Ler Lick me up if you can – Capítulo 36 Online


Modo Claro

— A-ah…

Arrastado de repente, Koy vê tarde demais. ‘Acho que ainda é um pouco estranho falar isso em voz alta.’ Pensou consigo mesmo, enquanto se esforçava para acompanhar Ashley.

— Pronto, agora fala.

Ashley só abriu a boca depois que o levou até um canto isolado atrás da escola onde estariam sozinhos. A oportunidade tinha chegado, mas Koy simplesmente não conseguia falar.

‘Entrei para o time de líderes de torcida e vou ter que me vestir de garota. Preciso treinar a coreografia. Mas também tenho que patinar, só que eu nem tenho patins. Por quê? Porque não tenho dinheiro!’

– Koy.

Ashley o chamou, vendo que ele tinha os olhos apertados com força.

— Me conta. Senão, eu não vou poder te ajudar.

Com uma voz suave ele tentou acalmá-lo, estava claro que Ashley realmente queria ajudá-lo. Mas, depois de ter se escondido atrás de tantas camadas até agora, Koy não conseguiu se abrir facilmente.

– Koy.

Ashley insistiu, vendo que ele apenas mantinha a cabeça abaixada, em silêncio.

— Você não confia em mim?

— N-não é isso…

Koy sacudiu a cabeça deprimida, enquanto suas orelhas ficaram vermelhas de vergonha.

— …É só que…é constrangedor.

— O quê?

Ashley disse novamente. Koy soltou um gemido baixo e, só depois disso, finalmente suspirou.

— Na verdade… é que…

Ele começou com dificuldade. Ashley escutou tudo com paciência, mesmo com as palavras saindo aos poucos, Koy tentou ser o mais sincero possível, deixando de fora apenas o detalhe de que teria que se vestir como uma garota.

— Ah, então foi assim que resolveram o problema da vaga…

Ashley murmurou depois de ouvir toda a explicação. Koy ficou tenso por dentro, mas parecia que ele realmente não sabia de mais nada. Provavelmente não esteve nas últimas fofocas sobre Ariel.

‘Ainda bem.’

Ashley refletiu por um instante antes de falar:

— Então, seu problema é que você não sabe patinar e também não tem patins, certo?

— U-uhum.

— O ideal seria comprar um par que se encaixasse direitinho no seu pé, mas como você só vai participar por uma temporada…

— É…

Koy estava visivelmente nervoso, mas Ashley logo apresentou uma solução.

— Vamos fazer assim. Tem uma pista de gelo no porão da minha casa, você pode treinar lá.

— U-uma pista de gelo? Dentro da sua casa?

Koy arregalou os olhos, surpreso, e Ashley continuou:

— Acho que ainda tenho os patins que usavam quando era mais novo. Vamos ver se algum serve no seu pé. O que tal?

— A-ah, tá bom.

Koy assentiu, pego de surpresa. Ashley então abriu um largo sorriso e disse:

— Então está tudo resolvido, certo? Tem mais alguma coisa que te preocupa?

— Hum…

Koy pisco. ‘Nada.’ Seus problemas tinham desaparecido num piscar de olhos.

— N-não, não tem.

Ele balançou a cabeça deprimida, enquanto seu rosto começava a esquentar.

— Sério, não tem mais nada… nada mesmo.

No fim, ele olhou para Ashley com os olhos brilhando. O olhar era tão fervoroso, quase como se estivesse diante de uma compreensão, que Ashley teve que segurar a risada por um instante.

– Que bom.

Com um sorriso estampado no rosto, ele contínuo.

— Então, como você quer treinar? Para o corpo se acostumar o ideal é praticar todo dia, mas durante esse período eu só termino o treino às sete da noite. Se formos para minha casa depois, jantarmos e treinarmos patinação por umas duas horas, deve acabar por volta das 23h. Não vai ser muito tarde? Você vai aguentar?

— Tá tudo bem.

Koy respondeu, assentindo depressa com a cabeça.

— Meu turno no trabalho normalmente também acaba por essa hora.

Na verdade, o turno dele terminou às dez, mas só no papel. Depois, ele ainda tinha que limpar, organizar o estoque e trancar o local, o que poderia levar de uma a duas horas extras – sem pagamentos.

— Vou ter que prolongar o trabalho nos dias da semana.

No fim de semana ele teria que cobrir tudo na loja, mas não tinha outra opção. A prioridade agora era manter o desempenho escolar.

— Você não está se esforçando demais?

Ashley franziu a testa, claramente preocupada. Koy, por sua vez, forçou um sorriso ainda mais animado.

— Eu vou ficar bem. Isso é mais importante no momento.

— …É, faz sentido.

Ashley confirmou com a cabeça, entendendo a determinação de Koy.

— Beleza, então está decidido. O que você acha? Começamos hoje mesmo?

— Por favor! Eu não tenho muito tempo, ainda preciso memorizar os movimentos básicos.

Cada minuto contava. Ele já tinha dado uma olhada por cima, mas os movimentos eram completamente incompreensíveis.

— O tempo de líderes de torcida tem bastante coisa para fazer.

Ashley comentou.

— Certo, então nos vemos às 19h10. Vou deixar o carro ligado, então pode ir direto para o meu carro. Está estacionado na rua em frente à escola. Consegue achar?

— Acho que sim.

Essa hora quase não teria muitos carros, e um Cayenne definitivamente chamava atenção. Mas Ashley ainda parecia um pouco preocupada.

— Se não conseguir encontrar, me ligue.

Depois de deixar esse aviso, ele saiu apressado. O treino do tempo de específico no gelo estava prestes a começar.

‘Koy no time de líderes de torcida…’

Quase correndo, Ashley soltou um suspiro.

Jamais imaginou que realmente colocariam um cara vestido de garota para fugir a mais sorte.

***

Enquanto esperava por Ashley sozinha na cafeteria vazia após as aulas, Koy pesquisou os movimentos básicos que Aerial havia passado. Explicações escritas e diagramas não ajudaram muito, então ele buscou vídeos – mas mesmo assim não conseguiu entender.

‘Como alguém move o corpo desse jeito?’

Koy, que não consegue nem fazer uma simples cambalhota, não consegue sequer imaginar o princípio por trás desses movimentos. Nem quando era bem pequeno ele poderia rolar direito.

‘Será que eu vou conseguir fazer isso mesmo?’

Suspirando, ele viu e reviu os vídeos até o tempo voar. Quando o alarme que havia programado tocou alto, ele levou um susto e saiu correndo, juntando as coisas às pressas.

Já sabia onde Ashley tinha deixado o carro. Antes de ir até lá, porém, eu preciso pegar uma bicicleta. Algumas bicicletas sumiam de vez em quando, mas a dele – velha e gasta – não era o tipo que alguém teria interesse em roubar. Como sempre, lá estava ela, sozinha. Ele subiu com habilidade e começou a pedalar.

Encontrar o Cayenne de Ashley foi fácil. Ao passar pelo estacionamento depois do campo, o carro estava bem visível. Ashley, que viu ele pelo retrovisor, abriu a porta-malas.

— Vai lá e senta.

Ashley saiu do banco do motorista e ficou em frente às portas abertas.

‘É minha bicicleta, ele não precisa carregar…’

Koy, que hesitou no caminho do banco do carona, viu com os próprios olhos Ashley levantar a velha bicicleta com uma mão só e colocar-la no carro com facilidade. Diante da cena, ele se sentou em silêncio no banco do passageiro.

Ashley voltou rapidamente para o volante e colocou o cinto de segurança. Depois de verificar se Koy também havia se prendido direitinho, girou o volante com habilidade e disse:

— Estávamos pensando em jantarmos em casa. Tudo bem para você?

— Hã? Claro, ótimo! Muito bom mesmo!

Koy respondeu animado, mas logo seu rosto ficou vermelho. Sentiu vergonha por ter deixado transparecer tão claramente que queria economizar dinheiro. Percebendo, talvez, o embaraço de Koy, Ashley continuou uma conversa:

— Depois do jantar, vamos precisar praticar. Se formos para outro lugar, só vamos perder tempo.

– Ah, verdade.

‘Que colapso’, pensou Koy, suspirando internamente. Ashley parecia com habilidade, seguindo direto para o condomínio fechado.

***

O jantar que Ashley estava arrumado, havia sido feito antes por um empresário, e, como sempre, a quantidade era absurda. Koy nunca tinha visto uma tigela de salada tão grande. ‘Ele vem até isso tudo de folhas?’ E, ao lado, havia uma tigela do mesmo tamanho recheado de purê de batata. Koy sentiu um frio na espinha imaginando quantos pratos ainda viriam.

Contrariando suas expectativas, Ashley só serviu salada de frango, bife e purê de batata para os dois. Koy, que esperava mais comida, olhou para Ashley sentado à sua frente e perguntou, curioso:

— Você não vem muito em casa?

— Hm, não é exatamente isso.

Ashley respondeu, e então, como se tivesse se lembrado de algo, clamou-se e completou:

— É que isso é tudo o que tem agora.

— Cof!

Koy, que havia acabado de dar uma garfada generosa no bife, engasgou na hora. Bateu no peito e tomou grandes gols de água até conseguir recuperar a respiração. Olhou para o prato dele e o de Ashley, decidindo, cortando metade da carne restante. Era a única solução.

Era a única forma.

°

°

Continua…

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Ídolo da escola, Ashley Miller. Connor Niles, que é tímido e não tem amigos, torna-se sócio de Ashley Miller, uma estrela do hóquei no gelo, aleatoriamente um dia quando está desesperado por notas por causa das suas notas. “Vamos começar hoje. Não seria melhor para você terminar rapidamente?” “Espere, Ashley. Não, Ash, espere!” Koi, que assumiu a tarefa devido à perda de contato com ele. Ainda assim, a tarefa foi concluída com sucesso, e Ashley se sentiu culpado por Koi que veio com um emprego de meio período para ajudá-lo, pois  estava sendo intimidado por seus colegas de classe. A bondade que veio até ele pela primeira vez assim  aquecendo o coração de Koi. “Vamos, a hora do almoço acabou. Connor Niles.” ‘Talvez isso tudo seja um sonho?’ Único amigo. Para Koi, que sempre foi um solitário, Ashley Miller se tornou um ser importante assim em um instante. No entanto, depois de ouvir a notícia de que ele está doente, Koi visita impulsivamente a casa e, sem querer, descobre o segredo de Ashley…? “Seus olhos estão roxo…Você se manifestou?”
Nome alternativo: Lick Me If You Can

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