Ler Lamba-me se puder – Capítulo 79 Online
O estrondo da bateria no sistema de som, seguido por uma enxurrada de gritos, deixou Koy completamente atordoado. Ele respirava com dificuldade enquanto olhava ao redor com cautela. Das arquibancadas vinham aplausos misturados a gritos ensurdecedores. Estava tão envergonhado que apenas esvaziou a mente e se concentrou em não quebrar a formação. De alguma forma, parece que conseguiu.
Depois de fazer uma reverência para o público em fila com as outras meninas, Koy foi primeiro a correr para o banco de reservas. Por consideração, ele havia sido posicionado para entrar por último, o que permitia sair primeiro. Graças a isso, ele pôde sair rapidamente. ‘Se não escapasse logo, não conseguiria suportar’.
Ao entrar no banco de reservas às pressas, tentando recuperar o fôlego, alguém de repente agarrou seu braço.
— Ah!
Ele soltou um grito sem pensar e levantou o rosto, parando de repente. Ashley o encarava com uma expressão severa, como ele nunca havia visto antes.
‘O quê? Eu fiz algo errado?’
Koy piscou, confuso. Mesmo sendo lento para perceber, ele entendeu. Ashley estava furioso, visivelmente tomado pela raiva até a raiz dos cabelos.
— Você… que diabos é isso?
— …Hã?
Atordoado, Koy apenas balbuciou algo sem sentido, quando de repente a voz de Ariel interrompeu por trás.
— O que parece ser? É o uniforme de líder de torcida.
Ashley virou a cabeça. Ariel, a última a chegar, os observava com uma expressão carrancuda. Os jogadores do time de hóquei, que esperavam para parabenizar as líderes de torcida com frases como “bom trabalho”, “que fofas”, “ficaram ótimas com o novo uniforme”, abriram os olhos em choque e alternavam o olhar entre eles. Ainda segurando Koy pelo braço, Ashley agora se virou para Ariel e esbravejou:
— Que tipo de uniforme é esse? Quem escolheu uma coisa dessas?!
— O quê?
A voz de Ariel também subiu.
— Como assim “uma coisa dessas”? Que absurdo você está dizendo?
— Não dá pra ver? Como alguém escolhe algo assim?!
— Então você devia ter participado da reunião também! Quem foi que fugiu dizendo que tinha trabalho da escola?
— O quê?
— Pois é, e agora vem reclamar!
Os dois discutiam cara a cara, rosnando um para o outro, enquanto os demais observavam, desconcertados, sem saber o que fazer.
— O que deu no Ash?
A vice-capitã, preocupada, perguntou. Bill balançou a cabeça.
— Não sei, de verdade. Quando viu vocês entrando, não falou nada… e de repente começou a surtar.
Falando em tom baixo, Bill não teve escolha a não ser se intrometer entre os dois.
— É… então… gente…
Ashley e Ariel se viraram ao mesmo tempo. Encurralado pelos quatro olhos ameaçadores, Bill se encolheu, mas reuniu coragem para continuar:
— Eu não entendo qual o problema… mas… todos nós escolhemos esse uniforme juntos.
— Não foi? — disse Bill, olhando ao redor. Então, os jogadores que observavam assentiram, como se estivessem esperando por isso.
— É, foi uma escolha em grupo.
— Lá no Green Bell, lembra?
— Uhum, achei que ficou ótimo em todo mundo…
— Eu também.
— Eu também, todas estão lindas. Ficou ótimo.
Com todos concordando, Ariel colocou as mãos na cintura e levantou o queixo, como quem diz você é o único falando besteira aqui. Ashley estava explodindo por dentro, mas, sem ninguém para apoiá-lo, era difícil continuar insistindo. Procurando desesperadamente o que dizer, Ariel o confrontou:
— Afinal, qual é o problema? O que exatamente você não gostou nesse uniforme? Fala logo! Se quiser que a gente te ouça, tem que dar uma razão!
Todos os olhares se voltaram para Ashley. Ele precisava falar. Precisava dizer o porquê de estar incomodado com aquele uniforme.
— É muito…
Com esforço, Ashley abriu a boca.
— É muito curto! As pernas estão todas à mostra!
O silêncio caiu instantaneamente. Só se ouvia o murmúrio distante da plateia. Após um tempo, Ariel, com o rosto distorcido de incredulidade, perguntou:
— Você comeu algo estragado?
Ashley hesitou, e Ariel explodiu:
— Isso é um uniforme! Qual o problema em mostrar as pernas? Ver isso de forma sexual? Você é um pervertido?
— Cuidado com o que diz.
— Você é quem devia cuidar do que fala! Como ousa avaliar um uniforme dizendo se as pernas estão aparecendo ou não?
Ariel estava genuinamente furiosa. Diante da reação intensa dela, os outros começaram a apoiá-la timidamente.
— Olha, a Ariel tem razão. Ash, você passou do limite.
— É só um uniforme. Qual é o problema?
— Nem é tão curto assim. Todo mundo usa esse tipo de roupa.
— Cara, você tá falando igual meu pai…
Ninguém estava do lado de Ashley. E com razão. Ele nunca tinha sido assim antes. Já havia namorado líderes de torcida, mas nunca falou sobre uniforme ou pernas ou qualquer coisa parecida. Nem conseguia imaginar fazer isso. Até mesmo momentos antes das líderes entrarem no rinque, Ashley observava tudo como se não fosse com ele.
Mas isso foi antes de ver as pernas nuas de Koy.
Pensar que todo mundo no banco, na arquibancada — todos naquele estádio — estavam vendo aquelas pernas, era enlouquecedor. ‘Como não pensei nisso’? O time só aceitou Koy porque precisava de um “garoto travestido”. Ou seja, era óbvio que ele usaria o uniforme de líder de torcida.
Não… ele sabia que ele usaria saia. Esperava por isso até certo ponto. ‘Mas não esperava que ficasse tão fofo’. E aquelas pernas… como assim Koy tinha pernas tão deslumbrantes?
Ao imaginar Koy sentado, usando aquelas meias pretas por cima das pernas, ele sentiu que podia desmaiar. Será que trancá-lo num quarto ainda seria pouco? Que tipo de pessoas eram os pais dele? Como deixavam uma criatura tão fofa e sensual andar por aí numa bicicleta velha?
E não era só isso. Ousadamente, Koy ainda estava usando um prendedor de cabelo. E justo de cereja. Aquilo foi a gota d’água. Ashley apontou para ele com raiva:
— E esse prendedor? Por que tinha que ser logo de cereja?!
Claro que Ariel não ficou calada.
— Qual o problema com cereja? Tá um charme!
Você não entende?! Por cerejas no Koy… é erótico demais!
Mas só Ashley percebia isso. Diante da insistência absurda dele, as outras líderes de torcida começaram a cochichar.
— O que tá rolando? Por que eles estão brigando?
— Deve ser isso… ele não quer que os outros vejam a garota dele.
— Ciúmes? Posse? Algo assim?
Outra voz se juntou à conversa:
— Se for isso mesmo, decepcionante, hein, Ash? Não esperava isso de você.
Logo surgiram mais concordâncias:
— Pois é. Nem parecia ser tão mente fechada.
— Nem meu pai fala esse tipo de coisa pra mim, como é que ele tem coragem?
— Será que foi por isso que a Ariel terminou com ele?
A última frase fez todas pararem e se entreolharem, como se tivessem tido uma revelação. Uma das garotas falou com cautela:
— Gente… será que a gente não cometeu um erro?
Elas haviam se esforçado tanto para juntar novamente Ashley e Ariel. Mas tudo isso estava ruindo. Observando os dois ainda discutindo, alguém sussurrou:
— Deixar a Ariel com um cara desses… não dá, né gente?
— Não dá mesmo. Isso é ridículo.
— Concordo. Ash está fora da disputa.
— Que pena… vai ser difícil achar alguém à altura da Ariel.
— Fazer o quê? O que ela pensa é o mais importante.
Enquanto cochichavam seriamente, Koy olhou novamente para Ashley e Ariel com um rosto de puro desconforto. ‘Eles estão brigando por minha causa. Que vergonha.’ Com um misto de culpa e vergonha, Koy baixou a cabeça. Estava grato por Ariel defendê-lo e se sentia péssimo por Ashley estar bravo. Não conseguia levantar o rosto.
Enquanto a discussão continuava, soou a buzina anunciando o segundo tempo.
— Temos que ir, Ash.
Bill, que observava a cena até então, interveio. Ashley lançou um último olhar para Koy, murmurou um palavrão e o soltou. Koy recuou cambaleando, e ele colocou o capacete antes de entrar no rinque. Os outros jogadores o seguiram em fila. Bill, o último a sair, olhou para Ariel e Koy e disse:
— Desculpa… acho que o Ash está um pouco sensível hoje.
— Tanto faz, vai logo — respondeu Ariel de mau humor, virando o rosto. Koy, percebendo o olhar de Bill, respondeu com um sussurro:
— Tá tudo bem…
Os jogadores das duas equipes se posicionaram no centro do rinque. O juiz lançou o puck no ar e, com o face-off (um treino de hóquei no gelo em que os pivôs de ambos os times ficam frente a frente e usam seus tacos para arrancar o disco das mãos do árbitro), o jogo recomeçou.
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Continua….
Tradução: Ana Luiza
Revisão: Thaís
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Em breve será disponibilizado uma sinopse!
Nome alternativo: Kiss Me If You Can