Ler Lamba-me se puder – Capítulo 41 Online
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Enquanto caminhavam em direção ao carro de Ashley estacionado, Koy sentiu, por algum motivo, como se estivesse sendo arrastado contra a vontade – e, de certo modo, era verdade. Ashley andava na frente, segurando sua mão com os dedos entrelaçados, puxando-o, enquanto ele hesitava em seguir, com passos relutantes.
Felizmente, já era tarde e quase não havia alunos por perto. Caso contrário, teriam atraído atenção demais. O que será que os outros estudantes teriam dito? De qualquer forma, certamente não seria nada agradável de ouvir.
Incomodado com a sensação de ter a mão presa naquela outra, tão grande, Koy tentou soltá-la discretamente, mas Ashley percebeu o movimento e apertou ainda mais forte. Quando ele ergueu o rosto, surpreso, Ashley continuou olhando para frente e disse:
— Eu disse que não ia deixar você escapar.
A frase “Eu não vou mais fugir” subiu até a ponta da língua, mas ele não conseguiu dizê-la. Afinal, ele havia sido pego em flagrante tentando escapar. Até para si mesmo, soava como uma promessa vazia, e Koy não teve escolha a não ser abaixar a cabeça novamente.
Era uma situação desconfortável e incômoda, mas mesmo assim, o calor daquela mão que se recusava a soltar a sua trazia um estranho sentimento de alívio. Seria isso que significa ter um amigo? Essas mudanças repentinas de humor, tantos sentimentos conflitantes ao mesmo tempo? Koy não sabia. Afinal, Ashley era seu primeiro amigo de verdade.
‘Talvez eu esteja passando pelos estágios da adolescência tardia…’
Koy pensou nisso. A idade já havia passado, mas ele aprendeu que mudanças como essa podem acontecer mesmo depois de adulto. A adolescência traz transformações no corpo e, principalmente, uma confusão intensa de sentimentos. Era exatamente o que ele estava sentindo agora.
‘Vai ver, manifestação e adolescência são parecidas.’
Parecia uma boa teoria. Ambas envolviam mudanças drásticas. A maioria das pessoas passava por isso antes da adolescência, mas algumas só manifestavam mais tarde. Então, em certo sentido, a adolescência poderia ser como um “despertar” que os betas experimentam? Escrever um ensaio ou uma tese sobre isso talvez fosse interessante.
Pelo menos, ele tinha encontrado um bom tema para um trabalho. Mas a fuga da realidade durou só até ali.
Koy lançou um olhar cauteloso para Ashley. Ele ainda caminhava em silêncio sem virar o rosto, então não dava para ver sua expressão. Durante todo o caminho, Ashley não olhou para trás nem uma vez.
‘Ele deve estar muito bravo…’
Koy sentiu um arrepio. Fazia sentido, ele tinha fugido a toda velocidade assim que viu Ashley, qualquer um ficaria chateado. E Ashley nem sequer tinha treino hoje, mas mesmo assim ficou na escola até aquele horário só para esperar por ele. E o que ele fez? Agiu como se o tivesse traído pelas costas.
‘Mas talvez ele não estivesse esperando por mim…’
Esse pensamento surgiu do nada. ‘Não, ele disse que estava esperando por mim,’ retrucou mentalmente, balançando a cabeça para afastar a dúvida. Mas, uma vez que a incerteza apareceu, era difícil expulsá-la por completo.
‘E se ele estava esperando por mim… mas também pela Ariel?’
Essa ideia parecia se encaixar. Koy voltou a se sentir inquieto. Ele poderia muito bem ouvir sobre a aprovação ou reprovação diretamente pela boca de Ariel. Se fosse reprovado, não precisaria mais treinar, e tudo acabaria ali. Mas, se tivesse sido aprovado, Ashley o levaria para casa, como sempre fazia.
‘Ou talvez ele quisesse usar essa chance para fazer as pazes com a Ariel.’
‘Ah, então é isso.’ Koy pensou, com os olhos se iluminando. ‘Faz sentido.’ Por que, afinal, Ashley se daria ao trabalho de ensiná-lo a patinar, já exausto dos treinos diários? Como Ashley era seu primeiro amigo, Koy não sabia os limites de uma amizade, mas, pensando bem, no lugar dele teria feito o mesmo. Se Ashley precisasse dele para algo, faria qualquer coisa.
‘É, deve ser isso.’
A suspeita se transformou em certeza. Que ideia brilhante – ajudar um amigo e se reconciliar com a namorada ao mesmo tempo. E também tinha sido bom para Koy. Ele recebeu ajuda de Ashley e, ao mesmo tempo, acabou sendo útil para ele.
‘Foi realmente algo bom, no fim das contas.’
Koy abaixou os olhos, cabisbaixo. Mas afinal… por que ele estava se sentindo assim?
Por mais que pensasse, não conseguia encontrar uma resposta dessa vez.
— Vamos, entrar.
Ashley, que já havia chegado até a frente do carro, soltou a mão dele que segurava até então e abriu a porta do banco do passageiro. ‘Então ele já soube que eu passei,’ Koy pensou. Mas mesmo assim, não conseguiu se mexer de imediato e ficou parado, hesitante. Vendo isso, Ashley disse:
— Eu disse para entrar.
— Ah… é que…
Havia tantas coisas passando pela cabeça de Koy, mas o que saiu da boca foi a mais inútil de todas.
— Eu… preciso pegar minha bicicleta…
— Entra logo. — Ashley o interrompeu. — Eu vou buscar ela pra você. Anda — ele disse, impaciente.
Com isso, Koy não teve mais como resistir. Acabou se curvando e se encolheu para sentar no banco do passageiro. Ashley então fechou a porta. Logo em seguida, ouviu-se um clique – as portas haviam sido trancadas.
— Hã? O quê?
Confuso, Koy olhou ao redor. Quando levantou os olhos, viu Ashley erguer o controle do carro como se estivesse se exibindo, e logo em seguida, virar-se e se afastar a passos largos. Koy apenas ficou ali, com os olhos arregalados, observando a silhueta dele se distanciar.
‘Mas o quê…’
Aflito, Koy agarrou a maçaneta da porta. Mas tudo o que conseguiu foi ouvir o barulho seco da trava tentando se abrir — e falhando.
‘O que está acontecendo?’
Ele não conseguia entender. Era possível uma porta não abrir por dentro? Esse carro tinha esse tipo de sistema? Claro que era possível instalar algo assim, mas… por que diabos alguém faria isso?
Desesperado, olhou ao redor várias vezes, tentando abrir a porta de novo e de novo – sem sucesso. No fim, teve que aceitar a realidade.
‘O Ash me trancou aqui dentro.’
***
Ashley não demorou muito para voltar ao carro. Assim como quando foi embora com a bicicleta de Koy no ombro, ele retornou a passos largos, colocou a bicicleta no porta-malas e então entrou e sentou no banco do motorista.
— Pronto, Koy. Agora vamos conversar.
Trancando novamente as portas, Ashley se virou na direção dele. O interior do Cayenne, que até então parecia tão espaçoso, de repente ficou sufocante. Instintivamente, Koy se encolheu e recuou o corpo o máximo que conseguiu. Ashley franziu a testa ao ver isso. Um silêncio desconfortável pairou no ar.
— …Koy.
Ashley finalmente falou, depois de algum tempo. Koy estava nervoso por dentro, mas a emoção que vinha da voz de Ashley não era raiva – era outra coisa.
— Koy, eu te assustei?
— Hã? O quê?
Surpreso com a pergunta, Koy gaguejou sem querer. Piscando rápido, ele tentou reagir, mas Ashley continuou:
— Por que você saiu correndo daquele jeito? E mesmo no caminho até aqui, você ainda tentou fugir de novo, não foi? Por quê? Eu fiz alguma coisa errada?
— Eu…
As palavras inesperadas o deixaram completamente desnorteado. Por mais que tivesse refletido sobre várias coisas no caminho, isso não estava nos seus planos. Olhando apenas para Ashley, piscando sem parar, Koy se viu sem reação.
— Será que foi algo tão grave que você não consegue nem falar?
— O quê? Não! De jeito nenhum!
Koy respondeu alto, balançando a cabeça com força. Só parou quando começou a sentir tontura. Ofegante, ele negou novamente:
— Não é isso, Ash. Não foi por nada disso.
— Então?
O rosto de Ashley ficou ainda mais sério. Koy sentiu um aperto no peito – havia feito ele se preocupar por algo bobo. Um arrependimento repentino o invadiu, mas naquele momento era mais urgente desfazer o mal-entendido do que se culpar
— É que… quer dizer… isso…
Koy tentou se explicar, escolhendo as palavras com pressa, mas não era fácil. Como explicar um sentimento que nem ele mesmo conseguia entender?
Felizmente, Ashley esperou em silêncio, mesmo vendo que ele estava completamente perdido. ‘Talvez ele tenha mais paciência do que eu imaginava.’ Sentindo uma mistura de respeito por Ashley e frustração consigo mesmo, Koy respirou fundo.
— Então…
— Uhum.
Assim que abriu a boca, Koy se deparou com o olhar de Ashley. Ele o encarava com toda a seriedade, ouvindo cada palavra com atenção.
‘Vai dar tudo certo.’
O coração agitado de Koy começou, pouco a pouco, a se acalmar. ‘Posso falar com o Ash,’ ele pensou. Sentia que, não importava o que dissesse, Ashley não zombaria dele. Respirando fundo mais uma vez, ele finalmente confessou:
— Eu… acho que estou passando pela puberdade.
Logo após dizer isso, Koy fechou a boca. Ashley continuou encarando seu rosto, sem dar qualquer sinal de reação.
— …O quê?
Depois de alguns segundos, a única reação de Ashley foi franzir o rosto e soltar essas palavras. E era de se esperar. Ele não conseguia entender nem um pouco o que estava ouvindo. Puberdade? Eles estavam no segundo ano do ensino médio. Aquilo soava ainda mais absurdo do que quando Ariel sugeriu colocar um garoto vestido de mulher para espantar o azar.
Mas Koy parecia estar realmente convencido de sua teoria. Com mais entusiasmo, começou a listar os motivos que o levavam a pensar assim:
— Dizem que pode acontecer mais tarde, tipo uma manifestação. Claro que depois dos vinte já é considerado uma mudança tardia, mas enfim… acho que é isso que está acontecendo comigo.
— Você… Se manifestou?
— Não! Eu disse que é puberdade!
Koy insistiu, com firmeza:
— Tipo aquele a manifestação que os betas experienciam antes da idade adulta.
— Haa…
Ashley fez um esforço para levar a conversa a sério, mas simplesmente não conseguia entender onde aquilo ia dar. Soltando um longo suspiro, ficou em silêncio por um tempo, pensativo, até se virar novamente para Koy.
Durante todo esse tempo, Koy esperou a reação dele com o coração apertado. Vendo aquele rosto sério, Ashley não conseguiu simplesmente ignorar tudo como um devaneio. Então decidiu tentar entender Koy da melhor forma possível.
— Certo… Então, por que você acha que está passando pela puberdade?
Ashley perguntou, com a mesma seriedade de Koy. O outro abriu a boca, prestes a responder:
— Ahm…
Mas, de repente, seu campo de visão foi preenchido pelo rosto de Ashley, que se aproximou.
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Continua…
Ler Lamba-me se puder Yaoi Mangá Online
Em breve será disponibilizado uma sinopse!
Nome alternativo: Kiss Me If You Can