Ler Passion – Novel – Capítulo 16 Online
Assim como as belas mãos na tela, ele batucou silenciosamente os dedos na mesa e ficou parado como uma estátua de pedra, com pensamentos confusos. Mas, olhando para trás agora, não parecia tão complicado assim.
— Ah… quem sabe. Será que vou sempre viver em um mundo em guerra? De qualquer forma, não tenho intenção de me envolver em nenhum movimento anti-guerra.
— Certo. Mesmo tendo largado meu emprego, ainda existem muitos soldados profissionais por aí que precisam ganhar a vida.
Jeong Taeui resmungou e se jogou de volta na cama.
BAM! Seu pé bateu no canto da parede. Doeu pra caramba.
Embora já tivesse antecipado, tudo se despedaçou como uma bolha.
***************
No dia seguinte, Golding, o instrutor do segundo centro de treinamento em artes marciais, ligou para Jeong Taeui cerca de trinta minutos antes do início oficial da sessão. Claro, no dia anterior, Jeong Taeui tinha deixado a sala de treinamento com a desculpa de trocar de roupa e desapareceu por meia hora. Quando chamaram a chamada, ele ainda estava deitado na cama do tio sem mover um músculo. Agora, precisava pagar o preço rolando no chão cedo pela manhã, antes das aulas regulares começarem.
Exausto física e mentalmente, Jeong Taeui entrou cambaleando na aula formal daquela manhã. Hoje haveria uma palestra analisando experiências de combate real. O auditório estava equipado com uma grande tela, embora ainda fosse pequeno em comparação com a sala. Os membros da equipe já estavam reunidos e sentados em silêncio.
Quando Jeong Taeui entrou na sala, o instrutor lançou-lhe um olhar feroz, mas não disse muita coisa — provavelmente porque já tinha ouvido a situação por Golding.
Tou se esgueirou para um assento vazio e imediatamente virou-se para olhar Jeong Taeui.
— Teve um encontro divertido com o Golding? Ser chamado logo depois do café da manhã… que relação quente, hein.
— É, foi tão quente que acabei queimado até a morte.
Jeong Taeui resmungou em voz baixa para Tou, mas logo encolheu quando recebeu um olhar afiado como uma bala do instrutor no púlpito. Tou fingiu não saber de nada e sentou-se ereto, olhando para a frente.
— Como todos sabem, o treinamento conjunto com a filial europeia está chegando. Então, hoje vamos revisar vídeos das sessões anteriores e realizar análises individuais. Aqui estão os dados do treinamento conjunto do ano passado.
Enquanto Jeong Taeui cutucava o lado de Tou sem piedade, o instrutor apertou o botão de controle. A tela escura se iluminou, mostrando um vídeo. A qualidade da imagem não era das melhores, mas suficiente para acompanhar as cenas.
— Droga, isso dói.
Tou se contorceu e sussurrou para Jeong Taeui, que então fingiu inocência, olhando para a frente.
— Quieto, olha lá. É o registro do treinamento conjunto.
Jeong Taeui falou friamente. Tou ergueu a mão para revidar, mas Carlo deu um leve chute em sua cadeira. Um pequeno bipe soou. O vídeo parou. O olhar gélido do instrutor se voltou para eles.
— Vocês aí. Querem assistir a isso depois da aula, durante o intervalo? — perguntou uma voz fria.
Tou imediatamente se endireitou e respondeu com seriedade:
— Não. Eu definitivamente não quero isso.
— Desculpe. Vou ficar quieto.
O melhor era se curvar incondicionalmente. Naquela manhã, Jeong Taeui percebeu que uma pessoa podia se perder completamente diante de um superior. Claro que Tou, que já vivia ali há bastante tempo, não poderia ignorar isso.
Abaixo do Diretor e do vice-diretor vinham o Instrutor e o Instrutor assistente daquele lugar. Mas a posição de um instrutor não era um título menor que pudesse ser levado de ânimo leve. Se um instrutor da UNHRDO fosse transferido para outra organização, poderia assumir imediatamente um cargo de alto escalão.
O instrutor, de cabelos grisalhos, lançou-lhes um olhar gelado e então pegou o controle.
— Se quiserem salvar a própria vida, não negligenciem o dever. Prestem bastante atenção.
O instrutor falou, e o vídeo voltou a rodar.
Eram imagens do treinamento conjunto do ano anterior com a filial europeia — mas não na íntegra, apenas as partes essenciais, cortadas e editadas.
Assim que o vídeo começou, a classe, antes silenciosa, passou a murmurar diante das cenas sangrentas. Todos assistiam com seriedade, comentando em voz baixa com os colegas ao redor.
Jeong Taeui, que nunca havia participado de um treinamento conjunto, fixou os olhos na tela e ouviu atentamente os sons ao seu redor.
— Então, faltam menos de dez dias. Depois de assistir a isso, acha que consegue acompanhar?
Um colega ao lado sussurrou discretamente para Jeong Taeui. Ele cruzou os braços, apoiou o queixo sobre eles, encarou a tela e respondeu sem desviar o olhar:
— Parece uma guerra de gangues organizada. Juntar-se ao seu lado e espancar o outro até a morte… Mas também preciso me preocupar com a minha própria vida. Isso me deixa um pouco inquieto.
Entre os homens que lutavam no vídeo, ele reconheceu de vez em quando alguns colegas daquela mesma sala. Ainda assim, parecia estar vendo-os pela primeira vez. Eram rostos verdadeiramente à beira da vida e da morte. Se perdessem, morreriam com certeza.
Não havia armas letais. As armas de fogo eram paintball ou de ar comprimido. As facas tinham o fio embotado, de modo que não podiam perfurar ninguém. Em outras palavras, era um treinamento puramente formal.
No entanto, ninguém ali sentado ignorava que coisas aparentemente inofensivas podiam se tornar armas mortais.
— Ah. A trapalhada idiota do Tou também ficou gravada.
Jeong Taeui riu e apontou para a tela. O homem que franzia o cenho ao seu lado era justamente o que aparecia no vídeo. Quando tentou aproveitar a chance para acertar um soco no adversário, acabou pisando em um sujeito caído atrás e perdeu o equilíbrio. O soco só acertou o ar. Assim, foi facilmente contra-atacado pelo oponente.
Tou resmungou, se perguntando por que tinham registrado justamente aquela cena. Yuan Ho, sentado ao lado dele e também rindo, surgiu na tela em seguida. Uma expressão feroz estava claramente estampada em seu rosto.
— Aí está. Não dá pra mostrar só os fracassos; me mostre algumas vitórias também. Nossos colegas parecem tolos fazendo besteiras… é vergonhoso.
— Seu moleque… Eu nunca cometo erros tolos. Não se sente ridículo dizendo isso?
— Erros básicos assim não são tolos o bastante?
Tou só conseguiu engasgar com as próprias palavras diante do sorriso alegre de Jeong Taeui. Ele arregaçou as mangas, pronto para avançar sobre Jeong Taeui, quando o ambiente ao redor de repente ficou estranhamente silencioso. Naquela atmosfera fria, Tou voltou-se para o vídeo, e Jeong Taeui também dirigiu o olhar para frente.
Um vídeo editado estava passando na tela. Embora tivesse sido cortado, o conteúdo principal ainda era muito claro — apenas as partes desnecessárias antes e depois haviam sido retiradas.
Nesse vídeo, havia um homem.
Seu rosto estava pálido, como se não houvesse uma gota de sangue nele. O que quer que estivesse pensando, mantinha os olhos baixos, fitando os próprios pés. O homem, de expressão entediada e roupas impecáveis, não parecia combinar com aquele tipo de gravação. Se aparecesse na capa de uma revista de moda, faria muito mais sentido.
— …Esse rosto deve ficar adorável quando ele sorri.
Jeong Taeui suspirou e acrescentou:
— Mas o rosto dele é tão pálido… que pena.
Tou se virou para encará-lo. Olhou para Jeong Taeui como quem vê um fantasma. E não só ele: os membros sentados em lugares onde mal conseguiam ouvir também lançaram olhares surpresos para Jeong Taeui, as pupilas quase saltando. Jeong Taeui não sabia se estavam apenas o encarando.
Ele olhou ao redor, tentando entender por que aquelas pessoas de repente reagiram assim, e então voltou o olhar para a tela.
O homem no vídeo nem sequer tinha uma arma. As mãos estavam vazias, apenas com luvas pretas. Ele também não parecia estar escondendo nenhuma arma secreta. A camisa se ajustava perfeitamente ao corpo, e usava calças simples, sem nada extra no visual.
Teriam colocado o vídeo errado? Não, aquela cena definitivamente era desta filial.
Jeong Taeui esfregou os lábios com a mão enquanto apoiava o queixo, observando a tela com curiosidade. Naquele momento, seus olhares se encontraram. Quando aqueles olhos negros e vítreos o encararam através da tela, o coração de Jeong Taeui disparou.
Talvez ele estivesse olhando para a câmera montada no canto da sala. Um sorriso se formou naquelas feições inexpressivas e monótonas. Jeong Taeui imaginou que o homem poderia ser mais jovem que ele. Pela aparência, era difícil determinar a idade, mas ainda havia um leve traço juvenil naquele rosto sorridente.
O homem se aproximou da câmera e estendeu a mão. A tela foi imediatamente coberta pelas luvas pretas.
No entanto, antes que a câmera fosse totalmente obscurecida pelo preto, a mão parou. Ele percebeu que havia outro homem surgindo atrás dele enquanto a mão se afastava gradualmente da câmera. Era um homem de porte maior do que a maioria dos homens orientais.
Ao ver o homem recém-aparecido, alguém sussurrou “Kiyomi”. Parecia que já tinha ouvido aquele nome antes. Jeong Taeui rapidamente percebeu que se tratava do homem que havia se ferido gravemente no treinamento anterior e agora estava se recuperando no hospital. Ele também era o antigo proprietário do quarto em que Jeong Taeui estava hospedado.
O homem chamado Kiyomi segurava uma faca na mão. Era uma faca sem fio, incapaz de cortar alguém. Mas Kiyomi não recuou; o rosto dele ficou vermelho enquanto encarava firmemente o homem à sua frente. Parecia que ele ia dizer algo, mas como o vídeo não tinha som, era difícil saber o que falou.
O homem se aproximou de repente de Kiyomi. Em um instante, uma tensão surgiu no rosto dele enquanto se movia em direção ao outro em um ritmo moderado.
Por um momento, Kiyomi girou a faca meio giro, com a lâmina apontando para baixo, e se aproximou do homem. Enquanto lançava um cotovelo para atingir o adversário, levantou a mão que segurava a faca e desferiu uma estocada para baixo. Se o homem desviasse do cotovelo ou da faca, abriria uma brecha e poderia ser derrubado a qualquer instante.
O homem diminuiu o passo. Então estendeu a mão, apoiou-se na parede e saltou para o lado.
Os dedos de Jeong Taeui, que estavam esfregando os lábios, pararam subitamente. Parecia que ele tinha visto algo muito estranho.
Na parede branca onde o homem havia encostado, havia marcas negras, como se algo pegajoso das luvas tivesse ficado ali.
O que era aquilo?
Jeong Taeui não teve tempo de pensar.
* Traduzido por Mandy Fujoshi. Até o próximo capítulo! *
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Jeong Taeui, cujo irmão mais velho é o gênio Jeong Jaeui, é um ex-soldado que se considera uma pessoa comum. Atendendo à recomendação de seu tio, Jeong Chang-in, Jeong Taeui decidiu trabalhar por seis meses na Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento de Recursos Humanos (UNHRDO). Mas, ao se envolver com um homem maluco de mãos bonitas, Ilay Riegrow, ele nem imaginava que sua vida começaria a desandar em uma direção totalmente inesperada.
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