Ler Lamba-me se puder – Capítulo 73 Online
— Hã? O que está acontecendo?
Koy, confuso, se levantou devagar debaixo da mesa. Mas não era só ele que estava surpreso, todos haviam parado de falar e agora olhavam diretamente para Ashley. Até Ariel o encarou com uma expressão de quem não entendia nada.
— O que houve?
Os outros também estavam com o rosto cheio de interrogações, esperando uma resposta de Ashley. Mas, naquele momento, só havia um pensamento na mente dele:
“Preciso tirar o Koy daqui.”
— Ah, então… é que…
Ashley, gaguejando de forma incomum, se apressou em completar:
— De repente lembrei de um trabalho. Fiquei alguns dias sem ir à aula, então combinei com a professora de compensar com um projeto.
— …E daí?
Bill abriu os braços e olhou em volta, visivelmente confuso. E ele não era o único — todos pareciam igualmente perdidos. Ashley continuou, forçando um sorriso desconfortável.
— Então… não posso ficar aqui agora. Preciso terminar isso logo se quiser manter minha média. As notas contam muito pra entrar na faculdade, né?
— Ah… sim, mas…
— Então vamos, Koy.
Ignorando Bill, Ashley se virou imediatamente e chamou. Todos os olhares se voltaram para Koy. Sem entender o que estava acontecendo, ele piscou e apontou para si mesmo com o dedo. Sem dizer mais nada, Ashley foi até ele com passos largos e o puxou pelo braço.
— Ah!
Sem parar nem um instante, ele arrastou Koy para fora. Ariel, que até então estava atônita, levantou-se de repente e gritou:
— O que você tá fazendo? Temos que decidir os uniformes!
— Vocês escolhem sem a gente e depois me avisam, certo, Koy?
Ashley perguntou enquanto abria a porta, olhando para Koy. Ele o encarou, ainda desnorteado. “Se eu disser que quero ficar, o Ashley pode acabar passando vergonha…”
— A-ah. Tá bom.
Dessa vez, Koy teve o bom senso de responder de forma cooperativa.
— E-eu também faltei às aulas… então tenho que fazer o trabalho. Desculpa, Ariel. Eu apoio qualquer design que escolherem. Sério, desculpa…
Enquanto falava, Koy já estava sendo puxado por Ashley. Os que ficaram para trás só conseguiram encarar a porta fechada, atônitos. Mas aquilo ainda não era o fim. Ashley voltou rapidamente, mostrou algumas notas de 100 dólares para o funcionário, colocou-as no balcão do caixa e saiu de novo.
O silêncio reinou sobre a mesa. Todos apenas se entreolhavam, tentando entender o que tinha acabado de acontecer. Até que um dos garotos do time de hóquei suspirou de alívio, quebrando o clima:
— …Ufa. Achei que ele ia sair sem pagar.
Outros assentiram em concordância.
— Eu também.
— Eu pedi tudo que eu queria, já tava preocupado.
— Nossa, ainda bem.
— O Ash tem palavra mesmo.
— Esse é homem de verdade!
E logo todos voltaram a comer felizes. As meninas, inclusive Ariel, franziram a testa, sem acreditar, mas aquilo claramente não era um problema para eles.
— É por isso que chamam vocês de gorilas, sabiam?
Com um tom leve de reprovação, Ariel encarou Bill, que acabara de devorar o hambúrguer, e ele apenas sorriu.
— Diga que somos gorilas felizes, então.
Os rapazes do time riram alto, com uma alegria contagiante. Como não havia mais sentido continuar aquele tipo de conversa, Ariel apenas balançou a cabeça e se voltou para suas colegas mais refinadas.
— Vamos conversar sobre os novos uniformes. Todas concordam?
Depois de dar uma olhada ao redor, ela franziu a testa e comandou:
— Gorilas, fora. Só os humanos aqui.
***
Depois de simplesmente jogar o dinheiro e sair do restaurante, Ashley entrou no carro e imediatamente trancou as portas. Koy, que o esperava no banco do passageiro, se assustou com o clique repentino.
“Ele trancou de novo…”
Mais cedo, depois de empurrar Koy para dentro do carro, Ashley também havia trancado a porta imediatamente antes de voltar ao restaurante. Koy, percebendo que a porta não abriria de jeito nenhum, desistiu logo de tentar e ficou esperando.
Ashley entrou no carro e, sem dizer uma palavra, ligou o motor e arrancou. Koy não fazia ideia do que estava acontecendo e só conseguia observar, tentando entender o clima. Ashley só abriu a boca algum tempo depois, já em plena estrada.
— Quem era aquela garota de antes?
— Aquela garota…?
Koy respondeu com cautela. Ashley ficou em silêncio por um instante, depois rangeu os dentes de forma audível. O som áspero o fez se encolher e encostar mais na porta, instintivamente. Ashley lançou um olhar rápido para o lado, como se quisesse verificar se a porta estava bem trancada, e então falou novamente:
— Aquela que estava sentada ao seu lado. Vocês pareciam bem próximos.
— Ah…
Koy inclinou a cabeça, tentando se lembrar. ‘Quem será que ele quis dizer’? A da direita ou da esquerda?
— Do lado direito.
Ashley soltou friamente, e Koy logo entendeu.
— Ah, a Whitney? Ela é do time de líderes de torcida comigo.
“Estranho… Ashley não conhece a Whitney?”
Koy achava que os times de hóquei e líderes de torcida eram próximos. Será que Ashley era exceção? Ficou curioso, mas antes que pudesse perguntar, Ashley disparou:
— Você mal começou na equipe e já tá íntimo assim das outras?
— O quê? Ah… é que…
Koy piscou algumas vezes e respondeu com sinceridade:
— Eu sou meio devagar, sabe… Mas as meninas são muito legais. Elas me ajudam e me tratam com carinho. São todas muito boas pessoas…
Enquanto falava, Koy foi abrindo um sorriso. Lembrou-se dos rostos encorajadores das meninas do time de líderes de torcida, sempre dizendo que ele conseguiria. Isso o acalmava, dissipando a ansiedade que sentia até pouco tempo atrás. Ariel também estava entre elas — com sua expressão séria, gritando: “Você está sem músculos!”
Só de pensar, Koy riu baixinho sem querer. Mas esse riso irritou Ashley ainda mais.
— Só de pensar nela já te faz feliz, né?
— O quê? Ah…
Koy respondeu sem pensar.
— É que… eu nunca tinha convivido assim com meninas antes… A gente ensaia junto, então acabamos ficando mais próximos. Eu não sabia que meninas eram assim… Quer dizer, o que eu quero dizer é… eu não fazia ideia de como elas realmente eram.
Sua explicação começou atrapalhada, mas logo sua voz foi ficando animada, espontânea. Sem gaguejar, as palavras fluíam naturalmente.
— São gentis, fofas, têm um espírito de equipe incrível. Não é impressionante? Você já sabia disso, né? Eu acho que foi uma sorte ter descoberto isso agora…
Koy olhou para Ashley com os olhos brilhando. Mas de repente, Ashley virou bruscamente o volante. Koy soltou um grito, incapaz de terminar a frase. Mesmo com o cinto de segurança, seu corpo foi jogado para o lado. Ashley encostou o carro no acostamento e ligou o pisca-alerta.
Haa… haa…
Tudo aconteceu tão rápido que Koy nem conseguia processar direito. Só conseguia tentar controlar a respiração, com a mão no peito. Então, Ashley soltou o cinto de segurança e virou-se bruscamente para ele.
— E aí você deixa ela te beijar? Bem na minha frente?
A voz de Ashley saiu áspera. Koy, que até então só respirava fundo, se assustou tanto que acabou gritando também:
— Beijar?! Eu? Quando? Com quem?!
“Não é possível! Levaram meu primeiro beijo sem eu saber? Com quem? Quando isso aconteceu?!” — pensava, em pânico. Ashley o encarou de lado, então cuspiu as palavras enquanto voltava a olhar para frente:
— A garota sentada ao seu lado. Ela beijou sua bochecha.
— Quem? Ao meu lado?
— A Whitney!
Ashley gritou. Koy encolheu os ombros e engoliu seco, finalmente percebendo.
— Beijo?! Do que você está falando! Isso não aconteceu! Foi só um esbarrão!
— Eu vi.
— Tô dizendo que não! Você entendeu errado!
Ashley o encarava com raiva, claramente não acreditando em nada do que ele dizia. Koy, sentindo-se injustiçado, tentou explicar de novo, aflito:
— É sério! Ela deixou cair alguma coisa no chão e eu fui ajudar. Aí, sem querer, nossos rostos se encostaram um pouco. Mas beijo? Isso não tem nada a ver!
Koy negava veementemente, mas o olhar de Ashley não mudava. Havia mais raiva acumulada ali.
— E você se meteu debaixo da mesa com ela?
— Hã?
Koy hesitou por um momento, depois ficou boquiaberto, sem palavras. “Isso é ridículo!”
— Eu disse que ela deixou cair alguma coisa! Só fui ajudar! E você está bravo por causa disso?
Estava tão injustiçado que sentia o nariz arder. Ashley ainda o encarava com desconfiança.
— Então não teve nenhuma segunda intenção? Só foi ajudar?
— Claro que sim!
Mas, de repente, a raiva tomou conta de Koy. Ele gritou sem perceber:
— E você? Você também ficou rindo e conversando com a Al! Por que só eu tô errado?!
Foi a primeira vez que Ashley recuou.
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Continua….
Tradução: Ana Luiza
Revisão: Thaís
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Em breve será disponibilizado uma sinopse!
Nome alternativo: Kiss Me If You Can