Ler No c* da Cobra – Capítulo 23 Online
Qualquer outra pessoa teria sido executada na hora. No entanto, a escrava não apenas foi poupada, mas também levada de volta ao seu quarto. Uma ordem de silêncio foi até mesmo emitida, garantindo que o incidente permanecesse oculto.
‘Será porque as dores de cabeça de Sua Graça respondem ao poder divino?’ Moritz assentiu, satisfeito com sua teoria plausível. ‘Faz sentido mantê-la viva, então. Suas dores de cabeça estão particularmente severas ultimamente.’
Embora a maioria permanecesse alheia ao sofrimento do Arquiduque, Moritz estava bem ciente. Ele testemunhara a fúria contida nos olhos injetados de sangue de seu senhor após horas suportando a dor, uma visão que fazia seus joelhos tremerem. Um arrepio percorreu sua espinha.
Moritz sentiu subitamente uma aura similar emanando do Arquiduque, enviando um frio através dele.
— Assistente.
— Sim, Vossa Graça!
O tom excepcionalmente agudo de sua resposta não era fruto da imaginação.
— Faz tempo que não executamos um prisioneiro de Classe A, não é?
— De fato, Vossa Graça…
Os preparativos para a guerra atrasaram muitos assuntos. Ou melhor, as prioridades mudaram. A sensação gelada rastejando pelas costas de Moritz dizia que a pergunta de seu senhor não era uma simples curiosidade.
— Providencie isso agora.
Antes que Moritz pudesse responder, o Arquiduque se virou.
Logo chegaram à entrada do calabouço, localizada na parte mais remota do castelo. Os condenados eram mantidos nos recantos mais escuros e imundos da prisão. Após caminhar por uma longa distância pelo corredor subterrâneo, o Arquiduque falou sem virar a cabeça:
— Pode ficar aqui.
A pesada porta de ferro rangeu ao abrir e depois bateu com força. Imediatamente, os gritos arrepiantes dos condenados ecoaram fracamente de dentro. O som era tão horrendo que fez os cabelos de Moritz se eriçarem.
Uma onda de repulsa e medo tomou conta dele, fazendo-o recuar instintivamente. Só parou quando estava longe o suficiente para que os gritos se tornassem inaudíveis.
‘O que… está acontecendo lá dentro?’
Ele ouviu o som seco de sua própria deglutição. Claro, eram prisioneiros condenados por crimes hediondos, aguardando execução sem possibilidade de perdão. Ainda assim, ele não conseguia afastar o pavor avassalador.
A cena imaginada da crueldade de seu senhor apenas amplificou seu terror. Suor escorreu entre seus punhos cerrados. O Arquiduque só demonstrava tal crueldade quando seu humor estava excepcionalmente ruim.
‘O que aconteceu hoje?’
Ele repassou os eventos do dia. Uma realização arrepiante o atingiu como um raio. ‘Sua Graça…’ Contrário à sua suposição tola…
Até chegarem ao calabouço, Moritz acreditara que o Arquiduque havia poupado a escrava.
Foi um grave erro. Os condenados, agora morrendo no lugar dela, eram a prova. Moritz forçou seu pescoço enrijecido a olhar para a porta de ferro fechada. A tinta descascada e o metal enferrujado a faziam se assemelhar aos portões do inferno.
— …
O mestre ainda não havia perdoado sua escrava.
Benedict estava profundamente descontente. Tudo começou no momento em que sua escrava ousou intervir. Não, começou no momento em que ela apareceu diante de todos.
‘Hã, não…?!’
Ele teria lhe dado permissão para sair da mansão? Também não havia explicitamente proibido. Julgando por sua presença com Greta, ela deve ter estado explorando os terrenos do castelo. Não havia nada de errado com isso.
Se ao menos ela não tivesse interferido com o ladrão desprezível, ou usado seu poder divino naquele miserável. Benedict justificou facilmente sua raiva. O poder divino não pertencia à escrava. Ela pertencia a ele, portanto era dele.
Ela ousara usá-lo sem sua permissão. Como não ficaria descontente? Ele mandou cortar os pulsos do ladrão. A carne imunda que as mãos pequenas e pálidas de sua escrava tocaram, segurara, agarraram. Ele deveria se sentir melhor, mas em vez disso, sentiu-se contaminado, como se coberto de imundície.
Os olhos rosados e brilhantes da garota o incomodavam. A imagem do rosto dela, enquanto era arrastada permanecia vívida. Foi o motivo pelo qual procurou o fedor de mais sangue. E ainda assim, o desconforto persistia, como uma pele encravada que constantemente chama sua atenção.
Conforme os gritos cessavam, Benedict sacudiu a espada casualmente. Carne e sangue respingaram. O forte cheiro metálico encheu o ar. ‘Repugnante.’ O fedor e os fluidos dos outros haviam se tornado nauseantes.
O odor do sangue era tolerável, mas ainda desagradável. Havia apenas um ser que ele não achava repulsivo. Sua coelhinha branca, cujo aroma doce, o tentava a devorá-la inteira. A mulher cujo sangue tinha o sabor doce de uma maçã madura, excessivamente madura. Sua presa.
Para Benedict, os maiores espólios desta guerra eram, sem dúvida, sua escrava. Suas reações incomuns, seu comportamento imprevisível que desafiava seu controle, o irritavam, mas não importava. Essas características mudariam com o tempo. Ele era implacável para atingir seus objetivos, e não faria exceção em domar e remodelar sua escrava.
Tendo testemunhado o castigo do ladrão, ela ficaria quieta como um rato por um tempo. A visão de sua forma pálida e trêmula tinha sido divertida. Era surpreendente que alguém tão tímido ousasse intervir. Dispensando suas ações inexplicáveis, Benedict empurrou a porta de ferro. Ele apareceu notavelmente limpo para alguém que acabara de realizar uma execução.
— Vamos.
Benedict deixou o calabouço e seguiu para o campo de treinamento. Era onde deveria estar, de acordo com sua agenda. Moritz o seguiu um passo atrás.
— O treinamento dos novos recrutas deve estar em andamento.
Benedict abriu seu relógio de bolso e verificou a hora. Moritz rapidamente acrescentou, percebendo a impaciência do mestre:
— Como começamos o dia mais cedo, o horário está perfeito agora.
Benedict era um homem de rotina, odiava desperdiçar tempo tanto quanto valorizava seus planos. A execução foi uma decisão bastante impulsiva.
— …
O homem estava insatisfeito. Benedict reconheceu a onda de descontentamento retornando. Ela surgia da estranha sensação de que suas escolhas não eram totalmente suas. Então, seus sentidos aguçados captaram algo inesperado. Ele parou abruptamente.
— Onde ela está?
A pergunta não tinha contexto, mas Moritz entendeu imediatamente.
— A menos que tenha recebido novas instruções, ela teria sido deixada lá… Vossa Graça?
Benedict mudou de direção. Esse caminho nem sequer levava de volta ao local onde o servo havia sido punido, fazendo Moritz hesitar.
— Vossa Graça—
— Verifique o treinamento dos soldados e me faça um relatório.
Com uma dispensa curta, ele se afastou com passos largos. A presença que sentia ficou mais forte, solidificando sua certeza. Seu humor escureceu.
— Cuidado. Por aqui…
Ele ouviu uma voz suave, como o canto de um pássaro. Quase simultaneamente, seus olhos dourados a encontraram. Sua pequena presa branca. Fúria glacial tingiu seu olhar. Seu passo acelerou.
Foi o servo ferido quem percebeu o perigo primeiro. Mesmo que fugir fosse prioridade, ele olhou para trás, instintivamente consciente da ameaça que se aproximava.
— Gah! Ugh!
O servo subitamente engasgou, como se estivesse sendo estrangulado. A mulher ao lado dele reagiu tardiamente.
— O que houve?
— Ugh… Hiick!
Incapaz de falar, os olhos do servo reviraram e ele desmaiou. A mulher não conseguiu sustentar seu peso inconsciente. Quando seus corpos se separaram, a expressão de Benedict suavizou momentaneamente, mas apenas por um instante.
— A-Acorde! Você não pode desmaiar assim…!
A mulher olhou para o servo inconsciente estirado no chão, sem saber o que fazer. Ela se ajoelhou ao lado dele, tentando acordá-lo. Nesse momento, a sombra dele caiu sobre ela. A súbita escuridão a fez olhar para cima.
— …!
Benedict observou seus olhos arregalados e assustados, pensou mais uma vez o quanto ela se assemelhava a uma coelhinha branca presa numa armadilha.
— Minha escrava, — ele disse, um sorriso curvando seus lábios num arco pitoresco, — o que você está fazendo aqui?
Mas seus olhos dourados, brilhantes como o sol, não continham nenhuma alegria — apenas um brilho gélido.
Continua…
Tradução: Elisa Erzet
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Sinopse:
Ele falhou em salvar Hilde 999 vezes. Isso significava que o coração de Benedict havia sido dilacerado 999 vezes. Implorando por uma última chance, ele voltou no tempo, mas perdeu todas as lembranças sobre ela — a mulher que sempre esteve gravada em cada uma de suas memórias, emoções e alma. Isto é, até que ele capturou uma escrava, uma prisioneira de um reino caído.
— Eu… eu pensei que talvez seu ferimento fosse em parte culpa minha, mestre.
A mulher era absurdamente irritantemente gentil. É por isso que o incomodava, por isso que permanecia encrustada em seus pensamentos, ela estava tão estranhamente, persistentemente cravada em sua mente.
— Existe sempre um preço para um acordo. Não é?
— Qualquer coisa. Eu farei o que você pedir…
— Isso não é muito atraente. Um escravo obedecendo ao seu mestre é um dado adquirido.
Ele queria fazer aqueles olhos cor-de-rosa chorarem até ficarem inchados. No entanto, ao mesmo tempo, queria desesperadamente abraçar e beijar a mulher.
Mesmo assim, Benedict não se lembrava. Ele não recordava do quanto a amava, o quão desesperadamente ansiava que ela vivesse.
Ela era sua linda e preciosa escrava, exercendo poder divino e curando os outros. Um dia, ele decidiu que daria tudo a ela. Foi então que o passado esquecido desabou sobre ele.