Ler Lamba-me se puder – Capítulo 51 Online
Ashley sussurrou em voz baixa, como se estivesse revelando um segredo muito íntimo.
— Você precisa colocar o cinto de segurança direito.
Até aquele momento, Koy ainda piscava com uma expressão atordoada no rosto.
— Hã? Ah, ah…
Ashley sorriu de leve.
— Se acontecer um acidente, vai ser um problema.
— Ah…
Koy ficou parado, observando enquanto Ashley se afastava dele e ajustava sua postura. Sob seu olhar atento, ele deu partida no carro e o veículo começou a se mover suavemente. Dentro do carro em movimento, Koy finalmente começou a recobrar os sentidos. Logo em seguida, seu rosto ficou vermelho como um tomate.
O que eu estava pensando?!
Assustado, ele bateu nas próprias bochechas várias vezes, sem nem perceber.
— Koy? O que foi?
Preocupado, Ashley tirou uma das mãos do volante e segurou a mão de Koy.
— O que houve? Por que está fazendo isso?
— Hã… n-nada.
Sentindo o rosto ainda quente e dolorido, Koy gaguejou.
— É que… bom… nada.
Depois de várias tentativas de abrir a boca, ele finalmente murmurou em voz baixa:
— Não foi nada… desculpa.
Mesmo assim, Ashley continuou segurando a sua mão por mais um tempo, observando atentamente seu rosto. Pelo jeito sério dele, parecia mesmo preocupado.
‘Preciso mudar de assunto agora.’
Koy pensou desesperadamente, tentando encontrar um novo tema. E então, como um milagre, o cliente da loja lhe veio à mente. Isso! Era a deixa perfeita.
— Ei, qual é o nome desse carro?
Koy esperou ansiosamente, torcendo para que Ashley caísse. Para sua sorte, ele respondeu sem hesitar:
— Aston Martin.
Ele manteve os olhos fixos na estrada e continuou:
— Não dá pra andar de van num dia como hoje.
‘Que alívio…’
Koy suspirou internamente e, agora um pouco mais tranquilo, perguntou:
— Seu pai está em casa?
— Não, o carro estava na garagem.
A resposta casual fez Koy se lembrar da enorme garagem da casa dele, que vivia fechada. Fazia sentido. Com certeza deveria haver mais carros guardados lá dentro.
— Vocês têm muitos carros?
Quantos será que havia? Tomado pela curiosidade, Koy perguntou, e um sorriso apareceu nos lábios de Ashley.
— Vou te mostrar da próxima vez. Se gostar de algum, podemos sair para dar uma volta juntos.
— Sério?
— Sério.
Ashley respondeu com firmeza enquanto trocava de faixa e perguntou:
— Você tem algum carro favorito?
Pegando Koy de surpresa, ele se apressou para pensar em alguma coisa.
— Hã… Jaguar?
Na verdade, era o único nome de carro caro que ele conhecia. Se não tivesse nome de animal, ele provavelmente nem teria lembrado. Sentindo o coração acelerar, Koy tentou manter a calma, e Ashley, ainda olhando para frente, comentou:
— Entendi.
No momento em que ele soltou um suspiro de alívio, Ashley perguntou de novo:
— Qual modelo?
— Ah…
Dessa vez ele travou completamente. Como poderia improvisar alguma coisa se não sabia nada do assunto? Sem escolha, forçou a memória e respondeu:
— Sei lá… um carro clássico?
Falando quase como um sussurro, Ashley assentiu sem hesitação:
— Tudo bem. Da próxima vez, trago esse.
Koy acenou aliviado, mas logo se assustou e se virou para ele.
— Você tem um Jaguar?
— Pode pegar a água ali no porta-luvas?
Ashley apontou para à frente de Koy. Ele seguiu com os olhos e, apressado, abriu o porta-luvas, pegando uma garrafinha de água. Quando estava prestes a entregar, parou e perguntou:
— Quer que eu abra?
— Obrigado.
Com a resposta de Ashley, Koy ficou feliz e abriu a tampa da garrafa. Quando entregou, ele segurou o volante com uma mão e bebeu direto da garrafa. Observando enquanto ele colocava a garrafa meio cheia no suporte ao lado, Koy notou que o carro estava entrando numa rodovia e se assustou.
— A gente vai longe?
Koy pensou que iriam só até o bairro ao lado e ficou surpreso. Ashley assentiu e respondeu:
— Uma hora? Uma hora e meia?
— Tudo isso?
Essa distância significava que estavam indo para fora da cidade. ‘Mas pra onde exatamente?’ Apesar da inquietação, Koy tentou acalmar a si mesmo, confiando em Ashley.
‘Ashley nunca faria nada de ruim comigo.’
Mesmo tentando acalmar o coração acelerado, sua curiosidade era inevitável. Pegou discretamente o celular e checou a localização. Franziu a testa. Era a primeira vez que ia tão longe assim, e não fazia ideia do que havia naquela direção.
Enquanto se esforçava para entender, com uma expressão preocupada, Ashley lutava para conter o sorriso que insistia em surgir em seus lábios.
‘Koy, você é mesmo adorável’.
‘Seria maravilhoso passar o dia inteiro abraçado com você na cama’. Imaginando-se mordiscando e lambendo todo o corpo de Koy, ele soltou um suspiro involuntário. Apertou o volante com mais força e ligou o som do carro de propósito.
♪ […] Enfie seu XX no meu XX e chupe meu XX encharcado […] ♪
Logo a primeira música era uma bem popular, conhecida por sua letra vulgar e cheias de atos sexuais. Ashley desligou o som imediatamente.
Um silêncio desconcertante caiu sobre o carro. Nenhum dos dois disse uma palavra. Ashley lançou um olhar rápido para Koy e viu que ele estava de olhos arregalados e boca aberta. Tossiu discretamente.
— Koy, você não está com fome?
— Hã? A-ah…
Assustado, Koy virou o rosto. Ashley tentou manter a naturalidade.
— Aguenta só mais um pouco. Vamos passar num lugar antes de comer. Talvez dê para pegar um lanchinho por lá.
— T-tá bom…
Koy assentiu, mas o coração batia com força. A música indecente havia trazido de volta as lembranças que ele tentava esquecer.
‘Por que fui imaginar uma coisa daquelas?’
Só de pensar, seu rosto esquentava de vergonha.
‘Achei mesmo que o Ashley fosse me beijar…’
‘Ridículo’. Como pôde imaginar algo tão absurdo?
‘Se ele souber, vai ficar tão chocado que talvez fique bravo…’
Suando frio pelas costas, Koy tentou parecer tranquilo enquanto mexia no celular sem motivo. Por favor, que ele não ouça o som do meu coração.
* * *
Uau…
Logo depois de saírem da rodovia e entrarem em uma estrada comum, Koy arregalou os olhos. Nunca tinha visto um lugar como aquele antes. As ruas eram limpas e brilhantes, com pessoas bonitas e elegantes andando para lá e para cá. As vitrines das lojas exibiam designs sofisticados e coloridos. Até mesmo o chão, por onde tantas pessoas passavam, parecia reluzente. Koy ficou sem fôlego.
Ashley parou o carro em frente a uma dessas lojas. A única diferença era que a vitrine estava coberta por uma cortina, o que fez Koy franzir a testa, curioso. Enquanto ele ainda olhava, meio hipnotizado, Ashley saiu do carro e foi até o lado do passageiro para abrir a porta para ele. Só então Koy se deu conta de que estava parado ali, em transe.
— O-o-obrigado.
— De nada.
Ashley sorriu suavemente, passou o braço pelas costas de Koy e o puxou gentilmente para mais perto.
— Vamos entrar.
— Hã? A-ah…
Koy assentiu, ainda sem entender muito bem o que estava acontecendo. Havia um segurança grande em frente à porta. Assim que os viu, ele imediatamente se moveu para o lado e abriu a porta para eles. E não só isso: ainda sorriu, alternando o olhar entre os dois.
Sem entender nada, Koy foi conduzido para dentro da loja por Ashley. Até aquele momento, achava que ele só iria comprar alguma coisa.
— Olá, Sr. Miller. Seja muito bem-vindo.
‘Senhor Miller’?
Assim que entraram, uma mulher elegante e sorridente os cumprimentou calorosamente. Koy ficou surpreso. Chamar um colegial de “senhor” era algo totalmente fora do comum. Mas o que mais o surpreendeu foi a atitude de Ashley. Ela respondeu com naturalidade e educação:
— Olá. Quanto tempo. Como você está?
Após um leve aperto de mãos, Ashley virou-se para Koy e apontou para um canto:
— Este é meu amigo, Connor Niles. Koy, vem aqui.
Enquanto piscava, confuso, a mulher voltou o olhar para ele, sorrindo gentilmente.
— Prazer em conhecê-lo, Sr. Niles. Eu sou Joanna Mondavi. É um prazer conhecê-lo.
Para os adolescentes, ser chamado de “senhor” geralmente era motivo de piada, como quando o velho professor de história os tratava assim — e todos riam dele por isso. Mas Koy, que respeitava o professor, sempre achou o título elegante. Ainda assim, ouvir aquilo fora da escola era totalmente inesperado.
Ficou parado, meio perdido, enquanto Joanna, após cumprimentá-los, os guiou para o interior da loja.
— Por aqui, por favor. Como vocês avisaram com antecedência, já deixamos os produtos preparados. Depois daqui vão jantar, não é? Ah, aquele restaurante é muito famoso. Ótima escolha. Podem se sentar aqui. Enquanto olham, posso trazer uma bebida e alguns petiscos?
A maneira como ela falava era impressionante — fluente, educada, sem tropeços. Koy ficou novamente maravilhado. E não era só isso. Tudo à vista era brilhante, requintado. Até os funcionários, bem alinhados em seus lugares, eram pessoas tão bonitas e estilosas que chamavam atenção só de estarem ali. Olhando ao redor, atordoado, ele parou ao ver o sofá que Joanna indicava.
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Continua….
Tradução: Ana Luiza
Revisão: Rize
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Em breve será disponibilizado uma sinopse!
Nome alternativo: Kiss Me If You Can