Ler Passion – Novel – Capítulo 14 Online
Olhando para trás, Jeong Taeui nunca havia namorado ninguém, nem uma única vez.
Ele já tinha sentido aquele frio na barriga diante de alguém, mas, antes mesmo de perceber seus próprios sentimentos, a pessoa já havia desaparecido. Teve muitas experiências na cama, mas era difícil chamar aquilo de amor.
Houve um jovem com quem ele dividiu a cama por um tempo — o mesmo envolvido naquela briga de facas —, mas o relacionamento deles não era romântico, por isso Jeong Taeui não conseguiu entender as atitudes do rapaz depois. Ele percebeu que só conseguia ter esse tipo de relação, sem avançar além disso.
Depois disso, nunca mais encontrou alguém que tivesse vontade de proteger para a vida inteira e, além do mais, não tinha tempo: a vida militar já era problema suficiente.
Então, aquele sentimento atual era estranho. Mas não era nada ruim. Mesmo sentimentos não correspondidos eram agradáveis. Ver alguém que o fazia se sentir confortável era uma experiência boa.
— Desculpe…
Disse Jeong Taeui ao entrar em uma sala onde estavam quatro homens. Três eram responsáveis pela logística e um era o vice-diretor.
Quando Jeong Taeui viu o vice-diretor que conhecera em seu primeiro dia, endireitou as roupas e ficou em posição de sentido junto à porta. Talvez o homem tivesse acabado de terminar seu trabalho, pois apenas assentiu levemente e passou por Jeong Taeui, saindo da sala.
Rudolph Gentil. Ele era o superior direto de seu tio.
Jeong Taeui não sabia muito sobre ele, tendo trocado apenas rápidas saudações uma única vez. Mas, pelo que ouvira, era um homem gentil e, ao mesmo tempo, formidável.
Imaginava que Gentil pudesse ser alguém alegre por fora, mas difícil de decifrar por dentro. Ainda assim, todas aquelas suposições eram vagas.
De qualquer forma, isso não lhe dizia respeito. Só precisava se concentrar em sobreviver pelos próximos seis meses, então não importava quem tivesse um coração sombrio.
— Tay-hyung? O que o traz aqui?… e o que aconteceu com a sua camisa?
Jeong Taeui estava olhando fixamente para as costas do vice-diretor, mas se virou quando ouviu uma voz familiar.
Xinlu, sentado perto da janela, parecia ligeiramente surpreso ao vê-lo naquele estado.
— Hã? Ah, minha camisa rasgou durante o treino. Vim pegar uma nova, tudo bem?
Jeong Taeui sorriu sem jeito e tocou a camisa rasgada.
— Claro, tudo bem.
Respondeu Xinlu, entrando na sala dentro do escritório e voltando com um novo conjunto de roupas.
— Valeu. O que faço com essa aqui? Tiro e entrego pra você ou só jogo fora?
— Hm… Está bem rasgada, vai ser difícil consertar. Pode simplesmente jogar fora… Você se machucou em algum lugar?
— Se machucar é coisa de todo dia. Não é nada. Obrigado por se preocupar.
Jeong Taeui sorriu sem jeito. Xinlu também sorriu de leve e murmurou:
— Por favor, tome cuidado.
Xinlu, o mais jovem dali, havia ficado extremamente chocado ao vê-lo no banheiro naquele dia. Mas, depois de se encontrarem e conversarem algumas vezes, parecia ter baixado a guarda, chamando Jeong Taeui de hyung com frequência e sendo amigável.
— ……
Da sua posição, Jeong Taeui podia ver o topo da cabeça de Xinlu. Ele tocava a parte rasgada da camisa de Jeong Taeui, verificando se dava para consertar. O leve cheiro de sabão fazia Jeong Taeui querer tocar aquele cabelo.
Os dedos de Jeong Taeui tremiam enquanto ele debatia se deveria tocar aquele cabelo. Mas rapidamente abaixou a mão quando Xinlu levantou o olhar. Se seu tio o visse assim, certamente daria um estalo com a língua e o chamaria de covarde.
— Você se esforçou hoje. Espero que se acostume com este lugar logo. — disse Xinlu com um sorriso.
Só então Jeong Taeui percebeu que o sol estava se pondo. Ao virar a cabeça para fora, nuvens laranja-avermelhadas flutuavam pelo vasto céu. Estando sempre no subsolo, ele não tinha noção do tempo, a não ser que olhasse para um relógio.
— O céu está lindo.
Jeong Taeui murmurou, admirado. Não era apenas porque não via o céu há muito tempo, mas também porque a mistura de vermelho e azul era realmente bonita.
— Tem cobras lá fora com frequência, né?
— Como assim? Sim. As tardes são lindas. Mas é um pouco perigoso na floresta, embora fique tranquilo na praia.
— Hm… Quer dar uma volta?
— …Agora? — perguntou Xinlu, parecendo confuso. Jeong Taeui sorriu e assentiu. Por dentro, se admirava.
Afinal, ele tinha coragem de convidar alguém para sair normalmente quando se concentrava. Isso significava que não era só uma tartaruga tímida. Afinal, era famoso em muitos bares gays… não, isso não era algo de que se orgulhar, então melhor esquecer.
Jeong Taeui se orgulhava apenas da própria coragem. Mas seu rosto já estava vermelho como um tomate.
Xinlu o olhava com um olhar estranho, parecendo conter o riso. Ao ver aquela expressão, Jeong Taeui se sentiu um pouco desconfortável, mas felizmente Xinlu não parecia irritado.
— …uh… você não quer ir?
— Mais do que não querer… ainda não terminei meu trabalho. Pode ir sozinho, a brisa está agradável.
Xinlu sorriu e balançou a cabeça. Jeong Taeui se sentiu um pouco desapontado, mas tentou não demonstrar. Murmurou: — Tudo bem também.
Ele pretendia dar a volta sozinho, mas perdeu a vontade por causa da decepção. Pedir algo, esperar, e depois se sentir frustrado — as pessoas eram criaturas tão caprichosas.
— Certo, então trabalhe bastante. Até mais. Boa sorte.
— Sim, Tay-hyung… ah, espere!
Xinlu pareceu hesitar por um instante antes de chamar novamente. Jeong Taeui parou na porta, prestes a sair, e se virou, confuso:
— O que foi?
Xinlu sorriu sem jeito para ele.
— Amanhã ou depois, vamos juntos. Conheço um lugar bonito onde quase ninguém vai.
— Hã?… Sério?
— Sim. Se você estiver de acordo…
— Claro, ótimo… sim, vamos fazer isso. A qualquer hora. Depois do treino, não tenho nada pra fazer.
Jeong Taeui assentiu, sentindo-se ao mesmo tempo surpreso e contente com aquele acontecimento inesperado. Tocou inconscientemente o pager inútil fornecido pela filial e acrescentou: — Você pode me contatar a qualquer momento.
— Sim.
Xinlu respondeu com um sorriso radiante e voltou para sua mesa. Sozinho no corredor, Jeong Taeui ficou olhando fixamente para o lugar onde Xinlu estivera, antes de cerrar o punho em silêncio.
Viu só, valeu a pena tentar. Se não hoje ou amanhã, então depois teria a chance de ficarem a sós.
Jeong Taeui não conseguia parar de sorrir. Seu humor melhorou rapidamente. Queria sair para fora com essa boa sensação, mas decidiu esperar o momento de sair com Xinlu.
Jeong Taeui murmurou para si mesmo e se dirigiu ao elevador, balançando a cabeça enquanto esperava que ele subisse do quinto andar.
Ainda era horário de treino, então ele teria que voltar à sala de treinamento. Mas não estava com vontade de voltar lá com esse bom humor.
— …Em momentos assim, o melhor é se enfiar em um quarto cheio de comida e livros para ler…
Murmurou Jeong Taeui, virando-se antes que o elevador chegasse e seguindo pelas escadas.
Seu destino era o quarto do tio — um lugar com muita comida e livros para ler.
Jeong Taeui girava a chave pendurada no dedo e caminhava alegremente.
O quarto do tio ficava no primeiro subsolo. Como de costume, ele não encontrou ninguém; estava extremamente silencioso. Se um assassinato acontecesse ali, levaria muito tempo para alguém descobrir… bem, talvez não. Câmeras de segurança estavam instaladas por toda parte.
Jeong Taeui olhou para as câmeras nos cantos, apontadas para o quarto do tio. Antes de entrar, olhou para a câmera e bateu educadamente na porta.
Era mais uma formalidade, não realmente necessária. Se o tio estivesse dentro, a porta estaria destrancada; se não, estaria trancada. Além disso, provavelmente o tio já perceberia alguém se aproximando no momento em que ele dobrasse a esquina.
Jeong Taeui bateu algumas vezes e tentou a maçaneta. Ao perceber que estava trancada, arqueou a sobrancelha e tirou uma chave do bolso. Era a chave que acabara de receber com o consentimento do tio. Este tinha-lhe dito alegremente para ir ler livros sempre que quisesse.
O quarto estava tão arrumado quanto sempre. Apesar de ter tudo o que era necessário, não parecia habitado.
— Até o tio tem um lado assim…
O quarto estava impecavelmente limpo. Sempre que o tio não estava ali, parecia um quarto modelo, desabitado. Parecia um canto escondido da personalidade do tio. Jeong Taeui suspirou.
Ele abriu a geladeira casualmente, pegou uma lata de cerveja, bebeu de uma vez e se jogou na cama perfeitamente lisa. Depois de se revirar sobre a cama sem cheiro de gente, deitou-se e pegou um livro ao alcance da mão na estante.
Ele vinha ali todos os dias por hábito, quando não tinha nada para fazer, deitando-se e lendo livros. Todo dia, lendo algumas dezenas de páginas com calma.
Olhando para a estante cheia de livros raros, Jeong Taeui pensou que seu irmão Jaeui iria adorar. Mas talvez Jaeui já tivesse lido tudo isso.
Seu irmão sortudo não lhe dava motivos para preocupação, mas Jeong Taeui ainda se perguntava o que ele estaria fazendo agora e onde estaria. Teria voltado para casa, ou estaria trancado em alguma biblioteca ou instituto de pesquisa, lendo ou trabalhando sem parar?
Ontem, Jeong Taeui tentou ligar para casa para checar, mas ninguém atendeu. Mesmo sendo meia-noite, se Jaeui não atendesse, provavelmente estava em outro lugar.
De repente, a imagem de Jaeui usando o dedo para cortar um fio vermelho apareceu em sua memória.
Embora não achasse que Jaeui o odiasse a ponto de querer cortar todos os laços, como explicar? Naquele momento, seus sentimentos eram estranhos.
Jeong Jaeui era muito sortudo, então conseguia qualquer coisa facilmente. Mesmo que fingisse cortar a relação deles, talvez realmente acabasse cortada.
— Eu não gosto disso… não sinto nada.
Jeong Taeui deitou-se de bruços na cama, espalhou os braços e olhou para o dedo mínimo, procurando por algum vestígio do fio vermelho invisível que ele dizia estar ali. Mas Jaeui poderia realmente cortá-lo?
Jeong Taeui mexeu o dedo mínimo algumas vezes, como se verificasse se a outra ponta do fio invisível se movia.
De repente, um som mecânico ecoou no quarto silencioso. Era um som familiar que ele já tinha ouvido antes. Ao virar a cabeça, o telefone piscava em vermelho.
— …..
Jeong Taeui ficou olhando para o telefone, que continuava a piscar e emitir aquele som mecânico, ponderando se seria certo atender a ligação de outra pessoa. Na realidade, não faria diferença se ele não atendesse, mas o telefone continuava tocando insistentemente, fazendo-o sentir que precisava fazer algo.
Jeong Taeui saiu da cama e olhou para o número exibido na tela do telefone. Se fosse para o tio, ele não tinha ideia de quem poderia ser, mas mesmo assim observou o número desconhecido.
Era uma ligação internacional. Se o número começava com 49… não era esse o código da Alemanha? Ele não tinha certeza.
Enquanto ainda pensava, a ligação terminou. Jeong Taeui voltou para a cama, pegou o livro e usou-o para cobrir o rosto, pensando novamente no irmão. Quando Jaeui dormia, ele costumava fazer isso. Jeong Taeui uma vez perguntou se não era pesado, mas Jaeui respondeu que um livro de algumas centenas de páginas não podia ser tão pesado. Jeong Taeui ficava admirado de o rosto de Jaeui continuar intacto, mesmo ele adormecendo frequentemente com algo assim sobre ele.
Em retrospecto, Jeong Taeui não se parecia muito com o irmão. Mesmo sendo gêmeos, não pareciam ter nada em comum. Nem na aparência, nem na personalidade, nem na sorte.
— …Mesmo assim, meu rosto continua mais bonito. Mesmo que outras coisas não se comparem.
Na verdade, as aparências eram tão diferentes que não dava para dizer quem era mais bonito ou menos bonito.
Jeong Taeui puxou um pouco o livro e se virou. Embora não pudesse enxergar deitado, havia um grande espelho ao lado da mesa. Ele se levantou, aproximou-se do espelho e olhou atentamente para seu reflexo. Um jovem com um rosto calmo se refletia. Embora não tivesse vivido nem metade da vida, parecia muito cansado.
Jeong Taeui passou a mão no rosto enquanto se observava no espelho. Era como tocar neve no inverno. Dos olhos ao nariz e à boca. Quase ao mesmo tempo, outro som mecânico tocou. Era ainda o mesmo número de antes.
Sem deixar a outra pessoa esperar muito, ele atendeu rapidamente. Se ignorasse uma ligação tão insistente, eles ligariam de novo em pouco tempo.
— Alô, oi.
Quando pressionou o botão vermelho piscante, a tela de cristal líquido acima se acendeu. Não havia nada refletido ali além de uma camisa branca. Ele apenas conseguiu ver um canto de porta-retrato na borda da tela. Mas não dava para identificar o que estava na foto, porque a tela era pequena demais.
[— Haha. É o sobrinho atendendo de novo.]
Parecia que ele já tinha ouvido aquela voz em algum lugar antes. Então, um par de mãos apareceu diante da tela. Se eram aquelas mãos, ele lembrava claramente. Eram tão bonitas que não se podiam esquecer.
* Traduzido por Mandy Fujoshi. Até o próximo capítulo! *
Ler Passion – Novel Yaoi Mangá Online
Jeong Taeui, cujo irmão mais velho é o gênio Jeong Jaeui, é um ex-soldado que se considera uma pessoa comum. Atendendo à recomendação de seu tio, Jeong Chang-in, Jeong Taeui decidiu trabalhar por seis meses na Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento de Recursos Humanos (UNHRDO). Mas, ao se envolver com um homem maluco de mãos bonitas, Ilay Riegrow, ele nem imaginava que sua vida começaria a desandar em uma direção totalmente inesperada.
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