Ler Mind The Gap – Capítulo 01 Online


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❖ Capítulo 01 – Tube Station

No primeiro dia em que conheceu Nathan, também estava chovendo.

Era o último sábado de setembro. O céu, começando a entrar no outono, estava mal-humorado e nublado. O centro de Londres tingia-se de um cinza sombrio, e aumentavam as pessoas que vestiam casacos.

Em meio às pessoas que andavam sem olhar para trás, Alex recebeu uma mensagem. Foi quando acabara de chegar à estação de metrô. Era o dia em que fizera o teste de admissão para o time de futebol local, o Barnes FC, por insistência do pai. Naquele momento, as gotas de chuva começaram a cair.

O contato era da mãe.

O conteúdo informando a sentença de divórcio era monótono e seco. Era algo esperado, já que o que antes era um encontro semanal passou a ser cada vez mais espaçado, até que eventualmente se viam cerca de uma vez por mês. Aos olhos de um garoto de quinze anos, já era visível que o casamento entre sua mãe e seu pai havia chegado ao fim definitivo.

No entanto, não podia culpar ninguém. Quando o negócio começou a declinar, seu pai foi mudando aos poucos. O homem que viera sozinho da Coreia havia entrado no ramo gráfico e construído uma base considerável, mas não conseguiu se adaptar às rápidas mudanças de Londres com o passar dos anos. Com a ascensão das plataformas digitais, as máquinas de impressão perderam seu valor, e a base que ele estabelecera com muito dinheiro tornou-se inútil. Com isso, o homem começou a beber. Uma história comum, que nem valia a pena ouvir.

Conforme os dias em que ele bebia aumentavam e até o dinheiro que sua mãe ganhava começou a ser gasto em bebida, a situação mudou. A mulher do interior, que viera de Salisbury apaixonada, já não estava mais lá. No dia em que seu pai finalmente gritou e ergueu a mão pela primeira vez, sua mãe iniciou a separação. O fim disso era exatamente aquele dia.

“É melhor não me contatar a menos que seja realmente necessário.”

A mensagem terminava assim. Em nenhum lugar havia palavras como “me desculpe” ou “eu te amo”. Alex ficou ali parado, lendo aquilo. Seus lábios se abriram e fecharam. Algo o sufocava, mas ele não conseguia identificar a causa.

Foi nesse momento que a chuva começou a cair com mais força. Garotas que acabavam de sair da escola gritaram alegremente e correram para dentro do metrô. Alex ergueu a cabeça, distraidamente. Gotas de chuva caíam, caiam, formavam-se e escorriam sobre a tela do celular. Só alguns segundos depois ele pensou que sua mochila poderia molhar. E, dentro dela, o presente de aniversário de sua mãe certamente também se molharia.

Mas era difícil mexer o corpo.

Sua garganta tremia finamente. Sentindo uma massa quente subir pelo esôfago, ele prendeu a respiração. No momento em que viu as costas de uma mulher de cabelos castanhos que colocava um guarda-chuva sobre o filho pequeno antes de entrar, algo dentro dele explodiu. Alex ergueu as mãos como quem não sabia o que fazer. Esfregou o rosto com o celular ainda na mão. A região dos olhos ardia e formigava, como se fosse explodir.

“Eu já sabia que minha mãe não me amava mais.”

Era impossível não saber, pois ele ouvia essas palavras sempre que ela brigava com o pai e gritava com ele. A cada vez que via seus cabelos pretos, iguais aos do pai, ela reclamava que sentia repulsa, dizia que suportou anos por causa dele – palavras que ele ouvia diariamente, tão intensamente que não podia esquecer.

Mesmo assim, mesmo assim…

Gostaria que ela tivesse ao menos ouvido um “feliz aniversário”.

Seus cabelos ficaram encharcados. Um vento frio e cortante soprava forte em frente à estação. Seus pés, sem saber para onde ir, tentavam se mover e paravam repetidamente. “Tudo bem. Era algo que eu já esperava.” Pensava assim. O caminho era para a casa de sua mãe, então agora precisava mudar de direção. Voltar, pegar o ônibus, fazer uma baldeação…

— Moço.

Foi quando alguém o chamou. Com os ombros sobressaltados, Alex virou-se bruscamente. A primeira coisa que viu foram os olhos. Em meio à paisagem cinzenta e sem cor, apenas os olhos do garoto tinham cor e brilhavam.

Alex reconheceu aquele rosto. Era Nathan White, que ele observava de longe desde o início das aulas. Por ser beta, Alex nem sequer lembrava de ter trocado uma palavra com ele. Afinal, alfas e ômegas eram separados dos betas por uma linha invisível.

Diziam que na sociedade as coisas eram diferentes, mas naquela idade em que tudo era sensível, os jovens desconfiavam do que era diferente. Havia até grupos de betas que menosprezavam alfas e ômegas, chamando-os de animais por causa do cio.

— O caminho…

O garoto abriu a boca com um rosto sem expressão. Alex, sem conseguir pensar em se mover, apenas o observava.

— Você está bloqueando.

O significado das palavras só entrou em sua mente alguns segundos depois. Piscando os olhos sem entender, Alex se moveu para o lado. Seus lábios tremiam, dificultando qualquer resposta. Só depois de controlar a voz trêmula conseguiu abrir a boca.

— Desculpa.

O pedido de desculpas se perdeu no som da chuva. Diferente da garoa fina e constante de sempre, a chuva daquele dia caía especialmente forte. Enfiou o celular no bolso. Sua cabeça estava confusa. Passou a mão pelos cabelos, que já começavam a pingar. “Vou ficar aqui mais um pouco antes de me mexer.”

Foi o que sussurrou para si mesmo.

A chuva parou. As gotas que perfuravam dolorosamente entre seus cabelos desapareceram. Com um olhar de surpresa, desviou os olhos. Um leve perfume se espalhou. No fim do novo olhar, Alex viu novamente os olhos verdes que tinha visto há pouco. Os lábios rosados sem nenhuma rebarba e o queixo branco também entraram em seu campo de visão.

— Alex Yeon, certo?

Ele não imaginava que soubesse seu nome. Alex, esquecendo até de responder, observava silenciosamente os lábios que se moviam. O som da água escorrendo pelo tecido fino do guarda-chuva ecoava baixinho. Nathan não disse mais nada. Apenas ficou ali, olhando para Alex, que não respondia. Com o guarda-chuva sobre ele.

Naquele momento, não pensou em nada. Esquecendo até o motivo pelo qual estava chorando, Alex mordia e soltava os lábios pálidos. Uma onda de tristeza veio, e ao mesmo tempo uma sensação de alívio. Engolindo o choro quente que ameaçava explodir, Alex franziu a testa.

— Não se molhe.

Depois de um longo silêncio, Nathan disse isso.

— Vou te dar isso.

Seu braço se estendeu. Ele viu os dedos segurando a alça do guarda-chuva. Os dedos de juntas longas eram brancos e bonitos como o rosto de Nathan. Até as unhas bem cuidadas tinham um formato perfeitamente arredondado. As cutículas com um tom rosado transparente, as pontas das unhas aparadas uniformemente, tudo lembrava Nathan.

— Anda.

Vendo Alex não pegar o guarda-chuva e apenas olhar para sua mão distraidamente, Nathan falou curto. Sua expressão e voz estavam sem alteração, calmas.

— Mas você vai se molhar.

— É.

Nathan respondeu como se fosse algo óbvio. Dessa vez, a pressa veio em forma de ação. Seu braço se estendeu um pouco mais. Vendo que Nathan estava prestes a sair completamente de debaixo do guarda-chuva se ele continuasse assim, Alex apressou-se em segurar a alça. Suas mãos se sobrepuseram. A pele de Nathan, que tocou a ponta de seus dedos, estava fria.

— Ainda assim, acho que vou me molhar menos que você.

Com essas palavras, Nathan soltou a alça. Alex não teve tempo de detê-lo. Surpreso, ele olhou para Nathan, que finalmente mudou de expressão. Um sorriso suave se formou em seus olhos. Naquele momento, esquecendo até de respirar, Alex piscou os olhos. Seu peito ficou apertado, e seu baixo ventre tremeu finamente. Seu corpo esquentou de repente. A cena diante de seus olhos era tão irreal assim.

Alguém já tinha visto Nathan White sorrir? Provavelmente não. Diferente de sua aparência marcante, sua maior fama era sua atitude irritantemente indiferente em relação aos outros.

— Agora você não está mais chorando.

Com a fala seguinte, Alex sobressaltou-se e enxugou as bochechas. O sorriso que pairava em seus olhos bonitos se aprofundou um pouco. Era tão sutil que, se não olhasse com atenção, nem perceberia que era um sorriso, mas, de qualquer forma, era um sorriso.

— Espera, Nathan, isso é…
— Até mais.

Como se tivesse terminado o assunto, Nathan saiu de debaixo do guarda-chuva. A mão que Alex estendeu para segurá-lo cortou o ar vazio. Nathan não olhou para trás. Entrou na estação sem pressa, como sempre andava.

Alex observou Nathan desaparecer: suas costas eretas, a nuca branca e macia, as pontas dos dedos balançando a cada passo. Até que a chuva que escorria pelo guarda-chuva parasse e um sol tardio aparecesse entre as nuvens.

Ploc.

— Alex.

Com a voz baixa que o chamou, Alex desviou o olhar.

— Não tem guarda-chuva?

Nathan estava do lado de fora da estação, olhando para ele. Sua voz, misturada ao som das gotas de chuva caindo sobre o guarda-chuva azul, era silenciosa como a chuva. Alex lembrou de sua aparência molhada como um cachorro que caiu na água. Também lembrou do guarda-chuva que havia guardado na mochila ao entrar na estação. Seus lábios hesitaram antes de darem a resposta.

— Esqueci em casa.

Nathan ergueu o guarda-chuva que segurava sem dizer nada. Vendo Alex apenas olhar para ele, Nathan fez sinal com os olhos. Sua consciência doía, mas Alex seguiu seu desejo.

— Vamos.
— Sim, Nathan.

Ele usou o apelido que apenas algumas pessoas, incluindo Alex, podiam chamar. Nathan não respondeu. Mesmo assim, Alex ficou tão feliz que quase se sentiu enjoado. As pontas de seus lábios se curvaram levemente.

Cuidadosamente, entrou debaixo do guarda-chuva. Como não era grande, seus corpos quase se encostaram. Alex manteve uma pequena distância, sem se importar que seu ombro direito ficasse todo molhado.

— Quer que eu segure?
— Eu consigo segurar.

A voz de Nathan ficou mais grave, como se estivesse descontente. O jeito era tão fofo que Alex riu baixinho. Provavelmente por causa da lembrança de quando disse que seguraria o guarda-chuva porque era mais alto. Devia ser verdade, pois Nathan acrescentou em seguida.

— Vou crescer mais depois.
— É.

Alex concordou, embora não acreditasse. Afinal, já estavam no 12º ano, época em que todo mundo já tinha parado de crescer. Quanto mais ele poderia crescer? Além disso, Nathan era adorável exatamente com essa altura. Uma altura que, se o abraçasse, quase chegaria aos seus olhos.

— Parece que não está acreditando.
— Eu acredito em tudo que você diz.

Porque gosto tanto de você, tudo o que você diz é bom para mim. Alex murmurou internamente e começou a andar. Um silêncio se instalou. Ouvia-se apenas o som da chuva lavando a poeira acumulada na cidade nas últimas semanas.

Nos dias de chuva, Nathan pegava o metrô mais cedo do que o normal.

Nathan, que não gostava muito de pessoas, evitava os horários de pico e entrava no tubo. Depois que descobriu isso por acaso, Alex esperava por Nathan no último vagão da linha Hammersmith. Nos dias de chuva, eles podiam ir juntos para a escola. Aqueles vinte minutos eram o momento mais feliz para Alex. Por isso, Alex adorava dias de chuva.

— Por que está assim?
— Hã?
— Você vai se molhar.

Nathan inclinou o guarda-chuva para o lado de Alex. Alex se assustou e negou com as mãos.

— Já estou molhado, então não tem problema. Nathan, assim você vai se molhar.
— Chega mais perto.

“Se eu fizer isso, vou ficar em apuros, então não.” Uma expressão embaraçada surgiu em seu rosto.

— Meu uniforme está molhado, você vai ficar úmido também. Você não gosta dessas coisas.
— Anda.

Nathan estava firme. Como era de sua personalidade, quando decidia algo, colocava em prática. Alex não teve escolha a não ser se aproximar. O ombro de Nathan tocou levemente seu braço. Alex prendeu a respiração, tenso. Apenas seus corpos se tocaram por cima do uniforme, mas todo o seu corpo ficou em alerta.

Parecendo satisfeito por ter conseguido o que queria, Nathan recomeçou a andar. Como já havia dito tudo o que queria, não puxou mais conversa. Tina e Jude, outros betas com quem andavam, se sentiam desconfortáveis nesses momentos de silêncio. Alex, no passado, também se sentia assim.

O sentimento de gostar de alguém é realmente fascinante. Faz com que até mesmo coisas que antes eram desconfortáveis ou desagradáveis se tornem aceitáveis em algum momento. O fato de terem mais momentos de silêncio, o rosto que raramente sorria, as palavras que às vezes doíam no coração – tudo era bom porque era algo que Nathan fazia.

O cheiro fresco e calmo que emanava quando se aproximava também era bom. Se pudesse transformar o vento pouco antes do outono em perfume, certamente teria aquela sensação. Se Nathan fosse ômega, teria aquele cheiro de feromônio? Se fosse assim, eu já teria me declarado para você há muito tempo? Mesmo sendo uma suposição sem sentido, Alex frequentemente imaginava esses momentos.

No entanto, o fim dessas vãs imaginações sempre retorna à realidade. Nathan não se interessava por características que não fossem beta. Além disso, Nathan sempre namorava garotas beta. Era uma orientação extremamente comum. No caso dos betas, diferente dos alfas e ômegas, uma alta porcentagem preferia o sexo oposto.

Além disso, Alex também não tinha intenção de se declarar. Já se passaram dois anos assim. Namorar alguém que não fosse ômega era algo que Alex não podia fazer. Seu pai dizia que um alfa devia se relacionar com uma ômega, e sentia repulsa por alfas que namoravam betas ou outros alfas.

Havia muitas outras razões também. Se se declarasse, certamente seria rejeitado, e assim não poderiam mais ser amigos. Ele não queria apostar em uma possibilidade tão remota. Alex não queria perder mais ninguém em sua vida.

E mais uma. Se fosse para acrescentar mais um motivo para ser algo impossível…

— Nathan!

Uma voz alegre ecoou e alguém entrou correndo debaixo do guarda-chuva. Cabelos ruivos com pontas onduladas apareceram. Bochechas com sardas adoráveis também. Com isso, Alex foi empurrado para fora, como se tivesse sido expulso de debaixo do guarda-chuva.

— Chegou cedo? Que bom. Eu estava esperando.
— Jessie.

Nathan chamou o nome sem grande mudança de expressão. Jessie, que sorria alegremente, olhou para Alex. Com um sorriso estranhamente rígido, ela o cumprimentou.

Essa era exatamente a razão. Nathan tinha uma namorada. E quase sempre tinha.

— Alex também estava aqui.

“Deve ser difícil não vê-lo, com essa altura toda.” Alex engoliu seu descontentamento.

Jessica Bundy, que teimosamente seguiu Nathan e se declarou, finalmente começou a namorar com ele um mês atrás. Desde tempos atrás, as namoradas que ficavam ao lado de Nathan o conquistavam com declarações que beiravam a obsessão.

Os relacionamentos geralmente não duravam mais de três meses. A razão era curiosamente sempre a mesma: Nathan não dava muita atenção. No entanto, o Nathan que Alex conhecia, embora parecesse indiferente, se importava com as pessoas que estavam dentro de seus limites.

— Surpreendente que você não tenha me visto.

Alex disse isso e observou a reação de Nathan. Embora tentasse controlar suas palavras na frente de Nathan para causar uma boa impressão, Jessica Bundy realmente o irritava. Não sei se era ciúmes por ser quem passava mais tempo ao lado de Nathan, mas ela sempre atrapalhava ou se intrometia como agora. No final, no entanto, o mais importante para Nathan era ela.

— Não trouxe guarda-chuva, posso dividir o seu?

Irritantemente, Jessie ignorou as palavras de Alex e agarrou o braço de Nathan perguntando. Nathan não disse nada. Quebrando o estranho silêncio, Alex saiu completamente de debaixo do guarda-chuva. A chuva, que havia se intensificado nesse meio tempo, molhava dolorosamente seus cabelos. Se ele pegasse o guarda-chuva agora, sua mentira seria descoberta, então ele não tinha escolha a não ser se molhar. Seu peito ficou pesado, como se estivesse encharcado.

— Vou indo. Vocês dois vão juntos.
— Obrigada, Alex.

Só depois que ele cedeu é que Jessie fingiu sorrir direito. Nathan observou Alex em silêncio. Uma estranha expectativa surgiu. Ele pensou se Nathan não diria para ele ficar.

Mas Nathan apenas assentiu levemente com a cabeça.

— Até mais.

Mesmo pensando que, como eram de turmas diferentes, se separariam ao entrar na escola, não havia como evitar que seu ânimo caísse. Alex sorriu. Diziam que seus olhos, que se erguiam como os de uma raposa, pareciam ainda mais ferozes quando ele sorria, então certamente ele parecia ridículo.

As pontas de seus lábios, que se ergueram fracamente, caíram sem força. Obrigando seus pés hesitantes a se moverem.

— Depois que acabar, vamos juntos.

Alex virou o corpo que já estava meio virado. Nathan ainda olhava para ele. Era para ele.

— Eu?
— Hoje não tem treino, né.

“Você sabe.” Parecia que ia rir, então Alex rapidamente mordeu os lábios.

— Vamos jogar aquele jogo que não conseguimos outro dia.

Com o assunto encerrado, Nathan virou o rosto para frente sem hesitação. Jessie, que olhava para Alex com um rosto irritado, logo puxou Nathan em direção ao portão da escola.

A partir da tarde, seu corpo começou a esquentar. Uma moleza tomou conta, como se não tivesse acordado direito, e o sono veio; no final da aula, ao contrário, ele ficou completamente alerta. Seu coração batia rápido repetidamente, como quando bebia bebida energética e treinava.

Como não se lembrava de ter pegado um resfriado, ficou um pouco surpreso. Provavelmente foi por ter tomado muita chuva desde a manhã.

Além da febre, não havia sintomas como dor de cabeça ou garganta irritada. Não querendo perder a rara oportunidade de ir à casa de Nathan, ele foi até a enfermaria da escola e pegou um remédio para resfriado. Recusou a oferta de um exame por precaução e apressou o passo. Não queria fazer Nathan esperar.

“Com sorte, talvez até possa dormir lá.” Era algo que podia esperar naturalmente como amigo. Era mais divertido ficar na casa de Nathan do que voltar para casa. Além disso, em dias como hoje, sem treino, seu pai nem se importava, então não haveria ninguém procurando por ele.

Recusando o convite de alguém para ir a uma festa, saiu pelo portão da escola. Parou perto do portão principal, onde a tinta azul descascava em alguns lugares. Nathan ainda não estava visível. Puxou o celular. Não havia alertas além dos snaps de Tina ou das mensagens em grupo no WhatsApp.

Da terra molhada pela chuva, subia um cheiro fresco de terra. Cutucando o chão com a ponta do tênis, Alex olhava para o celular. Ficou passando a tela sem rumo até abrir o álbum de fotos. Como não tirava muitas fotos, só havia fotos de grupo que recebera de alguém. Na verdade, eram fotos em que aparecia com Nathan.

Não havia fotos só dos dois. Tina e Jude tinham várias com Nathan.

— O que está fazendo?

Com a voz vindo bem à sua frente, Alex ergueu a cabeça, assustado. Nathan estava ali, olhando para ele com um rosto sem expressão.

— O quê, hein?

Escondeu o celular rapidamente. Na verdade, eram fotos que ele tinha salvo do Facebook ou Instagram de outras pessoas, então não era algo que pudesse exibir. Felizmente, Nathan não perguntou mais.

— Chegou? Terminou tarde?

Acrescentou algumas palavras, visivelmente nervoso. “Não estou nem um pouco legal.” Sempre que ficava na frente de Nathan, ficava muito tenso; normalmente já ficava desnorteado, mas hoje parecia especialmente desajeitado. “Patético, Alex Yeon. Deveria agir como um alfa legal.” Repreendeu-se internamente. Desviou do olhar fixo que o observava.

— A Jessica me segurou.

Nathan disse isso e começou a andar primeiro. Ao ouvir o nome de Jessica Bundy, Alex piscou. Agora que pensava nisso, eles eram da mesma turma.

— Jessica Bundy?

Nathan assentiu com a cabeça em vez de responder. Ao ouvir o nome, seu peito ficou apertado. Uma sensação de algo entalado, como quando se guarda uma preocupação. Ele odiava sentir isso por causa da namorada de Nathan. Sabia que não era nada. Sabia também que um amigo normal não agia assim com a namorada de outro.

Mesmo pensando assim, sua boca traiu seus sentimentos e se abriu.

— Por que a Jessica?

Nathan já estava longe, movendo suas longas pernas. Alex deu alguns passos largos para alcançá-lo. Não houve resposta. “Não precisava responder, mesmo.” Sem motivo, seus lábios se mexeram.

Nathan era uma pessoa de poucas palavras. Embora respondesse consistentemente a Alex, quando não havia necessidade de falar, permanecia em silêncio. Nathan era alguém que tinha mais coisas que não interessavam do que coisas que gostava. Também não gostava de proximidade e odiava ficar grudado no celular. Certamente agia diferente com Jessica Bundy.

Pensando assim, olhou para o chão. A terra encharcada de umidade estava pegajosa. Seus passos diminuíram. Movendo-se sem energia, parou alguns segundos depois devido às costas que bloqueavam seu caminho. Ergueu a cabeça assustado e viu Nathan olhando para ele.

— Está doente?

Uma expressão surgiu em seu rosto branco e indiferente. As finas sobrancelhas douradas se franziram levemente.

— Ah, não.

“Que droga. Por que continuo gaguejando?” Seu rosto ficou vermelho instantaneamente. Baixou o olhar rapidamente e mudou de assunto.

— É que eu estava pensando em algo.

Como se tentasse discernir a verdade, Nathan não desviou o olhar de Alex. Aquele olhar que tocava suas bochechas aquecia seu interior. Depois de olhar em volta, Alex finalmente encarou Nathan. Um breve silêncio pairou. Nathan, que o observava silenciosamente, ergueu a mão. Seus dedos longos se estenderam e bagunçaram os cabelos pretos que caíam sobre sua testa.

— Brigamos.

De repente, uma frase foi dita. Alex piscou sem entender no início.

— Porque ela queria ir a algum lugar comigo em vez de ficar com você.

Lentamente, sua mente processou a situação. Nathan estava respondendo à sua pergunta. Assim que percebeu isso, sua nuca ficou vermelha. Seu rosto esquentou como se um fogo ardesse por dentro. Seus lábios se moveram sem saber o que fazer.

Estava muito feliz, mas também preocupado. Certamente dava para ver que seu rosto estava vermelho. Com certeza pareceria estranho. “O que devo dizer?” Sua visão ficou turva.

Depois de pensar muito, Alex finalmente abriu a boca. Certamente não sairia uma resposta adequada.

— Então o que você disse?

“Isso não foi uma boa pergunta.”

Nathan não respondeu. As sobrancelhas franzidas lentamente se suavizaram. O canto dos olhos se relaxou, e um leve sorriso se formou em seus lábios.

— A resposta está bem na sua frente.

Achando algo engraçado, Nathan soltou uma risada baixa. Os dedos que haviam bagunçado apenas seus cabelos se afastaram. Seu rosto esquentou ao ponto de não poder ficar mais vermelho. Esquecendo de respirar, Alex abriu os lábios. Era como se sua garganta estivesse apertada, incapaz de soltar o ar.

Apertou o tecido da calça do uniforme com os dedos. Para acalmar os dedos que tremiam levemente, Alex começou a andar. Forçou a respiração.

— Mesmo assim, está tudo bem?

Sua voz saiu grave. Nathan também começou a andar no ritmo de Alex. Embora pudesse achar incômodo ter mais perguntas que o normal, Nathan respondeu uma a uma.

— Porque o compromisso com você vem primeiro.

Com essas palavras, seu humor melhorou ainda mais. Recuperando o fôlego lentamente, Alex fez uma piada.

— Amigo vem antes da namorada? Que honra.

Nathan soltou uma risada curta. O Nathan de hoje estava rindo de uma forma inacreditável.

— Não é bem assim.
— …É?

E Nathan, que ria tanto, deu uma resposta inesperada.

O coração que batia acelerado começou a pulsar de forma diferente agora. Lentamente, seu sangue esfriou.

— Só não é a Jessica Bundy.
— Por quê?
— Porque ela não gosta de mim de verdade.

Enquanto conversavam, chegaram à estação de metrô. Passando por Alex, que estava um pouco à frente, Nathan desceu primeiro. O ânimo que estava nas alturas despencou. Seus passos ao descer a escada ficaram sem energia. A cada passo, sentia como se alguém o puxasse para baixo.

“Como Nathan agiria quando realmente gostasse de alguém?”

Mesmo que tivesse um compromisso com ele, cancelaria sem problemas? Já que disse que amigo não vinha em primeiro lugar, provavelmente seria assim.

Cortou os pensamentos que se seguiam. Apertou a alça da mochila, que estava torta, sem motivo. “No final das contas, isso não importa.”

Quando chegar a hora de ele gostar de alguém assim, eu também já vou vê-lo apenas como amigo.

“Por favor, que assim seja.”

A casa de Nathan estava sempre vazia. O irmão mais velho havia saído de casa há muito tempo e morava sozinho, e o segundo irmão também estava morando no dormitório da faculdade. Sua mãe só voltava tarde do trabalho, e seu pai havia falecido. Quando Nathan era criança, nem se lembrava, disseram.

Eles fizeram o jantar primeiro. Nathan não tinha defeitos, desde os estudos até os esportes, mas sua única falha era não ter talento nenhum para cozinhar. Como já o tinha visto queimar um simples ovo mexido várias vezes, Alex tomou a iniciativa. Cozinhar era sua responsabilidade desde que sua mãe começou a morar separada, então não foi difícil.

— Está gostoso.

Como não havia muitos ingredientes na geladeira, o jantar foi um macarrão simples. Era um simples bolonhesa com carne moída e tomate, mas Nathan parecia satisfeito.

— Sério? Que bom.
— Sim. Melhor que o da minha mãe.

Nathan disse sem expressão, movendo o garfo.

— Não parece.
— O tempero dela nunca fica certo. Dizem que só meu pai cozinhava bem. Meus irmãos também cozinham muito mal.

Nathan tinha dois irmãos, mas era óbvio de qual ele estava falando. Devia ser aquele que era advogado. Alex já tinha ouvido o nome várias vezes e até se encontraram, mas não gostou. “O que tem de tão incrível em ser advogado?” Mas para Nathan, parecia que sim.

— Meu irmão é bonito e inteligente, então não precisa saber cozinhar.

Nathan admirava o pai, policial que ele nem se lembrava, e o irmão que assumiu o papel de seu pai. Quando Alex imaginava Nathan como seu namorado, ele se imaginava ao lado do irmão. Porque Nathan, com um rosto radiante que ele nem ousava imaginar, seguindo o irmão e rindo, era muito fofo.

Mas, como Nathan nunca mostrou esse lado a ele, a imaginação era apenas imaginação. “O quão próximo precisaria ser para ver esse Nathan? Só sendo namorado, provavelmente.” Nathan, que estava animado falando sobre o irmão, apoiou o queixo na mão e olhou para Alex.

— Sua namorada vai ter sorte.
— …Minha namorada?
— Acho que ela gostaria que você cozinhasse para ela.

De repente, sua boca ficou travada. A mão que estava prestes a colocar a comida na boca congelou. Mexendo o molho, Alex limpou a voz.

— É mesmo.

“O que importa é que você gostou”, ele não conseguiu dizer.

— Você não vai ficar com ninguém? Dizem que tem muitas ômegas que gostam de você.
— Quem disse isso?

Nunca tinha ouvido falar disso, então Alex franziu a testa. Nunca tinha recebido uma declaração, então as palavras de Nathan não faziam sentido. Provavelmente o estereótipo de que o alfa é quem deve se declarar primeiro tinha sua parcela de culpa.

— Jude.
— …O Jude tem amigas ômegas?
— Mais do que nós.

Nathan disse o fato com frieza e continuou comendo o macarrão. Até o jeito que mastigava silenciosamente era bonito, então Alex ficou distraído por um momento antes de se recompor.

— Eu…

“Tenho alguém de quem gosto.”
“É você, Nathan.”

Engoliu a confissão que não podia dizer. Não conseguia se imaginar namorando alguém. Como nem conseguia imaginar fazendo algo com Nathan, que estava bem na sua frente, nunca tinha pensado nisso. Deixou o assunto morrer. Em vez disso, fez outra pergunta.

— Você acha que um alfa tem que namorar uma ômega?

Ao ouvir isso, Nathan ergueu uma sobrancelha. Seus olhos relaxaram e o canto da boca se soltou, como se achasse interessante.

— Você me diz primeiro.

Alex ficou sem palavras. Mesmo tendo a resposta, ele hesitou. “Claro que tem que namorar uma ômega.” Ao contrário dos betas, um alfa não pode ter filhos se a parceira não for ômega.

Mas se perguntassem se ele queria ter filhos, a resposta era não. Era apenas um pensamento vago de que deveria ser assim. Porque seu pai sempre dizia. Embora os tempos tivessem mudado muito, seu pai era alguém que vivia no passado.

Havia muitas outras razões. Pelo menos todos os alfas ao seu redor namoravam ômegas, e assim eles podiam aliviar o cio e marcar. Parecia um destino determinado.

— Acho que sim.
— Por quê?
— Porque todos os alfas pensam que deveria ser assim.

Pode ter soado sem pensar, mas para Alex, essa era uma grande razão. Era exatamente essa a imagem que os outros esperavam dele como alfa. No entanto, a resposta de Nathan foi diferente do esperado.

— Eu não acho.

O Nathan de hoje estava mexendo com o coração de Alex de uma forma quase dolorosa. Essa resposta foi um exemplo.

— Não?
— Sou beta. Não entendo essas coisas. Também não sinto que você seja alfa.

Ele nunca tinha pensado nisso.

— É mesmo.

“Para Nathan, feromônios não são percebidos.”

— Então… o gênero não importa para você?

Antes que a razão pudesse julgar, seu coração se moveu primeiro. Uma esperança sem sentido surgiu incontrolavelmente.

— Não.

E a esperança que surgiu desapareceu como bolha.

— Eu não gosto do que não posso entender.

Nathan voltou a mover o garfo. Uma voz que apenas relatava fatos, sem qualquer emoção, soou estranhamente fria.

— Não quero namorar alguém que não seja beta. Porque eu não posso ajudar com o cio ou algo assim.

Nathan, com sua gentileza, deu uma resposta perfeita à sua pergunta. Alex assentiu lentamente. O garfo que mexia no molho bateu no macarrão.

— É, realmente.

“Odeio como continuo criando expectativas mesmo tendo decidido desistir.” Seu estômago se revirou.

— Eu também acho.

Às vezes, tudo isso era cansativo. Ver suas emoções oscilarem por causa de uma única palavra. Já fazia dois anos que seu humor subia e descia dezenas de vezes por dia. No entanto, por mais cansativo e irritante que fosse, ele nunca conseguia odiar Nathan.

Forçando um sorriso, finalmente enfiou o macarrão na boca. Achando que sua expressão devia estar estranha, Alex baixou a cabeça e fingiu olhar o celular. A mensagem de Tina que chegou naquele momento era “está se divertindo?”, então Alex só conseguiu engolir o macarrão depois de mastigá-lo por um bom tempo.

Relacionamentos são difíceis.

Em toda a sua vida, ele nunca achou fácil. Fácil demais, bom demais, por ser sem graça a relação se desgastava, mas também não podia ser bonzinho demais. No entanto, não podia ser agressivo demais nem negativo demais. Parecia que os outros conseguiam encontrar o meio-termo facilmente, mas Alex Yeon não conseguia.

Mesmo com sua altura alta, aparência limpa e o título de jogador de futebol, ele não conseguia se abrir facilmente para alguém. Na frente dos colegas com quem treinava, ele tinha que agir como um “alfa” propriamente dito, e para manter essa imagem que se espalhou, ele tinha que agir assim também do lado de fora.

Não queria machucar ninguém, mas acabava se machucando, e suas palavras eram interpretadas de forma diferente da sua intenção. Em meio a repetidos mal-entendidos, Alex percebeu que era muito desajeitado. Não sabia se era por causa do ambiente familiar ou da sua personalidade inata, mas nenhum dos dois podia ser desculpa.

Nesse sentido, Nathan era a única pessoa em quem ele podia confiar. Nathan não se importava com muitas coisas. Não se interessava por fofocas ou calúnias, e não se ofendia facilmente. Para dizer de forma negativa, era uma pessoa indiferente, mas não era bem assim. Porque esteve ao lado de Alex quando ele estava chorando. Tina e Jude também se tornaram amigos de Nathan.

Portanto, continuar como amigo de Nathan por muito tempo era a decisão mais sábia. “Eu só preciso de Nathan.”

— Precisa de mais alguma coisa?

Nathan, vestindo uma camiseta larga e calça preta, perguntou. Como acabara de sair do banho, o ar ao redor dele estava perfumado. Ignorando o que era estranhamente estimulante, Alex balançou a cabeça. Graças a Nathan, que lhe emprestou uma das roupas de seus irmãos, Alex também estava confortável.

— Vamos dormir, então.

A mente insiste em dar significado a coisas insignificantes. Coloca ilusões de um relacionamento especial em palavras que são apenas literais.

No entanto, Alex controlou seu coração com mais rigor do que o normal. Agora era hora de cortar as expectativas que insistiam em permanecer. Nathan disse que não queria namorar alguém que não fosse beta, e ele também não queria perder Nathan com uma declaração imprudente.

Talvez nem fosse um sentimento tão profundo. Podia ser admiração, ou, como seu pai dizia, provavelmente era apenas um sentimento passageiro da adolescência.

— Então, onde devo dormir?

Com a mente decidida, perguntou com bastante seriedade. Nathan fez uma expressão de surpresa com a pergunta.

— No meu quarto.

Como se perguntasse algo óbvio, Nathan respondeu. Quem ficou surpreso foi Alex.

— No seu, seu quarto?

Gaguejou pela terceira vez só hoje. Por que ele, que falava tão bem na frente dos outros, ficava assim na frente de Nathan?

— Sempre foi assim.
— Mas quando Tina e os outros vinham, não tinha quarto…

Nathan ergueu as sobrancelhas, parecendo um pouco irritado. O coração de Alex também ficou apertado. Nathan não sabia o quanto era doloroso dormir tentando evitar imaginações inconvenientes sempre que estavam juntos. Com um rosto tão bonito, sem saber o que os outros pensam…

Parando esse pensamento, Alex balançou a cabeça novamente.

— Então vou dormir em outro lugar.

Nathan, que parecia pensar em algo por alguns segundos, assentiu lentamente.

— Faça como quiser.

Sua voz ficou mais baixa. O tom que parecia levemente irritado era tão fofo que Alex riu sem perceber. Abrindo os dedos que estavam meio fechados e inquietos, Alex tocou os cabelos de Nathan. Os fios eram tão macios quanto pareciam. Nathan, que não gostava que tocassem seu corpo, permitia que tocassem em seus cabelos, mas mesmo isso só era permitido para amigos.

— Em vez disso, amanhã de manhã faço panqueca de banana para você.

Sussurrou com cuidado, como se estivesse lidando com um pequeno animal. Nathan piscou.

— É suborno?
— É. Então vai me perdoar?

O rosto que estava misteriosamente irritado se suavizou. Uma risada seca escapou entre seus lábios.

— Boa noite.

Com o cumprimento, ele soltou a mão. Nathan virou as costas primeiro. Alex observou por um longo tempo os tornozelos brancos sob a calça preta larga pisando no chão enquanto ele se virava. Só depois do som da porta se fechando percebeu que tinha algo que não perguntou. Esqueceu de perguntar se tinha remédio para resfriado, já que a febre começava a subir novamente desde que começou a se lavar.

“Deve estar tudo bem.”

Embora já tivesse passado algum tempo, ele tinha tomado remédio durante o dia, e como sempre foi fisicamente resistente, provavelmente estaria bem quando acordasse. Afinal, no futebol, sua única qualidade era a resistência. Ao lembrar do futebol, seu coração se agitou de repente. O técnico não deu nenhuma indicação sobre a substituição dos membros do time principal, que mencionou da última vez, e seu pai esperava resultados dele.

“Mesmo assim, se me esforçar, não vou ficar no meio-termo?”

Ficou pensando distraidamente e balançou a cabeça. Enquanto estivesse na casa de Nathan, não queria pensar em nada. Se teria que voltar à realidade de qualquer forma, queria atrasar esse momento o máximo possível. Alex, que olhava para o corredor silencioso com as luzes apagadas, virou o corpo.

Alex acordou de madrugada. Era noite alta, com a luz da lua penetrando fracamente pelas cortinas. Estava com sede. Uma sede insuportável o fez abrir os olhos. Pulando a fase gradual de despertar, o sono fugiu de repente. Algo estava errado.

Ao recuperar a consciência, outros sentidos seguiram a sede. Seu interior estava quente, como se tivesse engolido água fervente de uma só vez. Seu baixo ventre estava rígido e seu sangue fervia. Suor escorria por suas costas.

Soltando um som como um animal ferido, ele se revirou na cama. Uma respiração ofegante, como se fosse vomitar, escapou úmida. Enquanto gemia de desconforto, Alex eventualmente encontrou a coisa mais estranha em seu corpo.

Sua parte inferior estava rígida.

Mais precisamente, abaixo da virilha. Não era uma sensação desconhecida. No passado, quando teve sua primeira polução noturna, ou ocasionalmente, quando pensava em Nathan e ficava ereto.

No entanto, também não era uma sensação muito familiar. Diferente de outros alfas de sua idade que viviam fazendo piadas obscenas e falando sobre ômegas, Alex não tinha muito interesse em sexo. Treinando, muitas vezes não sobrava energia para pensar em outras coisas. Como não tinha muito talento, mesmo nos dias sem treino, se o tempo estivesse bom, ele ia jogar futebol sozinho.

Tateando os lençóis, empurrou-os. Mordendo os lábios até sangrar, olhou para baixo. Normalmente, se pensasse em outra coisa, a ereção passava facilmente, mas hoje, por algum motivo, seu corpo não parecia obedecer. E não era só isso. Conforme o tempo passava, parecia que sua razão estava ficando gradualmente paralisada. Não, na verdade, estava.

Como uma chama, seu desejo sexual aumentava, deixando-o inquieto. Pensamentos estranhos passavam por sua mente. Os tornozelos brancos de Nathan que vira antes de dormir surgiram de repente. Ao piscar, a cena mudou. Era uma cena que ele nunca tinha visto.

No imaginário, Alex segurava os tornozelos brancos de Nathan. Nathan estava nu. Suas clavículas brancas e retas, que via depois do banho, e abaixo, onde nunca tinha visto direito, eram preenchidas pela imaginação. Um corpo mais bonito que o de muitas ômegas, e ele se sentiu atraído. Tanto que queria abrir suas pernas e fazer todo tipo de coisa.

E o Alex da imaginação seguiu seu desejo. Ele imediatamente subiu no corpo de Nathan…

“Não.”

Balançou a cabeça. Suor frio escorria. Embora não pudesse dizer que nunca tivesse tido esses pensamentos sem querer, nunca tinha imaginado algo tão profundamente. No máximo, fantasias sobre beijá-lo.

Mas seu controle superficial desapareceu em poucos segundos. A parte inferior doía como se fosse explodir. Seu corpo parecia implorar para fazer algo imediatamente. Como alguém possuído pelo desejo sexual. Se estivesse assim do lado de fora, pareceria alguém anormal, capaz de entrar em qualquer lugar e se aliviar.

Estendeu a mão tateando. Sentiu náusea, mas primeiro precisava aliviar essa sensação enlouquecedora. Caso contrário, parecia que realmente enlouqueceria. Nem a casa de Nathan importava nesse momento. Não tinha sanidade para se preocupar com isso.

“O que está acontecendo comigo?”

Alex pensou com sua mente confusa. Enfiou a mão dentro da calça larga. A pele que tocou estava quente. Uma respiração ofegante escapou entre seus lábios aquecidos. Seu órgão, que enchia sua mão, estava inchado a ponto de explodir, como sentira. Duro como pedra, estava quente com veias salientes. Assim que o estímulo veio, um gemido escapou.

— Ha… ah, hn…

Mordeu os lábios para que o som não escapasse. Não acreditava que estava fazendo isso na casa de outra pessoa, especialmente na casa de Nathan. Mas não tinha escolha. Como um animal no cio, apenas uma coisa vinha à mente. “De qualquer forma, de qualquer forma, preciso aliviar isso…”

Sua mão começou a se mover cada vez mais rápido. Seus olhos pareciam explodir. Com os olhos vermelhos de tanto calor, Alex movia a parte inferior do corpo. Sua cintura se movia desordenadamente para frente e para trás, em um movimento que lembrava algo, mas então ele se recompunha e reprimia isso repetidamente. No entanto, quando o prazer começou a subir lentamente pela parte inferior, algo que se mantinha precariamente acabou se rompendo.

As fantasias que ele reprimia com força cobriram suas pálpebras. A pele de Nathan tinha um gosto doce, diferente do seu cheiro calmo. Ao tocar cuidadosamente com os lábios suas clavículas, bonitas como se pudessem conter água, um gemido escapou de Nathan. Era um tom mais baixo do que o imaginado em algum lugar da memória. Essa estranheza aumentava o estímulo em dobro.

— Ha, hnn, Nathan, ah, hn…

Seus pulmões estavam em brasa. Seu corpo estava quente como se estivesse pegando fogo. Seus cabelos, encharcados de suor, esfregavam-se desordenadamente no travesseiro. “Tão bonito, Nathan. Mais do que eu imaginava. Sua pele molhada tem esse gosto? Se eu te beijar aqui, você vai gostar, não vai?”

— Hu, huhn, ah, Na, than…!

Seus ouvidos estavam zumbindo, sua mão estava quente. Nada mais importava além da imagem de Nathan que sua imaginação criava. Apesar de ser apenas uma fantasia, Nathan era realmente,

— Ha, haa, ah…!

Adorável.

Sua mente ficou em branco. As pontas de seus dedos formigaram e seu corpo inteiro ficou rígido. Um prazer absurdo o dominou, e uma respiração ofegante escapou. Tão intenso que seus ossos doíam. Ofegando como se tivesse corrido dezenas de voltas no campo, Alex ergueu a parte superior do corpo. Sua palma estava pegajosa. Um cheiro forte se espalhou. O interior de suas narinas ardia, como quando sangrava.

Uma sensação de relaxamento após a ejaculação pairava sob sua pele. Mas o desejo não diminuía. Estava muito estranho. Mesmo quando se masturbava, o desejo deveria diminuir após a ejaculação, mas isso era como se estivesse no cio…

— O que você está fazendo agora?

No entanto, seus pensamentos foram interrompidos ali. Alex ficou imóvel. Com uma voz que não deveria ser ouvida naquele momento, abriu bem os olhos e lentamente virou a cabeça.

“Não pode ser…”

Sua frequência cardíaca, que começava a se acalmar, aumentou drasticamente. Seu peito doía como se fosse arder. Seus lábios se abriram. No fim de seu olhar, que ele finalmente conseguiu virar, havia alguém. A pessoa em quem ele pensou enquanto se masturbava até agora.

— Nathan…?

Sua voz rouca tremia. Depois de chamar seu nome, Alex se sobressaltou tardiamente. Rezou para que não houvesse resposta. A escuridão que pairava no quarto o pressionava como se estivesse estrangulando.

— É.

Nathan respondeu ao seu chamado. Sua voz estava como de costume. Isso era ainda mais assustador. Como o quarto estava escuro, ele não podia ver a expressão de Nathan com clareza. Sua mente ficou em branco. “Ele viu? Deve ter visto. Por isso fez essa pergunta.” Mesmo sentado na cama, sentiu como se estivesse caindo.

— O, o que, você está… aqui… por que…?

“Droga.” Sua voz tremia tanto que as palavras não saíam. Suprimindo as lágrimas que ameaçavam cair, Alex continuou.

— Não, quer dizer, me, me desculpa.

Sua voz desmoronou. O cheiro forte se tornou mais intenso e ele sentiu náusea. Rezou para que não fosse verdade. Que Nathan não tivesse visto aquela cena. Mas a vida sempre gostou de esmagar suas expectativas impiedosamente, e,

— Pelo que você está pedindo desculpas? Por se masturbar chamando meu nome?

Dessa vez não foi diferente.

Com uma frase que resumia a situação de forma tão crua, Alex sentiu uma vergonha mortal. Não bastasse ter sido pego se masturbando pela pessoa que gostava, ele também foi pego chamando seu nome. Era uma situação em que seria justo ser xingado de pervertido, e não seria estranho se o boato se espalhasse.

Sua mente caiu ao fundo do poço. Suas mãos tremiam violentamente. Sem nem conseguir limpar a mão suja de fluido, ele escondeu o braço trêmulo, como se o escondesse. Ter sujado a roupa emprestada de Nathan, o cheiro na cama, tudo isso era tão repugnante que ele não conseguia suportar. Embora seu corpo continuasse com febre, naquele momento isso não o afetava.

“Queria fugir.”

Um silêncio gelado se instalou. Alex abria e fechava a boca repetidamente. Suor frio escorria de sua testa e se acumulava em seu queixo. Precisava dizer alguma coisa. Mesmo que não acreditassem, precisava dar uma desculpa.

“Mas por que isso? Por que de repente fiz isso na casa de Nathan?” Queria gritar com ele mesmo, agarrando seu próprio colarinho.

— Isso é…

Conseguiu finalmente dizer uma palavra. Nathan não xingou nem gritou, apenas ficou ali parado. Com a porta meio aberta, olhando para ele.

Sua mente congelada finalmente conseguiu encontrar algo. Lembrou vagamente do pensamento que teve antes de Nathan entrar. Tinha pensado que parecia um cio. Alex ofegava enquanto tentava juntar os argumentos. “Então, isso, talvez… não seria um rut?”

Ele ainda não tinha experimentado o rut, que geralmente começa aos quinze, mais comumente aos dezesseis. Seu pai insultava isso chamando-o de retardado, mas nunca lhe explicou exatamente o que era. Apenas dizia, em tom de brincadeira mas não tanto, que quando chegasse o dia, deveria estar com uma namorada ômega. “O que a escola disse que se faz nessa situação?” Não conseguia lembrar de nada.

— Acho… que é o rut.

Nem fazia ideia de quão patético isso soaria. Pareceria um idiota que nem sabe quando o cio chega. Pensando assim, lembrou das palavras do enfermeiro da escola. O primeiro rut não tem data marcada, então deve-se procurar a ajuda dos pais. Dizia também que algumas pessoas não têm um ciclo regular mesmo após o primeiro rut, então deve-se sempre tomar cuidado. Na época, ele apenas pensou que seria terrivelmente desconfortável e seguiu em frente.

— Rut?

Alex assentiu e depois abriu a boca.

— É. Ru, rut, quer dizer, estive com febre o dia todo…

Era impossível formar uma frase na ordem correta.

— E nesse estado você veio para minha casa?

O tom de Nathan era neutro. Mas cada vez que ouvia a frase que apontava o fato com frieza, seu coração parecia se partir. As palavras de Nathan estavam certas. Se estava com febre e se sentindo mal, deveria ter ido para casa. Por ganância, estragou tudo. Era o maior idiota do mundo.

— Desculpa.

“Foi mal.” Sua voz estava tão baixa que mal se ouvia. Nathan ficou em silêncio por alguns segundos e depois falou novamente.

— Eu ouvi você me chamando no corredor, então entrei para ver se você estava doente.

Era só isso. Com essas palavras, Nathan não disse mais nada. O som de um suspiro foi ouvido, e Nathan recuou.

— Conversamos amanhã.

A porta se fechou. Alex se mexeu instintivamente para segurá-lo, mas depois se sentou novamente. Sua mente estava confusa. As coisas que aconteceram em poucos minutos eram tão inacreditáveis que Alex pensou se não era um pesadelo.

Trouxe a mão direita, que estava escondida atrás das costas, para frente. O fluido pegajoso em sua palma e dedos agora esfriou. Ao vê-lo, sentiu náusea. Levantando-se, Alex correu para o banheiro. Com ânsias de vômito, lavou as mãos com tanta força que parecia que a pele ia descascar. Nathan disse para conversarem no dia seguinte, mas Alex não se sentia capaz de encará-lo. Decidiu que era impossível ficar ali até de manhã.

Lavou o rosto e voltou imediatamente para o quarto. Apressou-se em arrumar suas coisas e enfiou a calça emprestada na bolsa. Embora o lençol estivesse molhado de suor, não tinha marcas sujas. Suprimindo as lágrimas que ameaçavam cair, Alex saiu silenciosamente para o corredor e desceu as escadas com passos leves. Abriu e fechou a porta com cuidado para que o barulho não fosse ouvido e, em seguida, saiu correndo como se estivesse fugindo.

↫─☫ Continua…

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✦ Tradução, revisão e Raws: Othello&Belladonna

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Sinopse:  Obra do mesmo universo de Define Relationship
— Você disse que gostava de mim. Foi… tudo mentira?
— Como um Alpha poderia gostar de um Beta?
Entre uma mãe que o abandonou e um pai que o forçou a viver como Alpha, Alex cresceu sem nunca se apoiar em ninguém. O único que o confortava, independentemente do seu gênero secundário, era Nathan. Para proteger Nathan de um certo incidente, Alex o afasta com palavras cruéis.
Anos se passam, nove longos anos de penitência e saudade. Então, um dia, eles se reencontram na cena de um caso em que Nathan é a testemunha.
— Sr. Nathan, se não for incomodar… na verdade, se você não se importar, há algo que eu gostaria de dizer…
— Se você está pensando em se desculpar, não precisa se incomodar.
Alex fica ansioso ao redor de Nathan, desesperado para se desculpar, mas Nathan mantém tudo friamente dentro do estritamente profissional. Então, devido aos efeitos colaterais do uso prolongado de supressores, o desequilíbrio hormonal de Alex é exposto.
— Você poderia simplesmente dormir com uma Ômega. Por que está procurando outra coisa? Você gosta de Ômegas.
— É porque não estou saindo com nenhuma Ômega no momento. Acho que não consigo fazer isso com alguém que não conheço.
Alex tenta se esquivar e recusa, alegando que não quer. Nathan, que havia se afastado friamente, acaba voltando e faz uma oferta de ajuda.
— Você pode fazer sexo com alguém de quem não gosta. Não interprete demais. É só sexo.
— Você não precisa se forçar a fazer isso com alguém nojento como eu.
— Você não é nojento. Então pense direito e me responda.
Mesmo que Nathan diga que não quer se envolver, sua bondade o atravessa e Alex só quer chorar. “Será que eu… nunca serei perdoado por você? Você foi a minha única alegria neste mundo. Nathan, por favor… apenas uma vez… me ouça. Por que eu fiz o que fiz.”

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