Ler Mind The Gap – Capítulo 07 Online

❖ Capítulo 03 – The Gap 2
A gripe terrivelmente deprimente havia melhorado no terceiro dia, mas, estranhamente, este cio não dava sinais de que fosse terminar. Embora achasse aquilo estranho, ele fez o que tinha que fazer.
Sem energia ou vontade para cozinhar, fez apenas um molho bolonhesa simples e preparou macarrão para três dias. Depois, deitado na cama, sempre que tinha tempo, revisava os materiais que havia trazido. Enquanto esquentava e comia o macarrão que havia endurecido na geladeira, ele examinava repetidamente os arquivos das vítimas. Como seu corpo não estava absorvendo nenhuma energia, ele comia muito devagar.
Já fazia mais de um mês desde que a investigação formal do caso do testador beta havia começado. Resolver este caso, que recebia mais atenção do público do que qualquer outro sob a responsabilidade de Alex, certamente seria um marco significativo em sua carreira. Embora assassinatos aconteçam todos os dias, casos que atraem esse tipo de atenção são raros. Havia alguns investigadores que não haviam sido designados para o caso e que até o invejavam por isso.
No entanto, Alex não estava interessado em promoções. Ele não fazia questão de agradar seus superiores, incluindo o chefe de polícia, e ainda não tinha jeito para essas coisas. Tanto antes quanto agora, lidar com pessoas continuava sendo difícil para ele. Com o passar dos anos, Alex percebia cada vez mais que se tornar adulto não significava se tornar habilidoso em tudo.
Ele estava satisfeito com o que tinha. Ser detetive se adequava a Alex em muitos aspectos. Ele não precisava estar sempre bem na fita com seus superiores, correr ou perseguir suspeitos era algo relativamente fácil para ele e, acima de tudo, ele era um funcionário público.
Tendo pensado até ali, Alex largou o macarrão parcialmente comido. Sentiu tontura, talvez porque a febre, que parecia ter baixado um pouco, estivesse subindo novamente. Relembrando o horário em que havia tomado o supressor, ele olhou na gaveta.
Dois comprimidos. Era a quantidade que acabaria se ele tomasse hoje, mas seu estado físico não era nada bom. Como o cio normalmente se acalmava em três dias, seu corpo já deveria estar melhorando hoje, com apenas uma leve febre. Mas, nesse estado, estava claro que amanhã sua disposição também seria muito ruim.
Não tinha recebido nenhum contato porque não havia nenhum grande caso, mas, com a situação atual do país, seria complicado estender ainda mais as férias. Alex suspirou levemente, exalando um ar quente, e se levantou da cama com dificuldade. Sem saber o motivo, parecia que o cio ainda não havia terminado, então ele precisava ir à clínica habitual para pegar uma receita.
A única coisa que ele tinha era um corpo que aguentava até rolar no chão.
Pensando assim, ele se lavou mecanicamente e se trocou. Lá fora, estava chovendo. Os pingos de chuva que batiam na janela haviam diminuído bastante, mas ainda caía uma garoa. Era o final do outono em Londres, triste como sempre.
Parado na porta de entrada, Alex percebeu que não tinha o guarda-chuva que sempre usava. Ficou alguns segundos olhando para o nada, pensando onde o guarda-chuva poderia estar, até que se lembrou de que o havia deixado no hospital. Sem tempo para se conter conscientemente, o rosto de Nathan e as palavras cortantes que ele havia dito passaram por sua mente.
Apague-me da sua vida.
Da sua vida…
Só de recordar, seu peito doía como se fosse rasgar, e Alex tentou não pensar em nada enquanto revirava o armário de sapatos. Felizmente, havia um guarda-chuva comprido. Depois de calçar os sapatos, ele segurou firmemente o cabo de madeira do guarda-chuva e abriu a porta. O vento que soprava era muito frio.
Na clínica, a cerca de dez minutos a pé, havia muita gente. Alex esperou cerca de cinco minutos, apertado entre uma mulher europeia acalmando crianças que choravam e um homem árabe reclamando, até que conseguiu falar com a enfermeira da recepção.
— Vim por causa da receita do supressor. É Alex Yeon.
Quando ele soletrou a grafia do sobrenome, a enfermeira, com um rosto cansado, digitou no teclado. Após examinar a tela por um momento, ela olhou para Alex e abriu a boca.
— Hoje o Dr. Selman, seu médico responsável, não está. Ele está de férias.
— Tudo bem se for outro médico.
— Acho que vai ser difícil. O único que pode prescrever medicamentos relacionados à sua condição é o Dr. Selman.
Alex acenou com a cabeça para a enfermeira, que olhava para ele com uma expressão de dificuldade. Ao dar uma olhada no relógio na parede, já eram mais de cinco horas. Mesmo que fosse a uma clínica que não fosse a designada, já era tarde demais. A enfermeira que o observava abriu a boca.
— Parece que você não está bem. Que tal ir a um hospital maior? No Queen Elizabeth ou no Royal, eles devem te atender mesmo que você tenha que esperar um pouco.
Com o comentário sobre seu estado, Alex piscou lentamente e coçou a testa.
— Estou tão mal assim?
— Sim.
Só agora ele percebeu: a enfermeira era uma ômega. O fato de seus feromônios estarem tão instáveis a ponto de serem perceptíveis mesmo quando o cio estava quase no fim o deixou um pouco surpreso.
Alex descartou a ideia de aguentar em casa, agradeceu e saiu da clínica. Ao ligar o Google Maps para verificar a distância, não fez muita diferença. Considerando o transporte de volta, ir ao Royal Hospital era a melhor opção.
Com o rosto cansado, Alex passou a mão pelos cabelos. Os passos não avançavam por causa das palavras de Nathan para que não aparecesse na sua frente.
Nathan só fazia pesquisa no Instituto de Condição, não era médico. Talvez estivesse tudo bem?
Depois de ponderar inúmeras vezes, ele finalmente decidiu. Mesmo que, por acaso, visse Nathan, ele simplesmente o ignoraria ou tomaria cuidado para não ser notado.
Mesmo que aquela não fosse uma decisão tão absurda, Alex se sentia culpado. Seu coração estava pesado enquanto pegava o Overground para a estação Whitechapel. Ele não podia negar seu verdadeiro objetivo, escondido atrás das desculpas que inventara. Mesmo que não pudesse ver Nathan, mesmo que Nathan tivesse dito para não vê-lo, ele queria passar por lugares que tivessem vestígios de Nathan.
Só por hoje. Depois de hoje, realmente, nem vou chegar perto. Hoje… estou realmente muito mal.
Quanto mais se aproximava do hospital, mais a febre aumentava. O supressor só servia para controlar a libido que paralisava a razão, não tinha efeito de diminuir ou eliminar o calor que não era liberado.
No começo, a febre também baixava bastante, e com o remédio ele conseguia levar uma vida normal; agora isso parecia coisa do passado distante. Desde o ano retrasado, a febre era tão forte que ele tinha que usar as férias, sem opção. Mesmo assim, o cio sempre acabava em três dias.
Arrastando o corpo tonto, Alex caminhou lentamente em direção ao hospital. Subindo na direção oposta à que costumava ir, ele olhou ao redor. A chuva caía como orvalho, e todos andavam sem guarda-chuva, se molhando. Ele também guardou o seu, pois estava difícil segurá-lo. Ele mesmo achava aquilo inacreditável. Uma pessoa que costumava carregar coisas pesadas sem dificuldade agora estava naquela situação por causa de um supressor.
Um prédio alto apareceu. Alex, que estava virando a longa parede para ir em direção à entrada, parou de andar ao olhar, sem pensar, para uma pessoa que vinha do lado oposto. Parado, ele piscou os olhos. Seu coração começou a bater rápido e sentiu como se o chão abaixo de seus pés estivesse cedendo.
Do lado oposto, Nathan se aproximava. Estava com um casaco longo preto, vestido de forma casual. Com sapatos, terno, gravata e os cabelos jogados para trás, ele era a própria imagem de um cavalheiro impecável.
Seu olhar naturalmente se desviou para o lado. Havia uma mulher ao lado de Nathan. Alex logo se lembrou de que ela era a médica que ele havia encontrado no hospital da última vez. Quase não a reconheceu porque sua roupa estava diferente, mas seu rosto era o mesmo. Seu cabelo castanho-avermelhado estava elegantemente cortado e balançava acima dos ombros, suas pernas finas em sapatos e suas roupas combinavam perfeitamente com Nathan.
Eles não estavam de mãos dadas ou de braços dados, mas caminhavam muito próximos um do outro. Embora não estivesse exatamente sorrindo, Nathan parecia estar ouvindo o que ela dizia.
No momento em que a mulher sorriu e tocou o braço de Nathan, Alex deu um passo para trás. Se Nathan desviasse o olhar dela, ele estaria perto o suficiente para ser reconhecido. Vendo Nathan se aproximar cada vez mais, Alex virou o corpo apressadamente. As palavras de Nathan, para que não aparecesse na sua frente, ecoavam em sua cabeça. Sua voz fria se tornou uma ordem que o pressionava.
Com o pulso acelerado, Alex começou a andar de volta pelo caminho que viera. Ele olhou para trás. Tentou voltar exatamente pelo mesmo caminho, mas perdeu a chance de se enfiar em uma rua lateral porque um grupo de pessoas saía dela. Ficou ainda mais ansioso.
Nathan pode me ver. Se me vir… vai sentir nojo.
Assim que esse pensamento lhe veio à mente, Alex foi direto para a rua. O sinal ainda não havia mudado, mas não havia carros à vista. Ele tentou correr rapidamente para atravessar a faixa de pedestres. Até aquele momento, não se via nenhum carro.
Ele ouviu a buzina quando já tinha dado dois passos. Tudo aconteceu ao mesmo tempo. Ouviu-se uma buzina tão alta que doía nos ouvidos. Ao virar a cabeça para a esquerda, viu um ônibus vermelho avançando em sua direção.
Eu deveria desviar.
Assim que pensou isso, seu corpo foi puxado com força para trás. Seu pulso foi puxado com tanta força que Alex cambaleou e caiu para trás. Diferente do normal, ele não tinha forças para manter o equilíbrio.
No entanto, Alex não caiu para trás; em vez disso, foi diretamente para os braços de alguém. Algo sólido encostou em suas costas e ele ouviu uma respiração ofegante perto de sua orelha. Alex ergueu levemente a cabeça. Viu cabelos loiros desgrenhados. E abaixo deles, olhos distorcidos.
Era um rosto conhecido.
Um rosto que ele não podia deixar de reconhecer. Alex, surpreso, tentou se endireitar. Mas logo percebeu que não podia por causa das mãos que seguravam firmemente seus ombros. Sua garganta ficou seca. Ele não conseguia entender a situação. Sua mente ficou em branco.
— O que você está fazendo? — Nathan perguntou com uma voz baixa e rouca. Seus olhos, que pareciam estar chocados, o olhavam de cima. Alex, preocupado sobre onde colocar as mãos, abriu a boca com uma voz trêmula.
— Nathan.
— Eu perguntei o que você estava fazendo.
Ele sentiu uma força intensa nas mãos que seguravam seus ombros. Era uma força incomum. Era estranho, uma força que ele nunca imaginou que Nathan pudesse ter. Parecia desconhecido.
— Não sei do que você está falando. Desculpa, só um momento…
Se ele ficasse mais tempo nessa posição, parecia que realmente ia parar de respirar. Alex, com as mãos trêmulas, agarrou levemente a roupa dele e depois fez força nas pernas. Tentou se virar para sair da posição em que estava sendo segurado. Mas Nathan não soltou seu pulso esquerdo, que segurava firmemente.
Ao se levantar, ele pôde ver os arredores. As pessoas passavam, lançando olhares para eles como se estivessem assustadas. Nathan e a mulher atrás dele estavam visíveis. A mulher também tinha uma expressão assustada. Foi então que Alex se lembrou de que quase tinha sido atropelado por um carro há pouco.
Como seu pulso ainda estava preso, Alex olhou para Nathan com os olhos vagamente fixos. Nathan, olhando para Alex com os olhos contraídos, suspirou nervosamente e passou a mão pelos cabelos. Ele perguntou novamente.
— Por que você tentou se jogar na frente do ônibus?
A voz de Nathan ficou cada vez mais baixa. Alex então percebeu que sua ação poderia ter sido interpretada assim aos olhos dos outros. Seu constrangimento aumentou. Desviando o olhar, Alex abaixou a cabeça. Olhando para os sapatos brilhantes de Nathan, ele disse em voz baixa.
— Não foi isso.
— Então o quê?
— Eu vim porque tinha que ir ao hospital, e então te vi… Porque… você disse que não queria me encontrar. Então eu estava tentando ir embora quando…
Ele não conseguiu terminar a frase. Toda aquela situação, as palavras que saíam de sua boca, eram patéticas. O fato de estar mostrando essa imagem aos vinte e poucos anos, e a decisão idiota de ter vindo ao Royal Hospital.
Mas, mais do que tudo, o mais patético era que, mesmo nessa situação, ele estava preocupado com o pulso que estava sendo segurado. A área de contato estava tão quente que ele se sentia tonto. Ou talvez estivesse realmente tonto.
— Eu não vim de propósito. Você pode ficar chateado, mas acredite nisso, pelo menos — Alex acrescentou, no final.
Nathan ficou em silêncio por um longo tempo depois de ouvir aquilo. Com os lábios firmemente cerrados, ele olhou fixamente para o rosto de Alex. Só depois de ouvir a mulher perguntar: “Ei, você está bem?” foi que Nathan abriu a boca.
— Eu não vou te dizer nada só porque nos encontramos por acaso.
— Hum, entendi — ele respondeu baixinho, acenando com a cabeça obedientemente. Ao dizer aquela única frase, algo em seu coração doeu. Será que ele está preocupado comigo? Antes que pudesse evitar, um engano surgiu sorrateiramente.
— Apenas passe sem me cumprimentar. Não precisa evitar assim.
Mesmo depois de passar por isso várias vezes, ele se decepcionou novamente com as palavras que vieram logo após ter criado falsas esperanças. O leve alívio de alguns segundos atrás deu lugar à realidade. Seu corpo ficou pesado. Alex, que estava olhando para os sapatos de Nathan, ergueu os olhos para o pulso que estava sendo segurado. Era por causa disso. Ele estava tendo fantasias sozinho por causa desse contato.
Alex ergueu a mão silenciosamente e tocou cuidadosamente os dedos de Nathan que o seguravam. Depois de um toque leve, Alex falou com uma voz rouca.
— Você… pode soltar minha mão?
Ele não queria se soltar à força. Tratar Nathan assim era algo impossível até mesmo em sua imaginação. Com as palavras de Alex, Nathan franziu um dos olhos e olhou para o pulso que segurava como se tivesse descoberto algo novo. Ele sentiu uma ilusão de que a pele onde o olhar pousava estava formigando.
Um breve silêncio se instalou. Vendo os cabelos desgrenhados de Nathan caírem sobre sua testa, Alex suportou aquele momento com o corpo rígido. Sentia como se seu peito fosse explodir, sua cabeça girava. Ele não conseguia distinguir se o calor repentino era devido ao cio ou se era por causa do toque de Nathan.
Ele sentiu força nos dedos que seguravam seu pulso. Em vez de soltar Alex, Nathan franziu os olhos e abriu a boca.
— Você está com febre?
Alex, que estava hesitante e não conseguia nem tocar sua mão direito, arregalou os olhos com essa pergunta. Era uma pergunta inesperada. Bem, toda essa situação era algo que ele não esperava, mas mesmo assim.
— Hã?
Em vez de responder, Nathan apagou a expressão e moveu a mão. Os dedos que seguravam seu pulso penetraram por dentro da manga de Alex. Com a sensação dos dedos frios tocando sua pele, Alex encolheu os ombros, surpreso. Arrepios percorreram seu corpo, seguidos por uma sensação de cócegas. Nathan, vendo-o se contorcer, apertou os lábios e depois soltou seu pulso, dizendo:
— Você está com febre. Diga o que está sentindo.
— Não, Nathan. Eu estou bem — respondeu apressadamente.
Se fosse por vontade própria, ele gostaria de conversar com Nathan. Ele queria se apoiar nessa bondade repentina, ou melhor, talvez não fosse bondade, mas queria se apoiar nessa situação, mas sabia que não era certo. Ele se sentia culpado por não ter obedecido ao pedido de Nathan para desaparecer, mas sim ter agido feito um idiota e o assustado.
— Não precisa se preocupar. Desculpa por atrapalhar.
Alex disse sem energia, já que não conseguiu obedecer a não se desculpar nem a se manter afastado. Segurando o pulso que fora solto, ele deu um passo para trás. Nathan olhou atrás de Alex e lhe disse:
— Venha aqui.
— Hã?
— Pare de ir em direção à rua e venha aqui.
Nathan deu alguns passos para trás e disse a Alex. Ele deu uma rápida olhada para trás. Ainda não tinha nem chegado à faixa de pedestres. Claramente, a cena de antes deve tê-lo assustado. Sua garganta ficou seca. Nathan havia mudado, mas ao mesmo tempo não havia mudado. Sua altura, seu físico, haviam mudado muito, e ele não era mais gentil com ele… mas ao mesmo tempo, era gentil.
Sempre foi assim.
A gentileza que não significava nada para Nathan se tornava o gesto mais significativo para Alex. Nathan nunca saberia o quão desesperadamente uma pessoa que deseja ser amada se apega a uma pequena bondade. Diferente de si mesmo, que se abalava facilmente e tinha dificuldade com muitas coisas, Nathan era uma pessoa sólida que brilhava mesmo quando estava parado.
E essa bondade de Nathan era, para Alex, o tipo de emoção mais viciante de todas.
A emoção que sentia sempre que via Nathan esperando por ele, estendendo-lhe um guarda-chuva, entregando-lhe um saco de remédios e indo embora, vinha à tona com força. Era algo amargo, triste e quente.
— Você se sente desconfortável perto de mim. Eu sempre te incomodei… Estou realmente bem, pode ir. Eu vou no meu caminho.
Então, não devo mais conversar com você. Não devo mais te ver, não devo nem te cumprimentar, mas se você continuar sendo gentil assim, eu nunca vou conseguir te esquecer, mesmo que morra.
Mordendo os lábios com força, Alex saiu cuidadosamente da faixa de pedestres e se afastou um pouco do lado de Nathan. Em seguida, fez uma leve reverência para a acompanhante de Nathan, que os observava.
— Desculpe tê-la assustado. Vou indo.
— Ah, não, tudo bem. Ainda bem que não se machucou — disse a mulher, rapidamente acenando com as mãos após olhar para Nathan. Sua voz era calma e gentil. Alex sentiu um déjà vu. Era como ver Nathan com Tina e Jude. Aquela sensação de estar à parte quando se está entre pessoas calmas e gentis, que exalam uma bondade calorosa, como os betas.
Alex deu um sorriso forçado, coçou a nuca e virou o corpo. A série de eventos que aconteceu em um curto período deixou seu coração agitado, e ele queria sair dali o mais rápido possível. Mesmo pensando que se arrependeria assim que virasse as costas, Alex deu um grande passo. No entanto, foi agarrado pela mão de alguém.
— Lorraine, desculpe, mas vá na frente.
Alex piscou os olhos. Com uma expressão de surpresa, ele olhou para baixo e viu uma mão branca segurando seu braço. Ele viu o dorso da mão com os ossos dos nós dos dedos proeminentes. Ao ver aquilo, suas orelhas ficaram dolorosamente quentes.
— Ah, você quer mesmo?
A mulher, que olhava de um para o outro, disse com uma voz de arrependimento. Nathan acenou com a cabeça. Ele não olhava para Alex.
— Vou dar uma passada no hospital e depois vou.
— Tudo bem, então. Me avise.
Nathan, que apenas acenou com a cabeça, virou-se. Ele olhou rapidamente para Alex, que estava parado sem conseguir se soltar, e soltou sua mão. Depois, disse com uma expressão vazia:
— Vamos.
— Mas…
— É verdade que não quero ver sua cara, e é verdade que não quero ficar com você. Mas você quase foi atropelado por um carro por causa do que eu disse.
Os olhos verdes e secos encararam Alex. Apertando e soltando os punhos, Alex balançou a cabeça. Por favor, Nathan…
— Não, foi porque eu entendi errado.
— Eu vou assumir a responsabilidade pelo que eu disse.
Essas palavras feriram Alex. Parecia que estavam apontando para ele mesmo, que tinha dito coisas terríveis a Nathan, e para ele mesmo, que tinha aceitado a proposta de David. Ele perdeu as palavras e fechou a boca.
— Mesmo que você se inscreva agora, não vai conseguir ser atendido hoje. Então apenas me siga. Não é qualquer lugar que você pode ser atendido como quer — Nathan disse, virando a cabeça.
Sua expressão fria de perfil era como se a forma como ele o olhara há pouco fosse uma mentira. Alex, vendo Nathan começar a andar sem esperar, lentamente começou a segui-lo.
Ao chegar ao hospital, Nathan naturalmente caminhou em direção ao balcão de atendimento. A recepcionista reconheceu Nathan assim que ele se aproximou e o recebeu com um sorriso. Alex, que não se encaixava bem ali, ficou um pouco afastado, olhando alternadamente para as costas de Nathan e para a porta automática da entrada. Sua razão dizia que, como ele tinha que ir ao hospital de qualquer maneira, era correto aceitar essa gentileza, mas seu coração estava inquieto, pois parecia que Nathan iria odiá-lo ainda mais.
Nathan conversou com a enfermeira que veio ao balcão de atendimento e depois se virou. Olhando ao redor, Nathan encontrou facilmente onde Alex estava. Com uma postura ereta, Nathan o chamou sem expressão.
— Venha cá.
— Sim. — Embora talvez ele não tivesse ouvido, Alex respondeu obedientemente e caminhou para o lado dele. Mesmo ainda hesitante e andando devagar, Nathan o esperou sem dizer nada.
— Explique o que está sentindo.
Alex, que ia responder imediatamente à pergunta falando sobre o cio, hesitou ao se lembrar de que seu primeiro cio havia sido na casa de Nathan. Se desenterrasse as memórias enterradas entre eles, outras coisas certamente viriam à tona junto com elas. Pelo menos para Alex, era assim.
Enquanto ele hesitava, alguém se aproximou deles e deu um tapinha no ombro de Alex. Com o contato repentino, Alex piscou e virou a cabeça. Um homem bonito, com cabelos castanhos bem penteados, estava ao seu lado. Sobrancelhas grossas, nariz reto e um sorriso aberto em seu rosto muito liso. Alex levou alguns segundos para pensar em quem era a pessoa até perceber lentamente.
— Matthew?
Matthew, vestindo um casaco preto de lã e um terno casual, não estava usando óculos como de costume e nem com o cabelo solto. Provavelmente, ninguém além de Alex teria visto Matthew assim dentro da Delegacia de Polícia.
E mesmo Alex só tinha visto sem querer, e naquela ocasião também descobriu que os óculos de Matthew não tinham grau. A razão para usar óculos deve ser porque ele se sentia mal em encarar seus colegas da delegacia a olho nu. De qualquer forma, mesmo sendo uma aparência que ele já tinha visto uma vez, a diferença era tão grande que até Alex demorou para reconhecê-lo.
— O que você está fazendo aqui? Você está de férias até hoje, não está?
— E você?
— Eu passei no instituto rapidamente antes de ir resolver umas coisas para deixar a análise da amostra que o Ilay extraiu.
O sorriso de Matthew se aprofundou. Ele sorriu com os olhos curvos e depois colocou o braço completamente em volta do ombro de Alex. Embora fosse seu parceiro e atualmente seu amigo mais próximo, eles não tinham esse tipo de contato físico afetuoso, então Alex naturalmente tentou afastá-lo.
No entanto, ele logo percebeu que estava na frente de Nathan. Não era uma relação para se mostrar bem, e nem havia essa possibilidade, mas mesmo assim Alex hesitou. Ele se preocupava muito em mostrar uma imagem que pudesse parecer agressiva para Nathan.
No final, Alex deixou Matthew com o braço em seu ombro. Nathan os observava com uma expressão vazia. Matthew, percebendo tardiamente, fez “ah” e cumprimentou Nathan.
— Parece que o Sr. White também está de folga hoje. Está muito bem vestido.
Nathan, que provavelmente deduziu pelas conversas que Matthew era aquele Matthew Wayne, não perguntou seu nome. Ele também não demonstrou surpresa. Se fosse Anna ou Ilay, teriam ficado chocados. Pensar nisso fez Alex rir um pouco.
— Sim.
Nathan respondeu apenas isso. Em vez de perguntar como ele estava ou continuar a conversa, ele olhou para Alex e disse novamente:
— Vamos.
E então se virou para sair. Alex, que ia segui-lo, teve que parar por causa de Matthew, que perguntou com uma voz preocupada.
— Aonde? Você está doente? É por causa do cio?
Assim que ele mesmo disse a palavra “doente”, Matthew, lembrando-se do estado de Alex, perguntou imediatamente. Nathan, que já estava com um pé virado, parou ao ouvir isso.
— É. Já era para o cio ter acabado, mas ainda estou meio assim.
— A Anna estava preocupada com você. Eu não sei como você está, mas não dá para continuar assim sempre.
— Tudo bem.
— Você sempre diz que está tudo bem.
Matthew estendeu a mão e tocou a testa de Alex. Alex, franzindo levemente os olhos, olhou fixamente para Matthew. Algo estava estranho. Normalmente, ele nunca agiria assim. No entanto, pela mesma razão de antes, Alex não o afastou, mas o deixou ficar.
— Você está com febre. De várias maneiras, alfas e ômegas devem ter dificuldade. Receba bem o tratamento.
De qualquer forma, ele estava se preocupando, então Alex agradeceu pela gentileza e acenou com a cabeça.
— Por favor, cuide bem dele.
Nathan olhou para Matthew com um rosto frio e apenas acenou com a cabeça. Depois, olhou fixamente para Alex. Alex sentiu que ele o estava apressando para ir. Tirando a mão incômoda do ombro, Alex ficou ao lado de Nathan e acenou para Matthew.
— Até mais.
— Até amanhã.
Enquanto se despediam, Nathan se moveu primeiro. Alex, tentando não se intrometer, o seguiu um passo atrás.
Nathan, que andou até o elevador, apertou o botão em silêncio. O silêncio entre os dois, que antes nunca havia sido estranho, agora sufocava Alex. Exalando uma respiração leve, Alex olhou para o chão. Enquanto olhava vagamente para a luz refletida no chão, a porta se abriu. Nathan olhou para trás.
— Entre.
— Ah, sim. Obrigado.
Nathan, segurando o botão, deixou Alex entrar primeiro. Assim que Alex entrou apressadamente, Nathan o seguiu. Outras pessoas que chegaram nesse meio tempo entraram junto, e Alex, sem querer, ficou ao lado de Nathan. A tensão aumentou. Para não tocar em Nathan de forma alguma, Alex se encolheu e se grudou na lateral do elevador.
— O que você está fazendo? — Nathan perguntou.
Enquanto as pessoas entravam em massa, Alex foi ficando cada vez mais apertado e disse:
— As pessoas estão entrando…
— Vamos descer logo, venha aqui.
Com uma voz que parecia irritada, a mão de Nathan tocou Alex novamente. Puxando sua roupa, Nathan o trouxe para o seu lado. A porta se fechou e, enquanto as pessoas conversavam entre si, Alex prendeu a respiração, consciente de Nathan quase encostado nele.
Como Nathan disse, eles desceram no terceiro andar. Desta vez também, Nathan deixou Alex sair primeiro e o levou para o que parecia ser uma das salas de consulta. Nathan bateu silenciosamente na porta. Alex não conseguia parar de olhar para a mão que batia duas vezes com um movimento contido.
Entre. Uma voz veio de dentro da porta. Nathan abriu a porta e entrou. Alex o seguiu lentamente.
— Então, quem você quer que eu atenda?
O médico homem, que olhava para os prontuários com o rosto cansado, perguntou assim que viu Nathan. Nathan virou lentamente a cabeça e perguntou a Alex:
— Você veio por causa do cio, certo?
— Ah, sim.
Agora que ele mencionou, Alex esqueceu de responder. Nathan acenou com a cabeça e disse ao médico de cabelos bagunçados:
— Vou ficar lá fora.
— Tudo bem. Deixe isso aqui.
— Sim.
Como se tivesse terminado o assunto, Nathan não olhou mais para Alex e saiu da sala de consulta. Olhando para Nathan, que nem lhe dirigiu o olhar, Alex ficou parado. O médico, que olhava para o prontuário, viu Alex olhando para fora da porta com uma expressão desanimada, suspirou e se espreguiçou. Depois, bateu palmas e chamou Alex.
— Certo, paciente. Qual é o seu nome?
Alex desviou o olhar com dificuldade, com um sentimento de arrependimento.
— É Alex Yeon.
— Vou começar com algumas perguntas simples e depois fazer alguns exames, então responda conforme se lembrar.
— Sim.
Ele já deve ter ido embora. Suprimindo o desejo de olhar para o corredor do lado de fora da porta, Alex sentou-se na frente do médico. Seu pulso, que batia rápido sem que ele percebesse, começou a diminuir gradualmente.
O médico se apresentou como Jed. Ele disse que estava atendendo fora do horário de consulta a pedido de Nathan e fez perguntas comuns a Alex. Sobre as coisas que Alex costumava mencionar quando pegava a receita do supressor. Desde quando começou a tomar o supressor, como era o ciclo, quais eram os sintomas, etc.
O médico, que no início estava sorrindo, foi mudando gradualmente sua expressão ao ouvir a época em que Alex começou a tomar o supressor e os sintomas deste cio. Com uma expressão bastante séria, ele disse a Alex que iria fazer alguns exames e imediatamente pediu à enfermeira que fizesse uma coleta de sangue. Enquanto esperavam pelos resultados do exame de sangue, mediram a pressão arterial e a temperatura, e usando um tipo de kit, picaram a nuca de Alex.
Depois de todos os exames realizados anteriormente, Alex saiu para a sala de espera. Assim que abriu a porta, ele olhou cuidadosamente ao redor, mas Nathan não estava à vista. Embora achasse que ele já tivesse ido, ficou decepcionado ao confirmar com os próprios olhos. Alex sentou-se desanimado em uma cadeira na sala de espera.
Enquanto aguardava os resultados, Alex verificou as mensagens de Anna e recebeu atualizações sobre o andamento da investigação. Quando perguntaram como estava o cio, ele respondeu que não sabia direito. Era a primeira vez que ele fazia um exame assim. Embora não demonstrasse, não estava sem preocupação. A primeira preocupação que veio à mente foi o custo dos medicamentos caso ficasse doente. Ele sentia nojo de si mesmo por pensar nisso.
— Saiu o resultado.
Foi nesse momento. A voz de Nathan foi ouvida e uma longa sombra cobriu Alex. Alex, que estava sentado olhando para o celular, arregalou os olhos e ergueu a cabeça. Nathan o olhava de cima. Ele havia tirado o casaco e o pendurou em um braço.
— Nathan.
Sem perceber, ele quase chamou seu nome em voz alta com uma alegria súbita, mas conseguiu se conter. A alegria brotou. Mesmo sabendo que era uma relação pior do que a de estranhos, nem mesmo amigos, foi assim. Suprimindo a expressão que ameaçava se iluminar, Alex juntou as próprias mãos. Seus dedos se contraíram.
— Achei que você tivesse ido embora — Alex perguntou, olhando rapidamente para Nathan e depois desviando o olhar.
— …Não fui — Nathan desviou o olhar e disse após um breve silêncio. Ao ouvir suas palavras, olhando em direção à sala de consulta, Alex também se levantou apressadamente. Seus lábios se moveram. Ele não podia dizer que estava feliz, ou que gostava, ou que estava aliviado. Não era esse tipo de relação.
Mesmo assim, sentindo que precisava dizer algo, Alex falou baixinho.
— Obrigado.
Nathan não respondeu. O som dos sapatos mudou de direção. Seguindo o som dos passos na direção da sala de consulta, Alex também entrou. O médico, que olhava para o papel do exame com a testa franzida, ergueu a cabeça. Então, fez um gesto para Nathan.
— Fez bem em trazê-lo hoje.
O médico, que mudou sua expressão para uma mais neutra, olhou para Alex e disse.
— Acho que não ouvi direito antes, quando foi a última vez que você teve relações?
Alex, surpreso, piscou os olhos. Como falar sobre isso era um tanto constrangedor, ele havia evitado responder antes, e parecia que o médico não tinha esquecido.
— Isso é…
Ele fechou a boca firmemente. Com Nathan ao lado, falar sobre isso só aumentava sua vergonha. Sentindo o constrangimento de Alex, Jed mudou a pergunta.
— Então vamos ver outra coisa. Você já passou por um cio sem tomar o supressor?
— …Não.
Nathan, que estava olhando para a frente, virou a cabeça. Embora uma expressão de incompreensão aparecesse em seu rosto, Alex, intimidado pelas perguntas de Jed que pareciam uma interrogação, não percebeu isso. Jed resumiu a situação de Alex mais uma vez.
— Então você está tomando supressor sem falhas há 9 anos?
— Sim.
— Qualquer medicamento, se tomado por tanto tempo, causa efeitos colaterais. Se houvesse uma razão inevitável, você já deveria ter mudado o medicamento que estava tomando há muito tempo. Provavelmente seria difícil de resolver na clínica local.
Os lábios de Nathan se endureceram ainda mais. Embora fosse algo que ele já esperava, ouvir aquilo o deixou perturbado, e Alex acenou com a cabeça, triste. Jed continuou a explicação.
— O calor que não é liberado adequadamente durante o período do cio é diferente do calor que ocorre como uma reação imunológica do corpo. Ele tem a tendência de atacar o corpo. É como um veneno. É um tipo de miasma que todos liberam através de relações durante o ciclo.
— Então o que devo fazer?
O médico deu de ombros e continuou. Com um tom de quem dizia o óbvio.
— Encontre uma ômega e faça sexo.
A resposta foi simples e direta. Alex perdeu as palavras e fechou a boca. Sua mente ficou em branco por um momento e ele não sabia o que dizer. A própria premissa o fazia sentir náuseas.
— …E além disso? Não tem como ser sem encontrar uma ômega?
— Bem…
O médico franziu a ponta do nariz e bateu levemente no papel com a caneta. Após pensar um pouco, ele olhou para Nathan. Nathan, com a boca fechada, olhava para Alex. Seu rosto parecia que estava encarando, ou talvez fosse apenas uma expressão vazia.
— É melhor você ter relações, sem falta. Mesmo que não seja necessariamente com uma ômega. Alfa ou ômega, quando fazem sexo, o órgão feromonal é ativado, então o ato em si tem significado. E não tome o supressor que você estava recebendo no hospital onde costumava ir. Tome primeiro o neutralizante para resolver os efeitos colaterais e depois tome o supressor que prescrevemos. Se não seguir minhas instruções, seu órgão feromonal será danificado.
Ao ouvir a palavra órgão feromonal, algo veio à sua mente. Se ele fosse danificado, a condição também desapareceria?
— Isso não seria bom também? — Alex perguntou calmamente.
No entanto, o médico balançou a cabeça firmemente, como se dissesse “o que está dizendo?”.
— Não. Se o órgão feromonal for danificado, você sofrerá vários efeitos colaterais, como as pessoas que tiveram a marcação forçadamente quebrada. Órgãos internos podem ser danificados e você pode ter problemas mentais. Não é um órgão independente. Não é algo que você possa simplesmente querer eliminar.
A decepção veio em seguida. É claro que sim. Considerando que os efeitos colaterais graves devido às mudanças de condição foram observados nos resultados da autópsia deste caso, não poderia ser algo trivial.
— Tome o neutralizante o mais rápido possível. Você pode começar a tomar o supressor depois. Claro, com a condição de que tome apenas o supressor prescrito aqui. Você pode ter suas razões pessoais, mas é melhor do que ter uma deficiência permanente. Ah, o neutralizante deve ser tomado obrigatoriamente após ter relações. É quando o órgão feromonal está ativado que o efeito é melhor.
Dizendo isso, o médico pegou o celular que vibrava em seu jaleco e se levantou.
— Nathan, preciso ir. Desculpe, se tiver mais perguntas, acho que vai ter que perguntar a esse rapaz aqui. Embora seja jovem, é um amigo competente, então ele responderá bem.
Parecia ser uma chamada urgente. O médico pegou os arquivos e colocou um papel que parecia ser uma receita em cima da mesa. Depois, bateu no ombro de Nathan e saiu da sala de consulta. Com o silêncio repentino, Alex se levantou desajeitadamente, observou o médico sair e depois se virou lentamente. Nathan, com a boca firmemente fechada, olhava para Alex. Ele estava assim desde pouco.
— …Nathan?
Os olhos verdes e calmos percorreram Alex. Nathan, que estava recostado na cadeira esfregando a têmpora com o dedo indicador, disse calmamente:
— Por quê?
— Hã?
— Por que você está tentando não encontrar uma ômega?
Era um tom de quem não entendia. Sua voz estava muito baixa. Com a pergunta seca, Alex desviou o olhar e mudou de assunto.
— Eu… não preciso realmente de uma receita. Vou indo.
— Pegue. O neutralizante — Nathan disse com firmeza.
Alex fechou a boca firmemente. As palavras de Nathan e Jed estavam certas. Mesmo ele sentia que este cio estava particularmente difícil, e parecia razoável que se continuasse assim, seu órgão, ou seja lá o que fosse, seria danificado.
No entanto, era totalmente impossível encontrar uma ômega. Também seria impossível encontrar outra pessoa que não fosse do seu interesse.
— Eu vou. Obrigado pela ajuda. Mas não preciso do neutralizante.
Quando ele deu um passo para trás para sair, Nathan o encarou e disse friamente:
— Não faça besteira e pegue o neutralizante. Você ouviu. Efeitos colaterais.
— …Não tem outro jeito? Além disso — Alex perguntou com uma voz quase inaudível.
Nathan torceu os lábios com irritação e depois se levantou.
— É só encontrar uma ômega, por que você está procurando outra coisa? Você gosta de ômegas.
Essas palavras fizeram suas costelas doerem como se fossem quebrar. Com uma dor que fazia um corte afiado em seu coração, Alex franziu a testa. Era verdade. Alfas devem ficar com ômegas, e além disso, além disso…
— Você disse que só servia se fosse ômega.
Porque ele mesmo disse isso a Nathan.
— Se você gosta tanto assim, por que está tomando supressor a ponto de chegar a esse estado?
Nathan mencionou algo do passado que nunca havia sido dito nas poucas vezes em que se encontraram. Alex encarou indefeso o erro do passado exposto de forma crua. Piscando os olhos ardentes, Alex recuou novamente. Segurando a maçaneta da porta da sala de consulta, sem nem conseguir olhar direito para o rosto de Nathan, ele moveu os lábios.
Me desculpe por ter dito isso a você.
Por ter tentado te proteger assim… Me desculpe mesmo.
Ele engoliu o pedido de desculpas que subia até sua garganta. Parecia que ele deveria pelo menos obedecer às palavras de Nathan, que disse não querer ouvir pedidos de desculpas, nem desculpas, nem razões.
— Eu não tenho uma ômega com quem esteja saindo agora. E acho que nunca conseguiria encontrar uma pessoa aleatória que não conheço.
A maçaneta em sua mão estalou.
— Você não teve nenhuma até chegar a esse estado?
— …Sim.
Nathan caminhou lentamente em sua direção. O som dos sapatos ecoava baixo no chão.
— Então, está bem.
Ele se aproximou como se fosse encostar. Nathan olhou friamente para ele e estendeu o braço. A mão de Nathan tocou a mão de Alex que segurava a maçaneta. Uma força intensa pareceu ser sentida sobre sua mão, e Nathan abriu a porta.
— Faça como quiser. É seu corpo.
— ……
A resposta “sim” não saiu. Com a garganta parecendo que ia fechar, Alex apenas fechou a boca. Nathan, com um rosto frio, afastou a mão sobreposta à de Alex e passou por ele. O som dos sapatos se afastou.
Alex ficou parado, encostado na porta da sala de consulta, olhando na direção em que Nathan havia passado, e então soltou a maçaneta lentamente. O lugar onde a mão havia tocado ardia.
Depois de esfregar a mão por um momento, Alex olhou ao redor da sala de consulta e fechou silenciosamente a porta. Como havia decidido não pegar o neutralizante, não levou a receita que estava na mesa. Quão patético e frustrante isso pareceria para os outros? Não, ele sabia muito bem.
Mas ele não podia se envolver com alguém de quem não gostasse.
Pode ser fácil para alguns, mas era difícil para Alex. Até segurar a mão de alguém era difícil. Ele também não achava que sua vida valesse tanto a pena a ponto de ter que fazer sexo com alguém por quem não sentia nada para sobreviver.
Enquanto esperava pelo elevador, Alex se arrependeu de uma coisa. Com tanta febre, ele deveria ter perguntado se havia algum antitérmico ou supressor de que precisasse imediatamente, mas não verificou. Não sabia como receber medicamentos em um hospital tão grande, então acabaria tendo que ir a uma farmácia e procurar uma solução temporária. A partir de amanhã, ele precisava voltar ao trabalho.
A porta se abriu. Tentando se recompor de alguma forma, Alex entrou no elevador com um sentimento de impotência. Seu rosto refletido na parede opaca do elevador parecia distorcido. Ele pressionou mecanicamente o botão do térreo. A grossa porta do elevador começou a se mover lentamente.
No entanto, a porta não se fechou.
Uma mão branca segurou a porta que estava prestes a fechar. Os dedos longos seguraram a porta firmemente e um leve perfume se espalhou. Alex piscou os olhos. Entre a porta, estava Nathan. Seu rosto estava irritado. Seus cabelos estavam bagunçados, como quando ele o havia puxado para trás. Em seu rosto pálido, que à primeira vista parecia sem expressão, uma mistura de emoções estava presente.
— Você sempre é teimoso nas partes mais malditas.
Incrédulo, Alex rapidamente apertou o botão de abrir. Nathan, ainda sem tirar a mão da porta, disse em voz baixa:
— Pode ser um rosto conhecido?
Com a mão que não segurava a porta, ele passou os dedos pelos cabelos e perguntou.
— …Do que, você está falando?
— Perguntei se pode ser um rosto conhecido.
Não pode ser…
— Você gostava do meu rosto.
Aquelas palavras transformaram sua suspeita em certeza, e Alex arregalou os olhos. Um silêncio pesado se instalou. Seu dedo que pressionava o botão de abrir ficou tenso. Parecia que ele havia entendido as palavras que acabara de ouvir com a mente, mas levou um tempo para processá-las completamente. Sentiu-se atordoado como se tivesse sido atingido com força em algum lugar, e então algo começou a subir dentro dele. Duas emoções intensas vieram à tona ao mesmo tempo.
A alegria de que Nathan pudesse estar preocupado com ele, e a tristeza pela própria situação.
Enquanto observava atentamente o rosto de Nathan, que o encarava diretamente, Alex abriu os lábios. Seus olhos castanho-escuros percorreram Nathan lenta e cuidadosamente. Quanto mais observava aquele rosto bonito que ele sempre sentia falta e que lhe trazia alegria toda vez que o via, mais sua tristeza aumentava.
Agora, Nathan estava falando sobre sexo. No entanto, a primeira vez com Nathan que Alex havia imaginado nunca foi com Nathan fazendo aquela expressão. O sexo com Nathan que ele havia imaginado adequadamente apenas após ter seu primeiro cio não era nada assim. Ele queria ser muito cuidadoso. Especialmente depois daquele dia em que Nathan fez uma confissão inacreditável para ele…
Tendo pensado até ali, Alex mordeu os lábios com força diante do arrependimento e do desespero que brotavam com força. Seu coração estava pesado e dolorido. Nathan lhe dera um sentimento tão precioso, mas ele não conseguiu retribuir adequadamente e o magoou. Mesmo tendo sido uma sorte imerecida. Nathan havia dito que gostava de Alex Yeon.
Forçando-se a controlar a respiração ofegante, Alex mal conseguiu dizer uma frase.
— Isso… acho que não é bem assim.
No passado, Alex se lembrava de ter imaginado, de forma descarada, a primeira vez deles enquanto sonhava com inúmeros futuros possíveis ao lado de Nathan. Na imaginação de Alex, os dois eram felizes. Não havia aquela expressão. Nenhuma felicidade, alegria ou expectativa… não havia aquela expressão incompreensível.
— Por quê? Porque eu não sou ômega? — Nathan perguntou secamente.
Veias azuis apareciam no dorso da mão que segurava a porta do elevador. Seu coração doeu. Alex abaixou a cabeça como um criminoso. Não era por causa disso.
— Não é isso, Nathan… Sexo é algo que se faz com quem se gosta, não é?
Para Alex, Nathan era mais necessário do que qualquer outra coisa, mas…
— E para você, eu…
Ele não podia ser tão covil a ponto de deixar que Nathan fizesse algo que ele não queria.
— É difícil para você me ver, não é?
A verdade que ele mesmo proferia voltava como ferida, uma a uma. Era difícil. Alex sentiu naquele momento a mesma sensação de antes de dormir, quando não queria acordar nunca mais.
— Não acho que faça sentido eu fazer algo forçado com alguém nojento como eu. Eu errei com você, e embora você seja gentil e tenha me ajudado, não precisa ir tão longe.
A força dos dedos que pressionavam o botão de abrir com força, a ponto de doer, diminuiu. Depois de terminar de dizer as palavras que mal conseguiu articular, seu interior estava uma bagunça. Prestes a chorar, Alex mordia os lábios repetidamente, tentando de alguma forma impedir que seus olhos ficassem vermelhos. Ele não conseguia mexer as mãos para esfregar os olhos com medo de que alguém percebesse. Por isso, abaixou ainda mais a cabeça.
Nathan ficou em silêncio por um longo tempo. Como Alex estava de cabeça baixa, não conseguia ver sua expressão. Minutos depois, Alex ouviu o som de roupas sussurrando. Ele viu os sapatos recuando. Ele vai embora. Embora tivesse sido ele a recusar, ver Nathan partir era muito doloroso. Quando seu olhar baixo não via mais os sapatos de Nathan e ele lentamente ergueu a cabeça, seu braço foi puxado de repente.
— Saia. As pessoas precisam entrar.
Alex, puxado para bem perto, como se fosse ser abraçado, piscou os olhos. Olhando para Alex que havia saído do elevador, Nathan disse sem expressão:
— Sexo é algo que se pode fazer até com quem não se gosta.
Se ele se inclinasse um pouco para frente, parecia que tocaria o peito de Nathan. Estavam tão perto.
— Não dê significado. É só sexo.
Ele tentou contestar essas palavras, mas calou-se diante dos olhos verdes que o seguravam firmemente.
— Não tenho intenção de te perdoar, nem de tentar algo com você. Mas também não acho que você, como ser humano, seja tão sem valor a ponto de eu deixar você destruir seu corpo por um motivo idiota. Isso é uma questão separada de você ter sido mau comigo.
Sua voz sussurrante era muito baixa. Uma voz que parecia estar contendo algo fez seu coração se agitar. Em seguida, a mão que segurava seu braço se soltou e agarrou seu queixo. A força era forte. Com isso, Alex fez um som “ah” e seus lábios se abriram levemente.
— Você não é nojento.
Nathan, que tanto queria se distanciar de Alex, acabou estendendo a mão porque ele estava doente. A voz que negava que ele era nojento era seca, mas gentil.
Mas Alex não queria ouvir nada disso.
— Então pense bem e responda.
Porque eu ganho esperança com suas palavras, me machuco com elas, e assim, dando voltas e mais voltas, acabo gostando cada vez mais de você.
O fim desta proposta era claro. Só de ouvir uma gentileza tão pequena, ele já se sentia enlouquecer; se ele se aproximasse ainda mais de Nathan do que isso, talvez realmente desejasse morrer. Porque este sentimento não pode se realizar. Não havia esperança alguma, nem de longe comparada com os problemas que o jovem Alex enfrentava no passado.
— Eu…
No entanto, Alex Yeon sempre tomava decisões tolas quando se tratava de Nathan White.
— Se você realmente não se importar…
Hoje não foi diferente.
— Tudo bem.
Sua respiração trêmula se espalhou. A força dos dedos brancos em sua bochecha e queixo aumentou, e então se afastou lentamente. Nathan, que olhou para seus olhos que provavelmente estavam vermelhos, baixou os cílios. Seus olhos abaixo dos cílios loiros enrolados se distorceram em confusão. Os dedos que pairavam perto de seu rosto pareciam prestes a tocar seus olhos, mas se retiraram suavemente.
— Este sábado estou de folga. Pode mudar, então entre em contato no dia em que estiver livre.
Nathan tirou um cartão de visita da carteira e o entregou a Alex. Alex, como se estivesse hipnotizado pela mão que havia tocado seu rosto, olhou para ela e rapidamente o pegou. Examinou obedientemente o cartão de visita. Era um cartão com o número do hospital e e-mail, sem número de celular. Mesmo estando tão perto assim, a distância entre os dois era clara.
— Entendido.
Nathan suspirou e se afastou. Alex observou silenciosamente enquanto ele vestia o casaco novamente e alinhava a gola. Nathan, que estava prestes a ir embora, hesitou e disse a Alex:
— Quando for embora, pegue o remédio que deixei na recepção do lobby. É um supressor diferente do que você tomava e um antitérmico. Tome só até amanhã.
O agradecimento veio à mente tarde, atrasado pela sensação de aperto que o dominava. Nathan foi embora sem esperar por uma resposta. A sombra fraca que se estendia pelo corredor se alongou e tocou os pés de Alex. Segurando à força sua mente que, por hábito, tentava sobrepor o passado, Alex só deu um passo depois que Nathan desapareceu completamente.
↫─☫ Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Othello&Belladonna
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Sinopse: Obra do mesmo universo de Define Relationship
— Você disse que gostava de mim. Foi… tudo mentira?
— Como um Alpha poderia gostar de um Beta?
Entre uma mãe que o abandonou e um pai que o forçou a viver como Alpha, Alex cresceu sem nunca se apoiar em ninguém. O único que o confortava, independentemente do seu gênero secundário, era Nathan. Para proteger Nathan de um certo incidente, Alex o afasta com palavras cruéis.
Anos se passam, nove longos anos de penitência e saudade. Então, um dia, eles se reencontram na cena de um caso em que Nathan é a testemunha.
— Sr. Nathan, se não for incomodar… na verdade, se você não se importar, há algo que eu gostaria de dizer…
— Se você está pensando em se desculpar, não precisa se incomodar.
Alex fica ansioso ao redor de Nathan, desesperado para se desculpar, mas Nathan mantém tudo friamente dentro do estritamente profissional. Então, devido aos efeitos colaterais do uso prolongado de supressores, o desequilíbrio hormonal de Alex é exposto.
— Você poderia simplesmente dormir com uma Ômega. Por que está procurando outra coisa? Você gosta de Ômegas.
— É porque não estou saindo com nenhuma Ômega no momento. Acho que não consigo fazer isso com alguém que não conheço.
Alex tenta se esquivar e recusa, alegando que não quer. Nathan, que havia se afastado friamente, acaba voltando e faz uma oferta de ajuda.
— Você pode fazer sexo com alguém de quem não gosta. Não interprete demais. É só sexo.
— Você não precisa se forçar a fazer isso com alguém nojento como eu.
— Você não é nojento. Então pense direito e me responda.
Mesmo que Nathan diga que não quer se envolver, sua bondade o atravessa e Alex só quer chorar. “Será que eu… nunca serei perdoado por você? Você foi a minha única alegria neste mundo. Nathan, por favor… apenas uma vez… me ouça. Por que eu fiz o que fiz.”