Ler Lamba-me se puder – Capítulo 89 Online
No começo, ele não entendeu o que ele dizia. Com a mente atordoada, Koy apenas teve a vaga sensação de ter ouvido algum som.
— …Hã?
Só então, virando a cabeça, Koy encontrou com o olhar de Ashley, que o encarava de cima. O rosto dele parecia incomumente vermelho.
Será que eu também estou tão vermelho assim?
Ao pensar nisso, o calor subiu para seu rosto e pescoço, deixando a pele formigando. Ashley soltou um breve suspiro e então falou:
— Koy.
— …Sim.
Sem saber do que se tratava, Koy respondeu. Sua mente estava completamente vazia e só uma coisa permanecia: os olhos roxos de Ashley, tão escuros que quase pareciam negros, enchendo toda a sua visão.
A grande mão de Ashley agarrou seu pulso. Sem pensar, Koy estendeu a mão como lhe foi pedido. Até aquele momento, ele não pensava em nada — só conseguia ficar olhando o rosto de Ashley, como se estivesse hipnotizado.
‘…Hã’?
Um estranho sentimento de alerta o fez recobrar parte da consciência. Piscando, Koy ergueu os olhos para Ashley e depois desviou-os devagar. Então, viu… perto de tocar sua mão estava… algo enorme.
— …!
Ele não conseguiu nem gritar, apenas arregalou os olhos. Só então percebeu que, quando uma pessoa se assusta demais, às vezes o som simplesmente não sai. O corpo inteiro ficou paralisado, incapaz de falar, mal conseguindo respirar, apenas fitando aquele “ser” ereto e imponente diante de si. Ashley também percebeu a reação dele.
— Koy.
A voz de Ashley estava carregada de urgência. Nunca quisera algo assim. ‘Não vou colocar’, ele sussurrou.
— Só toca… uma vez.
Ashley tentou guiar novamente a mão de Koy, mas este, instintivamente, travou, resistindo. Aquilo não era apenas “uma parte do corpo dele”. Era como uma criatura viva, tensa e agitada, com o corpo todo erguido e a cabeça balançando de raiva.
Engolindo seco, Koy concluiu:
‘Está vivo… sim, com certeza está vivo’.
Ashley chamou seu nome outra vez:
— Koy…
— D-desculpa!
A tensão extrema fez Koy finalmente falar. As palavras saíram apressadas:
— N-não, não consigo… de jeito nenhum!
Balançando a cabeça em negativa, recusou firmemente. Vendo aquilo, Ashley parou. O resquício de razão, antes ofuscado, começou a voltar.
— Koy.
— M-me desculpa, desculpa.
— Koy.
— M-mas… é que… isso é muito, muito…!
— Koy.
Por fim, Ashley soltou sua mão e segurou os dois ombros de Koy que levantou a cabeça e o viu olhando para baixo, em sua direção. Mais calmo, ele ouviu:
— Tudo bem, Koy. Não precisa fazer. Vamos parar por aqui.
— Ah…
Koy o encarou, atônito. Devia sentir alívio, mas não conseguia. Não acreditava que Ashley fosse forçá-lo, mas a pergunta surgiu: ‘Será que devo mesmo parar aqui’?
Recobrando mais a razão, percebeu outra coisa — esse nível de excitação devia ser extremamente doloroso. Ele próprio nunca ficara nesse estado, e mesmo que tivesse, não chegaria a esse ponto. Mas sabia que, como homem, aquilo não devia ser fácil.
Engoliu em seco.
‘Talvez eu devesse tentar ajudar… ele é meu namorado e está passando por dificuldades. Só seria com a mão…’
‘Tudo o que preciso fazer é tocá-lo, então é só fechar os olhos…’
Mas então pensou:
‘Não… se eu fechar os olhos para não ver, ele vai se sentir mal. Afinal, é o corpo dele. Se fosse eu, também ficaria chateado.’
‘E se ele passar a me odiar’?
— Koy.
No instante em que o medo bateu, Ashley falou. Surpreso, Koy ergueu o rosto, vendo um sorriso forçado no outro, entendeu que ele estava tentando acalmá-lo. Mas Koy, ainda mais nervoso, ouviu Ashley dizer:
— Tá bom… você se importaria de sair primeiro e me esperar lá fora? Eu saio mais tarde.
— Ah…
Koy piscou, confuso, e logo percebeu a intenção dele. Um misto de culpa e pena o invadiu.
— D-desculpa… eu… eu posso tentar…
A última parte saiu quase como se estivesse forçando a própria voz. O tom carregava desconforto, e Ashley certamente percebeu.
‘E agora?!’
Antes que se desesperasse mais, Ashley falou:
— Está tudo bem, Koy.
Com a voz mais baixa, completou:
— Eu consigo sozinho… só espera lá fora.
— Ash…
— Koy.
Ashley o interrompeu antes que dissesse mais.
— Sai, por favor… antes que eu faça algo de que me arrependa.
O sorriso sumira. Ele não tinha mais espaço para brincadeiras, e Koy percebeu. O “por favor” foi definitivo. Sem escolha, recuou. Ao passar por ele, hesitou.
— Ash.
Ele não se virou. Koy, olhando suas costas, perguntou:
— Tem certeza de que não posso ajudar em nada?
A voz tremeu, mas ele insistiu. Ashley entendeu o sentido da pergunta. Após alguns segundos, soltou um breve suspiro e, ainda olhando para o teto, respondeu:
— Então… me dá seu uniforme de líder de torcida.
— Hã? O uniforme?
Koy estranhou, mas não tinha tempo para perguntas. Saiu correndo até o banco onde deixara as roupas e pegou o uniforme, voltando rápido.
Ashley, com a mão apoiada na parede e o chuveiro fechado, estendeu a mão sem se virar e Koy entregou-lhe o uniforme.
— Aqui.
Ele pegou a roupa. Koy, hesitando, perguntou:
— Precisa de mais alguma coisa…?
— Vai lá fora e espera.
A voz estava mais grave e um pouco rouca. Koy sentiu pena, mas obedeceu.
Deixou o local olhando várias vezes para trás, preocupado. Ele achou ter ouvido gemidos abafados vindo de dentro, mas não tinha certeza.
***
Ashley só saiu do chuveiro cerca de uma hora depois. Koy, já vestido e sentado num banco, começou a ficar inquieto.
‘Será que ele desmaiou’?
Decidiu esperar mais cinco minutos antes de ir verificar. Mas então, Ashley saiu.
— Ash…
Koy se levantou, aliviado, mas parou ao ver o rosto dele. Nunca tinha visto aquela expressão. Lembrou-se do pai, que, após três dias bebendo sem parar, acabara no hospital.
‘Ele parece exausto’.
Mil pensamentos passaram pela mente de Koy: ligar para a emergência? Isso revelaria o segredo dele? Avisar o técnico ou o treinador? Mas não sabia o número. Talvez o segurança soubesse… ou Bill… ou então procurar no celular de Ashley um contato de emergência…
Enquanto pensava, Ashley pegou uma toalha e foi até o armário. Koy voltou a si e o chamou:
— Ash.
Ia perguntar se estava bem, mas ficou sem palavras. Era como ver uma escultura perfeita diante de si. Dois metros de altura de músculos definidos, quase sem gordura — agora entendia como ele conseguia se mover com tanta agilidade.
‘Como eu nunca percebi antes’?
Nunca tivera a chance de observar o corpo dele com calma. Nem mesmo no banho de antes, já que estava preocupado com outra coisa.
‘Se eu pudesse estudar anatomia, usaria o corpo dele como referência’.
Cada músculo parecia encaixar-se perfeitamente no outro, e, ao passar a toalha, os menores se destacavam, ondulando.
Quando achou que poderia desmaiar de tanto olhar, Ashley se virou e perguntou:
— Por que está me olhando assim, Koy?
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Continua….
Tradução: Ana Luiza
Revisão: Thaís
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Em breve será disponibilizado uma sinopse!
Nome alternativo: Kiss Me If You Can