Ler No c* da Cobra – Capítulo 15 Online

Modo Claro

A reviravolta inesperada a surpreendeu, e Moritz protestou imediatamente.

— Isso é inaceitável! Não posso confiar a segurança de Vossa Graça a uma escrava de um reino caído.  

O homem, porém, respondeu com escárnio descarado.

— Você realmente acredita que essa mulher seria capaz de se quer me arranhar?  

Moritz hesitou, seu ceticismo estampado no rosto.

— Bem… — Seu olhar pousou sobre Hilde, e seus pensamentos eram claros: — Ela seria executada antes mesmo de tentar.

— Não temos tempo para isso se quisermos partir conforme o planejado.

 A observação pontual de seu superior o fez hesitar. O Duque estava certo, havia uma montanha de tarefas a serem resolvidas. Todos os cavaleiros estavam ocupadíssimos, removendo os cadáveres de monstros e reparando as carruagens danificadas.

— Precisamos cruzar a floresta o mais rápido possível antes de encontrarmos mais bestas. Partiremos assim que os feridos forem tratados. Cuide dos preparativos.  

— Sim, Vossa Graça. — Moritz colocou o estojo de medicamentos que trouxera dentro da carruagem e inclinou a cabeça em sinal de aceitação. — Me chame se precisarem de algo.  

Em seguida, saiu em direção aos cavaleiros. 

Assim que Moritz partiu, Benedict entrou na carruagem e fechou a porta atrás de si. Com um clique, os dois ficaram sozinhos no espaço confinado. Hilde, que o observava em silêncio, perguntou com cautela:

— Você… está muito ferido?  

Benedict a encarou em silêncio antes de desabotoar o casaco. A peça escura e a gravata caíram no chão da carruagem, revelando uma camisa branca imaculada.

— Oh… — 

Um suspiro, quase um choramingo, escapou dos lábios de Hilde. O lado inferior da camisa estava rasgado e encharcado de sangue. O casaco escuro havia escondido a gravidade do ferimento.

— O que está esperando? — Benedict, agora sem camisa, indicou o ferimento com o queixo. — Já que me despi como você queria, não deveria examinar direito?  

Hilde hesitou por um instante antes de se mover. Uma dor aguda percorreu suas pernas ao sair da posição encurvada no chão, mas ela não deixou transparecer. Ajoelhando-se diante dele, viu o corte longo e profundo, como se tivesse sido feito por uma lâmina, do tamanho de sua mão. 

— Isso… precisa de mais do que só remédio…  

— Precisa de pontos — ele respondeu, como se fosse óbvio. — Feitos por você.  

Hilde olhou para ele, perplexa.

  — Mas eu… nunca fiz isso antes…  

— Não tenho saco para escravos inúteis — a resposta foi impiedosa. — Claro, se preferir ser deixada sozinha numa floresta cheia de bestas, sua incompetência não me interessa.  

O rosto de Hilde empalideceu. Ser deixada naquela floresta significava morte certa. Ela não queria morrer de um jeito tão miserável. Mais que tudo, ela tinha um motivo para viver.

Não demorou para tomar uma decisão.

— Se você me disser como… eu tentarei.  

— Desinfecte, costure, aplique o remédio e enfaixe. Simples, não? 

Ele enumerou o procedimento, longe de ser simples, e acenou em direção ao estojo médico. 

Os dedos de Hilde tremiam ao abrir a caixa. Havia pequenos rótulos nos frascos arrumados dentro, mas ela não sabia ler.

— Qual é o desinfectante…?  

— Terceira fileira, o mais à esquerda. O frasco transparente.  

O cheiro pungente do antisséptico encheu o ar quando ela derramou o líquido em um pano. Cuidadosamente, limpou a área ensanguentada. À medida que a sujeira era removida, o ferimento ficava ainda mais horrível. Só de olhar, ela estremeceu como se fosse ela quem estivesse machucada. Quando derramou o agente neutralizante, o ferimento borbulhou com um som de chiado. O barulho a deixou pálida.

Incapaz de suportar, desviou o olhar, fingindo procurar a agulha e o fio. Mas suas mãos tremiam tanto que mal conseguia enfiar a linha na agulha. Mesmo depois de conseguir, hesitou em levar a agulha à sua pele.  

— Como espera costurar se nem consegue olhar? — A relutância dela esgotou finalmente a paciência de Benedict. — Diga agora se quer parar.  

— Não, não! — Hilde balançou a cabeça freneticamente. Parar significava morte. Ela tinha certeza de que ele a abandonaria ali se falhasse. — Eu farei direito. 

 Mordeu o lábio. ‘Tenho que conseguir.’ Apertou a agulha com força.

A sensação da ponta afiada perfurando sua carne era arrepiante. Ela não conseguia evitar tremer, mesmo que ele, o paciente, permanecesse impassível.

— V-Você está bem…?  

— Continue.  

Era agonizante. Hilde sentia a dor dos outros tão intensamente quanto a própria. Mesmo sabendo que era para o bem dele, causar sofrimento, por mais necessário, era angustiante. Por isso, sua mão congelou após o primeiro ponto.

— Isso está ficando entediante. — Benedict curvou os lábios e cutucou a agulha que pairava sobre sua pele. A possibilidade de ela piorar o ferimento parecia não o incomodar. — Está reconsiderando? Prefere morrer a ser uma escrava?  

O escárnio afiado doeu.

 — N-Não é isso…  

— Que irritante. — Ele recostou-se na parede da carruagem e encolheu os ombros. — Você devia estar gostando. É a chance perfeita de retaliar o mestre que a torturou, arrancando seus pontos.  

— O que você…? — Hilde ficou horrorizada. Ela jurou que nunca tinha desejado vingança. Não importava o quanto ele a tivesse machucado, não importava que a tivesse escravizado — ela nunca desejou seu mal. Jamais quis vê-lo morto ou ferido. 

— Você poderia facilmente cometer uns “erros” e me cortar, não?  

— E-Eu nunca… Jamais. — Ela esperava que sua sinceridade o alcançasse. Já fora mal-entendida tantas vezes. Mas quem acreditaria nas palavras de uma escrava?  

Ainda assim… Uma luz de determinação brilhou em seu rosto pálido e frágil.

 — Talvez… eu possa curá-lo de outro jeito, mestre?  

Seu olhar permaneceu fixo no ferimento semi-costurado. Por isso, não viu o brilho nos olhos de Benedict. 

— Outro jeito?  

— Não vai machucá-lo. Eu prometo.  

— Isso é interessante. — Ele sorriu. — Quase me faz acreditar que minha escrava tem poderes divinos.  

Hilde estremeceu visivelmente, como se seu segredo tivesse sido descoberto. ‘Tudo bem. Eu sabia que isso poderia acontecer.’ Aquele poder que ela escondeu por medo das consequências, o que poderia levá-la à morte. O que aconteceria se o revelasse? Incapaz de prever seu futuro, reprimiu o medo e colocou a mão sobre o ferimento.

Quase instantaneamente, uma aura dourada envolveu sua mão pálida. Os olhos de Benedict, da mesma cor que a luz, brilharam com interesse. Não era o olhar de quem descobria algo novo, mas de quem confirmava uma suspeita. Seu sorriso alargou.

Alheia ao seu olhar intenso, Hilde concentrou-se no que fazia. O poder divino, uma luz dourada deslumbrante, fluía de seus dedos para o ferimento. Ou melhor, era como se fosse sugado. Como se faminto, sua carne ferida absorvia avidamente aquele poder milagroso. A carne dilacerada começou a se regenerar, voltando ao estado original, sem marcas. Até a pele superficial se fechou, sem vestígios do ferimento. 

— Está… pronto — disse, retirando a mão.  

— Muito bem — Benedict murmurou, passando os dedos pela pele agora lisa. Não havia desconforto, nem dor residual. Era como se nunca tivesse sido ferido. Um brilho cruel de diversão surgiu em seus belos olhos dourados. Um simples capricho revelou algo valioso, e como não se divertir com isso?

Benedict se inclinou e levantou o queixo de Hilde com o dedo. Ainda ajoelhada, ela estava coberta de suor, o rosto pálido de exaustão. 

— Poder divino?  

Os lábios de Hilde se moveram sem som, como um peixe fora d’água, antes de ela concordar relutantemente.

  — Sim.  

Mas não era difícil perceber a sinceridade em seu olhar, sua expressão desesperada e o tremor em sua voz. 

Ao mesmo tempo, uma pergunta surgiu na mente de Benedict: ‘Porque ela se importava se um estranho está ferido? E por qual motivo isso a angustiava tanto?’

A pergunta sem resposta se transformou em descontentamento e suspeita. Não acreditava em bondade altruísta. Para um homem que calculava emoções e intenções, situações imprevisíveis não existiam. No entanto, uma simples escrava o intrigava.

Muito bem!

Se fosse assim, ele a desvendaria por completo.

— Já que está tão ansiosa para pagar sua dívida, aceitarei graciosamente. — Num piscar de olhos, Benedict soltou seu pescoço e puxou uma adaga do casaco. A lâmina brilhou à luz do sol e, num movimento rápido, o ferimento já curado em seu lado se abriu novamente.

 (Elisa: queridinho psicólogo para ontem em)

— Mestre! — O rosto de Hilde empalideceu com o sangue jorrando. Ela pressionou freneticamente o pano contra o corte. — Por quê… por que fez isso…?  

Seus olhos rosados estavam arregalados de choque, seu rosto uma máscara de incredulidade. Benedict observou sua reação perturbada, cada detalhe registrado em sua mente.

 — Que diferença faz, se você tem seus poderes divinos? — Ele encontrou seus olhos agora cheios de lágrimas, com um olhar arrogante ao ordenar: — Me cure.  

(Elisa: Seu tapado, masoquista psicopata, você vai chorar sangue por isso, sossega o rabo.) 

Continua… 

Tradução Elisa Erzet

 

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Sinopse:
Ele falhou em salvar Hilde 999 vezes. Isso significava que o coração de Benedict havia sido dilacerado 999 vezes. Implorando por uma última chance, ele voltou no tempo, mas perdeu todas as lembranças sobre ela — a mulher que sempre esteve gravada em cada uma de suas memórias, emoções e alma. Isto é, até que ele capturou uma escrava, uma prisioneira de um reino caído.
— Eu… eu pensei que talvez seu ferimento fosse em parte culpa minha, mestre.
A mulher era absurdamente irritantemente gentil. É por isso que o incomodava, por isso que permanecia encrustada em seus pensamentos, ela estava tão estranhamente, persistentemente cravada em sua mente.
— Existe sempre um preço para um acordo. Não é?
— Qualquer coisa. Eu farei o que você pedir…
— Isso não é muito atraente. Um escravo obedecendo ao seu mestre é um dado adquirido.
Ele queria fazer aqueles olhos cor-de-rosa chorarem até ficarem inchados. No entanto, ao mesmo tempo, queria desesperadamente abraçar e beijar a mulher.
Mesmo assim, Benedict não se lembrava. Ele não recordava do quanto a amava, o quão desesperadamente ansiava que ela vivesse.
Ela era sua linda e preciosa escrava, exercendo poder divino e curando os outros. Um dia, ele decidiu que daria tudo a ela. Foi então que o passado esquecido desabou sobre ele.

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