Ler Lamba-me se puder – Capítulo 81 Online

Modo Claro

Ashley perguntou com uma expressão carrancuda. Koy permaneceu em silêncio, apenas estendendo o que segurava enquanto aguardava. Ashley observou o objeto com uma expressão de desconfiança, mas acabou aceitando.

Ao abrir o que tinha recebido, viu uma nota de dois dólares dobrada. Era aquela que Koy sempre carregava consigo. Estava tão gasta que as marcas de uso eram evidentes, e até mesmo as bordas estavam rasgadas.

Ashley olhou para ela por um instante e, em seguida, devolveu para Koy.

— Eu também tenho dois dólares.

A ideia de Koy entregar sua nota da sorte, que claramente ele havia guardado com carinho por anos, só para ajudar a vencer o jogo de boas-vindas, parecia absurda. Mas, em vez de aceitá-la de volta, Koy escondeu ambas as mãos atrás das costas e disse:

— Essa nota de dois dólares você não tem.

Seus lábios se curvaram em um sorriso que parecia difícil de sustentar. Ashley percebeu que ele estava tentando, de alguma forma, aliviar o clima. Esse esforço melhorou um pouco o humor arruinado de Koy, fazendo com que Ashley também deixasse escapar um leve sorriso. Quando o coração de Koy se aliviou e ele soltou um suspiro de alívio, Ashley lhe estendeu novamente a nota e falou:

— Tudo bem. Isso é importante para você.

Koy quase chorou com a gentileza daquelas palavras, mas forçou um sorriso e, segurando a mão dele, afastou-a delicadamente.

— Eu já realizei meu desejo.

— Desejo?

— ‘Sim’ — disse Koy, assentindo com a cabeça.

— Eu te conheci.

Ashley o olhou em silêncio. Koy, tentando ao máximo não perder o sorriso, acrescentou com a voz trêmula:

— Faz sentido te dar isso. Foi você quem realizou meu desejo.

Ashley novamente não disse nada. Desta vez, sua expressão era de alguém completamente atordoado, como se tivesse levado um golpe. Mas Koy não tinha como saber o motivo — e, no fim das contas, isso não importava. Desde que Ashley ficasse feliz.

— Espero que você vença e consiga o que deseja.

Koy abriu um largo sorriso. Ashley apenas o observava em silêncio. Por alguns segundos, os dois ficaram se encarando. Havia tanto a dizer, mas nenhuma palavra vinha à mente. Ambos estavam tão tomados pela emoção, por diferentes motivos, que não conseguiam falar.

— Então…

Foi Koy quem quebrou o silêncio.

— Vou indo.

Virou-se e caminhou em direção ao banco. Logo o segundo tempo terminaria, e com isso, o papel dele também.

Como esperado, todos já estavam reunidos no banco, inclusive Ariel. Foi a vice-capitã quem o viu primeiro e puxou conversa:

— Ei, Koy. Chegou na hora certa! Estávamos prestes a ir te procurar.

Koy sorriu sem jeito e respondeu:

— É…

Ariel virou-se para ele e também sorriu. Koy retribuiu o sorriso. De alguma forma, sentia-se mais leve. O som do apito que marcava o fim do segundo tempo ecoou, e todos foram para o rinque no tempo certo.

 

***

 

— Ah, Ash!

— Ash, como você está? Tudo bem?

Os rapazes do time de hóquei, que estavam assistindo à coreografia das líderes de torcida no banco, se animaram ao ver Ashley chegar atrasado. Embora fossem tão barulhentos quanto sempre, era possível perceber certa apreensão nos rostos deles. Ashley coçou a nuca, um pouco constrangido.

— Já estou melhor. Desculpa aí.

— Que bom.

— Isso é o que importa.

— Ainda tem o terceiro tempo, pô!

Os colegas foram se revezando nos comentários enquanto davam tapinhas nas costas e nos braços de Ashley. Ele também foi cumprimentando cada um com abraços de ombro e toques nas costas, até encontrar seu lugar.

No rinque, a apresentação das líderes de torcida ainda continuava. Mas Ashley logo avistou Koy. Instintivamente, apertou com mais força o taco de hóquei que segurava.

‘Espero que você vença e consiga o que deseja.’

‘Claro que sim, Koy. Por pouco não estraguei tudo por causa de um ciúme bobo. Se concentra, Ashley Dominique Miller.’

Ele deu um forte tapa no próprio rosto, colocou as luvas e começou a se preparar para o próximo jogo. Em seus olhos havia uma determinação mais intensa do que nunca.

Por fim, quando a apresentação terminou, Koy voltou correndo para o banco, como havia feito antes. Ainda ofegante, mas menos do que da primeira vez. Diferente do que aconteceu no primeiro tempo, agora ele conseguia se mover com mais calma — não só por ser sua segunda apresentação, mas também porque havia colocado as emoções em ordem.

Ele realmente queria que Ashley vencesse a partida. Foi por isso que lhe entregou seu bem mais precioso, e não havia nenhum arrependimento, nenhum ressentimento.

‘Ash e Al são meus amigos preciosos. Está tudo bem.’

Koy pensou consigo mesmo, tentando se preparar. Quando o jogo acabasse, Ashley com certeza correria direto até Al.

E, como esperado, assim que o terceiro tempo começou, o desempenho de Ashley mudou completamente em relação ao anterior. Mais rápido e feroz do que no primeiro tempo, sua performance incendiou o público, que logo começou a gritar em êxtase. As líderes de torcida também se empolgaram, gritando, socando o ar e berrando “Búffalo!”.

Koy, misturado à multidão, assistia nervosamente à partida. Naquele momento, Ashley ficou preso entre dois defensores adversários, com o disco entre eles.

‘Sai daí, Ash!’

Ele gritou mentalmente, tenso. Ashley girou o corpo e, de repente, empurrou com força um dos jogadores. O oponente, pego de surpresa, recuou. Aproveitando a brecha, Ashley lançou o disco. Bill, que estava à espera, recebeu e passou adiante, e a torcida entrou em delírio.

O disco balançou a rede, marcando mais um ponto. Três gols seguidos mudaram completamente o clima da partida.

— Acho que a gente vai ganhar! Vamos ganhar!

Uma das líderes de torcida gritou, empolgada, e as outras a acompanharam.

— Claro que vamos! A gente torceu com tudo!

— Isso aí, nosso time é invencível!

— Búffalo! Búffalo!

— Uaaaaaah!

Até Ariel gritava, girando os braços com força. O tempo restante era pouco. O time adversário tinha se recuperado bem no segundo tempo, então a pontuação estava apertada. Eles também sabiam disso, por isso estavam determinados a lutar até o fim.

— Aaaah!

O jogador que tinha brigado com Ashley no início correu atrás do disco com um grito. Ashley foi atrás, e logo estavam frente a frente. O adversário começou a provocá-lo, fazendo movimentos estranhos com o corpo.

— Golpezinho de almofada. É só isso que você tem?

Era uma provocação fraca, ainda mais depois da briga. Ashley riu.

— Quem foi que sangrou depois de levar esse “golpezinho de almofada”?

— Foi só sorte.

— Isso mesmo. Foi sorte eu ter caído logo com um fracote como você.

— O quê? Seu…

Quando o outro ia começar a xingar, Ashley interceptou o disco rapidamente. O adversário ficou confuso, e Ashley correu, gritando:

— E ainda é burro!

— Seu filho da—

Tomado pela raiva, o rapaz foi atrás. Um defensor se colocou à frente, mas Ashley desviou para o lado com rapidez.

— Bill!

— Recebi!

Bill pegou o disco e disparou. O tempo estava acabando. Era a última chance de marcar. Se não fizessem aquele gol, iriam para a prorrogação. Nesse caso, o primeiro a marcar venceria.

Ashley não queria correr esse risco — não por medo, mas porque não suportava a ideia de prolongar o jogo.

‘Essa tem que ser a última jogada.’ — Ele correu com todas as forças.

— Vamos lá!

Um jogador adversário tentou bloqueá-lo, mas não conseguiu acompanhá-lo e foi jogado contra a cerca.

Diante dele estava o goleiro — o mesmo que tinha sido considerado o melhor da temporada anterior. Ele já havia defendido vários gols do Búffalo naquele dia.

O goleiro manteve o corpo em alerta, acompanhando o disco com os olhos. Parecia impossível encontrar uma brecha. Bill hesitou, intimidado.

Nesse momento, um defensor se colocou à sua frente. Antes que o disco fosse roubado, Ashley apareceu e entrou na jogada.

— Ah!

— Ugh!

Vários gritos se espalharam. O disco deslizou pelo chão, e todos os olhares se voltaram para ele. O goleiro mergulhou para bloqueá-lo. Enquando o público soltava gritos mistos de frustração e alívio, Ashley girou o taco com força.

*Clac!* Um som seco ecoou. O goleiro esticou os braços, assustado. Todos puderam ver claramente o objeto preto e achatado voando no ar. Três segundos. Dois.

— UAAAAAAAH!

A rede balançou. A buzina soou. O jogo acabou. A plateia se levantou e “Stars and Stripes Forever” começou a tocar.

*Fui pesquisar que música era essa, e é uma marcha military official Americana (eca)

— AAAAAAAH! ASH!

— Vencemos! Vencemos!

Os rapazes do time de hóquei gritavam, se abraçando e celebrando. As líderes de torcida aplaudiam com entusiasmo. No meio delas, Koy olhou para as costas de Ariel… e depois voltou o olhar para Ashley.

‘Adeus, Ash. Eu te amei de verdade.’

Seu nariz ardeu, e ele fungou discretamente. Quando levantou a cabeça, viu Ashley atravessando o rinque correndo em direção a eles.

‘Vai se declarar para a Ariel.’

Foi o que Koy — e todos — pensaram. O sorriso radiante de Ashley trazia um gosto amargo para Koy, que começou a se preparar emocionalmente.

‘Ele vai pedir para reatar com ela. Talvez até se beijem.’

‘Então eu vou… desejar felicidades.’

Ele tomou coragem e esperou. Ashley corria a toda velocidade. Ignorando o banco, apoiou uma mão na cerca e saltou por cima.

‘Hã?’

A direção que ele tomava estava errada. Ariel estava do outro lado. Koy virou o rosto, confuso… e no instante seguinte, Ashley o envolveu num abraço apertado.

‘O quê? Hã?’

Os olhos de Koy se arregalaram. Ashley então soltou o abraço, segurou o rosto dele com as duas mãos… e sem dar tempo para qualquer reação, encostou seus lábios nos dele.

Não foi só Koy que ficou em choque. Todos estavam paralisados, sem saber o que fazer. Ashley pressionou os lábios com firmeza antes de se afastar e encarar Koy com o rosto completamente vermelho.

— Eu gosto de você, Koy. Quer namorar comigo?

Koy ficou paralisado, em choque. Ninguém conseguia dizer uma única palavra. Mas para Ashley, nada mais importava. Apenas a resposta de Koy era importante.

Enquanto isso, o som da música e da plateia, alheia ao que estava acontecendo no banco, continuava ecoando ao redor.

°

°

Continua….

 

Tradução:  Ana Luiza

Revisão:  Thaís

 

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Em breve será disponibilizado uma sinopse!
Nome alternativo: Kiss Me If You Can

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