Ler Noite De Caça – Capítulo 207 Online

Modo Claro

Passaram-se três semanas desde que fui liberado do hospital. O tempo fluiu como água, e março já estava na metade.

Não só não consegui voltar para o cursinho, como também falhei em comparecer ao encontro dos ômegas reais – aquele que eu tinha prometido a mim mesmo que não perderia por nada. Durante essas três semanas, não coloquei nem um pé para fora de casa, mas, lá fora, o mundo não parou. Muita coisa aconteceu.

Por causa do caso com Han Munwoo, meu marido, o CEO Baek Doha, mais uma vez virou o centro das atenções da mídia. Mesmo após quase três semanas, o caso ainda era um tema quente. Propostas de entrevistas e participações em programas de TV chegaram não só para ele, mas até para mim, todas foram recusadas. Não por mim – mas por Doha.

— Colocar você na tv? Que absurdo! Quer que todos aqueles alfas desgraçados fiquem babando enquanto te vêem? Já tem um monte de pervertidos compartilhando suas fotos e vídeos às escondidas. De jeito nenhum.

O motivo era esse. Não era por preocupação com meu conforto, mas porque ele não queria que outros alfas me vissem.

— Recuse todos os pedidos de entrevistas e aparições na TV. Diga exatamente isso: ‘Que não vou expor meu cônjuge a alfas imundos.’

Foi a ordem que Baek Doha deu ao secretário Park. Mas Park era um homem sensato e experiente. Ele sabia lidar com as relações públicas com educação. Em vez de repetir as palavras exatas de Doha, soube recusar de forma diplomática.

Grande parte da elite da mídia era composta por alfas. Se ele dissesse exatamente o que Doha mandou, poderia transformar todos os alfas do país em inimigos. E já havia repórteres com má vontade o bastante para publicar artigos difamatórios um atrás do outro. Não era necessário jogar gasolina na fogueira que já queimava há três semanas.

Claro que Baek Doha diria que não se importava. Só agora, depois de todo esse tempo, ele finalmente permitiu que Choi Cheolmin viesse me visitar – mesmo ele tendo se mostrado preocupado desde o início, querendo vir pessoalmente ao me ver envolvido na confusão pela mídia.

Quem impediu a visita de Cheolmin? Claro, também foi Baek Doha.

⟨Você não está em condições de ver ninguém agora. Eu não me importo, mas não sabemos que absurdos a mídia vai inventar. Vai saber se esse desgraçado não é um espião infiltrado?⟩

Fiquei furioso e disse que Cheolmin jamais faria algo assim, mas Doha foi inflexível.

⟨Não confio nesse tal Choi Cheolmin. Na verdade, não confio em ninguém.⟩

Ele até tinha razão em se preocupar. Recentemente, um técnico que veio fazer reparos em casa tirou fotos minhas e do interior da casa escondido e tentou vendê-las. Um desses sites de notícias sensacionalistas, conhecido por odiar Doha com fervor, publicou fotos minhas com hematomas no rosto junto com uma manchete inflamada:

[Exclusivo! Outra do CEO Baek? A forma distorcida de amar de um alfa real. Isso é o que o CEO Baek chama de verdadeira demonstração de amor?]

O fato de eu estar recluso há três semanas foi descrito como se eu estivesse sendo mantido em cárcere privado, e os hematomas, que foram causados por Han Munwoo, foram atribuídos ao próprio Baek Doha. Um artigo repugnante, forjado do começo ao fim.

Claro, aquele portal desapareceu do nada logo depois. E o repórter responsável, sem dúvida, perdeu o emprego.

— Não seria melhor vocês se mudarem para o exterior?

Aproveitando a oportunidade, a Sra. Park trouxe o assunto novamente.

— Eu vou continuar vivendo aqui.

Minha resposta foi firme. Nunca pensei em deixar este país e essa convicção permanecia a mesma, agora mais sólida do que nunca.

— Não quero fugir. E também não pretendo desperdiçar a oportunidade preciosa que a senhora me deu, não importa o quanto tentem nos abalar. Eu não vou ceder.

Desta vez, eu não hesitei, nem recuei, nem me escondi atrás de atitudes passivas. Não queria mais viver como um covarde. E talvez por perceber o quanto minha decisão era firme, a senhora Park não insistiu mais.

— Se é o que você quer, não posso impedir. Só digo isso porque me preocupo com você.

Tomei coragem e, dessa vez, fui eu quem estendeu a mão e segurou a dela.

— Eu sei, sogra, e sou muito grato por isso. Se não fosse por sua ajuda no caso do Han Munwoo, eu nem quero imaginar o que teria acontecido.

A responsabilidade de limpar a bagunça causada por Baek Doha ficou com a senhora Park. Han Munwoo, que levou uma surra de Baek Doha, foi internado novamente, e após uma semana de hospitalização, foi transferido para a prisão. A vida na prisão seria um verdadeiro inferno para ele, seu corpo, saturado de anos de uso de drogas, sofria com severos sintomas de abstinência, e diziam que Han Munwoo surtava todos os dias lá dentro. Ele xingava e amaldiçoava Baek Doha, a mim e a minha mãe, esperneava até ser espancado por outros detentos, depois era colocado na solitária, e esse ciclo se repetia.

— Até o couro grosso amolece quando é bem batido. Ele também vai amolecer logo, não tem outro jeito.

O que adiantava nos amaldiçoar de dentro daquela cela? Era como gritar preso dentro de um poço.

— Se precisar de ajuda, me avise a qualquer momento. Farei o que estiver ao meu alcance. Eu te devo tanto que passarei a vida toda tentando compensar.

Ela disse sorrindo, colocando a outra mão sobre a minha. Eu apenas sorri, sem dizer nada, eu entendia bem o tipo de culpa que ela carregava comigo. Para ela, essa culpa era uma dívida que só poderia ser quitada com o tempo, e deixá-la pagar era a melhor forma de aliviar seu coração.

— Obrigado, sogra.

— Eu é que agradeço por você ter impedido Doha naquela hora. Cresci em uma família que não tinha escrúpulos e sempre achei que esse tipo de método era a melhor solução. Quando era jovem, odiava tanto a minha família que prometi que, se um dia tivesse filhos, jamais os criaria daquela forma. Mas quando vi, estava ensinando as mesmas coisas a eles. O pai de Doha também era assim.

Ela fez uma pausa e soltou um breve suspiro.

— Como você sabe, o mundo dos Alfas Reais é assim. Não importa o crime, eles sempre ganham uma espécie de indulgência automática. É um perdão que vem do poder, mas isso nunca foi justiça. Só estou dizendo isso agora, mas nem eu nem o pai dos meus filhos tivemos uma vida muito justa. E o próprio Doha, no passado, também fez coisas com aquele tal de Moon Gil-sang…

— Sogra. — Chamei, cortando suas palavras. Eu não queria ouvir mais. — Isso já faz parte do passado.

A senhora Park me olhou em silêncio.

— O que passou, passou. O importante é viver bem daqui para frente. Se agora vocês reconhecem que essa indulgência que a elite recebe está errada, é só não repetir o erro.

— Seolwoo…

— Eu também não sou um santo. Só não gosto que a pessoa que amo cometa atrocidades por minha causa.

Falei isso com um sorriso. Ela me observou em silêncio por um instante e, por fim, sorriu também. A conversa sobre Han Munwoo terminou ali. Até a chegada de Doyun, a senhora Park falou de vários outros assuntos, como sempre fazia.

— Por que será que Yeonju não pensa em se casar?

No meio da conversa, o assunto de Baek Yeonju surgiu.

— Mulheres alfas reais podem se casar com homens alfas reais, não podem?

— Podem, sim. Mas qual alfa real masculino, em sã consciência, vai querer casar com uma mulher alfa real? O objetivo do casamento para eles é ter filhos. Mas as mulheres alfas reais não querem engravidar, e também não são fáceis de controlar. Então, é claro que eles não se interessam.

— Se eu fosse um alfa real, com certeza me casaria com alguém como a senhorita Yeonju.

— Isso é porque é você. Aliás, a Yeonju mesmo disse que, se encontrasse um ômega como você, ela até se casava. Vai saber se estava falando sério ou só brincando…

Mas era sério. Aquele olhar dela, dizendo para eu procurá-la sempre que algo acontecesse com Doha, era sinceramente genuíno. Havia um motivo para Baek Doha sempre estar em alerta com sua irmã, Baek Yeonju.

Enquanto estávamos conversando animadamente, Doyun chegou em casa.

— Vovóóóó!

Doyun jogou os sapatos para o lado e correu animado até a Senhora Park, gritando com força enquanto a abraçava. O rosto da senhora se iluminou com um sorriso largo ao abraçar o neto. O menino então, puxou o desenho que havia feito no jardim de infância e começou a exibir com orgulho. A Senhora Park bateu palmas ao elogiar, e eu também soltei um suspiro admirado. A cada dia que passava, Doyun mostrava uma habilidade artística notável. Não era só por ser meu filho – ele realmente tinha talento.

Com os elogios dos dois, Doyun ficou empolgado. Todo animado, foi até o quarto buscar seus materiais de arte e começou a desenhar ali mesmo, na nossa frente, com movimentos rápidos e seguros.

— Nosso Doyun realmente tem talento para arte. Você disse que vão fazer uma exposição com novos artistas para comemorar a reabertura da galeria, não foi?  Mostre os desenhos dele para os curadores.

Coincidentemente, eu já estava pensando nisso. O sorriso de Doyun se alargou ainda mais enquanto ele preenchia a folha com giz de cera, todo feliz. A Senhora Park, que antes tinha dito que iria embora antes de Baek Doha chegar – já que ele gostaria  muito de vê-la ali –, acabou não indo embora. No fim, ficou ao lado de Doyun até ele voltar do trabalho.

Provavelmente, ela também não queria voltar para casa e jantar sozinha.

Eu fui até a porta da frente receber Baek Doha quando ele chegou. Ele abriu a porta com uma expressão neutra, mas seu rosto se iluminou ao me ver.

— Ué, que surpresa. Veio até aqui me receber?

— Nada demais. Você ainda não jantou, não é? Vamos comer juntos.

Sem responder, ele de repente me envolveu pela cintura e me beijou. Não foi um selinho leve, mas um beijo de verdade, ele prendeu meus lábios e enfiou a língua na minha boca. Fiquei surpreso, desviei o rosto e tentei me soltar.

— Espera aí, espera só um segundo…

Mas Doha apenas apertou mais forte a minha cintura, segurou meu queixo com uma das mãos, virou meu rosto de volta e selou os lábios de novo com os dele.

— Meu bebê fofo é tão lindo e gostoso…

A respiração dele estava pesada, e a parte de baixo do corpo que encostava em mim estava visivelmente rígida. Mesmo depois de um dia cansativo de trabalho, ele ainda tinha energia de sobra. Eu ia abrir a boca para lembrá-lo de que a sua mãe estava em casa, mas os lábios dele voltaram a se colar aos meus. O beijo era intenso, quase feroz, e eu mal conseguia respirar de tão sufocante.

— Se chegou do trabalho, por que não entra logo? Que indecência é essa no corredor da entrada?

A voz afiada da Senhora Park ecoou pela casa. Levei um susto e empurrei Baek Doha com força. Ele se afastou, soltando um “merda” entre os dentes, irritado. Eu abaixei a cabeça e passei a mão nos meus lábios, que estavam inchados e sensíveis por terem sido mordidos e chupados.

—Você xingou sua mãe, não foi?

A Sra. Park ficou furiosa.

— O que a senhora está fazendo aqui?

— Não posso vir na casa do meu próprio filho? Ah, e para constar, vim com a permissão do Seolwoo.

— A senhora sempre liga antes de vir. Nunca aparece sem avisar.

Aproveitei a deixa para intervir rapidamente:

— E a senhora acha que o Seolwoo teria coragem de dizer “não venha” quando a sogra diz que vai aparecer? Mesmo que não queira, ele acabaria dizendo para vir.

Baek Doha já era naturalmente frio com a própria mãe, mas depois de descobrir que ela ainda mantinha o Secretário Han por perto, passou a ser ainda mais ríspido. Eu me surpreendi, neguei com ênfase as palavras dele.

— De jeito nenhum! Eu gosto quando a senhora vem, sogra.

Olhei de lado para Baek Doha, tentando dar a entender que ele estava passando dos limites, mas ele não se abalou. Simplesmente passou pelo corredor da entrada e foi andando tranquilamente até a sala. Doyun correu até ele, animado:

— Papai chegou!

Nosso filho correu até ele, mostrando o desenho que estava fazendo, tagarelando animadamente enquanto o seguia até o quarto. Era óbvio que ele ficaria ali, falando sem parar, enquanto Baek Doha trocava de roupa.

— Parece que Doha ainda está bem chateado comigo…

A Sra. Park parecia magoada com a frieza do filho, e eu não consegui nem consolar dizendo que não era bem assim. Afinal, Baek Doha não estava apenas irritado – ele estava a ponto de cortar relações com a própria mãe. Enquanto eu estava hospitalizado, ele explodiu com a senhora, perguntando como ela ainda podia manter por perto alguém que tentou me matar e enterrar meu corpo.

A empregada preparou o jantar e Doha voltou, já trocado em roupas casuais. Doyun, claro, veio grudado ao lado dele, andando juntinho como um patinho. Vendo os dois juntos, era impossível não notar a semelhança. Qualquer um diria que eram pai e filho.

A Senhora Park já havia me mostrado fotos de Baek Doha criança, e ele era idêntico a Doyun – exceto pela expressão séria, quase como se já entendesse a vida desde pequeno.

Na mesa de jantar espaçosa, eu e a Senhora Park nos sentamos de um lado; do outro, ficaram Baek Doha e Doyun. Mesmo com a boca cheia, o garoto não parava de falar:

— Papai, sabia que o Hae-shin hyung vai fazer aniversário logo, e ele vai para Jeju! Lá tem muitos cavalos, sabe!

— Baek Doyun. Quantas vezes eu já disse para não falar de boca cheia?

Baek Doha o repreendeu com voz baixa, o menino imediatamente fechou a boca e mastigou o arroz em silêncio. Depois de engolir tudo direitinho, abriu a boca de novo:

— Doyun também pode ver os cavalos?

— Baek Doyun, pare de separar só os feijões. Nada de comer só o que gosta.

Doha reclamou ao vê-lo fisgar apenas os grãos do arroz multicolorido. Fazendo careta, mas sem reclamar, Doyun pegou os feijões separados com a colher, colocou na boca e mastigou direitinho antes de engolir de uma vez.

Doha ficou olhando o filho por um instante, e só então voltou a falar:

— Muito bem. Tudo bem, você pode ver os cavalos.

Doyun abriu um sorriso largo, “Hehehe!” Só de olhar para aquela cena, eu não conseguia evitar um sorriso. Por mais ríspido e severo que parecesse, ele era um pai extremamente atencioso.

 

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Continua…

 

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— Porque eu? 
Foi uma pergunta que ninguém poderia me responder.
— Dê à luz ao meu filho.
Suas ordens eram absolutas.
— Meu corpo não pode ter filhos. Eu vou morrer.
— Você só saberá depois que tentar. Vou derramar tudo de mim em você, até que tenha um filho meu.
Mas decidi não dar ouvidos às suas ordens e fugi dele… Com o filho dele na minha barriga. 
A longa noite de caça começa.
Nome alternativo: Hunting Night

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