Ler Lamba-me se puder – Capítulo 74 Online

Modo Claro

De repente, o ambiente ficou em silêncio. Koy, ainda ofegante, olhava para Ashley. Quando viu a ponta do nariz dele avermelhada, Ashley recuperou um pouco da razão.

— A Ariel é só minha amiga.

— A Whitney também é minha amiga!

A firmeza com que Ashley vinha pressionando Koy desapareceu por completo. Ele desviou o olhar para frente, depois para baixo, em seguida virou-se para trás, passou a mão no queixo e nos lábios, e por fim voltou a encará-lo, perguntando com a voz visivelmente mais calma:

— …Afinal, o que foi que caiu no chão?

— A Chanel!

Koy respondeu sem hesitar, quase gritando, e Ashley deu um passo atrás, surpreso. Com a testa franzida, ele repetiu a palavra.

— Chanel?

Koy, sentindo-se injustiçado, gritou novamente:

— Isso mesmo, Chanel! Eu disse Chanel! Cha! Nel!

E então, finalmente, Koy começou a chorar. Nunca havia se sentido tão injustiçado antes. Mesmo passando por situações abusivas em seus empregos, ele nunca tinha se sentido tão magoado. Mas agora… era o Ashley.

Enquanto limpava as lágrimas, Koy pensava: “Se fosse qualquer outra pessoa, tudo bem… mas o Ashley me interpretando mal e brigando comigo… isso eu não aguento.”

“É porque eu gosto dele.”

Koy enfim percebeu: “É porque eu gosto dele que me machuca tanto quando ele me entende errado.”

O choro de Koy ecoava no silêncio do carro. Ashley o encarava, sem saber o que fazer, até que finalmente desligou o pisca-alerta e ligou o carro.

Durante algum tempo, os dois permaneceram em silêncio. Ashley lançava olhares de canto para Koy, mas ele mantinha a cabeça baixa, fungando discretamente. As lágrimas pareciam ter parado, mas o nariz dele ainda estava vermelho. Em determinado momento, Koy limpou os olhos com o dorso da mão. Ashley, visivelmente aflito, perguntou:

— Tá chorando de novo?

Koy respondeu com a voz embargada de tristeza:

— Nem consegui terminar minha Coca…

Além de estar com fome, o fato de ter deixado o refrigerante para trás o deixava profundamente frustrado. “Era melhor nem ter vindo. Só gastei dinheiro à toa, briguei com o Ashley…”

Ashley ficou em silêncio por um tempo, observando Koy continuar limpando as lágrimas. Então perguntou:

— Já jantou?

Koy apenas balançou a cabeça, sem levantar o rosto. Com um suspiro, Ashley deu meia-volta no carro. Desta vez, embora o corpo de Koy tenha se inclinado com o movimento, não foi de forma brusca como antes.

Os dois seguiram em silêncio por outro caminho. Depois de um longo período de silêncio, Koy, ainda fungando, perguntou:

— …O que é Chanel?

Sem tirar os olhos da estrada, Ashley respondeu:

— É o nome de uma pessoa.

— O quê?

Agora ele entendia menos ainda. Koy o olhou, confuso, e perguntou com cautela:

— Você tá zoando comigo?

Normalmente, ele faria isso. Mas agora, Koy não estava com humor para brincadeiras. Ashley respondeu de forma direta:

— Tô falando sério. Pesquisa, você vai ver.

— Ah… tá.

Koy pegou o celular, hesitante, e começou a digitar. “S…”

— É com C.

Ashley o corrigiu de imediato. Koy apagou o S às pressas e digitou as letras que Ashley indicava. Logo a tela se encheu de resultados, e ele começou a ler com atenção.

— Nossa, é uma pessoa de antigamente, né?

— Nem tanto.

Koy inclinou a cabeça, ainda confuso. “Por que ele tá falando de uma pessoa morta…? Será que o Ashley entendeu errado? Ou será que a Whitney tá envolvida com alguma seita estranha?”

Ele começou a ficar assustado. Mas então, à distância, viu um restaurante fast-food 24 horas. Como já estava tarde, era o único lugar aberto para comer. Ashley entrou direto no drive-thru e, antes de fazer o pedido, perguntou:

— O que você quer comer?

Koy, ainda fungando, levantou a cabeça devagar. O cardápio estava cheio de hambúrgueres caros, e ele ficou sem saber o que escolher. Ashley o observou de relance e comentou:

— Eu vou pedir um cheeseburger de bacon com hambúrguer duplo. Quer também?

— Ah…

Só de imaginar deu àgua na boca. Era um lanche caro, e ainda com hambúrguer duplo! Ao ver a expressão dele, Ashley esboçou um sorriso pela primeira vez. A tensão no ar se dissolveu um pouco. Com a voz mais suave, ele perguntou:

— E de acompanhamento?

— Eu… tô bem…

Mas antes que pudesse recusar completamente, Ashley fez outra sugestão:

— Não tem Coca de manga.

— Então… — Koy perguntou timidamente: — Eu posso pedir um milk-shake?

Ele não era exigente com sabores, mas adorava coisas doces. E o milk-shake, com sua cremosidade e doçura, era uma das poucas bebidas que ele realmente gostava. Raramente podia tomar por causa do preço.

Ashley assentiu com a cabeça e perguntou de novo:

— Mais alguma coisa? Vai querer acompanhamento no hambúrguer?

Foi quando Koy notou um pequeno aviso no topo do menu: “Todos os acompanhamentos são grátis.” Seus olhos brilharam.

— Quero sim! Tomate, cebola… e queijo também!

— Ok.

Ashley pressionou o botão e começou a fazer o pedido. Só de ouvir a lista, já dava água na boca. Enquanto esperavam, Ashley avançou com o carro. Koy estava tão animado com a comida que quase se esquecera da discussão. Pelo menos, parecia que Ashley havia entendido que aquela história de beijo era um mal-entendido. “Quer dizer… como se uma menina fosse beijar o Koy, jamais!”

“É… pensando bem…”

Enquanto esse pensamento melancólico o atingia, o pedido ficou pronto. Ashley pegou a sacola e entregou a Koy, depois dirigiu até o estacionamento.

— Toma.

Ele pegou o lanche que Koy havia pedido e o entregou. Os olhos de Koy brilharam.

— Obrigado!

Koy disse com sinceridade. Ashley apenas tirou o milk-shake e entregou a ele também. Animado, Koy começou a abrir o hambúrguer com cuidado.

Ao ver o tamanho do sanduíche — algo que ele nunca tinha comido antes — ficou maravilhado. Abriu a boca o máximo que pôde, mas mesmo assim teve que dividir o lanche em duas partes para conseguir morder. A textura, surpreendentemente macia e crocante ao mesmo tempo, o fez arregalar os olhos.

“Se eu pudesse sentir cheiro, esse momento seria perfeito.”

Foi a primeira vez que ele sentiu essa frustração. “Acho que o gosto seria ainda melhor se eu pudesse sentir o cheiro…”

Mordendo e mastigando o hambúrguer, Koy ficou triste por não conseguir aproveitar ao máximo.

— E aí, tá bom?

Ashley perguntou antes mesmo de começar o dele. Koy, com a boca cheia, assentiu animadamente. Incapaz de falar, apenas levantou o polegar. Ashley sorriu discretamente e então começou a comer também.

Ficaram assim por um tempo, comendo em silêncio. Depois de devorar o hambúrguer, vieram os anéis de cebola, as batatas fritas e os palitos de queijo. Koy estava prestes a explodir de tão cheio. “Acho que posso passar três dias sem comer depois disso.”

“Bom, pelo menos vou economizar no almoço.”

Esse pensamento o animou um pouco. Observando-o, Ashley pensava:

“Será que ele realmente não sente cheiro?”

Uma mentira dessas não seria dita à toa — exceto por gente do tipo do pai dele. Mas Koy definitivamente não era um lixo como aquele homem.

“O que será que aconteceu com ele?”

Poderia ser de nascença ou causado por algum acidente. Se fosse o segundo caso… “Que tipo de acidente teria sido?”

Ashley estava cheio de perguntas, mas não sabia como perguntar. Percebia, com mais clareza do que nunca, o quanto o relacionamento deles ainda era ambíguo.

“Não posso continuar esperando o Koy para sempre.”

Ele precisava de uma resposta. “Ou o Koy assume o que sente… ou eu o sequestro de vez.”

Depois que terminaram, Ashley juntou o lixo na sacola do lanche e a deixou no chão do banco de trás.

— Coloca o cinto.

Koy obedeceu rapidamente. No caminho de volta para casa, Ashley continuou em silêncio. O carro estava cheio do perfume dele, mas Koy nem fazia ideia do quanto Ashley estava inquieto por dentro.

 

***

 

— Obrigado por me trazer.

Koy, que desceu no mesmo lugar de sempre, agradeceu, e Ashley, parado à sua frente, inclinou levemente a cabeça para o lado.

— O hambúrguer também estava ótimo. Estava muito gostoso.

— É.

Ashley respondeu de novo com uma resposta curta e abaixou a cabeça. Com o polegar, coçou acima da sobrancelha, parecendo procurar algo para dizer, o que deixou Koy curioso enquanto aguardava.

— Koy.

— Hm?

Assim que respondeu rapidamente, Ashley endireitou a postura e perguntou:

— Mais cedo, você ficou com ciúmes de mim e da Al, não ficou?

Diante da pergunta repentina, Koy ficou com a mente completamente em branco, incapaz até de pensar numa resposta adequada.

— N-não, não, eu… ah…

Ele só conseguia balançar a cabeça desesperadamente, sem conseguir formar uma frase. Seu rosto estava vermelho como um tomate maduro mais uma vez, mas Ashley não riu. Pelo contrário, ele confessou com toda a seriedade:

— Eu fiquei.

Koy, que até então só se apressava em negar, congelou no lugar e ergueu o olhar para ele. Ashley continuou, ainda com um tom calmo:

— Achei que a Whitney tivesse te dado um beijo na bochecha, e fiquei furioso até o último fio de cabelo.

— Ela não beijou…

— É, provavelmente eu vi errado mesmo.

Ashley o interrompeu antes que ele conseguisse corrigir com mais firmeza. Koy ficou sem palavras e fechou a boca. Ashley soltou um suspiro curto.

— Koy.

— …Hm.

Dessa vez, ele demorou um pouco antes de responder. Estava apreensivo, sem saber o que viria a seguir, mas então Ashley, que o observava em silêncio, finalmente falou:

— Eu sei que você gosta de mim.

 

°

°

Continua….

 

Tradução:  Ana Luiza

Revisão:  Thaís

 

 

 

 

Ler Lamba-me se puder Yaoi Mangá Online

Em breve será disponibilizado uma sinopse!
Nome alternativo: Kiss Me If You Can

Gostou de ler Lamba-me se puder – Capítulo 74?
Então compartilhe o anime hentai com seus amigos para que todos conheçam o nosso trabalho!