Ler Lamba-me se puder – Capítulo 77 Online

Modo Claro

— O que vocês dois estão fazendo aí?

A voz de Ariel soou cortante, como se tivesse percebido algo estranho na ar. Ashley, que estava inclinado na direção de Koy, endireitou o corpo com má vontade e respondeu com uma voz desinteressada:

— …Nada demais.

Koy, sentindo falta do calor de Ashley, desviou o olhar e observou cautelosamente a expressão de Ariel. Com os braços cruzados e a testa franzida, ela o encarava com um misto de emoções que ele não conseguia decifrar — mas nenhuma parecia boa.

Logo, o olhar de Ariel se voltou para Koy, como quem pergunta: E você, está fazendo o quê aí parado? Hesitante, ele arrastou os pés até ela. Ashley, por pouco, não o segurou pelo braço, mas se conteve. Em vez disso, observou enquanto Koy deixava de olhar para ele e se voltava para Ariel.

Quando ele se aproximou, Ariel lançou um breve olhar em sua direção, depois encarou Ashley com o queixo erguido e os braços ainda cruzados.

— E aí? Veio falar comigo?

— Não…

Ashley lançou um olhar de canto para as costas de Koy, então, de repente, abriu um sorriso radiante.

— Ele não é seu novo namorado, é?

— O quê? Tá maluco?

Ariel retrucou na hora, visivelmente incomodada. Mesmo que a resposta estivesse certa, não precisava reagir com tanta força… Koy pensou, tentando ler o clima. Ariel continuou:

— Eu já falei, o Koy é um membro valioso do grupo. Por quê? Queria falar algo?

— Não, não é isso.

— Então o que foi? Qual é o problema?

— Ariel, tá tudo bem?

As outras líderes de torcida começaram a sair do vestiário, uma a uma. Ashley, vendo as garotas atrás de Ariel, apenas acenou com a mão.

— Não é nada. Vou treinar agora.

Ela se despediu com naturalidade e saiu caminhando sem olhar para trás. Uma das meninas, olhando a silhueta de Ashley se afastando, murmurou:

— Será que ele não estava esperando a Ariel sair?

Imediatamente, as outras começaram a comentar:

— Nossa, será?

— Talvez queira voltar com ela, vai saber.

— Ficou ali no corredor, ansioso, esperando? Que fofo, Ash!

Ariel tentou negar, dizendo que era impossível, mas ninguém pareceu dar ouvidos. Koy também não acreditava naquilo.

‘Ashley disse que vai falar com ela depois da competição…’

Talvez Ashley também esteja esperando, pensou — quando, de repente, Ariel olhou para ele com seriedade.

— Sim, Koy? Vai ficar aí parado? Vai logo se trocar. Precisamos ver se a roupa ficou boa.

— Tá pendurada ao lado do espelho!

Uma das sub-capitãs completou, empurrando Koy em direção ao vestiário feminino. Antes que ele percebesse, a porta se fechou atrás de si e ele não conseguia mais ouvir as conversas.

Sozinho, Koy olhou para o lado. Como disseram, o uniforme estava pendurado ao lado de um espelho enorme. Como era de se esperar, era uma minissaia que ia até a metade da coxa.

— Ugh…

O lamento escapou involuntariamente. Caminhando desajeitadamente, ele vestiu uma saia pela primeira vez na vida, com o rosto completamente distorcido pela vergonha.

— Koy! Koy!

Mesmo depois de se trocar, Koy ficou andando de um lado para o outro, incapaz de sair. Do lado de fora, a sub-capitã bateu na porta e gritou:

— Tá fazendo o quê aí dentro? Ainda não saiu? Vou contar até 30 e abrirei a porta se você não sair, tá ouvindo?

— A-AH!

Koy gritou, engolindo seco. Do outro lado da porta, vozes femininas começaram a contar em uníssono. Ele não podia adiar mais. Juntando toda sua coragem, apertou os olhos e abriu a porta.

— …28, 29!

Com apenas um segundo antes, a porta se escancarou e todos os olhares se voltaram para ele. Com os punhos cerrados e os olhos firmemente fechados, Koy ficou parado, imóvel, enquanto o silêncio absoluto o cercava.

‘É o fim mesmo’.

Sem coragem de se olhar no espelho, Koy só conseguiu chegar a essa conclusão. Finalmente, abriu os olhos e falou:

— E-eu… acho melhor não participar…

— Já deu!

Antes que terminasse, Ariel o interrompeu, passando na frente dele.

— Tá ótimo assim. E você está na última fileira. Se não errar, mal vão notar você.

Determinando tudo sozinha, ela se virou:

— Certo, vamos encerrar por hoje. Amanhã é a competição. Todo mundo vai descansar bem, entendeu?

As líderes gritaram em resposta animada, e Ariel abriu a porta do vestiário.

— Vai trocar de roupa. Tem cinco minutos.

— Rápido, rápido!

— Hã? A-ah…

Quase sendo empurrado de volta, Koy trocou de roupa às pressas. O short apertado por baixo da saia ainda era estranho, mas não dava tempo de ficar enrolando. Cinco minutos passavam voando. Dobrou o uniforme e o colocou na mochila, depois saiu do vestiário. O corredor estava em silêncio. Todo mundo já tinha ido embora — exceto Ariel. Ela estava encostada na parede, mexendo no celular. Quando viu Koy correndo, endireitou o corpo.

— Vamos.

— Hã? Ah…

‘Tem mais algum lugar para ir’? Koy pensou, confuso, mas correu para acompanhá-la. Do lado de fora, Ariel apontou para onde seu carro estava estacionado:

— Vai lá pegar sua bicicleta, rápido.

— O quê?

Ele nem conseguiu esconder o espanto. Ariel franziu a testa:

— Já tá tarde. Eu vou te levar. Vai logo.

— Hã… por quê?

Ele tentou dizer que podia ir sozinho, mas ela o cortou antes:

— Esqueceu que amanhã é o jogo? Se for dormir tarde, vai ter menos tempo para descansar. Anda logo. E nada de ficar mexendo no celular. Vai dormir direto, entendeu?

— Vai logo! — ela pressionou, e Koy correu para buscar a bicicleta. Quando voltou, Ariel já tinha ligado o motor do carro.

Lembrando que Ariel detestava perder tempo, ele se apressou ao máximo. Assim que ela o viu se aproximando, abriu o porta-malas. Koy empurrou a bicicleta para dentro, correu para o banco do passageiro, se sentou e colocou o cinto numa velocidade que ele mesmo achou surpreendente.

Ainda ofegante, olhou de lado para ver se ela estava irritada, mas Ariel apenas mascava chiclete em silêncio enquanto dava partida no carro. Ufa… Koy suspirou aliviado e falou:

— O-obrigado, Ariel.

— Não precisa agradecer. É tudo por causa do jogo de amanhã.

Como sempre, ela respondeu com frieza. Mas suas mãos no volante estavam suaves. Por isso, Koy conseguiu ir para casa mais tranquilo.

— Nem pense em mexer no celular. Vai direto dormir.

Mesmo depois de deixá-lo em casa, ela fez questão de repetir o aviso e partiu sem olhar para trás. Também precisava descansar. Ainda assim, ela o levou até em casa. Koy se sentiu profundamente grato, mas, ao mesmo tempo, algo apertou em seu peito.

‘É por isso que ela combina tanto com o Ashley’.

Ele ficou ali parado por um tempo, depois se virou e caminhou lentamente para dentro. Seus passos eram mais pesados que o normal.

 

* * *

 

— UAAAAH!

Soltando um verdadeiro grito de gorila, Bill girou o taco, o disco cortou o ar, acertou a trave com precisão — e ricocheteou para fora.

— Argh, merda!

Ele fechou os punhos e xingou, frustrado, enquanto os outros riam e zombavam. Ashley riu brevemente, mas sua mente estava em outro lugar.

‘Aquilo no corredor… o que foi aquilo’?

A cena não saía da sua cabeça. Ariel foi clara — Koy era parte do seu grupo de “irmãs”, então era natural que o protegesse como uma mãe leoa. O que o incomodava mesmo era a atitude de Koy. Vê-lo se afastar dele e ir até Ariel o deixava irritado.

‘Será que fui mole demais com ele’?

Ashley refletiu seriamente sobre seu comportamento. Tinha dado liberdade para ele aproveitar os últimos dias, mas aquilo não significava que ele podia se encantar por outras garotas. Koy era um beta, um garoto comum. Era normal se interessar por meninas da idade dele.

‘Eu devia ter impedido ele de entrar no time de líderes de torcida’.

Mas agora era tarde. Ashley se forçou a acalmar sua mente. Só faltava um dia. Amanhã tudo terminaria.

— Ei, Ash!

Com o grito de um colega, Ashley voltou à realidade e correu atrás do disco. Os jogadores o seguiam de perto. Os tacos cruzavam o gelo, todos mirando aquele pequeno disco. Ashley aproveitou uma brecha, empurrou o jogador da frente e passou o disco para Bill, que o mandou direto para o gol.

Enquanto os gritos de comemoração e os suspiros de frustração se misturavam, Bill ergueu a mão para Ashley e disse:

— Finalmente, é amanhã.

Ashley deu um leve high five e respondeu:

— É.

Em sua mente só havia um pensamento. Já estava tudo pronto. Ao imaginar Koy trancado em seu quarto, um leve sorriso surgiu em seus lábios.

— Só falta um dia.

Naquele mesmo momento, Koy chegava em casa. O silêncio reinava como sempre, ninguém estava ali. Ele apertou de leve a terra em um copo com uma mudinha, regou um pouco, depois foi se lavar e deitou-se.

Achava que não conseguiria dormir, mas acabou caindo num sono profundo, sem sonhar. Antes de dormir, a última imagem que lhe veio à mente foi a de Ashley e Ariel juntos.

‘Agora só falta um dia’.

 

°

°

Continua….

 

Tradução:  Ana Luiza

Revisão:  Thaís

 

 

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Em breve será disponibilizado uma sinopse!
Nome alternativo: Kiss Me If You Can

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