Ler Lamba-me se puder – Capítulo 251 – Extra 25 Online

Dia do Casamento (continuação)
— NÃÃÃÃÃÃÃÃÃO!
Bill soltou um grito silencioso e se lançou desesperadamente para frente. Nem quando avançava para impedir um disco indo direto para o gol ele tinha se movido tão rápido assim. E era óbvio. A situação agora era literalmente questão de vida ou morte. Um velho amigo podia morrer. Ele podia morrer. Todo mundo podia morrer. E o Ashley provavelmente ia começar matando ele primeiro.
Em poucos segundos, o passado passou como um filme diante dos seus olhos. Principalmente Ashley agarrando Bill pelo colarinho sempre que acontecia qualquer problema. Mas dessa vez não podia deixar acontecer.
— Eeeei!
Bill agarrou rapidamente o trilho de mesa que estava sobre a bancada e o girou no ar enquanto gritava, chicoteando o tecido na direção do amigo sem noção.
Slaaap!
Com um som cortando o ar, o tecido acertou o rapaz, que virou confuso para trás. Bill imediatamente levantou a voz:
— Senhoritas! Hora das gorjetas! Mostrem seu amor sem moderação para esses búfalos selvagens!
Enquanto dizia isso, Bill enfiou rapidamente o tecido nas mãos do amigo e o empurrou para frente. Pego de surpresa, o rapaz começou a andar desajeitadamente entre as garotas, mostrando as costas, deixando mexerem em seus braços e recebendo gorjetas conforme mandavam. Claro que eram só notas de um dólar. Todos sabiam que, mesmo trabalhando a noite inteira, eles provavelmente não conseguiriam juntar nem cem dólares. Mas ninguém ligava. Eles só estavam se divertindo com o clima da festa. Com exceção de uma única pessoa.
Koy, sentado ao lado de Ashley e observando os amigos com um sorriso despreocupado, virou casualmente para olhar Ariel — e quase morreu de susto. A antiga rainha do Buffalo High School e campeã amadora de boxe estava encarando Bill com uma expressão aterrorizante.
P-por que ela tá assim…?
— O que foi?
Ashley percebeu que Koy estava estranho e perguntou em voz baixa. Koy, incapaz de esconder a ansiedade, apontou discretamente para Ariel com o olhar. Ashley seguiu a direção indicada, depois virou o rosto para onde Ariel estava olhando e soltou um breve suspiro.
— Por que ela tá tão brava assim…?
Ansioso, Koy perguntou, e Ashley lhe deu um beijo leve como quem dizia para não se preocupar.
— Não é nada demais. Você vai entender logo, então só espere.
— O-ok…
Sem alternativa, Koy assentiu e encolheu os ombros. O braço longo de Ashley envolveu seus ombros e o puxou para perto. Só então Koy relaxou, apoiando a cabeça no ombro dele. Na frente deles, o show continuava animado.
O que esse idiota pensa que tá fazendo…?
Ariel apoiou o queixo numa mão e lançou um olhar feroz para Bill. O humor dela tinha começado a desandar pouco depois do início da festa.
No começo, ela tinha concordado de bom grado, pensando apenas que seria divertido. Mas, quando o show realmente começou diante de seus olhos, aquilo não parecia nem um pouco tão agradável quanto imaginava. Pelo contrário. Sentia uma irritação crescente fervendo dentro dela. A raiva começou de verdade quando Bill tirou a roupa.
No início, Ariel ainda ria e gritava junto com as outras irmãs, acompanhando o clima cada vez mais quente da festa. Só que, aos poucos, aquilo começou a incomodá-la profundamente. Ele não precisava ir tão longe assim. Mas Bill fazia questão de rebolar de maneira provocante e até piscava para as garotas, jogando charme sem vergonha nenhuma.
Que homem descarado…
Ariel começou a achar aquilo irritante. Mesmo assim, ainda conseguia suportar.
A festa já estava rolando havia um bom tempo, então logo terminaria. Como líder atenciosa e compreensiva das líderes de torcida, Ariel pretendia garantir que a despedida de solteiro acabasse perfeitamente bem. E tinha plena confiança de que conseguiria aguentar até o fim. Até que as garotas começam a passar a mão no corpo de Bill.
— Meu Deus, isso é incrível…
As garotas começaram a observar os músculos dele cada vez mais de perto, totalmente admiradas.
— Como você conseguiu desenvolver esse músculo aqui? Eu treino faz mais de um ano e essa parte nunca cresce.
Uma das irmãs passou a mão sem hesitação pelas costas largas dele, e Bill apenas riu.
— Com a barra fixa é a melhor maneira. Se for muito difícil, faça flexões com pegada supinada. Acho que para as mulheres essa parte costuma ser complicada mesmo.
— Deixa eu ver esse lado também. Nossa, você tem músculo até aqui.
— Quantas horas por dia você treina? O que costuma fazer?
As irmãs cercavam Bill como pardais tagarelando, apalpando o corpo dele sem a menor cerimônia. Ariel observava aquela cena fixamente, sem sequer se mover.
Aguenta. Seja madura. As meninas não sabem, por isso estão fazendo isso. Aguenta firme. Quem esse idiota pensa que é pra eu ficar tão irritada assim? Esse tipo de comportamento infantil é coisa do Ashley…
— Sua bunda é muito bonita! Que exercício você faz pra isso?
Foi nesse momento que a vice-líder colocou a mão na bunda de Bill. Instantaneamente, o último resquício de razão na mente de Ariel voou para longe.
— Bill Gulliver!
O grito repentino fez todo mundo se virar assustado. Bill também arregalou os olhos, mas Ariel já não se importava com mais nada. A pessoa que mais a irritava naquele momento era justamente aquele idiota olhando para ela com cara de perdido.
— Bill Gulliver, que diabos você está fazendo?
Todos só conseguiam encará-la sem entender nada enquanto ela berrava de repente com Bill. Sem se importar com as reações, Ariel atravessou o salão em passos largos e parou bem na frente dele.
— Tem coisas que se faz e coisas que não se faz! Como você pode sair mostrando bunda e peito pra qualquer um sem vergonha nenhuma?! Gosta tanto assim de gente te apalpando?!
— AAH!
Incapaz de segurar a raiva, Ariel deu um tapa forte na bunda de Bill. O estalo ecoou alto pelo salão. Bill deu um pulo, soltando um grito, enquanto o resto dos amigos se encolhiam assustados. Massageando a bunda desesperadamente, Bill acabou ficando genuinamente intimidado ao ver Ariel ainda encarando-o com aquela expressão assassina.
Existe injustiça maior que essa? Ele tentou desesperadamente não morrer nas mãos de Ashley… só pra acabar apanhando da própria namorada. E ainda por cima ela era uma ex-campeã amadora de boxe.
O soco — ou melhor, o tapa — dela continuava extremamente poderoso. Com a bunda queimando de dor, Bill acabou deixando escapar algumas lágrimas. Mas, em vez de consolar o namorado, Ariel virou as costas para ele e começou a berrar com a verdadeira origem de todo aquele caos.
— Ashley, você também! Dá pra parar de partir pra cima do Bill toda vez que acontece alguma coisa?! Olha o estado disso aqui! A culpa é sua!
Koy ficou completamente perdido, sem saber o que fazer, mas Ashley apenas observava tudo com uma expressão indiferente, como se aquilo não tivesse absolutamente nada a ver com ele. Ao vê-lo reagir daquele jeito, Ariel ficou ainda mais irritada.
Se Bill e o time de hóquei não tivessem se sacrificado voluntariamente, provavelmente aquela despedida de solteiro teria acontecido sem o próprio Koy. Porque não existia a menor chance de Ashley ficar parado vendo homens ou mulheres tirando a roupa na frente de seu noivo.
Só depois das lágrimas e esforços heróicos de Bill — além da promessa de que “ninguém além dos gorilas faria nada vergonhoso” — é que a festa finalmente pôde acontecer. Bill tinha feito o máximo pelos velhos amigos. E também pelo próprio instinto de sobrevivência.
— Tudo isso é culpa sua, Ashley Miller! E para de atormentar o Bill! Se fizer ele sofrer de novo, eu não vou deixar passar!
Ao ouvir o aviso de Ariel, Bill começou a fungar como se toda a tristeza acumulada finalmente tivesse explodido. Escutando aquilo, Ariel sentiu ao mesmo tempo pena e culpa, então o abraçou e começou a acariciar suas costas.
— Buaahh…
— Tá tudo bem. Doeu muito?
— …Sim.
Vendo aquele homem enorme, quase o dobro do tamanho dela, choramingando abraçado numa mulher tão pequena, todos acabaram soltando exclamações cheias de pena ao mesmo tempo. O clima da festa morreu completamente. Por um tempo, o único som no salão foi o fungar de Bill. Foi então que a vice-capitã falou, hesitante:
— Mas… se isso é problema do Bill… por que a Al ficou tão brava? Que relação vocês têm? Vocês estão namorando?
Outro silêncio caiu instantaneamente sobre o salão. Bill, com o rosto ainda enterrado no ombro de Ariel enquanto fungava, parou de chorar na mesma hora. Até a mão de Ariel, que acariciava as costas dele, congelou no ar.
Todos apenas observavam os dois sem nem ousar respirar. Bill abriu a boca primeiro, hesitante, olhando ao redor sem saber o que fazer. Ao vê-lo daquele jeito, Ariel pareceu tomar uma decisão e então declarou:
— Irmãs, apresento a vocês meu namorado, Bill Gulliver.
— KYAAAAAAAAAAH!
— UOOOOOOOOOH!
As irmãs e os gorilas começaram a gritar e comemorar ao mesmo tempo. Com o estrondo ensurdecedor que parecia capaz de derrubar o quarto do hotel, Koy ficou momentaneamente atordoado. Ashley também parecia incomodado; franzindo a testa, cobriu os ouvidos de Koy com as duas mãos.
Mas Bill não ouvia nada daquela confusão ao redor. Tomado pela emoção, ele encarava Ariel sem conseguir sequer falar. Ariel tinha apresentado ele aos amigos como seu namorado. Existia felicidade maior que aquela? Claro que não. Naquele instante, Bill se ajoelhou diante dela e segurou sua mão.
— Quer casar comigo?
— AAAAAAAAAAH!
— UAAAAAAAH!
As irmãs e os gorilas voltaram a berrar alternadamente, mas logo depois todos se calaram de uma vez. No silêncio tenso que se formou, Ariel desviou os olhos, claramente desconcertada, antes de abrir um sorriso sem graça.
Bill assentiu apressadamente com a cabeça, e então Ariel o aconselhou com gentileza:
— Você pode pedir de novo depois de vestir uma roupa decente?
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Continua….
Tradução: Ana Luiza
Revisão: Thaís
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Em breve será disponibilizado uma sinopse!
Nome alternativo: Kiss Me If You Can