Ler Lamba-me se puder – Capítulo 66 Online
Quando voltou para casa, Koy viu as luzes do trailer acessar e prendeu a respiração. Havia alguém dentro de casa. Claro, só podia ser uma pessoa: seu pai o estava esperando.
Engoliu em seco, audivelmente. Koy teve que se controlar para não dar meia-volta e sair correndo. Mais cedo ou mais tarde, ele teria que encarar isso. Se o pai não tivesse bebido, talvez não fosse tão ruim. Desde que sua mãe os deixara, ele saia para beber quase todos os dias e, mesmo sóbrio, mal falava com Koy. Sempre com o olhar perdido no vazio, saía de casa e, quando voltava, estava quase sempre embriagado.
Logo após a mãe partir, por um tempo, o pai batia nele sempre que o via. Koy vivia se escondendo, esperando que ele desabasse de bêbado para poder entrar. Passava muito tempo do lado de fora, na friagem da noite. Com o passar dos anos, o pai aparentemente se acostumou e começou a ignorar sua presença. E quando estava bêbado e não via Koy por perto, fingia que ele nem existia — o que, na perspectiva de Koy, era melhor. Afinal, ninguém gosta de ser espancado.
‘Quando foi a última vez que ele me bateu’?
Koy pensou subitamente. ‘Fazia um bom tempo já’. Já deveria ter voltado a acontecer, se fosse como antes. ‘Se ele estiver bêbado, com certeza vai acontecer. O que eu faço agora?’
Incapaz de entrar ou fugir, Koy ficou paralisado, até que a porta se abriu de repente. Ele prendeu a respiração sem querer, e acabou encarando seu pai, que acabava de sair da casa.
— …Koy!
O pai foi o primeiro a chamá-lo, com o rosto pálido como cera. Koy ficou imóvel, sem conseguir reagir, quando o pai correu até ele.
— Ah!
O pai agarrou seu braço com força, fazendo Koy gritar de susto. Ele o puxou para perto e o segurou com ambas as mãos, gritando de forma agressiva:
— Seu idiota! Que ideia é essa de passar a noite fora?!
Koy arregalou os olhos de surpresa. O pai não estava bêbado. Era a primeira vez em muito tempo que ele o abordava de forma clara e direta — ainda que aos berros — sem estar embriagado.
Mas aquilo não foi o mais estranho. O pai começou a cheirá-lo, aproximando o rosto do corpo dele, farejando com o rosto distorcido de raiva. Koy, sem ter o que fazer, apenas deixou que ele fizesse o que quisesse.
— Que merda de cheiro é esse? Isso é… o cheiro do feromônio daquele desgraçado?
O pai perguntou, furioso, e logo cerrou os dentes. Lembrando que o filho não podia sentir cheiro algum. Imediatamente o puxou para dentro de casa e o empurrou para o chuveiro apertado.
— Vá se lavar agora! Tire todo esse feromônio nojento de você!
Como se estivesse com pressa, ligou o chuveiro de repente, fazendo com que água fria caísse na cabeça de Koy. Desesperado, ele tentou tirar a roupa rapidamente, mas parou ao ver as marcas de mordida ainda em seu peito. E não era só ali — havia manchas em várias partes do corpo, escondidas pela roupa. Apressado, ele vestiu a camisa de novo e virou-se para o pai.
— P-Pai, é que… eu vou tomar banho, mas… o senhor pode me trazer uma roupa?
Fingindo mexer no registro para ajustar a temperatura, ele o observou. O pai deu meia-volta e logo voltou com as roupas velhas e gastas, que ele usava sempre.
— Tem que ensaboar pelo menos três vezes.
Depois de ameaçar, fechou a porta do chuveiro e saiu. Só então Koy suspirou aliviado e começou a se lavar. Pensar na mansão de Ashley fazia aquele banheiro parecer ainda mais sujo e medíocre, mas ele se esforçou para não comparar e apenas seguiu as ordens do pai.
***
Koy estava desconfortável, sem saber o que fazer, olhando apenas para o chão. Fora arrastado pelo pai até a mesa pequena da sala, onde agora estavam sentados frente a frente, mas seu pai permanecia em silêncio. Não havia cheiro de álcool no ar. Koy se surpreendia por vê-lo em casa àquela hora — geralmente estaria bebendo ou trabalhando.
‘O que ele quer me dizer’?
O coração de Koy parecia prestes a explodir de nervoso. Ashley dissera que entraria em contato com o pai, mas ele sabia que a escola e os pais reagem de formas diferentes. Fazia três ou quatro dias que ele não aparecia em casa, e seu pai só tinha recebido uma ligação — e ainda por meio de outra pessoa. É claro que qualquer pai ficaria furioso. Assumindo que ele ainda me considere seu filho, é claro.
Quando pensou isso, seu pai finalmente falou:
— Koy.
— S-Sim?
Koy respondeu rápido. O pai soltou um breve suspiro e se calou de novo. Era um comportamento novo para ele. Koy não sabia o que esperar, então apenas aguardou. Quando falou de novo, sua voz estava mais baixa e grave.
— Koy, você… tomou algum remédio?
— Remédio? Que remédio…? Eu não tomei nada.
Ele balançou a cabeça rapidamente, mas seu pai manteve o olhar desconfiado.
— Tipo… supressor, por exemplo.
— Não! Eu nem manifestei ainda! O senhor sabe disso!
Koy protestou, se sentindo injustiçado. O pai ficou em silêncio por alguns segundos, apenas o observando, antes de suspirar fundo. Ele então apoiou a testa nas mãos, encostando-se na mesa, e Koy o observou, sem saber como reagir.
Seu pai então falou:
— Eu fiquei com medo… de que você acabasse se manifestando, por causa de tudo aquilo.
Mais um suspiro trêmulo veio logo depois. Só então Koy começou a entender o motivo da aflição dele. ‘Ele estava preocupado que eu me manifestasse como um ômega’. Era impensável imaginar o pai se preocupando com ele, mas…
— Tá tudo bem. Eu… não sinto cheiro de nada mesmo.
Ele nem tinha se dado conta de que o cheiro do feromônio de Ashley provavelmente impregnara seu corpo. Ashley tinha acabado de se manifestar, então era natural que não tivesse supressor nem controle sobre o próprio cheiro.
Enquanto pensava nisso, o pai disse:
— Se ele fosse só um alfa ou ômega comum, talvez eu não ficasse tão preocupado. Mas ele não é. Ele se manifestou como um alfa dominante.
— O quê?
Koy arregalou os olhos, surpreso. E, por incrível que pareça, foi seu pai quem se espantou com sua reação.
— Você não sabia? Sério?
— É… eu não fazia ideia…
Alfa Dominate? Isso nunca lhe passara pela cabeça. Achava que Ashley era um alfa ou ômega comum.
Bom… nem “comum” ele seria de qualquer jeito.
Corrigindo seus pensamentos, Koy forçou a mente embaralhada a formular uma pergunta:
— Mas… como o senhor sabe disso?
— Aquela mulher me contou. A secretária do pai dele.
O pai respondeu com raiva:
— Disse que o jovem mestre se manifestou como um alfa dominante, e que você ficou com ele durante toda a manifestação… Podia ter sido uma tragédia!
— Ah…
Koy ficou em choque. Alfas e ômegas dominantes são raríssimos, muitos passam a vida sem jamais encontrar um. Por isso, o assunto quase não era tratado na escola, e ele sempre achou que nunca teria contato com um. Muitos alfas extremos são famosos, então você costuma ver seus rostos na TV, mas com que frequência você os encontraria no dia a dia?
Mas aquilo tinha acontecido. Ele estava ao lado de um deles, justamente durante a manifestação.
— A quantidade de feromônio deve ter sido absurda.
Seu pai suspirou de novo, como se aliviasse um peso.
— O fato de você não ter sido afetado… é praticamente um milagre. Que bom… Graças a Deus.
Koy se sentia mais tranquilo com o tom calmo do pai, quando de repente ele voltou a se alterar.
— Nunca mais se aproxime daquele garoto!
— O quê?
Koy perguntou sem pensar, e o pai respondeu elevando ainda mais a voz:
— Você sabe o quanto é difícil a vida de um alfa ou ômega? Eles entram em cio toda hora! E os ômegas ainda podem engravidar! Já pensou engravidar sem saber de quem é o filho? E os alfas, em cio, saem por aí cometendo estupros! Você acha que dá conta de algo assim?!
Ele despejou tudo de uma vez, como se estivesse farto, enquanto Koy empalidecia diante de suas palavras.
— Se continuar andando com aquele desgraçado, mais cedo ou mais tarde você vai se manifestar ou sofrer mutação. E aí já vai ser tarde demais para se arrepender! Corte relações com ele agora! Lembre-se do que eu disse! Se não fizer isso, vai se arrepender. Com certeza!
Com esse aviso final, o pai saiu ofegante, deixando Koy parado, olhando na direção por onde ele tinha ido. Só então se deu conta: precisava esconder as roupas que ganhara de Ashley. Se seu pai descobrisse, o escândalo seria enorme.
Apressado, tirou a caixa debaixo da cama e escondeu as novas peças no meio das antigas. Foi nesse momento que ouviu uma notificação no celular. Ao olhar a tela, seu rosto se suavizou.
Era uma mensagem de Ashley:
[Acabei de chegar em casa. Tenha bons sonhos. Até amanhã.]
Koy rapidamente respondeu: [Até amanhã.]
E esperou. Só depois que a marca de “não lida” sumiu é que um sorriso se desenhou em seu rosto.
“O que você sabe sobre alfas e ômegas?!”
A frase do pai ecoou em sua mente. Koy se deixou cair no chão, ainda em silêncio.
‘E se… eu também tivesse me manifestado naquela hora? Como teria sido’?
°
°
Continua….
Tradução: Ana Luiza
Revisão: Thaís
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Em breve será disponibilizado uma sinopse!
Nome alternativo: Kiss Me If You Can