha. Eu também gosto de coisas que vão contra a moral sexual.

— … Não. Não quis dizer dessa forma…

Jeong Taeui murmurou, acenando com a mão. Claro, Ilay entendeu e apenas sorriu suavemente.

Um som mecânico ecoou levemente do outro lado da linha. Bipes regulares, como de um despertador ou telefone.

Parecia que Ilay olhava para algum lugar e suspirava, batendo os dedos levemente na mesa.

Pausou por um momento e ligou imediatamente depois.

— Preciso ir.

— Certo, até a próxima, se houver oportunidade.

— Hum. Ah. Pensando bem, o treinamento conjunto das filiais da Ásia e da Europa está chegando, certo?

— Sim, você sabe bem.

Um negociante de livros usados ou de armas… Pensando bem, era estranho que ele soubesse disso.

Mas, nesse caso, o cronograma do treinamento conjunto não era segredo, e ele parecia ter uma relação próxima com o tio de Jeong Taeui, então fazia sentido.

— Entrar na filial e já ter que participar do treinamento conjunto deve ser difícil. Boa sorte. Não morra.

— Me desejar sorte com essas palavras não soa nada como sorte, mas obrigado mesmo assim.

Jeong Taeui riu e murmurou. Ilay pareceu rir levemente também. E assim, a ligação foi encerrada.

*****************************

Era uma sexta-feira agitada.

Na noite de sexta, após o término da programação oficial, realizaram o sorteio conforme planejado: quem ficaria na filial asiática e quem seguiria para outras filiais. Como já se sabia, os designados para o treinamento conjunto na filial asiática viriam da filial europeia, enquanto os demais iriam para a filial sul-americana.

Jeong Taeui pensou que não faria diferença se ficasse ou partisse. Mas, ao ver seus colegas tremendo e demonstrando rejeição clara à filial europeia, sentiu vontade de ficar e observar. Porém, para sua própria segurança, era melhor se juntar ao grupo que partiria para a filial sul-americana.

Além disso, toda vez que fechava os olhos, ou mesmo com eles abertos, a imagem daquele homem aparecia vívida em sua mente.

A imagem de um homem elegantemente vestido, estendendo a mão com luvas pretas, segurando a garganta do oponente, deixando marcas vermelho-escuro.

Se tivesse que enfrentar alguém assim…

Só de imaginar, Jeong Taeui estremeceu. Precisava pensar em sua própria vida primeiro.

Ele pegou um número aleatório da caixa: 62. Então, os demais membros também retiraram bolas numeradas de 1 a 96. O instrutor avançou e tirou uma bola de outra caixa: número 2. Os números pares ficariam.

Jeong Taeui girou a bola 62 em sua mão, com uma expressão amarga. O destino de ficar ou partir estava decidido de forma tão simples. Números pares ficariam na filial; ímpares partiriam cedo no sábado, rumo ao aeroporto.

Quando o sorteio terminou e eles se dispersaram, uma atmosfera animada tomou os membros.

Jeong Taeui estalou a língua ao sair do grande salão com os colegas, todos com expressões pensativas. Embora não pudesse mudar nada, ainda queria ir para a filial sul-americana, pensando na própria segurança.

Talvez não fosse apenas ele; a maioria das pessoas ali pensava da mesma forma. No entanto, ninguém parecia muito feliz com a perspectiva de ir para a filial sul-americana.

Independentemente de onde fossem, em três dias todos enfrentariam uma luta infernal de quinze dias.

Jeong Taeui caminhava lentamente atrás dos colegas barulhentos, mas não queria descer naquele ritmo. Mudou de direção e seguiu para as escadas.

Mesmo ao entrar no quarto e fechar a porta, ainda podia ouvir a conversa barulhenta dos colegas no corredor abaixo. Com seu estado de espírito atual, Jeong Taeui só queria estar em um lugar silencioso.

O quarto do tio era a melhor escolha. O andar do tio estava quase desocupado, e ele andava muito ocupado esses dias, então não havia ninguém por perto.

Jeong Taeui não tirou o casaco e se deitou na cama, enterrando o rosto no cobertor. Todo o seu corpo se sentia pesado. Deitar-se de bruços assim o fazia sentir sono. Recentemente, os programas de treinamento tinham sido intensos durante o horário oficial, e mesmo durante os intervalos, os colegas o incomodavam constantemente, deixando-o exausto.

— Bem antes do início oficial do treinamento conjunto, deixando todo mundo ainda mais cansado… vou morrer de exaustão primeiro.

Jeong Taeui suspirou e falou consigo mesmo, pegando um livro da estante. Todos os dias que vinha aqui, lia algumas dezenas de páginas antes de voltar. Na verdade, era um livro muito interessante, e ele poderia terminá-lo rapidamente caso se concentrasse, mas seu corpo parecia algodão encharcado, tornando difícil o foco.

Ele levou o livro de volta para a cama e lançou um olhar ao telefone.

O aparelho permanecia silencioso, sem sinais de chamadas.

Quando estava no quarto de outra pessoa, era melhor não atender o telefone, mas as ligações do homem de mão branca e bonita eram bastante interessantes. Embora não fossem apenas divertidas.

Jeong Taeui folheou as páginas que já tinha lido. No meio do livro, viu as anotações do tio nas margens. Era hábito dele escrever seus pensamentos enquanto lia. Lendo aquelas notas, Jeong Taeui conseguia compreender o que seu tio pensava ao ler o livro, o que lhe trazia uma pequena alegria.

Antes de vir para cá, ele não via muito o tio. Tanto Jeong Taeui quanto seu irmão, e o próprio tio, tinham personalidades diferentes, então não se viam com frequência. Mesmo que se encontrassem uma ou duas vezes por ano, não havia estranheza ou distância. Mesmo que se encontrassem após vários anos, parecia que haviam se visto ontem.

No entanto, cada vez que o tio vinha à casa, geralmente passava tempo com o pai de Jeong Taeui. Depois que o pai faleceu, ele costumava conversar mais com o irmão, então não conversava muito com Jeong Taeui.

Pensando bem, seu tio era uma figura notável na família. Para alguém nascido e criado em uma família comum tornar-se oficial da UNHRDO não era fácil.

O que desejo alcançar no fim das contas não é diferente do que as pessoas desejavam centenas de anos atrás, e talvez continue sendo o mesmo daqui a centenas de anos. Será por isso que os humanos permanecem humanos?

Jeong Taeui percorreu com a ponta do dedo a caligrafia do tio no rodapé da página.

Quando abriu o livro pela primeira vez, havia um leve cheiro de poeira. Seu tio provavelmente o lera há muito tempo. Então aquelas palavras também eram um fragmento dos pensamentos do tio, de muito tempo atrás, pelo menos mais jovem do que agora.

Procurar os pensamentos enterrados de outra pessoa tinha seu próprio interesse.

Afinal, o que seu tio desejava? Jeong Taeui parecia saber, mas ao mesmo tempo não saber. Ele não se lembrava de o tio ter mencionado algo assim.

Será porque Jeong Jaeui tem mais preocupações e sofrimentos do que você? Isso é humanidade.

De repente, a voz de Ilay ecoou em sua mente.

Talvez ele estivesse desejando algo. Mas como poderia saber o que seu irmão queria, quando tudo o que Jaeui desejava podia ser facilmente compreendido sem nenhum esforço?

De qualquer forma, o termo “humanidade” parecia muito negativo.

Jeong Taeui sorriu amargamente.

Parecia que sua consciência estava se esvaindo enquanto lia o livro pela metade.

Sua mente ficou vazia, preenchida por pensamentos desconexos.

E então, alguém veio despertá-lo daquele sono pesado.

Traduzido por Mandy Fujoshi
Revisado por Fran ♡
Até o próximo capítulo.

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Jeong Taeui, cujo irmão mais velho é o gênio Jeong Jaeui, é um ex-soldado que se considera uma pessoa comum. Atendendo à recomendação de seu tio, Jeong Chang-in, Jeong Taeui decidiu trabalhar por seis meses na Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento de Recursos Humanos (UNHRDO). Mas, ao se envolver com um homem maluco de mãos bonitas, Ilay Riegrow, ele nem imaginava que sua vida começaria a desandar em uma direção totalmente inesperada.
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