Ler Lamba-me se puder – Capítulo 84 Online
O som o atingiu como um raio, e, pela primeira vez, Ashley ficou sem palavras. Jamais imaginaria ouvir algo assim. Sua mente se transformou em um completo caos.
— …Quem disse isso?
‘Não pode ser’.
Com muito esforço, Ashley conseguiu pensar em uma única coisa.
Era por isso que Koy o rejeitava até agora?
O rosto de Ashley se contorceu de dor, sem que pudesse evitar.
‘Então era verdade’.
Koy sentiu como se seu coração tivesse despencado. A emoção que se estampou no rosto de Ashley era clara. Ao ver aquela expressão, Koy abandonou por completo a pequena esperança que ainda carregava. Ele foi mesmo um idiota por ter esperado que talvez não fosse aquilo. Concluiu também que Ariel estava enganada.
— E-e você… você tem alguém que gosta.
Sua voz se quebrou em soluços.
— Mesmo tendo alguém que gosta, por que está fazendo isso comigo…?
Com os olhos cheios de lágrimas, Koy ouviu Ashley falar às pressas:
— É você.
Koy levantou o olhar, os olhos marejados. Ashley confessou com seriedade e desespero:
— É você. A pessoa de quem eu gosto é você, Konnor Niles.
O rosto de Koy estava tomado pela desconfiança. Era merecido. Ashley conteve o impulso de chutar seu eu do passado e começou a falar:
— …No começo, é verdade que eu sentia pena de você.
‘Como posso explicar isso?’
Ashley se sentia desolado. Era a primeira vez que achava seu vocabulário tão limitado. Suspirando fundo, voltou a olhar para Koy. Ele ainda o encarava, mas com uma expressão cheia de confusão. Observando-o, Ashley falou:
— Koy, você sabe qual é a diferença entre sentir pena e simpatia?
Koy balançou a cabeça em silêncio. Ashley respondeu:
— Eu sei.
Logo depois, ele deu um sorriso amargo.
— Se esse uniforme idiota não fosse tão grosso, você perceberia como meu coração está disparado agora.
De tão sufocado, soltou outro suspiro. Levou a mão à testa, perdido em pensamentos.
‘O que devo fazer? O que fazer para que o Koy acredite nos meus sentimentos?’
‘Talvez eu devesse simplesmente arrastá-lo e trancá-lo em algum lugar’.
Koy olhava para Ashley, perplexo. Nunca o vira assim. Parecia ansioso, confuso, como se vários sentimentos – culpa entre eles – estivessem embaralhados dentro dele.
“Parece que você quer provar que o Ash não gosta de você… mas o que você ganha com isso?”
De repente, as palavras de Ariel vieram à mente.
“Só seja honesto com seus sentimentos. Não negue os sentimentos dos outros, isso é o mesmo que ignorá-los.”
Ela continuava sussurrando:
“E então, quais são os seus sentimentos?”
Eu…
‘Meus sentimentos são…’
Koy ergueu a cabeça devagar. O rosto de Ashley, completamente transtornado, estava bem diante dele.
‘Meu coração…’
— Eu sei.
Depois de muito tempo, Koy finalmente falou. Ashley tirou a mão da testa e olhou para ele. Koy, em silêncio, segurou a mão de Ashley e a levou devagar até o próprio peito. E então, Ashley pôde sentir. Através do tecido fino do uniforme de líder de torcida, seu pequeno coração batia loucamente.
Ashley arregalou os olhos, surpreso, olhando para ele. O entorno permanecia em silêncio. Mas dentro de seus ouvidos, tudo era um caos. Seus corações pulsavam freneticamente, fazendo seus ouvidos retumbarem. A voz de Koy tremia:
— Eu gosto de você, Ash.
Por algum motivo, as lágrimas caíram. Fungando, Koy finalmente confessou:
— Eu gosto de você, Ash.
Repetiu, mas ainda parecia pouco. Os sentimentos reprimidos explodiram de uma vez, transbordando pela boca. Ariel estava certa. O que importava era que Koy gostava de Ashley. Isso era um fato inegável. Ninguém podia negar.
‘E os sentimentos do Ash também devem ser verdadeiros…’
— Koy.
Ashley se inclinou, tão perto que as respirações se tocavam. Ele sussurrou:
— Me desculpe… por ter te magoado.
Ashley se desculpou com sinceridade. Não importava como Koy descobriu. Aquilo nunca deveria ter sido dito. Dizer que andava com ele por pena, e ainda por cima se gabar disso na frente dos outros.
‘O quão arrogante eu fui…’
Com um olhar superior, ofereceu pena, chamou de coitado, e realmente agiu assim. Mesmo vendo com os próprios olhos o quanto Koy se esforçava para viver. E ele, vivendo com o dinheiro do pai, aproveitando à vontade a riqueza de um homem que tanto desprezava.
— A culpa foi minha.
Ashley se desculpou novamente. Koy apenas piscava, olhando para ele. Então, percebeu que os olhos de Ashley estavam diferentes do habitual. Tão profundos, tão intensos…
Olhos roxos.
‘Mesmo sendo tão escuro, como podem ser tão límpidos’?
Os olhos misteriosos de Ashley fizeram Koy se perder por um momento.
‘Se eu me tornasse um astronauta e fosse ao espaço, será que veria uma luz dessa cor? Milhares de estrelas brilhando dentro deles, e se eu ficasse sozinho no meio de um universo imenso e profundo… será que me sentiria assim também?’
— Eu gosto de você, Koy.
Ashley confessou:
— Só de você.
Ao contrário da paixão nas palavras, o sopro que tocava seus lábios era gelado. Koy, sem saber por quê, sentiu um arrepio na espinha e fechou lentamente os olhos. Quando suas pálpebras se encontraram, os lábios suaves se tocaram.
‘Ah…’
Koy prendeu a respiração, encolhendo os ombros. Agarrou com força a grade do alambrado e esticou o pescoço quando Ashley afastou os lábios – só para colá-los de novo logo em seguida. Quando os lábios se encontraram de maneira oposta, Koy tremeu por completo. Só os lábios se tocavam, mas seu corpo inteiro tremia, o coração disparava, e ele mal conseguia pensar.
Foi então que Ashley parou o beijo e passou a língua pelos lábios fechados de Koy. Ao sentir a saliva molhada umedecer sua boca, Koy quase desmaiou.
Ashley soltou uma risadinha. Se ele não tivesse soltado a grade para envolver a cintura de Koy e puxá-lo para mais perto, Koy teria caído no chão ali mesmo.
— Hm… hng…
Sons escaparam de seus lábios sem querer. Koy queria parar de tão envergonhado, mas não conseguia. Entregue nos braços de Ashley, pousou as mãos no peito dele e correspondeu ao beijo. De olhos bem fechados, se assustava a cada novo toque dos lábios, contraindo os dedos dos pés, até que Ashley interrompeu o beijo e sussurrou:
— Koy, você tem que abrir os lábios.
‘O quê…’?
Koy abriu os olhos com esforço e olhou para ele. Sem entender, apenas piscava. Ashley o observou por um tempo e então sorriu, amargamente.
— Acho que vou ter que te trancar mesmo.
— O quê…?
Obviamente, Koy não entendeu. Vendo-o piscar confuso, Ashley fingiu ignorar e mordeu sua orelha. Koy encolheu os ombros, assustado, e ele perguntou em tom de brincadeira:
— Foi seu primeiro beijo, não foi, Koy?
— Ah… uhum.
Koy assentiu. Ashley já esperava essa resposta, mas ainda assim teve sentimentos mistos. Ficou satisfeito por ser o primeiro em tudo de Koy, mas também pensava que agora começaria outro período que exigiria muita paciência.
‘Devagar. Vamos devagar.’
Ashley se acalmou por dentro e então sorriu.
— Koy.
— Hum.
Koy ainda respondia com o rosto animado. Suas orelhas se mexeram ligeiramente.
— Dá vontade de te devorar.
— Hã?
Com a pergunta de Koy, Ashley percebeu que havia deixado escapar seus pensamentos e tratou de mudar de assunto:
— Vamos embora, Koy? Você está com fome, certo?
— Ah, sim.
Koy assentiu sem hesitar. Ashley não resistiu e o abraçou novamente. Também não deixou de lamber seus lábios e pressioná-los num beijo. Quando ergueu o rosto, Koy o encarava com o rosto completamente vermelho. Ashley dessa vez, se controlou para que seus sentimentos não escapassem, e soltou os braços que o envolviam. Mas isso não significava que o deixou ir. Em vez disso, segurou sua mão e contornou a cerca.
— Koy.
— Hum.
Ao ouvir sua voz, Koy ergueu o rosto — ainda corado. Sorrindo amplamente, ele estava exatamente como Ashley sempre quis. Até mesmo as orelhinhas, que se mexiam de vez em quando, estavam ali. Ashley sorriu, olhando para ele.
— Quer tomar banho comigo?
°
°
Continua….
Tradução: Ana Luiza
Revisão: Thaís
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Em breve será disponibilizado uma sinopse!
Nome alternativo: Kiss Me If You Can