Ler No c* da Cobra – Capítulo 14 Online

Modo Claro

O que ele estava insinuando? Essa conversa vaga e sem sentido não era seu estilo habitual. A paciência de Benedict estava se esgotando.

— Seria, talvez, por causa da escrava que está com você?

Diante das palavras de Conrad, Benedict reconsiderou seu pensamento anterior. Não seriam os olhos inocentes dela que ele arrancaria, mas os do homem que ousou olhar para o que já havia reivindicado como seu.  

— É a primeira vez que vejo o Duque com um escravo, especialmente uma mulher. Sua noiva ficará muito triste ao saber disso, imagino.

 A insinuação, mencionando alguém que nem mesmo poderia ser chamada de noiva, era transparente. Não valia a pena uma resposta.  

— Não é da sua conta, Majestade.

Benedict traçou uma linha clara, mas a provocação tola continuou.  

— Não seja tão sensível. A curiosidade é uma virtude num monarca, não concorda?

— …

— Ela parece bastante do meu agrado, pelo que vejo. O que diz, Duque? Vamos trocar ela por três dos meus escravos? Deixo você escolher.

— Com apenas um corpo, dificilmente preciso de três. Não, obrigado.

Ele recusou, fazendo uma alusão clara ao estilo de vida promíscuo do Imperador. A boca de Conrad se fechou bruscamente. Sua mandíbula tencionou alguns segundos, visivelmente frustrado.

— … Se esse é o desejo do Duque, então não posso forçá-lo. 

O Imperador finalmente recuou, de mãos vazias. Quando a situação parecia estar concluída, Conrad parou ao passar por Benedict. Sussurrando veneno: 

— Sua escrava deve ter alguma habilidade especial, não é? 

Seus olhos estavam agitados, procurando algo nela. Claro, tudo o que Conrad podia ver era seu cabelo prateado brilhante.

O olhar de Benedict ficou gélido ao ver o Imperador examinando sua escrava. Conrad continuou, com um sorriso presunçoso: 

— Um homem como você não manteria alguém sem valor por perto, não é?

— …

Normalmente, Benedict não se importaria com as provocações de Conrad. Mesmo que o Imperador quisesse arrancar seu coração e comê-lo ainda pulsando, ele não reagiria. Era um desejo que só poderia existir nas fantasias do Imperador. Mas hoje, ele se sentiu estranhamente irritado. Seus nervos estavam à flor da pele, mesmo sem dor de cabeça.

  

— Que divertido.

Toda expressão desapareceu do rosto de Benedict. Um olhar gélido se fixou no Imperador. O sorriso sarcástico de Conrad vacilou. Um calafrio percorreu sua espinha.

— E se eu quiser? 

Diante da pergunta, Conrad ficou sem palavras, como se sua boca tivesse sido costurada. Seus pés pareciam enraizados no chão. Não conseguiu se mover, nem mesmo falar. Uma sensação arrepiante de perder todo o controle sobre seu corpo o invadiu.

— Parece que você não tem mais nada a dizer, vou me retirar.

Benedict se virou, observando o rosto do Imperador empalidecer gradualmente. E, é claro, não se esqueceu de deixar um aviso final:

— Talvez seja hora de aprender a discernir quem você pode desafiar.

O rosto de Conrad ficou vermelho de vergonha e raiva. Mas isso também não importava para Benedict. Ele encarou o Imperador trêmulo e advertiu em voz baixa: 

— Seria sábio não cobiçar o que pertence a outro. Se quiser manter a posição que ocupa atualmente.

‘Me desculpe.’ Seu peito doía, sua garganta se fechava. Mal conseguiu separar os lábios em um pedido de desculpas silencioso.

Whoosh! Uma flecha enorme voou em sua direção. Ela tentou desviar desesperadamente, mas seu pé escorregou.

‘…!’

Ela caiu nas profundezas vertiginosas abaixo. ‘Sinto muito. Eu… novamente…’ 

— Ah! 

Os olhos de Hilde se abriram de repente, inspirava ofegante. Sentiu o balanço rítmico e o sacolejo da carruagem. A luz do sol entrava pela janela, indicando que não tinha apenas cochilado, havia dormido por horas. O sono desapareceu instantaneamente.

‘Dormir tão profundamente nesta situação…’

Ela tentou se concentrar, mas seu corpo exausto se recusou a cooperar. O pesadelo deixara suas costas úmidas de suor. Hilde evitava levantar a cabeça, olhando para suas mãos encolhidas no colo. Isso devido ao homem sentado à sua frente.

Na noite anterior, ao chegar na mansão imponente após o leilão, presumiu que seria seu novo lar. No entanto, o homem ordenou que os servos se preparassem para a partida rumo ao ducado. A ordem pareceu mais cedo do que o planejado, mas os preparativos foram rápidos.  

‘Eles viajaram a noite toda? Estão bem?’ Diferente dela, confortavelmente sentada na carruagem, o cocheiro e os cavaleiros não teriam descansado. Hilde sentiu uma pontada de preocupação.  

‘Mas… por que ele me deu um assento na carruagem?’ Quando soube da partida, achou que iria a pé ou, com sorte, em um carro de bagagens. Afinal, era uma escrava. No entanto, o homem a mandou subir na carruagem e sentar-se de frente para ele.

‘Não entendo por quê.’

Hilde levantou cautelosamente o olhar, confiante de que ele estaria olhando para outro lugar. Se assustou quando seus olhos encontraram os dele, dourados e brilhantes, como ouro. Ela se encolheu no assento.

 — Bom dia.

O cumprimento escapou por hábito. Percebeu seu erro tarde demais, quando viu seus lábios se curvarem em um sorriso irônico.  

— Devo responder com ‘bom dia’?

— Ah, não.

Hilde balançou a cabeça rapidamente. ‘Ele deve ter me visto dormindo.’ Pensando bem, como estavam no mesmo espaço, seria mais improvável que não tivesse notado.

— Peço desculpas por adormecer sem permissão, — e rapidamente acrescentou: “… Mestre.”

Uma sobrancelha dele arqueou levemente. 

— Quem te ensinou a me chamar assim?

— Ninguém… Ouvi os servos chamando assim quando paramos na mansão ontem. 

Alguns o chamavam de “Vossa Graça”, mas isso não parecia adequado. Ela era diferente dos servos comuns que recebiam salário.

Apesar de muito diferente do futuro com que sonhara, Hilde estava aos poucos aceitando seu destino como escrava. Como sempre, sabia que sua força era insuficiente, não poderia mudar sua situação. Apenas obedecia, para sobreviver à dura vida que a aguardava.

‘Pelo menos estou viva… Sobrevivi, e isso é o suficiente. Tudo bem.’ Ela reprimiu a tristeza que ameaçava engoli-la. ‘Isso é o suficiente. Um dia, a felicidade me encontrará.’

— Se esse título não for permitido…

— Não, pode usar, — ele a interrompeu. — Você parece observadora. Já deve ter descoberto quem eu sou

Hilde engoliu em seco. Fingir ignorância não parecia sábio. Após uma breve hesitação, gaguejou:

— Duque Oaklien, Vossa… Vossa Graça.

— Isso não é tudo, não é?

 O homem inclinou a cabeça, seus olhos dourados brilhando com diversão cruel. Um sorriso predatório brincava em seus lábios.

— Diga. 

Sua voz, enganosamente suave, enviou calafrios por sua espinha enquanto ele a pressionava por uma resposta.

Hilde não podia recusar. Mais precisamente, sabia que sua posição não permitia. 

— O Comandante Supremo… que liderou a linha de frente durante a guerra… o herói do Império… 

  

— O homem que destruiu sua terra natal. — Seus lábios se torceram num sorriso torto. — Não é verdade?

Hilde engasgou, a cicatriz no ombro latejando subitamente. 

— Eu…

Ela não conseguia entender sua intenção, mas sabia que não deveria mentir. Então, escolheu a verdade.

— Eu poderia ter morrido naquela noite, Mestre, se o senhor não tivesse aparecido.

A lembrança de ser estrangulada, sem conseguir respirar, com a mente obscurecida e o corpo enfraquecendo, ainda era vívida.

Talvez seu destino estivesse selado no momento em que o diretor do orfanato a vendeu ao conde.

— Então… para mim, o senhor é meu salvador.

Quando Hilde levantou seus olhos límpidos para Benedict, um som arrepiante e cortante encheu o ar. Ela instintivamente virou-se para a janela e—  

Dezenas de olhos brilhantes a encaravam. Ela congelou, sem palavras, aterrorizada.

Era uma aranha gigante. Uma besta monstruosa que ela nunca tinha visto antes. Uma criatura amaldiçoada, saída das profundezas do inferno. Todo o sangue sumiu do rosto de Hilde. Sua mente entrou em pânico, o corpo paralisado.  

— Se esconda embaixo do banco.

Benedict rapidamente a puxou para o chão da carruagem, seu corpo pequeno se encaixando perfeitamente no espaço.  

— Fique quieta e não faça barulho.

No momento em que ele puxou sua espada, a janela se estilhaçou, e uma enxurrada de pernas pontiagudas invadiu a carruagem.  

Um grunhido agudo ecoou quando a besta avançou em direção a sua presa.

— Besta-aranha!

— Preparem suas armas! Os gritos dos cavaleiros vieram do lado de fora, tarde demais. Havia mais de uma criatura.  

— Vossa Graça! Um som de rasgo cortou o ar, seguido por um baque no chão da carruagem.  

Um ruído gorgolejante acompanhava o espasmo do que Hilde logo percebeu ser uma perna de aranha decepada, escorrendo fluido verde. Ela abafou um grito, tapando a boca com as mãos.

— Que irritante.

 Uma espada grande cravou-se no membro ainda se contorcendo. Então, um pano escuro cobriu o rosto de Hilde, obscurecendo sua visão.  

— Fique aí até que eu diga para sair.

Uma rajada de vento roçou seu rosto e o violento balançar da carruagem cessou. Os rugidos furiosos da besta, que antes estavam sobre ela, agora pareciam distantes.

Hilde soltou finalmente o ar, o coração acelerado.

Logo, os gritos monstruosos se dissiparam. Quando os sons dos cavaleiros limpando a área chegaram a ela levantou cautelosamente o pano que cobria seu rosto. Ele escorregou de suas mãos, revelando um tecido vermelho com bordados dourados.

Hilde percebeu que era a capa do Duque e rapidamente a pegou do chão. Rasgada na ponta por ter sido arrancada, o tecido era surpreendentemente macio. Inacreditável, considerando que pertencia a um homem tão frio. ‘É só uma capa.’ Ela sorriu levemente, achando tolice dar tanto significado a um objeto.

Então, a porta da carruagem se abriu com um clique, assustando-a. Ela deixou a capa cair. Seus olhos encontraram os dele.

— Aí está você.

Ele parecia incrivelmente composto para alguém que acabara de lutar contra aranhas monstruosas. Não havia sinal de fadiga ou esforço, apenas o fluido verde respingado em sua bochecha lisa como evidência da recente batalha.  

— Não quis fugir desta vez?

 O tom de provocação era claro. Hilde apenas assentiu.

— O senhor me disse para ficar debaixo do banco… então, esperei.

Os olhos de Benedict estreitaram levemente diante de resposta obediente.  

— Vossa Graça, por favor, espere!

 Alguém gritou, e Benedict franziu a testa.

Era Moritz, seu assistente, correndo em sua direção. Um som metálico vinha da caixa que carregava.

— O senhor precisa ser tratado antes de partirmos.

— Não seja dramático.

Hilde olhou para Benedict, surpresa. Ele estava ferido? Parecia bem…  

— Os ferimentos são profundos. E os fluidos da besta exigem um antídoto.

— Deixa. Eu mesmo faço.

— Dado o local da ferida, será difícil fazer sozinho. Eu o ajudarei.

Moritz insistiu, mas Benedict virou-se para Hilde.

— Se for o caso, minha escrava pode fazer isso.

Continua…

Tradução Elisa Erzet 

Ler No c* da Cobra Yaoi Mangá Online

Sinopse:
Ele falhou em salvar Hilde 999 vezes. Isso significava que o coração de Benedict havia sido dilacerado 999 vezes. Implorando por uma última chance, ele voltou no tempo, mas perdeu todas as lembranças sobre ela — a mulher que sempre esteve gravada em cada uma de suas memórias, emoções e alma. Isto é, até que ele capturou uma escrava, uma prisioneira de um reino caído.
— Eu… eu pensei que talvez seu ferimento fosse em parte culpa minha, mestre.
A mulher era absurdamente irritantemente gentil. É por isso que o incomodava, por isso que permanecia encrustada em seus pensamentos, ela estava tão estranhamente, persistentemente cravada em sua mente.
— Existe sempre um preço para um acordo. Não é?
— Qualquer coisa. Eu farei o que você pedir…
— Isso não é muito atraente. Um escravo obedecendo ao seu mestre é um dado adquirido.
Ele queria fazer aqueles olhos cor-de-rosa chorarem até ficarem inchados. No entanto, ao mesmo tempo, queria desesperadamente abraçar e beijar a mulher.
Mesmo assim, Benedict não se lembrava. Ele não recordava do quanto a amava, o quão desesperadamente ansiava que ela vivesse.
Ela era sua linda e preciosa escrava, exercendo poder divino e curando os outros. Um dia, ele decidiu que daria tudo a ela. Foi então que o passado esquecido desabou sobre ele.

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