Ler Lamba-me se puder – Capítulo 78 Online
UAAAAAAAH…
A gritaria do público era tão alta que chegava a doer nos ouvidos. Koy, tomado pela tensão, encolheu os ombros. Mesmo parado no corredor, seu corpo inteiro tremia incontrolavelmente.
Enquanto isso, as garotas do time de líderes de torcida, exceto ele, já vestiam os novos uniformes e se preparavam para entrar no rinque. Elas iriam se apresentar no intervalo entre o primeiro e o segundo período do jogo.
Embora Koy fosse algo entre “berinjela”, “pimentão” e “brócolis” para o grupo — um apelido indefinido —, era claro que ele não podia se trocar junto com as meninas. Por isso, elas usariam o vestiário primeiro, e depois ele se trocaria sozinho. Esperando sua vez, Koy soltava respirações trêmulas uma após a outra.
‘Esse dia realmente chegou’.
Mesmo tendo experimentado a roupa no dia anterior, ele ainda não conseguia acreditar. ‘Eu, vestindo roupa de garota, fazendo uma apresentação de líder de torcida… e ainda por cima na frente de tanta gente’!
— AAAAAAH!
Seu rosto esquentava de vergonha, e um grito escapou involuntariamente. ‘Universidade… o que significa isso, afinal? Vale mesmo a pena passar por isso? Será que não havia outra opção? Nenhuma mesmo?’
Enquanto se desesperava, puxando os cabelos, a porta se abriu de repente e as garotas começaram a sair do vestiário. Ariel, que vinha na frente, disse ao vê-lo de cabeça baixa e as mãos no cabelo:
— Tá esperando o quê? Vai logo se trocar.
— Anda, a gente tá sem tempo — acrescentou a vice-capitã ao lado.
Koy agarrou a mochila com o uniforme e começou a andar hesitante, mas seus pés pareciam grudados no chão. As garotas, então, o empurraram pelas costas:
— Vai logo! Tá todo mundo ocupado aqui!
— Anda!
Empurrado para dentro, a porta se fechou com força atrás dele. Koy olhou para trás, mas já era tarde demais para voltar. Sem opção, abriu a mochila e pegou a roupa. No momento em que viu a saia, sentiu o sangue sumir do rosto.
‘Por favor… tomara que isso tudo seja só um sonho…’
Vestiu o short por baixo, depois a blusa sem mangas com decote em “V”, e por fim segurou a saia nas mãos.
— Uuugh…
O gemido escapou sozinho. Com esforço, colocou a saia por cima. Mas não teve coragem de olhar para o espelho. Fechou os olhos com força e respirou fundo.
‘Ontem eu já mostrei isso pro grupo… mas era só pra elas. Agora é pra valer.
‘Me esforcei tanto até aqui… não posso deixar tudo ir por água abaixo por causa de uma saia’.
Apesar de tentar se convencer, a coragem não surgia. Depois de vários suspiros profundos e de passar a mão no peito como se quisesse controlar o coração, finalmente segurou a maçaneta da porta. Quando ouviu o som dela se abrindo, um pensamento passou por sua mente:
‘Depois de tudo isso… será que eles não podiam me aprovar direto na universidade, sem nem usar a nota’?
Com a visão tremendo de nervosismo, ele viu os rostos das meninas — Ariel entre elas. Não fazia ideia de como estava. Será que parecia ridículo? Provavelmente. Será que podiam fingir que ele se esforçou e ignorar o resto? ‘Não… isso não vai acontecer, né? Mas bem que podia…’
Enquanto todo tipo de pensamento passava por sua mente, ele apenas as encarava em silêncio. Então, de repente, elas começaram a gritar, pular e vibrar.
— Ficou ótimo!
— Tá muito fofo, Koy!
— Tá ainda mais bonito do que ontem! Esse novo uniforme combina muito com você!
Rindo e batendo palmas, todas pareciam genuinamente animadas. Koy ficou completamente confuso. ‘Elas estão me zoando? Devem estar, não é?’ Mas, vendo seu rosto totalmente vermelho, elas se apressaram em incentivá-lo:
— Tô falando sério, Koy. Ficou bom de verdade! Tá uma graça!
— Ninguém vai pensar que é um garoto fantasiado. Vão só achar que é uma garota alta e magrinha.
— Isso, isso mesmo.
— Relaxa. De qualquer ângulo, você parece só uma menina magricela!
‘Não sei se fico feliz ou deprimido’. Não queria parecer uma garota, mas também odiava parecer um garoto vestido de menina. Agradecia o apoio das colegas, mas seu coração estava um turbilhão.
Sem saber onde enfiar a cara, Koy ficou parado, até que Ariel, com os braços cruzados e expressão severa, estendeu a mão. Ele se encolheu por reflexo, mas ela ignorou e passou a mão em seu cabelo. Sem entender nada, Koy a observava com desconfiança, até que Ariel franziu a testa, cuspiu na palma da mão e alisou o cabelo dele com mais força.
— Tá sempre arrepiado aqui, hm…
Murmurando sozinha, Ariel pareceu pensar por um momento, então tirou o grampo que prendia seu próprio cabelo e estendeu a Koy:
— Abaixe a cabeça.
— U-uhum…
Obedecendo sem pensar, ele se inclinou, e Ariel prendeu a mecha rebelde com o grampo, bem onde tinha passado saliva.
— Pronto. Agora sim.
Ela assentiu ao ver o resultado. Koy sentiu o pequeno peso no cabelo e, incomodado com a sensação estranha, levou a mão até lá — mas Ariel segurou seu braço imediatamente.
— Não! Nem encosta. Eu prendi direitinho.
— T-tá bom.
Ele baixou a mão, e Ariel desviou o olhar. Observando brevemente o resto do grupo, ela falou:
— Todos prontos?
— Sim!
A resposta veio em coro. Ariel assentiu com mais confiança do que nunca, virou-se, e então o grupo de líderes de torcida seguiu rumo ao rinque com passos decididos. Koy, por sua vez, tremendo de ansiedade, foi o último a caminhar, hesitante.
***
CLAC! O som forte do taco de hóquei ecoou ao acertar o disco que voou baixo, deslizou pelo gelo, e Ashley rapidamente o dominou, avançando rumo ao gol adversário. A torcida vibrava cada vez mais alto. O time rival rapidamente o cercou. Ashley, com os patins rangendo sob a pressão, analisou o campo ao redor. À sua direita, Bill aguardava. Ele passou o disco para ele. Com precisão, o disco colou ao taco de Bill. Ele acelerou, devolveu o passe para Ashley, que, ao ver a defesa se aproximando, redirecionou o disco para a esquerda. O companheiro que recebeu o passe chutou direto.
— UOOOOOOOH!
A rede balançou, e a torcida explodiu em comemoração. Logo a buzina tocou, a luz do gol acendeu, e o primeiro período terminou. Ofegantes, Ashley e os colegas se dirigiram ao banco.
— Tá fácil demais, não acha?
Bill comentou, e os outros riram.
— Pra que ir até o terceiro período? Podemos acabar com isso no segundo.
— Já que chegaram até aqui, pelo menos deixem eles aproveitarem o gelo.
— Isso aí, depois convidam pro refeitório também.
— Ei, aí já é crueldade demais!
Entre risadas, Ashley também riu. Nesse momento, viu o time de líderes de torcida se aproximando para o show do intervalo. Bill e os outros vibraram:
— Uou! Vamos lá!
— Búffalo! Búffalo!
Com gritos animados, os “gorilas” do time de hóquei acenavam com entusiasmo. Ariel e as outras garotas riram enquanto passavam por eles, que ainda assobiavam e levantavam os polegares.
— É o uniforme novo?
— Tá uma graça!
— Muito bom, combinou bem!
A vice-capitã soprou um beijo para os jogadores, que fingiram levar a mão ao peito e desmaiar dramaticamente. Estavam totalmente em sintonia.
Ashley chamou Ariel ao passar por ele, na frente da linha:
— Boa sorte.
Ela ergueu o queixo com um sorriso confiante. Ashley também sorriu de volta.
Ariel entrou primeiro na pista, seguida pela vice-capitã, e depois pelas demais meninas. Até aí, tudo bem. Ashley sorria ao pensar: ‘Onde será que tá o Koy’?
Ao se virar, viu alguém correndo atrás do grupo, como se estivesse tentando alcançá-las.
…Hã?
O que chamou sua atenção primeiro foi o grampo em formato de cereja preso no cabelo. Depois, o pescoço longo, os ombros retos, o corpo magro — e a saia perigosamente curta. Por fim, ele viu as pernas deliciosas: longas, brancas e reluzentes.
— …Espera aí! Koy!!
Ashley gritou desesperado, mas era tarde demais. A formação já estava pronta, e a música começou a tocar.
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Continua….
Tradução: Ana Luiza
Revisão: Thaís
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Em breve será disponibilizado uma sinopse!
Nome alternativo: Kiss Me If You Can