Ler No c* da Cobra – Capítulo 22 Online

Modo Claro

— Por favor, me poupe! Eu imploro, por favor!

— Ali!

Não havia tempo para pensar. Como se fosse guiada por instinto, Hilde correu em direção aos gritos desesperados e urgentes. Ela nem mesmo ouviu Greta chamando por ela. Seu único pensamento era ajudar quem estivesse em perigo. Sem fôlego pela corrida, ela dobrou a esquina de um prédio sombreado.

— Me salvem, sa-salv— Aaaaagh!

Um grito ensurdecedor cortou o ar, e Hilde parou abruptamente.

— …!

Seus olhos cor-de-rosa se arregalaram em choque. Uma cena irreal se desenrolava diante dela. Um servo estava ajoelhado, agarrando o braço e chorando. O braço, manchado de vermelho, parecia um pilar sangrento, sua mão havia desaparecido. Uma bota preta chutou levemente a mão decepada, que jazia descartada na terra.

— Você não previu isso quando contrabandeou mercadorias do castelo? — perguntou o Arquiduque secamente, sua expressão completamente impassível. 

Se não fosse pela espada em sua mão, pelo sangue ainda pingando da ponta, e o servo sufocando soluços desesperados, alguém poderia acreditar que ele apenas admirava a paisagem.

— Você tem duas mãos que pecaram.

Ele pretendia cortar a outra. As súplicas desesperadas do servo empalideceram Hilde. Mas o arquiduque não vacilou. Sua mão, segurando a espada, levantou ligeiramente.

— Não, pare…!

A voz fraca e suave de Hilde ecoou.

No mesmo instante, Benedict congelou. Ele se virou em direção ao som e estreitou os olhos para a escrava que corria até ele. Desagrado, talvez raiva. Nenhum dos dois era um bom presságio. Mas a espada, que teria decepado o outro pulso, baixou sem derramar mais sangue. Em vez disso, seu olhar gélido pousou na escrava que ousara interromper seu julgamento.

Hilde se ajoelhou apressadamente e agarrou a mão decepada. A imobilidade dela, rapidamente esfriando, enviou um calafrio por seu corpo, mas ela o ignorou.

— Ah, ugh…

O rosto do servo, contorcido de dor, estava marcado pelo terror. Os olhos de Hilde corriam de um lado para o outro.

‘Como… como ele pôde…’

Ela não suportava ver alguém sofrer. Assistir impotente alguém agonizando era insuportável. A imagem lamentável de sua irmã mais nova, morrendo lentamente sem qualquer tratamento, inundou sua mente.

— Não, você não pode morrer. Por favor, não morra…

Hilde esqueceu que estava na presença do arquiduque, até mesmo que suas ações desafiavam sua vontade, e da multidão se aglomerando ao seu redor, e o fato crucial de que ela precisava ocultar seu poder divino.

‘… Eu consigo, eu consigo.’

Hilde colocou cuidadosamente a mão contra o pulso do servo. Um brilho dourado emanou da ponta de seus dedos. Após um momento, a luz se dissipou, e o servo olhava para o próprio pulso, incrédulo. Sua mão estava reatada como se nunca tivesse sido cortada.

— Ha… ha…

 Hilde ofegou, tonta pelo esforço de usar seu poder. Murmúrios se espalharam entre os espectadores. Os servos não escondiam seu choque. Haviam acabado de testemunhar o poder da escrava trazida pelo mestre.

— Oh, meu Deus… 

Greta, que correra atrás de Hilde, suspirou de admiração.

Logo quando todos ainda se maravilhavam com o poder divino que testemunharam — Shhk. Um som arrepiante cortou o ar. A maioria nem havia processado completamente o que acabara de ver quando—

— Aaagh! Aaaaagh!

O servo voltou a gritar. Ele agora percebia seus dois pulsos decepados. Jatos de sangue espirravam enquanto ele se debatia. Seus gritos ecoavam em agonia.

O Arquiduque se virou lentamente, seus olhos dourados e impiedosos percorrendo o grupo. A espada larga em sua mão agora estava manchada de vermelho. Um frio arrepiante subiu pelos corpos de todos. Um silêncio aterrador caiu. Os servos, esmagados por sua presença opressiva, baixaram as cabeças, incapazes de encarar seu olhar.

Seus olhos finalmente pousaram sobre Hilde. Seu corpo, já congelado, começou a tremer como uma folha ao vento. Seus dentes batiam.

— O que está fazendo? Por que não cura esse pobre servo novamente? — Suas palavras, irônicas, caíram sobre ela. — As duas mãos foram cortadas desta vez.

Duas mãos rolando no chão, ossos brancos aparecendo entre a carne partida, sangue jorrando… A respiração de Hilde falhou, como se alguém a tivesse estrangulado. A vertigem a invadiu, e sua mente ficou em branco.

— M-Mestre… — Hilde forçou os lábios trêmulos a se moverem. — Eu errei. 

Não suportava ver alguém sangrando, se contorcendo de dor. Sempre trazia de volta a imagem de sua irmã morrendo, coberta de sangue. ‘Por favor, por favor, pare. Sasha, minha pobre irmã…’ Hilde olhou para Benedict, lágrimas brotando em seus olhos.

— Eu estava errada, mestre. Foi tudo minha culpa…

Era um aviso claro, uma ameaça. Uma punição por desafiá-lo. Mesmo que curasse o servo novamente, ele sobreviveria? Não. Da próxima vez, não seriam apenas seus pulsos. E sim, seus braços, pernas, ou a vida.

— Por favor, me perdoe.

Mas mesmo seu pedido sincero não comoveu o rosto impassível do Arquiduque.

— Se ele tivesse perdido apenas uma mão, talvez tivesse sorte suficiente para sobreviver.

— …!

As palavras atingiram Hilde como um golpe. ‘Po-por minha culpa, esse homem…’ Sua cabeça virou com rigidez. Lágrimas escorriam por suas bochechas enquanto olhava para o homem se contorcendo. ‘Por minha causa. Porque eu interferi.’

— Greta, leve-a para o quarto.

— Sim, Vossa Graça.

E assim, Hilde foi arrastada de volta ao aposento do arquiduque.

— O que você estava pensando? Fazendo algo tão perigoso! E se Sua Graça tivesse ficado realmente furioso…!

Greta a repreendeu severamente pela primeira vez. Mas, vendo o silêncio atordoado de Hilde, ela suspirou.

— Hilde, aquele servo não era inocente. Era um criminoso que contrabandeou mercadorias para fora do castelo durante a guerra.

— …

— Sua Graça nunca muda de ideia uma vez que decidiu. Se você o desafiar, só vai se machucar.

— …

— Descanse agora. Conversaremos depois.

Mesmo após Greta sair, Hilde permaneceu imóvel como uma estátua. ‘É culpa minha…’ Mesmo sabendo que o servo recebera sua punição, a culpa esmagava seu peito. ‘Se ele tivesse perdido só uma mão, talvez sobrevivesse. Aquele homem vai morrer por minha causa.’

O pensamento de suas ações tolas contribuírem para a morte de alguém era aterrorizante. ‘Se eu implorar ao Mestre novamente…’ O desespero a invadiu, mas ela não podia ficar parada ali. Quando Hilde deu um passo em direção à porta do quarto, pronta para implorar pela vida do homem — Creak— um som fraco alcançou seus ouvidos.

Ela virou a cabeça.

‘A porta da varanda… está aberta?’

O quarto ficava no térreo. Se ela passasse pela varanda e pulasse o corrimão baixo, poderia escapar.

Então…

Hilde segurou o colar no peito, os olhos rosados tremendo.

— Silêncio.

A ordem do Arquiduque foi curta e absoluta. Ninguém deveria falar das habilidades da mulher. Se o incidente se espalhasse, suas vidas estariam em risco.

— Como desejar.

Benedict se virou e saiu, com Moritz logo atrás. ‘Mesmo com seu poder divino, nunca pensei que ele fosse poupá-la.’

A escrava ousara se colocar diante de seu mestre, até mesmo desfazendo sua punição. Isso não era diferente de uma afronta direta. O Arquiduque nunca tolerava tal insubordinação.

Continua… 

Tradução: Elisa Erzet 

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Sinopse:
Ele falhou em salvar Hilde 999 vezes. Isso significava que o coração de Benedict havia sido dilacerado 999 vezes. Implorando por uma última chance, ele voltou no tempo, mas perdeu todas as lembranças sobre ela — a mulher que sempre esteve gravada em cada uma de suas memórias, emoções e alma. Isto é, até que ele capturou uma escrava, uma prisioneira de um reino caído.
— Eu… eu pensei que talvez seu ferimento fosse em parte culpa minha, mestre.
A mulher era absurdamente irritantemente gentil. É por isso que o incomodava, por isso que permanecia encrustada em seus pensamentos, ela estava tão estranhamente, persistentemente cravada em sua mente.
— Existe sempre um preço para um acordo. Não é?
— Qualquer coisa. Eu farei o que você pedir…
— Isso não é muito atraente. Um escravo obedecendo ao seu mestre é um dado adquirido.
Ele queria fazer aqueles olhos cor-de-rosa chorarem até ficarem inchados. No entanto, ao mesmo tempo, queria desesperadamente abraçar e beijar a mulher.
Mesmo assim, Benedict não se lembrava. Ele não recordava do quanto a amava, o quão desesperadamente ansiava que ela vivesse.
Ela era sua linda e preciosa escrava, exercendo poder divino e curando os outros. Um dia, ele decidiu que daria tudo a ela. Foi então que o passado esquecido desabou sobre ele.

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