Ler O Marido Malvado (Novel) – Capítulo 195 Online


Modo Claro

Desde o início, a ambição de Cesare sempre fora uma força singular e inabalável. Até mesmo o título de Imperator, a glória máxima que um homem poderia alcançar, era meramente uma ferramenta aos seus olhos. No momento em que concluiu que seu irmão, Leone, representava uma ameaça à segurança de Eileen, o caminho da traição tornou-se inevitável.

No entanto, mesmo que para Cesare aquilo fosse apenas um meio para um fim, o título de Imperador possuía um significado completamente diferente para Lotan e Diego. Os leais cavaleiros que haviam lutado ao lado do seu senhor acreditavam que ele merecia a posição mais gloriosa do império. Quando Leone recebeu o trono, eles respeitaram o afeto fraternal de seu mestre, mas uma decepção silenciosa permaneceu em seus corações. E agora, aquilo que ousavam desejar apenas em segredo estava prestes a acontecer. Ainda assim, eles não conseguiam simplesmente se alegrar.

— Me atrevo a perguntar — começou Lotan, falando em nome de todos os homens que seguiam Cesare. — Depois que o senhor criar esse mundo para Eileen… o que deseja para si mesmo?

Em vez de responder, Cesare encaixou o carregador na pistola que montara meticulosamente e se levantou. Caminhou até a porta dos fundos e a abriu, revelando às profundezas sombrias e nebulosas da floresta. Levantando a arma, mirou na escuridão. Seu movimento fluido, sem qualquer hesitação.

Bang! 

O disparo quebrou o silêncio da floresta. Um baque pesado ecoou quando algo caiu das árvores. Era um homem completamente armado, caído de bruços sobre o chão coberto de musgo. Uma poça vermelha começou a se espalhar ao redor de seu corpo imóvel, sua mão ainda agarrada a arma. Cesare abaixou lentamente sua pistola.

Lotan e Diego avançaram imediatamente para eliminar os invasores restantes. Os tiros que se seguiram só cessaram depois que cadáveres suficientes foram empilhados para servir de alimento às feras da floresta.

Lotan fez uma careta. Terem chegado tão longe significava que os assassinos estavam claramente mais desesperados do que antes. As ações de Cesare estavam deixando seus inimigos ansiosos, forçando-os a agir com agressividade cada vez maior.

— Lotan, Diego — disse Cesare, colocando a pistola sobre a mesa. — Quando eu me for, quero que jurem lealdade a Eileen como sua nova senhora.

— Vossa Graça…!

— Eileen será uma boa senhora. Talvez até melhor do que eu.

Lotan e Diego imediatamente caíram de joelhos diante dele. Lotan, que jamais tremera diante da morte no campo de batalha, gaguejou, com o rosto pálido.

— Não, por favor… reconsidere. Nós… nós somos seus… Eileen…

— Vocês viram o Panteão?

Os olhos de Lotan escureceram enquanto baixava o olhar para o chão. Ele testemunhara o Panteão desabado com seus próprios olhos. Sabia que aquilo era um aviso dos deuses. Cesare já falara sobre sua própria morte antes, mas Lotan sempre se agarrara a um fio de esperança de que alguma solução pudesse ser encontrada, de que Eileen descobriria um novo caminho para eles.

Mas Cesare sabia que tal esperança era inútil. Suas palavras eram uma declaração final. O grande corpo de Lotan tremeu enquanto ele chamava o seu senhor.

— Vossa Graça…

Ele não conseguia dizer mais nada, apenas pronunciar seu nome como se estivesse sufocando nas próprias palavras.

Cesare se ajoelhou, encontrando o olhar de seus cavaleiros. Havia um leve sorriso de compreensão em seus olhos, como se estivesse certo do futuro. Não importava a escolha que fizesse, ele sabia que eles o seguiriam até o fim.

— Não façam nada para impedir minha morte, — disse enquanto suspirava. — Isso é uma ordem, Lotan.

Depois de pedir que Malena entregasse a mensagem, Eileen também perguntou por Alessia, a cavaleira que a havia protegido do lado de fora da residência. Malena havia feito uma pergunta estranha em troca.

— Houve algum inconveniente em tê-la ao seu lado?

É claro que Eileen estivera perfeitamente segura graças a Alessia. Ela elogiara a cavaleira com toda a eloquência que possuía. Malena apenas assentiu, com uma expressão indecifrável.

— Então isso é um alívio.

Eileen quis perguntar mais, entender por que Malena havia feito tal pergunta, mas seu tempo era limitado. O encontro entre a Arquiduquesa e a dançarina só fora concedido a pedido específico de Eileen.

Depois que Malena saiu, Lotan pediu cautelosamente um momento de sua atenção.

— Sinto muito — começou ele em voz baixa.

Ele queria se desculpar por tê-la trazido à força de volta da taverna. Mas Eileen não sentia nenhum ressentimento por ele. Ele apenas seguira as ordens de Cesare. Ainda assim, a lembrança de ver Lotan com os soldados havia deixado um pequeno e persistente incômodo dentro dela. O choque disso, a sensação de que estivera tão perto de escapar, permanecia. Mesmo assim, ela sabia que todos os cavaleiros de Cesare se importavam com ela. Afinal, Senon a ajudara a escapar de sua prisão no quarto.

Eileen agradeceu a Lotan, e um silêncio constrangedor se instalou entre eles. Para sua surpresa, foi Lotan quem falou novamente:

— Você se lembra? — perguntou ele, falando de um passado distante. Um tempo que jamais era mencionado, exceto no aniversário do incêndio que tirara a vida de sua esposa e filha. — A pequena Eileen me visitava todos os dias. Mesmo quando eu não abria a porta, você sempre deixava flores na minha janela.

Ela simplesmente esperava que, se ele puxasse as cortinas, nem que fosse por um momento, as flores fossem a primeira coisa que ele visse. Então, todos os dias, ela lhe trazia flores. Eventualmente, ele começou a abrir sua porta, e eles conversavam. Eileen contava a ele como o tempo estava bonito e quais flores estavam em plena floração. Fora um ato de esperança de que um dia ele se recuperasse, mas agora, olhando para trás, ela achava que ele devia ter se irritado com aquilo.

Contudo, ao contrário do que pensava, uma luz gentil e calorosa envolvia Lotan enquanto ele falava do passado. Um leve sorriso surgiu no rosto do homem, como quem recordava uma lembrança preciosa.

— Espero que não sofra demais por causa da escolha que Sua Graça fez. Você é muito importante para ele.

Lotan preocupava-se com a dor que a escolha de Cesare causaria a Eileen. Mas havia algo que ele não sabia.

— Agora eu estou bem — disse Eileen.

Ela já decidira deixar sua dor de lado. Não tentaria mais compreender a natureza do amor dele, algo que ainda não conseguia entender. A única coisa que importava agora era a sobrevivência daquele homem. Cada pensamento e batida de seu coração estavam focados unicamente nesse objetivo.

— Senhor Lotan, eu quero salvar o Cesare.

E, portanto, ela tentaria de tudo. Mesmo que fosse uma luta inútil.

— No dia do julgamento, se eu vencer… — pediu ela, suplicando que ele desafiasse as ordens de seu senhor. — Por favor, me envie ao templo.

Com as acusações contra a Arquiduquesa Erzet agora pública, o julgamento foi marcado para acontecer em pouco mais de dez dias. Como a fabricação de drogas era um crime punido com execução imediata, o Império tratou o caso com extrema seriedade, acelerando o processo. A notícia de que o casal Erzet, as figuras mais observadas do Império, compareceria ao julgamento espalhou-se como fogo. Incontáveis cidadãos reuniram-se do lado de fora do tribunal, esperando vislumbrar o Arquiduque e a Arquiduquesa enquanto passavam.

No dia do julgamento, Eileen começou sua manhã como de costume. Acordou cedo e leu os jornais e revistas enquanto tomava café da manhã. Não conseguia desviar os olhos dos artigos sensacionalistas sugerindo que a Arquiduquesa havia misturado drogas na Aspiria, embora desviasse o olhar rapidamente. Estava no meio dos preparativos para o tribunal, revisando os argumentos que pretendia apresentar durante o julgamento, quando Sonio entrou correndo no quarto.

— Senhora, a Condessa Domenico…

Eileen deixou cair os papéis que segurava. 

A terrível notícia que Sonio viera trazer era sobre a morte da Condessa.

Continua…

Tradução e Revisão: Elisa Erzet 

Ler O Marido Malvado (Novel) Yaoi Mangá Online

Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
 
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
 

 
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
 
 

 
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
 

Sinopse 

Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage 
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui

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