Ler Lamba-me se puder – Capítulo 64 Online
Por um momento, Ashley pensou que tinha ouvido errado. Não conseguia acreditar no que Koy acabara de dizer, ele jamais diria algo assim. Estava certo: o problema era com Ashley Miller, tinha absoluta certeza, a ponto de até negar o que via com os próprios olhos. A expressão de Koy, com o rosto todo contorcido e os olhos cheios de lágrimas, olhando para ele daquele jeito – não podia ser real.
— …Eu ouvi errado, não foi?
Ashley perguntou novamente. Estava pronto para rir e abraçar Koy no instante em que ele dissesse que era tudo uma brincadeira. Ainda sorrindo, Ashley esperava. Vamos lá, Koy. Diga logo. Depressa.
‘Diga que foi só um erro.’
Mas, mais uma vez, suas expectativas foram quebradas. A voz trêmula de Koy acabou por apagar qualquer traço de sorriso do rosto de Ashley.
— Você está fora de si por causa da manifestação.
Koy continuou:
— Quando recobrar a razão, vai perceber que se enganou.
Ashley, que até então o segurava no ar, lentamente o colocou no chão. Ainda segurando a cintura de Koy dentro da água, abriu a boca:
— Eu me manifestei, sim, mas isso não significa que estou louco.
Mesmo com essa afirmação, Koy voltou a balançar a cabeça, negando. Diante daquela rejeição intensa, Ashley finalmente aceitou a realidade: Koy estava o rejeitando. Negava seus sentimentos, descartava tudo como se fossem apenas delírios. Aquilo era algo que ele simplesmente não podia suportar.
— Mas por quê…?
Ashley inspirou fundo e soltou o ar com força. Por pouco não gritou. Precisava se controlar. Precisava acalmar Koy de alguma forma. Mas mesmo pensando assim, não conseguia entender por que ele não aceitava seus sentimentos. A raiva crescia dentro de Ashley, e ele quase deixou escapar um palavrão.
— Koy…
Reprimiu seu temperamento e, com esforço, falou com calma:
— Por que não consegue confiar em mim? Isso não tem nada a ver com a manifestação. Eu já gostava de você antes disso.
Apesar das palavras sinceras de Ashley, Koy apenas balançou a cabeça em silêncio. Não respondeu, mas a negação era clara.
— Koy, é verdade!
Ashley disse desesperado:
— Eu gosto de você, Koy. Sempre gostei… não como amigo. Isso é amor. Eu te amo.
Estava disposto a rasgar o próprio peito e mostrar seu coração, se isso fizesse Koy acreditar. Depois de sua declaração intensa, finalmente Koy respondeu:
— Eu… eu…
Entre respirações ofegantes, sussurrou com a voz trêmula:
— Eu não gosto de você.
— Ha…
Ashley soltou um suspiro abafado. Koy continuava com a cabeça baixa, evitando seu olhar, e apressadamente acrescentou:
— É verdade. Eu não gosto de você. Nunca pensei em você desse jeito.
— Koy…
— Eu sempre te vi como amigo, por isso vim aqui. Só isso.
— Koy…
— Você está enganado ao pensar que eu te amo. E eu…
— Koy!
Ashley não suportaria ouvir mais uma vez que Koy não o amava. Gritou, interrompendo-o. Embora tenha conseguido calá-lo, sentia-se péssimo. Koy, com os ombros tensos, parecia perdido, sem saber o que fazer. Ashley também estava confuso com tudo aquilo.
‘Por quê?’
‘Por que não? Por que não pode ser?’
‘Eu disse que gosto de você. Então por que você nega o que sente? Você me ama. Estava escrito em você, no seu corpo todo. Então por que…?’
Mas as orelhas de Koi ainda não se moviam. Seu sorriso também havia desaparecido. Ashley começou a duvidar de si mesmo, se questionando se realmente havia enlouquecido por causa dos feromônios.
— …Eu tenho que ir agora.
Koy empurrou o ombro de Ashley. Claro, ele não se mexeu. Ainda tentando se soltar das mãos que o seguravam pela cintura dentro da água, Koy se debatia.
— De verdade, preciso ir. Se eu não voltar para casa, meu pai pode ficar bravo.
Ashley olhou para Koy, que lutava para se libertar, com uma expressão fria.
‘Devo trancá-lo aqui’?
Não seria difícil. Havia muitos quartos sobrando. Até um quarto seguro – ou quarto do pânico, como chamam – totalmente seguro, impossível de encontrar, mesmo que a polícia viesse revistar. Se trancasse Koy lá, ninguém o encontraria. Nunca.
‘Não preciso que ele aceite’.
‘Só preciso trancá-lo ali. Não importa o quanto ele tente, nunca conseguirá fugir de mim. Nunca mais vai poder dizer que não me ama. Porque eu serei tudo o que ele tem’.
— Ash…
Koy o chamou. Mesmo sendo lento para perceber, parecia ter notado que algo estava errado. Ergueu o rosto com dificuldade e olhou para Ashley, mas seu olhar estava cheio de medo. Talvez tivesse percebido que Ashley pensava em prendê-lo ali.
‘Mas e daí’?
‘Connor Niles não pode fazer nada. Mesmo que venha chorando, dizendo que tudo foi mentira e que na verdade me ama… já vai ser tarde demais’.
Ashley apenas o encarou em silêncio.
‘Devia ter estuprado ele naquela hora’.
Talvez assim Koy tivesse se manifestado como ômega. Não havia outra explicação para ele ter permanecido como beta mesmo com tantos feromônios de um alfa dominante em manifestação ao lado.
‘Ainda não é tarde demais’.
Ashley pensou: ‘Se eu simplesmente o tomar agora, cobri-lo com meus feromônios e preenchê-lo por dentro, ele vai manifestar. Pode até engravidar. Não me importo. Ele será completamente meu’.
E ele acreditava nisso, de verdade. Era a única solução. Talvez estivesse louco por causa dos feromônios e sua sanidade já tinha se perdido. Em sua mente só havia um pensamento: o desejo obsessivo de possuir.
Eu preciso ter o Koy.
— …Ah!
Koy soltou um grito curto. Ashley o apertava com força pela cintura. Dentro da água, com os corpos colados, a água fria contrastava com o calor dos dois corpos em contato.
— …Ash…
Koy o olhou. Havia, sem dúvidas, medo em seus olhos. Nunca tinha visto Ashley daquele jeito. Estava furioso. Talvez, como o pai, fosse bater nele. Seria doloroso, mas tudo bem. Ele pensou que, se Ashley o batesse, aceitaria de bom grado.
Com medo, fechou os olhos. Tremendo, com o corpo todo tenso, ouviu Ashley dizer:
— …Você fechou os olhos esperando que eu te beijasse?
A pergunta foi tão absurda que o deixou sem reação. Koy abriu os olhos devagar, surpreso. Ainda estava com medo, mas a expressão de Ashley era totalmente inesperada. Ele franzia a testa, encarando-o como se estivesse chocado.
— N-não, é que…
Koy gaguejou, tentando explicar:
— Eu achei que… você fosse me bater.
— Bater? Eu? Em você?
Ashley soltou o ar com força. Koy encolheu os ombros de novo. Ashley ficou sem palavras. Mesmo tendo cogitado coisas bem piores segundos antes, bater nunca passou pela sua cabeça. Era absurdo. Como poderia bater nesse corpo tão pequeno?
— Eu jamais bateria em você.
Mesmo dizendo isso com um suspiro de repreensão, ele sabia: O que tinha pensado em fazer não era tão diferente.
Forçar Koy a manifestar?
E ainda por cima trancá-lo e estuprá-lo? Aquilo era monstruoso. Ainda assim, mesmo agora, Ashley se sentia fascinado por essa ideia.
‘Não. Eu não sou como aquele homem’.
Ashley se repreendeu. ‘Se eu o obrigar a ser meu assim, o que me diferencia dele’?
Não podia fazer isso. Ele amava Koy. Por isso, cuidaria dele, o trataria com carinho. Não importava se não fosse como ele queria — jamais o trataria como objeto.
Com essa promessa, Ashley o abraçou novamente. Enterrou o rosto em seu ombro e inspirou fundo. Um leve cheiro de pele chegou ao seu nariz.
Permaneceu imóvel por um tempo. Quando finalmente ergueu o rosto, a escuridão que dominava sua mente havia se dissipado.
— …Agora, vá.
Ashley falou com voz baixa, soltando devagar os braços.
— Vou te levar.
Sentiu o corpo de Koy relaxar aos poucos em seus braços. Nos olhos que o encaravam, agora havia preocupação, não medo.
— Você tá bem…?
Koy perguntou, percebendo algo estranho. Ashley, em vez de responder, apenas beijou sua bochecha. Vendo seu rosto corar instantaneamente, Ashley sorriu, como sempre fazia. Koy pareceu um pouco aliviado e soltou os ombros.
Ashley observou em silêncio enquanto ele saía rapidamente da água, passando ao seu lado. Depois, saiu da piscina lentamente, nadando em direção à borda, e começou a seguir Koy devagar, que corria para dentro da mansão.
Enquanto isso, lutava contra a escuridão obsessiva que havia dentro de si.
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Continua….
Tradução: Ana Luiza
Revisão: Thaís
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Em breve será disponibilizado uma sinopse!
Nome alternativo: Kiss Me If You Can