Ler Passion – Novel – Capítulo 11 Online
Ele não estava no quarto.
Não, para ser mais exato, ele não estava lá. Perdido em seus pensamentos, Jeong Taeui havia aberto a porta sem bater, mas não havia ninguém dentro para repreendê-lo.
A porta não estava trancada e não havia ninguém no interior. Ele hesitou ao ouvir o som da água corrente. Seu tio provavelmente estava no banheiro privativo.
Jeong Taeui viu alguns objetos familiares espalhados sobre a mesa e confirmou que era mesmo o quarto de seu tio. Ele entrou. Sentou-se na grande cadeira em frente à mesa e lentamente observou o cômodo ao redor.
O quarto de seu tio era completamente diferente do seu.
Além dos móveis e dos aparelhos eletrônicos, havia muitas outras coisas. Uma estante ao longo das paredes estava repleta de livros.
Jeong Taeui tocou em uma estante ao seu alcance. Seu tio possuía muitos livros raros. A casa de seu tio, onde ele ficava menos de dez dias por ano, também era cheia de obras raras, suficientes para fazer qualquer colecionador salivar de inveja.
Por isso, Jeong Taeui costumava ir até a casa de seu tio e passava dias lá sem sair. Lia os livros e depois ligava para o irmão para conversar sobre eles. Jeong Taeui não gostava de livros tanto quanto o tio ou o irmão, mas ainda assim o suficiente para distinguir uma obra rara. Entre os livros que ele tocava agora, havia um que queria ler, mas não tinha conseguido comprar.
Jeong Taeui arqueou levemente as sobrancelhas e puxou o livro para fora. Ele havia se esforçado muito para encontrá-lo, mas desistira porque estava fora de circulação.
Perguntou-se onde o tio encontrava aquelas coisas. Ali, ele se sentia à vontade.
Jeong Taeui suspirou e folheou lentamente os livros da estante. No entanto, não conseguiu se concentrar na leitura, pois o garoto que acabara de conhecer ainda permanecia em seus pensamentos.
— Realmente… O que você está fazendo, Jeong Taeui? Se controle.
Jeong Taeui deu tapinhas no próprio rosto, que começava a esquentar, e estalou a língua. Continuou a bater nas bochechas mais algumas vezes.
Como a UNHRDO podia colocar uma criança aparentemente frágil em um lugar tão perigoso? Mas, se ele estava no primeiro andar, parecia não fazer parte de nenhum grupo.
Ao pensar nisso, Jeong Taeui foi atingido pela realidade.
Esse era o primeiro andar. Ele estava no sexto. Se fosse o primeiro andar… aquele garoto poderia ser o diretor, o vice-diretor ou algum oficial de alta patente?
O rosto de Jeong Taeui enrijeceu. Suas mãos ainda folheavam distraidamente as páginas do livro, mas sua mente estava em branco.
Nesse instante.
Um leve som mecânico trouxe Jeong Taeui de volta à realidade. Como o quarto estava tão silencioso, ele pôde ouvi-lo claramente.
Jeong Taeui se virou na direção do som. O telefone sobre a mesa estava tocando. O som mecânico ecoava pelo quarto. Uma pequena tela acima da luz vermelha piscava como se implorasse para ser pressionada, emitindo uma luz fraca e sombria.
Jeong Taeui virou a cabeça. Já não ouvia o som da água vinda do banheiro. Seu tio estaria prestes a sair? Mas então, ouviu novamente o barulho de respingos. Parecia que seu tio ainda estava mergulhado na banheira.
O telefone não pararia de tocar a menos que alguém atendesse. Jeong Taeui deixou o livro sobre a mesa, levantou-se e caminhou até a porta do banheiro, batendo no vidro fosco.
— Tio, tem uma ligação.
— Uma ligação? A essa hora?… Haha, sei quem é. Apenas anote a mensagem para mim. Vou ficar aqui por mais um tempo.
Seu tio não parecia surpreso com a presença de Jeong Taeui no quarto. Mesmo sem haver nenhum barulho, ele devia ter percebido quando ele entrou.
— Se você sabe que alguém está vindo, deveria terminar o banho rápido. Por que está tão relaxado?
Jeong Taeui resmungou, e uma pequena risada veio do banheiro.
— Eu sabia que era você, então por que eu deveria ter pressa?
Era exatamente o jeito do tio dele.
Jeong Taeui estalou a língua e voltou para a escrivaninha. O telefone havia parado de tocar. Ele gritou:
— A ligação acabou, tio!
Em seguida, pegou o livro novamente e sentou-se.
Tomando banho, hein. Aquele garoto devia estar na banheira agora.
Jeong Taeui corou novamente. Seu rosto estava em chamas.
Sua pele clara e rosada devia ficar tão bonita na água morna. Pele lisa e macia, com um cheiro agradável. De repente, ele teve vontade de abraçá-lo.
— …Isso é sério… É só um momento passageiro, o que há com você, Jeong Taeui.
Jeong Taeui abanou o rosto corado com a mão, suspirando e murmurando para si mesmo. Não era que ele gostasse do garoto, mas sabia que não haviam interagido o suficiente para ele sentir algo assim. Mesmo assim, pensamentos adultos insistiam em surgir em sua mente.
Jeong Taeui suspirou mais uma vez e usou o grosso livro em suas mãos para se abanar. O telefone tocou novamente, e a luz vermelha começou a piscar mais uma vez.
Ele estava prestes a chamar o tio, mas sabendo que ele não sairia do banho mesmo que ele gritasse até ficar rouco, Jeong Taeui pressionou o botão vermelho após pensar por um momento. Seu tio havia pedido para que anotasse a mensagem, mas não havia papel nem caneta por perto. Esperava que fosse algo que pudesse lembrar.
— Alô.
Quando Jeong Taeui pressionou o botão de atender, a tela de LCD acima se acendeu. A imagem de quem ligava apareceu na tela.
Ele não podia ter certeza, pois o ângulo não era amplo, mas parecia que a pessoa estava dentro de algum cômodo. Talvez um quarto privativo. Ele conseguiu ver imediatamente um guarda-roupa embutido contra a parede branca.
O corpo do homem preenchia um terço da tela.
Por causa do ângulo estreito, ele conseguia ver apenas parte do homem, do queixo ao peito, vestindo uma camisa escura. Havia também uma manga ligada à camisa, terminando em uma mão segurando uma xícara de porcelana.
Aquela mão era muito branca. Era uma mão extraordinariamente bonita, parecendo que pertencia a alguém que toca piano. A mão era tão grande que a xícara parecia pequena nela. Mas os dedos eram delicados e translúcidos.
Cada ponta de dedo tinha unhas bem aparadas, parecendo vidro pálido.
[— …Quem é você?]
A voz com tom mecânico era desagradável.
A voz rígida soava como a de uma máquina automatizada em um aparelho eletrônico. A pessoa do outro lado podia estar usando um modulador de voz. A mão branca na tela colocou a xícara no lugar, e os longos dedos bateram levemente na borda.
[— E quanto ao instrutor Jeong Changin?]
— Ah… Ele está no banheiro. Se tiver alguma mensagem, eu a repassarei para ele.
Jeong Taeui respondeu, os olhos fixos na bela mão, parecida com vidro.
Do outro lado, houve um momento de silêncio.
Enquanto Jeong Taeui admirava a mão, uma voz sussurrante falou.
[— Então…]
— Hã?
[— Então quem é você? A pessoa que atendeu o telefone naquele quarto?]
Talvez fosse o clima, mas a voz pareceu se tornar um pouco mais baixa, como se estivesse pensativa. Apesar do estranho som mecânico, a bela mão acariciava lentamente a xícara, fazendo Jeong Taeui perceber a mudança no tom da voz.
Jeong Taeui não sabia o que dizer, pois não conhecia a outra pessoa, então escolheu a resposta mais direta.
— Sou o sobrinho da pessoa neste quarto, aquele que está tomando banho tranquilamente mesmo sabendo que alguém está ligando. Se tiver algo a dizer, eu repassarei. Mas não há papel nem caneta aqui, então, por favor, seja breve. Minha memória é péssima.
Após Jeong Taeui falar, do outro lado surgiu uma risadinha breve.
[— Hm, então você deve ser o segundo sobrinho. Qual é o seu nome?]
— Jeong Taeui… E você é?
Jeong Taeui rapidamente compreendeu a situação. O homem sabia sobre ele. Não, ele sabia sobre a família de Jeong Changin. Até o fato de que Jeong Changin tinha dois sobrinhos, sendo um deles um gênio famoso.
Parece que todos na filial sabiam que Jeong Taeui era sobrinho de Jeong Changin, então não era surpresa que outros soubessem sobre a família deles.
O homem do outro lado ficou em silêncio por um momento, e então falou:
[— Ilay.]
Jeong Taeui assentiu. Ilay. Fácil de lembrar.
O homem que se chamava Ilay voltou a ficar em silêncio. Outra mão branca apareceu na tela. Era a mão esquerda, e as duas mãos bonitas se entrelaçaram.
Jeong Taeui suspirou suavemente, e Ilay falou.
[— O que há?]
— Nada… mas ninguém nunca te disse que suas mãos são lindas?
[— Minhas mãos?]
Jeong Taeui percebeu um leve tom de confusão na voz. Ele imaginou o homem olhando para as próprias mãos enquanto os dedos se entrelaçavam, depois se soltavam, flexionando os nós dos dedos com graça, como uma obra de arte.
As mãos se fecharam em punhos, depois se relaxaram e se entrelaçaram novamente. Ilay falou com um leve tom de diversão.
[— Bem, é a primeira vez que ouço isso. Você gosta das minhas mãos?]
— Sim, são muito bonitas.
[— Haha, então está bem. Depois que eu morrer, vou te dar estas mãos. Mas, em troca, você terá que juntar suas mãos aos meus braços. Até um cadáver parece miserável sem mãos.]
— …Eu vou ter que recusar. De qualquer forma, aquela mão não combina comigo. Se estivesse ligada ao meu corpo, seria a única coisa que se destacaria.
Jeong Taeui franziu o nariz e fez uma careta; a piada era tão cruel quanto verdadeira.
Ilay achou as palavras divertidas e sorriu suavemente novamente.
[— Hm, não parece combinar. Suas mãos combinam com o seu rosto.]
Ele riu enquanto falava.
Então Jeong Taeui percebeu que a tela do seu lado parecia ter um ângulo mais amplo do que a do outro lado. Instintivamente, tocou na lente à sua frente.
— Parece que esta câmera tem um ângulo mais amplo. Hm, mas só de ver esses dedos bonitos na tela também não é ruim.
Ilay pareceu sorrir novamente.
[— Se você está aí agora, significa que acabou de entrar na filial asiática, certo?]
Jeong Taeui deu de ombros.
— Sim, graças ao meu tio, entrei sem passar por nenhum procedimento formal.
[— Ah, entendi. Você tem um “guarda-chuva” bem grande aí.]
Ilay riu enquanto falava, e Jeong Taeui riu junto, lembrando-se e percebendo a verdade naquelas palavras.
Um respingo de água ecoou do banheiro. Talvez seu tio tivesse terminado de se banhar e logo sairia.
— Acho que meu tio vai sair em breve. Você pode esperar por ele um instante? Se não, posso repassar sua mensagem. Ou você pode ligar para ele mais tarde.
Pensando bem, ele ainda não sabia o motivo da ligação do homem. Quando Jeong Taeui falou, Ilay murmurou preguiçosamente: “— Hm.”
[— Diga a ele que encontrei o livro que estava procurando. O livro de mitologia de Laurent Gastiye, edição de 1925, por 3.500 dólares.]
Jeong Taeui não pôde deixar de ficar em silêncio ao ouvir aquilo. Se era o livro de mitologia de Laurent Gastiye, ele já tinha ouvido falar e queria lê-lo por conta própria. Era só isso, mas…
— 3.500 dólares? Por um livro?
Quando ele exclamou, com os olhos arregalados, achando aquilo absurdo, Ilay riu como se soubesse o que ele estava pensando.
[— Se você contar para o instrutor Jeong, ele vai ficar satisfeito em saber que conseguiu o livro por um preço muito barato. Então, por favor, repasse a mensagem para ele. Espero vê-lo novamente algum dia.]
A bela mão acenou um suave adeus na tela. A ligação terminou logo em seguida.
Jeong Taeui ficou olhando para a tela agora escura à sua frente mais uma vez, suspirou e se recostou na cadeira.
* Traduzido por Mandy Fujoshi. Até o próximo capítulo! *
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Jeong Taeui, cujo irmão mais velho é o gênio Jeong Jaeui, é um ex-soldado que se considera uma pessoa comum. Atendendo à recomendação de seu tio, Jeong Chang-in, Jeong Taeui decidiu trabalhar por seis meses na Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento de Recursos Humanos (UNHRDO). Mas, ao se envolver com um homem maluco de mãos bonitas, Ilay Riegrow, ele nem imaginava que sua vida começaria a desandar em uma direção totalmente inesperada.
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