Ler No c* da Cobra – Capítulo 13 Online
O corpo dela foi puxado bruscamente para cima.
— Já que você parece tão curiosa sobre onde estamos…
— …
Ele a levantou sem esforço, forçando-a a encarar seus olhos, um sorriso cruel brincando em seus lábios.
— É melhor que veja por si mesma.
Um mês depois, a casa de leilões de escravos fervilhava de excitação.
Era raro haver tantos escravos de alta qualidade disponíveis no mercado.
Os presentes, mesmo com máscaras cobrindo metade de seus rostos, não conseguiam esconder a expectativa.
— Ouvi dizer que a qualidade dos escravos está excepcional.
Nascidos no privilégio da nobreza ou realeza do Império, jamais imaginaram que um dia poderiam se encontrar na mesma posição que aquelas “mercadorias”.
Que ilusão ridícula!
Benedict observava o espetáculo lá de cima, com frieza e diversão.
Mas, por enquanto, a complacência e a tolice deles serviam ao seu propósito.
— Atenção! O leilão começará agora!
A mulher ao seu lado estremeceu, tremendo visivelmente. Ele notara que ela mordia o lábio nervosamente enquanto encarava o palco coberto por cortinas. O cheiro de maçã doce, vindo do local onde ela havia mordido até sangrar, aguçava seus sentidos.
— Primeiro, temos um escravo com experiência militar. Como podem ver, ele é forte e está em boas condições…
— Me soltem!
O escravo, arrastado em correntes, resistia violentamente. O som metálico das correntes misturava-se aos seus gritos.
Apesar da situação potencialmente perigosa, nenhum dos nobres dispostos na plateia semicircular demonstrava qualquer sinal de alarme. Simplesmente observavam, entretidos, como se assistissem a uma peça intrigante.
Naquela casa de leilões, ela era a única que sentia pena dos escravos.
— Ah… —
Benedict olhou de soslaio para a mulher, que torcia as mãos em angústia. Um sorriso debochado escapou de seus lábios.
‘Tão tola.’
Ela não percebia sua própria situação, ou apenas fingia?
O som cortante do couro rasgando o ar ecoou pela sala, seguido pelo grito agonizante do escravo.
— …!
A mulher ao seu lado se encolheu, como se tivesse sido ela a golpeada.
O chicote pesado começou a açoitar o corpo do escravo sem piedade.
— S-socorro… agh!
Enquanto todos estavam hipnotizados pela cena brutal no palco, Benedict manteve seu olhar fixo na mulher ao seu lado.
Seu rosto, pálido de choque, estava congelado. Exatamente a reação que ele esperava.
Benedict olhou para o palco. Era o momento certo.
A cortina interna se levantou, revelando mais escravos acorrentados, aguardando sua vez.
Eles recuaram ao ver o homem sendo açoitado. O terror se espalhou entre eles. Alguns desabaram no chão, incapazes de suportar a cena.
— Como… como podem fazer isso?… — murmurou a mulher, com o rosto lívido.
— É assim que escravos desobedientes são tratados no Império.
Era costume escolher o mais rebelde entre eles e exibi-lo no início do leilão.
Para lembrar aos escravos de seu lugar, esmagar qualquer pensamento de resistência e forçá-los à submissão.
— Como é ver isso com seus próprios olhos?
A mulher virou o rosto, incapaz de continuar assistindo. Mas Benedict não toleraria nem mesmo esse pequeno ato de rebeldia.
— Olhe.
— Hngh…
Ele agarrou seu cabelo, forçando-a a encarar o palco.
— E-eu não quero olhar… uh!
— Era ali que você devia estar. Chicoteada como gado, precificada e vendida.
Ele apertou a mão, a voz carregada de ameaça.
— E mesmo assim, em vez de ser grata pela misericórdia que demonstrei ao poupá-la, você ousa tentar fugir? Duas vezes?
Era uma intimidação deliberada. Ele também estava genuinamente descontente com seu comportamento, então não fez esforço para conter sua raiva.
— Por favor, pare…
Incapaz de suportar mais, ela fechou os olhos com força, implorando baixinho. Ele podia ver seus longos cílios prateados brilhando com lágrimas não derramadas.
Pensou se deveria elogiá-la por tentar segurá-las ou se aquilo era apenas uma previsível forma de resistência.
— Abra os olhos.
— …
Os cílios tremularam diante da ameaça de ser colocada no leilão se recusasse. Então, suas pálpebras finas se abriram, revelando olhos cor de pêssego brilhando com lágrimas reprimidas.
— Não desvie o olhar até o término do leilão. Assista até o final.
O escravo, com o corpo dilacerado, acabou sendo vendido por uma ninharia — um espetáculo verdadeiramente miserável. Benedict só permitiu que ela desviasse o rosto depois que o escravo foi levado. E mesmo assim, foi apenas para encará-lo.
— Já sabe o que deve dizer? — pressionou por uma resposta, embora já soubesse qual seria. Ela não seria tola o suficiente para suportar aquilo novamente. Certamente falaria o que desejava. Seus lábios rachados entreabriram, francamente resignados.
— Nunca… — Lágrimas brotaram em seus olhos grandes e gentis, finalmente escorrendo pelas bochechas. — … Nunca mais. Não fugirei novamente.
Benedict havia finalmente conseguido o que queria: sua promessa de não escapar e suas preciosas lágrimas.
Tendo seu objetivo alcançado, não havia motivo para permanecer na casa de leilões. Recuperá-la havia sido sua última tarefa na capital. Planejava partir para suas propriedade assim que amanhecesse.
Em vez de perder tempo, Benedict levantou-se de seu assento. A mulher o seguiu hesitante. Era louvável que ela possuísse ao menos uma virtude de uma escrava, não questionar os movimentos de seu mestre. Ele a conduzia pelo corredor em direção à saída do edifício quando uma voz chamou por trás:
— Quem é essa?
Benedict segurou instintivamente a cintura da escrava.
— Hhh… — Ela ofegou, subitamente puxada contra ele. Ele franziu levemente a testa, percebendo tardiamente sua própria ação.
— Benedict. — A voz irritante falou novamente, dando-lhe um motivo para justificar sua possessividade. Mesmo sendo uma escrava, não tinha o desejo de exibir sua propriedade — especialmente para um inimigo detestável. Levantou a cabeça, seu desagrado evidente.
— Não sou uma criança de dez anos, Vossa Majestade.
Ao ouvir “Vossa Majestade”, a coelhinha em seus braços estremeceu. Ele odiava que ela reagisse a qualquer um que não fosse ele.
Benedict pressionou suavemente sua cabeça, impedindo-a de olhar para cima, e advertiu em voz baixa:
— Fique quieta.
Ele arrancaria aqueles olhos rosados se ela ousasse olhar para o Imperador. Se trocassem sequer uma palavra, cortaria sua língua. Ela pareceu entender, prendendo a respiração. Benedict manteve o olhar fixo no Imperador, Conrad.
— Ah, cometi outro deslize. — Conrad se aproximou, um sorriso brincalhão em seu rosto. — É um hábito dos tempos de infância. Tenho certeza de que o duque entende.
— Um deslize… — Benedict não escondeu o sarcasmo. — Também acho o título “irmão” mais natural do que “Vossa Majestade”.
O sorriso forjado do Imperador congelou instantaneamente, seu rosto endurecendo diante da provocação.
— Ah, você não gostava de ser chamado de “irmão”, não é? Faz tanto tempo, eu me esqueci. Mas claro, foi um “deslize”, então estou certo de que compreenderá.
O som de dentes rangendo chegou aos ouvidos de Benedict. Imperturbável, ele esperou. No fim, foi Conrad quem recuou.
— … Duque Oaklien.
A mulher em seus braços estremeceu e começou a tremer levemente.
O homem, com os olhos ligeiramente baixos, percebeu rapidamente o porquê. Ah, ele não havia dito quem era. O comandante-chefe da nação inimiga que destruiu sua terra natal e decapitou seu rei. Mesmo assim, nada mudava. Ela era sua escrava. Benedict apertou o braço ao redor dela.
— A propósito, o leilão continua em pleno andamento. Já vai embora?
— Nada me chamou a atenção.
— Sério? Isso é surpreendente. Um leilão desta magnitude não acontece há anos. Todos estão bastante animados.
Continua…
Tradução: Elisa Erzet
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Sinopse:
Ele falhou em salvar Hilde 999 vezes. Isso significava que o coração de Benedict havia sido dilacerado 999 vezes. Implorando por uma última chance, ele voltou no tempo, mas perdeu todas as lembranças sobre ela — a mulher que sempre esteve gravada em cada uma de suas memórias, emoções e alma. Isto é, até que ele capturou uma escrava, uma prisioneira de um reino caído.
— Eu… eu pensei que talvez seu ferimento fosse em parte culpa minha, mestre.
A mulher era absurdamente irritantemente gentil. É por isso que o incomodava, por isso que permanecia encrustada em seus pensamentos, ela estava tão estranhamente, persistentemente cravada em sua mente.
— Existe sempre um preço para um acordo. Não é?
— Qualquer coisa. Eu farei o que você pedir…
— Isso não é muito atraente. Um escravo obedecendo ao seu mestre é um dado adquirido.
Ele queria fazer aqueles olhos cor-de-rosa chorarem até ficarem inchados. No entanto, ao mesmo tempo, queria desesperadamente abraçar e beijar a mulher.
Mesmo assim, Benedict não se lembrava. Ele não recordava do quanto a amava, o quão desesperadamente ansiava que ela vivesse.
Ela era sua linda e preciosa escrava, exercendo poder divino e curando os outros. Um dia, ele decidiu que daria tudo a ela. Foi então que o passado esquecido desabou sobre ele.