Ler Mind The Gap – Capítulo 04 Online


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❖ Capítulo 04 – The Gap 3

Teve um sonho perturbador.

Ao despertar lentamente, Nathan encarou o teto. Ficou imóvel por alguns minutos, deitado, antes de levantar o cobertor. Quando baixou ligeiramente a cabeça, era como suspeitava. A parte da frente da calça cinza de moletom estava manchada de um líquido escuro. Por um instante, um lampejo de constrangimento cruzou seu rosto pálido e inexpressivo.

Fazia um bom tempo que algo assim não acontecia. Mesmo não havendo ninguém por perto, uma sensação de absurdo o invadiu.

Desde a primeira polução noturna, anos atrás, ele mal se lembrava de algo assim. Mas mais do que o fenômeno em si, o sonho era o problema. Ele raramente sentia desejo sexual, a ponto de se estranhar às vezes, e por isso não se masturbava com frequência. Consequentemente, não se lembrava de ter tido qualquer fantasia ou sonho de cunho sexual envolvendo outra pessoa…

Alex apareceu.

Exalando um suspiro fraco, Nathan enterrou o rosto no travesseiro. Os fios loiros se espalharam suavemente sobre a capa branca. A moleza pós-ejaculação e uma tontura sem precedentes ainda permaneciam em seu corpo. Ao relaxar, as cenas do sonho vieram à mente naturalmente. Não eram contínuas, como fragmentos dispersos, mas uma expressão específica insistia em ficar gravada em seus olhos.

O rosto de Alex quando ele segurou sua mão continuava ali.

Desde que voltara para casa naquele dia, era difícil parar de pensar. O canto avermelhado dos olhos que apareceu no breve momento em que os dedos roçaram, ou como ele afrouxara o aperto da mão, assustado, como se tivesse levado um susto… tudo isso fazia seu peito doer.

A voz com que ele disse que nunca tinha segurado a mão de ninguém tremia como se ele fosse chorar, e aquela voz logo se transformou nos gemidos de Alex dentro do sonho. Era incrivelmente obsceno e fofo.

E não só isso. Quando Nathan deu um leve beijo em seus lábios, a nuca de Alex ficou vermelha como naquele dia. No momento em que ele tirou sua roupa e abriu suas pernas, Alex torceu a cintura e fez uma careta de quem ia chorar. Seus cabelos pretos estavam molhados e grudados, e os cantos dos olhos, ligeiramente puxados para cima, estavam úmidos e turvos.

Apesar de nunca ter se sentido animado ou tocado por um homem antes, Nathan sentiu seu corpo se excitar novamente ao se lembrar do Alex do sonho que dominava seus pensamentos.

Na verdade, ele não se lembrava de sentir isso nem pelas namoradas passageiras que teve. Não que não gostasse de vozes suaves ou de tocar corpos macios, mas será que alguma vez desejou algo além disso? Nunca. Por isso, apesar de ter tido inúmeras oportunidades de avançar, não se lembrava de ter ido até o fim. Além disso, Nathan sentia um certo desconforto com qualquer coisa além de beijos.

Seu humor perturbado não se acalmou nem depois de muito tempo. Suspirando, ele se levantou. Sua mãe logo acordaria, então precisava parar com esses pensamentos.

Mas mesmo ao sair do quarto para se lavar, os pensamentos não cessavam. Era como se tivesse uma bola quicando dentro da cabeça, sem direção definida.

Será que Alex agia assim com qualquer um quando estava saindo? Nathan pensou enquanto mergulhava as mãos na água corrente da pia. Só de imaginar isso, ele já se sentia mal.

Se ele fica tão perturbado só por segurar a mão, como reagiria se fosse um beijo? Ficou curioso. Até onde ele conseguiria ficar mais vermelho, e que expressão faria. Também se perguntou se seus lábios, que pareciam naturalmente úmidos, seriam macios, e que reação ele teria se suas línguas se tocassem…

“Haa…”

Exalando um suspiro irritado, jogou água fria no rosto. O rosto refletido no espelho parecia estranho. Sua expressão estava nervosa, mesclada com uma sede impaciente.

Mesmo após terminar o banho e sentar-se à mesa para o café da manhã, sua mente não se esvaziou. Sem entender a razão, Nathan colocou a panqueca que estava sobre a mesa em seu prato. Sua mãe, já vestida com um terno, colocou um copo de leite na frente dele.

— Dormiu bem?

Ultimamente, sua mãe parecia visivelmente mais feliz do que antes. Provavelmente porque ela havia resolvido as questões pendentes com o irmão mais velho, Nick, com quem mantinha uma relação distante, e porque seu irmão, que era beta, havia se tornado ômega e engravidado.

— Sim. E a senhora?

— Eu também dormi bem. Hoje devo chegar um pouco mais tarde. Acho que vou passar na casa do Nick depois do trabalho. Quer ir comigo?

— Não, tudo bem.

Ele gostava de ver o irmão, mas hoje Tina e Jude haviam sugerido que fossem assistir ao treino de Alex. Logo as férias de verão começariam, então as aulas terminariam mais cedo.

Em outros tempos, provavelmente teria ido visitar o irmão…

Nathan, que estava pensando nisso, deu uma mordida na panqueca. Estava seca e com um leve gosto de queimado. Como sempre, uma panqueca que não se podia chamar de saborosa. Falando nisso, ele não se lembrava de ter provado as panquecas que Alex fazia. No dia em que ele disse que faria panqueca de banana, Nathan fugiu. Certamente deviam ser deliciosas.

— Tudo bem, então. Ah, a propósito, a preparação para a sua inscrição na faculdade está indo bem?

Naquele momento, seu apetite desapareceu completamente. Enquanto espetava a panqueca com o garfo, ele assentiu lentamente.

— Sim.

— Pelo que o Sr. Henry disse, com suas notas você não teria problemas para entrar em qualquer lugar… Mas, ainda assim, sua mãe está um pouco preocupada por você não estar se preparando no Cardiff College. Dizem que é o melhor para quem quer cursar medicina.

Diante do assunto desconfortável, Nathan desviou o olhar. As palavras que estavam presas em sua garganta não saíam, apenas se retraíam. Se dissesse que escolheria uma universidade com um bom curso de ciências policiais e depois prestaria o concurso, certamente causaria uma grande confusão logo pela manhã. Sua mãe tinha verdadeiros ataques quando o assunto era esse.

— Vai ficar tudo bem.

Ele acabou se esquivando vagamente. Nora, que o observava em silêncio, assentiu. Sua expressão não parecia convencida.

— Não está tendo pensamentos estranhos, está?

— Não.

— Se precisar de dinheiro, é só falar.

— Sim.

A mão de Nora bagunçou seus cabelos. Nathan aceitou o toque em silêncio, mas de repente algo lhe veio à mente. Foi uma pergunta que surgiu do nada. Quando Nora se preparava para sair da cozinha, Nathan perguntou de repente:

— Sabe de uma coisa?

— Hum?

— Já que meu irmão vai ter gêmeos… não é verdade que eu não preciso necessariamente me casar no futuro?

Nora parou de repente. Franzindo uma das sobrancelhas, ela fez “Hum…” e voltou a se aproximar dele. Deixando escapar um suspiro baixo, ela olhou para Nathan e disse:

— Contanto que não seja nada perigoso, eu não me importo com o que você faça… Mas seria bom se você fosse prudente. Ainda não é hora de tirar conclusões precipitadas.

Na verdade, não era sobre o casamento em si, mas sobre ter filhos. No entanto, nem mesmo Nathan sabia por que essa pergunta havia lhe ocorrido de repente. Ele, que estava com uma expressão semelhante à de Nora, logo voltou à sua feição habitual. E assentiu.

— Entendi.

— Que bom, Nathan. Então, a mamãe vai indo.

— Tenha um bom dia.

— Você também.

A conversa com sua mãe, que só lhe deixou sentimentos conflitantes, terminou ali. Nathan terminou de comer a panqueca, que havia forçado para baixo, e guardou os talheres. Conforme o momento de tomar uma decisão se aproximava, era frequente ele acordar de mau humor todas as manhãs. Enquanto trancava o portão, já pronto para ir à escola, Nathan observou o céu. “Seria bom se chovesse.” Pensou.

Talvez porque o início da temporada estivesse próximo, os dias de treino de Alex haviam aumentado em comparação com antes. Além disso, as férias estavam chegando, e não era incomum, já que muitos jogadores que almejavam se tornar profissionais nem chegavam a cursar a faculdade. Mesmo assim, Alex se dedicava ao Sixth Form College.

Pelo que Nathan se lembrava de ter ouvido de passagem, a princípio, Alex não queria se tornar jogador profissional. Se ele conseguiu entrar para o time mesmo tendo começado tarde, é porque certamente é bom.

Por isso, Alex raramente estava presente na cantina na hora do almoço. Apesar de se conhecerem há bastante tempo, Nathan não se lembrava de ter visto Alex jogar futebol.

Enquanto ouvia o sinal tocar, ele pensou, de repente, em todas as coisas que não sabia sobre Alex. Surpreendentemente, eram muitas.

Como a última aula era separada por matéria, Tina e Jude combinaram de se encontrar no portão principal. Nathan guardou os cadernos e o estojo na mochila de couro marrom. Ouviu um farfalhar vindo de dentro da bolsa aberta. Ele observou o interior silenciosamente. Lá estava uma pulseira de pulso branca, embalada em um saco plástico transparente.

Comprá-la havia sido uma decisão impulsiva.

Dois dias atrás, ele havia parado brevemente na Foyles para comprar um novo livro para ler. Continuou andando por ali e parou na Oxford Circus. Seus olhos foram atraídos para uma enorme loja de artigos esportivos bem ao lado da estação. Era uma marca pela qual ele não tinha muito interesse, mas naquele dia, por algum motivo, chamou sua atenção.

Nathan observou a loja que ocupava um prédio elegante de mais de quatro andares e, finalmente, entrou. A loja, que vendia artigos esportivos em todo um andar, estava repleta de equipamentos de futebol. Ele examinou agasalhos, chuteiras, bolas e vários outros itens. Havia alguém em quem ele pensava, mas comprar algo nessa faixa de preço assim de repente também não parecia certo.

Dar um presente em um dia que não era especial, como um aniversário…

Nathan, que estava prestes a se virar para a saída, parou em uma seção com protetores de pulso. Seus olhos, fixos na simples marca em forma de bumerangue, se estreitaram ligeiramente. Piscando seus longos cílios, ele logo tomou uma decisão. Seus dedos elegantes e brancos pegaram a pulseira branca. Depois de pagar, ele a guardou na mochila. E até hoje, a pulseira permanecia ali, guardada silenciosamente.

“Será que ele vai gostar?”

Nathan pensou enquanto caminhava pelo corredor, onde o ar frio envolvia seus tornozelos. Provavelmente sim. Alex às vezes agia com uma inocência absurda. Como quando ele sorria, com os olhos se fechando em finas fendas, só porque Nathan lhe dava um suco.

Não era algo ruim. Era só que ele não conseguia parar de pensar nisso. Talvez fosse porque, no primeiro dia em que se conheceram, Alex estava chorando como um garoto perdido. Essa impressão provavelmente ficou marcada. A impressão de que, por algum motivo, era preciso cuidar dele.

No entanto, Nathan White definitivamente não era do tipo que cuidava dos outros. Também não era alguém que dava importância a presentes, nem sentia grande prazer em dar algo a alguém. Para ser mais preciso, ele apenas pensava “ah, é assim mesmo” quando gastava dinheiro ou recebia o que precisava, não era alguém que gostasse particularmente de dar presentes. Os presentes que dava às namoradas com quem saía eram apenas o que elas queriam.

Uma brisa suave entrava pela janela aberta do corredor. As cortinas inflavam e desinflavam suavemente. Ouvia-se vozes ecoando além do campo de esportes, e no ar havia o perfume de folhas verdes claras. Sem saber por quê, seus passos se aceleraram.

No entanto, um visitante indesejado o impediu de descer as escadas apressado.

— Nathan, preciso falar com você!

Era Jessica Bundy. Nathan olhou calmamente para Jessica, que o encarava com um rosto claramente irritado.

— Estou ouvindo.

— Eu ainda não entendo. Por que você quis terminar comigo?

Parecia que Jessica não havia aceitado o que ele disse há alguns dias. Ele baixou lentamente os cílios.

— Porque não gosto de você.

— Mas… você sempre foi assim.

Jessica o encarou com os olhos marejados. Suas bochechas sardentas estavam vermelhas. Ela era bonita.

— Sim, eu disse.

— Mesmo assim, a gente estava se dando bem, não estava? Por que de repente? Eu não me importo de continuar como está.

Dizendo isso, Jessica agarrou a camisa do uniforme de Nathan. Olhando para aquilo calmamente, Nathan ergueu lentamente a mão. Seus dedos, que pareciam finos escondidos atrás da pele branca, eram longos e firmes o suficiente para cobrir completamente a mão de Jessica. Jessica não se encolheu com o toque, nem corou. Nathan sorriu languidamente.

— Você também não gosta de mim.

— Não é verdade, eu gosto.

— Você gosta de me ter por perto.

— Qual é a diferença?

Mesmo para Nathan, essa era uma questão difícil. Mas havia uma clara diferença entre as duas frases.

— Jess.

— Eu já contei para todo mundo que iria com você para a próxima festa. Se a gente terminar assim de repente, o que vai ser de mim?

Sua voz tremia, como se estivesse se sentindo injustiçada. Seus olhos marejados eram dignos de pena, mas Nathan não sentiu vontade de confortá-la.

— Vá para a próxima festa com alguém que goste de você.

Essa foi a consideração que Nathan pôde oferecer diante das lágrimas dela. Terminando de falar, Nathan se virou sem esperar por uma resposta. Jessica não o segurou.

O amistoso do clube de juniores começou por volta das 17h. O céu do final da tarde estava quente e alto como se fosse dia. Nuvens passavam, projetando sombras oblíquas sobre o campo. Por não ser uma partida oficial, a arquibancada estava ocupada principalmente por conhecidos e familiares, em vez de detentores de ingressos.

Eles se sentaram na primeira fila. Tina, com medo de que a bola voasse na direção deles, sentou-se atrás de Nathan junto com Jude.

Nathan virou o rosto para procurar Alex. Contrariando o que Alex dissera sobre provavelmente estar no banco de reservas, ele estava em campo. Não foi difícil encontrá-lo: calças pretas e uma camisa de futebol com ombros pretos e bem definidos. Ele era alto e tinha o cabelo preto, único entre os jogadores.

Seus olhos se encontraram com os de Alex, que olhava em volta como se procurasse algo. Apoiando o queixo languidamente, Nathan olhou para frente e, em seguida, sorriu para Alex, que inclinou a cabeça em sua direção. Não parecia que houvesse tanta distância assim.

Mas Alex pareceu encontrá-lo. Seus olhos longos e finos se fecharam timidamente, e Alex sorriu, pressionando os lábios firmemente. Ao ver isso, uma sensação de cócegas surgiu dentro de suas costelas. Franzindo ligeiramente o cenho, Nathan ergueu a mão e pressionou com força a região do peito. Sob o toque dos músculos firmes, ele pressionou a área onde ficavam os ossos. Mesmo pressionando, a sensação de cócegas que o perturbava não diminuía.

O apito que anunciava o início do jogo soou alto no campo gramado. Observando Alex se posicionar, Nathan colocou os cotovelos sobre os joelhos e olhou para frente. Eram quatro zagueiros. Alex estava à frente deles. Nathan achava que ele era meio-campista.

Ao contrário do irmão mais velho, que jogava rugby e se interessava por futebol, e do segundo irmão, que torcia para um time local, Nathan não se lembrava de acompanhar esportes. Assistia às notícias durante a Copa do Mundo ou as Olimpíadas, mas não tinha interesse em assistir; se fosse para usar o corpo, preferia fazer um sparring. Pensando que o tempo de jogo de 90 minutos era um tanto longo, Nathan manteve os olhos fixos.

No entanto, observar Alex era mais interessante do que ele imaginava. O tempo voou. Após um primeiro tempo monótono, com poucas finalizações eficazes, rapidamente começou o segundo tempo. Como costumava jogar futebol quando criança, ele conhecia as regras básicas. Mesmo aos olhos de Nathan, que não entendia muito, Alex se esforçava muito. Era tão fofo que um sorriso se formou em seus lábios sem que ele percebesse.

Alex tinha uma grande capacidade de movimento. Na posição de meio-campista defensivo, ele repeliu bem os ataques que vinham e, acima de tudo, seus passes eram precisos. A precisão dos passes longos e o drible revelavam a personalidade de Alex. Ele cumpria bem sua posição e não tentava se destacar muito.

Alex sempre foi constante. Não era do tipo que alcançava as coisas facilmente como o próprio Nathan, mas quando não sabia algo ou tinha alguma deficiência, se esforçava ao máximo. Às vezes, era frustrante vê-lo sem jeito. Se fosse para apontar um ponto fraco… talvez ele se assustasse com facilidade. Nathan apoiou o queixo na mão. No entanto, ao vê-lo repelir uma entrada ou empurrar alguém, ele não parecia ter tanto medo assim. Aquilo era novo para ele.

— Nathan, Alex parece um alfa quando está assim, não acha?

Jude, que observava cochichando atrás, cutucou o ombro de Nathan. Tina concordou.

— Dizem que quase todo o time de futebol é alfa, né?

— É, como a gente não entende dessas coisas de fenótipos, é meio frustrante.

— Verdade. Ah, Alex caiu!

Uma entrada derrubou Alex, que estava driblando. Ele cambaleou e caiu deslizando na grama. Parecia doer só de olhar. Ao ver isso, Nathan franziu o cenho. Inconscientemente, olhou para o rosto do jogador que fez a entrada. Ficou bastante irritado.

Quando viu o sangue escorrendo da testa de Alex, que levantou a cabeça, seu humor foi por terra. Embora soubesse que fazia parte do jogo e que não era uma ação mal-intencionada, uma antipatia indescritível surgiu.

— E agora? Acho que a testa dele abriu.

Jude, como se estivesse muito assustado, cobriu a boca com a mão, fazendo “Ah!”. Os dedos de Nathan ficaram frios. Sem perceber, ele encarava friamente o rosto do jogador que fizera a entrada. Tina observou a situação.

— Ele se machucou feio?

— Será que não vai para o banco?

Com o jogo momentaneamente interrompido, Alex colocou gaze na testa e voltou ao campo. O apito para recomeçar soou. Mordendo levemente o lábio, Nathan pressionou o queixo com o polegar. Não entendia por que o deixaram voltar. Havia muitos jogadores no banco, e Alex jogara o tempo todo desde o início. E se a lesão piorasse ou deixasse cicatriz?

O tempo no placar se aproximava lentamente do fim. Depois que Alex se machucou, Nathan achou difícil se concentrar no jogo e ficou contando o tempo. Embora houvesse um médico da equipe no clube, ele não conseguia ficar tranquilo. “Seria bom se eu pudesse ajudar diretamente.” De repente, esse pensamento lhe ocorreu.

O jogo não estava favorável para nenhum dos lados. O acréscimo era de um minuto. Quando parecia que terminaria empatado sem gols, Alex pegou a bola. Ele estava no centro, antes que a pressão fosse aplicada.

Alex procurou um atacante para passar a bola, mas, como se tivesse tomado uma decisão, avançou e chutou a bola com força. A bola, que pairou perigosamente sobre o gramado, seguiu reta e entrou direto no gol. Foi um belo chute de média distância. As redes balançaram.

— Uau, Alex, fantástico!

Não deu para saber se quem gritou foi Jude ou Tina. Nathan observava Alex em silêncio. Ouviu-se um apito longo, e o árbitro ergueu a mão apontando para o círculo central. Gritos curtos vieram do banco.

Alex, como se não pudesse acreditar no que fizera, fez “Ah?” e então ergueu a cabeça e olhou na direção onde Nathan estava. Quando o goleiro se moveu para rolar a bola novamente, o apito soou três vezes. A ação de Alex em seguida foi, assim que terminou os cumprimentos rápidos com o time adversário, correr diretamente para Nathan.

Seus cabelos pretos molhados de suor se desgrenharam enquanto ele corria. Com o rosto corado de excitação, Alex sorria alegremente. Chegando onde Nathan estava em um instante, Alex parou bem na sua frente, como um cachorrinho. Gotas de suor escorriam e se acumulavam em seu queixo. Sua nuca e clavícula estavam avermelhadas.

— Nathan, você veio?

Seus olhos longos se curvaram refrescantemente. Contendo o sorriso que se formava em seus lábios, Alex ficou ali, como quem esperava um elogio de Nathan. Tina e Jude foram as primeiras a se empolgar.

— Alex, aquele gol foi realmente incrível! Afinal, um profissional é diferente mesmo.

— Não dá nem para comparar com os caras da escola.

— Ah, obrigado.

Alex respondeu a Tina e Jude, mas ainda olhava para Nathan. Ao ver o rosto de Nathan, que não dizia nada, uma leve preocupação pareceu se espalhar em sua expressão. Nathan, que mantinha o rosto impassível, levantou-se. Com uma expressão confusa, Alex observava obedientemente os movimentos de Nathan. Ele estendeu a mão. Lentamente, colocou-a sobre os cabelos molhados de Alex. O rosto de Alex, já corado, pareceu ficar ainda mais vermelho por um instante.

— Bom trabalho.

— Nathan, meu cabelo está molhado…

A voz de Alex se esvaiu, fina, como se estivesse envergonhado. Embora recuasse um pouco, Alex não afastou a mão de Nathan. No entanto, parecia muito surpreso e seus ombros deram um pequeno sobressalto. Mesmo diante da reação de Alex, Nathan, sem hesitar, ergueu a outra mão e esfregou o lado da testa de Alex, onde ainda havia manchas de sangue. Sem perceber que Tina e Jude trocavam olhares atrás dele.

— Dói muito?

— Hein? Isso? Não é nada. Foi só um pequeno corte, nem precisou de ponto.

— Mesmo assim, vá lá e receba o tratamento direito.

Parecendo muito consciente da mão tocando sua testa, os cílios de Alex tremiam. Ele olhava repetidamente para a mão em sua testa e depois para o rosto de Nathan, com olhos inquietos. Achando aquela expressão fofa, Nathan propositalmente não tirou a mão.

— É, vou fazer isso.

Alex baixou os olhos e inclinou ligeiramente a cabeça. A cartilagem redonda de sua orelha estava vermelha. Depois de esfregar sua testa por alguns segundos, Nathan tirou a mão. Alex ergueu a cabeça com um sobressalto e moveu os lábios hesitante. Parecia um cachorro sondando a reação.

— Você vai agora?

— Por quê?

— Se você não se importar, pode esperar por mim…?

Alex falou com cuidado, como se estivesse fazendo um grande pedido. O rosto branco de Nathan, que estava tenso o tempo todo por causa do machucado de Alex, finalmente se descontraiu com um sorriso leve. “Sim. É fofo.”

— Certo.

Quando a resposta veio, o rosto de Alex se iluminou. Suas sobrancelhas alinhadas se curvaram com alegria, e ele assentiu.

— Obrigado.

— Vem devagar.

— Certo.

Contrariando sua própria resposta, Alex começou a correr imediatamente, atravessando a grama. Antes de entrar no estádio, correndo rápido, Alex olhou para trás e acenou. Sem nem pensar que a mão molhada de suco era desagradável, Nathan observava aquilo com um sorriso.

Tina e Jude cutucaram o ombro de Nathan, que olhava para frente em silêncio. Foi então que ele se virou. Tinha se esquecido deles por um momento.

— Nathan, Jude e eu vamos indo.

— É, nós vamos primeiro, vocês dois se divirtam.

O tom de voz deles estava estranho. Nathan olhou para Tina e Jude com os olhos semicerrados. Os dois trocaram um olhar, pegaram suas mochilas rapidamente e deram os braços.

— Divirtam-se!

Deixando essa frase de duplo sentido, Jude puxou Tina e saiu das arquibancadas. Observando as costas deles, enquanto sussurravam animados, Nathan voltou calmamente para seu lugar. Achava que sabia do que estavam falando. Olhando para a mochila que estava no assento por um momento, Nathan tirou a pulseira de dentro dela.

Surgiu um motivo para dá-la.

O sorriso fraco em seu rosto se aprofundou um pouco.

Alex apareceu 30 minutos depois. Depois de lavar as mãos e arrumar o cabelo de qualquer jeito, Nathan esperava por ele encostado na parede do estádio.

— Esperou muito? Desculpa.

Ofegante, Alex apareceu na frente dele. O céu de verão ainda não havia escurecido, e a sombra de Nathan se estendia longa. Ele ergueu os olhos calmamente.

— Tudo bem.

— E os outros?

— Foram embora primeiro.

O cabelo de Alex, que acabara de sair do chuveiro, ainda não estava completamente seco e grudava em sua testa. Uma brisa suave passou entre eles. Havia um perfume refrescante. Como água gelada, misturado com um pouco de cheiro de grama. Nathan olhou para Alex em silêncio. “Será que o feromônio de Alex tem esse cheiro?”

“Ômegas e alfas devem saber qual é o feromônio de Alex.”

Era algo em que ele nunca havia pensado. Criado em uma família de betas, tendo apenas amigos betas, feromônios eram algo realmente irrelevante para Nathan. Ainda mais porque ele nunca pensou em se relacionar com alfas ou ômegas. Como Tina e Jude disseram, ele não conseguia sentir que Alex era um alfa.

Era um mundo completamente diferente.

Alex, diante dele, era apenas um garoto um pouco mais alto do que ele. Um garoto de cabelos castanho-escuros, parado bem na transição para a vida adulta, adorável.

No entanto, Alex era alfa e, quando chegasse o período, passaria pelo cio, pertencendo a um mundo que Nathan não conseguia compreender. A menos que renascesse, havia uma barreira intransponível entre eles.

— Nathan?

“E se eu não soubesse que Alex “gostava” de mim… talvez Nathan nunca precisasse pensar sobre essas coisas.”

— Tenho algo para você.

— Para mim?

Nathan assentiu. Estendeu silenciosamente a pulseira de pulso embalada que estava em sua mão para Alex. Ao ver o que lhe era estendido, os olhos de Alex se arregalaram. Como se estivesse realmente surpreso, Alex moveu os lábios e então olhou nos olhos de Nathan.

— Sério?

— Se não gostar, me fala.

— Não! Não, eu gosto muito.

Alex balançou a cabeça rapidamente. “É aquela expressão novamente.” A face de quem esconde um sorriso, mordendo os lábios. Suas mãos hesitantes receberam a pulseira com cuidado. Como se não pudesse acreditar, Alex olhou por um longo tempo para a pulseira que segurava com ambas as mãos e então sorriu com os olhos brilhando.

— Obrigado, Nathan.

“Não quero me relacionar com quem não é beta.”

— Sério, eu… gosto muito.

“Não gosto do que não posso entender.”

— Vou guardar com cuidado para usar. Para não sujar. Porque foi você quem me deu.

— Acho que não é bem assim.

— Hein?

— Não é melhor usar com frequência?

“Mas, mais do que essas coisas…”

— Porque fui eu quem deu.

“Alex Yeon era mais importante.”

Alex ficou em silêncio com essas palavras. Com as sobrancelhas caídas, ele olhou para Nathan, depois desviou ligeiramente o rosto. Hesitante, ergueu a mão e tocou a própria bochecha. Ainda segurando firmemente a pulseira.

— … É mesmo.

Alex respondeu com uma voz rouca, sem conseguir olhar nos olhos de Nathan por um bom tempo. Desviando lentamente o olhar, ele assentiu. E disse novamente.

— Então, vou usar todos os dias.

— Certo.

O ambiente ficou silencioso. Apenas o som do vento soava intermitentemente e desaparecia. Nathan se afastou da parede. Alex permanecia parado na sua frente. Nathan estendeu a mão. Alex arregalou os olhos.

— Vamos praticar?

— … Posso?

Nathan não respondeu. Alex hesitou por um longo tempo e, com muito cuidado, encostou os dedos na palma da mão de Nathan. Esfregou os dedos que estavam imóveis. Nathan sentiu os braços ficarem tensos com um pequeno sobressalto. Com um riso leve, Nathan entrelaçou lentamente os dedos. Dedos de comprimento semelhante se entrelaçaram. A mão de Alex era quente.

A prática, na verdade, havia perdido seu propósito. Desde o momento em que Alex não apresentou ninguém com quem saía, Nathan não tinha como comparar para saber se Alex ainda gostava dele ou não. Afinal, o Alex que Nathan conhecia sempre agia assim. Mesmo sabendo disso, Nathan não queria parar essa prática.

Pensando bem, a resposta já estava ali desde o momento em que ele propôs essa prática absurda. Por que ele iria querer saber se Alex ainda gostava dele, afinal? A razão era apenas uma.

Alex Yeon era importante para ele, ele se importava com ele e…

Gostava dele.

Tanto que era difícil definir em uma palavra.

Isso aconteceu sem que o próprio Nathan percebesse. Quando abriu os olhos, seu mundo estava cheio de Alex. Como se sempre tivesse sido assim.

“Houve algum momento na vida em que fui tão feliz assim?”

Terminado o treino, a caminho do ponto de ônibus, Alex olhava fixamente para o pulso. A pulseira branca em seu punho direito o deixava extremamente animado. Parecia mágica. Mesmo quando não pensava em nada, só de olhar para ela, seu coração disparava. Como se estivesse sob uma árvore florida, com pétalas caindo, tudo ao redor era radiante. “Nathan me deu um presente.”

Seus passos em direção ao ponto de ônibus eram leves. Ao pensar no rosto de Nathan, que vinha naturalmente à mente, um sorriso escapou. Contendo o pequeno sorriso que se formava em seus lábios, ele recuperou o fôlego.

Tudo parecia incrivelmente bom. No último amistoso, ele entrou no time principal e foi titular. O técnico, satisfeito com seu desempenho naquele dia, disse que iria observá-lo até o início da temporada. Tudo aconteceu de repente. Mesmo sabendo que era mais do que merecia, Alex ousou esperar que essa felicidade durasse para sempre.

Chegando ao ponto, Alex mexeu no celular. Embora dissesse a si mesmo para não criar expectativas, verificou se havia recebido alguma mensagem. No entanto, não havia nenhum contato de Nathan. Afinal, ele não costumava ficar muito no celular. Um pouco de decepção veio, mas ao pensar nos acontecimentos recentes com Nathan, seu ânimo se elevou. De repente, lembrou-se de uma suposição que vinha fazendo nos últimos dias.

“Talvez Nathan…”

Só de pensar na frase em sua mente, Alex ficou envergonhado e balançou a cabeça. Não podia tirar conclusões precipitadas. Ele não segurava a mão de Nathan exceto durante os treinos, Nathan disse que gostava de betas, e quanto à sua confissão…

No entanto, seus pensamentos incessantes foram interrompidos por alguém que se dirigiu a ele. Alex ergueu a cabeça.

— Vai pegar o ônibus?

Era David Mack. Alex o olhou, franzindo ligeiramente um dos olhos. David estava vestindo o uniforme escolar. Um uniforme familiar.

Foi então que ele se lembrou. David Mack também estudava na mesma escola. David, que jogava futebol desde criança, estava matriculado no Sixth Form College apenas nominalmente e, ao contrário de Alex, sua frequência era visivelmente baixa. Alex havia se esquecido dele, pois raramente o encontrava na escola.

— É.

Apesar de querer ignorá-lo, respondeu brevemente. Mesmo com a resposta curta, David Mack não se importou. Alisando os cabelos loiros, ele voltou a falar.

— Onde você mora?

— Na Zona 2.

— Que antipatia. Com Nathan White você não é assim.

Com o nome de Nathan surgindo de repente, Alex franziu o cenho.

— O quê?

— Por quê?

— Por que você está falando dele?

— Ele é famoso, não é? Vocês andam juntos.

David Mack deu de ombros casualmente. Um sorriso amigável se formou em seu rosto. Se era para falar assim, então não havia o que dizer. No entanto, um sentimento de alerta surgiu sem motivo. Não sabia se era o possessividade imatura típica dos alfas, mas foi o que sentiu. Mesmo vendo o rosto desconfiado de Alex, David sorriu.

— Ele até tem cara de ômega, mas… vocês não estão namorando, né?

Alex ficou sem palavras. Exalou um suspiro irritado e endireitou o corpo. Pegou a mochila que estava no chão. As chuteiras sob os tornozelos com meias brancas mudaram de direção.

— Vou indo.

— Não está sendo muito desconfiado? Eu só estou preocupado com você. Se quer ser profissional, precisa pensar na sua reputação. Você sabe o quanto os paparazzi se interessam por jogadores profissionais com gostos sexuais estranhos?

A voz de David era calma. Com um tom que parecia relatar fatos com indiferença, Alex parou de andar. Ele não havia pensado nessa parte. Embora seu objetivo fosse ser profissional, como estava no time B, não havia considerado um futuro onde paparazzi o seguissem, e também nunca pensou em namorar Nathan. Talvez em algum lugar profundo de seu coração desejasse, mas não tinha intenção de confessar.

Além disso, ele não queria ter esperanças de que algo acontecesse. Mas Nathan ultimamente estava diferente. Ele dava a Alex brechas que o faziam querer mais. A ponto de querer ignorar a questão dos fenótipos e confessar de verdade.

“Se nós ficarmos juntos e isso for exposto na mídia, causando problemas para Nathan…?”

Pensando até aí, Alex balançou a cabeça. Era algo que nem tinha acontecido. Além disso, a possibilidade de se tornar profissional era sempre remota.

— Não é algo que eu possa fazer só porque quero. E não é da sua conta.

Alex negou a própria suposição de David. Quase se deixou levar desnecessariamente. Desde o início, nem sequer conversavam, então era estranho ele demonstrar tanto interesse de repente. Com a recusa direta, David cruzou os braços. Batendo levemente no próprio braço com o indicador, David sorriu suavemente.

— Bem, ser profissional depende de você.

— Tenho me esforçado.

— Foi bom termos jogado juntos dessa vez?

David mudou de assunto. Embora fosse a primeira vez que conversavam assim, Alex achou que ele era uma pessoa difícil de prever em vários aspectos. Parecia alguém que sempre queria conduzir a situação a seu favor. As palavras de Liam vieram à mente.

— Por quê?

— Se você aceitar um pedido meu, direi ao técnico que quero continuar jogando com você.

Alex olhou para David por um momento e balançou a cabeça.

— Não, obrigado.

Se não for por mérito, não adianta. Mesmo que consiga assim, acabará caindo de novo. Quando Alex tentou se afastar, David segurou seu braço.

— Você acha que só com habilidade é possível tudo? Bem, deve haver gênios assim. Mas, se fosse por isso, o mundo estaria cheio de pessoas de sucesso. Tudo depende de sorte e oportunidade. Não seja ingênuo. Estou dando um conselho para o seu bem, me escute.

— Desde quando você se preocupa comigo para agir assim? Mal conversamos!

Alex empurrou a mão de David e questionou asperamente. David riu.

— Não é um pedido difícil. É bom para você também.

— Não tenho interesse. Vou indo.

— Se mudar de ideia, me chama no Facebook.

David ergueu as duas mãos em sinal de rendição e se afastou. Alex estava com a cabeça confusa. Ele olhou para David com um certo rancor, mas acabou balançando a cabeça e se virando.

Mexendo na pulseira, Alex pegou o metrô e voltou para casa. Precisava fazer compras, pois a água e os mantimentos tinham acabado. Entrou no Sainsbury’s e pegou algumas coisas. Ele estava feliz demais com os acontecimentos envolvendo Nathan para perceber a realidade, mas ao encontrar David, seus pensamentos voltaram para os problemas e seu humor ficou deprimido novamente.

Queria ver Nathan. Quando estava com Nathan, parecia que tudo ficaria bem. Nathan, calmo e indiferente, também era bom com palavras de apoio, e só de estar com ele já o acalmava.

O saldo do cartão de débito era de £20. Chegara a hora de pedir mesada ao pai. Ele dedicava todo o tempo que poderia usar para trabalhar ao futebol, e mesmo que quisesse, seu pai faria um escândalo, então ele recebia dinheiro, mas nunca se sentia confortável. Se ele gastasse dinheiro assim e terminasse como um jogador de futebol desconhecido, sem resultados…

Com um humor sombrio, Alex pegou carne de porco picada, água, cogumelos e um saco de salada de jardim. Embora precisasse controlar a dieta, gastar dinheiro com outras coisas o preocupava, então ele não se lembrava de comprar lanches. Na seção de chocolates, Alex hesitou por alguns segundos e depois se virou. Era melhor comprar sabão em pó com aquele dinheiro.

Depois de colocar as compras na mochila, Alex foi lentamente para casa. O céu estava vermelho. Um silêncio solitário pairava no ar. Sentindo falta de um pouco de calor, Alex tocou a própria mão esquerda, que Nathan havia segurado, e depois a soltou sem motivo.

Nos últimos dias, seu pai não aparecia em casa. Mesmo quando vinha, chegava tarde, bebia e dormia, e como Alex ia para a escola, quase não tinham tempo de se encontrar.

“Será que deveria mandar uma mensagem hoje, se ele não vier?” Pensou, mas havia sapatos na entrada. Assim que abriu a porta, ouviu algo quebrar. O ar estava abafado, com um forte cheiro de bebida.

Alex parou na entrada. Sentiu o feromônio denso e tenso. Suas mãos ficaram rígidas. Embora estivesse tudo bem por um tempo, essa tensão aguda era algo que Alex vinha enfrentando nos últimos anos. Seu pai era assim sempre que brigava com sua mãe ou quando algo ruim acontecia. Ele jogava objetos, quebrava portas com os punhos, gritava. Com o aumento do consumo de álcool, os sintomas pioravam.

Segurando a mochila, ele tentou sair pela porta, mas a porta do quarto se abriu de repente.

— Por que está chegando só agora!

A voz rouca era áspera e ameaçadora. Alex ficou em silêncio. Era apenas 19h. Em vez de dizer que tinha ido ao mercado após o treino, Alex mudou de assunto para não irritar o homem.

— Desculpe.

Mas hoje, isso pareceu não surtir muito efeito. O pai, que se aproximou de Alex, o encarou e, cuspindo um xingamento, bateu na cabeça de Alex. Levando o golpe daquele homem de porte menor que o seu, Alex ficou em silêncio.

— Garoto desapontador. Mesmo gastando tanto dinheiro, por que não tenho boas notícias? Você está se esforçando de verdade?

Mais um golpe na cabeça. Cada palavra do homem vinha acompanhada de um forte cheiro de álcool. Mais do que raiva, Alex sentia um vazio. Por essa realidade opressiva. Pela sua vida.

— Vamos morrer juntos? Seria bom se você morresse e eu também. Sim, vamos fazer isso.

Não sabia o que havia acontecido, mas o homem, incapaz de controlar sua raiva, começou a gritar e, com passos pesados, se virou em direção à cozinha. Com a palavra “morrer”, Alex franziu o cenho. Segurou firmemente o braço do homem que estava fazendo um escândalo e sussurrou. Sua voz ao tentar acalmá-lo era desesperada.

— Foi minha culpa. Pai, espere um pouco mais. Se der certo, posso até estrear dessa vez…!

— Solta, porra!

— Por favor, pai. Sério, foi minha, minha culpa.

O homem não conseguia resistir à força de Alex. Mesmo sabendo que a situação era absolutamente degradante, Alex apenas se sentia triste por tudo aquilo. A realidade de que seu pai, que ria e o carregava nas costas, não ria mais. Esse relacionamento em que ele não podia nem ter certeza de dias felizes.

Depois de uma grande confusão, o homem bufou e entrou no quarto. Alex sentou-se na sala de estar e observou para garantir que seu pai não fizesse nada perigoso, como tentar o suicídio. Sentado no chão debaixo do sofá, com os joelhos unidos, enterrou o rosto neles. Sem pensar em nada.

Depois de algumas horas, Alex abriu cuidadosamente a porta do quarto de seu pai. O homem estava dormindo. As garrafas de bebida espalhadas pelo chão estavam vazias.

Fechando a porta silenciosamente, ele olhou na geladeira e no armário da cozinha. Não havia mais bebida. Por enquanto, estaria tudo bem. Só então seu coração, que estava acelerado, se acalmou um pouco. “Ah, nem guardei as compras.” Pensando mecanicamente, Alex colocou as coisas da mochila na geladeira.

Não tinha fome. Depois de beber um copo de água, entrou no quarto. Sentado na cama, Alex virou a cabeça e olhou pela janela. Embora a paisagem externa fosse pacífica, seu coração se consumia em trevas. Nunca pensou em morrer, mas hoje estava particularmente difícil. Uma sensação de impotência o dominava.

Queria ver Nathan.

Pressionou os olhos vermelhos com as palmas das mãos. Depois de esfregar os olhos secos, pegou o celular. Com a respiração ofegante, segurou o celular com ambas as mãos com um desejo profundo. Hesitando por um longo tempo, Alex escreveu uma frase, sem expectativa. Abriu o mensageiro.

“Nathan, está ocupado?”

A resposta não veio imediatamente. Deitado de lado na cama, Alex olhava fixamente para o celular. A conversa que teve com David Mack antes de voltar para casa girava em sua cabeça. Paparazzi, profissional, favor, oportunidade…

Em um mês, a nova temporada começaria. Quando o outono chegasse, começaria um novo ano letivo e, no final do último período, ele se tornaria adulto. Não podia mais sobrecarregar seu pai.

Às vezes, ele sentia medo. Medo de como a situação em casa estava. Quando perguntava sobre dinheiro ou negócios, seu pai dizia que ele não precisava saber. Que era ele quem arcava com a casa.

“Será que não tenho talento?”

Embora sempre tenha achado que não, admitir essa realidade era assustador. Se não tivesse talento, seria melhor desistir logo. Mas não queria decepcionar seu pai. Porque seu pai era o único aliado que ele tinha. Porque seu pai nunca o abandonou.

Não queria ser abandonado. Mesmo sabendo que não era bom, queria apenas ser abraçado. Tinha medo de ficar sozinho.

Com as sobrancelhas tristemente curvadas, Alex pegou o celular. Esfregando o celular com o canto da tela levemente rachado, abriu o Facebook. No grupo de mensagens do time de futebol, encontrou David Mack. Embora não houvesse nada de errado nisso, seu coração estava pesado. No entanto, a felicidade de seu pai era mais importante do que seu próprio orgulho.

“Qual é o favor.”

Sem cumprimentos, Alex enviou apenas essa frase. David Mack, como se estivesse esperando, respondeu rapidamente.

“Te conto depois. Você vai me agradecer.”

Mais um balão apareceu.

“Bem-vindo a bordo. Você vai se tornar um bom meio-campista.”

Mesmo sendo algo para se alegrar, ele não se sentia feliz. Observando a mensagem sem expressão, logo depois, Alex adormeceu repentinamente.

Quando abriu os olhos novamente, lá fora estava escuro. O som dos grilos ecoava suavemente pela janela aberta. Observando o céu com a lua, Alex olhou o celular. Então se levantou. Havia uma resposta de Nathan. Uma hora atrás.

“Desculpa. Eu estava me exercitando. Por quê?”

Alex olhou para aquela mensagem por um longo tempo. Foi há uma hora e já passava das 22h. Era tarde.

“Nada. Desculpa pelo incômodo.”

Escreveu a mensagem sem forças. Quando estava prestes a largar o celular, sem esperar resposta, uma mensagem chegou. “Hã?” Ele piscou os olhos.

“Por que fala assim?”

“O quê?”

“Você não me incomoda.”

De repente, suas pontas dos dedos queimaram. Ele conteve o sorriso que ameaçava surgir sem que percebesse. Estava tão feliz que esqueceu o mau humor.

“Nunca incomodou.”

“Obrigado. Eu também, Nathan.”

“Algum problema?”

Nathan respondia diligentemente. Com um sorriso nos olhos, Alex se repreendeu. Isso já era suficiente.

“Não, eu só queria perguntar se podia dormir na sua casa. Está tarde, não se preocupe.”

Nathan demorou alguns segundos para responder. “Será que fui longe demais?” Ele pensou, mas uma mensagem chegou.

“Venha. Está tarde, vou te buscar. Nos vemos na estação.”

Alex ia dizer que não precisava, mas parou. Queria ver Nathan o mais rápido possível, nem que fosse um segundo antes. Esfregando a tela como se tocasse em algo precioso, Alex se levantou de um salto. Apressado, pegou as roupas que usaria no dia seguinte e saiu de casa silenciosamente.

Havia bastante gente no metrô noturno. Quanto mais se aproximava da estação de Stepney Green, perto da casa de Nathan, menos pessoas havia.

Dentro do vagão do metrô, apertado e com cheiro de mofo, Alex olhava fixamente para frente. Viu um casal sentado de mãos dadas. A mulher era alfa e o homem, ômega. O mundo dos fenótipos, que não se dividia por gênero, às vezes era fascinante. “Por que isso existe no mundo?” Se não existisse, a vida seria mais simples.

Quando a voz feminina gravada soou, Alex desceu do metrô. Antes de descer, olhou para o vão escuro entre o metrô e a plataforma. Observando-o em silêncio, Alex pisou na linha amarela.

A estação ampla e tranquila estava deserta. Saindo do espaço oval silencioso, onde reinava a quietude, Alex subiu as escadas. O céu negro se estendia à sua frente. A lua, grande, estava alta no céu. Estava tão brilhante que as estrelas espalhadas mal podiam ser vistas.

E sob aquele céu silencioso, estava a pessoa de quem Alex gostava. Alguém que esperava por ele olhando para baixo, para as escadas. Não, alguém que esperava por Alex Yeon. Nathan.

— Chegou?

Aquela única frase lavou toda a tristeza de Alex. No entanto, Alex sentiu uma dor diferente, uma dor comovente. Era maravilhoso poder gostar tanto de alguém.

— Esperou muito?

— Não.

“Você é realmente incrível.”

— Vamos.

“Só de ver seu rosto, eu me sinto feliz novamente.”

Alex olhou para a lua e sorriu. A luz prateada tingiu suas bochechas de branco. Nathan observava aquela cena em silêncio. Depois de subirem lentamente as escadas, começaram a caminhar em silêncio. O som de seus passos ecoava baixinho. Eles caminharam por alguns minutos, com o som distante dos insetos e o perfume das folhas verdes no ar noturno como pano de fundo. Deixando um espaço de um passo entre eles, suas mãos balançavam em direções opostas.

— Se tiver algo errado, pode falar.

Nathan disse em voz baixa. Alex virou a cabeça. Nathan também o olhou calmamente. Seu olhar erguido era sereno.

— Vou ouvir.

Suas mãos, que se moviam em direções opostas, balançavam de forma semelhante. As pontas dos dedos se tocaram.

— … Então você também me conte. Eu sempre estarei ao seu lado.

Com essas palavras, Nathan sorriu languidamente. Seus cabelos loiros claros brilhavam como fios de prata sob o luar. As pontas dos dedos se tocaram e os dedos roçaram levemente.

— Não importa o que eu faça?

— Sim, não importa o que você faça.

— Não se deve fazer promessas levianamente.

Alex pensou por um momento. Mas tinha certeza de que estaria ao lado de Nathan, não importa o que ele fizesse.

— É sério.

— Sim, então.

Um riso baixo escapou. Ultimamente, Nathan sorria com frequência. Quando estava com Tina e Jude, parecia o mesmo de sempre, mas ao lado de Alex, era assim. “Será que é impressão minha?” Depois de alguns segundos de silêncio, Alex falou. Era a primeira vez que ele realmente falava sobre seus sentimentos mais profundos.

— Não sei se consigo ir bem.

— Futebol?

— Sim. Eu me esforço, mas parece que não estou fazendo direito…

Nathan olhava para frente em silêncio. Nesse meio tempo, seus dedos roçaram mais uma vez. Ignorando a sensação que o deixava extremamente consciente, Alex manteve as mãos imóveis, tenso.

— Eu nunca vi ninguém que se esforçasse mais do que você.

Nathan disse assim.

— Eu não entendo muito de futebol, mas…

O dedo que havia roçado parou no contato.

— Com certeza você vai se sair bem.

Os dedos indicadores se entrelaçaram lentamente. Segurando a mão trêmula, Alex prendeu a respiração. Os dedos de Nathan penetraram lentamente nos espaços vazios. As palmas se tocaram. Com medo de que ele pudesse sentir o coração acelerado do outro lado, Alex pressionou os lábios com força e sentiu aquele toque. Mesmo prendendo a respiração, sentiu como se pudesse respirar.

— Mesmo quando as coisas não vão bem, estarei ao seu lado.

Alex exalou um longo suspiro. Franziu a ponta do nariz vermelha e assentiu. Eles caminharam pela noite assim, de mãos dadas, até chegar em casa. A palavra “treino” não foi mencionada por nenhum dos dois.

A casa de Nathan, ao contrário da de Alex, estava sempre limpa e tinha bastante espaço livre, mas havia um silêncio característico de quem não fica muito tempo. Era por isso também que Alex gostava de ir à casa de Nathan. Porque parecia um ponto em comum.

— Sua mãe não está?

— Trabalho. Se não chegar até meia-noite, provavelmente vai dormir na casa da minha tia.

Nathan largou as chaves na mesa e trocou de chinelo. A mão que haviam segurado o caminho todo naturalmente se soltou. Sentindo falta, Alex moveu os dedos com um pequeno sobressalto e seguiu Nathan. Ele foi até a cozinha e perguntou:

— Quer ver um filme?

— Sim, gosto. O que você quer ver?

Só de ouvir a pergunta, Alex já ficou animado. Era a primeira vez que iam assistir a um filme sozinhos, além de continuar jogando videogame juntos. A frustração de não poder continuar segurando a mão desapareceu completamente com uma única pergunta de Nathan.

— Pipoca?

Nathan se virou enquanto estendia a mão para o armário. Alex assentiu naturalmente. O saco de pipoca estava no alto do armário. Alex foi rapidamente para o lado de Nathan.

— Deixa que eu pego.

Passando pelo braço estendido de Nathan, ele pegou a pipoca. Então, Nathan franziu ligeiramente os olhos e olhou para Alex. Por um momento, houve silêncio. Segurando o saco de pipoca com cuidado, Alex observou a reação. “Será que ele ficou chateado, como quando segurei o guarda-chuva?”

— Você.

Alex esperou a resposta de Nathan com o coração na mão.

— Se eu ficar mais alto no futuro…

— … Hum.

— Saiba que você não vai poder fazer mais nada com essas suas mãos.

Alex teve que manter uma expressão séria para não rir. As palavras eram tão fofas que ele se sentiu tolo por ter ficado tenso, observando o humor de Nathan.

— Que tipo de coisa?

Nathan estendeu lentamente a mão. Lentamente, ele envolveu a mão que segurava o saco de pipoca. Como sempre que segurava sua mão, a mão de Nathan, ao contrário de sua aparência delicada, era surpreendentemente firme e longa. Cada vez que percebia isso, algo dentro de Alex estremecia. Era um pouco estranho e um pouco…

— Tudo o que você fez comigo.

— O que, o que eu fiz?

Era bom estar tocando novamente, mas quando seus dedos apertaram seu pulso, uma sensação estranha o invadiu. Nathan segurou seu pulso com firmeza e o encarou.

— Pense bem.

Terminando de falar, Nathan pegou o saco de pipoca da mão de Alex com a outra mão. Seu pulso foi liberado. O calor que ele não havia percebido por estar tenso subiu assim que sua mão foi solta. Sua pele formigava.

Com a vergonha que o invadiu, Alex ficou mexendo no pulso. Ao lado de Nathan, que colocava a pipoca no micro-ondas, Alex seguiu suas palavras. “O que foi que eu fiz?” “O que tem? Carregar a mochila? Pegar coisas no alto como agora?”

Pensando até aí, Alex imaginou Nathan fazendo essas coisas por ele. Após alguns segundos de imaginação, Alex balançou a cabeça. Era impossível. Nathan não era alguém que deveria carregar coisas pesadas. Ele não queria que Nathan tivesse qualquer dificuldade.

Além disso, com a maioridade se aproximando, era quase impossível Nathan ficar mais alto do que ele. Embora tivesse cochilado na aula de ciências, Alex se lembrava da professora dizendo que o crescimento parava por volta dessa idade. A suposição de Nathan nunca se realizaria. Então, ficou satisfeito. Claro, isso era segredo para Nathan.

Depois de colocar a pipoca em uma tigela redonda, Nathan abriu a geladeira. Vendo as cervejas em uma prateleira, Alex arregalou os olhos.

— Você bebe?

Nathan se apoiou na porta aberta da geladeira e sorriu levemente.

— Você acha que eu não bebo?

Com essa pergunta, ele não tinha o que dizer. Sinceramente, na idade do Sixth Form, era mais estranho nunca ter bebido em festas. Em dias de sol no verão, era comum beber em terrenos baldios ou na praia, longe das pessoas.

Se houvesse rumores de que alguém trouxe maconha, todo mundo ia correndo. Alex já tinha ido algumas vezes com os amigos do time de futebol, mas nunca bebeu. Não queria se tornar como seu pai.

— Nunca vi você beber, por isso não sabia.

— É da minha mãe.

Dizendo isso, Nathan pegou um suco de pêssego. E ofereceu um chocolate quente para Alex.

— Hã?

Os olhos de Alex se arregalaram novamente.

— Você não gosta muito disso, né?

— É. Comprei porque você gosta.

Sem ser nada demais, Alex ficou tão emocionado que não conseguiu falar. Esfregando a bochecha sem motivo, ele disse baixinho:

— Obrigado.

Nathan assentiu. Fechou a porta da geladeira e pegou a tigela de pipoca. Sentaram-se no amplo sofá da sala. Enquanto procurava algo no controle, Nathan perguntou a opinião dele.

— Este?

Apareceu uma tela com uma letra vermelha e fundo preto. Nathan, com o rosto impassível, escolheu um filme de terror primeiro. Alex leu a sinopse com seriedade.

— Se você quiser ver, vamos ver.

Embora Alex se assustasse facilmente quando envolvia Nathan, ele não tinha medo de ameaças externas ou de se machucar. Então, filmes de terror não eram nem bons nem ruins para ele. Ouvindo a resposta, Nathan mudou de gênero. Dessa vez, era um documentário. Sobre o nascimento do universo… o título era algo assim. A própria descrição não parecia interessante.

— E este?

Por um momento, Alex ficou confuso. Ele perguntou com cuidado:

— Você costuma assistir documentários?

— Coloco quando estou entediado.

— Legal.

Mas Alex perdia o interesse rapidamente nesse tipo de vídeo. Hesitante, ele assentiu novamente. Se fosse chato, ele poderia olhar disfarçadamente para o rosto de Nathan.

— Então vamos ver esse.

No entanto, Nathan escolheu outro filme em vez do documentário. Dessa vez, era um filme sobre um cachorro. A história de um cachorro muito fofo que reencarnava repetidamente. Alex se lembrava de ter ouvido falar.

— E este?

— Sim, deve ser divertido.

Sem perceber, Alex sorriu. Nathan deu uma risada baixa e escolheu o filme. Depois de ligar o filme, Nathan apagou a luz da sala e voltou. Sentou-se mais perto do que antes, que estavam um pouco separados. Mais perto por uma unidade de dedo.

Ao perceber isso, Alex sentiu a boca seca. Muito tenso, ele cuidadosamente enfiou o canudo no chocolate quente e bebeu de uma vez. Então Nathan perguntou:

— Está gostoso?

— Sim. Quer provar?

Mas assim que disse, Alex pensou: “Burro, já perguntei isso antes.” Naquela época, ele recusou friamente, dizendo que chocolate era muito doce… Por que seria diferente agora…

— Certo.

“Por que seria…?”

Alex prendeu a respiração. Nathan o olhava. Nesse meio tempo, o filme começou. Uma luz âmbar fraca se infiltrava pela tela. As bochechas voltadas para ele eram muito brancas. Alex observou distraidamente os longos cílios repousando sobre o nariz elegantemente reto. O rosto de Nathan se aproximou gradualmente. A mão estendida tocou a mão de Alex, bem ao lado. O sofá afundou e ele sentiu seu corpo afundar junto. Seu coração disparou.

“Estava muito perto.”

Sentia um leve cheiro de sabonete. O perfume fresco misturado ao aroma doce de sua pele se intensificava gradualmente. Só quando ouviu a respiração de Nathan é que Alex percebeu que estava prendendo a respiração. Mas não conseguia soltar. Parecia que, se soltasse, tocaria os lábios de Nathan.

Nathan inclinou lentamente a cabeça. Seus cabelos loiros caíram sobre sua testa. Seus lábios, mais vermelhos que o normal, se separaram e morderam o canudo. Onde os lábios de Alex haviam tocado. Sentindo o pescoço e o rosto queimarem de vergonha, Alex desviou o olhar rapidamente. Na tela, um cachorro brincava alegremente. Naquele momento, um sentimento de culpa surgiu.

“Definitivamente não é uma situação estranha.”

“É só que Nathan colocou a boca no canudo que eu estava bebendo, onde minha saliva… Droga, falando assim parece realmente estranho.”

— Doce.

Nathan tirou os lábios do canudo e disse calmamente.

— Não gostou…?

A pergunta saiu um pouco estranha. Sua voz saiu rouca e falhou. Os cílios de Nathan piscaram lentamente e uma palavra escapou de seus lábios.

— Gostei.

Então, virou a cabeça. Alex prendeu a respiração por um momento. As palavras que ouviu foram muito doces. Nathan não acrescentou nada. Apenas se recostou no sofá e começou a assistir ao filme. Mas Alex não conseguia.

A mão de Nathan, bem ao lado de seu dedo mindinho, o incomodava. Lembrava-se repetidamente do rosto que se aproximara como se fosse tocar o seu, e queria dar um significado àquele “gostei”.

A pergunta que ele vinha reprimindo com força ergueu a cabeça. “Será que, talvez, não, não pode ser…” Queria perguntar sobre o que vinha evitando com várias desculpas. Embora tivesse medo de ser rejeitado de vez, pensasse que não podia demonstrar ainda mais, continuava se iludindo. Não, ele queria se iludir.

— Sabe, Nathan.

Fingindo assistir à tela, onde nada entrava, ele falou.

— Hum.

— É só uma pergunta, por curiosidade…

— Entendi.

— Se Tina e Jude tivessem pedido para você ajudar nos treinos de… encontro, você teria ajudado?

Seu coração batia dolorosamente, como se tivesse feito algo errado. Tão alto que parecia que iria sair do peito. Com medo de olhar para o rosto de Nathan, Alex mantinha os olhos fixos à frente, fingindo naturalidade.

— Não.

A voz que respondeu era calma e serena. Foi Alex quem se surpreendeu com aquela tranquilidade. Seus olhos, que estavam fixos na tela, imediatamente se viraram para o lado. Seus olhos se encontraram.

— … Não?

— É.

“Ele ficou tonto.”

— Então… por que me ajudou?

— Bem…

O dedo de Nathan, que estava ao lado da palma da mão de Alex, quase se tocando, se moveu. Seus dedos subiram sobre o dorso da mão e acariciaram suavemente a pele.

— Por que você acha?

A sensação de cócegas se espalhou pela pele. A sensação de cócegas percorreu sua espinha e molhou todo o seu corpo como um arrepio. Seus lábios se separaram.

“Escute, Alex Yeon.”

“Se aquele “talvez” em que você pensava…”

— Pense sobre isso.

“Se for verdade, o que você vai fazer?”

— Se acertar a resposta, eu te dou um prêmio.

Um sorriso preguiçoso passou pelo rosto impassível que sussurrava palavras doces.

Alex passou a noite em claro pensando na resposta. Claro, não era apenas por causa disso.

A sensação de cócegas que se espalhou a partir do dorso da mão era tão nova que Alex ficou paralisado assistindo ao filme. Enquanto ficava ali sentado, imóvel, olhando para frente, as palavras de Nathan passaram por sua mente milhares de vezes. Depois disso, com medo de cometer um erro se olhasse nos olhos de Nathan, Alex se levantou de forma estranha e ficou na frente da porta do quarto do irmão de Nathan, onde havia dormido da última vez.

— O que está fazendo aí?

— Vou dormir aqui…

— Não pode.

Nathan recusou o pedido de Alex com uma voz muito mais firme do que da última vez. Com o rosto surpreso, Alex olhou para ele, e Nathan apontou para seu próprio quarto.

— Durma comigo. Você não me faz dormir?

Alex fez uma pequena objeção, com uma expressão suplicante.

— Não posso dormir ali?

— Não pode. Estou entediado.

Foi firmemente recusado. Alex sempre pensava, mas quando Nathan queria algo, ele não abria mão.

— Está bem…

Não havia como recusar Nathan duas vezes. Alex acabou entrando no quarto de Nathan hesitante, como se estivesse sendo arrastado. Já tinha estado ali antes, mas hoje estava muito mais animado do que da outra vez. Estava muito mais nervoso do que quando entrou no quarto de Nathan pela primeira vez.

O cheiro suave de Nathan no quarto, os sinais de sua presença… Tudo o incomodava. Os lençóis desarrumados de quem havia dormido ali, os livros, a mochila, tudo.

Da outra vez, por algum motivo, ele ficou incomodado e trocou de roupa em outro lugar. Desta vez, Alex se trocou no banheiro para se preparar. Embora não houvesse nada de errado, parecia que estava fazendo algo secreto. Era algo incompreensível.

Mesmo depois de se arrumar bem, houve mais algumas idas e vindas. Alex se deitou na borda da cama, como se fosse cair. Observando isso em silêncio, Nathan se aproximou de Alex. Só depois que Alex se aproximou um pouco, relutante, Nathan fechou os olhos.

O problema era que Alex não conseguia dormir.

Cada vez que Nathan, adormecido em silêncio, se virava, o farfalhar seco dos lençóis ou a temperatura corporal sentida ao lado o deixavam muito tenso. Sua barriga ficou tensa e sua pele formigava sem motivo. Seus sentidos ficaram duas vezes mais aguçados e era difícil se mexer com medo de acordar Nathan. Seu coração batia tão forte que ele pensou em ir ao banheiro, mas desistiu com medo de acordar Nathan.

“O que significa que ele só me ajudou no treino?”

Enquanto não se acalmava, Alex continuava remoendo as palavras de Nathan. “Será que sou o melhor amigo dele? Então por que segura minha mão?”

Pensando bem, hoje eles seguraram as mãos sem nem mencionar treino. Ele sorriu e disse que era fofo, e colocou a boca no canudo que Alex usou… Essas eram atitudes que Nathan nunca teve. Nathan geralmente não colocava na boca nada que outra pessoa tivesse usado ou mordido. Alex achava que ele considerava isso sujo. Não sabia como ele era quando estava com a namorada.

Ao se lembrar da namorada, Jessica veio à mente. Alex não a via desde antes das férias. Não só porque não ia à escola, mas mesmo nas férias, era de se esperar que ele se encontrasse com Nathan, mas nem a ponta de seus cabelos ruivos apareceu. Ele não ouviu nada sobre eles terem terminado.

Alex piscou os olhos e se virou. Olhando para a mesa de cabeceira onde havia deixado o celular, ele esticou cuidadosamente a mão. Mudou o ângulo para que a luz da tela não atingisse Nathan o máximo possível e desbloqueou a tela. Como já era 1h da manhã, não esperava uma resposta imediata. Só queria perguntar a Jude.

“Jude, desculpa pela hora. Pode me responder quando acordar? Você viu a Jessica Bundy recentemente?”

Jude parecia não estar dormindo. O visto apareceu abaixo da mensagem e a resposta veio imediatamente.

“Não. Acho que eles terminaram.”

Alex quase se levantou de um pulo, mas se conteve.

“Quando?”

“Hum, acho que faz mais de duas semanas. Eles estavam se encontrando com menos frequência quando você estava ocupado e parece que terminaram por aí. Eu soube porque perguntei.”

Por essa época, Nathan havia dado a pulseira de pulso a Alex. Incrédulo, Alex olhou fixamente para as letras por um longo tempo. Uma resposta se sobrepôs à pergunta de Nathan sobre por que ele achava que Nathan o ajudou no treino.

“Será que Nathan realmente… gosta de mim?”

O peso da frase que ele ousou pensar era grande. Principalmente porque ele havia se esforçado para nem mesmo considerar essa hipótese nos últimos anos. Ao contrário de Nathan, ele nunca tinha namorado, então era possível que fosse apenas ilusão de Alex.

“Mas segurar as mãos é algo que amigos fazem?” Não conseguia ter certeza. Principalmente porque não via motivo para Nathan gostar dele para perguntar a Nathan se ele gostava dele. “Se ele gostar, por quê? Por causa de quê?” Parecia que não havia nenhum sinal disso nos últimos dois anos.

“Ei, Jude. Você pode me dar um conselho?”

Com a frustração, Alex finalmente perguntou a Jude com cuidado. Assim que perguntou, sentiu arrependimento e, ao mesmo tempo, a curiosidade aumentou.

“Sim, o que foi? Fala. Estou acordado por causa das férias, tudo bem.”

“Então… Se alguém fica segurando minha mão, ou coloca a boca no que eu bebi… Isso significa que essa pessoa gosta de mim?”

Depois de escrever, pareceu tão insignificante.

Para Alex, cada ação de Nathan era significativa. Cada ação de Nathan, diferente de antes, era assim. Mas, tirando o fato de segurar as mãos, colocar a boca no canudo que ele usou ou dar um presente que não era de aniversário eram coisas que poderiam acontecer entre amigos. Depois de escrever, pareceu ainda mais assim.

“Hum, é um amigo do mesmo sexo? Quer dizer, do mesmo fenótipo alfa, ou algo assim?”

Por algum motivo, Alex se sentiu culpado ao falar sobre fenótipos e deu uma resposta pela metade.

“É um homem.”

“Não sei bem. Homens não se importam em beber ou comer o que os outros usaram? Será que é só um preconceito meu? Fico na dúvida sobre a mão. Eu seguro a mão da Tina com frequência! Além disso, já vi muitos caras e garotas se beijando de brincadeira em festas quando estão bêbados.”

Vendo isso, sua confiança foi embora. Alex desistiu de pressionar as teclas da tela com um humor melancólico.

“É, provavelmente é isso mesmo.” Nathan sempre foi alguém que tinha certeza de si mesmo e, portanto, tinha gostos bem definidos. Ele não mudava de ideia facilmente. Não fazia sentido ele mudar de repente depois de dizer que não queria se relacionar com quem não fosse beta.

“Mas se for o Nathan que você está falando, acho que seria um pouco diferente.”

Com o nome aparecendo de repente, o coração de Alex deu um salto.

“Hã? Não. Não é o Nathan.”

Mas Jude ignorou e respondeu.

“O Nathan tem um certo distúrbio de limpeza, né? Ele é sensível e não gosta de compartilhar coisas com os outros. Se o Nathan coloca a boca em algo que outra pessoa usou, não deve ser porque ele gosta mesmo? Eu vi ele nunca comer o que a Jessica ofereceu e jogar fora.”

Ele não pôde negar. Seu corpo tremeu levemente. Algo grandioso o envolveu. “Talvez seja realmente verdade.” Embora pensasse que precisava se acalmar, Alex acabou não conseguindo esconder a alegria e sorriu sozinho. Com os dedos animados, respondeu a Jude.

“Obrigado.”

“Boa noite, Alex.”

“Você também.”

Ele não pôde seguir o conselho de Jude para ter uma boa noite de sono. A frase de Jude o deixou muito animado. O sono foi completamente embora.

Depois de largar o celular com cuidado, Alex se virou de lado. Viu o rosto de Nathan, adormecido, imóvel, com os olhos fechados. Erguendo o corpo com cuidado, Alex prendeu a respiração e agitou a mão sobre as pálpebras fechadas de Nathan. Parecia que Nathan estava realmente dormindo.

Observou em silêncio o rosto de Nathan banhado pela luz prateada da lua. Era bonito. Seus cabelos e cílios claros, tingidos de prata, pareciam prateados. Só de olhar para seu rosto, ele já se sentia feliz. Uma sensação de plenitude e alegria transbordava.

“Se só estar ao seu lado já é tão bom que eu poderia morrer, como seria se tivéssemos um relacionamento mais profundo?” Não conseguia nem imaginar. Como alguém que nunca viu o paraíso não consegue imaginá-lo.

No entanto, ele queria muitas coisas. Os desejos que ele escondia com medo de aumentar sua sede surgiam lentamente. Ele queria segurar a mão de Nathan mais, muito mais. Quando se tornasse adulto, queria ir a um pub com ele e, se fosse para beber, queria beber um gole do que Nathan estivesse bebendo. Queria ir ao cinema, viajar e, se morassem juntos…

Os sonhos se sucediam. Com os olhos brilhando de alegria, Alex ficou acordado a noite toda observando o rosto de Nathan. Era a maior felicidade.

Nathan devia estar muito cansado, pois ainda dormia às 8h da manhã. Pensando bem, era normal dormir até tarde nas férias. Mas Alex tinha treino de manhã. Ele se lembrou das palavras de David Mack enquanto estava deitado na cama. “Será que David Mack realmente pode interferir?”

Ao pensar em David Mack, uma parte de seu coração se sentiu pesada. Alex se levantou cuidadosamente para não acordar Nathan e saiu de casa o mais rápido possível. Como a distância entre a casa de Nathan e o estádio era considerável, mesmo indo agora, ele chegaria no limite.

Ao entrar na estação de metrô, o sinal do celular ficava fraco, então Alex parou na entrada e deixou uma mensagem para Nathan.

“Saí primeiro por causa do treino. Até mais.”

Parecia que eles estavam morando juntos.

Achando isso um pouco atrevido, Alex balançou a cabeça rapidamente. Como se estivesse afastando os pensamentos, ele desceu as escadas rapidamente.

Chegou ao campo no limite do tempo. Correndo rápido, Alex conseguiu chegar a tempo. E no vestiário estava Jenkins, o técnico do time juvenil. Jenkins, que começou sua carreira no Barnsley FC, um time de meio de tabela da primeira divisão, passou por clubes de desempenho semelhante por quase 20 anos antes de retornar. Como houve controvérsias sobre sua lealdade entre os torcedores quando ele foi contratado, ele era sensível em relação à sua posição.

— Atrasou.

Eram 9h da manhã, então ele estava atrasado. Alex abaixou a cabeça.

— Desculpe.

— No futuro, venha no horário. Vai ser apertado para se entrosar com o time principal até o início da temporada. É diferente dos garotos do time B. Você vai ter que se esforçar.

— O quê?

— Troque de roupa e suba.

Jenkins disse o que tinha que dizer e saiu do vestiário. Alex parou, com os olhos arregalados, olhando para suas costas.

David Mack cumpriu sua promessa. Em apenas um dia.

Incrédulo, ele ficou atordoado. Era algo que ele queria, mas não esperava. Alex aprendeu a desistir cedo. Se não criar expectativas, não há decepção. Foi por isso que ele rapidamente aceitou que sua mãe e seu pai não viriam assistir aos seus jogos. Por isso, ficou surpreso.

Ficou paralisado por alguns segundos, incrédulo, antes de se recompor e se trocar rapidamente. Seus passos enquanto corria para o campo de treino eram leves. Ficou animado ao pensar que poderia dar uma boa notícia ao pai. “Se eu me esforçar mais e me estabelecer assim, posso começar minha carreira profissional nos poucos minutos finais do segundo tempo.”

Alex imaginou coisas que não ousava sonhar, continuando a noite anterior. Um futuro onde ele namoraria Nathan, ou ele mesmo jogando na Liga dos Campeões, além da Premier League.

No campo de treino, o técnico apresentou Alex novamente aos membros existentes. Embora já se conhecessem, parecia diferente.

David Mack, que usava a camisa 9, piscou para Alex. Agindo com naturalidade, como se não tivessem tido um desentendimento, Alex também assentiu calmamente. Pensou que talvez ele fosse um cara melhor do que imaginava. Até teve uma lição de que não deveria julgar os outros pela opinião alheia.

O treino foi divertido. Embora fosse um time juvenil, formado por jovens que ainda não haviam estreado como profissionais, ele pensou que não haveria tanta diferença entre o time principal e o time B, mas era diferente. O passe de bola era mais fácil e o processo de se adaptar uns aos outros era muito mais suave. O treino, que às vezes parecia longo, terminou rapidamente hoje. O tempo voou. Embora seu corpo estivesse cansado, ele continuava sorrindo.

Depois de um bom banho, Alex se vestiu. A primeira coisa que fez foi verificar o celular. Havia uma resposta de Nathan.

“O treino foi bom?”

A resposta chegou por volta da hora do almoço. “Fofo. Ele acordou nessa hora?”

“Sim. Foi bom. Você almoçou, Nathan?”

A mensagem chegou poucos minutos depois. Ele guardou suas coisas e pegou o celular. A resposta estava lá. Isso também era uma das coisas que animava Alex. Como o tempo de resposta de Nathan havia mudado.

“Sim. Minha mãe acabou de chegar e fez para mim. Estava ruim.”

Pensando que um dia ele teria que provar para saber o quão ruim era, Alex guardou a mochila rapidamente. Quando estava prestes a sair com a mochila pendurada em um ombro, alguém o chamou. Era o zagueiro Kirk, com quem ele só havia conversado de verdade naquele dia. Ele correu em direção à saída, muito animado.

— Alex, cara, dá uma olhada lá fora!

— Hã?

— Nossa, que sorte a sua.

Não era só Kirk. Alex olhou para os outros membros do time que entraram atrás dele, sem entender. Empurrado pelas costas por eles, que insistiam para ele sair, Alex foi levado para fora do prédio, quase arrastado. Franzindo o cenho, viu David Mack esperando por ele no gramado.

E ao lado dele estava o garoto de cabelos castanhos que ele tinha visto da última vez. Se o que Liam disse era verdade, era seu irmão mais novo.

Ignorando os sussurros, Alex caminhou lentamente em direção a eles. Seu humor estava estranho. Ao se aproximar, sentiu um perfume doce vindo do garoto. Era a primeira vez que ficava tão perto de um ômega. Sentiu como se sua cabeça e seu corpo estivessem separados. Seu corpo ficou tenso sem controle. Isso aumentou sua irritação. Era como se estivesse sendo forçado a se sentir animado.

Quando Alex se aproximou com uma expressão carrancuda, David sorriu amigavelmente. Com um sorriso suave, ele colocou a mão nas costas do irmão, com uma voz muito gentil. Seus olhos brilhavam de amor. Era visível o quanto ele amava o irmão.

— Ian, você não tinha algo para dizer?

O garoto sorriu timidamente e olhou para Alex. Seus olhos verdes, combinando com seus cabelos castanhos que cobriam levemente sua testa, olhavam fixamente para Alex. O garoto, que segurava a roupa de David, parecia cerca de dois anos mais novo que Alex. Seu olhar, que estava em Alex, desceu e subiu novamente. Seus lábios rosados se abriram ligeiramente.

— Olá.

Sua voz era suave.

— Meu nome é Ian.

David olhou para o irmão com ternura e então ergueu a cabeça e encarou Alex. Seus olhos sorridentes pareciam gentis, mas de alguma forma…

— Eu, já gosto de você há muito tempo.

“Ele sentiu um calafrio.”

— Se não se importa, você se tornaria meu namorado?

Assim que as palavras terminaram, um coro de gritos irrompeu. Como se o resultado já estivesse decidido antes mesmo da resposta de Alex.

Alex olhou para o garoto, atordoado. Suas bochechas coradas diziam uma verdade dolorosamente clara. Os sentimentos de alguém, que eram tão difíceis de entender quando se olhava para Nathan, eram agora brutalmente evidentes. A pessoa realmente gostava de Alex.

Ele desviou lentamente o olhar. David o observava fixamente. Embora estivesse de boca fechada, Alex tinha certeza do que David queria dizer.

“Esse era o seu “favor”.”

Seu sangue gelou. Sem saber o que dizer, Alex olhou para o rosto do garoto, Ian. Ao ver sua expressão animada de expectativa, Alex o viu se sobrepor a alguém. Pensou que talvez a forma como ele olhava para Nathan fosse assim.

E ele também sabia o quanto seu coração era sincero quando olhava para Nathan. Alex tinha que decidir agora como lidar com esse sentimento.

“Seria mais fácil se eu não soubesse o que é gostar de alguém.” Talvez pudesse machucar sem se importar ou aceitar sem se importar. Mas Alex tinha medo de desmoronar a expressão animada de Ian. Olhando nos olhos de David, que o observava, sentiu uma pressão sufocante.

“Não era um favor simples.”

“Quem é você para decidir meus sentimentos?”

A resposta já estava decidida. Alex Yeon gostava de Nathan White. Embora não soubesse a profundidade de seus sentimentos, se pudesse chamá-los de amor, certamente era assim.

Mas, ao mesmo tempo, Alex sentiu os olhares ao redor. Cercado por mais de dez pessoas, os olhos de Ian esperando sua resposta à confissão também estavam ali.

Ele pensou no que o garoto sentiria se fosse rejeitado ali. O momento que deveria ser privado e íntimo havia se tornado um espetáculo. Ele não queria contribuir com aquilo.

— Então, eu…

Com a voz embargada, Alex conseguiu falar. Sabendo o quão surpresa sua expressão devia parecer para quem recebia uma confissão, ele se esforçou para se recompor.

Se o rejeitasse, era óbvio o que aconteceria. O garoto à sua frente ficaria magoado. Alex sabia o quanto essa dor doía. Lembrou-se de Nathan dizendo “desculpe”. Em vez de “obrigado”, ouvir “desculpe” lhe causou uma tristeza indescritível.

— Obrigado por gostar de mim.

Então, primeiro agradeceu. Mesmo ao dizer isso, sua cabeça estava confusa. Queria agarrar alguém e perguntar: “O que eu faço agora? O que é a coisa certa a fazer?”

“Por favor, me diga qual é a resposta certa.”

Os olhos verdes de Ian se encheram de expectativa. Ao vê-lo piscar, Alex pensou em Nathan apenas por causa da cor verde de seus olhos. Infelizmente, Alex e Nathan não eram nada. Ele só pensava que poderiam ser algo. Então, se aceitasse a confissão de Ian aqui, não estaria errado. Ele queria acreditar nisso.

Se recusasse o pedido de David, não conseguiria ter este lugar que tanto queria, nem o futuro garantido, nem a alegria do pai. “Estou sendo extremamente egoísta por pensar assim?” A tristeza surgiu. “O que é o certo? Isso está realmente errado? Não posso ter um pouco de paz?”

— Mas, você pode me dar um tempo para pensar?

Apesar de pensar assim, Alex não conseguiu aceitar a confissão. Embora sua mente dissesse que não custava nada aceitar, era assim. Mesmo sentindo instintivamente que muitas coisas seriam mais fáceis se aceitasse a confissão.

A expressão de David se distorceu momentaneamente. Virando ligeiramente as costas para quem assistia, sua expressão era visível apenas para Alex. Ian corou as orelhas ao ouvir “Ah”. Parecia surpreso. Um sentimento de culpa surgiu.

— Sim, claro. Eu, quer dizer, desculpe. Acho que não deveria ter vindo.

O rosto do garoto ficou um pouco vermelho, como se fosse chorar. Alex, com o coração aos pulos, estendeu a mão sem pensar. “Não, não se desculpe.” Dizendo isso, ele tocou levemente o ombro de Ian. Ao mesmo tempo, David virou a cabeça e gritou para o time de futebol, com um sorriso no rosto:

— Ele disse que aceita.

Com essas palavras, os olhos de Ian e Alex se voltaram para David. Gritos de comemoração vieram de trás. Alex agarrou o braço de David com força, com uma energia cortante. Olhando ao redor por causa de Ian, ele falou em voz baixa, bem perto do rosto de David:

— Que besteira é essa?

Sentindo o feromônio agitado de forma incomum, Ian olhou para Alex e David alternadamente, com olhar preocupado.

— Ian, entre.

David forçou um sorriso e esfregou o ombro de Ian. Alex conteve sua fúria e agarrou o braço de David como se fosse quebrá-lo. Se pudesse, quebraria e ainda não seria o suficiente. Estava com muita raiva. Isso não era algo para se fazer com Ian nem com ele.

— Ande.

Ian, que parecia surpreso, olhou para Alex uma vez e, com um leve aceno de cabeça para Alex, se afastou cuidadosamente. Assim que Ian saiu, Alex puxou David pelo braço com força e o arrastou para dentro. Os que o parabenizavam sem noção, mesmo vendo o clima tenso entre os dois, continuavam rindo como se não percebessem. A situação era absurda.

Assim que entraram no vestiário, Alex largou a mochila e empurrou David contra a parede. Mas David não ficou parado. Ao contrário, ele afastou o braço de Alex e agarrou seu colarinho. Sua camisa esticou. Seu rosto, que antes sorria, ficou frio.

— Está brincando comigo agora?

— Quem está brincando? Por que você disse aquela besteira lá fora? Eu não aceitei nada.

Alex conteve a vontade de gritar. Estava tão irritado que sua cabeça estava dormente.

— Sua resposta ali deveria ter sido “sim”. Você não vai dizer que não sabia que esse era o meu pedido?

— Droga, Mack! Se era esse o pedido, desde o início eu não teria aceitado suas condições!

Sua voz acabou ficando alta. Ele estava frustrado ao ponto de enlouquecer. Os feromônios colidiram violentamente.

— Qual é o problema?

O rosto de David Mack se acalmou em um instante. Embora seus feromônios ainda estivessem agitados, sua expressão era fria. Alex alisou o cabelo e falou com uma voz reprimida:

— Isso é sobre os sentimentos de uma pessoa.

— Você disse que não estava namorando ninguém. Está dizendo que meu irmão não é bom o suficiente para você? Ele gosta de você há mais de um ano. Só ficava olhando porque não tinha coragem de se confessar. Eu só o ajudei porque achei que ele ia sofrer sozinho se eu não interviesse.

Alex ficou sem palavras por um momento. Aproveitando a brecha, David o pressionou:

— Ian é um garoto bom e adorável. Ele é mais do que você merece, Alex Yeon. Qual é a razão para querer recusá-lo?

O nome de Nathan ecoou dentro dele. David olhou para Alex, como se estivesse avaliando algo, e deu uma risada sarcástica. Depois de um xingamento baixo, ele apertou a mão que segurava o colarinho de Alex.

— Não me diga que é por causa daquele maldito Nathan White? Você realmente gosta daquele cara que nem é ômega?

— Não é da sua conta.

— Não é da minha conta? Você vai se tornar namorado do meu irmão, e não é da minha conta?

— Você está louco? Eu disse que não! Me escute!

Alex soltou o pulso que segurava seu colarinho com força. Usando o corpo como quando disputava a bola em uma partida, ele empurrou David. Colocou tanta força que suas pernas quase explodiram. Seus músculos tremiam de raiva. Ele começou a entender o que significava “ver estrelas”.

— Minha mente está tão sã que é impressionante. Escute bem, Alex Yeon.

David se soltou e se endireitou. Seu dedo cutucou o peito de Alex.

— Você é mediano. Não tem dinheiro nem é o melhor. Você só está aqui agora por causa da minha ajuda, sendo quem você é. Meu pedido é um só. Se recusar, é claro que este lugar não será mais seu. Porra, você vai recusar meu irmão porque gosta de um beta? Quem você pensa que é para recusar o meu pedido?

Alex afastou o dedo de David. Ofegante, ele encarou David. Com o rosto confuso, Alex interpretou as palavras de David. Não sabia se ele estava irritado por recusar o irmão ou por não obedecer prontamente. Ele sentiu um arrepio.

— Isso é doença. Não é normal namorar um beta. Por que você acha que existem alfas e ômegas? Dou uma semana para resolver isso. Ha, sério, nunca vi um idiota tão grande.

Dessa vez, foi a vez de Alex rir sarcasticamente. Olhando para David, que falava como se tivesse vantagem, Alex se virou. Não valia a pena lidar com ele. Ele era louco. Alex se sentiu idiota por ter pensado por um momento que ele era melhor do que imaginava.

— Se você for agora, eu não vou ficar parado.

David falou em voz baixa, pelas costas de Alex, que se preparava para sair. Algo ferveu dentro dele.

— O que você vai fazer?

Alex olhou para David com olhos furiosos. David ajeitou suas roupas desalinhadas e suspirou longamente. Depois de fechar e abrir os olhos, ele recuperou o sorriso.

— Uma semana. Saia com Ian no sábado. E diga ao meu adorável irmão que você quer ser namorado dele.

Não houve resposta à ameaça. Alex balançou a cabeça e pegou a mochila do chão, como se não valesse a pena ouvir mais. Perder tempo com ele era um desperdício. Sua cabeça estava quente. Com os olhos vermelhos de raiva, ele enxugou o rosto e respirou fundo.

Deixando David Mack para trás, ele saiu do vestiário e subiu as escadas. Viu os companheiros de equipe correndo no gramado, rindo sem pensar.

Não, eles não eram mais seus companheiros. Ele voltaria para o time B, então eles eram de outro time.

Passou a língua nos lábios secos e amargos. Estavam amargos. Segurando firmemente a alça da mochila com as mãos trêmulas, Alex saiu do estádio.

Lembrou-se de dois anos atrás, quando fez o teste de admissão por insistência do pai. E de si mesmo quando era mais novo, feliz jogando rúgbi na escola. “Onde foi que começou a dar errado?” “Talvez esteja errado desde o momento em que nasci.”

Saindo do campo de treino, Alex parou na rua. Sua sombra se estendia longa a seus pés, enquanto ele ficava ali parado. Olhando para aquela forma ridícula, Alex baixou lentamente a cabeça. Uniu as mãos em concha e cobriu o rosto.

Parecia que havia se perdido. Tinha medo de perguntar ao pai se podia mudar de time. Era doloroso ouvir seus olhos decepcionados e seus gritos falando sobre a morte. Seus passos eram pesados, como se estivesse caminhando sem fim em uma estrada sem destino.

As vozes que ouvia inúmeras vezes, dizendo que ele, sendo alfa, não conseguia fazer aquilo, ecoavam em sua cabeça. Os gritos de David dizendo que os alfas deveriam ficar com ômegas, e quem não faz isso não é normal… O rosto de Ian olhando para ele como se fosse chorar…

“Não era para aceitar as condições desde o início.”

“Não, era só…”

Alex abaixou as mãos. Com o rosto sem forças, olhou para frente. As pessoas caminhavam. Pessoas que sabiam para onde iam passavam por ele. Mas Alex não tinha para onde ir. Pensou em Nathan, mas tinha medo de falar sobre isso. Parecia que falar sobre Ian era um crime. Como se estivesse traindo Nathan.

“Ridículo. Ainda somos apenas amigos.”

Tentando forçar um sorriso vazio nos lábios, Alex logo apagou a expressão e começou a andar em direção ao ponto de ônibus.

Suas costas, enquanto caminhava sozinho, pareciam tristes, como alguém sem lugar para ir.

Nathan observou o celular virado sobre a mesa, ao lado de seus livros, e desviou o olhar para o relógio. Eram 14h. Apoiando o queixo na mão, ele finalmente estendeu a mão para o celular.

Fazia dois dias que não tinha contato com Alex.

Enviar mensagens ou ligar primeiro não era seu estilo. Ele preferia contatar quando necessário e, se sentia saudades, preferia ver a pessoa. Na escola, eles se viam todos os dias, então não havia necessidade.

No entanto, com as férias e os treinos de Alex, não era tão fácil. Nathan percebeu, de forma nova e óbvia, que era sempre Alex quem o contatava primeiro. Ele já sabia disso, mas só agora realmente sentia.

Exatamente desde que começou a achar Alex “legal”.

Olhar para o celular, esperando uma mensagem que não chegava, era algo novo para Nathan. Ele sentia falta das mensagens que costumavam chegar. Antes, não se importava se ficassem uma semana sem se falar, mas agora era diferente.

E essa experiência era a primeira na vida de Nathan. Nem com as namoradas ele se lembrava de sentir isso. Porque nunca sentiu falta.

“Será que aconteceu alguma coisa?”

Ele vinha pensando nisso desde ontem. O rosto que viu anteontem continuava vindo à mente. Ele sentia falta. Quando tocava o dorso da mão, lembrava-se da expressão de Alex, sem saber o que fazer. Lembrava-se também do perfume suave que se espalhava suavemente ao seu lado.

Embora estivesse de olhos fechados, Nathan ouviu Alex mexer ao seu lado a noite toda. Ele conteve um impulso repentino. Queria abraçá-lo. Só queria estender os braços e senti-lo, enterrar o nariz em sua nuca e sentir seu cheiro, na esperança de talvez detectar o feromônio de Alex, que ele não podia sentir.

Para conter esse desejo, Nathan fechou os olhos silenciosamente. Só conseguiu dormir de madrugada. Acho que foi porque ficou pensando como Alex, que não parava de se mexer, era fofo, e isso o deixava tenso.

Queria ver seu rosto quando acordasse, mas Alex havia desaparecido. Alisando o cabelo levemente bagunçado, Nathan enterrou meio rosto no travesseiro e enviou uma mensagem. E aproveitando, leu todas as mensagens que haviam trocado, uma por uma.

Então, com vontade de ver seu rosto imediatamente, ele folheou as fotos no chat do grupo. “Era fofo.” Embora tivesse um rosto bonito, a palavra “fofo” combinava mais. Como um cachorro. Mas Nathan não gostava particularmente de cães ou gatos.

Hesitando com o celular na mão, Nathan discou o número. Embora não ligasse com frequência, ele se lembrava do número de Alex. A situação de contatá-lo primeiro era estranha. Mas era muito melhor ouvir a voz de Alex.

Colocando o celular no viva-voz, ele tirou a mão do queixo. Sem saber por quê, ficou tenso e se endireitou, passando os dedos no livro de exercícios que estava resolvendo. O sinal tocou por um longo tempo. Alex atendeu quando estava prestes a desligar automaticamente.

“Não é hora de treino?”

Pensando isso, Nathan já estava sorrindo levemente.

— Olá.

— Nathan?

Uma voz um pouco surpresa foi ouvida. Nathan fechou os lábios lentamente.

— Posso ligar?

— Ah, sim. Aconteceu alguma coisa?

Alex ainda parecia surpreso. Provavelmente porque Nathan nunca tinha ligado primeiro.

— Não.

Houve um momento de silêncio. Ouvindo a respiração baixa, Nathan falou novamente.

— Porque estava com saudades.

“Isso… foi um pouco demais?” Dito sem hesitação, Nathan pensou depois. Mas esse era o motivo. Nathan não tinha o hábito de se alongar.

— De, de mim?

— Sim.

— Eu também… senti.

“Ah, de novo.” Nathan pressionou o peito com uma sensação difícil de distinguir entre dor e cócegas. Sempre que ouvia essas palavras, uma pontada percorria suas costelas. A sensação era estranha, então Nathan fechou os lábios por um momento. Algo o oprimia. A saudade aumentou.

— Esteve ocupado?

— Não exatamente…

A voz ao responder parecia um tanto melancólica. Nathan baixou os cílios. Mesmo sendo indiferente aos sentimentos alheios, ele sempre percebia a tristeza de Alex. Provavelmente porque o rosto choroso do primeiro dia em que se conheceram ficou gravado em seu coração. Embora não soubesse tudo o que se passava na cabeça de Alex, se prestasse atenção, conseguia perceber algumas coisas.

Para Nathan, isso era o máximo. Perceber que a voz um pouco abatida como agora continha alguma preocupação. Ele podia imaginar que expressão Alex estava fazendo. Mas não conseguia adivinhar o conteúdo.

— Conte-me.

— Não, não é nada.

A respiração ouvida pelo telefone tremia um pouco.

— Alex.

Ele o chamou calmamente pelo nome.

— Nathan, se eu… se eu cometer um erro… você vai me perdoar?

Nathan pensou por um momento. “O que poderia ser um erro?” Dois tipos. Algo relacionado a Nathan ou não. Não conseguia imaginar nada específico. Nathan pensou cuidadosamente. Não tinha certeza. Mas parecia que não haveria motivo para odiar ou se decepcionar com Alex. Ele não queria.

— Sim.

— Espero que sim.

Alex não disse mais nada. Sua voz ainda soava triste. Isso o incomodava. “Queria que ele estivesse feliz em vez de triste.” Alex sempre parecia radiante na sua frente, então Nathan desejava que ele fosse sempre assim quando estivesse com ele.

“O que devo fazer?” Franzindo levemente o cenho, ele esfregou a testa. Seus dedos brancos tocaram a testa lentamente e caíram.

— Está ocupado hoje?

— Hoje? Não, tudo bem.

— A que horas você treina amanhã?

Alex hesitou com a palavra “treino”. Então, com uma voz hesitante, ele disse:

— Por volta do meio-dia.

“Então deve dar certo.” Nathan pensou por mais alguns segundos. Embora não se lembrasse de ter ficado nervoso ao fazer uma apresentação ou fazer algo sozinho pela primeira vez, essa proposta boba que estava prestes a fazer o deixava muito tenso. Mordendo os lábios, que estavam mais rosados que o normal, e soltando, ele falou:

— Então, quer sair comigo hoje?

Dinheiro nunca foi um problema. Seu irmão ganhava bem e, antes mesmo de se casar com sua namorada, sempre tentou sustentar a casa com fartura. Ele podia ir agora e voltar no último trem.

— Comigo?

— Com você.

Dessa vez, Alex pareceu surpreso novamente e, finalmente, respondeu com cuidado:

— Sim, quero.

Sua voz estava mais animada do que antes. Com essa diferença sutil, Nathan sorriu com os olhos brilhando. Seu humor mudava de uma forma que até ele achava estranha. Embora essa mudança curiosa fosse estranha, ele não se importava. Enquanto sorria, com os lábios suavemente curvados, ele disse lentamente o local:

— Te vejo daqui a duas horas na estação Victoria.

— Certo. Até mais, Nathan.

Nathan não desligou primeiro. Alex pareceu um pouco surpreso com a ligação que não era encerrada.

— Não vai desligar?

— Sim.

“Parece uma palavra que penso com frequência… mas…” “Era fofo.”

— Desligue você primeiro.

Alex inspirou fundo. Então Nathan quis ver seu rosto. Queria ver sua expressão de surpresa ou hesitação com seus próprios olhos. Alex gaguejou e continuou:

— Tchau…

A ligação foi encerrada depois de alguns segundos. Soltando uma risada baixa, Nathan se levantou da mesa. Embora ainda tivesse tempo até o encontro, seu coração estava acelerado.

Havia muita gente na estação. Observando os teatros onde musicais eram apresentados, os táxis pretos enfileirados e os ônibus vermelhos passando, Nathan entrou na estação de trem. Era a primeira vez que pegava um trem sozinho.

Olhou calmamente ao redor. Havia supermercados de marcas, livrarias e lojas que vendiam sanduíches de baguete.

Olhando para a entrada do metrô, Nathan se moveu. Caminhou lentamente, tentando adivinhar a direção de onde Alex viria. Poderia ligar, mas um pensamento estranho lhe ocorreu.

Queria encontrar Alex sem dizer nada, como quando encontrou Alex esperando por ele no metrô. Queria ver seu rosto, que olhava para outro lugar, se voltar para ele e se iluminar. Embora seu rosto fosse marcante, a palavra “iluminar” combinava.

“Onde você estará?”

Lembrou-se do seu andar calmo e sem pressa. Seu olhar ligeiramente voltado para o chão, seus cabelos castanho-escuros, nem curtos nem longos, caindo sobre a testa, seus dedos segurando a mochila. Pensando nisso, Nathan caminhou para o centro da estação.

Parado entre as pessoas que circulavam na estação ampla, Nathan olhou para um ponto específico. E, como num passe de mágica, encontrou Alex. Sua altura acima da média era boa nessa hora. Porque conseguia encontrá-lo rapidamente. Só nessa hora. Em outras situações, não gostava nem um pouco.

Pensando assim, Nathan parou. Observou Alex se aproximar. Enquanto ele se aproximava, Nathan esperou, pensando que talvez ele passasse sem vê-lo. Finalmente, no momento em que ele estava prestes a passar, Alex ergueu a cabeça, como se estivesse assustado. Seus olhos se encontraram.

Dizem que alfas e ômegas podem sentir a presença um do outro apenas pelos feromônios. Nathan não conseguia sentir o cheiro de Alex de forma especial entre aquelas inúmeras pessoas. Mas conseguia reconhecê-lo. “Se não posso sentir o feromônio, então basta gravá-lo ainda mais em meus olhos. Para que eu possa vê-lo mesmo sem isso.”

Pensou muito.

Era a primeira vez que pensava que gostava de alguém. Gostava de Alex. Queria acreditar que a forma como Alex agia com ele era exclusiva. E… pensava assim.

Nathan ainda não tinha ideia do que era namorar alguém que não era beta. Então pensou muito. Como fazer com que Alex se sentisse confortável nessa relação.

Quanto ao cio, ainda não… essas coisas, ele não sabia. Mas queria se esforçar para que, algum dia, nem isso importasse, para que não se preocupassem com fenótipos que não podem ajudar um ao outro.

— Esperou muito?

Seu rosto, que antes estava melancólico, lentamente se iluminou. Alex se aproximou rapidamente e perguntou hesitante, olhando para Nathan. Os cantos de seus olhos, que antes eram puxados para cima, se suavizaram. Nathan balançou a cabeça em resposta.

— Não. Eu também acabei de chegar.

— Ainda bem.

Com um sorriso tímido, Alex perguntou com cuidado:

— Posso perguntar para onde vamos?

Nathan olhou para Alex em silêncio e então estendeu o ingresso. Alex pegou o ingresso laranja que Nathan havia comprado com antecedência.

— Vamos ver o mar.

Olhando para o nome Brighton escrito, Alex olhou para Nathan incrédulo.

— Sério?

— Sim, você disse que nunca viu direito.

— Não sabia que você se lembrava.

Segurando o ingresso com cuidado, Alex sorriu. Seu rosto foi se iluminando gradualmente e, em seguida, Alex fez aquela expressão de sempre. Mordendo os lábios para conter um sorriso tímido.

— Quanto foi?

— Tudo bem.

— Não, eu pago. Você tem me dado muitas coisas.

— Então me compre qualquer coisa lá.

Dizendo isso, Nathan estendeu a mão que não segurava o ingresso. Alex piscou.

— Vamos.

Alex não segurou a mão e apenas olhou para Nathan em silêncio. Ao contrário das últimas semanas, quando ele hesitava, mas sempre pegava a mão quando Nathan a estendia, agora ele ficou em silêncio. Com uma expressão estranhamente assustada, Alex lentamente estendeu a mão. O coração de Nathan doeu. Sentiu algo estranho.

“Deveria ter confessado logo.”

Lembrando-se daquela noite, Nathan olhou para a mão que segurava. Embora achasse que Alex também gostava dele, como ainda não tinha certeza, Nathan fez aquela pergunta. E agora se arrependia um pouco.

— Sim, vamos.

Mas a sensação estranha que o incomodava desapareceu lentamente quando Alex sorriu e apertou sua mão. O alívio veio. Nathan percebeu de repente que aquela sensação era a ansiedade pela rejeição. Assim que pensou nisso, apertou a mão entrelaçada.

— É a plataforma 3.

“Está tudo bem.”

Nathan pensou calmamente.

“Se não falei naquele dia, posso falar hoje.”

Observando Nathan caminhar primeiro pelo corredor estreito, Alex baixou o olhar. Seus olhos se fixaram na mão segura. A área de contato estava quente, como se estivesse grudada. Apertou a palma da mão levemente suada e, de repente, virou a cabeça.

Seus olhos se encontraram com os de alguém que o olhava. Era um ômega que parecia um pouco mais velho do que ele. Com os olhos arregalados, aqueles olhos castanhos o observavam, e Alex desviou rapidamente o olhar. As palavras de David Mack passaram por sua mente.

— Isso é doença.

Sentiu um enjoo. Inconscientemente, afrouxou o aperto na mão que segurava. Mas Nathan não o soltou. O olhar do ômega que acabara de ver e as palavras de David Mack se sobrepuseram e desapareceram. Independentemente de saber que suas palavras estavam erradas.

Depois do atrito com David, Alex não foi ao treino por dois dias. Disse ao técnico que eram problemas familiares. O técnico Jenkins ainda não tinha dito nada, talvez porque ainda não tivesse contatado seu pai. Ficou em casa, com o coração pesado. Ignorou o pai, que apareceu de repente, bebeu e quase quebrou os móveis, e ficou preso em seus próprios pensamentos no quarto.

Embora David fosse um louco inesperado, Alex nunca tinha ouvido ninguém dizer que um alfa poderia se relacionar com outro fenótipo. Nem ele mesmo pensava assim, por isso nem sonhava em confessar. Ele apenas gostava de Nathan, mas nunca pensou seriamente em namorar um beta.

“Por que Nathan de repente começou a gostar de mim?”

Por mais que pensasse, não havia motivo para ele gostar de Alex. Não era bonito a ponto de ignorar o fenótipo, nem tinha dinheiro ou era divertido. Às vezes, ele se sentia frustrado com sua própria falta de jeito.

Seu futebol não era bom o suficiente para entrar no time principal, e ele não estudava bem como Nathan. Se não houve nenhuma mudança em Nathan até agora, a razão para ele gostar de Alex seria… “Será que é porque ele sabia que eu gostava dele?”

Enquanto estava perdido em pensamentos, Nathan parou em frente a um assento perto da janela. Com o rosto impassível, ele olhou para Alex.

— Vamos sentar aqui?

— Eu gosto.

— Onde você quer sentar?

Sua voz, que parecia seca à primeira vista, era bastante gentil. Com aquela gentileza, Alex sentiu vontade de chorar.

— Não me importo.

Nathan olhou para ele em silêncio.

— Tem certeza?

Alex assentiu. Nathan ficou em silêncio por um momento e depois se afastou, como se pedisse para Alex sentar perto da janela. Alex hesitou, mas sentou-se. Quando estava prestes a soltar a mão, Nathan a segurou. “Hã?” Alex pensou e virou o rosto, mas Nathan sentou ao seu lado em vez de se sentar à sua frente. Mesmo em meio à tristeza, seu rosto ficou quente com esse fato. Suas orelhas queimaram e ficaram vermelhas.

O trem partiu pouco depois. Alex olhou pela janela e observou o trem deixar os trilhos. Já havia andado de trem. Quando era criança, ia para os arredores. Mas era a primeira vez que ia sozinho com alguém. E com Nathan, mais do que merecia.

— Desculpa.

Nathan disse de repente. Alex se assustou e olhou para o lado.

— Por quê?

— Não comprei nada para beber ou comer.

Com essas palavras, seus olhos arderam. Por um momento, ele ficou sem palavras e, com uma expressão indecisa, balançou a cabeça.

— Você disse que não demora.

— É. Mas é a primeira vez que andamos de trem sozinhos.

O calor que vinha da mão entrelaçada aqueceu seu interior. Por causa de Nathan, Alex passou dois dias pensando se realmente deveria namorar Ian. Pensou em tudo, a ponto de se perguntar se podia ser tão egoísta.

“Não precisa namorar por muito tempo, talvez um breve encontro seja bom para ambos. Nathan teve muitas namoradas, e ele não me confessou nada…”

Quando estava pensando nisso, Nathan ligou. Ao ouvir sua voz calma, Alex se sentiu enojado com seus próprios pensamentos. Odeiava a si mesmo por ter criado aquela situação ao fazer uma escolha errada. Não era para ter aceitado a proposta de David para ter algo que não merecia.

— Nunca fiz isso antes, então não sei direito.

Nathan disse isso e desviou ligeiramente o olhar. Embora parecesse improvável, ele parecia envergonhado.

— Da próxima vez, vou me preparar.

Um sentimento de culpa surgiu. Nathan falando em “próxima vez” parecia realmente gostar dele.

— Não, eu preparo.

Nathan sorriu levemente com essas palavras. Assentiu, apoiou o queixo na mão e olhou para Alex. Com ele o olhando diretamente nos olhos, Alex apertou os lábios. Sentiu vontade de se desculpar, sem saber pelo quê. A palavra “desculpa” rondava sua boca e desaparecia. Então ele desviou o olhar para a mão firmemente segura. Ao vê-la, seu coração inquieto se acalmou. Tomou uma decisão.

“Vou recusar Ian. É o certo.”

E parecia melhor mudar de time. Talvez houvesse mais oportunidades em outro lugar, e havia a possibilidade de seu pai entender se ele explicasse. Provavelmente levaria alguns golpes, mas seria melhor para sua consciência.

Menos de uma hora depois, eles chegaram a Brighton. Saindo da estação de trem, que ficava no ponto mais alto da cidade, e olhando para baixo, seu humor melhorou instantaneamente. Os prédios eram mais baixos e a cidade era menor do que Londres. O sol estava radiante.

Eles começaram a descer lentamente a ladeira íngreme. O céu à frente era vasto e transparente, como um mar invertido. Alex sorriu sem perceber.

— Vamos primeiro para a praia?

Nathan, que caminhava calmamente ao seu lado, disse. Como um sorriso escapou naturalmente, Alex falhou em esconder sua animação. Nathan olhou para seu rosto e sorriu com os olhos brilhando.

— Podemos?

O vento era diferente. O vento salgado tinha um cheiro e uma densidade diferentes dos de Londres. Nathan puxou a mão que eles haviam segurado o tempo todo. Alex o seguiu, como se estivesse correndo atrás de Nathan, que caminhava lentamente. Uma risada baixa ecoou entre eles.

Eles pararam no Morrison’s para comprar sanduíches e bebidas para comer na praia. Dessa vez, Alex timidamente disse que pagaria, e Nathan assentiu.

Enquanto Nathan escolhia os sanduíches, Alex olhou ao redor. Como de costume, procurava itens em promoção e parou em frente à seção de chocolates. Verificou o preço. O saco redondo de Maltesers custava apenas £1. “Não custa nada comer hoje.” Pensou, mas então desistiu. Não era caro, mas não havia necessidade.

— Quer comer isso?

Quando Alex ia se virar, Nathan o impediu. Com a cesta de compras com sanduíches, água e suco, Nathan se aproximou. Alex, surpreso, balançou a cabeça rapidamente.

— Não!

Os olhos de Nathan se estreitaram. Alex hesitou e pegou a cesta de Nathan com cuidado.

— Já escolheu tudo? Vou pagar.

Como se estivesse mudando de assunto, Alex se virou. Observando Alex ir na frente como se estivesse fugindo, Nathan não o seguiu imediatamente. Depois de pagar, Alex ficou na entrada com o saco nas mãos e olhou ao redor. Nathan havia desaparecido de repente.

Enquanto pensava se deveria ligar, Nathan caminhou lentamente do caixa automático. Alex arregalou os olhos ao ver a caixa grande de Maltesers em sua mão. Sua nuca ficou vermelha. Muito envergonhado, Alex fez uma careta.

— Vamos.

— … Eu não queria comer isso.

— Sim, certo.

Nathan deu de ombros. Alex acrescentou mais uma vez.

— Sério.

— Comprei para eu comer.

Dizendo isso, Nathan não tinha mais o que dizer. Nathan olhou para ele em silêncio, como se perguntasse se estava tudo bem, e então estendeu a mão. Depois de hesitar, Alex a segurou silenciosamente. Sua vergonha de ter sido pego no pulo desapareceu assim que saíram do supermercado e viram a rua em descida.

Seguindo os ônibus que passavam buzinando, eles começaram a andar cada vez mais rápido, quase correndo. Quanto mais íngreme a descida, mais rápido andavam. Pequenas risadas ecoavam. Quando o mar começou a aparecer lentamente à frente, Alex estava correndo. O conteúdo do saco pendurado em seu pulso fazia um barulho de “tic, tic”.

Passando por casas coloridas de azul e amarelo, e becos de prédios de madeira elegantemente alinhados, eles pararam na estrada da praia. Depois de atravessar a estrada, o píer estava bem na frente. As gaivotas brancas voando pareciam nuvens de penas.

— Uau, Nathan, olha aquilo.

Animado, Alex apontou para frente. O nome Brighton Pier estava na ponta de seus dedos, na ponte de madeira que se estendia pelo píer. No pulso, estava a pulseira branca que Nathan lhe dera. Nathan virou lentamente a cabeça e olhou para onde Alex apontava.

— Não tem aquilo.

— O quê?

— Uma roda-gigante como o London Eye.

— Tinha uma coisa dessas?

— Nas fotos tinha.

Nathan franziu o cenho, insatisfeito. Sua expressão era tão fofa que Alex riu suavemente e ergueu a mão para fazer um anteparo na testa de Nathan. A sombra sob sua palma cobriu os olhos de Nathan. Com a sombra em seu rosto, Nathan olhou para Alex por um momento.

— Queria andar naquilo?

— … Não.

Dizendo isso, Nathan olhou para frente.

— É só que achei que você ia gostar.

“Isso foi inesperado.”

Seu coração disparou de repente. Como se fosse explodir, Alex retirou a mão. Desviando o olhar rapidamente, Alex, sem saber o que fazer com a emoção que o dominava, conseguiu falar:

— … É, é mesmo.

Nathan inclinou a cabeça, olhou para ele e fechou a boca. Com uma expressão pensativa, seu rosto ficou impassível.

— É. Não tem jeito.

— Mesmo assim, deve ser divertido lá.

Alex acrescentou rapidamente. Nathan assentiu ligeiramente. Eles caminharam lentamente e, após o sinal abrir, foram para o píer.

Uma brisa salgada soprava suavemente. Os cabelos de Nathan se espalhavam e caíam repetidamente. Alex pensou que a cena parecia a luz do sol se quebrando e correu para Nathan, que estava sentado no seixo. E largou o saco.

Os sanduíches estavam um pouco amassados. Envergonhado por ter corrido animado, Alex pediu desculpas com uma voz baixa. Nathan riu e estendeu a mão para arrumar silenciosamente o cabelo de Alex. Enquanto seus dedos o tocavam, Alex ficou muito tenso e mexeu no saco sem motivo.

Os sanduíches já estavam mornos. Ele comeu os de ovo e frango em três mordidas. Então, observou Nathan comer o sanduíche escondido. Dobrando os joelhos e abraçando-os, Alex apoiou a bochecha nos joelhos. Os dedos brancos segurando o pão eram muito bonitos. Só de olhar, já era um banquete para os olhos.

Nathan, que comeu mais devagar que Alex, abriu a caixa de chocolates vermelha. Alex, que estava olhando para as crianças correndo no seixo, observou Nathan abrir o chocolate. Seus olhos se encontraram. Sem expressão, Nathan ergueu os dedos brancos e pegou um chocolate.

— Quer comer?

Alex, que quase assentiu sem pensar, lembrou-se de si mesmo uma hora atrás, quando disse que não queria, e recusou rapidamente.

— Hã? Não. Tudo bem.

— Certo.

Nathan levou lentamente o chocolate à boca. O chocolate desapareceu atrás de seus lábios claros e um pequeno som de mastigação ecoou. Olhando para aquilo como se estivesse hipnotizado, Nathan sorriu com os olhos semicerrados. Por um momento, Alex quase parou de respirar. Porque seus olhos, escondidos sob os cílios brilhantes, eram muito bonitos.

— Doce.

— É?

— É, não gosto.

“Mas ele gostou do chocolate quente da última vez.” Alex pensou e perguntou com cuidado:

— Não dá para devolver?

Nathan balançou levemente a cabeça e estendeu o chocolate para Alex.

— Você come.

— … É melhor?

— Você gosta de chocolate.

Parecia que havia algo estranho. Alex pensou assim, mas pegou a caixa de chocolate com cuidado. O cheiro doce se espalhou. Olhando de soslaio para Nathan, como se sondasse sua reação, Alex pegou um chocolate e o colocou na boca. O sabor forte e doce que se espalhava em sua língua fez seus lábios se curvarem.

Nathan olhou fixamente e, como se estivesse satisfeito, deitou-se no seixo. Depois de comer mais alguns chocolates, Alex também se deitou cuidadosamente ao seu lado. Estava feliz.

Eles cochilaram por cerca de 30 minutos. O cheiro do mar e do sol seco em suas narinas, o som das gaivotas preenchiam o ambiente. Quando sua pele, sem protetor solar, ficou vermelha, eles se levantaram e molharam os pés no mar. Brincaram na água e correram na praia por um bom tempo. Embora não fizessem nada demais, foi divertido.

Quando os sanduíches já haviam descido, eles subiram no Brighton Pier ao lado. Passando pelos restaurantes na entrada, o píer tinha brinquedos sem graça e uma sala de jogos. Havia muitos estudantes, crianças e famílias como eles. Ao contrário de quando costumava se sentir estranhamente solitário em meio a tantas pessoas, hoje não se sentiu sozinho. Com o rosto corado, Alex olhou para Nathan.

— Vamos jogar?

Como sempre, Nathan assentiu.

A sala de jogos da atração turística era incomparavelmente maior do que as pequenas fliperamas do centro de Londres. Olhando para os prêmios que podiam ser trocados por ingressos, Alex perguntou a Nathan. Depois de andar por uma hora, eles haviam acumulado muitos ingressos, e como Nathan havia lhe dado a pulseira de pulso, Alex queria dar algo a ele, mesmo que pequeno.

— Quer alguma coisa?

— Não.

“É claro.” Alex, desanimado, olhou para a lista de prêmios. Parecia que as garotas pediam bichos de pelúcia nessas coisas. Mas todos os prêmios eram brinquedos ou bichos de pelúcia, então, se ele não gostasse, não teria utilidade.

— Mas aquele ali é fofo.

Nathan disse de repente a Alex, que estava desanimado. Alex arregalou os olhos e olhou para frente. Na direção que Nathan apontava, havia um bicho de pelúcia de cachorro. Um bicho de pelúcia fofo que parecia um husky.

— Um bicho de pelúcia de cachorro?

— Sim.

Ele verificou o preço em ingressos. Era 500 pontos. Alex verificou rapidamente os ingressos que tinha. Exatamente 550 pontos. Seu rosto se iluminou.

— Então vou pegar aquele.

Nathan riu silenciosamente. Estendendo o maço de ingressos rosa, Alex pegou o bicho de pelúcia. O tamanho era adequado. Nem muito pequeno, nem muito grande, era um tamanho que tinha um certo peso ao ser segurado. Envergonhado por dar algo tão simples, ele se sentiu animado.

— Aqui está, Nathan.

— Obrigado.

Nathan o pegou silenciosamente. Alex ficou comovido na hora. Porque Nathan com o bicho de pelúcia era incrivelmente fofo e bonito. Ele quase chorou. Seu coração disparou. Não havia ninguém mais bonito que Nathan em qualquer lugar do mundo.

— Devo dar um nome?

Sabendo que era bobo, Alex perguntou a Nathan enquanto saíam da sala de jogos. O céu estava escuro. O mar, em contato com o céu onde o sol se punha, estava todo vermelho-escarlate. Nuvens roxas passavam lentamente. Pessoas iam para os pubs perto do píer para jantar.

— Já tem nome.

Nathan, surpreendentemente, concordou com Alex. E disse que até tinha um nome escolhido. Alex não conteve a curiosidade e perguntou.

— Qual é?

— Alex.

“Parece meu nome…”

— … Eu sou um cachorro?

— Sim.

Nathan disse como se fosse óbvio. Alex se perguntou se deveria considerar “parecer um cachorro” um elogio.

— É fofo.

Além disso, Alex achava que Nathan tinha um gosto um pouco estranho…

Ele nunca tinha ouvido que era fofo. Mesmo Alex pensando que “bonito” combinava mais com ele, “fofo” não parecia um elogio adequado para sua aparência. Mas não podia não gostar do que Nathan disse. Sem saber o que responder, Alex apenas assentiu, dominado pela vergonha.

Depois de sair do píer, eles caminharam pela praia sem destino. Já eram 21h. Embora soubessem que precisavam voltar para pegar o último trem, nenhum dos dois mencionou. Apenas o som de seus passos no seixo ecoava a seus pés. Ouvindo o som das ondas vindo e indo, Alex olhou para seus sapatos. Não queria voltar.

Tão feliz que mal podia acreditar, ele havia esquecido por um momento. A paisagem sombria de casa, seu pai, David Mack… tudo voltaria à realidade quando retornasse a Londres. Os problemas não resolvidos eram muitos.

Seu ânimo animado foi diminuindo gradualmente. Sentindo-se deprimido, ele se virou ligeiramente e olhou para trás. As luzes do píer brilhavam como flores desabrochando à noite, sob o céu escurecido. Observando a paisagem, Nathan parou.

— Alex.

Alex virou os olhos. Nathan o olhava fixamente. O local estava silencioso.

— Pensou na resposta?

“Ah.”

Seus olhos se arregalaram. Não esperava que Nathan trouxesse o assunto primeiro. Seu corpo tremeu. Com a tensão que o dominava, Alex apertou os lábios. Sentiu-se sufocado. Uma brisa fria passou por sua nuca. Embora não tivesse experiência, Alex sabia que esse era o momento que mudaria o relacionamento deles.

O medo o dominou por um momento. Mesmo gostando dele por tanto tempo, Alex nunca considerou a possibilidade de ter Nathan. Depois de um longo silêncio, Alex finalmente não aguentou mais e falou.

— … Pensei.

Nathan se aproximou. Lentamente, ele diminuiu a distância de cerca de dois passos. Seu tênis branco encostou na ponta do tênis de Alex. Tão perto que ele podia ouvir sua respiração. Como quando Nathan apoiou a mão no sofá, seu coração disparou.

— Me conte.

Nathan sussurrou baixinho. Seus cílios piscando eram como borboletas. Sua respiração tremia. Contendo a respiração que o sufocava, ele abriu lentamente os lábios.

— Você…

“Se eu disser em voz alta, nada poderá ser desfeito.”

— Gosta de mim?

Um suspiro que soava como um soluço escapou. Alex não sabia que expressão estava fazendo. Nathan ergueu a cabeça e olhou para ele fixamente. Sua mão branca subiu lentamente. Seus dedos tocaram sua bochecha. Seu rosto se aproximou gradualmente. Tão perto, tão perto, tão perto.

— Sim.

A resposta simples, como sempre, caiu. Mas Alex desabou com aquela voz calma. Apertou os lábios com força, incapaz de acreditar no que ouvia. Parecia irreal. Seus lábios, que estavam pálidos, quase sangravam. O dedo que tocava sua bochecha chegou lentamente aos lábios de Alex.

— Gosto de você.

Com o toque estranho em seus lábios, Alex se assustou e abriu a boca. Sua mente ficou em branco. A mão que tocava seus lábios deslizou suavemente para sua nuca. Alex não se moveu. Ficou paralisado, observando o que Nathan fazia.

— Muito.

A mão em seu pescoço apertou suavemente. Sem perceber, sua cabeça foi se inclinando lentamente. Não sabia o que aconteceria, mas Alex fechou os olhos. Uma respiração ofegante escapou. O vento soprou e, em seguida, algo tocou seus lábios. Algo macio e fofo.

O cheiro de Nathan se espalhou como se estivesse penetrando. O algo macio tocou levemente seus lábios e se afastou. Suas mãos tremeram. Ele ficou tonto. Seu sangue fervia e um zumbido ecoava em seus ouvidos. O toque macio voltou a encostar em seus lábios, repetindo um movimento de fricção leve. Sem conseguir sequer pensar em respirar, Alex manteve os lábios cerrados enquanto seus cílios tremiam.

E então, algo úmido lambeu seus lábios.

Diante da sensação tão nítida que lhe causou arrepios, Alex soltou um som baixo e abriu os lábios. Pelo choque, sentiu como se seu coração tivesse parado. Seus sentidos estavam confusos. Parecia flutuar e, ao mesmo tempo, sentir o corpo pesado como se estivesse encharcado. Estava tonto. Sentiu medo, como se pudesse morrer ali mesmo.

Quando a carne úmida penetrou entre seus lábios, Alex fechou os olhos com força e soltou um suspiro sofrido. A mão que segurava sua nuca apertou com mais força. Levou alguns segundos para Alex perceber que aquilo era uma língua.

O que antes roçava seus lábios agora lambia suavemente a língua de Alex. A sensação de língua tocando língua era tão estranha que Alex estremeceu, soltando um som abafado. Quando ele tentou recuar por instinto, a mão de Nathan o impediu. Ele foi segurado pela cintura. O desmoronamento foi instantâneo.

Balançando a cabeça, ele agarrou com força a roupa de Nathan. Sem se importar em amarrotar o tecido, ele apertou os dedos, segurando-se como se fosse uma tábua de salvação.

Quando a língua de Nathan tocou a parte inferior, úmida e escorregadia de sua língua, Alex soltou outro gemido. Era estimulante a ponto de fazê-lo perder os sentidos. Assim, suas línguas se misturaram.

Alex permanecia paralisado, sem saber o que fazer. A saliva que ele nem pensava em engolir acumulou-se nos lábios e escorreu pelo queixo.

A língua que explorava sua boca como se o saboreasse começou a provocar seu paladar suavemente. Uma cócega explosiva se espalhou, fazendo seu baixo ventre latejar. Alex atingiu seu limite com o calafrio que percorria sua espinha. Isso era estranho demais.

— Ah, hum, ha, haa…

Sentia-se tão emocionado que parecia que seu rosto iria explodir; era estranho e maravilhoso. Sentia vontade de chorar. Como se seu corpo não lhe pertencesse mais, Alex soltou a roupa de Nathan sem perceber. O calor atingiu seu corpo inteiro, como se um cio estivesse chegando.

Sentindo uma sensação de perigo, Alex empurrou Nathan com mais força do que pretendia. Sentiu que algo ainda mais intenso poderia acontecer. O fôlego que ele não conseguia recuperar finalmente explodiu. Ofegante, Alex recuou três ou quatro passos.

Seus olhos ardiam. Alex recuperou o fôlego e limpou os lábios com as costas da mão. Após limpar freneticamente a saliva que escorrera pelo queixo, ele olhou para Nathan com olhos marejados. Nathan o observava em silêncio. Como para confirmar que o que acabara de acontecer não era um sonho, os lábios de Nathan também estavam vermelhos e úmidos.

O silêncio reinou.

Somente após alguns segundos Alex percebeu que a situação poderia parecer estranha, já que parecia ter rejeitado Nathan. O pânico se instalou. Sua mente ficou em branco.

— E-então…

Não sabia o que dizer primeiro. Deveria responder à confissão? Ou explicar o que acabara de acontecer?

Se fosse o caso, teria que explicar que era seu primeiro beijo e as sensações estranhas que sentira. Era impossível. Estava tremendo tanto que seria incapaz de falar sobre o beijo. Alex sentiu pela primeira vez que, quando a alegria ou a emoção são excessivas, a sensação é de anestesia.

— Eu…

“Eu também gosto de você.” Alex tentou dizer, mas sua garganta estava tão apertada que ele se calou. Parecia que sua garganta estava encolhendo. Nathan continuava observando Alex. Esfregando a bochecha com força, Alex organizou seus pensamentos.

— Eu também gosto muito de você.

Ele disse apenas isso por enquanto. Depois de falar, sentiu-se um pouco atordoado. O que viria a seguir? Deveria pedir para namorar?

Mas Alex ainda tinha uma situação pendente. Ele se sentia como se estivesse traindo Nathan ao pedir para namorar sem ter recusado formalmente a confissão de Ian.

O rosto de Nathan, que estava estranhamente rígido, relaxou gradualmente ao ouvir aquelas palavras. Com uma expressão mais calma, ele se aproximou lentamente. Ele abriu os lábios devagar.

— Desculpe se te assustei.

— Ah, não, não foi isso.

— …Entendo.

Alex evitou o olhar, sem saber o que fazer. Estava muito envergonhado e sentia-se mal por Nathan. Sentia-se mal por não ter tido a reação esperada após um beijo, e por ter beijado Nathan sem ter resolvido a situação com Ian. Então, ao lembrar que os dois haviam se beijado, a vergonha voltou e ele baixou totalmente a cabeça.

Foi seu primeiro beijo.

Ele teve seu primeiro beijo com Nathan.

Ao pensar nisso, era impossível manter o contato visual. Parecia que fogos de artifício explodiam em sua cabeça.

— Sabe, Nathan…

Nathan respondeu após uma pausa.

— Sim.

Era melhor não olhar para o rosto dele. Com medo de que suas pernas perdessem as forças após o beijo, Alex tencionou o corpo e expressou seus pensamentos. Queria pedir Nathan em namoro somente após resolver as coisas com Ian. David também o incomodava.

— Podemos conversar direito no sábado?

Após um silêncio ainda mais longo que o anterior, Nathan respondeu:

— Sim, vamos fazer assim.

— Certo. Obrigado.

Queria olhar para ele, mas como o tremor não passava, Alex falou olhando para outro lugar. Se seus olhos se encontrassem, temia ficar tão envergonhado que sentiria vontade de fugir. O silêncio perdurou. Somente após o som de uma gaivota ser ouvido ao longe, Nathan disse calmamente:

— Vamos voltar agora.

Sua voz soava como o habitual.

Nathan permaneceu em silêncio durante todo o caminho de volta. Como ele já era assim normalmente, Alex não tentou puxar assunto e apenas observou os arredores. Além disso, como recém haviam trocado confissões, ele não sabia o que dizer. Era a primeira vez que passava por algo assim.

Então, Alex escolheu gravar em sua mente o primeiro lugar para onde viajou com Nathan. Queria lembrar-se disso até o dia de sua morte. Ele se esforçou para absorver a paisagem. O ar da noite estava límpido e refrescante.

Seu corpo, que entrara em choque pelo susto do beijo, acalmou-se gradualmente. Com isso, seu humor começou a subir cada vez mais. Ele estava ansioso pelo que aconteceria após pedir Nathan em namoro no sábado. Eles viajariam juntos muitas vezes, como hoje, e na praia, como antes…

Ao lembrar do beijo novamente, seu corpo enrijeceu. Só de pensar, sentia que sua cabeça iria explodir. Como Nathan conseguiu realizar um ato tão avassalador? Para ele, parecia algo impossível de realizar. Só o toque dos lábios quase fez seu coração parar. “Se namorarmos, provavelmente faremos isso muito, não é? Então sentirei aquela sensação estranha toda vez?…”

Caminhando absorto em sua própria empolgação, logo avistou a estação de trem. Ao tirar a passagem de ida e volta do bolso da calça, Alex percebeu que Nathan estava ainda mais silencioso que o habitual. Sentindo algo estranho, ele virou a cabeça para procurar Nathan. Seus olhos se encontraram imediatamente; ele já estava observando Alex.

— Alex. — Nathan chamou-o baixinho.

— Sim.

Nathan baixou os cílios lentamente. Ele desviou o olhar por um momento e, voltando a encarar Alex, fez uma pergunta:

— Você gosta mesmo de mim?

Alex paralisou diante do rosto de Nathan, que o observava atentamente e parecia desnecessariamente nítido. Diferente de quando estavam sob o céu escuro da praia, ouvir a palavra “gostar” sob a iluminação clara do ambiente interno fez a ficha cair ainda mais. Alex gaguejou por alguns segundos antes de dar a resposta. Foi necessário muita coragem para dizer aquela única frase.

— Eu gosto.

Um sorriso escapou. Ele esfregou a nuca para tentar esconder o embaraço. Nathan o observou por um longo tempo, como se estivesse tentando descobrir algo, e então virou o corpo. Seu rosto, sob a luz branca fluorescente, parecia mais pálido que o normal. Observando seu perfil que parecia inexplicavelmente inquieto, Alex ficou pensativo.

No entanto, Nathan não abriu mais a boca. A expressão em seu rosto inexpressivo era a de sempre. Assim como a voz que ouvira na praia.

Por isso, ele achou que ficaria tudo bem.

↫─☫ Continua no Volume 2…

⌀ ⌀ ⌀

✦ Tradução, revisão e Raws: Othello&Belladonna

Ler Mind The Gap Yaoi Mangá Online

Sinopse:  Obra do mesmo universo de Define Relationship
— Você disse que gostava de mim. Foi… tudo mentira?
— Como um Alpha poderia gostar de um Beta?
Entre uma mãe que o abandonou e um pai que o forçou a viver como Alpha, Alex cresceu sem nunca se apoiar em ninguém. O único que o confortava, independentemente do seu gênero secundário, era Nathan. Para proteger Nathan de um certo incidente, Alex o afasta com palavras cruéis.
Anos se passam, nove longos anos de penitência e saudade. Então, um dia, eles se reencontram na cena de um caso em que Nathan é a testemunha.
— Sr. Nathan, se não for incomodar… na verdade, se você não se importar, há algo que eu gostaria de dizer…
— Se você está pensando em se desculpar, não precisa se incomodar.
Alex fica ansioso ao redor de Nathan, desesperado para se desculpar, mas Nathan mantém tudo friamente dentro do estritamente profissional. Então, devido aos efeitos colaterais do uso prolongado de supressores, o desequilíbrio hormonal de Alex é exposto.
— Você poderia simplesmente dormir com uma Ômega. Por que está procurando outra coisa? Você gosta de Ômegas.
— É porque não estou saindo com nenhuma Ômega no momento. Acho que não consigo fazer isso com alguém que não conheço.
Alex tenta se esquivar e recusa, alegando que não quer. Nathan, que havia se afastado friamente, acaba voltando e faz uma oferta de ajuda.
— Você pode fazer sexo com alguém de quem não gosta. Não interprete demais. É só sexo.
— Você não precisa se forçar a fazer isso com alguém nojento como eu.
— Você não é nojento. Então pense direito e me responda.
Mesmo que Nathan diga que não quer se envolver, sua bondade o atravessa e Alex só quer chorar. “Será que eu… nunca serei perdoado por você? Você foi a minha única alegria neste mundo. Nathan, por favor… apenas uma vez… me ouça. Por que eu fiz o que fiz.”

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