Ler No c* da Cobra – Capítulo 20 Online

Modo Claro

‘Frio como gelo’ talvez fosse a descrição mais adequada para ele. Será que possuía sequer um coração? Seu mestre parecia alguém cujo coração havia sido extirpado.

Greta se levantou, deixando Hilde imersa em pensamentos. 

— Então, descanse bem. — Hilde sobressaltou e levantou-se apressadamente. — A partir de amanhã haverá muito para aprender, então é melhor tomar um banho e deitar cedo.

— S-Sim! Senhora Governanta.

Com um leve aceno, Greta deixou o cômodo. Quando as outras criadas também saíram, Hilde, enfim sozinha, soltou um pequeno suspiro. Sentia como se tivesse acabado de escalar um pequeno pico com grande esforço.

— Será que vou conseguir me sair bem…? — Enterrou o rosto na mesa. Apesar do ar quentinho no quarto, um arrepio percorreu seu corpo. Provavelmente não conseguiria dormir naquela noite.

Caminhando pelo corredor, Greta falou:

— Ela ficará confusa com muitas coisas, não apenas sobre o território de Bertolph, mas sobre todo o Império. Certifiquem-se de que ela se adapte bem ao castelo do arquiducado. E nada de intimidações.

Enquanto as outras permaneciam em silêncio, a criada mais jovem, incapaz de conter sua curiosidade, perguntou:

— Mas, senhora, Sua Graça não disse que aquela mulher era claramente uma escrava? Não entendo por que ele a trata com tanta benevolência.

Greta parou abruptamente.

— Você realmente acredita que Hilde é uma escrava?

— Sim?

Tsc, tsc. Greta estalou a língua. A garota era rápida de raciocínio, mas imprudente.

 — Sua Graça nunca trouxe uma mulher para cá antes. Se você ainda não entendeu o significado disso, devo ter lhe dado crédito demais.

A expressão da jovem criada se iluminou, como se tivesse sido repentinamente esclarecida. Em seguida, fez uma reverência respeitosa.

— É claro, posso estar me adiantando — Greta murmurou. — Ou, pior, completamente enganada.

 Suspirou suavemente, olhando para o pôr do sol além do corredor.

O Arquiduque era um governante poderoso. O senhor do território mais rico do Império, um herói com quem o próprio Imperador não ousava afrontar. Linhagem nobre, riqueza imensa, habilidades excepcionais, um rosto divinamente esculpido pelos deuses e um físico forte. Era a personificação de um governante perfeito, sem faltar nada.

No entanto, se alguém perguntasse se Benedict Oaklien era um bom homem, seria difícil responder. Até Greta, que o servia há tanto tempo, sentia isso. Seu mestre, que sempre foi distante, agora a fazia questionar se ele sequer sentia emoções humanas. Os poucos traços de humanidade haviam desaparecido um dia, como se evaporassem no ar.

Embora não comparável a Moritz Lemon, seu assistente que o acompanhava até no campo de batalha, Greta às vezes sentia calafrios percorrerem sua espinha quando testemunhava os métodos implacáveis do arquiduque.

— Então… seria mentira dizer que não tenho alguma esperança.

— Senhora?

— Não é nada. — Greta balançou a cabeça e instruiu outra criada: — Avise ao médico para fornecer bastante pomada para os ferimentos de Hilde.

Desta vez, ninguém ousou falar. Em vez disso, uma das criadas que havia ajudado Hilde mais cedo se aproximou de Greta e sussurrou algo. Uma sombra pairou sobre o rosto da governanta enquanto ouvia. As palavras se alinhavam perfeitamente com o que Moritz Lemon lhe dissera.

Antes, a criada havia relatado anteriormente: “Quando Sua Graça trouxe a mulher, ela tinha um ferimento no ombro.”

E agora acrescentava: — Não entendo. Ele disse que a resgatou de um leilão de escravos. Por que uma escrava destinada à venda estaria ferida?

— A mulher tentou escapar enquanto o guarda estava distraído — respondeu Greta.

Ela havia presumido que o ferimento aconteceu no momento da captura. Mas Hilde não parecia debilitada ao descer da carruagem, então Greta imaginara que fosse algo leve. No entanto, se um simples puxão causava tanta dor, a ferida deve ser profunda.

‘O que fazer…’

Mas seu mestre nada dissera. Nenhuma instrução específica. Seria ultrapassar limites agir por conta própria.

— Peça ao médico que prepare bastante pomada — reforçou Greta.

Ela rezava para que seu mestre tivesse um plano. Que demonstrasse ao menos uma fagulha de preocupação com a mulher que trouxera, chamando-a de escrava. Mesmo que, por ora, ela fosse apenas útil para ele.

Moritz percebeu uma atmosfera incomum no momento em que entrou no closet. O Arquiduque, trocando de roupa, emanava uma aura gelada.

‘Aconteceu algo?’ Ele revisou habitualmente suas próprias ações em busca de qualquer deslize. Sentiu-se ligeiramente inquieto por contar à senhora Greta o que sabia sobre a nova escrava. No entanto, ela era discreta e não espalharia rumores.

‘Então algo deve ter acontecido no salão de jantar…’ Moritz tentava conectar as peças, se lembrando da imagem do Arquiduque entrando na mansão com a escrava, quando a voz de Benedict cortou seus pensamentos:

— E o assunto que pedi para investigar?

Perdido em pensamentos, Moritz não ouviu.

— Moritz Lemon.

— Si-Sim, Vossa Graça!

Quando finalmente se recompôs, já era tarde. Benedict abotoava o punho da camisa, exibindo um sorriso lânguido.

— Que pensamentos tão agradáveis ocupam a mente do meu assistente?

Mas o sorriso claramente não era genuíno. Moritz engoliu seco, respondendo: 

— Peço desculpas, Vossa Graça.

— Então, a informação?

Desta vez, compreendendo a pergunta, Moritz sentiu a tensão aumentar. Sabia que seu relatório não agradaria.

— Estou examinando os materiais do palácio real e do templo, mas… — sentiu um suor frio escorrendo por suas costas enquanto falava, rígido como uma estátua — ainda não localizei a espada sagrada. Enviarei um relatório assim que encontrá-la.

Cerrou os punhos, antecipando uma repreensão. A desculpa de que havia acabado de retornar ao castelo não funcionaria com seu mestre.

— Ainda não encontrou… — Benedict ajustou habilmente a gravata. Ele detestava ser servido e havia se acostumado a fazer tudo sozinho. — Talvez a espada sagrada nem exista de verdade.

— R-Realmente? — Moritz deixou escapar um som tolo. Benedict prosseguiu, indiferente:

— Você não ouviu? Ela desapareceu subitamente do lugar onde sempre esteve guardada.

Haviam capturado e interrogado severamente todos que poderiam saber a localização da espada. Mas as respostas eram todas as mesmas: a espada sagrada havia desaparecido um dia de onde deveria estar.

— Surgiu como uma lenda… talvez tenha sumido do mesmo modo repentino.

Como sua dor de cabeça.

Não verbalizando o pensamento final, Benedict se apoiou na mesa, batendo ritmicamente, perdido em pensamentos. Depois, parou e deu a ordem:

— Investigue também o poder divino.

— Sim, Vossa Graça.

Com a resposta imediata, Moritz pôde deixar o local. No entanto, um pensamento súbito fez ele parar no meio do corredor..

— Pensando bem… — revirou a memória. A imagem do Arquiduque, com a camisa meio aberta quando ele entrou…

‘… Não havia um ferimento na cintura de Sua Graça?’

Ao amanhecer do dia seguinte, o Arquiduque deixou o castelo novamente. A notícia chegou a Hilde depois que ela foi transferida para um aposento anexado ao quarto dele.

‘Ele já voltou ao trabalho… sem nem descansar da viagem.’ Apesar do medo que sentia de Benedict, Hilde admirava sua responsabilidade como governante.

‘Dizem que ele mesmo lidera o ataque no campo de batalha.’ Não era um homem que evitava perigo. De fato, não hesitou em sacar a espada contra o monstro-aranha. Agia como se sua própria vida não tivesse valor algum.

“O que importa? Você tem poder divino.”

Memória de suas ações, cortando o próprio corpo sem hesitação, a expressão completamente imperturbável, sua voz indiferente, como se falasse de outra pessoa, fez um arrepio percorrer seu corpo, apesar da luz quente do sol. Hilde abraçou a si mesma, sentada sobre a cama.

— Ah… 

Um suspiro escapou de seus lábios.

Ficou imóvel por um instante, depois tocou cuidadosamente o tecido da colcha. Um suspiro mais profundo saiu de seus lábios.

— É… tão macia.

O quarto, que ela mal tivera tempo de observar antes, começava finalmente a se revelar a seus olhos.

Continua …

Tradução: Elisa Erzet 

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Sinopse:
Ele falhou em salvar Hilde 999 vezes. Isso significava que o coração de Benedict havia sido dilacerado 999 vezes. Implorando por uma última chance, ele voltou no tempo, mas perdeu todas as lembranças sobre ela — a mulher que sempre esteve gravada em cada uma de suas memórias, emoções e alma. Isto é, até que ele capturou uma escrava, uma prisioneira de um reino caído.
— Eu… eu pensei que talvez seu ferimento fosse em parte culpa minha, mestre.
A mulher era absurdamente irritantemente gentil. É por isso que o incomodava, por isso que permanecia encrustada em seus pensamentos, ela estava tão estranhamente, persistentemente cravada em sua mente.
— Existe sempre um preço para um acordo. Não é?
— Qualquer coisa. Eu farei o que você pedir…
— Isso não é muito atraente. Um escravo obedecendo ao seu mestre é um dado adquirido.
Ele queria fazer aqueles olhos cor-de-rosa chorarem até ficarem inchados. No entanto, ao mesmo tempo, queria desesperadamente abraçar e beijar a mulher.
Mesmo assim, Benedict não se lembrava. Ele não recordava do quanto a amava, o quão desesperadamente ansiava que ela vivesse.
Ela era sua linda e preciosa escrava, exercendo poder divino e curando os outros. Um dia, ele decidiu que daria tudo a ela. Foi então que o passado esquecido desabou sobre ele.

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