Ler Mind The Gap – Capítulo 08 Online

❖ Capítulo 04 – Mind The Gap
O calor e a dor que grudavam em seu corpo como uma teia de aranha melhoraram rapidamente após Alex tomar o remédio que Nathan havia deixado. Naquela noite, Alex conseguiu dormir sem sequer sonhar. Como se a dor tivesse sido uma mentira, seu corpo estava muito mais leve no dia seguinte.
Desde o momento em que acordou, a série de eventos que ocorreram ao encontrar Nathan não saía de sua cabeça. Era uma situação tão absurda que Alex quase desceu na estação errada. Enquanto corria apressadamente em direção à delegacia, ele balançou a cabeça. Não era algo em que devesse pensar durante o trabalho.
Ao entrar na sede da equipe de investigação de crimes violentos, Alex sentiu o ar mais denso que o normal. Franzindo levemente o cenho e observando ao redor, Matthew, que dividia a mesa com ele, fez um sinal. A aparência impecável que vira ontem havia desaparecido; o cabelo estava caído como de costume e os óculos estavam no lugar. Alex se lembrou de que não tivera a chance de perguntar por que ele andava daquele jeito. Hoje, finalmente, era a vez de perguntar.
— Não chegue perto da Inspetora hoje. O Daily Mail publicou uma matéria sobre o caso Beta Tester. Ela nos deu uma bronca assim que chegou.
Matthew empurrou os óculos com o indicador e apontou com o queixo para a sala da inspetora. Alex sentou-se em seu lugar, acompanhando o olhar dele.
A Inspetora Janice estava agarrada ao telefone. Enquanto isso, o ramal interno também tocava; ela parecia estar sendo bastante importunada. Sua identidade como uma mulher Ômega fazia com que ela recebesse mais pressão do que os outros para manter o cargo de inspetora. Na verdade, era natural que ela estivesse com os nervos à flor da pele. Mesmo que não fosse apenas por isso, se não resolvessem esse caso terrível, seria um grande problema dentro da sede.
— Surgiu alguma outra vítima sem que eu soubesse?
— A matéria critica o fato de que, até agora, não houve nenhum resultado de investigação anunciado adequadamente, entende?
Alex assentiu levemente. Então, mudou de assunto.
— Você acha que o lado de Ratcliffe é o mais provável?
— Pelo menos é o que tem mais conexão. Eles já estiveram muito envolvidos com tráfico humano antes.
— Mas o método de descarte me incomoda.
Quando o culpado não deixa pistas sobre si mesmo e a identidade da vítima não é totalmente confirmada, é natural seguir as pistas mais plausíveis. No entanto, geralmente a máfia não descarta corpos dessa maneira. A mutilação facial parecia ambígua demais para ser o estilo da máfia. O caso Beta Tester era o primeiro grande caso para Alex, que costumava lidar com homicídios domésticos, atropelamentos e assassinatos acidentais, mas uma coisa era clara:
Se o corpo foi mutilado ao máximo para que a identidade não fosse reconhecida, é porque há um motivo para esconder quem era a vítima.
Quem tem algo a esconder, às vezes comete um crime maior por causa desse segredo. Alex sentiu um déjà vu familiar com essa frase. No dia em que agiu de forma arbitrária querendo proteger Nathan, talvez Alex tenha causado uma ferida ainda maior nele. Pensando nisso todos os dias durante nove anos, Alex relembrou de vários ângulos como suas ações realmente foram.
— Hum.
Matthew pensou por um momento e concordou com Alex.
— Seria mais compreensível se tivessem esquartejado ou levado para outro lugar.
— Não podemos descartar completamente a parte do estupro ou da mudança de fenótipo, mas vou dar outra olhada nas vítimas.
De qualquer forma, Alex já havia revisado todos os arquivos de investigação das vítimas identificadas durante seu período de folga. Como foram Anna e o Sargento Hayden que entregaram a notícia da morte e conversaram com as famílias, seria bom receber os arquivos com os registros das entrevistas da época.
Prestes a se levantar, Alex perguntou algo a Matthew, que estava prestes a analisar vídeos ilegais.
— Mas por que você agiu daquele jeito comigo ontem?
— O quê?
Matthew, que assistia indiferente a um vídeo perturbador, virou a cabeça.
— Você fingiu ser mais íntimo do que o normal.
Alex definiu o relacionamento deles de forma inexpressiva. Matthew fez uma careta de choque.
— Que absurdo. A gente não tem nem esse nível de amizade?
Alex respondeu com silêncio. Matthew soltou uma risada nasalada e disse, clicando no mouse:
— Eu quis te dar um apoio porque você parecia um cachorrinho acuado que acabou de fazer xixi só de ficar na frente daquele médico. Ter um bom amigo como eu traz segurança, não acha?
A analogia foi um pouco desagradável, mas Alex decidiu deixar passar. Em vez disso, ele deixou uma coisa clara:
— Mas não me toque desse jeito de novo daqui para frente.
— É tão sujo e mesquinho que nem vou tocar.
— Não eu, tem aquela legista que você gosta. Toque na Elaina.
Matthew levantou silenciosamente os dedos indicador e médio, formando um “V”. Diante do gesto de insulto feito com as costas da mão, Alex deu de ombros e continuou:
— Se você mostrar o rosto sem os óculos, ela vai gostar de verdade.
— Alguém bonito demais tem que esconder o rosto. Não posso mostrar para uma psicopata daquelas.
Respondendo com uma voz sincera, Matthew começou a se concentrar na tela, expressando que não ouviria mais nada. Como Alex também não pretendia prolongar a conversa, ele se retirou.
Após revisar os detalhes das entrevistas organizados por Anna e organizar o itinerário das vítimas até cerca de dois meses antes do início do caso Beta Tester, logo anoiteceu. Como já havia verificado, os três identificados não tinham nada de incomum em seus registros de transações ou na vida cotidiana.
Como todo mundo faz, ele resolveu o almoço em uma lanchonete próxima. Após comer um sanduíche simples com leite, Alex parou o que estava fazendo ao se lembrar do antitérmico que havia trazido por precaução. Ao verificar a hora, eram 18h.
“Será que Nathan já saiu do trabalho?”
O pensamento sobre Nathan, que ele vinha empurrando conscientemente para o fundo da mente, desmoronou no instante em que se lembrou de um simples remédio. Diante das cenas que o atingiam de forma avassaladora, Alex respirou fundo para se acalmar. O pulso, o braço e o queixo que Nathan havia tocado arderam sem motivo. Mesmo que o calor deixado por Nathan já devesse ter sido lavado durante o banho, ele ainda sentia.
Levantou o dedo silenciosamente e acariciou o queixo. Os olhos de Nathan dizendo que não era nojento não paravam de aparecer. Havia várias emoções oscilando por trás daqueles olhos verdes profundos, mas Alex não conseguia decifrar nenhuma delas. Como não era de hoje que ele agia de forma travada e idiota na frente de Nathan, não era surpresa que não tivesse percebido nada ao olhar naqueles olhos.
O problema era que, uma vez que pensou nisso, sentiu uma vontade dolorosa de ver Nathan.
Embora tivesse aceitado a proposta com a própria boca, Alex não havia decidido entrar em contato com Nathan imediatamente. No entanto, o rosto que surgiu não desaparecia e pairava diante de seus olhos. Como uma sede insaciável, Nathan o deixava constantemente ansioso.
Alex tirou com cuidado o cartão de visitas de Nathan que guardara na carteira. Acariciando o número de telefone do hospital, verificou a data. Hoje era sexta-feira. Embora pretendesse visitar as famílias das vítimas no fim de semana para perguntar detalhes, não havia nada decidido além disso. Calculando o tempo disponível, Alex alternou entre encarar o celular por 30 minutos e olhar para as impressões, até que finalmente pegou o aparelho.
O sinal tocou por um longo tempo. Somente após a segunda tentativa alguém atendeu. Pareciam estar bastante ocupados.
— Hospital Real. Como posso ajudar?
— Olá. Poderia me transferir para o Dr. White?
O sobrenome White e o título de médico eram muito estranhos. Ele rolou as palavras desconhecidas sobre a língua.
— Só um momento.
O “e se” que pensou ao olhar para o cartão com o número do hospital retornou como resposta. “Será que eu deveria ter enviado um e-mail?” Como era provável que ele verificasse a caixa de entrada com frequência, incluindo e-mails de trabalho, talvez fosse melhor assim. Enquanto a realidade de não ter conseguido o número pessoal o cutucava dolorosamente e ele esfregava o papel, a ligação caiu.
Alex olhou para o celular com uma expressão de espanto. Ao tentar ligar novamente, a chamada foi transferida automaticamente. Embora fosse comum no Reino Unido que grandes hospitais não respondessem adequadamente, aquilo era um pouco demais.
Mas, pensando bem, foi até melhor. Ele entrou em contato apressadamente demais. Alex mudou de ideia, sentindo que parecia estar ansioso demais para vê-lo logo. Começar a se considerar ansioso quando ele mesmo foi quem deu o fora primeiro era um caminho sem volta. Seria melhor não ligar, pelo menos até a semana que vem.
No entanto, alguns minutos depois, o celular de Alex tocou. Era um número não salvo, mas começando com 075, era um número pessoal. Alex, olhando para o número com desconfiança, atendeu.
— Alô?
— Você ligou?
Ao ouvir a voz grave, Alex olhou para o celular por um momento. Era uma voz familiar. Com o coração batendo forte, Alex perguntou:
— ……Nathan?
— Sim.
A resposta veio curta. O “será” era real. Alex mordeu o lábio diante da dúvida que surgiu naturalmente. “Eu passei meu número para ele?” Ao contrário de Alex, que não mudara de número até agora, Nathan já o havia mudado há muito tempo. Não haveria como ele ter o registro. Já se passaram nove anos.
— Como soube que era eu?
— Porque não há mais ninguém além de você que ligaria para esse número à minha procura.
— Entendo.
Com a mente confusa, Alex fechou e abriu a mão levemente.
— O número deve aparecer. Fiquei preocupado porque a ligação caiu do nada, que bom.
Nathan não respondeu de imediato. Ouviu-se uma respiração leve e, então, Nathan respondeu lentamente com uma voz ainda mais rouca que antes. Era uma voz que parecia angustiada consigo mesma.
— Pois é.
Depois disso, houve silêncio. Alex levantou-se abruptamente diante da tensão que se espalhava em seu interior como uma pequena chama. Varreu todos os documentos organizados para dentro de uma pasta e os enfiou na mochila. Após arrumar as coisas como se estivesse sendo perseguido, Alex saiu para o corredor e abriu a boca.
— Sabe, é sobre aquilo que falamos ontem.
— Hum.
— Está tudo bem mesmo? Eu, sério…… não precisamos fazer.
— Alex.
Nathan chamou o nome dele calmamente. Parecia estar lhe dando uma bronca.
— ……Sim.
— Você não ligou porque tinha tempo? Não diga que ligou só para dizer isso agora.
Ele realmente parecia estar levando uma bronca. Diante da voz que ficava cada vez mais grave, Alex respondeu apressadamente:
— Amanhã está bom. Ou então, hoje à noite também……
“Hoje à noite” foi um comentário precipitado. O arrependimento o atingiu assim que as palavras saíram. Pensando bem, nada estava preparado. Para dormir com alguém que não é Ômega, certamente seria necessária uma preparação. Ele precisava preparar cami……sinhas e, como a parte de trás não ficaria molhada como a de um Ômega, também precisaria de algo como lubrificante. As características de cada fenótipo da aula de educação sexual, que ele nunca pensou que lembraria na vida, desenrolaram-se em sua mente. Seu coração disparou. Alex acrescentou rapidamente:
— Não, amanhã.
— Entendido.
Pareceu ouvir o som de papel sendo folheado por um momento e, então, Nathan disse o local calmamente.
— No Hotel Connaught, às 13h. Pode ser?
— Às 13h?
“Sexo não se faz à noite?” Alex ficou atordoado. Seu rosto ficou vermelho como brasa. O lóbulo da orelha ardeu e sua mente ficou branca por um instante.
— Não pode?
— Não. Tudo bem.
“Às 13h é claro demais.”
Sentia como se seu coração fosse parar. Claro, se acendessem a luz no quarto, daria no mesmo no final, mas ainda assim, pensar em fazer esse tipo de coisa em pleno dia o deixava tonto. Alex, que andava em círculos, limpou a voz rouca.
— Está tudo bem mesmo.
— Vejo você amanhã.
Após dizer isso, Nathan desligou primeiro. Alex observou a tela com o tempo de chamada de um minuto desaparecer, deu um leve tapa nas próprias bochechas e saiu do corredor.
Ao voltar para casa, Alex organizou fielmente os arquivos que trouxera e registrou no celular o endereço e o contato dos familiares que visitaria amanhã, após “aquele” evento com Nathan. Como planejava entrar em contato cerca de uma hora antes de ir, não marcou as visitas individualmente. Como seria uma relação sexual estritamente para fins de tratamento, Alex definiu o tempo que passaria com Nathan em, no máximo, duas horas.
Como nunca havia feito sexo, ele não achava que conseguiria fazer por mais de uma hora. Sendo assim, ele poderia entrevistar as pessoas disponíveis a partir das 16h.
Após escovar os dentes e tomar banho, Alex colocou cuidadosamente sobre a cama a sacola contendo o lubrificante e as camisinhas que comprara na seção de produtos adultos da Boots hoje e começou outra pesquisa.
“Como fazer com um Beta.”
Suas mãos estavam quentes. Em um estado de extrema tensão, como alguém que faz algo errado, Alex analisou um a um os resultados do portal como se estivesse coletando informações. Após ler sobre a necessidade de relaxar o parceiro e sobre as preliminares, Alex ficou cada vez mais atordoado com o conteúdo que superava sua imaginação e, logo após ver alertas sobre incidentes com sangramento, perdeu a confiança drasticamente.
“Será que vou conseguir fazer bem?”
Tendo crescido como um Alfa, era natural que Alex se imaginasse liderando Nathan. Ele sabia que não restava nenhuma imagem para impressionar e que era uma relação sexual com um objetivo claro, então não precisava ser perfeito, mas sendo homem, era natural querer satisfazer o parceiro e se sair bem até certo ponto. Além disso, ele era um Alfa. Alex não desconhecia a imagem que se espera de um Alfa na cama.
— ……Acho que o tamanho está bom.
Ele olhou discretamente para baixo, já sentindo um leve enrijecimento apenas com a imaginação. A parte frontal, que ele não tocava adequadamente desde que se masturbara durante seu primeiro rut, tinha um comprimento considerável sobrando mesmo quando segurada com uma mão e possuía uma espessura respeitável quando totalmente ereta. Seu corpo, sem querer ser arrogante, mas objetivamente, era bem definido. Como ainda restavam traços de quando jogava futebol, suas coxas eram moderadamente firmes e, como sempre se exercitava, seu abdômen exibia músculos laterais constantes. Era um formato suave, sem linhas excessivamente marcadas.
Avaliando o próprio corpo, Alex percebeu a futilidade daquilo e fechou o laptop. Um sentimento de autodepreciação o atingiu. Era ridículo estar agindo assim sozinho, pensando em um sexo que não significaria nada para Nathan. Olhando para Nathan, que lhe disse para não atribuir significado, era óbvio que ele tinha muita experiência. Mesmo quando eram amigos, Nathan sempre tinha namorada, então era natural.
Um sentimento de melancolia o invadiu e Alex afastou a sacola sobre a cama sem forças, enfiando-se debaixo das cobertas. O fato de ter ficado animado, mesmo que por um momento, com um ato que era para fins de tratamento, trouxe-lhe culpa. Imaginando vagamente sua primeira vez com Nathan, que para Nathan não seria nada, Alex fechou os olhos.
Como Nathan disse, é algo sem nenhum significado.
Tinha que ser assim.
Tinha que ser……
Ignorando a promessa que fizera antes de dormir, Alex abriu os olhos assim que o relógio marcou 7h da manhã. Era o horário em que costumava acordar, mas hoje, o sono desapareceu no instante em que despertou. Com a mente subitamente lúcida, Alex lembrou-se de que, em poucas horas, realmente faria aquele tipo de coisa com Nathan. Com isso, era impossível continuar deitado na cama.
Seu coração palpitava. Felizmente, o ar do quarto estava frio porque o radiador estava desligado. Ao afastar o cobertor, o contato do frio com a pele nua fez arrepios surgirem por todo o corpo. Ele se levantou lentamente e saiu da cama. A sensação do chão de madeira contra as solas secas dos pés o despertou.
Ao entrar para tomar banho, Alex levou cerca de três vezes mais tempo do que o normal para se lavar. Suas mãos tremeram durante todo o tempo em que secava o corpo úmido. Após sair, gastou mais tempo escolhendo as roupas. Embora não tivesse tantas roupas assim, Alex escolheu a melhor entre elas. Ao colocar sobre a cama um terno que raramente usava junto com um sobretudo, ele hesitou novamente.
“Será que parece que me esforcei demais?”
Em um estado de nervosismo insano, Alex vasculhou o guarda-roupa e decidiu usar roupas comuns. Somente após escolher calças pretas e um suéter branco é que ele se acalmou um pouco. Ao verificar a hora, já eram 10h. Com menos de três horas restantes, seu coração, que havia se acalmado, começou a bater freneticamente. Para não chegar atrasado, Alex pesquisou o caminho para o Hotel Connaught. Era uma distância de menos de uma hora.
Enquanto observava o hotel, Alex percebeu subitamente um problema importante. Mais do que um problema, era algo que ele ainda não havia notado: o preço do hotel era absurdamente caro. Diante desse obstáculo inesperado, Alex arregalou os olhos e verificou o preço.
A melhor acomodação de sua vida havia sido um Holiday Inn. Nunca estivera em um lugar onde a diária custasse, no mínimo, £450. E para entrar no mesmo dia, como hoje, passava de £800. Com esse dinheiro, ele poderia pagar o aluguel do apartamento e a alimentação de um mês.
Mas Nathan indicou esse hotel com a maior naturalidade. O abismo que sentira ao encontrar Nathan no hospital de repente se tornou real. Os dois estavam agora em mundos realmente diferentes.
Universidade de Oxford, médico, alguém que podia usar um hotel daquele preço sem hesitar.
Mesmo que Nathan não tivesse terminado mal com ele, não haveria chance de os dois darem certo. A disparidade era grande demais. Nathan estava em um lugar que Alex, por mais que se esforçasse, jamais alcançaria.
“Sendo assim, envolver-se brevemente dessa forma deve ser uma sorte que não se repetirá.”
Após organizar seus sentimentos melancólicos, Alex verificou o saldo da conta bancária. Descontando o dinheiro para pagar as dívidas deste mês e as contas de serviço, a conta batia. Decidiu reduzir ao máximo os gastos com comida e usar o cartão de crédito. De qualquer forma, Nathan estava se sacrificando por Alex, então era justo que Alex arcasse com os custos. Se pensasse como uma taxa de tratamento, nem era tão caro assim.
Envolvido por pensamentos sombrios e aceitando plenamente as emoções que o atingiam, chegou a hora de partir. Encorajando a si mesmo para não se sentir intimidado e verificando o penteado e as roupas, Alex trancou a porta de casa.
A entrada principal do hotel, onde bandeiras pretas ondulavam, era grande e elegante. A entrada esculpida em estilo clássico, como se tivesse voltado ao passado, e o número de janelas altas e amplas pressionavam as pessoas.
Alex olhou para aquela forma em um estado de choque e parou na frente. Sem coragem de empurrar a porta de madeira marrom-escura fechada, ele pegou o celular na entrada. O vento soprou frio, bagunçando seu cabelo. A ponta de seu nariz ficou gelada rapidamente.
Embora passasse das 13h, Nathan não era visto. No momento em que hesitava se devia entrar, o celular tocou. Embora não tivesse coragem de salvar o contato e não tivesse colocado um nome, era o número de Nathan. Assim que viu o número decorado aparecer, Alex atendeu.
— Nathan?
— Onde você está?
— Estou na porta do hotel.
Assim que ele disse isso, a ligação caiu. Enquanto olhava para a tela do celular, sentindo falta da ligação que terminou rápido demais, a porta se abriu. Viu Nathan vestido em um terno elegante, como daquela vez. O cabelo loiro platinado bem penteado brilhava com elegância. Os olhos verdes o encararam como se o prendessem e, então, Nathan caminhou a passos largos.
— Por que está do lado de fora?
Sua voz indicava que ele não entendia. Em vez de dizer que não estava entrando por parecer um lugar onde não deveria estar, Alex cumprimentou desajeitadamente.
— Oi, Nathan.
Enquanto observava furtivamente as bochechas brancas e a linha afiada do maxilar, acabou encontrando o olhar dele. Alex desviou o olhar rapidamente e endireitou a postura. Nathan, que passou a mão pelo rosto, suspirou e puxou a maçaneta da porta. Mantendo a porta aberta, ele disse a Alex:
— Entre. Está frio.
— Eu que deveria segura……
Pensando bem, Nathan vinha cedendo desse jeito desde a última vez. Alex sentiu-se incomodado, como se tivesse deixado o belo Nathan fazer um trabalho pesado que não deveria. No entanto, Nathan permaneceu observando Alex com um olhar afiado. Diante da pressão silenciosa, ele entrou calmamente. O ar quente do hotel o atingiu de imediato. Havia um cheiro agradável.
Sendo um hotel antigo, o balcão do saguão em si tinha um toque de antiguidade, mas a elegância do interior projetado em madeira maciça não se perdera. Nathan disse a Alex, que pretendia ir até o funcionário do balcão:
— Vamos.
Sem tempo para responder, Nathan dirigiu-se às escadas acarpetadas. Seguindo Nathan hesitante, Alex olhou para trás.
— Nós ainda não fizemos o check-in?
— Não precisa. Já tem um lugar que eu uso.
Nathan subiu naturalmente até o 6º andar, o último. Ele não entendeu o que ele quis dizer com “lugar que eu uso”. No entanto, seria estranho perguntar mais do que isso ali.
— Sim. Então, quanto eu devo te enviar……?
Isso também era um pouco estranho. Quando ele perguntou com a voz cada vez mais baixa, Nathan parou subitamente. Nathan, que se virou, olhou para Alex com uma expressão inexpressiva, tirou um cartão-chave do bolso e disse:
— Não precisa.
— ……Hã?
— O marido do meu irmão é rico. Este lugar pertence à família dele.
Nathan, que recitou o fato com um tom cínico, caminhou pelo corredor. Seguindo com um ar de espanto as paredes decoradas como o corredor de uma mansão aristocrática e o chão de mármore branco, Alex colou-se atrás de Nathan sem perceber. Por causa disso, quase bateu nas costas dele quando Nathan parou diante de uma porta grande.
Nathan, que abria a porta, olhou para Alex logo atrás e fez uma expressão peculiar. Alex também prendeu a respiração, erguendo levemente o olhar para encarar Nathan. No corredor mergulhado em silêncio, apenas o som da respiração dos dois ecoava suavemente.
Nathan, que observou Alex por alguns segundos, levantou a mão lentamente. A imagem dele agindo como se fosse tocar a região de seus olhos, exatamente anteontem, sobrepôs-se, e Alex o encarou como se estivesse enfeitiçado.
Nathan, levantando os dedos brancos, esfregou o canto da própria boca e soltou uma respiração tênue. Ao observar aquilo, a nuca de Alex formigou. Alex estremeceu diante de uma estranha vibração, como se os pelos estivessem se arrepiando. Nathan, que continuava encarando Alex, virou-se lentamente e encostou o cartão-chave na maçaneta. Nathan abriu a porta destrancada. O som do “clack” ecoou de forma excepcionalmente alta.
— Entre.
Com uma voz muito mais rouca do que até agora, Alex entrou com movimentos rígidos em vez de insistir que ele mesmo abriria a porta. Ao pisar no assoalho de madeira maciça, que não se comparava ao chão de madeira do apartamento, ouviu o som da porta se fechando atrás de si. Diante do eco silencioso, mas pesado, a tensão disparou.
Alex, que parou, ouviu o som de sapatos ecoando atrás dele. Suas palmas das mãos suaram. Ao ficar sozinho naquele espaço, sua mente ficou branca. O baixo ventre tornou-se gradualmente rígido e ele sentiu o corpo artificial.
O som dos saltos parou ao lado dele. Sentiu a respiração baixa e o perfume suave de Nathan infiltrando-se. O cheiro leve de perfume não era forte, era sutil. Era uma fragrância seca com um leve toque de madeira.
Era diferente.
Ele sentia uma tensão diferente de quando estava ao lado do jovem Nathan. Sentia como se todos os seus vasos sanguíneos estivessem encolhendo e era difícil respirar. Embora nada estivesse pressionando seu corpo, sentia como se algo intangível estivesse comprimindo levemente todo o seu ser. Sua boca ficou completamente seca. Movendo com dificuldade a língua que parecia ter congelado, Alex soltou a primeira coisa que lhe veio à mente.
— A que horas você tem que ir?
Sentiu o olhar de Nathan pousar em sua bochecha. Era cócegas e quente. Seu interior tremia intensamente. Esfregando as palmas das mãos no sobretudo, Alex virou a cabeça rigidamente. Os olhos verdes que o observavam eram intensos. Teve a ilusão de que o verde que brilhava amarelado e radiante agora tinha uma cor diferente, como folhas de árvore molhadas pela chuva.
— E você.
No momento em que ouviu a voz perguntando de volta de forma curta, sentiu como se seu corpo afundasse. A voz de Nathan era assim? Pensando bem, a voz do passado, que ele achava ser uma voz juvenil, também era baixa assim. Era tão boa de ouvir que chegava a ser estranho apenas pelo toque em seus ouvidos.
— Eu…… às.
O som saiu falho. Engolindo em seco, Alex disse a hora:
— Às 3, mais ou menos.
Diante dessas palavras, Nathan franziu levemente um dos olhos e torceu o canto da boca.
— Às 3?
Por algum motivo, sentiu que dera a resposta errada. Embora a tensão permanecesse, Alex sentiu que podia respirar melhor do que antes e acrescentou rapidamente:
— É a previsão.
Nathan não respondeu e esboçou um sorriso pálido e amargo. Observando Alex com o rosto que logo voltou à expressão inexpressiva, ele levantou a mão. Seus dedos brancos infiltraram-se entre o nó da gravata que fechava o colarinho do terno. Alex recuou assustado ao ver o movimento de desamarrar a gravata vermelho-escura. Encostado na parede, Alex desviou o olhar bruscamente. Olhando para a porta, Alex disse apressadamente:
— Na-Nathan, o que está fazendo?
— O que parece que estou fazendo?
Era um tom de voz que tornava difícil saber se era uma pergunta ou não. Sua mente ficou branca.
— Responda.
Resposta, ele precisava responder. Alex esforçou-se para recobrar os sentidos. Havia um longo caminho pela frente e mostrar esse tipo de comportamento ali não era digno de um Alfa. Ao pensar nisso, sua razão retornou por um momento. Não era hora para isso, quando ele deveria liderar Nathan.
Expirou profundamente e virou a cabeça. Alex, que pretendia responder, presenciou Nathan de frente, retirando o sobretudo e o paletó enquanto puxava a longa gravata em volta do pescoço.
— Você, e eu.
Após pendurar a roupa de cima em um braço, Nathan começou a desabotoar lentamente os próprios botões com a outra mão. Mantendo os olhos fixos em Alex, Nathan disse baixinho:
— Você sabe o que vamos fazer a partir de agora.
“Eu sei.”
“Eu sei.”
No entanto, no momento em que a nuca branca e a clavícula alongada de Nathan ficaram visíveis através da camisa aberta, Alex julgou que era impossível permanecer ali. No instante em que captou aquela pele indescritivelmente bela, sua parte inferior ficou rígida.
Alex, com o corpo ereto e sentindo-se prestes a ter um ataque cardíaco, observou ao redor. Só então a paisagem do quarto entrou em seu campo de visão. Era uma estrutura com vários quartos anexados a um lado de um corredor levemente curvo, e ele viu o banheiro ao fundo.
— Eu…… vou me lavar primeiro!
Antes que Nathan pudesse dizer qualquer coisa, Alex correu rapidamente para o banheiro. Após trancar a porta, ele sentou-se no chão e esfregou o rosto. A pele que tocava suas palmas estava quente em qualquer parte.
“O que eu faço, ele é lindo demais.”
Suas emoções explodiram. O cabelo loiro de boa textura, as feições invariavelmente belas, os lábios finos e rosados, e a nuca e a clavícula que se estendiam abaixo eram dolorosamente bonitos. Era certo que perderia a razão no momento em que visse o corpo escondido sob as roupas.
A ideia de um incidente com sangramento não saía de sua cabeça. Ele queria tratar Nathan com gentileza e atenção, mas como nunca havia feito sexo, temia não conseguir se controlar.
Já tendo entrado nos vinte e sete anos, Alex ouvira muitas histórias sexuais ao seu redor. Além disso, Anna era discretamente aberta sobre esse assunto; de repente, ele se lembrou de quando ela, bêbada em uma festa de fim de ano, contava gargalhando sobre uma amiga que tinha um namorado com ejaculação precoce e estava em dúvida se terminava com ele.
Ele tentou se convencer de que estava atribuindo significado sozinho e que aquilo não seria nada para Nathan, mas foi inútil. Com um sentimento doloroso, ele retirou lentamente o sobretudo e as roupas elegantes. Após organizar todas as roupas impecavelmente, Alex ligou a água fria e tomou banho. Como se o banho de uma hora que tomara pela manhã tivesse sido em vão, Alex se lavou esfregando a pele com força. Somente após cerca de 30 minutos de banho, Alex saiu do box e parou diante do espelho.
Ele afastou os cabelos pretos caídos e úmidos. Esfregou com os dedos os cantos levemente elevados dos olhos e a linha longa das pálpebras. Viu as gotas de água presas na clavícula escorrerem e molharem seu peito. Baixou levemente a cabeça para observar o próprio corpo nu.
Foi nesse momento que Nathan bateu à porta do banheiro. Alex assustou-se e agarrou rapidamente o roupão de banho pendurado.
— Qual é o problema?
A voz de Nathan veio de trás da porta. “Eu o fiz esperar demais.” Alex, vestindo o roupão, aproximou-se cautelosamente da porta e girou o trinco. Sem pensar, imaginando que Nathan estaria, no mínimo, vestindo uma camisa.
No entanto, Nathan, visto através da fresta da porta levemente aberta, vestia o mesmo roupão de banho que Alex. O problema era que ele não havia fechado o roupão adequadamente. No momento em que viu o torso amplamente exposto, os músculos densos e o abdômen definido, Alex arregalou os olhos e fechou a porta novamente. Foi depois disso que seu corpo inteiro começou a arder e esquentar.
— Alex Yeon, abra a porta.
Ouviu-se o som de Nathan girando a maçaneta. Bloqueando a porta com o corpo, Alex implorou com a voz trêmula:
— Espera, espera um pouco!
Ele precisava de tempo para processar a cena que acabara de presenciar. Ver a pele nua de Nathan era mais perturbador do que imaginara.
Além disso, houve uma cena diferente do que imaginava. O corpo de Nathan era muito melhor do que ele pensava. Inclusive, parecia que o abdômen dele era mais firme que o seu e a cintura era sólida. Os músculos do peito eram como esculturas. Como o corpo de Nathan que ele imaginara era suave, branco e macio, não passava aquele tipo de sensação erótica. Não, para ser justo, ambos eram corpos eróticos…… quando ele ficou assim? O corpo fica assim quando se é alto?
— Eu ainda preciso de tempo.
Ele precisava organizar sua mente confusa. Embora parecesse ter um corpo melhor que o seu, Nathan ainda era adorável e belo. Ele apenas precisava planejar como faria as preliminares. O conteúdo da pesquisa prévia que ele se esforçara para buscar desapareceu subitamente após presenciar a cena inesperada.
— Saia antes que eu abra à força. Diga qual é o problema.
No entanto, Nathan não parecia disposto a lhe dar tempo para se preparar. Pressionando com força a porta que sacudia ameaçadoramente, Alex gritou desesperadamente:
— E-e se eu acabar te machucando enquanto estivermos fazendo?
A maçaneta que girava parou.
— ……O quê?
— Só me dê um tempo. Não que eu não consiga fazer……
Nesse ritmo, ele acabaria dizendo que era a primeira vez na vida que faria sexo, então Alex calou a boca. Seu corpo estava quente demais. O som de seu coração batendo vazava ruidosamente para fora.
— Por que eu me machucaria?
Hã? Diante da resposta inesperada, Alex arregalou os olhos. Por causa disso, a força em seu corpo relaxou por um momento. Nathan aproveitou a oportunidade e a porta se abriu de imediato. Alex foi empurrado para dentro do banheiro. Nathan estava parado atrás da porta que se abriu antes que ele pudesse impedi-lo.
— A menos que você chore.
Dito isso, Nathan entrou e segurou a cintura de Alex. O braço, que se infiltrou naturalmente por dentro do roupão, envolveu a cintura e puxou Alex. A sensação do braço tocando sua pele nua era escorregadia.
Talvez houvesse outro banheiro, pois Nathan exalava um cheiro de sabonete líquido misturado com água. Ah, ahh, um suspiro trêmulo escapou no momento em que sua cintura foi envolvida. Era indescritivelmente sugestivo. O toque de pele com pele.
Os corpos se tocaram intimamente. Os peitos nus se encostaram. Alex foi abraçado por Nathan de modo que a parte inferior, perigosamente coberta pelo roupão, quase se tocasse. Sentia que a pulsação frenética seria transmitida através da pele. Todas as partes que se encontravam estavam intensamente quentes.
No momento em que percebeu isso, uma grande força concentrou-se em seu baixo ventre. Assustando-se com o fato de sua parte frontal ter ficado rígida antes que pudesse impedir, Alex levantou a mão e a apoiou no peito de Nathan. Então, estremeceu novamente diante da sensação firme que tocava sua palma. Os músculos eram definidos.
— Nathan, nós, ah, estamos mu, muito, per, perto.
Sua voz tremeu, produzindo um som semelhante a um soluço. Enquanto era abraçado, Alex foi arrastado para o corredor e prensado contra a parede. Preso entre Nathan e a parede, Alex não conseguia encontrar um lugar para focar o olhar e seus olhos vagavam. Segurando o queixo de Alex, que desviava o olhar para todos os lados, Nathan sussurrou:
— Olhe direito, porque faremos coisas ainda piores.
Se ele se sentia prestes a morrer apenas com o toque dos corpos, fazer sexo seria impossível. Diante do estímulo insuportável, Alex implorou fervorosamente:
— Desculpe, Nathan. Não consigo fazer isso. Vamos fazer na próxima, na próxima vez.
— Pare de falar bobagem.
— Só, eu, posso tomar o supressor, Nathan…… ah, hu, ugh!
No momento em que disse aquilo, sua nuca foi mordida. Diante da sensação desconhecida, Alex encolheu o corpo, deixando escapar um som. Nathan cravou os dentes no músculo esternocleidomastoide alongado e lambeu a região. Seus olhos se abriram totalmente diante da sensação que se espalhava de forma arrepiante.
Nathan, após lamber a nuca uma vez, afastou os lábios. Mantendo o olhar na mesma altura, Nathan observava Alex sem expressão. A imagem do cabelo loiro caído e úmido cobrindo a testa de forma bagunçada era desconhecida. Nathan, que soltou um suspiro levemente trêmulo, aproximou-se novamente. Desta vez, parecia que os lábios iriam se tocar.
Como na noite do primeiro beijo, por um momento todos os sons esmaeceram.
O peito que subia e descia bruscamente se acalmou. Ele abriu levemente os lábios. Devido à tensão excessiva, seu corpo tremia levemente, independentemente de sua vontade. Os lábios de Nathan, cada vez mais próximos, tocaram seu rosto. A sensação que roçou levemente ao lado dos lábios era macia. Era incrivelmente suave.
Os lábios que roçaram esfregaram levemente a linha afilada do maxilar e moveram-se lentamente em direção à orelha. Os lábios, parados na pele macia situada logo abaixo do lóbulo da orelha, sopraram um suspiro quente sobre a pele. Quando o hálito úmido roçou aquela região, uma vibração espalhou-se por sua coluna.
Ah, seus olhos se contraíram involuntariamente. Um suspiro arfante escapou. Uma sensação latejante, como se eletricidade se espalhasse, partiu de onde os lábios tocaram.
— Entre os Alfas……
O sussurro ecoou abaixo da orelha. Cada vez que os lábios se moviam, roçavam a região sensível sob a orelha. Alex, movendo as mãos que colocara no peito de Nathan com hesitação, agarrou os ombros dele sem conseguir esconder o tremor. Caso contrário, sentia que perderia a força nas pernas.
— Há pessoas cuja zona erógena fica perto dos órgãos de feromônio.
Com essas palavras, a língua pontiaguda lambeu sua pele.
— Hu, ha, haa, ah, hum……
O som fluiu sem que ele percebesse que estava gemendo. Muita força foi concentrada nos dedos dos pés. Ele empurrou o chão com os pés. Com as mãos que agarravam os ombros, ele empurrou Nathan e colou as costas na parede. Sentia como se seu corpo estivesse derretendo. A sensação de cócegas tornou-se gradualmente intensa.
— Esse é você.
O sussurro tornou-se tão baixo que mal podia ser ouvido, mas Alex conseguia ouvir todos os sons com clareza. Os sentidos que haviam sido bloqueados o atingiram de uma só vez, dominando-o. A língua que lambia a orelha como se a espetasse tornou-se agora mais viscosa. Sua cintura sentia calafrios. Seu baixo ventre contraiu-se dolorosamente e sentiu seu órgão genital crescer ao máximo. Como foi tudo muito instantâneo, ele não conseguia acreditar.
— É, é estranho, isso, ah, ah, Nathan, espera, hic!
A força nas pernas desapareceu. Graças à mão de Nathan que segurava sua cintura, ele conseguiu ficar de pé, mas seu corpo estava se tornando estranho. Seu corpo inteiro tremia, sua parte frontal latejava e a força nas coxas oscilava entre contrair e relaxar repetidamente.
Cada vez que soltava um suspiro semelhante a um gemido, a respiração de Nathan também se tornava um pouco mais ofegante. Nathan, que emitia algo como um som de agonia, soltou um longo suspiro, “haa”. As mãos que aplicavam uma força quase dolorosa agora acariciavam sua cintura suavemente.
Os corpos se colaram. O torso firme de Nathan pressionou Alex. Enquanto estava distraído com aquela sensação, a mão moveu-se da cintura para trás. Para trás, um pouco mais para trás, movendo-se assim até agarrar a nádega. Não era fraco, mas também não a ponto de doer.
Nathan não parou e continuou lambendo a região da orelha. Enquanto estava fora de si devido à sensação que coloria seu corpo inteiro de forma latejante, a mão que agarrava e soltava a nádega dirigiu-se para a parte interna mais profunda. Alex, que estava pendurado em Nathan com o olhar semicerrado, arregalou os olhos no momento em que os dedos tocaram a região íntima. De repente, ele recuperou a consciência.
— Na, Nathan.
Diante do chamado, Nathan levantou a cabeça. Ele, que estava com o rosto profundamente enterrado na nuca de Alex, tinha um olhar brilhante.
— Então, acho que você, colocou a mão, no lugar errado.
Seu rosto ficou tão vermelho que ele mesmo podia sentir. A pele ardente chegava a doer. O fato de essa situação ser tão avassaladora agora que recuperara o juízo era um bônus.
— Mão?
Com essas palavras, os dedos de Nathan penetraram ainda mais para dentro. Alex estremeceu a parte superior do corpo.
— Is-isso.
— Por quê?
— Por que está colocando a mão aí?
Sua voz tremia tanto que podia ser interpretada como um choro. Nada fazia sentido. Primeiro, Nathan está diante de seus olhos. Segundo, ele está perto demais. Terceiro, sentia que muitas coisas estavam progredindo de forma extremamente rápida. Quarto, Nathan era muito bonito e, por último, não fazia sentido lógico os dois estarem fazendo esse tipo de coisa. Ah, verdade, havia mais uma coisa: Nathan tocou com os dedos em um lugar sujo.
— Tenho que relaxar você.
Nathan disse como se estivesse perguntando algo óbvio. Enquanto isso, os dedos separaram a fenda das nádegas contraídas e tocaram aquele lugar, como se não pretendessem poupar Alex. Foi nesse momento que Alex teve uma percepção.
Abrindo a boca como se soltasse um grito silencioso, Alex empurrou com bastante sinceridade, mesmo sabendo que o oponente era Nathan. Então, recuou bruscamente para o fim do corredor. Ele não esqueceu de fechar o roupão novamente com o rosto pálido de susto.
— Em mim……?
Era uma suposição tão absurda quanto dizer que Nathan não era bonito, mas, naquele momento, parecia ser verdade.
— Alex.
Nathan chamou o nome dele baixinho, fechou os olhos lentamente e endireitou o corpo. Ele, com o tronco alongado, levantou a mão e afastou o cabelo. O loiro úmido desarrumou-se graciosamente entre seus dedos. Com uma expressão de quem suprime algo intensamente, Nathan disse:
— Venha aqui.
Alex tentou avançar para ouvir o que Nathan tinha a dizer, mas hesitou, pois a sensação dos dedos que tocaram sua parte traseira permanecia nítida. Como ele não se aproximava, Nathan estendeu a mão.
— Depressa.
A mão estendida firmemente entrou em seu campo de visão. Como no passado. Alex, vendo-o estender a mão como quando falava sobre os treinos, esqueceu-se da cautela e ficou imóvel. Uma saudade semelhante ao ressentimento transbordou e, logo em seguida, seu coração derreteu intensamente. Nathan estendeu a mão para ele. Mesmo odiando-o.
“Será que posso segurar?” Mesmo hesitando mentalmente, Alex avançou rapidamente para segurar a mão dele. Temendo que ele a retirasse, Alex estendeu o braço primeiro. Nathan não recuou. Em vez disso, esperou por Alex. Ele só se sentiu aliviado após segurar a mão dele com força. Mesmo apreensivo, Alex não soltou a mão dele.
Nathan olhou fixamente para a mão que segurava e conduziu Alex para o quarto. Em um estado de confusão, Alex foi sentado na cama. Mantendo a mão dada, Nathan sentou-se ao lado de Alex. Devido à posição de estarem frente a frente, os joelhos se tocaram levemente.
— Diga-me por que você se assustou.
Sua voz parecia a de um médico.
— ……Eu achei que, naturalmente, eu iria…… colo…… colocar.
Alex reuniu coragem e respondeu. Nathan o observou com o rosto indiferente e, como quando mencionou a hora de sair do hotel, esboçou um sorriso pálido.
— Com base em quê?
— Eu sou um Alfa.
Isso ele conseguia dizer facilmente. Estava até confiante. Nathan parecia não entender por ser um Beta, mas Alex era rigorosamente um Alfa. Além disso, antigamente ele era mais alto que Nathan. Mesmo agora, ele definitivamente não era baixo. Ele era alto, superando em muito a média de altura do Reino Unido.
E ele tinha confiança em sua resistência. O vigor físico não é importante para o sexo? Dentro da delegacia, Alex Yeon tinha o recorde de corrida mais alto.
— E o que mais?
No entanto, Nathan não exibia uma expressão de quem concordava. Alex apressou-se em dar o próximo motivo:
— E porque você é muito mais bonito.
— A beleza de quem quer que seja não tem relação com o sexo anal.
Sexo…… anal……
Alex sentiu um grande impacto diante da descrição explícita. Com o rosto pálido, ele argumentou:
— Alfas não conseguem fazer por trás, não é?
— Conseguem.
Ele balançou a cabeça. Como era um médico dizendo, deveria estar certo, mas ele não queria acreditar.
— Acho que não vai dar certo……
— Como você sabe se não tentou?
— Eu não posso colocar?
— E você sequer consegue colocar?
Novamente, ele ficou sem palavras. Movendo as mãos dadas, Alex baixou a cabeça. “Sim.” Mesmo assim, ele respondeu com firmeza.
— Tente, então.
Nathan disse a Alex com uma voz calma. Como não esperava que ele permitisse, Alex levantou o rosto surpreso.
— Tente fazer como você planejava fazer.
Após ele terminar de falar, apenas o som da respiração de ambos era ouvido. Mantendo a mão firmemente dada, Alex observou o rosto de Nathan com cautela. Como o rosto que o encarava era excessivamente belo, Alex desviou o olhar para o corpo de Nathan. No entanto, a nuca e a clavícula eram do mesmo jeito. Eram tão bonitas quanto o rosto.
Após lembrar-se de alguma forma dos vídeos e dos métodos de preliminares que pesquisara na internet, Alex respirou fundo de forma trêmula. Baixou a cabeça lentamente e encostou os lábios na nuca de Nathan. Um suspiro superficial escapou entre seus lábios.
Após alguns segundos de hesitação, Alex pressionou os lábios contra o pescoço de Nathan. A pele era extremamente macia. Parecia creme. A cor também era branca e o cheiro do corpo era doce.
Sentiu a temperatura de Nathan sobre a fina epiderme dos lábios. Apenas encostando os lábios, Alex prosseguiu com beijos desajeitados ao longo do pescoço. O intervalo era grande e o tempo de contato dos lábios era curto. Era uma preliminar desajeitada, como se estivesse fazendo cócegas. No entanto, apesar do ato medíocre, a cada movimento de Alex, o pomo de adão de Nathan se contraía com força.
Alex, que conseguiu beijar até a clavícula, deparou-se com um obstáculo. No momento em que o torso semicerto pelo roupão entrou nitidamente em sua visão, sua mente travou. Sem sequer conseguir levantar o rosto, ele enterrou a cabeça no peito de Nathan e expirou. Então, Nathan moveu o corpo com um suspiro profundo e áspero.
Simultaneamente, em um piscar de olhos, Alex foi empurrado para cima da cama. O impacto macio espalhou-se por suas costas. Com o rosto cheio de dúvidas, Alex encarou o teto. Sentiu a sombra que o cobria. O dono da sombra era Nathan.
— Há algo que você não sabe.
Ele tentou levantar o corpo confuso, mas Nathan subiu em cima de Alex com facilidade. Como ele aplicou o peso do corpo pressionando a parte inferior, Alex não conseguia escapar.
— Se um de nós dois tiver que colocar, é justo que eu, o médico, o faça.
A mão de Nathan desceu. O cordão do roupão amarrado desfez-se facilmente. Os dedos longos e bonitos não pararam ali e retiraram o roupão de Alex.
— Porque eu conheço o seu corpo melhor do que você.
Nathan inclinou o torso ao terminar de falar. O braço que fora estendido instintivamente para empurrar foi dominado pela mão de Nathan. O pulso levantado foi pressionado com força pela mão branca.
— Nathan, eu ainda não termin, ah……!
Nathan lambeu a mesma região que fora lambida viscosamente no corredor. No instante em que uma vibração subiu, Alex abriu a boca. A estranha sensação que ele continuava sentindo subitamente ganhou corpo e cobriu todo o seu ser. O órgão genital, que havia se acalmado durante o impasse, rapidamente tornou-se rígido. A região da orelha, que ele nunca considerara sensível em toda a vida, tornou-se extremamente reativa assim que Nathan a lambeu.
O roupão estendido sob suas costas desarrumou-se completamente. Rugas formaram-se na cama que estava impecavelmente arrumada. Sua mente ficou branca diante do som de lambidas que chegava ao pavilhão auricular. Moveu a cintura sem perceber. Foi um instante para que o prazer que nunca experimentara na vida o tornasse vulnerável.
A sensação estranha fazia Alex tremer incessantemente, sem descanso. Enquanto ele se contorcia e agitava o corpo, Nathan desceu uma das mãos que o pressionava e começou a acariciar lentamente a parte superior do corpo de Alex. Todos os seus nervos ficaram à flor da pele diante do ato de tocar uma região que ninguém jamais havia tocado. Muita força foi aplicada no abdômen, tornando os músculos nítidos.
A mão que acariciava o tronco desceu lentamente para o baixo ventre. A palma da mão deslizou pelo abdômen liso e firme. Embora fosse um movimento mais rústico do que suave, Alex sentiu uma excitação assustadora apenas pelo fato de ser Nathan. O fato de Nathan tocar sua pele nua tornou-se o catalisador da excitação.
— Nathan, solte isso, ah……!
Como se estivesse sendo empurrado para a beira de um abismo, o prazer aumentou rapidamente. Apenas por ter o corpo acariciado e ser lambido abaixo da orelha, uma sensação de que logo atingiria o ápice o assaltou.
— Não pode, Nathan, eu, ah, hu-ugh!
Virando o rosto ruborizado para o lado, Alex mordeu o lábio. Sua mente ficou anuviada. Foi então que a mão que acariciava o baixo ventre agarrou o membro de Alex.
— ……!
Arregalou os olhos. Soltando um suspiro quente e ofegante, ele aplicou força nas coxas. No momento em que a palma da mão macia e quente envolveu o pênis, sua razão desapareceu. Como se um rut tivesse chegado, Alex moveu a cintura com o rosto desarrumado, “ha, ha”. Sentia que sua cabeça ia explodir ao pensar que a mão branca e longa, os dedos mais bonitos do mundo, estavam segurando o seu membro.
— Ahh, Nathan, é estranho, aí, não, não quero.
— É algo bom.
Parando de lamber viscosamente, Nathan sussurrou desta vez enquanto mordiscava o pavilhão auricular com os lábios. Ao ouvir a voz recitando baixinho, o pênis inchou até o limite.
— Digas que é bom se sentirmos juntos agora.
Em algum momento, seus pulsos ficaram livres. Nathan, com o corpo meio erguido, continuava a estimular o membro de Alex enquanto estendia o braço para o outro lado da cama. Alex não tinha discernimento para ver o que ele procurava. Ele apenas ficou com a visão esbranquiçada e, gradualmente, entregou seu corpo ao instinto, soltando gemidos falhos.
Enquanto movia a cintura para cima e para baixo como se fizesse movimentos de estocada, Nathan abriu o lubrificante com uma das mãos. Então, ele despejou o líquido sobre o pênis de Alex.
Alex abriu a boca sem emitir som diante da sensação do gel frio e translúcido escorrendo da ponta da glande. A sensação escorregadia espalhou-se rapidamente por todo o pênis. Ouviu-se o som de chapinhar úmido. O contato entre a palma da mão branca e o pênis rígido era indescritível. Os dedos dos pés esticaram-se totalmente. O suor brotou de forma translúcida em seu pescoço firme.
— Nathan, ah, ah, é bom, isso é bo, hu-ugh……!
Por isso, Alex não conseguiu impedir a tempo que uma das mãos molhadas se dirigisse para trás. Sentia que, se continuasse mais um pouco, obteria algum tipo de prazer intenso que seu corpo lembrava.
O gel despejado viscosamente molhou os testículos e escorreu, umedecendo também o períneo. Nathan não parou de agitar a mão que segurava o pênis de Alex e, simultaneamente, acariciou lentamente a área ao redor do ânus com a outra mão. Após acariciar suavemente a fenda das nádegas com os dedos esticados, logo o dedo médio acariciou a abertura cujas pregas estavam densamente fechadas. Alex, que movia a cintura com a mente quase perdida, arqueou as costas bruscamente diante das cócegas que surgiram atrás.
— Nathan, hu-ugh, ah, não pode, aí……
Ele não conseguia se mover como quando empurrava Nathan, em guarda total, no corredor. No momento em que o prazer sem imunidade espalhou-se densamente por baixo, sentiu como se seu corpo inteiro tivesse derretido. A única resistência que ele conseguia fazer era o ato de tentar subir na cama empurrando-a com os pés.
E Nathan moveu o corpo acompanhando-o, inserindo lentamente o dedo dentro da abertura.
— Hu, hu-ugh!
A sensação era bizarra. Tentou escapar esperneando, mas Nathan o impediu. Soltando o pênis que estava estimulando, ele envolveu uma das pernas de Alex com o braço. Por causa disso, a perna foi aberta.
— Atrás, ah, é sujo, por favor……
O pensamento de que os dedos belos e finos de Nathan estavam entrando ali atrás deixava Alex louco. Era errado que a mão que não cansava de tocar apenas coisas bonitas tocasse um lugar como aquele. O desejo de não ser penetrado era mais forte do que o desejo de penetrar.
— Fique quieto.
A força que puxava sua coxa era bruta. Empurrando a perna para cima, Nathan inseriu o dedo mais profundamente. O lubrificante começou a infiltrar-se persistentemente dentro da abertura teimosamente fechada. A sensação da abertura se dilatando por algo que nunca a penetrara antes era difícil de descrever. Era simplesmente bizarro. Sentia cócegas e também náuseas internas.
— Porque eu tenho que encontrar.
— Por favor, ah, ah, Nathan, eu, ugh, eu, quero fazer……
Apesar de ter dito que não queria machucá-lo, Alex disse aquilo apenas para tentar escapar da situação de qualquer maneira. Quando o dedo penetrou realmente fundo, suor frio escorreu por suas costas. Aquilo não estava certo. Ele nunca pensara, em toda a vida, que colocaria algo atrás.
Nathan tateou o interior da abertura com o dedo, como se procurasse algo. Alex contorceu o corpo diante da sensação da parede interna esponjosa sendo pressionada.
Virando a parte superior do corpo e agarrando firmemente o cobertor da cama com as mãos, ele lutou para subir engatinhando. Como ele se moveu com bastante força, Nathan soltou a perna de Alex. Aproveitando o momento, Alex engatinhou sobre a cama de bruços. O dedo saiu momentaneamente por causa disso.
— Você não obedece, não é.
A voz entrecortada roçou a orelha de Alex. Ele sentiu medo de tê-lo deixado irritado, mas o medo da sensação estranha atrás era maior.
— Nathan, tira de dentro, ah!
Nathan simplesmente prensou Alex por trás enquanto ele tentava fugir. Um peso maciço o cobriu e o peito firme de Nathan tocou as costas de Alex. A pele nua dos dois, agora molhada de suor, friccionava-se e deslizava entre si. Aquilo por si só era estimulante.
Nathan, pressionando a nuca de Alex com uma força bruta, desceu a mão novamente e inseriu o dedo médio de novo na abertura que se abrira ligeiramente. Como era um caminho que já fora relaxado uma vez, a parede interna engoliu o dedo com mais facilidade do que antes.
— Já que é a minha primeira vez fazendo até aqui, fique, quieto.
Diante dessas palavras, Alex parou. Recuperando o fôlego com o rosto semicerrado contra a cama, ele moveu os lábios. O que seria a primeira vez? Fazer com um Alfa? Ou tentar fazer por trás?
— ……É a primeira vez?
Nathan soltou um longo suspiro e disse suavemente:
— Sim.
Alex não perguntou nada além disso. Temia que fosse diferente do que pensava e, do jeito que estava, já era o suficiente. Se essa situação significasse algo para Nathan de alguma forma, então…… ele poderia suportar. Esfregando o rosto suado no cobertor, Alex sussurrou baixinho:
— ……Também é a minha primeira vez.
— Imagino.
Provavelmente, Nathan interpretara de forma um pouco diferente. Não era apenas aquela situação, mas o próprio ato de fazer sexo com alguém era a primeira vez para Alex. Alex hesitou e calou a boca. Pensou de que adiantaria dizer. Não é como se isso fosse mudar alguma coisa.
Aproveitando o momento de calmaria, Nathan continuou tateando o interior. Com a boca semiaberta, Alex enterrou o rosto no cobertor e suportou o ato bizarro dele.
E o dedo que acariciava a região próxima ao interior do ventre finalmente encontrou algo. No momento em que o dedo pressionou um ponto ligeiramente diferente dos outros, Alex arregalou os olhos.
— Hu, ah, ah!
Um som agudo, muito mais alto do que os de antes, escapou. O som fluiu sem que ele pudesse ter consciência ou chance de impedi-lo. Nathan estacou diante do gemido que percorreu as cordas vocais.
— É bom?
Era uma voz baixa, como se raspasse o chão. O dedo de Nathan, que parara por um momento, pressionou aquele ponto novamente. Diante da pressão mais forte que a anterior, sua visão ficou branca. O pênis, que estava morrendo momentaneamente, aumentou subitamente de volume e começou a pulsar.
— Ah, ahh, sim, ah, ah, ahh……!
O dedo moveu-se. Moveu-se para frente e para trás como em movimentos de estocada e, logo, o número aumentou para dois. Cada vez que os dedos, agora em número de dois, entravam, eles acariciavam algum lugar na parede interna. Seus braços formigaram como se estivessem com cãibra. Com apenas as nádegas elevadas, Alex deixou os sons fluírem sem resistência. Era um gemido agudo que não combinava com ele. Era humilhante, mas ele não conseguia conter.
— Uh-ugh, uh, u-hum, Nathan……
Ele não parecia ser ele mesmo. Foi melhor ter ficado de bruços, sem mostrar o rosto. Ele também temia o que Nathan pensaria ao vê-lo emitir sons que não combinavam com seu porte físico. Enterrando completamente o rosto no cobertor, Alex tentou de todas as formas abafar os sons.
— Não contenha o som…… diga-me se é bom.
No entanto, no momento em que sentiu Nathan abraçá-lo, sobrepondo o corpo sobre suas costas, algo rompeu por dentro. O canto de seus olhos ficou avermelhado e desarrumado. A mão que pressionava sua nuca tocou a lateral de seu rosto. Esfregando a testa nos dedos que via diante de seus olhos, Alex ofegou.
— É bo, m……
“Eu te amo, Nathan.”
“Eu te amo de verdade.”
“Eu te amo muito, muito, muito.”
O prazer sentido no corpo não era o problema. Ele simplesmente amava Nathan. Qualquer coisa que Nathan fizesse era boa. Diante do sentimento profundo, lágrimas finalmente escorreram de seus olhos avermelhados.
O calor que o envolvia e a pressão que esmagava suas costas preencheram seu peito intensamente. O fato de ser estranho ou parecer ridículo não era um problema mais importante do que o fato de Nathan estar tocando-o. No momento em que percebeu isso, a ponta de seus pés formigou. Ele sentiu que ia chegar lá.
— É bom, uh-ugh, é bo…… m.
Soltando gemidos soluçantes, Alex repetia que era bom. O rosto de Nathan tocou sua nuca. Os lábios provocaram seu ombro.
Sentindo-o respirar profundamente, Nathan logo retirou os dedos. Viu também a mão que apoiava a lateral de seu rosto se afastar. Ele, que ergueu o tronco, sussurrou para Alex. Ouviu-se o som de algo sendo rasgado.
— Agora não consigo mais aguentar.
Era uma voz completamente rouca e falha. Sem sequer saber o significado exato, Alex assentiu. Esfregando a testa onde Nathan apoiara a mão, ele soltou um suspiro febril. Sentia como se seu corpo inteiro estivesse flutuando, como se não fosse seu.
— Eu deveria relaxar você mais, mas você……
“Você é tão……”
As palavras finais acabaram não saindo. Os lábios que deixavam marcas em seu ombro lamberam viscosamente o pescoço e o pavilhão auricular de Alex. Então, deram um beijo suave em sua bochecha. Era um ato que, por algum motivo, parecia afetuoso, diferente do comportamento anterior de pressionar e segurar com força. Com isso, ele sentiu vontade de beijar.
Ele queria sentir Nathan, algo que só sentira uma vez. Já que faziam algo pior que aquilo, não poderia pedir um beijo? Ele desejava ardentemente aquele ato em que as línguas se misturavam e ele podia ver o rosto de Nathan de perto.
Com um rosto que implorava por algo, Alex virou a cabeça. Ao levantar levemente o pescoço e olhar para cima, viu os olhos de Nathan. Os olhos verdes escuros olhavam Alex fixamente de cima. Seus lábios moveram-se levemente. Os olhares se entrelaçaram como se estivessem conectados por um fio rígido.
— Vou colocar.
Ouviu-se um som metálico. Simultaneamente, algo rígido tocou a parte inferior. Era algo rombo, como um bastão firme. Aquele objeto rombo empurrou com força, como se tentasse forçar a entrada na abertura onde os dedos haviam entrado. Parecia que não ia entrar.
— Hu, hu-ugh, Na, Nathan……
Um medo instintivo surgiu. Suor frio brotou diante da sensação de estar engolindo algo que não deveria ser inserido. Sentia que mal conseguira colocar os dedos, então não parecia que algo assim fosse entrar. Lembrou-se do corpo de Nathan, que ele não tivera chance de observar adequadamente por estar com vergonha. Não viu bem a parte inferior por estar coberta pelo roupão. Ele não tinha noção de quão rígido e enorme era aquilo para se sentir assim.
— Relaxe.
— Eu não se, i como fazer, ugh, isso, ah, dói……
Uma respiração pesada ecoou em seu ouvido. Esfregando o rosto no cobertor novamente, Alex emitiu sons de dor. A ponta do pênis rombo tentava entrar de qualquer maneira, mas foi impedida pela parede interna que o repelia com força, parando após conseguir inserir apenas a extremidade. Um gemido de agonia também foi ouvido vindo de Nathan.
— Haa……
Nathan esfregou o rosto na bochecha de Alex. O corpo de Alex estremeceu diante do gesto íntimo. No instante em que a tensão relaxou momentaneamente, o pênis deslizou um pouco mais para dentro. A dor que começara como uma pontada surda logo proporcionou a sensação de uma dilatação rígida.
— Shh…… bom garoto.
O tom de voz tornou-se mais carinhoso. As lágrimas que começaram a fluir desde que o pênis começara a dilatar a parte traseira caíram em cascata diante daquelas palavras. Soltando um soluço, Alex sussurrou:
— Na, Nathan……
Em vez de responder, Nathan colou o corpo ainda mais.
— Nós, não podemos…… beijar?
Perguntou com uma voz que mal saía. Nathan, que estava com o corpo tão colado que era possível ouvir o coração um do outro batendo, estacou como quando Alex soltara o som agudo e, logo em seguida, segurou o queixo dele. O rosto que o encarava parecia confuso e, ao mesmo tempo, sofrido.
— ……Podemos.
No entanto, aquela expressão desapareceu sem deixar vestígios no momento em que ele deu a resposta. Em vez disso, a mão que segurava o queixo apoiou a bochecha suavemente.
Virando a cabeça para trás, Alex aceitou o beijo de Nathan. Os lábios foram levemente mordidos. Abrindo a boca apressadamente, Alex apoiou-se na cama com os braços. Inclinou a cabeça mais para trás. A língua lambeu os lábios como se o acalmasse e, logo, infiltrou-se pela fresta aberta. Seu ombro estremeceu. Sua mente ficou branca desde o momento em que a língua entrou.
Ele misturou as línguas como alguém enfeitiçado. Movendo a língua de forma desajeitada, Alex seguiu Nathan conforme ele o conduzia. Apesar de hesitar, ele moveu a língua para provar Nathan.
As línguas quentes e macias misturaram-se desordenadamente. A saliva que ele não conseguia conter escorreu pelo queixo. Devido à cabeça inclinada e à boca aberta, a saliva que escorreu de forma bagunçada molhou o pescoço firme de Alex. Mesmo quando ele tentava se afastar por sentir dificuldade para respirar, Nathan não o soltava. Ele engolia Alex como se fosse um homem faminto.
— Ah, uh-hum, ah, hu……
Assim, ele foi levado pelo beijo frenético. Ele bebeu a saliva que derramava sobre si como se bebesse água da vida. Enquanto ele estava completamente distraído pelo beijo, Nathan o empurrava cada vez mais para dentro de Alex.
A abertura, que mal engolira a extremidade, foi engolindo o pênis gradualmente graças ao relaxamento provocado pelo beijo. O pênis enorme dilatou a parede interna rígida até o limite. Mesmo estremecendo diante da dor que se espalhava por trás, Alex logo buscava aquele prazer se a língua dele o acariciasse suavemente no céu da boca para acalmá-lo.
Quando a massa de carne, cujo comprimento era impossível de estimar, estava quase toda inserida, Alex sentiu aquela estranha sensação de prazer de antes espalhar-se a partir de algum ponto. A dor e o prazer estimulavam-no juntos. Era apenas o pênis rígido sendo empurrado até o fim, mas um ponto profundo no interior foi esmagado e Alex arqueou a cintura intensamente.
— Hu, uh-ugh, dentro, Nathan, dentro……
Alex, que beijava como se estivesse agarrado a ele, perguntou tremendo diante da sensação que o atingia por dentro. Nathan sussurrou enquanto abraçava Alex por trás com ambos os braços:
— Sim, dentro.
— Dentro, aí, atrás…… eu, sou estra, nho……!
— Como estranho?
A voz que lhe perguntava de volta estava quente e falha. Ele sentia que ouvia um Nathan mais erótico do que nunca até então. Sua mente ficou estranha. Seu baixo ventre ferveu e uma grande força concentrou-se na parte inferior do corpo. Ele ia dizer que sentia cócegas atrás e que ia enlouquecer, mas no momento em que ouviu a voz de Nathan, seu corpo estremeceu violentamente e todo o seu ser endureceu rigidamente. Em um momento inesperado, apenas ouvindo aquela voz……
— Ah, ah-hak, ah, ah……!
Alex ejaculou.
Com os olhos semicerrados, ele tremia violentamente. O pênis, que apenas se esfregava no cobertor repetindo o ciclo de aumentar e diminuir de tamanho de forma ambígua, vomitou o líquido esbranquiçado de uma só vez. O cheiro acre de sêmen espalhou-se pelo quarto que estava repleto de um aroma corporal úmido.
Devido à contração forte do interior simultânea à ejaculação, Nathan deixou escapar um som de “khu”. Nathan, que retirava o pênis com um movimento que parecia confuso, logo respirou fundo e empurrou o membro para dentro novamente. O corpo que atingira o ápice e se tornara extremamente sensível saltou diante do estímulo aplicado por trás.
— Eu, eu, já fiz, Nathan, uh-ugh, ugh, para, para……
Agora era impossível. A parte de trás doía por estar totalmente dilatada e todo o seu corpo estava sensível. Com a perda repentina de força simultânea à ejaculação, ele só pensava em descansar por enquanto. Se ele resistira por tempo suficiente até ejacular ou se o fizera rápido demais, todas essas preocupações foram enterradas no resíduo da ejaculação.
Mas Nathan não atendeu ao pedido de Alex. Em vez disso, após retirar o corpo longamente, ele enterrou o pênis de uma só vez.
Um som de impacto, “puck”, ecoou alto. O som da fricção entre as nádegas elevadas e o baixo ventre liso era ruidoso. Balançando a cabeça freneticamente, Alex estendeu o braço para a cabeceira da cama. Nathan começou a mover apenas a cintura, pressionando o corpo que tentava escapar segurando o móvel.
— Você está fazendo isso…… para me deixar louco?
Nathan disse, separando cada sílaba. O pênis quente raspou a parede interna ardente. O calor aumentou. Embora a dor se espalhasse, sempre que Nathan empurrava o pênis até o fim, o prazer se difundia intensamente em algum ponto mais profundo. Durante a repetição do ato, ele perdeu o fôlego. Alex balançou a cabeça enquanto soltava sons ofegantes.
— Nathan, uh-ugh, vamos descansar, eu, descansar, sim, ah, ah, ah!
— Não.
Uma recusa firme foi proferida. Nathan, que cravou o pênis a ponto de tocar o interior do ventre, soltou uma respiração de fera e sussurrou uma frase:
— Agora não posso parar.
A partir dessas palavras, Nathan começou a se mover como alguém que explode algo que conteve por muito tempo. “Ha, ha”, a respiração expelida rudemente dispersava-se de forma erótica em seu ouvido. Conforme o ato de revirar, perfurar e mover-se rapidamente através da carne úmida continuava, a dor diminuía.
Desta vez doía quando a glande raspava o interior e saía até a abertura, mas quando penetrava profundamente, surgia a sensação que sentira ao ejacular. Como Nathan chamara isso? Dissera que era algo bom?
Mas se isso era algo bom, se era prazer, Alex sentia que jamais conseguiria se acostumar. Tudo o que havia em seu cérebro ficou vazio, e apenas a sensação sentida na abertura traseira ocupava sua mente. Doía e, depois, era bom. Era bom que o membro longo e rígido de Nathan tocasse o ponto mais profundo.
— Hu, hu-hum, ah, ah, ah, hu-hum……!
O calor que havia esfriado momentaneamente reacendia-se gradualmente a cada vez que Nathan acelerava o ritmo. Parecia que pegara fogo. Uma sensação semelhante à vontade de urinar surgiu e seu baixo ventre tornou-se firme. Mesmo que tentasse morder o cobertor para conter o som, era impossível porque seu corpo saltava a cada vez que Nathan golpeava sua cintura. Gemidos que não combinavam com ele explodiam, subindo de tom repetidamente. Quando a humilhação preencheu sua mente de forma rubra, as lágrimas explodiram.
“Uh-ugh, ugh”, chorando, Alex balançava sem resistência. Suas costas, com músculos sutis e definidos, ondulavam. Sua cintura branca e visivelmente estreita em comparação aos ombros largos e bem desenvolvidos exibia marcas vermelhas de dedos devido à pressão firme de Nathan, e suas nádegas elevadas estavam escorregadias de suor. Veias azuis saltavam em seu pescoço enquanto ele soltava gemidos.
O prazer cresceu como uma torrente. Espalhando-se a partir da abertura como se estivesse sendo construído passo a passo, finalmente percorreu sua coluna a ponto de fazê-lo esquecer a dor surda. Ele não conseguia pensar em nada. Apenas recebia Nathan através da abertura, com as pernas abertas e as nádegas elevadas. Foi levado pela sensação que o dominava.
Nathan movia-se como um homem faminto. Enquanto perfurava e socava com o pênis como se fosse enfiar até os testículos, ele repetia o ato de esfregar os lábios e cravar os dentes nas costas de Alex. A sensação de picadas espalhou-se por todas as costas. Nos ombros, na nuca, como se estivesse deixando marcas.
O som de carne colidindo e o som de chapinhar vindo da fenda das nádegas molhada de suor e lubrificante ecoavam, e dentro desse tempo, Alex esqueceu momentaneamente até que tipo de relação eles tinham. Apenas o calor de Nathan e a sensação que ele proporcionava eram importantes.
Por isso, por isso……
— Nathan, ugh, eu te amo, eu te amo……
Chamando-o pelo apelido que não lhe era permitido, Alex finalmente soltou um soluço. Embora não estivesse sem dor, ele disse que era bom. Ele chorou repetindo a palavra “bom” como alguém que só soubesse dizer aquilo.
Nathan, que se movia ofegante, no momento em que ouviu aquelas palavras, mordeu os lábios com força e sobrepôs-se a Alex. Sentiu o braço que o abraçava tremer. Cravando o pênis até o limite extremo, Nathan mordeu o lóbulo da orelha de Alex. Sentiu a parte inferior dele ficar rígida. Os corpos colaram-se intensamente.
— Ah…… ah……!
Mesmo sem dizer, era possível saber que momento era aquele. Nathan ejaculou dentro dele. Não qualquer pessoa, mas Nathan, dentro dele. Com a carne unida e conectados um ao outro.
E simultaneamente ao pensar nisso, Alex sentiu uma sensação de ejaculação difícil de suportar. Não se comparava a quando ejaculou apenas ouvindo a voz dele anteriormente. Sentiu como se seu corpo inteiro estivesse se contraindo e seu ventre foi puxado com força. Sentiu a parte inferior descer bruscamente e, logo, seu pênis inchou a ponto de doer.
Ou seja, de uma maneira que nunca acontecera antes.
— Ah, não pode, ah, hu, uh-ugh, ah……!
Ele pôde saber instintivamente o que estava fazendo agora. Pressionando a parede interna com força, Alex colou o corpo firmemente na cama. A ponta da glande inchou como se fosse explodir. Ele podia sentir por si mesmo que seus feromônios estavam se espalhando intensamente.
Uma possessividade sem fim em relação a Nathan, que o pressionava cobrindo-o, e um prazer igualmente eletrizante explodiram e, pouco depois, algo começou a fluir abundantemente do meato uretral. O sêmen fluiu como se ele estivesse urinando.
— Alex.
Devido ao aperto forte de Alex na parte traseira, como se fosse cortá-lo, Nathan soltou um som de agonia. Ouviu-o chamar seu nome com a voz falha. Nathan segurou o ombro dele, talvez para virar o corpo e ver seu rosto.
Alex balançou a cabeça negativamente e começou a chorar. As lágrimas molharam abundantemente suas bochechas. Ele não podia mostrar esse estado. Fazer um knotting enquanto estava sendo penetrado. Ele nunca imaginou que faria um knotting, algo que ele nem sabia como fazer, neste momento. Seu corpo ardeu em um tom rubro. Com o rosto desordenado, Alex puxou o cobertor. Tentou colar o corpo ainda mais firmemente na cama.
— Alex, mostre o rosto.
— De-depois, Nathan, por favor…… agora, não, não pode……
O knotting não parava facilmente. O pênis rigidamente ereto pulsava e esfregava-se no cobertor. O sêmen não parava de fluir e Alex sofria espasmos leves mesmo naquele estado. O pênis inchado não dava nenhum sinal de diminuir.
Nathan, observando as coxas dele tremerem e saltarem, levantou o corpo e retirou o pênis. Com um gesto burocrático, retirou a camisinha e a jogou no lixo ao lado da cama. Nathan, que limpou os vestígios, segurou o ombro de Alex para virá-lo. Alex soluçou enquanto colava a barriga na cama desesperadamente.
— Não, não olhe…… Nathan, eu te peço. Sim? Depois……
No entanto, Alex foi virado junto com o cobertor. Seu corpo girou bruscamente e, no final, sua parte inferior ficou exposta de forma nítida.
— Eu preciso verificar se você está bem……
Ele parou de falar. Nathan parou com o corpo erguido e ficou observando silenciosamente a cena de Alex despejando o líquido esbranquiçado abundantemente sobre o próprio ventre. Seus cílios longos pararam de se mover e ele fixou o olhar na parte inferior do corpo de Alex. O cobertor, que estivera em contato com o ventre de Alex, também estava brilhando, encharcado de sêmen. O cheiro ácido espalhou-se intensamente.
Assim que sentiu o olhar dele direcionado para sua barriga, Alex chutou o lençol com a sola dos pés e se encolheu. Puxou o edredom rapidamente. Fechou os olhos avermelhados com força, escondendo o abdômen onde o sêmen estava acumulado seguindo o desenho dos seus músculos. Seus lábios tremiam. Sentia-se humilhado e desolado. Era frustrante ter sido descoberto depois de ter implorado para que ele não olhasse.
— Não foi… por querer… “snif”… sério.
O olhar de Nathan acompanhou lentamente os movimentos de Alex. As bochechas brancas do rapaz estavam coradas como flores de pessegueiro, e seus cabelos loiros, agora mais úmidos do que antes, grudavam na testa.
Nathan, que encarava Alex com uma expressão confusa, apertou os lábios. Ele permaneceu em silêncio por um momento, afastando o cabelo do rosto com seus dedos longos. Quando a ansiedade de Alex atingiu o ápice, Nathan finalmente abriu a boca.
— Está tudo bem.
— Eu também… sem querer… por isso…
Antes que pudesse terminar a frase, o edredom foi puxado bruscamente. Sem dar tempo para Alex segurá-lo, Nathan jogou a coberta no chão e puxou o tornozelo do rapaz. Sendo arrastado de uma vez, Alex viu-se novamente por baixo de Nathan. No entanto, desta vez, ao contrário de antes, eles estavam de frente um para o outro.
Apoiando as mãos na cama e cobrindo o corpo de Alex com o seu, Nathan estendeu a mão. Alex sentiu o toque suave dele ajeitando os fios de cabelo grudados em sua testa pelo suor. Sentiu um formigamento. Nathan sussurrou baixinho:
— Você pode fazer.
Sua mente ficou vazia. Sentia vergonha de estar chorando e humilhação por ter tido um “knotting”. No entanto, gostava de ser tratado com carinho por Nathan.
— Não vou reclamar de você gozar enquanto é penetrado.
Assim que ele terminou de falar, as coxas de Alex foram afastadas. Alex esqueceu o choro por um instante e piscou. Olhou para Nathan com os olhos vermelhos e, cautelosamente, baixou o olhar para baixo. Naquele momento, sentiu como se seu coração tivesse parado.
“Ele colocou aquilo dentro de mim?”
Alex estava confuso. A maioria dos Alfas subentende que aquela parte é maior do que em outros gêneros. No entanto, o de Nathan era muito maior que o seu próprio. Além disso, apesar de Nathan ter ejaculado há pouco, o membro dele estava ereto como se aquilo fosse mentira.
Claro que, como Nathan, tinha uma cor rosada e um formato muito bonito, mas…
Ao chegar nesse pensamento, Alex se assustou ao ver a mão dele colocando um novo preservativo sobre aquele belo membro e olhou rapidamente para Nathan. Encarou-o com olhos ansiosos. Embora Nathan não demonstrasse nenhuma expressão, o modo como ele o olhava parecia gentil, fazendo Alex se calar. Sua parte inferior latejava muito, mas, já que havia acontecido uma vez, sentiu que não importava se fizessem mais.
E não demorou muito para Alex se arrepender de sua decisão. Nathan não parou em uma ou duas vezes. Se soubesse que seria atormentado por tantas horas que perderia a noção do tempo, a ponto de dormir como se estivesse desmaiando, ele teria impedido Nathan.
Como se uma máquina desligada tivesse sido religada, Alex abriu os olhos. Sua visão, que era pura escuridão, clareou de repente e seus sentidos retornaram. No entanto, ele não conseguiu entender a situação de imediato. Após ficar atordoado por alguns segundos, lembrou-se de que o teto em sua visão era diferente do de sua casa. Ao tentar levantar o corpo assustado por esse fato, Alex foi atingido por uma dor absurda.
— Ah, argh!
Um gemido de dor escapou antes que pudesse impedi-lo. Sentia como se sua cintura fosse quebrar. E não era só isso. Suas nádegas também doíam muito. Para ser exato, uma certa área entre elas estava ardendo e pinicando. Além da sensação de corpo estranho, sentia como se estivesse aberto.
Então, as memórias voltaram gradualmente. A primeira coisa que lhe veio à mente foi ele mesmo, chorando e empurrando Nathan dizendo que não aguentava mais, e depois ficando exausto após sabe-se lá quantas ejaculações. Provavelmente adormeceu depois disso.
Sentia como se tudo o que havia dentro de si tivesse saído, como se tivesse esgotado o desejo sexual de uma vida inteira naquele dia. Com o coração incrédulo, Alex levantou a mão e tocou o pescoço. O pescoço também ardia muito. Como se tivesse sido mordido e sugado por um longo tempo.
Nathan tinha uma personalidade decidida por natureza, mas, durante o sexo, ele era mais do que rigoroso; era implacável. Alex nunca imaginou esse lado dele. Quando Alex tentava fugir, Nathan o segurava pressionando sua cintura ou abrindo seus tornozelos, e o tempo que ele levava para ejacular tornava-se cada vez mais longo. No começo, parecia que gozavam em tempos semelhantes, mas a partir de certo ponto, parecia que ele estava penetrando há muito tempo e ainda assim não gozava.
Ao pensar até ali, Alex levantou a cabeça assustado e olhou ao redor. O quarto estava silencioso. O corredor também estava quieto e não havia sinal de ninguém.
— Nathan…?
Com a ansiedade crescendo gradualmente, Alex desceu apressadamente da cama. A dor no corpo não era o mais importante agora. Seus olhos, que ardiam de tanto chorar, ficaram avermelhados novamente. O silêncio absoluto o atingiu como a escuridão.
“Ele foi embora? Sem dizer nada?”
De acordo com o combinado, o objetivo de hoje era apenas o sexo, mas, ainda assim, ele queria tê-lo visto partir. Não queria que terminasse assim.
Forçando as coxas trêmulas, Alex entrou no que parecia ser a sala de estar com o rosto ansioso. O lugar ocupava metade do andar, então havia vários cômodos amplos. No entanto, Nathan não estava no quarto, nem no banheiro, nem na sala. Uma onda de decepção e tristeza o invadiu.
— Nathan, você foi embora…?
Mesmo pensando que ele tinha ido, Alex o chamou. Não houve resposta. Suas energias se esvaíram e uma sensação de desolação o dominou. Era o esperado, mas… ainda assim… hoje…
Sentindo o peito vazio, Alex mordeu os lábios com força. Sem saber o que fazer, parado no meio do corredor, ele lembrou-se de onde estava seu celular e caminhou a passos lentos em direção ao banheiro que havia usado.
No momento em que tentava se recompor, a porta do banheiro se abriu primeiro. Alex piscou e levantou a cabeça. Era Nathan. Ele parecia ter terminado de se lavar e se preparar, pois vestia um terno. Seu cabelo estava impecavelmente penteado, como se nunca tivesse estado desarrumado, e sua expressão era indiferente.
Contudo, por algum motivo, Alex sentiu que o olhar de Nathan estava fixo especificamente em seu corpo.
— Alex.
— Nathan.
O rosto que estava sombrio de decepção iluminou-se instantaneamente. Apagando tardiamente o sorriso que estava prestes a florescer, Alex falou, forçando os cantos da boca para baixo:
— Você ainda não tinha ido?
— Vou em breve.
Com essas palavras, ele sentiu, tolamente, uma ponta de decepção novamente. Mas Alex logo mudou seu pensamento. Ele próprio pretendia ir às 3 horas, então Nathan também deveria ter seus compromissos. Falando nisso, que horas seriam? Pela escuridão lá fora, parecia ser noite.
— Antes disso, tenho algo a fazer.
Nathan abriu a porta do banheiro e puxou o pulso de Alex. Foi uma força um pouco bruta. Normalmente ele não teria se importado, mas hoje era diferente. Sua cintura doía muito mais do que imaginava. Com o susto, a dor surda que não sentira enquanto olhava ao redor reviveu, e Alex soltou um “argh”. Nathan, que ia puxá-lo, parou bruscamente.
— Desculpe.
Nathan disse com a voz atônita e franziu os olhos. Alex balançou a cabeça apressadamente.
— Não foi nada.
Com uma expressão séria, Nathan conduziu Alex cuidadosamente. Ao segui-lo lentamente para dentro do banheiro, viu que a banheira estava cheia de água.
— Primeiro, quero te pedir desculpas.
Dizendo isso em voz baixa enquanto fazia Alex se aproximar da banheira como se indicasse para ele entrar, Nathan falou calmamente. Como era verdade que queria se lavar, Alex entrou na banheira sem dizer nada. A água estava agradavelmente morna. Como não havia banheira no apartamento onde morava, fazia muito tempo que não mergulhava o corpo assim. Sentando-se cautelosamente ali dentro, Alex perguntou de volta:
— Por que está pedindo desculpas?
— Porque hoje eu… agi como um idiota.
“Idiota?”
Era uma palavra que não combinava em nada com Nathan. Alex continuava com uma expressão de quem não entendia.
— Em que sentido?
Nathan, que esfregou o rosto com as mãos como se estivesse angustiado, sentou-se na borda da banheira. Olhando para Alex, ele disse com uma voz sincera:
— Eu não te preparei o suficiente.
— Ah, não.
Pelo contrário, Alex até gostou um pouco por sentir que ambos estavam sendo inexperientes juntos. Ao lembrar de Nathan dizendo que era a primeira vez dele, sentiu até o corpo aquecer.
— Mesmo assim, me desculpe.
Quem deveria pedir desculpas era ele, mas Nathan o fez. O fato de terem se envolvido hoje foi por um problema dele. Ele sempre esteve em dívida com Nathan.
— Está tudo bem, sério. Eu…
Alex acrescentou com a voz sumindo:
— Eu gostei.
Não que ser penetrado fosse bom. Claro, ele chegou a ejacular várias vezes enquanto era penetrado — honestamente, um fenômeno que não fazia sentido, por mais que pensasse — mas, ainda assim, doeu muito. No entanto, o toque de Nathan era muito bom. A ponto de seu corpo formigar com uma emoção incontrolável.
Em vez de responder, Nathan estendeu a mão lentamente. Sua mão quase tocou a testa de Alex, que estava na banheira, mas logo foi recolhida. Uma sensação de perda o invadiu.
Nathan, que olhava para Alex com os olhos verdes escurecidos como na cama, levantou-se. Então, trouxe uma garrafa de água e um remédio que havia deixado na prateleira do banheiro.
Sentando-se novamente na borda da banheira, Nathan tirou o remédio da embalagem. Seu indicador e polegar brancos seguraram a cápsula e a estenderam para Alex. Nathan impediu com palavras Alex, que ia pegá-la com a mão molhada.
— Abra a boca.
— Ahn?
— Ele derrete rápido se tocar na água, então você deve colocar direto na boca.
Sentindo-se como se estivesse sendo alimentado, Alex hesitou e abriu os lábios. De repente, uma lembrança passou por sua mente. Algo como uma língua que invadia seus lábios abertos. No instante em que tentou recuar o corpo por reflexo, o dedo dele tocou seus lábios. Seu interior estremeceu.
Nathan o encarava em silêncio. Enquanto colocava calmamente a pílula sobre a língua de Alex, seu dedo se retirou. O indicador roçou nos dentes inferiores e no lábio inferior sequencialmente ao sair. Sem conseguir sequer respirar, paralisado, Alex tremeu os lábios.
Apenas o som das gotas de água caindo ecoava intermitentemente. No banheiro envolto em silêncio, eles se olhavam calmamente. Nathan foi o primeiro a se mover. Ouviu-se um suspiro leve e ele abriu a tampa da garrafa de água, entregando-a a Alex.
Alex olhou fixamente para aquilo e, com um tempo de atraso, pegou a garrafa. Como uma criança obediente, engoliu rapidamente a pílula com a água. Era verdade que derretia fácil, pois um gosto amargo já se espalhava em sua língua.
— Você vai se sentir melhor se tomar umas três ou quatro vezes. Depois disso, tome os supressores prescritos pelo Hospital Real. Mas você deve ter relações sexuais regularmente uma ou duas vezes por ano. O neutralizador serve apenas para resolver os efeitos colaterais. Por melhor que seja o remédio, se você voltar a tomar apenas supressores como antes, seu corpo sofrerá uma sobrecarga.
Nathan foi quem quebrou o silêncio. Com uma voz profissional, como se todos os momentos que compartilharam fossem um sonho, ele explicou sobre o remédio. Ao terminar de falar, Nathan se levantou. Alex sabia que não deveria tentar segurá-lo, mas assim que viu Nathan se levantar, seu coração disparou.
— …Você já vai?
Nathan hesitou diante da voz carregada de relutância, mas assentiu. Verificando o relógio de pulso, ele hesitou antes de dar a resposta:
— Tenho trabalho, preciso ir.
— Entendi.
Visivelmente desanimado, Alex baixou a cabeça. Sua mente, que não conseguia processar a situação direito, sentia falta de Nathan ir embora, mesmo não sendo o momento para se sentir magoado. Eles não tinham relação nenhuma.
Mas, ainda assim…
— Tchau, Nathan.
“Eu queria que você não fosse.”
— …Certo. — Nathan respondeu brevemente.
Alex, que olhava para a água transparente da banheira, levantou a cabeça involuntariamente assim que ouviu o som dos sapatos saindo. Viu as costas largas. As mangas do terno bem passadas e a mão balançando.
Ao ver aquilo, algo impulsionou Alex. O corpo tomou a decisão antes da razão. Levantando-se apressadamente da banheira, ele estendeu a mão.
O som da água da banheira agitando-se ecoou ruidosamente, e a mão estendida com ansiedade agarrou o pulso de Nathan, que estava prestes a sair. Foi uma força tão grande que até ele mesmo se surpreendeu. Nunca tinha segurado Nathan daquela forma.
Com a força segurando seu pulso, Nathan vacilou e virou o corpo. Os olhos verdes levemente surpresos encontraram os olhos castanhos escuros que olhavam para cima com súplica.
— Desculpe.
Ele recuperou a razão e pediu desculpas. O olhar de Nathan baixou lentamente. Seus cílios eram longos e curvados. Nathan, em silêncio, disse baixinho com uma expressão de quem estava em apuros:
— Estou atrasado… preciso ir.
Com a mão que o havia tocado, pressionado e acariciado, Nathan segurou o pulso de Alex. Não foi rude, mas também não foi carinhoso.
Alex afrouxou a força da mão. Embora soubesse racionalmente que deveria soltá-lo, não conseguiu retirar a mão completamente. Os dedos de Nathan se intercalaram. O calor que subia suave e morno esfriou gradualmente quando Nathan começou a afastar os dedos de Alex. A cada dedo que era solto, ele sentia como se seu coração também estivesse se quebrando em pedaços.
Assim, a mão se soltou completamente.
— Você deve tomar o neutralizador novamente por volta da semana que vem. O horário do check-out não importa, então saia amanhã quando for conveniente. Coloque a refeição na minha conta.
Aquelas foram as últimas palavras de Nathan.
Após afastar Alex, Nathan fechou a porta do banheiro sem olhar para trás. Somente depois que o som dos sapatos ecoou pelo corredor e a porta do quarto do hotel se fechou, Alex sentou-se lentamente na banheira.
Por um momento, não conseguiu pensar em nada. Então, gradualmente, uma onda de calor subiu. Era uma solidão profunda.
“Para Nathan, isso não deve ter sido nada, afinal.”
Ao pensar nisso, seus olhos arderam. Olhando para as marcas avermelhadas em suas coxas e em seu corpo, Alex encostou o rosto nos joelhos unidos e soltou um suspiro baixo. Uma dor aguda espalhou-se do fundo do peito.
“Está tudo bem.”
“Mesmo assim… para mim teve significado.”
Com um suspiro curto, Alex começou a lavar o corpo em silêncio. Quando lavou o rosto com a água da banheira, as lágrimas que se acumulavam em seus olhos logo se misturaram à água, tornando-se indistinguíveis. Assim como a relação entre eles.
↫─☫Continua no Volume 3…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Othello&Belladonna
Ler Mind The Gap Yaoi Mangá Online
Sinopse: Obra do mesmo universo de Define Relationship
— Você disse que gostava de mim. Foi… tudo mentira?
— Como um Alpha poderia gostar de um Beta?
Entre uma mãe que o abandonou e um pai que o forçou a viver como Alpha, Alex cresceu sem nunca se apoiar em ninguém. O único que o confortava, independentemente do seu gênero secundário, era Nathan. Para proteger Nathan de um certo incidente, Alex o afasta com palavras cruéis.
Anos se passam, nove longos anos de penitência e saudade. Então, um dia, eles se reencontram na cena de um caso em que Nathan é a testemunha.
— Sr. Nathan, se não for incomodar… na verdade, se você não se importar, há algo que eu gostaria de dizer…
— Se você está pensando em se desculpar, não precisa se incomodar.
Alex fica ansioso ao redor de Nathan, desesperado para se desculpar, mas Nathan mantém tudo friamente dentro do estritamente profissional. Então, devido aos efeitos colaterais do uso prolongado de supressores, o desequilíbrio hormonal de Alex é exposto.
— Você poderia simplesmente dormir com uma Ômega. Por que está procurando outra coisa? Você gosta de Ômegas.
— É porque não estou saindo com nenhuma Ômega no momento. Acho que não consigo fazer isso com alguém que não conheço.
Alex tenta se esquivar e recusa, alegando que não quer. Nathan, que havia se afastado friamente, acaba voltando e faz uma oferta de ajuda.
— Você pode fazer sexo com alguém de quem não gosta. Não interprete demais. É só sexo.
— Você não precisa se forçar a fazer isso com alguém nojento como eu.
— Você não é nojento. Então pense direito e me responda.
Mesmo que Nathan diga que não quer se envolver, sua bondade o atravessa e Alex só quer chorar. “Será que eu… nunca serei perdoado por você? Você foi a minha única alegria neste mundo. Nathan, por favor… apenas uma vez… me ouça. Por que eu fiz o que fiz.”