Ler Lamba-me se puder – Capítulo 257 – Extra 31 Online


Modo Claro

Sugar Baby

 

Esse país de merda.

Ashley Miller estava de péssimo humor desde o momento em que decidiu comparecer à festa. Os empregados, que já haviam percebido há muito tempo o quanto ele estava irritado, mantinham a boca fechada e se moviam apressadamente, tentando ao máximo não chamar sua atenção.

Por que toda vez que há algum evento é obrigatório levar um acompanhante?

Quanto mais pensava nisso, mais absurdo lhe parecia. Por que ele precisava exibir seu precioso Koy para todo mundo?

Ao construir a casa, Ashley havia dedicado atenção especial ao quarto do pânico. Era um lugar projetado para manter Koy isolado caso fosse necessário, embora nunca o tivesse utilizado até então. Koy sequer sabia que aquele cômodo existia. É claro que Ashley havia tomado inúmeras precauções para evitar que uma situação assim surgisse. Acima de tudo, aquela casa era uma verdadeira fortaleza, completamente isolada do mundo exterior. Era preciso dirigir mais de trinta minutos até alcançar uma estrada. Sozinho, Koy não conseguiria ir a lugar algum.

De certa forma, o local era praticamente um espaço de confinamento. Naturalmente, também era quase impossível alguém visitá-los. Desde o casamento, nenhum dos amigos de Koy havia conseguido ir até lá sequer uma vez.

Ele pertence apenas a mim.

Só o fato de Koy existir já fazia Ashley ansiar pelo fim do expediente. Quando chegava em casa e encontrava Koy esperando por ele na entrada, correndo para abraçá-lo assim que o via, sentia como se tivesse conquistado o mundo inteiro. Finalmente Koy havia se tornado seu. Todos os dias eram repletos de satisfação. Ele não acreditava que pudesse ser mais feliz do que era. E justamente porque o valorizava tanto…

Infelizmente, os chamados “costumes sociais” estavam atrapalhando seus planos. Em outras palavras, em qualquer evento ou ocasião formal, era necessário comparecer acompanhado por um parceiro. Até então, Ashley simplesmente ignorava essa regra. Às vezes comparecia sozinho às festas e, quando precisava de companhia, levava Bernice. Como a relação entre os dois era mais próxima da de mãe e filho, ninguém suspeitava de nada. 

Claro, rumores e especulações sobre sua vida privada nunca deixaram de circular, mas acabavam desaparecendo sem chegar a lugar algum. Mas, depois que seu casamento com Koy se tornou público, a situação mudou completamente.

O próprio Ashley Miller escolheu alguém?

Quem foi capaz de fisgar um peixe tão grande?

Naturalmente, todos aguardavam ansiosamente o dia em que Ashley apareceria acompanhado.

Finalmente Ashley Miller vai trazer o parceiro para uma festa.

Infelizmente, aquilo era um equívoco. Ashley continuava aparecendo sozinho. O motivo era simples: ele não queria mostrar Koy aos outros. Era apenas seu desejo possessivo de mantê-lo só para si. Mas as pessoas interpretaram a situação de outra forma.

Será que é apenas uma relação física?

Ashley Miller se casou com um interesseiro, mas nunca aparece com ele em público.

Ashley Miller foi manipulado por um caçador de fortunas.

Todo tipo de especulação e boato malicioso começou a circular. Até então, Ashley jamais havia se importado com o que os outros diziam sobre qualquer assunto, inclusive sobre ele mesmo. A opinião alheia não tinha para ele mais importância do que um punhado de poeira. Mas quando o assunto era Koy, ele não conseguia tolerar nem um segundo. Além disso, os fofoqueiros da alta sociedade eram como corvos atraídos por qualquer oportunidade de espalhar rumores. Se colocasse Koy diante deles sem proteção, bastariam dez minutos para que ele saísse emocionalmente destruído. Por isso, escondê-lo cuidadosamente parecia uma escolha mais do que natural.

Como ousam insultar Koy?

Ashley tinha inúmeras maneiras de fazer os tabloides e os responsáveis por aqueles comentários absurdos se arrependerem amargamente. Poderia processá-los todos, se quisesse. Mas aquilo exigiria tempo demais e seria extremamente ineficiente. A solução mais simples e rápida era apenas uma: Aparecer em público com Koy. Só isso já seria suficiente para silenciar todos os rumores.

O único problema era que, para fazer isso, Ashley precisaria abrir mão de sua vontade de manter Koy exclusivamente para si. Depois de tomar a difícil decisão e confirmar presença na festa, seu humor piorava cada vez mais à medida que a data se aproximava. Embora Koy estivesse animado e curioso com a novidade, Ashley continuava querendo evitar colocá-lo diante daqueles esnobes da sociedade.

Passou dias tentando encontrar outra solução. Mas o tempo continuou correndo inutilmente. E, no fim, aquele dia chegou. Por essa razão, Ashley estava de péssimo humor desde cedo. A única exceção capaz de suavizar aquela atmosfera pesada era, como sempre, Koy.

— Ash, o que acha? Ficou bom? Está tudo certo? — perguntou Koy.

Vestindo o terno que havia sido preparado antecipadamente e com os cabelos cuidadosamente penteados para trás, Koy parou ao lado de Ashley. Os sapatos artesanais, perfeitamente engraxados, não tinham sequer um grão de poeira. O terno cinza-claro, quase branco, ajustava-se perfeitamente ao seu corpo e, como Ashley já esperava, lhe caía muito bem. As bochechas levemente coradas o tornavam ainda mais adorável. O prendedor de gravata com uma pérola negra e as abotoaduras de diamante certamente haviam sido ideia do mordomo.

— Está ótimo.

Quando Ashley assentiu satisfeito, o rosto de Koy finalmente se iluminou.

— Ainda bem.

Suspirando de alívio, Koy continuou meio sem jeito:

— É a primeira vez que vou a um lugar assim… Eu estava preocupado. Não queria que você passasse vergonha por minha causa.

Como se isso pudesse acontecer.

Jamais.

Por que ele pensaria uma coisa dessas?

Ashley franziu a testa e então perguntou, estreitando os olhos:

— Koy… você não acha que eu fui sozinho a esses eventos até agora porque tenho vergonha de você, não é?

— Ah… hã?

Surpreso, Koy desviou o olhar. Era tão óbvio que ele estava nervoso que Ashley quase conseguia enxergar o suor frio escorrendo por suas costas.

— Não é isso… É que eu não estou acostumado com esse tipo de ambiente… Eu poderia acabar te dando trabalho… Além disso, não é como se fosse obrigatório levar um parceiro para todos os lugares…

Mas neste país miserável, praticamente é.

Observando o rosto de Koy, que estava interpretando toda a situação de forma completamente diferente de suas verdadeiras intenções, Ashley mergulhou em pensamentos por um instante. Mesmo assim, não tinha a menor intenção de revelar a verdade.

Se Koy descobrir que eu sou tão obcecado por ele a ponto de não querer mostrá-lo para o mundo, vai acabar se cansando de mim.

A maioria das pessoas jamais gostaria de ter um parceiro que as prendesse daquela forma. Koy era especialmente tolerante quando se tratava de Ashley, então provavelmente aceitaria até isso. Mas certamente ficaria desconfortável.

Então só existe uma solução.

Com uma expressão perfeitamente tranquila, Ashley fez um leve gesto com os dedos para Koy se aproximar. Quando Koy obedeceu, Ashley abriu a gaveta onde guardava os acessórios e passou os olhos pelas caixas organizadas ali em fileiras regulares. Koy inclinou a cabeça, observando-o escolher uma delas. 

Sem dizer uma palavra, Ashley retirou um relógio da caixa e o colocou no pulso dele. Surpreso com aquela atitude repentina, Koy piscou várias vezes. Seu relógio antigo de sempre não combinava com as roupas que estava usando naquele dia, então ele o havia deixado de lado. Agora, sentindo o peso do novo relógio em seu pulso vazio, examinou-o atordoado. Pelas pedras preciosas incrustadas tanto no mostrador quanto na pulseira, era óbvio que custava uma fortuna.

— É uma demonstração de gratidão.

— Hã? Gratidão pelo quê?

Koy ergueu a cabeça, ainda sem saber como reagir. Como se estivesse esperando exatamente por aquilo, Ashley lhe deu um beijo nos lábios.

— Por ir à festa comigo.

— Hã? Não, não precisava…

Koy tentou balançar a cabeça apressadamente, mas Ashley o puxou pela cintura, fazendo-o interromper o movimento. Aproveitando o instante em que Koy ficou sem palavras, Ashley sorriu de forma doce e continuou:

— Eu não sabia que você pensava desse jeito. Eu só estava tentando ser atencioso com você.

— Atencioso?… Comigo?

— Sim.

Antes que Koy começasse a imaginar coisas erradas novamente, Ashley continuou falando rápido — num ritmo moderado para conduzir a conversa, mas sem parecer suspeito aos olhos dele.

— Você não está acostumado com esse tipo de vida e, depois que Nathaniel nasceu, ficou completamente apaixonado pelo bebê, não foi? Então pensei que você preferiria ficar com a criança em vez de perder tempo com eventos tão inúteis…

Era, naturalmente, uma mentira. Ashley jamais quis dividir Koy com outras pessoas. Mesmo que se tratasse do filho deles, ele apenas havia concluído que era melhor deixar Koy brincando com o bebê do que levá-lo a uma festa e expô-lo diante de inúmeras pessoas. Claro, não havia a menor chance de Koy perceber seus verdadeiros pensamentos.

Koy arregalou os olhos. Observando-o de cima, Ashley abriu um sorriso amargo. Koy já estava praticamente convencido.

— Eu queria ir com você, mas me contive de propósito porque estava pensando no seu bem.

— …

Como Ashley esperava, Koy o chamou pelo nome com uma expressão em que culpa e gratidão se misturavam. Ashley o abraçou quando Koy, como se fosse a coisa mais natural do mundo, envolveu os braços ao redor de seu pescoço e o beijou.

Então apenas aproveitou enquanto Koy esfregava os lábios nos seus com carinho.

 

°

°

Continua….

 

Tradução:  Ana Luiza

Revisão:  Thaís

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Em breve será disponibilizado uma sinopse!
Nome alternativo: Kiss Me If You Can

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