Ler Noite De Caça – Capítulo 209 Online

Modo Claro

Ao ver minha expressão atordoada, Choi Cheolmin fez uma cara de surpresa.

— O Hyung não sabia.

— Não.

— Ele provavelmente ia contar depois. De qualquer forma, agradeça muito a ele por mim. Tanto eu, quanto minha mãe, e toda a minha família estamos muito agradecidos. Minha mãe estava bem deprimida por causa das despesas do hospital, mas, depois que ouviu que não precisava se preocupar com os custos do tratamento, ela voltou a comer bem e está se dedicando à recuperação.

Ao ouvir o que Choi Cheolmin dizia, senti o nariz arder. Estava quase chorando.

— Que alívio…

Respondi, com a voz embargada. Abaixei a cabeça e funguei, e então Choi Cheolmin riu:

— Por que você está chorando, hyung? Você realmente encontrou o parceiro certo. Onde é que existe um alfa Real assim no mundo?

‘É verdade. O Doha é uma boa pessoa.’

Em vez de responder, apenas assenti com a cabeça.

— Hyung, você vai continuar indo para o cursinho?

— Acho que não vou mais poder ir. Vou ter que estudar em casa.

— É, eu vi alguns repórteres rondando perto do cursinho. Melhor não sair de casa por enquanto. Se ficar entediado, eu passo aqui de vez em quando.

— Tudo bem.

— Aliás, sua casa é incrível. Hyung, posso morar aqui por alguns meses?

— Claro que pode. Fique na casa de hóspedes. Lá também tem quartos vazios.

— Eu estou brincando. Nossa, você não entende uma piada.

Conversamos sem parar enquanto devorávamos tteokbokki e frituras. Quase tudo foi para o meu estômago. Depois de tanto comer alimentos nutritivos e chás medicinais, fazia muito tempo que não provava um lanche de rua, e estava delicioso.

— Comer tteokbokki numa casa dessas é uma sensação diferente. Incrível — disse Choi Cheolmin, recostando-se no sofá e acariciando a barriga estufada.

— Eu também achei delicioso. Obrigado.

— Se tiver vontade de comer alguma coisa, é só pedir. É para isso que servem os amigos, não é?

Sorri enquanto tomava um gole de café gelado. Ficamos mais umas duas horas ali, tomando chá, comendo sobremesa e conversando, até que Choi Cheolmin disse que ia embora, pois a mãe dele já tinha recebido alta e estava em casa. Pedi que esperasse um instante e fui correndo para a cozinha, de onde voltei carregando, com esforço, algumas caixas grandes que já havia separado.

— Leve isso.

— O que é tudo isso?

— São pinhos-matsutake frescos, carne bovina, enguias… e aqui tem abalone. Sua mãe ainda está fazendo quimioterapia, não está? Durante o tratamento o apetite costuma diminuir, mas ela precisa comer coisas boas para ter forças e aguentar o tratamento.

— Não precisava… você comprou isso especialmente para me dar?

— Não. É que, como eu estava doente, o Doha e a minha sogra compraram todo tipo de alimento saudável e estocaram. É tanta coisa que não dou conta sozinho. Então não se preocupe e leve esses.

— Você parece uma mãe, hyung.

— É isso que fazem os amigos. Como é pesado para carregar, eu te levo até em casa. Vamos.

Mesmo recusando, acabei arrastando Choi Cheolmin até o estacionamento e o colocando no carro. Pedi para prepararem o veículo e chamei os seguranças para carregarem as caixas de comida até o porta-malas para ele.

No caminho para a casa de Cheolmin, continuamos conversando sobre o que estávamos falando antes.

— Então, depois das provas em agosto, vou começar a trabalhar no museu. Por enquanto, serei diretor interino, com a ajuda dos funcionários. Vou fazer exposições voltadas para novos artistas também. As exposições da Galeria Hyoyeon eram sempre focadas em artistas Alfas ou Alfas Reais, mas agora quero dar oportunidade também para os artistas Betas e Ômegas.

Cheolmin, que estava me ouvindo em silêncio, finalmente falou:

— Hyung, você mudou um pouco.

— Tive que mudar, sim.

Na verdade, até agora eu mudei constantemente. Sofri mutações, troquei de pele, e repeti isso inúmeras vezes. E, normalmente, um ser vivo que troca de pele tantas vezes cresce e se fortalece. Mas, mesmo após tantas mudanças, eu continuava fraco.

Agora não era mais hora de apenas trocar de pele – era hora de quebrar o ovo e eclodir.

Enquanto eu pensava nisso, chegamos à frente da casa de Choi Cheolmin.

Segurando as caixas que o segurança havia tirado do porta-malas, Cheolmin acenou para mim. Eu também sorri, acenei e me despedi. Depois, segui de volta para minha casa.

Na entrada da ladeira que levava até minha casa, vi alguns homens desconhecidos rondando. Só de olhar já dava para saber que eram repórteres. Eles passavam o dia inteiro ali, esperando conseguir alguma matéria. Os seguranças, que monitoravam não só a frente da casa mas também a estrada abaixo, já os haviam percebido e estavam os expulsando.

Olhando para eles pela janela do carro, falei com o motorista:

— Por favor, pare o carro um instante.

— Senhor? — o motorista me olhou pelo retrovisor.

— Por favor, pare o carro.

— O que o senhor pretende fazer?

— Vai ser rápido. Por favor.

Pedi educadamente, e o motorista parou o carro a contragosto. Assim que desci, os repórteres que me reconheceram começaram a disparar os cliques das câmeras penduradas no pescoço. Os seguranças, surpresos, tentaram contê-los, mas eles, como uma matilha de cães selvagens que encontraram a presa, continuaram fotografando, apontando microfones e despejando perguntas.

— Sr. Yoo Seolwoo, é verdade que o ferimento no seu rosto foi causado por violência doméstica?

— Há rumores de que o senhor pediu o divórcio ao CEO Baek, mas foi recusado e, como represália, ficou confinado em casa por três semanas. Isso é verdade?

O poder dos boatos é realmente assustador. Além do boato de violência doméstica, agora eu era o protagonista trágico de um casamento abusivo, que teria sido aprisionado por três semanas por ousar pedir divórcio. No mundo dos alfas Reais, isso era corriqueiro. Muitos ômegas reais já haviam sido espancados – ou até mortos – por seus parceiros.

Por isso, era natural que eles achassem que o amor de Baek Doha por mim era falso. Independente do ressentimento que pudessem ter contra ele. Olhei diretamente para os repórteres, que aguardavam ansiosos pela minha resposta, e falei:

— Isso não é verdade. Meu marido nunca levantou a mão contra mim, e eu nunca pedi o divórcio. Nós dois nos tratamos com respeito e vivemos um casamento muito feliz. O ferimento no meu rosto foi causado pela pessoa que feriu minha mãe biológica.

Fiz uma pausa, observei os repórteres e continuei:

— Eu amo meu marido, e ele também me ama. Se continuarem difamando ele com esses rumores maldosos e sem qualquer verificação dos fatos, eu não vou mais ficar quieto.

Um dos repórteres deu um riso de desdém e falou:

— O senhor está nos ameaçando agora?

Era algo que eles jamais fariam diante de Baek Doha, estava claro que ele estava me subestimando. Fixei o olhar nele e perguntei:

— De qual veículo de informação você é? Qual seu nome?

— Sou Kim Kyungjun, repórter do MN Insight. Nós só estamos fazendo perguntas para verificar os fatos, o senhor não deveria nos responder com ameaças desse jeito.

— Se quer saber o que é uma ameaça de verdade, continue.

O homem hesitou.

— Por causa de uma reportagem sensacionalista, você pode ser expulso desse meio para sempre. Não, pior: pode nunca mais arrumar um emprego decente em lugar nenhum. Sabe o que aconteceu com o repórter que publicou aquela matéria sobre meu ferimento?

O jornalista que havia feito aquela reportagem maliciosa foi processado por difamação por Baek Doha. Perdeu o emprego, e o portal de notícias online para o qual trabalhava faliu e a desgraça dele não deve ter acabado por aí. O pior: ele provavelmente entrou para uma lista negra – nenhuma empresa o contrataria depois de uma simples verificação de antecedentes.

“Sabe qual é a melhor forma de destruir alguém aos poucos? Isolando essa pessoa completamente do mundo.”

Baek Doha já tinha dito isso sobre aquele repórter.

“Quem ousar mexer com você, jamais deixarei sair impune.”

Ele cerrava os dentes, com os olhos cheios de raiva, prometendo não perdoar o sujeito atrevido que tinha ousado me atingir. Para ser exato, aquela matéria só tinha prejudicado a imagem de Baek Doha – para mim, pessoalmente, não tinha causado dano algum.

— Desta vez é só um aviso, mas na próxima vocês vão entender o que é uma ameaça de verdade. Como já devem saber, meu marido não fica só nas palavras, ele ameaça e age. E eu vou fazer o mesmo.

O repórter que antes me confrontava abriu a boca novamente:

— Soube que o senhor vai assumir o cargo de diretor da Galeria Hyoyeon. Mas, se pretende iniciar a vida social de forma mais ativa, não acha melhor evitar se tornar inimigo da imprensa?

— Então devo considerar como aliados aqueles que invadem a privacidade alheia, espreitando como ladrões e destruindo a paz de uma família?

— O senhor não acha que está pegando pesado nas palavras?

— Eu já disse o que tinha para dizer. Vou entrar.

Falei friamente e me virei para ir embora.

— Espere um instante, Sr. Yoo Seolwoo! — o homem gritou meu nome com irritação. — Os seguranças me cercaram, e eu o ignorei completamente. Então, o homem xingou pelas minhas costas: — Merda… Quem esse filho da puta pensa que é para me ignorar?! — O segurança ao meu lado, indignado, virou-se para trás e resmungou algo, mas eu não me abalei. Aquilo não me atingia em nada.

Assim que entrei em casa, o telefone tocou, era Baek Doha.

[Por que fez isso?]

Ele começou já perguntando, sem nem mesmo cumprimentar.

[Você odeia aparecer na frente das câmeras, então por que fez isso?]

— Porque eu fiquei com raiva.

E era a pura verdade. Ver aqueles repórteres rondando na frente de casa, como se estivessem farejando algo para tirar proveito, me irritou profundamente. Principalmente por saber que estavam tentando pintar como um monstro e um tirano o homem que, sem que eu soubesse, até pagou as despesas médicas dos pais do meu amigo.

Meu marido me ama e me protege tanto… Eu simplesmente não entendia por que as pessoas insistiam em menosprezar esse amor genuíno.

— E mais… Eu não vou mais evitar nada. Quem ousar tocar em você ou na nossa família, eu não vou perdoar. Sabia que andam dizendo por aí que você  me bate, que por causa disso pedi o divórcio e que acabei sendo mantido em cativeiro?

Baek Doha soltou um riso curto.

[Se você me pedisse o divórcio, eu ia te manter preso mesmo.]

Ele falou tão sério que eu não pude evitar rir.

— Eu não tenho motivo para pedir divórcio. Por mais que eu procure, não existe alfa melhor que você.

[Claro que não. Eu sou o melhor. E, se aparecesse outro igual a mim, eu mato esse desgraçado.]

Só de ouvir isso me deu vontade de rir.

— Eu te amo. — Sorri enquanto dizia, e Baek Doha ficou em silêncio, soltando apenas o som da respiração. — Eu te amo, Baek Doha.

[Por que está mexendo comigo assim?]

Mexido? Por causa de uma simples declaração?

— Fiquei sabendo que você pagou as despesas do hospital da mãe do Cheolmin. Por que não me contou?

[Eu ia escolher um momento certo para falar e receber o devido elogio.]

— Obrigado.

[Nada de “obrigado”, me elogie.]

— Você foi incrível, meu amor.

Baek Doha não disse nada, mas sua respiração ficou mais pesada. Eu já sabia o que viria a seguir.

[Eu agora estou…]

— Hum. Venha para casa. Você merece um prêmio por ter sido tão bonzinho.

Eu interrompi Baek Doha e falei primeiro. Estava com saudade dele, queria vê-lo. Mesmo tendo o visto hoje de manhã, queria vê-lo de novo. Queria abraçá-lo agora, neste exato momento.

— Vou estar te esperando.

[Está bem. Espere por mim.]

A ligação foi encerrada. Eu tinha certeza de que Doha largaria todo o trabalho e viria correndo até mim imediatamente. Sabia que não deveria ser assim. Sempre fui eu quem o repreendia por não separar vida pessoal e profissional. Mas, naquele instante, não queria pensar em nada. Não importava se era certo ou errado. Só queria abraçar meu marido, beijá-lo sem parar e sussurrar nele:

‘Você foi incrível.’

‘Muito obrigado.’

‘Eu te amo.’

°

°

Continua…

 

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— Porque eu? 
Foi uma pergunta que ninguém poderia me responder.
— Dê à luz ao meu filho.
Suas ordens eram absolutas.
— Meu corpo não pode ter filhos. Eu vou morrer.
— Você só saberá depois que tentar. Vou derramar tudo de mim em você, até que tenha um filho meu.
Mas decidi não dar ouvidos às suas ordens e fugi dele… Com o filho dele na minha barriga. 
A longa noite de caça começa.
Nome alternativo: Hunting Night

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