Ler O Marido Malvado (Novel) – Capítulo 129 Online


Modo Claro

Eileen virou-se instintivamente para a porta da tenda, mas o tecido grosso que a cobria bloqueava sua visão do lado de fora.

 

Ela tentou se levantar, porém um aperto firme a manteve no lugar, impedindo qualquer movimento. Assustada, virou-se para Cesare. Esperava que ele fosse o primeiro a investigar a confusão, mas sua expressão permanecia calma, inabalável como sempre.

 

— Cesare…

 

— Então, era só isso que você queria dizer? — perguntou ele, ignorando os gritos do lado de fora como se fossem insignificantes. Seu olhar estava fixo apenas nela.

 

Surpresa, Eileen deixou escapar, sem pensar:

 

— Você não estava planejando explicar direito, estava?

 

As palavras saíram muito mais insolentes do que pretendia, mas o fluxo não cessou.

 

— Ah, você disse que me contaria, mas no final, nunca responde o que eu realmente quero saber…

 

Seu coração batia forte enquanto falava. Tentou se levantar, mas o braço de Cesare em sua cintura a manteve presa. Sua resistência terminou em frustração, um simples debater inútil contra a força dele.

 

Respirando com dificuldade, ela apertou o antebraço dele com força. Apenas quando sua respiração estabilizou, Cesare sussurrou:

 

— Eu disse que você saberá em breve.

 

Mas Eileen não conseguia confiar plenamente em suas palavras. Sabia que as verdades que Cesare lhe permitia enxergar eram apenas fragmentos escolhidos por ele.

 

Ele oferecia a ela pedaços da verdade para despertar sua curiosidade, prometendo respostas apenas quando ela perguntasse – sempre dentro dos limites que ele estabelecia. Isso a frustrava.

 

No passado, Eileen jamais ousaria nutrir tais pensamentos ou sentimentos. Mas fora o próprio Cesare quem a levara a desejar mais.

 

‘O que exatamente ele quer de mim?’

 

Ela não conseguia compreendê-lo. Quando abriu a boca para falar novamente, um estrondo alto — seguido pelo estalo seco de um tiro — rasgou o silêncio da floresta. O som cortou o ar tranquilo, fazendo Eileen estremecer. Instintivamente se encolheu, e só então Cesare soltou sua cintura e se levantou, puxando-a consigo.

 

— Boatos… parece que não teremos mais que nos preocupar com eles — disse ele casualmente enquanto caminhava até o suporte de armas na tenda.

 

— Em breve todos terão assuntos mais urgentes para se preocupar.

 

O suporte estava alinhado com diversas armas de fogo. Cesare escolheu um rifle de caça e o apoiou sobre o ombro, o cano longo estendendo-se por suas costas. Pegou também uma pistola e a encaixou na cintura antes de estender a mão para Eileen.

 

Eileen hesitou por apenas um momento. A resposta era óbvia. Sem dizer uma palavra, ela colocou a mão na dele.

 

Cesare a conduziu para fora, afastando a aba da tenda.

 

Os gritos vinham do altar. Quando Eileen viu a cena, ela engasgou em choque.

 

Um urso enorme jazia abatido sobre o altar. O espaço sagrado, antes reservado para oferendas rituais, estava agora profanado pelo sangue e pelas vísceras da criatura. Incensos de cedro e flores vibrantes que adornavam o altar estavam tingidos de vermelho, espalhados de forma caótica pelo chão.

 

O cheiro metálico de sangue impregnava o ar. Eileen cobriu a boca, os olhos percorrendo o corpo inerte do urso. A primeira coisa que notou foi o buraco aberto em sua cabeça.

 

Quem o derrubara com um único disparo fora ninguém menos que Diego. Ele estava sobre a fera, sua arma firme em suas mãos enquanto se certificava de que o animal estava realmente morto.

 

‘Não foi a Michelle?’

 

Embora outros cavaleiros fossem exímios atiradores, nenhum rivalizava com a precisão de Michelle. Ela era uma atiradora de elite, como se tivesse sido abençoada pelos próprios deuses.

 

Normalmente, Michelle lidaria com algo assim, mas desta vez fora Diego quem disparara. Eileen achou aquilo estranho. Olhando ao redor, percebeu que Michelle não estava em lugar algum. Talvez estivesse ocupada com outra coisa.

 

Em meio ao cenário sangrento, um nobre mais sensível havia desmaiado, precisando do apoio dos criados. Mesmo os acostumados à caça recuavam diante da visão do urso abatido.

 

O altar profanado lançava uma sombra sobre o festival de caça que se aproximava. Embora todos compartilhassem o mesmo pensamento, ninguém ousava expressá-lo.

 

‘Mas por que o urso veio até aqui?’

 

Ursos geralmente evitavam humanos. Ainda que existissem raros casos de ursos que atacavam pessoas, jamais se aproximariam de um local repleto de gente. Algo estava errado.

 

Enquanto refletia, Eileen sentiu um olhar hostil cravar-se nela. Virando-se levemente, viu um jovem sacerdote encarando abertamente Cesare. O sacerdote, que antes organizava flores no altar, agora segurava um feixe de flores recém-colhidas nos braços.

 

As flores eram vibrantes, cheias de vida. Haviam sido cuidadosamente selecionadas, com qualquer mínima imperfeição descartada.

 

Embora fosse possível reconstruir o altar com cedro e flores reservas, estava claro que o espaço sagrado já havia sido maculado. Todo o esforço para preparar as melhores oferendas fora em vão.

 

Ainda que a frustração dos sacerdotes fosse compreensível, o ressentimento direcionado a Cesare parecia deslocado.

 

Eileen sabia que o templo não o via com bons olhos. Após retornar vitorioso de Khalpen, Cesare fora aclamado como o “Deus da Guerra” pelos cidadãos do império, conquistando reverência e temor.

 

Mas comparar um homem a um deus era blasfêmia para o clero, tornando difícil que o vissem com simpatia.

 

‘Mesmo assim…’

 

Culpar Cesare por um incidente aleatório parecia injusto. Irritada, Eileen devolveu o olhar ao jovem sacerdote.

 

Ao perceber que fora pego encarando, o sacerdote estremeceu e rapidamente desviou os olhos para Eileen. Quando seus olhares se encontraram, ele congelou por um instante, o rosto corando de vergonha antes de desviar apressadamente, deixando cair o feixe de flores no processo.

 

— …?

 

Confusa, Eileen alternou o olhar entre o sacerdote e Cesare. Cesare, que observava o recuo do jovem, finalmente encontrou seu olhar.

 

Quando ela piscou, perplexa, ele tocou casualmente sua bochecha com o dorso da mão, deixando-a ainda mais confusa.

 

Ela inclinou a cabeça, tentando entender o gesto, quando um suspiro suave chegou aos seus ouvidos.

 

— Isto é inacreditável…

 

Era a voz de Ornella. Ela apareceu ao lado de Leone, com o braço entrelaçado ao dele, o rosto pálido, como se estivesse prestes a desmaiar.

 

A presença do imperador parecia chamar a atenção de todos, e os nobres reunidos rapidamente se curvaram em respeito. Ornella deu a eles um sorriso fraco e pálido em troca, um breve lampejo de apreço por sua deferência.

 

Mas, instantes depois, sua expressão se obscureceu, e ela se apoiou pesadamente em Leone, recuperando o fôlego. Leone a sustentou, murmurando palavras suaves:

 

— Não se preocupe, senhorita Ornella. Já acabou.

 

A troca carinhosa entre o casal prometido gerou murmúrios entre os nobres. Embora noivos, raramente apareciam juntos em público, e a falta de afeto entre eles era um segredo aberto. Assim, a súbita demonstração de intimidade surpreendeu a todos.

 

Em meio à agitação silenciosa da multidão, apenas Cesare permaneceu imperturbável. Ele se moveu em direção ao par, Eileen o seguindo atrás.

 

— Saudações, Imperator — disse Cesare formalmente, dirigindo-se a Leone.

 

Leone, ainda focado em Ornella, olhou para Cesare com preocupação.

 

— Arquiduque. Está ferido?

 

A voz de Leone estava carregada de inquietação enquanto examinava Cesare em busca de qualquer sinal de ferimento. Os olhos carmesins de Cesare desviaram brevemente antes de voltarem a Ornella.

 

— Mais importante…

 

Seu olhar pousou nela. Ornella ainda segurava a testa, forçando um sorriso frágil e cansado.

 

— A preocupação deveria ser com a Senhorita Farbellini, não?

 

Ela balançou a cabeça, fracamente.

 

— É apenas uma dor de cabeça pelo susto. Um pouco de descanso e ficarei bem.

 

Seu sorriso carregava um traço de tristeza. Cesare soltou uma risada baixa em resposta.

 

— Devo buscar algum remédio para a senhorita, então?

 

Os olhos de Ornella se arregalaram levemente, e ela começou a responder com um sorriso agradecido. Mas sua expressão endureceu diante das palavras seguintes.

 

— Talvez o remédio que você sempre desejou…

 

Cesare inclinou a cabeça, seus olhos afiados se curvando em um arco provocante.

 

— Certamente, ainda deve haver um pouco de Aspiria sobrando.

 

Continua…

Tradução: Elisa Erzet 

 

Ler O Marido Malvado (Novel) Yaoi Mangá Online

Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
 
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
 

 
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
 
 

 
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
 

Sinopse 

Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage 
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui

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