Ler Mind The Gap – Capítulo 03 Online


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❖ Capítulo 03 – The Gap 2

Como seu corpo ainda não estava completamente recuperado, a febre voltou à noite. Com o desejo sexual desagradável circulando em seu sangue e uma sensação de náusea, Alex revirou a gaveta do criado-mudo onde seu pai havia guardado os comprimidos.

O quarto do pai exalava uma mistura de cheiro corporal rançoso e feromônios. A cama estava bagunçada e latas de cerveja rolavam pelo chão. Já era assim quando sua mãe estava aqui, então talvez fosse natural que ela tivesse ido embora.

Mesmo assim, ele não conseguia odiar completamente seu pai, por causa das lembranças dos momentos felizes do passado. Porque aqueles momentos em que andavam de mãos dadas no zoológico, ou quando ele fez um balanço de madeira no quintal da casa onde moravam quando ele era pequeno, não eram mentira.

Mesmo sabendo que nunca mais voltariam, era inevitável que ele continuasse ao lado do pai, com uma esperança vaga. Assim como ele se manteve até hoje, mesmo sabendo que não tinha chance com Nathan.

“Ainda bem que não me declarei.”

Enquanto encontrava um comprimido que parecia ser um digestivo, Alex pensou assim. “Não, ainda bem que não me declarei direito.” Embora fosse uma coisa horrível se declarar para alguém que tinha namorada, mesmo que tivesse se declarado, certamente teria ouvido um “me desculpe”. “Isso não seria muito patético?” Mesmo que tivesse certeza de que Nathan gostava dele, ele teria hesitado, então era algo que não aconteceria de qualquer forma.

Esforçou-se para mudar seus pensamentos para algo positivo. Pensou que tudo ficaria bem, sem nenhuma forma definida. Alex se levantou. Antes de fechar a gaveta, encontrou a caixa do remédio que seu pai lhe dera. Ele a observou por um momento e a pegou. No fundo da caixa, após uma rápida olhada, estava escrita a data de validade. Já havia expirado há mais de dois anos.

Alex observou a data, guardou a caixa e saiu. Seu estômago ardia sem motivo. Voltou para o quarto e abriu o saco de remédios que Nathan lhe dera. Colocou cuidadosamente o conteúdo sobre a mesa, um por um. Duas caixas de supressor líquido ainda embaladas, remédio para resfriado, bandagens, curativos e antisséptico. Por último, saiu o suco de lichia que Nathan costumava beber.

Um riso escapou. Mas logo seus lábios se fecharam firmemente. Alex alinhou os itens ordenadamente sobre a mesa. Ficou olhando por um longo tempo para os remédios dispostos como se fossem um presente. Preocupado que olhar por muito tempo os desgastasse, ele desviou o olhar com relutância. Abriu o notebook. Sua mão branca, com algumas cicatrizes leves, pressionava lentamente o teclado.

Seus dedos pararam ao digitar “como fazer”. O cursor piscava e voltava. A luz refletida na tela branca do Google tingia seu rosto de branco. Só às 9 da noite, quando o sol que havia pairado alto no centro do céu já havia se posto, Alex finalmente digitou algo. O som de “tac, tac” parou e a busca foi concluída.

“Como deixar de gostar de alguém.”

Artigos de vários sites, incluindo o WikiHow, surgiram. Embora não houvesse ninguém para ver além dele mesmo, sentiu uma sensação de inutilidade. Mas essa sensação desapareceu rapidamente quando o rosto de Nathan, pedindo desculpas, veio à mente.

Hesitou por alguns segundos, moveu o mouse e clicou no primeiro link. Com um rosto sem expressão, ele leu o texto. O conteúdo era realista e excessivamente racional.

“Dê a si mesmo tempo para sofrer, a dor é natural, aceite que você não pode controlar a outra pessoa conforme sua vontade…”

Passou rapidamente pelas partes que não lhe tocavam. Se fosse possível fazer algo assim, ele teria desistido de Nathan há muito tempo. Quando chegou à seção sobre “métodos”, a rolagem parou. “Jogue fora objetos que tenham memórias”. Alex olhou para a mesa. Além dos remédios que ganhou hoje, não havia nenhum objeto com memórias especiais. Tudo permanecia como memórias informes em sua mente.

Voltou atrás e leu os resultados de outros sites um por um. Depois de ler lentamente por mais de uma hora, as conclusões eram todas semelhantes. Havia duas coisas que Alex podia tentar fazer. O restante não se adequava à sua relação com Nathan. Os dois não eram namorados, afinal.

O primeiro era um método de não ver a pessoa pela qual estava sofrendo.

Mas, falando honestamente, não era realista. Se fosse possível, ele já teria se declarado e sido rejeitado. Além disso, Nathan era também seu único amigo. Hoje, ele queria amaldiçoar seu eu passado, que só tinha Nathan como amigo do sexo masculino.

O segundo era ter um/uma namorado/namorada.

Este era algo que ele realmente podia tentar. Seus cílios caíram melancolicamente. Não estava a fim. Sua mente estava emaranhada. Mas para conseguir esquecer Nathan enquanto o via todos os dias, no final, não havia outra maneira a não ser encontrar alguém de quem gostar.

Pegou o celular. Depois de encarar a tela por um momento, tomou coragem e abriu o mensageiro. Jude Lawrence. Como sempre, ele viu a luz verde acesa na janela do mensageiro e abriu a conversa.

— Olá, Jude.

A marca de leitura apareceu rapidamente. Seus dedos hesitantes finalmente formaram uma frase.

— Nathan disse que há ômegas interessadas em mim.

“Lá vai ele.”

— Se não for incômodo, você poderia me apresentar?

A resposta veio rapidamente. Um ponto de exclamação apareceu e, em seguida, Jude enviou várias mensagens em sequência.

— Nossa.
— Sério? Mesmo? Entendi! Deixe comigo. Amanhã na escola conversamos melhor. Tina e Nathan sabem? Se não souberem, deixa eu contar. Uau!

Os pontos de exclamação não paravam de subir. Ao ouvir o nome Nathan, Alex se levantou num pulo. Mas sua mão, que estava prestes a escrever “não conte”, parou. Soltou um suspiro baixo e cobriu o celular. Não estava nem um pouco animado.

A Clarewood School era uma escola particular localizada entre a região de Hammersmith e Barnes, em Londres, uma das poucas que ofereciam tanto os cinco anos do ensino secundário quanto os dois anos do Sixth Form. Alex podia continuar com Nathan, Tina e Jude porque todos decidiram fazer os A-levels lá. Considerando as notas de Nathan no GCSE, era um pouco surpreendente que ele não tivesse ido para outra faculdade de sixth form, mas para Alex foi ótimo.

Almoçar juntos era uma tradição constante entre eles há dois anos. Como o sistema mantinha a mesma turma até a formatura, Alex era próximo de Tina, que estava na sua turma. Nathan estava na mesma turma que Jude e sua namorada, Jessica.

Enquanto esperava, sentado na cafeteria, Jude foi a primeira a aparecer. Como escolheu matérias de ciências como Biologia e Matemática, ela geralmente andava com Nathan, mas hoje Nathan não estava visível.

— Oi, Alex!
— Chegou?

Jude, que o cumprimentou com uma voz animada, sentou-se ao seu lado, fazendo a saia xadrez vermelha balançar. Jude Lawrence, com cabelos castanho-dourados com cachos apenas nas pontas, era uma garota beta muito sociável. O fato de ter como amigos pessoas como Alex e Nathan, que não tinham interesse em interações sociais externas, mostrava sua personalidade.

— Mal pude esperar pela hora do almoço para te mostrar. Estou tão animada.

Desviando o olhar de Jude, que parecia tão animada como se fosse ela quem fosse ser apresentada, Alex examinou a entrada da cafeteria, mas Nathan não estava visível. Parando de bater os dedos na mesa, Alex finalmente fez a pergunta que queria fazer primeiro.

— Cadê o Nathan?
Jude inclinou a cabeça e fez um som de “ah”.
— Nathan está com a Jessica. Ela já estava esperando quando a aula dele terminou. O auditório da aula de teatro que ela faz é bem longe daqui, parece que eles saíram cedo.

Ao ouvir isso, o apetite de Alex desapareceu instantaneamente. A ideia que ele tinha de comer uma batata recheada com feijão cozido e molho evaporou.

— A Jessica é realmente incrível. Mesmo depois que Nathan disse que não estava interessado, ela continua namorando com ele. Eu meio que admiro isso.

Jude continuou falando sobre Jessica, assunto que Alex não queria ouvir. Nesse meio tempo, Tina se juntou à mesa. Seus cabelos loiros presos por uma tiara azul brilhavam. Seus olhos azuis suaves se curvaram suavemente ao ver Alex.

— Do que estavam falando? Oi, Alex também.
— Da Jessica.
— Ah, agora que você mencionou, eles chegaram juntos.

Tina colocou o caderno ordenadamente sobre a mesa e sorriu. Tanto Tina quanto Jude eram do tipo que sorriam muito, mas Tina era mais quieta e calma. Ela também era muito atenciosa, então nunca havia momentos desconfortáveis quando estavam juntos.

No entanto, a voz de Tina, que normalmente o acalmaria, hoje o incomodava. Quando as histórias sobre Jessica começaram a fluir, Alex ficou em silêncio.

Embora tivesse decidido desistir completamente de Nathan, ele precisava de tempo. Não era algo que se tornasse aceitável da noite para o dia ver Nathan sentado com sua namorada. Especialmente depois que ele fez algo como uma confissão para Nathan no dia anterior.

Enquanto ele pensava se deveria se afastar, Nathan entrou na cafeteria. Como Tina dissera, Jessica estava de braço dado com ele. Sua saia curta e os botões da frente da camisa desabotoada eram visíveis. “Será que Nathan gosta desse tipo de aparência?” Se fosse assim, as namoradas anteriores eram todas diferentes. Se houvesse um ponto em comum, era que todas eram bonitas.

Tina e Jude acenaram primeiro. Jessica também acenou. “Qualquer um que visse pensaria que são amigos próximos.” Um sentimento de rebeldia surgiu.

— Oi! Posso almoçar com vocês hoje? O Nathan disse que tudo bem.

Jessica falou com Tina e Jude de forma bastante sociável, diferente de quando estava com Alex.

— Sim, não me importo.
— Eu também. Nathan, oi.

Apelidos eram ditos de todos os lados. Alex sabia que poucas pessoas podiam chamar Nathan assim. No entanto, de repente, ele percebeu que sua posição ali não era nada especial. Ele era apenas um dos amigos de Nathan.

Nathan assentiu com a cabeça. Então, olhando para Alex, abriu a boca.

— Oi.

Seus olhos se encontraram. Alex, que estava com uma expressão pálida, arregalou os olhos rapidamente. Com um sorriso que apareceu um segundo atrasado, ele cumprimentou.

— Você demorou. Deve estar com fome.

A resposta veio de Jessica. Ela se encostou mais nele, apoiando o rosto no ombro de Nathan e disse:

— É, estou com fome. Nathan, o que vamos comer?
— Escolha você.

A resposta brusca caiu. No entanto, Nathan não afastou Jessica.

— Então vamos comer aquilo.

Com essas palavras, Jessica puxou Nathan em direção ao balcão de refeições. Tina deu de ombros ao ver a cena, e Jude rapidamente perdeu o interesse.

— Alex, olha aqui. Eu selecionei algumas fotos no Instagram.

Jude parecia muito mais interessada em apresentar um ômega a Alex o mais rápido possível.

— O que é?
Tina também se inclinou, curiosa. Os três olhares se concentraram no celular de Jude.

— Alex pediu para eu apresentar um ômega!
— Nossa, que legal.

Tina falou como se estivesse realmente surpresa. Longe de se sentir envergonhado, Alex se sentiu mais pesado. Relutantemente, ele estendeu a mão para a tela do celular de Jude, ignorando a voz de Jessica que se ouvia ao fundo.

— Algum te interessa aqui?

Ele passou as fotos. Havia várias ômegas fofas e delicadas. Mas todas eram ômegas mulheres. Alex ficou surpreso. Sem saber por quê, inconscientemente ele tinha pensado em homens. Em sua imaginação, o ômega que Jude apresentaria era um homem, loiro. Os olhos… verdes.

— Não tem nenhum homem?

Alex falou baixinho. Jude soltou um suspiro de compreensão.

— Ah, verdade. Desculpa! Não conheço muitos ômegas homens ao meu redor, só conheço as garotas que gostam de você. Mas se eu procurar, com certeza deve ter, certo?
— Você gosta de homens?

Tina sorriu, como se tivesse descoberto algo interessante. Alex sentiu suas orelhas ficarem um pouco vermelhas. Nunca tinha falado sobre seu tipo ideal com ninguém, então era a primeira vez que esse assunto surgia. Para disfarçar a vergonha, franziu a testa.

— Não é exatamente isso.

Foi nesse momento que Nathan voltou. Jessica tinha couve-flor, sopa do dia e bolo de morango na bandeja. O que Nathan comprou foi um sanduíche de pão de centeio e tomate assado.

— O que é?
Nathan perguntou. Tina, com um sorriso malicioso, olhou para Alex e disse a Nathan rapidamente:

— O Alex quer que apresentem um ômega homem para ele.

Naquele momento, Alex sentiu uma vontade intensa de se esconder em algum lugar. Ele queria se levantar e sair dali. Embora soubesse que Nathan não teria interesse, ele se sentiu consciente. Como se estivesse cometendo um adultério.

Suas orelhas ficaram vermelhas a ponto de arder. Franziu a testa e desviou o olhar.

— Nossa, sério?
Jessica respondeu àquilo com evidente entusiasmo. Por baixo do olhar abaixado, ele via Nathan de mãos dadas com ela. Sem ter comido nada, sentiu-se enjoado. Nathan nunca havia trazido suas namoradas, incluindo Jessica, para os lugares onde eles se reuniam.

E isso também significava que ele nunca tinha visto Nathan com uma namorada.

Pensava que Nathan não era carinhoso com suas namoradas e que não tinha contato físico. Pensando bem, era algo extremamente provável de acontecer, mas ele foi burro o suficiente para nem imaginar. Nathan de mãos dadas com outra pessoa, de braço dado, se beijando.

Como se tivesse levado um soco no peito, a região abaixo das costelas doía dolorosamente. “Qual era o motivo de ele ter trazido a Jessica hoje? Por causa do que eu disse ontem? Porque eu disse que gostava dele no passado? Para que eu visse isso?”

— Eu conheço alguns ômegas homens. Se você quiser, posso apresentar. Tudo bem, Nathan?

Enquanto ouvia Jessica, Alex ergueu lentamente o olhar. A expressão de Nathan permanecia a mesma. Um rosto indiferente, como se não se importasse muito.

Aquele rosto o entristecia.

Seria melhor se ele tivesse a intenção de trazer Jessica. Era melhor do que aquela confissão de ontem não ter significado nenhum para Nathan.

— Parece uma boa ideia.

No momento em que a resposta de Nathan voltou, Alex franziu a testa e sorriu.

— É?

Por hábito, ele respondia às palavras de Nathan. Porque ele sempre respondia às palavras de Nathan, mais do que às de qualquer outro.

— Ele quer que o apresentem.
— É mesmo.

Alex murmurou baixinho. Era o limite. Se continuasse falando ali, parecia que não conseguiria manter o sorriso no rosto. Respirou fundo. “Tudo bem. Vai passar.”

— Não estou com apetite. Vou me levantar primeiro.

Ele se levantou, afastando a cadeira. Os quatro olhares se concentraram nele ao mesmo tempo. Ao ver os quatro betas, existindo em um mundo distante do seu, sentiu-se realmente um estranho.

— Está bem, Alex?
Tina perguntou, preocupada. Ele sorriu de qualquer jeito. Virou-se. Não conseguiu nem pedir desculpas a Jude por ter se dado ao trabalho de apresentar alguém. Não tinha tempo para parar e conversar sobre isso.

Abriu a porta da cafeteria e saiu com passos largos. Mas quando estava prestes a sair correndo pelo corredor, uma voz o chamou e ele parou novamente.

— Alex.

Mordeu os lábios com força. “Não olhe para trás. Finja que não ouviu.” Mesmo pensando assim, parou.

— Continua doente?
Nathan estava atrás dele. Vendo o rosto branco que olhava para ele de baixo, Alex balançou a cabeça.

— Não, só estava com o estômago meio ruim.
— Não coloquei o digestivo. Quer que eu compre um?
“Não consigo.”
— Não precisa. Eu cuido disso.
“De deixar de gostar de você.”
— Estou bem. Vai logo, a Jessica deve estar esperando.
“Ver você com sua namorada.”
— Até mais.
“Vendo seu rosto… não consigo mais.”

Sem esperar resposta, virou-se. Não tinha certeza se Nathan chamou seu nome.

— Acho que não tenho visto o Alex ultimamente.

Foi Jude quem quebrou o silêncio. Nathan, que estava andando sem dizer nada, virou lentamente a cabeça. Tina, que estava olhando para o celular, também falou.

— É, realmente. Também não tem falado no chat do grupo. Alex continua doente, Nathan?

A pergunta foi naturalmente direcionada a Nathan. Com os cílios baixados lentamente, Nathan também ponderou a questão. Era um tópico que ele vinha pensando constantemente.

— É a primeira vez que vejo o Alex doente. Parece que ele nunca se machucou jogando futebol também.

Jude continuou. Parecia que o silêncio que preenchia o espaço entre eles estava se desfazendo, um alívio. A preocupação com Alex continuou e a conversa logo mudou para assuntos sobre a escola. Falaram sobre Joseph, cujo irmão era traficante, ter trazido maconha para a festa da outra vez, e sobre uma garota beta da outra turma que estava com cílios postiços bonitos.

Ambas pareciam muito animadas com essas histórias. Normalmente, quando o assunto mudava assim, Alex que estava ao lado costumava perguntar a Nathan sobre outros assuntos. Se estava se preparando bem para as provas, ou sobre um novo livro de um autor que Nathan gostava, sempre apenas sobre tópicos que Nathan poderia se interessar.

E em todas essas conversas, eles nunca mencionaram gostos pessoais ou tipos ideais.

Pensando bem, era algo engraçado. As pessoas dessa idade geralmente se interessam por duas coisas: notas, carreira ou namorado(a). Era o tópico mais comum e universal. Mesmo quem não namorava, era comum falar sobre atores ou celebridades de quem gostavam, mas Alex nunca teve esse tipo de conversa com Nathan.

Embora Nathan limitasse as pessoas que chamava de amigos, para ser justo, ele tinha vários amigos do sexo masculino além de Alex. Parceiros de treino da academia que frequentava desde criança ou betas da mesma turma. Embora não houvesse alfas homens, ele ainda se dava bem com outros garotos da mesma idade.

Sempre que Nathan recebia uma declaração, os caras da turma demonstravam interesse. Palavras como “é bonito”, “que sorte” e “apresenta para mim” surgiam incessantemente, a ponto de se tornarem irritantes. Mas Alex nunca demonstrou esse tipo de interesse quando Nathan recebia uma declaração.

Apenas dizia “parabéns” com uma expressão de alguma forma marcante.

Coisas que ele ignorava sem pensar ultimamente ocupavam sua mente com frequência. Uma sensação de frustração, como uma folha de respostas com problemas não resolvidos, persistia. O período era exatamente após o dia em que testemunhou o rut de Alex.

“Eu gostava de você.”

Como se sussurrasse ao seu lado, aquela frase ecoou em seus ouvidos. Nathan parou de andar. A área logo abaixo do lóbulo da orelha, perto do pescoço, de repente coçou. Uma coceira subiu lentamente, como se arrepios estivessem surgindo. Franziu a testa e esfregou a nuca.

— O que foi?
Tina perguntou. Jude, com os olhos arregalados, olhava para Nathan, que havia parado atrás. Ele abaixou a mão que pressionava a pele.

— Na nossa escola…
A pergunta foi repentina até para o próprio Nathan. As palavras que surgiram inesperadamente, em vez de voltarem para dentro, escaparam pelos lábios.

— Tem algum alfa que namore um beta?
— Alfa e beta?
Jude perguntou de volta, como se estivesse ouvindo pela primeira vez. Tina coçou o queixo e balançou a cabeça. Então, as duas começaram a conversar.
— Acho que nunca ouvi falar.
— Betas namoram pessoas com outros gêneros?
— Dizem que às vezes acontece na universidade.
— Que interessante. Então é possível.

Jude concordou, surpresa. Embora o amor entre pessoas do mesmo sexo não fosse mais algo estranho, questões sobre gêneros secundários eram tópicos que estavam surgindo gradualmente com a mudança dos tempos. Embora fosse uma questão de liberdade individual, havia muitas coisas difíceis de resolver quando os gêneros não eram compatíveis. Alfas e ômegas têm dificuldade em aliviar o calor do cio sem um ao outro. Se usassem supressores a vida toda, os efeitos colaterais eram inevitáveis, e mesmo que aliviassem o desejo sexual através do sexo, certas sequelas sempre vinham.

Além disso, betas não conseguem sentir os feromônios de alfas ou ômegas. Superar uma diferença que é absolutamente impossível de entender a menos que se renasça é uma tarefa tão difícil quanto subverter um pensamento.

O pensamento de Nathan não era muito diferente. Ele preferia coisas claras. Nathan se interessava por histórias lógicas e racionais, e se sentia mais feliz resolvendo números com respostas definidas. Ele também achava a ciência, com fenômenos e resultados, dezenas de vezes mais benéfica do que a literatura, que termina histórias com imaginações ambíguas.

Isso também se aplicava aos sentimentos entre as pessoas. Há muito tempo, Nathan queria gostar de alguém que gostasse apenas ‘dele’.

Era diferente de aceitar as intermináveis confissões irritantes e ter namoradas. Se fosse se apaixonar por alguém, ele esperava que essa pessoa pudesse priorizá-lo. Um amor onde eles fossem os mais importantes um para o outro, acima de qualquer outra coisa. Esse era o amor que Nathan havia testemunhado.

Desde sua infância, Nathan cuidava de uma casa vazia. Sua mãe não conseguia esquecer o pai falecido e não se envolveu com outras pessoas. Nenhum dos irmãos podia preencher esse vazio. Nem mesmo o irmão mais velho, a quem ele mais amava e admirava como se fosse seu pai. Seu irmão mais velho tinha um amor desde criança. O segundo irmão, Neil, não tinha muito interesse em Nathan, e Nathan também era semelhante.

Portanto, Nathan nunca havia sido a pessoa mais importante para alguém.

— Mas por que isso de repente?

Tina perguntou a Nathan, como se tivesse se lembrado tardiamente. Nathan balançou levemente a cabeça. A dúvida que surgiu subitamente logo se dissipou. Olhou para o relógio de pulso. Logo seria o horário do treino noturno na academia.

— Só estava curioso.

Tina sorriu sozinha. Nathan a encarou. Sua expressão perguntava “por quê?”.

— Ah, é que eu estava pensando se amigos são apenas amigos. Alex também fez essa pergunta uma vez.

A nuca coçou novamente. Com a testa um pouco franzida, Nathan se lembrou daquela tarde. A tarde em que as folhas da árvore no quintal da casa de Alex caíam, girando no ar. Alex estava com aquela expressão olhando para ele. Como no dia em que ele lhe ofereceu o guarda-chuva, como alguém que quer chorar mas não sabe como. E mesmo assim, ele sorria.

Nathan não conseguiu um bom desempenho no treino noturno porque não conseguia tirar Alex da cabeça. Percebendo o estado de Nathan, Yona, o dono da academia, puxou conversa.

— O que há, pequeno detetive?

Nathan fez uma expressão irritada. Yona era o instrutor que o ensinava Krav Maga desde pequeno. Imigrante de Israel, também era um velho amigo de seu pai. Ao mesmo tempo, era uma das poucas pessoas que sabia que Nathan queria se tornar detetive.

— Não sou pequeno.

Mesmo sabendo que dizer isso era como admitir a derrota, Nathan acabou falando. Yona sorriu animado.

— O que eu chamo um pequeno se não de pequeno?

Embora estivesse muito acima da média, quando comparado aos irmãos, sua altura ainda era pequena, e essa era a única coisa sobre sua aparência que incomodava Nathan. Já que todos em sua família, incluindo o pai, tinham mais de 1,80m, certamente ele ainda cresceria, mas às vezes o incomodava que todos, incluindo Alex, que o olhava de cima como se achasse fofo, falassem como se ele já tivesse parado de crescer. No caso de Alex, não chegava a ser irritante.

Com esse pensamento, Nathan pegou uma toalha. Não era de hoje que as pessoas julgavam sua aparência. Ele sabia bem como era. Ouvira a vida inteira bobagens sobre como era delicado, bonito, incomparavelmente mais belo do que a maioria dos ômegas.

A razão pela qual Nathan não gostava muito das pessoas vinha daqui. Havia muitos idiotas no mundo que achavam que, se fosse um elogio, a outra pessoa ficaria feliz.

Nathan nunca quis parecer um ômega. Ele era beta e não aceitava como elogio ser chamado de mais bonito que um ômega. Quando criança, mostrava seu descontentamento, mas depois que percebeu que não adiantava, simplesmente parou de falar. Em vez disso, ergueu muros. Não ter muitos amigos do sexo masculino da mesma idade e não manter alfas por perto vinham da mesma linha de pensamento.

Nesse sentido, Alex era a única exceção. O garoto alfa que jogava futebol era, de certa forma, tipicamente alfa, mas mesmo assim não tratava Nathan como um ômega. Embora fosse possível ver uma certa obsessão em agir como alfa, não era algo desconfortável. Ver Alex se adiantar em seu lugar sempre que havia confusão quando estavam juntos era, na verdade, uma sensação estranha.

O que mais o impressionou foi há dois anos, quando eles estavam começando a se tornar amigos. Enquanto andavam pelo corredor, um colega alfa o agarrou de repente e se declarou. Alex ficou com raiva do garoto que disse a estupidez de que nenhuma ômega na escola era tão bonita quanto ele, e disse:

“Você realmente achou que ele ia gostar de ouvir isso? Nathan não é ômega.”

O garoto, ofendido com o insulto público, acabou brigando com Alex, e a briga só terminou quando um professor interveio. Foi a primeira vez que Nathan viu que Alex, que parecia tão dócil diante dele, sabia brigar.

Para ser honesto, ele não precisava da ajuda de Alex. Na verdade, Nathan treinava artes marciais há tanto tempo que poderia facilmente derrotar a maioria dos alfas que o tratavam como um ômega fofo. Porque ele queria ser detetive, como seu pai.

Sua mãe, depois de perder o pai, evitava extremamente que seus filhos se tornassem policiais. Nick, o irmão mais velho, que originalmente queria ser policial, tornou-se advogado por causa disso, e o segundo irmão acabou escolhendo engenharia mecânica.

Embora soubesse que sua mãe odiava a ideia a ponto de dizer que ele morreria, Nathan não conseguia abandonar o desejo de ser policial e continuava treinando. Agora já era parte de sua rotina.

— Então não vai me contar o que está te incomodando?
Yona perguntou enquanto o seguia. Nathan sabia que o homem se importava com ele, apesar de tudo, então ele escolheu suas palavras em silêncio. Seus pensamentos não conseguiam se fixar em um ponto e se dispersavam. Yona esperou pacientemente enquanto Nathan mantinha a boca fechada. O silêncio paciente era algo que Nathan havia aprendido com ele.

— Yona, você é alfa, né.
Embora ele nunca tivesse sentido ou experimentado, Yona era alfa.
— Sim.
— Você se lembra do seu primeiro rut?
— Oh, nossa.

Yona fez uma expressão brincalhona e deu um tapinha em seu ombro.
— A puberdade tardia chegou?
“Fique com essa.” Nathan ignorou o comentário que não merecia resposta.
— Lembro.
— Como é exatamente o rut?

Ao ouvir isso, Yona fez uma expressão um pouco constrangida, franziu a testa e pensou profundamente.
— É uma confusão. É difícil até pensar direito em algo.

Parecendo consciente da idade de Nathan para dar mais detalhes, Yona enrolou as palavras.
— Então, nessa hora, exatamente em que você pensa?
— Suas perguntas estão estranhas hoje.

Nathan olhou para Yona em silêncio. Yona riu alto e, bagunçando os cabelos de Nathan, deu de ombros.
— Normalmente, as pessoas pensam em quem gostam. Por causa da situação, e como você fica muito confuso, acaba seguindo o que vem instintivamente. Por quê, um amigo perguntou?

Seguiu-se um breve silêncio. Nathan, que estava olhando para a mão que segurava a toalha, balançou a cabeça. Então disse a Yona:
— É que eu estava curioso.

Quando virou as costas assim que terminou o assunto, ouviu Yona rindo, dizendo que ele era insensível.

Ao voltar para casa, Nathan terminou a quantidade planejada de revisão das matérias e sentou-se na cama. Com o celular, examinou o conteúdo das conversas no mensageiro que haviam parado uma semana atrás. As notificações de mensagens de Jessica apareciam e desapareciam repetidamente. Sem nem pensar em verificar, Nathan observou as saudações nas mensagens que Alex havia enviado.

O rosto de Alex veio à mente. “Olá, Nathan.” Seus olhos longos e afiados sempre se curvavam suavemente quando o viam. A forma como as pontas dos olhos se abaixavam, como se desenhassem uma meia-lua, parecia uma raposa se transformando em um cachorrinho.

Se abaixasse o olhar que estava em seu rosto, via sua pele branca avermelhada pelo sol. Seus cabelos pretos com um leve tom acastanhado, seus lábios que se curvavam e abaixavam como se estivessem envergonhados, e sua voz, mais aguda que o normal, chamando seu nome…

Não era sua intenção lembrar disso por último. Talvez porque nunca tivessem ficado tanto tempo sem se ver. Muitas coisas continuavam vindo à mente.

Nathan lembrou das palavras de Yona. As palavras do alfa de meia-idade que disse que pensava em quem gostava, e as palavras do jovem alfa que disse que pensou porque gostava, colidiram. As duas falas eram semelhantes, mas tinham nuances diferentes.

Yona falava do presente, e Alex falava do passado. “Qual seria a verdade?” Embora não precisasse descobrir, Nathan queria saber como Alex se sentia em relação a ele agora.

Seus pensamentos foram mais longe. Se Alex realmente apenas gostava dele no passado, agora ele deveria tratá-lo apenas como amigo. Mas Nathan não sabia como era Alex quando não o tratava como amigo. Ele precisava de um ponto de comparação. Para saber a diferença, ele precisava ver como Alex agia com outra pessoa.

No entanto, Alex parecia não ter ninguém de quem gostasse no momento. Não tinha uma namorada ômega formal. Como pediu a Jude para apresentar alguém, parecia estar interessado, mas…

Com esse pensamento, Nathan calou a boca. Sentindo-se estranhamente incomodado, ele baixou o celular. Pensou em entrar em contato, mas decidiu que seria melhor ver pessoalmente. Queria ouvir sua voz.

Enquanto isso, as mensagens de Jessica continuavam aparecendo e desaparecendo na tela. Ela dizia que iria a uma festa com os amigos e queria que ele fosse no dia seguinte. Estava cansativo. Se dissesse que queria terminar, ela certamente seria ainda mais insistente, então ele a ignorou, mas agora parecia que precisava resolver. Pensando assim, desviou o olhar para a janela.

Um vento úmido soprava pela fresta da janela entreaberta. Deitou-se lentamente na cama. Parecia que choveria no dia seguinte.

Antes de adormecer, Nathan pensou em Alex, parado na linha amarela, esperando por ele.

Então, um sorriso surgiu.

Depois do incidente na cafeteria, Alex evitou Nathan.

Não era difícil. Seus horários de ir e voltar da escola já não coincidiam, as matérias e as turmas eram diferentes, então a menos que se esbarrassem por acaso, não havia como se encontrarem. De vez em quando respondia no chat do grupo. Quando perguntavam se estava tudo bem, dava a desculpa de que estava ocupado com os treinos. Nathan não entrava em contato especificamente. Já que quem geralmente iniciava as mensagens era Alex, era de certa forma natural.

De conversas sobre como estava o tempo, como estavam as aulas, a filmes novos ou novas séries da TV, mesmo sem ter jeito para conversar, Alex todos os dias criava algum assunto para puxar conversa com Nathan. Talvez, mesmo pensando que eram amigos, Alex estivesse tentando se gravar na mente de Nathan. Como uma missão para aumentar os pontos de afinidade.

No assunto em que ele pensou que nunca se declararia, ele estava se machucando com o fato de que Nathan não gostava dele.

“Como seria bom se pudéssemos controlar as emoções como quiséssemos.” Assim, não machucaríamos nem seríamos machucados.

Na última semana de junho, quando a chuva começou a cair novamente, Alex olhou para fora e pensou. Já passava das 7 da manhã, mas ele não saía de casa. A essa hora, já seria impossível encontrar Nathan no tubo. Nathan pegava o metrô no mesmo horário com precisão.

Mas o sono não voltou. Piscou os olhos, fitando o teto úmido e embaçado. Sentia falta de Nathan. Já fazia mais de uma semana que não o via. Ele não ignorava as fotos de Nathan que Jude postava de vez em quando, mas fingia que não via. Voltava atrás como se fosse sem querer, dava uma olhada rápida, mas não salvava. Tampouco apagava as fotos de Nathan que estavam salvas no seu álbum.

O tempo passava lentamente, ao ponto de ser doloroso. Quando pensava que já tinha passado bastante tempo e olhava o relógio, tinham se passado 5 minutos. Ignorando alguma emoção indefinida, Alex ficava apenas deitado na cama. Depois de uma hora, ele se levantou. Precisava se apressar para chegar a tempo.

A cada passo, descia as escadas com o centro levemente côncavo. Deixando para trás o som dos rangidos, foi até a cozinha. O café da manhã, naturalmente, não estava preparado. Mesmo assim, havia um cereal novo no armário.

Como alguns ratinhos começaram a circular pela casa, se continuasse assim, eles poderiam fazer buracos. “Se minha mãe soubesse, ficaria horrorizada.” Pensou bobagens.

Com um bagel perto da validade na boca, Alex calçou os sapatos. Pegou o guarda-chuva e abriu a porta. O cheiro úmido da terra atingiu suas narinas. Alex gostava bastante das gotas de chuva de verão, misturadas com o cheiro de grama. A chuva era sempre um meio importante que o fazia lembrar de Nathan.

Mas agora, os dias de chuva não deveriam significar nada para ele. Não precisava mais ir cedo à estação para encontrar Nathan, nem deveria dar mais um significado especial ao dia em que o conheceu. Amigos não fazem isso, certo.

De repente, nada mais era divertido.

O caminho para a escola, pisando em poças na superfície irregular do asfalto, era deprimente. Sem perceber, Alex chegou à estação de metrô em vez de ir para o ponto de ônibus. Irritado consigo mesmo, bagunçou os cabelos. Mas não voltou atrás.

Embora não tivesse muito dinheiro por causa de seu pai, que evitava gastar com qualquer coisa que não fosse futebol, Alex passou o cartão Oyster na catraca. Não tinha saldo. Mesmo não havendo motivo para pegar o metrô, que custava mais de £2, quando tinha o passe de ônibus, ele escolheu esse caminho.

Havia muitas pessoas. Entre aqueles que estavam prestes a começar o horário de trabalho, Alex se dirigiu para a ponta da plataforma. Enquanto se repreendia por ser idiota, ele ficou na linha amarela. O metrô finalmente chegou após um atraso de 15 minutos. Entrou empurrado pela multidão que entrava com força.

Muito naturalmente, Nathan não estava lá.

Sua premissa já estava errada. Já era tarde, e o próprio fato de Nathan esperar por ele no metrô já era algo sem sentido. Irritado consigo mesmo por continuar criando situações para se decepcionar, Alex olhou fixamente para a porta. Com o atraso, o metrô se arrastava lentamente. Olhou o relógio. Certamente se atrasaria.

Demorando o dobro do tempo, Alex finalmente desceu do metrô. Não havia rostos familiares. Já era hora de todos terem entrado, então não se via outros jovens com o mesmo uniforme. Saindo da plataforma silenciosa, subiu lentamente as escadas para a saída.

Foi quando ele estava a três degraus do topo que viu as costas familiares. Parou de andar olhando para o chão e ergueu a cabeça, avistando os cabelos loiros claros. Na paisagem cinzenta e sombria, apenas os cabelos loiros brilhavam. Seus passos diminuíram. Alex olhou para frente, franzindo a testa.

“Tenha uma ilusão que faça sentido.”

“Será que vi errado?” Fechou os olhos com força e os abriu. “O que estou fazendo?” Provavelmente eram apenas costas parecidas. Mesmo assim, deu passos cautelosos. Andou lentamente para a frente. Apertou a mão que segurava o guarda-chuva. Sua boca estava seca. Seu estômago se revirava como se algo fosse sair de dentro.

Finalmente, quando se aproximou, a pessoa se virou primeiro. Seus olhos se encontraram. Olhos verdes olhavam para Alex.

— Olá.
Nathan cumprimentou calmamente. Alex não encontrou palavras e fechou a boca. Nathan olhava para ele sem dizer nada. Estava confuso. Abriu os lábios para dizer qualquer coisa. Não conseguia entender.

— Por que você está aqui?

Sem pensar, essas palavras saíram. Esqueceu completamente de dizer “olá, Nathan” ou “bom dia”.

— Porque você não aparecia, achei que talvez não tivesse te visto.

Com essas palavras, ele calou a boca. Uma vertigem como se tivesse sido empurrado de um penhasco o dominou. “Por favor, não faça isso comigo.”

— Então esperei.
“Se você fizer isso, eu…”
— Quando chove, a gente sempre ia junto, né.

“Vou continuar gostando de você.”

Ele sentia até certa mágoa. Procurou algo para culpar em Nathan. “Você é realmente um idiota.” “Tão bondoso que chega a ser egoísta, por que tem essa aparência, por que, por que você…”

Mas a culpa que tentou criar se dissipou rapidamente. Nathan veio em sua direção. Parado a uma distância de um palmo dos seus sapatos, Nathan arqueou os olhos suavemente.

— Vamos.

Em vez de andar primeiro, Nathan esperou que Alex se movesse. A força da mão que segurava o guarda-chuva se foi. Seus pés hesitantes finalmente deram um passo. Nathan o acompanhou.

A chuva quase havia parado. Gotas como orvalho se dispersavam no ar e grudavam na pele. A cada passo, as poças rasas no concreto se agitavam. Por cima dos sons abafados, Nathan falou novamente.

— Você não tem aparecido ultimamente.

Sentindo-se culpado, Alex prendeu a respiração. Seus olhos, que estavam no chão, capturaram o perfil de Nathan. Nathan, que ele pensou que estaria olhando para frente, o fitava. Estava confuso. Ao mesmo tempo, estupidamente, sentiu-se feliz.

— …Foi?
— Sim.

Embora estivesse atrasado, Nathan não se apressou e olhou fixamente para Alex. Sua respiração tremia. A tensão tornava sua nuca rígida.

— Estive ocupado.

Mesmo que os treinos estivessem intensos, a desculpa era fraca. Já que nos últimos dois anos ele nunca tinha perdido um almoço juntos. Nathan olhou para ele em silêncio e desviou o olhar. Então, sem motivo, Alex se apressou. Parecia que Nathan tinha percebido sua mentira.

— Quer dizer… tem um ômega que me apresentaram.

Mesmo falando, sentiu que a desculpa era ridícula e praguejou consigo mesmo. Nathan hesitou ao ouvir isso. Seus lábios, que estavam fechados, se abriram lentamente.

— É?

Ele não disse que não era.

— Sim. O Liam do time de futebol apresentou.

Alex continuou a mentira, usando o nome do colega. Sentia-se culpado por enganar Nathan, mas não havia escolha. “O que estou fazendo?” Mas de qualquer forma, precisava conhecer alguém. Porque ia desistir de Nathan. Nathan não gostava dele, e nunca gostaria…

— Estão namorando?

Com a pergunta de Nathan, Alex piscou os olhos.

— Hã?
— Perguntei se estão namorando.

Balançou a cabeça.

— Não.

Não podia namorar sem sequer ter um nome definido.

— Por quê?
— Porque ainda não nos encontramos muito…
— É da nossa escola?

Nathan perguntou a Alex sem intenção de se mover. Parecia um interrogatório, mas não era desagradável. Pelo contrário, ele gostava da atenção de Nathan.

— É de outra escola.
— Apresenta ele pra mim.

No entanto, nessa parte, ele ficou sem palavras. Alex abriu levemente a boca com os olhos arregalados.

— …Hã?
— É a primeira vez que você vai sair com alguém. Acho que nunca vi. Não pode?

Nathan perguntou com uma voz quase firme. Sua mente ficou em branco. Era realmente muito difícil mentir para Nathan, mais do que para qualquer outro. Se o silêncio se prolongasse, pareceria estranho, então Alex conseguiu pensar rapidamente.

— É que… é um pouco difícil.

Nathan ainda estava parado. Suor frio escorria lentamente por sua nuca. Seu coração parecia que ia explodir.

— Eu nunca namorei antes… Então não nos encontramos muito.

Agora ele mesmo tinha dificuldade em interpretar o que estava dizendo.

— Quer dizer, como devo fazer para causar uma boa impressão… isso… eu não sei.

Alex conteve a vontade de fugir com dificuldade. Sentindo-se desesperado, Alex calou a boca. Nathan olhava para Alex com os olhos semicerrados. O breve silêncio parecia uma eternidade, e Alex soltou um suspiro baixo sem perceber. Tinha medo de qual seria a reação.

“Se for mentir, faça direito?”
“O que é essa bobagem?”

— Quer ajuda?

No entanto, a resposta que saiu da boca de Nathan foi completamente diferente do que Alex imaginava.

— Com o quê?
— Com o encontro.

Ele não conseguia entender.

— Como… você pode ajudar com um encontro?
— Porque eu já tive mais encontros do que você.

Estava atônito. Com um pensamento de “será que é possível”, Alex franziu a testa. Não podia ser.

— Para você praticar comigo.

“Não… podia ser.”

Estava boquiaberto. Sem perceber que tinha deixado o guarda-chuva que segurava cair no chão, Alex abriu e fechou a boca. Lentamente, o significado das palavras de Nathan começou a penetrar em sua mente. Naquele momento, seu rosto ficou vermelho.

— Eu e você?

Sua voz saiu rouca. Seu peito ficou apertado e sua pele esquentou.

— Não gosta?

O tom de Nathan era suave. Erguendo os cílios longos, finos como fios de ouro, ele olhava para Alex. Naquele momento, Alex sentiu que ia enlouquecer. “Como poderia recusar algo com aquele rosto?”

— Não!

Respondeu tão rápido que até se surpreendeu. Mas “será que pode fazer isso?” “A Jessica?” Ao lembrar desse nome, sentiu-se como se estivesse traindo.

“Não, não. É só um treino.”
“Nathan não vai pensar nada.”

Mas também era estranho fazer um treino de encontro quando havia decidido desistir de Nathan.

— Mas você não é ômega.

Alex tentou recuperar a razão, embora estivesse prestes a cair como que enfeitiçado. Enquanto falava, seu peito doía.

— Você disse que ia namorar um homem. Não é parecido?

Se for pensar, era verdade. Mesmo assim…

— Você não disse que odiava quando te viam como ômega?
— O que me irritava era você também agir assim. Mas você disse que não.

Lembrando da confissão que fizeram juntos, seu rosto, que começava a esfriar, ficou vermelho novamente. Alex desviou o olhar constrangido e esfregou a nuca. Suas orelhas estavam avermelhadas. O olhar de Nathan estava fixo na mão que ele passava no pescoço.

— …É.

“Tudo bem.” Acrescentou no final, como se estivesse envergonhado. Nathan soltou um riso curto.

— Quando quer fazer?

Sem motivo, a frase soou estranha, e Alex fechou os olhos com força. Lembrou da imagem de Nathan que ele imaginou enquanto fazia aquilo. Sentindo a parte inferior do abdômen endurecer, Alex forçou-se a pensar em outra coisa.

— Qualquer dia.
— Então no sábado.

Depois de decidir, Nathan finalmente começou a andar, parecendo satisfeito. No entanto, ele, que geralmente ia na frente, deu alguns passos e parou, virando-se. Vendo seu rosto como se pedisse para segui-lo, Alex relaxou os cantos da boca. Seus passos estavam leves, como se os últimos dias sombrios nunca tivessem existido.

“Não me empolgue.”

Depois do treino de força no sábado à tarde, olhando seu rosto no espelho do vestiário, Alex pensou. Embora tivesse aceitado a proposta de Nathan como que enfeitiçado, os dois não estavam saindo em um encontro. Era apenas um treino, e Nathan estava ali apenas para ajudá-lo…

“Pare, Alex Yeon. Já foi longe demais.”

Com esse pensamento, Alex admitiu que não conseguia mais controlar seus sentimentos. Seu rosto animado refletido no espelho. Suas bochechas estavam um pouco vermelhas por ter acabado de sair do banho. Preocupado, esfregou as bochechas. “Se arrumar demais, vai parecer estranho?”

Puxou os cabelos pretos molhados que grudavam. Seus olhos abaixo da testa branca pareciam afiados com as pontas levemente erguidas. Como suas pálpebras eram tão pouco marcadas que quase pareciam monólidas, parecia ainda mais. Hoje, seu rosto não estava nada agradável. Embora não achasse que fosse tão bonito assim, também não achava que fosse feio, mas agora parecia faltar algo.

Depois de muito tempo em frente ao espelho, finalmente se trocou. Só depois de ficar mais alguns minutos hesitando com as roupas que havia trazido com cuidado. Preocupava-se que, se se arrumasse demais, parecesse estranho. Afinal, ele tinha se esforçado, já que não conseguiu dormir pensando nisso na noite anterior.

— Não é uma roupa que costuma usar. Tem um encontro?

Liam, que passava, fez um som de “ohhh” e bateu no ombro de Alex. Ao ouvir a palavra encontro, Alex ergueu a cabeça bruscamente. Antes que pudesse dizer que não, suas orelhas ficaram vermelhas.

— En…contro não é.

A frase que conseguiu dizer não era convincente. Por causa de Liam, que tinha uma voz desnecessariamente alta, os colegas de equipe que se trocavam soltaram vaias e comemorações.

— Que tipo de ômega?
— Apresenta pra gente também.

Com a atenção que surgiu, levantou-se rapidamente. Pegou a mochila e saiu do vestiário, e Liam o seguiu insistentemente. Seu coração batia forte. Como alguém que se sentia culpado, Alex fingiu não ver sua nuca quente e olhou para frente.

— Olha só? Parece que é verdade?
— Não é.
— Se é alguém que vai sair com você, deve ser muito bonita. Não tem amiga?

“Não é ômega, é beta.” Alex franziu a testa. Liam não era um cara ruim, mas não entendia por que ele era tão obcecado por ômegas. Mesmo assim, não havia ômega que se comparasse a Nathan.

— Sai daqui.

Falou bruscamente e saiu do prédio. Passando pelo campo de grama verde bem cuidada, andou em direção à entrada, tendo uma discussão sem sentido com Liam. Foi quando David Mac apareceu.

— Olá.

Liam parou, arregalando os olhos primeiro. O rosto de cabelos loiros acastanhados puxados para trás apareceu. Com um sorriso amigável, ele parecia realmente impressionante. Como suas habilidades e sua formação. Alex franziu a testa e abriu a boca.

— É. Olá.

Precisava se apressar para chegar a tempo, mas não sabia por que ele estava puxando conversa. Mesmo com uma expressão irritada, David não se importou e sorriu.

— Seu desempenho ultimamente está bom.

Foi um elogio também sem motivo. No entanto, Liam fez uma comemoração silenciosa e bateu forte no ombro de Alex. “Ah, sério.”

— Hã… obrigado?

Liam bateu no ombro mais uma vez. Quando estava prestes a dizer algo irritado, David riu baixinho.

— Você é brusco como dizem. Aonde vai?

Alex assentiu. “Se sabe, então sai da frente.”

— Sim.
— Encontro?
— Não.

Respondeu sem pensar. Mas não se sabe o que ele achou, David sorriu. Com um sorriso aberto, ele bateu no braço de Alex e acenou levemente.

— Certo, tem que ser assim. Então, até a próxima.

“O que tem que ser assim?” Franziu os olhos para a frase sem sentido. Mas David, como se tivesse terminado o assunto, virou-se primeiro e começou a andar. Caminhando rapidamente para a entrada com suas longas pernas, ele falou com alguém que o esperava e olhou para Alex uma vez. Sentiu um garoto de cabelos castanhos, parecendo mais baixo que Nathan, olhando para ele.

— Ei, eu estava certo? Se ficar amigo dele, entra no time principal.

Liam sussurrou em seu ouvido. O garoto ao lado de David olhou para Alex por um longo tempo, depois ficou na ponta dos pés e sussurrou no ouvido de David.

— Quem é ele?
— Ele? Não sabe? É o irmão do David. O irmão ômega que ele anda junto. Ele vem muito assistir aos treinos, muitos gostam dele, você realmente não sabe? David é doido por ele, a ponto de circularem boatos estranhos de que namoram. É famoso. A família é meio peculiar, ao ponto de fazer os filhos que não se dão bem com o irmão se transferirem de escola.
— É. Não sei.

Se fosse verdade, era alguém com quem ele deveria tomar ainda mais cuidado, mas Liam continuava insistindo para que se aproximassem. Pensando em quanto dinheiro aquela família devia ter para fazer alguém se transferir de escola, não sentiu nada além disso.

— Você é realmente incrível.

Ignorando Liam, que admirava genuinamente, Alex olhou o celular. Havia uma mensagem.

“Estou indo. Te vejo logo.”

Um sorriso surgiu lentamente em seu rosto sem expressão. Mordendo os lábios que estavam prestes a se curvar, Alex começou a correr. Para Liam, que gritava algo, ele acenou levemente. Parecia que seu coração ia explodir a qualquer momento.

Leicester Square estava movimentada como sempre.

Enquanto saía da multidão, arrumou os cabelos. Sentindo a confusão característica de lugares com muitas pessoas, ficou preocupado. Embora tivesse escolhido o lugar mais comum, ao chegar, parecia não ter sido uma boa escolha.

Apertava e soltava as mãos geladas de ansiedade. Subiu dois degraus de cada vez nas escadas onde se amontoavam recibos amassados, cascas de banana e embalagens de hambúrguer.

“Está lá.”

Nathan já havia chegado. Assim que subiu as escadas, reconheceu-o pelos cabelos loiros. Com a cabeça levemente inclinada, sua nuca branca e reta estava exposta. Respirou fundo. Seus tênis hesitantes finalmente decidiram e correram em direção a Nathan.

— Desculpa, me atrasei.

Chamou Nathan com cuidado, parando. Nathan, que olhava o celular, ergueu os olhos. Um leve sorriso apareceu em seu rosto que estava com uma expressão monótona.

— Chegou?

“Estranho.”

— Vamos.

Nathan, que se endireitou, arqueava os olhos olhando para Alex. Como não era uma expressão que se via com frequência, Alex ficou confuso. Não tinha para onde olhar. Embora seus lábios estivessem fechados, se olhasse diretamente para aquele sorriso com os olhos semicerrados de forma graciosa, parecia que agiria como um idiota. Na verdade, o sorriso era tão bonito que Alex mal conseguia conter o impulso de olhar constantemente.

— Sabe, Nathan.

Seguindo atrás de Nathan, que liderava o encontro, Alex perguntou.

— Hum.
— Aconteceu algo bom?

Nathan olhou para trás ligeiramente. Os olhos que sorriam voltaram à expressão sem graça.

— Isso não é um encontro?
— Hã, o quê?
— Então estou sorrindo.

“O que faço?” Não podia se iludir, mas com aquela frase, suas orelhas esquentaram. Parecia que ia enjoar. Como se tivesse engolido dezenas de borboletas, algo em algum lugar dentro de seu corpo girava e girava.

— Não gosta?
— Não, é muito bonito.

Hesitante, Alex foi para o lado de Nathan. Mas o sorriso havia desaparecido do rosto de Nathan. Uma sensação de arrependimento o dominou.

— Sério.

Com pressa, acrescentou mais uma vez. Nathan, que o observava em silêncio, o corrigiu.

— Não diga “bonito”.
— Então?
— Diga “bonitão”. Eu gosto mais.

“Fofo.” Esforçando-se para manter uma expressão séria, Alex assentiu rapidamente.

— Sim, você é muito bonitão. Extremamente.

Nathan, que o observava sem expressão, lentamente relaxou o rosto. Um riso sem sentido acabou escapando.

— Estou falando sério.

Começaram a andar juntos, ajustando o passo. Sem ter feito nada, seu humor já estava bom.

— Você sabe que é bonito. É o mais bonito do mundo.

Então, como se estivesse achando graça, Nathan riu.

— Quando eu ficar mais alto que você, não vai poder implicar assim.

A réplica veio. Alex balançou a cabeça, seguindo o ritmo. Um sorriso branco se formou nos cantos de sua boca.

— Também acredito nisso.

Havia realmente muitas pessoas na rua. O som de suas conversas na calçada estreita se misturava e emergia da multidão barulhenta. Um grupo de turistas passou por eles, que andavam com uma pequena distância. Quando Alex foi empurrado para a loja em um instante, Nathan segurou sua cintura. Seu corpo congelou. Os lábios que iam dizer “obrigado” se fecharam. Estava perto demais.

— E se eu realmente ficar mais alto?

A mão que tocou levemente sua cintura se soltou. Surpreso, recuou alguns passos e finalmente se recuperou. Toda a sua atenção estava na parte inferior das costas, onde Nathan havia tocado. Sua respiração fina tremia. Os olhos verdes que olhavam diretamente para ele pareciam particularmente intensos, então, sem conseguir encará-los, Alex disse:

— Então… eu realizo um desejo seu.

Mesmo depois que as pessoas passaram e o espaço voltou, Nathan não se afastou. Sua respiração continuava tremendo, então Alex prendeu a respiração. Nathan fez um som baixo de “hum” e assentiu.

— Está bem.

Um breve silêncio se seguiu. Nathan, que estava participando do treino de encontro, estava de alguma forma diferente do habitual. Embora não pudesse apontar exatamente, pequenas diferenças se acumulavam e deixavam Alex tenso.

“Nathan não tem defeitos.” Enquanto pensava isso, eles entraram em Chinatown. Observando os cassinos e restaurantes alinhados, Alex entrou em pânico por um momento.

“E agora?”

Independentemente de estar tão feliz com Nathan ao lado que parecia que ia morrer, por um momento ficou atordoado. Sentia como se fosse a pessoa que mais se preocupava no mundo, passando o dia inteiro pensando. Nervoso, Alex olhou rapidamente para o relógio. 5 da tarde. Já era hora do jantar, então provavelmente deveriam comer algo primeiro.

“Era tão difícil assim? Encontros são tão difíceis? Como as pessoas fazem isso todos os dias?” A pressão de que o encontro tinha que ser perfeito sufocava Alex.

— Sabe, Nathan.

Vamos começar pelo começo. Primeiro, decidir onde comer.

— Você gosta de bubble tea?

No entanto, o que saiu foi algo completamente diferente do que pensava. O problema foi que ele acabara de passar por uma loja de bubble tea.

— Nunca experimentei.

Mas Nathan, gentilmente, respondeu à pergunta inesperada de Alex.

— Sério? Mesmo quando Tina e Jude bebem?
— Não gosto daquilo que vem dentro.
— Tapioca?
— Parece ovo de rã.

Ah… Ele nunca tinha pensado nisso. Embora não bebesse com frequência, quando surgia a oportunidade, ele bebia.

— Por quê? Quer beber?

Nathan perguntou e parou.

— Hã?
— Vamos.

Nathan se moveu primeiro. Alex, que ia sugerir que comessem algo, calou a boca com a ação seguinte de Nathan. Suas mãos se tocaram. Movendo o pescoço rígido com dificuldade, baixou o olhar. Dedos longos e brancos envolviam o dorso de sua mão avermelhado pelo sol.

O calor subiu alguns segundos depois. Como em algum dia da infância quando viu um beijo pela primeira vez, sentiu uma vertigem apenas com as mãos sobrepostas.

Olhando para as mãos entrelaçadas, Alex lentamente puxou a sua. Seu dedo anelar tremeu. A raiz da nuca reta mudou lentamente de cor para um vermelho intenso. O sol, que havia estado escondido pelas nuvens, apareceu e tingiu toda a rua de vermelho escarlate, e sob aquela luz, o rosto de Alex se revelou.

Por reprimir algo que subia até o fim, seus olhos estavam vermelhos.

Nathan ficou em silêncio por um momento. Seus olhos frios olharam para a mão que se afastava e, em seguida, se voltaram para o rosto de Alex. A mão que mal se tocava se separou completamente. Foi então que os lábios de Nathan se abriram.

— Você não gosta?

Bubble tea.

A palavra que veio em seguida quase não foi ouvida. Mesmo sem ver, ele sabia. “O quanto seu rosto deve estar vermelho.”

“Fui descoberto.” Pensou.

— G, gosto, mas…

Gaguejando, desviou o olhar. Mal conteve o impulso de levantar o braço e cobrir os olhos. Se olhasse nos olhos mais uma vez, parecia que seus pensamentos interiores escapariam. “Não posso.” Advertiu-se. Porque se fizesse isso, seria o fim.

Mas seu corpo nervoso não conseguia soltar outras palavras. Juntou a respiração dispersa com dificuldade.

— Eu, quer dizer, nunca, segurei a mão de ninguém, então…

“Desculpa.” “Estou nervoso.” Com olhos que pareciam que iam chorar, Alex olhou para Nathan. Seu rosto perturbado, sem saber o que fazer, Nathan observou calmamente.

— Nunca segurou?

Ele assentiu. “Talvez na infância distante.” Embora não se lembrasse. Ao ouvir isso, Nathan estendeu a mão. O indicador de sua mão esquerda, que recuava assustado, foi agarrado.

— Então precisa segurar mais.

Os dedos se entrelaçaram um a um. Diferente de quando apenas se tocaram, eles se entrelaçaram suavemente. Quanto mais as áreas de contato aumentavam, mais Alex fechava os olhos com força. Sua respiração agitada se espalhava lentamente entre seus lábios fechados.

— Vai fazer coisas mais intensas também.

Em breve, suas mãos estavam completamente entrelaçadas. A mão de Nathan, que ele tocava pela primeira vez, era mais fria que a de Alex. Seus dedos, que pareciam pequenos, não eram muito diferentes dos seus. Depois de segurar as mãos, Alex, que manteve os olhos fechados por um longo tempo, só os abriu cuidadosamente quando a sensação de náusea passou.

— Coisas mais intensas…?

Sua mente confusa captou as palavras de Nathan tardiamente. Com um rosto impossível de saber o que pensava, Nathan abriu a boca calmamente. Era inacreditável que estivessem de mãos dadas.

— Como beijo.

Abriu e fechou a boca. Era ridículo sentir vergonha com essa palavra, considerando o que ele havia sido pego fazendo, mas parecia que sua cabeça ia ferver.

Enquanto isso, Nathan puxou sua mão e o levou até a loja de bubble tea à frente. Ele não tinha a intenção de beber, e a ideia de comer algo já não estava mais em sua mente. Toda a sua atenção estava na mão que ele segurava.

Havia bastante gente na loja. Enquanto esperavam na fila, Alex, sem saber para onde olhar, olhava em volta e finalmente virou a cabeça ligeiramente para perguntar a Nathan:

— …Durante um encontro, também se beija?

Sua voz estava baixa. Nathan riu ao ouvir isso. Um leve sorriso relaxado varreu seus lábios.

— As pessoas beijam mesmo sem estar em um encontro.
— …É mesmo.

Pensando bem, todo lugar onde havia festas, os jovens estavam se beijando. Embora soubesse, vendo e ouvindo pessoas usando identidades falsas, bebidas trazidas por outros, entrando em quartos vazios e fazendo coisas mais intensas.

— Você já beijou?

Enquanto isso, chegou a vez deles. Em frente ao balcão de pedidos, Nathan olhou o cardápio uma vez. Então, olhou para Alex. Em vez de responder à pergunta, outra pergunta voltou.

— O que você vai beber?

“Ele não quer responder?” Seu coração, que batia loucamente, começou a se acalmar com essas palavras. “É claro.” Era uma pergunta pessoal, e Nathan raramente falava sobre si mesmo.

— Para mim, só milk tea com as bolinhas. E você?
— Eu não quero.

Terminando de falar, Nathan passou o cartão de débito na maquininha antes mesmo que Alex tivesse tempo de pegar o seu. Aconteceu tão rápido que nem deu tempo de impedir. Com um rosto surpreso, Alex olhou para Nathan.

— Eu pago.
— Por quê?
— Porque…

“Porque sou alfa.” Foi a primeira coisa que veio à mente. A imagem que se esperava de um alfa era essa. Ser proativo, parecer bom em tudo, pelo menos ter algo em que se destacasse.

No entanto, diante de Nathan, esse argumento não era muito convincente.

— Porque quero pagar para você.

Falou hesitante. O bubble tea ficou pronto rapidamente. Nathan, pegando o canudo, disse “obrigado”.

— Então você paga na próxima.
— …Sim.

Com a resposta dócil, Nathan olhou para ele uma vez. Como se pedisse para ir, sua mão foi puxada. Seguindo Nathan obedientemente, saiu para a rua.

Ainda de mãos dadas, Nathan colocou o canudo no bubble tea que Alex segurava.

— Obrigado.

Murmurou baixinho e, com um sorriso estranho, Alex inclinou a cabeça e bebeu o bubble tea. Estava tão consciente da mão que segurava que não sentiu o gosto de nada.

Caminharam em silêncio por um tempo. Cruzaram uma ruela estreita e pararam na entrada que levava a Soho. Enquanto esperavam o sinal, Nathan falou.

— Já beijei. Sim.

Ah. Alex piscou.

— É mesmo.

“Foi uma pergunta realmente idiota.” Ao ouvir a resposta, seu coração ficou agitado. “Ele já deve ter beijado a Jessica várias vezes.” Cenas impróprias passaram por sua mente por um momento. A mão que segurava a sua tremeu.

— E você?

Ele não tinha nenhuma lembrança de sequer ter beijado alguém. Mas sentia vergonha de dizer que nunca tinha beijado, então hesitou por alguns segundos.

— Nunca beijei.
— Quer beijar?

Sua garganta secou. Embora soubesse que não era nesse sentido que ele perguntava, mesmo assim.

— Não deveria?
— Com o ômega que você está saindo?

Só então Alex percebeu que o que estavam fazendo era um ensaio. Baixou o olhar para as mãos. “Para Nathan, isso não deve significar nada.”

— Não sei. Não tenho confiança.
Ao ouvir isso, Nathan disse calmamente.
— Ninguém é bom na primeira vez.

Os pensamentos que vinham o incomodando desde agora passavam. “Com quem Nathan teve seu primeiro beijo? Como Nathan foi no primeiro beijo?” “E como é agora?” A teimosia que ele pensava ter reduzido cresceu assustadoramente assim que segurou a mão de Nathan.

— Então… será que a outra pessoa não vai se sentir incomodada?

Suprimindo todas as perguntas que queria fazer, encontrou uma resposta com dificuldade. Então, uma risada baixa foi ouvida. Surpreso com a risada inesperada, Alex virou a cabeça bruscamente.

— Por quê, por quê?

Sua voz tremia. Ao mesmo tempo, o sinal de pedestre mudou. Nathan balançou levemente a cabeça e começou a atravessar a rua. Sua mão ainda estava presa.

— Não, nada.
— Eu fiz algo errado?
— Não é isso.

Alex, hesitante, o seguiu ansiosamente. Nathan olhou para trás e sorriu, arqueando os olhos.

— É que você é fofo.

Seus olhos se arregalaram. Por um momento, ele não entendeu o que tinha ouvido.

— Eu?
— Sim. Sua reação é fofa.

Nathan não parou. Seu corpo era puxado na direção para onde sua mão o levava. Incontrolavelmente, repetidas vezes, mesmo pensando que aquelas palavras não tinham significado.

— Então ninguém vai te odiar.

Tudo o que Alex podia fazer era ser levado por Nathan.

O encontro disfarçado de treino continuou por mais três horas. Depois que entraram nas vielas de Soho, jogaram. As mãos se soltaram nessa hora.

Jogaram jogos de tiro no centro de jogos do outro lado dos clubes e ao lado do Princi. Normalmente, Alex era melhor nesse tipo de jogo, mas como não conseguia se concentrar, seu personagem morreu rapidamente.

Depois do jogo que acabou sem graça, jogaram sinuca. Em uma mesa de sinuca inclinada, de qualidade inferior até às mesas do subsolo do cassino, jogaram três partidas. Foi um pouco diferente do habitual. Diferente de antes, quando jogavam sem dar chances, Nathan deu duas oportunidades a Alex, que havia encaçapado a bola preta no meio do jogo.

Nathan estava ao mesmo tempo parecido com o de sempre e diferente em muitas coisas. Segurar as mãos, pagar algo primeiro, e até sorrir.

Se perguntassem o que serviu como treino, ele não poderia responder. Porque ele não queria fazer essas coisas com ninguém que não fosse Nathan. Mais do que nunca.

O desejo incontrolável agarrou os tornozelos de Alex quando chegou a hora de ir para casa. Ele não queria se separar. Embora tivesse mostrado apenas um lado desajeitado, longe de ser bom, pensar que não veria essa cena novamente depois daquele dia era insuportável.

Ele sabia. Que Nathan nunca o aceitaria. Na confissão indireta, Nathan expressou arrependimento. Não haveria rejeição mais definitiva do que essa.

— Sabe, Nathan.

“Então, não posso experimentar mais uma vez?”
— Se você não se importar…
“Mais uma vez…”
— Você pode me ajudar mais uma vez?
“Eu queria poder me iludir.”

Antes de descer as escadas de volta à estação onde se encontraram, Alex perguntou. Nathan o observou calmamente. O vento que soprava do céu vermelho escarlate onde o sol começava a se pôr tocou seus cabelos. “Foi demais?” Com o silêncio que se seguiu, Alex rapidamente abriu os lábios. A resposta veio então.

— Sim.

Foi uma afirmação baixa e gentil. Era também uma voz que ele nunca tinha ouvido.

Uma dúvida surgiu. “Nathan, você ainda está praticando comigo?”

Embora quisesse que ele aceitasse, quando finalmente conseguiu a permissão, seu coração estava complicado. Nathan aceitou a proposta que ele pensava que seria recusada. Com olhos confusos, Alex olhou para Nathan ansiosamente. Queria saber o que se passava por trás daquela expressão sem graça. Mas por mais que pensasse…

— Vamos fazer assim.

Ele não conseguia entender o motivo.

↫─☫ Continua…

⌀ ⌀ ⌀

✦ Tradução, revisão e Raws: Othello&Belladonna

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— Você disse que gostava de mim. Foi… tudo mentira?
— Como um Alpha poderia gostar de um Beta?
Entre uma mãe que o abandonou e um pai que o forçou a viver como Alpha, Alex cresceu sem nunca se apoiar em ninguém. O único que o confortava, independentemente do seu gênero secundário, era Nathan. Para proteger Nathan de um certo incidente, Alex o afasta com palavras cruéis.
Anos se passam, nove longos anos de penitência e saudade. Então, um dia, eles se reencontram na cena de um caso em que Nathan é a testemunha.
— Sr. Nathan, se não for incomodar… na verdade, se você não se importar, há algo que eu gostaria de dizer…
— Se você está pensando em se desculpar, não precisa se incomodar.
Alex fica ansioso ao redor de Nathan, desesperado para se desculpar, mas Nathan mantém tudo friamente dentro do estritamente profissional. Então, devido aos efeitos colaterais do uso prolongado de supressores, o desequilíbrio hormonal de Alex é exposto.
— Você poderia simplesmente dormir com uma Ômega. Por que está procurando outra coisa? Você gosta de Ômegas.
— É porque não estou saindo com nenhuma Ômega no momento. Acho que não consigo fazer isso com alguém que não conheço.
Alex tenta se esquivar e recusa, alegando que não quer. Nathan, que havia se afastado friamente, acaba voltando e faz uma oferta de ajuda.
— Você pode fazer sexo com alguém de quem não gosta. Não interprete demais. É só sexo.
— Você não precisa se forçar a fazer isso com alguém nojento como eu.
— Você não é nojento. Então pense direito e me responda.
Mesmo que Nathan diga que não quer se envolver, sua bondade o atravessa e Alex só quer chorar. “Será que eu… nunca serei perdoado por você? Você foi a minha única alegria neste mundo. Nathan, por favor… apenas uma vez… me ouça. Por que eu fiz o que fiz.”

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